[ES – PDF] Revista Ajajema N° 8 – Contra El Progreso Humano Desde El Sur

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Editorial

“Por fim, escutarei (sem escutar) o ser humano silenciado, mesmo que eu também seja silenciado, e finalmente haverá a voz silenciosa da Natureza Selvagem sussurrando eternamente nos galhos.” – A.

“Sempre antes de sair na rua, e especialmente antes de algum ataque, confio-me aos espíritos dos fueguinos, os agradeço e a eles peço proteção. Minha intenção é mergulhar em tudo isso, aprender coisas que os antigos fizeram, trazê-los de volta à nossa era atual.” – T.

Acompanhando o calor infernal que assola as terras do sul, saímos novamente com a oitava edição. Continuamos firmes em nosso caminho de propagação do germe eco-extremista, no Sul e até onde chegue.

Assim como as temperaturas que atingem níveis insuportáveis nestas terras, os Individualistas Tendendo ao Selvagem seguem com suas ações, pacientes como o lobo quando caça e letais como a mandíbula do Puma. As ações registradas desde o nosso último número foram poucas, mas altamente perigosas e até letais… Sim, os irmãos de ITS-México novamente entregaram vidas humanas aos Deuses Mesoamericanos, desta vez, devorados por um feroz incêndio que também torrou lojas e produtos do mercado Merced, na Cidade do México, mas isso não foi tudo e, para demonstrar que a expansão da tendência mafiosa segue avançando, testemunhamos o surgimento de um novo grupo de ITS, na casa das agências de segurança mais renomadas do mundo, o FBI e a CIA, no território ancestral dos Lakota, dos Siux, e tantos outros. As siglas terroristas da Máfia chegaram até os Estados Unidos e, para começar, dois assassinatos escandalosos foram perpetuados contra miseráveis tecno-executivos, destes que abundam por lá. Assim, o grupo “Ira da Natureza” deixa a sua marca em sua apresentação a ITS. Enviamos daqui uma calorosa saudação de cumplicidade aos irmãos, desejando que os espíritos os protejam, assim como as malditas deidades do sul fazem por estas terras. Certamente, com esse sacrifício, eles saciaram a sede de sangue das antigas ânimas do mundo subaquático. Agora não decaiam, irmãozinhos, nutram-se com sua manada e preparem-se para o que virá. Aprendam com os velhos e com os novos, com os do Sul e com os do Norte, com os da América e também com os da Europa, mas, acima de tudo, aprendam com o Selvagem, e sigam o caminho traçado por seus antepassados, de guerra e morte contra o mundo civilizado.

“Um dia fomos os selvagens da terra, de todas as terras, dançávamos com pumas, lobos, condores e elefantes. Éramos irmãos da baleia, do coypu e do pombo, e embora não lembremos quem éramos, nossos nomes e nossa língua, é hora de voltar a respirar selvagemente e a ser parte desta essência rebelde que lembra que fomos uma criança de peito, que amou e viveu apenas por sua mãe, que nasceu de seu ventre e que, após se afastar dela, amadureceu e voltou com a cabeça erguida, com os olhos cheios de sangue e os punhos cerrados, caminhando de frente, atacando sem medo a terra dos povos do concreto, das árvores de metal e dos rios de sangue.”

Nem tudo foi violência homicida para os grupos da Máfia, o terror também esteve presente, desta vez no berço da civilização ocidental. Foi na Grécia, com um tremendo dispositivo explosivo que não acabou com a vida de alguns gambés “por milagre”. Eles se salvaram desta vez, mas os irmãos que andam por lá demonstraram de sobra a sua periculosidade, a morte espera ansiosamente…

E é claro, se alguma coisa marcou estes meses de intervalo entre o penúltimo número e este, foram os incansáveis distúrbios em todo o mundo. Assistimos em êxtase como o Caos toma conta do globo e estende seus tentáculos em todas as direções. Foi Hong Kong, Líbano, Equador, Venezuela, Espanha, Turquia, Irã e muitos outros, mas o que realmente nos preenche a alma são os distúrbios sanguinários que sacodem o Chile. A terra do terremoto vibra como nunca enquanto desajustados saqueiam negócios, queimam propriedades, cravam punhais, colocam explosivos, roubam veículos e exibem os seus impulsos egoístas e sanguinários através de todas as formas possíveis. ITS não poderia ficar de fora disso, como evidenciado pelos grupos “Incitadores do Caos” e a “Horda Mística do Bosque” nos comunicados 88 e 89 respectivamente, aproveitando-se da desordem geral para atacar os hipercivilizados e empurrar esta crise a níveis insuportáveis, alimentando a violência e a tensão que reina nas ruas.

A nova década foi recebida pelo inconfundível sinal do desastre, civilizações antigas prenunciaram o desastre de seus mundos e os viram desmoronar diante de seus olhos. O panorama de agora é de catástrofes naturais, pestes contagiosas e mortíferas, conflitos armados crescentes, desequilíbrios ecológicos incomensuráveis, superpopulação, superprodução, esgotamento dos solos, fome, incêndios ferozes, estado de vigilância massiva. Em resumo, estamos testemunhando uma crise planetária sem precedentes. À medida que as fundações da civilização ruem, os grupos eco-extremistas e niilistas seguem adquirindo novas armas e ganhando valiosas experiências na prática, executando atentados e assassinatos sem piedade.

Seguiremos sem hesitar ao lado do Caos, alimentando esta guerra com textos afiados, poemas elogiando a beleza do mundo natural, com palavras perversas incitando a violência, instruindo outros na confecção de explosivos e na execução de ataques, estabelecimento de novas redes de cúmplices em todo o mundo e incentivando os irmãos a continuarem no caminho do confronto, sem dar um só passo atrás.

Abrigados pelo calor do verão no sul, pervertendo as mentes daqueles que se deixam levar pelo inconfundível chamado do Desconhecido, entregamos esta versão carregada de misticismo, ensinamentos criminais e reflexões tendentes à misantropia.

Sigamos os passos de nossos ancestrais!

Que brotem novos grupos eco-extremistas e que esta peste se expanda. Coragem, TlahueleIknoyotl!

Oferendas de sangue para os demônios antigos, para Ajajema, Mictlantecuhtli e Mishipeshu!

                              Individualistas Tendendo ao Selvagem – Chile

– Grupo Ajajema: Letras do Caos
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Conteúdo:

– Tradução de “About a Tree”, de Shaugnessy.

– Tradução de “Swallows”, de Shaugnessy.

– Tradução de “An Age of Monsters”, de Shaugnessy.

– “Sobre la vida, profetas y aniquilación”, por Ometeotl.

– “Lamento por los indios de Tierra del Fuego”, extraído do livro “Fin de un mundo: Los Selknam de Tierra del Fuego”, de Anne Chapman

– Tradução de “La Destrucción Perfecciona aquello que es Dios”, do blog “The Tiger’s Leap”.

– Tradução de “Una noche entre sueños: Sangre de Muérdago – Noite”, do blog “The Tiger’s Leap”.

– Tradução de “Un obituario previo a la muerte de nuestros parientes ballenas”, do blog “The Cult of Infinity”.

– “Terrorismo ecológico en la CDMX y Zona metropolitana; el caso de ITS como nuevo fenómeno social.”, ensaio para um TCC possivelmente abandonado.

– Tradução de “Una respuesta a un concepto verdaderamente idiota.”, de Abe Cabrera.

– “Cronología Maldita.”

– “Breves palabras contra el progreso humano a través de la cosmovisión mapuche”, por Werkén.

– “Volver al Futuro: El regreso del violento terrorismo de extrema derecha en la era de los Lobos Solitarios”, traduzido do seguinte artigo: https://warontherocks.com/2019/04/back-to-the-future-the-return-of-violent-far-right-terrorism-in-the-age-of-lone-wolves/

– “Capitulo I. Fin del Mundo.”, extraído do livro “Fin de un mundo: Los Selknam de Tierra del Fuego”, de Anne Chapman
– “Las brujas no se dejan vencer por la civilización. Parte primera”, por Ruda.

– “Apología del Caos.”

– “Respuesta a El Mostrador por parte de un miembro de la tendencia eco-extremista.”, por Místico y Maldito.

– Tradução de “Hacia un misticismo radical”, do blog “Eco-Revolt”.

– “Un rápido vistazo a la correlación entre el Eco-extremismo y el pensamiento Nihilista Misantrópico Egoárquico.”

– “Nunca apagues el teléfono: Un nuevo enfoque a la cultura de seguridad.”

– Tradução de “Un ensayo sobre el Nihilismo Verde”, do blog “Eco-Revolt”.

– “Elogio a Abe”, do blog “Barbaric”.

– “Plegarias Eco-extremistas.”

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Uma Era de Monstros

Tradução do poema An Age of Monsters, de Shaughnessy.

Creio que a guerra da humanidade contra a terra só conseguiu matar os deuses mais gentis
Os deuses que eram amigos dos humanos nas velhas histórias
Mas a arrogância do homem é grande, e seu poder contra a fúria do mundo é limitado
E trará, devido à sua arrogância, uma era de monstros
Os poderes sombrios e ctônicos* NdT1 que emergem das entranhas do mundo
Os monstros que sempre atormentaram o mundo dos homens
Os furiosos deuses das velhas histórias, violentos e cruéis, devoradores de mundos
Inimigos da raça humana, estes serão os deuses do futuro
E quem ame o divino deverá aprender a amar os deuses mais sombrios

Nota do Tradutor:

1: Ctônico se refere às deidades e poderes do submundo.

“Somos xs Jovens Guerreirxs que se preparam para iluminar a noite com relâmpagos”

Tradução do texto da Conspiração do Trovão.

“A única forma possível de começar uma declaração deste tipo é dizendo que detesto escrever. O processo por si só resume o conceito de “pensamento legítimo”. O que está escrito tem uma importância que nega a oralidade… É um dos caminhos do mundo branco para a destruição das culturas dos povos não-europeus, a imposição de uma abstração sobre a prática oral de um povo… Na verdade, não me importo se minhas palavras chegam aos brancos ou não, eles já demonstraram, através de sua história que não podem ouvir, nem ver, que sabem apenas ler (claro, há exceções, mas as exceções apenas confirmam a regra). É preciso um grande esforço de cada um dos índios do continente americano para não ser europeizado. A força deste esforço pode vir apenas da tradição, de suas formas e caminhos, dos valores tradicionais que nossos anciãos retém. Deve vir do aro, das quatro direções do vento, das relações: não pode vir das páginas de um livro ou de mil livros… Mas há outro caminho. Há o caminho tradicional dos Lakota e os caminhos dos outros povos indígenas deste continente. É o caminho que sabe que os humanos não têm o direito de degradar a Mãe Terra, que existem forças além de tudo o que as mentes europeias conceberam, que os seres humanos devem estar em harmonia com todas as relações ou tais coisas eliminarão a desarmonia…

A arrogância europeia de atuar como se estivesse acima da natureza de todas as coisas pode apenas resultar em total desarmonia e em um reajuste que corta o tamanho da arrogância do ser humano, que lhe dê um gostinho da realidade que está além do seu alcance ou controle e restaure a harmonia. Não há necessidade de nenhuma teoria revolucionária para isso, está além do controle humano. Os povos naturais deste planeta sabem e não precisam teorizar sobre isso. A teoria é abstrata, nosso conhecimento é real. A racionalidade é uma maldição, pois pode fazer com que os humanos esqueçam a ordem das coisas de maneira que outras criaturas não podem fazer. Um lobo nunca esquece seu lugar na ordem natural.

A Mãe Terra foi abusada, os poderes foram abusados, e isso não pode seguir para sempre. Nenhuma teoria pode alterar essa simples verdade. A Mãe Terra retaliará, todo o ambiente retaliará e os agressores serão eliminados, as coisas completam o círculo de volta ao ponto de partida. Essa é a revolução, e esta é uma profecia do meu povo, do povo Hopi e de outros povos corretos.” – Wanbli Othinka, Para que a América viva a Europa deve morrer.

A questão agora é o que fazer com estas palavras. Apenas guardá-las (como vocês acadêmicxs frequentemente fazem) nos cofres do conhecimento inútil, para depois trazê-las à tona em alguma conversa, escrito ou debate através do qual alimentarão seu ego miserável? Ou realmente levarão a sério pela primeira vez algo que não visa a um benefício egoísta?

Porque, sejamos sincerxs, muitxs de vocês sabem que tanto a antropologia quanto a própria academia são besteiras, mas sabem que através dela podem obter certos benefícios civilizados: conforto, reconhecimento, poder dentro de sua sociedade. Então apenas se desculpam e até mentem para si mesmxs dizendo que daquele lugar darão sua contribuição para melhorar as coisas, mas nós sabemos que não é assim, sabemos que a grande maioria só quer ganhar dinheiro e obter confortavelmente suas possibilidades. Esta sociedade hipocritamente quer o bem para todxs, mas o bom é inimigo do melhor, e o que é bom para vocês, é mau para a terra, para xs indivíduxs que não desejam se submeter a esta ordem mundial doentia. Para nós, o único caminho digno e honrado é a guerra contra esta sociedade civilizada, a essa ordem tecnoindustrial e, sobretudo, à escuridão que prolifera dentro do coração humano e que se materializa diante de nossos olhos nessa grande catástrofe apocalíptica que testemunhamos horrorizadxs, mas que nos alimentamos dia a dia.

Hoje, muitos espíritos de sábixs ancestrais se vendem por qualquer miséria, alienadxs, buscam escapar de seu sofrimento, e tentando fugir dele, ele aumenta cada vez mais, alçando o círculo de autodestruição. Isso que acontece a nível aparentemente pessoal, acontece a nível macro, como espécie completa. Por este motivo, nós deixamos de ignorar a voz dos espíritos, NOSSA PRÓPRIA VOZ, e enfrentar uma guerra espiritual, que é travada em nosso interior, e que ao mesmo tempo se manifesta em nossa vida, atacando também materialmente esta sociedade e cada um de seus bastiões.

12 de Outubro:

Segundo a “história oficial”, há quinhentos e vinte e sete anos uma frota europeia chegou a estas terras em busca das Índias. Foi assim que começou a devastação de nosso mundo sagrado, o mundo de nossos avós.

Com os europeus, uma nova e decadente forma de se compreender a realidade e se relacionar com ela foi trazida aqui (isto é, de se relacionar com o Grande Espírito, o TODO).

O respeito à vida e seus ciclos, a medicina sagrada, a sexualidade e eté a alimentação, a nossa magia e nossas Deidades foram alteradas por uma cosmovisão inferior e medíocre chamada catolicismo, uma religião criada vários séculos antes por outros europeus ambiciosos (romanos) com a intenção de criar súditxs a partir da psiquê, formar escravxs em massa (em todo o império), tentando garantir a perpetuidade de sua tirania.

Isso só poderia ser alcançado cobrindo os olhos e ouvidos espirituais de todos os povos subjugados (poderíamos dizer que a conquista aconteceu primeiro na Europa). A perda das almas ao separar (cada vez mais) x indivídux de seus ciclos, de seus arredores, de seu pai céu, de sua mãe terra e das estrelas irmãs, de sua medicina, das energias e seres vivos, de todo o conhecimento guardado com amor pelos antepassados.

Vocês, antropólogxs, ouviram a voz de nossos povos e deturparam suas palavras por conveniência, acreditam que tudo pode ser traduzido para sua pobre língua ocidental, seu raciocínio medíocre. A antropologia é outra expressão da arrogância ocidental e dos rasteiros e traidores que são xs brancxs. (Lembre-se que a brancura é uma aculturação, um modo de pensar, de ser, se relacionar e assumir um lugar no mundo, e não apenas uma cor de pele específica). Eles se envolvem com uma determinada comunidade, retiram toda a informação que podem, deformam-na com sua interpretação corrupta para compartilhá-la com seu mundo (e claro, exaltar seu próprio nome) e utilizam o conhecimento obtido para seus propósitos egoístas, muitas vezes em detrimento da própria comunidade que lhes abriu as portas. Vocês ocidentais trancadxs em suas academias não fazem nada além de masturbar seus egos e contar mentiras.

O conhecimento que eles obtém quase sempre é usado para manter a ordem macabra (que eles costumam dizer que odeiam), fortalecendo o progresso de sua sociedade degenerada (sociedade da qual somos inimigxs).

São ridículos seus discursos humanistas sobre paz, respeito pela alteridade ou inclusão. Quem disse que queremos ser incluídxs no inferno deles? Não queremos ser escravxs do mundo ocidental, queremos atacá-lo para iluminar sua escuridão.

Há quinhentos e poucos anos seus progresso chegou à nossa mãe, tentando destruir tudo em nome de sua ambição. Vocês foram e são os verdadeiros demônios!

A modernidade e tudo o que agora atormenta a vida no planeta não seriam possíveis sem o cristianismo, sem a razão instrumental, sem o desejo de possuir tudo.

Eles levaram seu germe imundo a cada canto do planeta e se enriqueceram com nosso sofrimento. Mas não é mais tempo para lamentos, são tempos de guerra e fé! É por isso que atacamos este símbolo da arrogância, brancxs “ensinando” sobre nossxs ancestrais, que ofensa asquerosa nos cospem na cara!

Saibam que cada causa tem um efeito, e que cada ação é uma reação. Nós não somos amigxs, vocês não são bem-vindxs nesta Terra. Seu estilo de vida não será mais tolerado por nós. Europeus, gringxs, colizadorxs que traem seu sangue, saibam que o punhal os aguarda ao dobrarem cada esquina. Somos xs Jovens Guerreirxs que se preparam para iluminar a noite com relâmpagos. Sorrimos à morte porque amamos a vida.

Somos filhos do sol e da lua!
Somos Tlahuele Iknoyotl!
Somos a Conspiração do Trovão!

[PT – DOCUMENTÁRIO] A Evolução do Eco-extremismo no México

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Disponibilizamos legendado em português o documentário A Evolução do Eco-extremismo no México, uma produção publicada na web que mostra as origens, etapas e ações de grupos eco-radicais e de libertação animal que levaram ao surgimento espontâneo da tendência do eco-extremismo, e em seguida de grupos como Reação Selvagem (RS) e pouco depois Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), o mais expressivo que abdica pela tendência do eco-extremismo. O registro não trata de sua internacionalização que ocorreu em meados de 2016, já que a cobertura vai até o final de 2015.

O texto abaixo foi resgatado do já encerrado blog Tierra Maldita. O documentário e o texto ajudam a entender suas origens e alguns aspectos da tendência.

A tradução ao português é um esforço da Revista Anhangá em conjunto com a Revista Regresión.

Para maior entendimento do que é o eco-extremismo nos dias de hoje recomendamos o texto O que é o Eco-extremismo? – A flor que cresce no submundo: Uma introdução ao eco-extremismo.

Apresentação:

“A Evolução do Eco-extremismo no México” é um esforço audiovisual realizado por “Espírito Tanu da Terra Maldita” e a “Revista Regresión”. Nele se reflete o desenvolvimento tanto teórico como prático que tiveram certos grupos que colocaram em sua mira o progresso da civilização, a ciência e a tecnologia.

Desde o ano de 2007 até agora (2016), foi desencadeada uma série de ataques que foram se aperfeiçoando ao passar dos anos.

A princípio estes ataques visaram atacar a indústria da exploração animal, depois passaram a atacar a indústria da destruição dos ecossistemas, então foram se refinando, implementando atentados contra pessoas específicas relacionadas com as ciências avançadas. Depois desta fase, os grupos que participaram nestas etapas se uniram em um grupo denominado “Reação Selvagem”, de modo que após sua dissolução, estes grupos já refinados em suas críticas e melhorados na prática, seguiram a guerra separadamente, como até agora tem sido mantida.

Os individualistas que fazem parte da tendência do Eco-extremismo se unem em várias qualidades que serão mencionadas neste texto. Com isso não estamos dizendo que as pessoas que realizam atos extremos contra o sistema tecnológico TEM QUE ser assim, mas é necessário tê-los em conta.

O Eco-extremismo foi formado por seus próprios propulsores, se consolidou sob a espontaneidade, na solidificação do ataque e na variabilidade dos objetivos, abrangendo vários fatores, tais como:

– Defesa extrema da Natureza Selvagem e uma guerra até a morte contra a civilização:

“(…) observando a realidade vislumbramos que a maioria das críticas que fazem à tecnologia tem um fundo reformista, dizem “a tecnologia está nos levando à falta de interação pessoal, é melhor que a eliminemos”, “a vida em sedentarismo nesta civilização causa problemas de saúde, é melhor nos exercitarmos frequentemente”, “o artificial nos consome, não suporto a vida na cidade, vamos um dia ao campo”, “o lixo inunda os mares, há que comprar produtos amigáveis com o meio ambiente”, “a tecnologia não é o problema, o problema é o uso que lhe é dado”, etc. Estas supostas críticas são as que são negociáveis, e podem até serem propostas para que o sistema continue a crescer, se reformando e sendo fortalecido.

Mas, que tal se dissermos; “a tecnologia é o problema, incendiemos esta ou aquela empresa de inovação tecnológica com todos dentro”, “a civilização se expande perigosamente acabando com a natureza que resta, assassinemos o engenheiro de tal mega projeto”, “a sociedade estúpida só segue as regras fazendo com que a máquina siga avançando, são parte do problema, detonemos um explosivo em um local público com um papel simbólico importante”, etc. Este tipo de crítica extremista são as que não são negociáveis e as que defendemos (…)” – Entrevista a Reação Selvagem.

– Apego e respeito à Natureza Selvagem:

Existe uma relação muito íntima de caráter simbiótico entre a natureza e a nossa espécie. Perdemos bastante desta relação após a passagem das gerações, mas é possível nos reconectarmos outra vez, voltar a recuperar a nossa natureza selvagem (embora não em sua totalidade, é claro).

Apreciamos grandiosamente a natureza, dela viemos e a ela regressaremos. Defendê-la e defender nossas raízes mais profundas, as que nos unem a ela, é apenas uma consequência de ainda sermos humanos e não humanoides. As habilidades de sobrevivência, o reconhecimento da flora e fauna silvestre, a caça, a coleta, a imaginação que dá lugar a uma vida o mais longe da civilização, são ferramentas que complementam o individualista e a seus grupos de afinidades.

“Para muitos de nós é bastante viável ter uma horta orgânica de onde possamos tirar a comida em tempos de escassez ou a medicina em tempos de enfermidade. Não caímos em contradições, o importante é desenvolver estilos de vida que se distanciem o máximo que se possa da dependência artificial do sistema.

Embora alguns membros do RS estejam mais atraídos pela vida de caçadores-coletores, não descartam a opção das hortas.” – Entrevista a Reação Selvagem.

– Rejeição total ao cristianismo, e enaltecimento de crenças individuais pagãs ligadas à natureza, tanto no cotidiano como nos atos extremistas.

“Continuamos ao lado da natureza selvagem, seguimos venerando o sol, a lua, o vento, os rios, o coiote e ao veado, continuamos rejeitando o cristianismo com ritualismos na escuridão dos espessos bosques, continuamos sendo os guardiões do fogo, continuamos dançando ao redor da fogueira. Embora seres civilizados, ainda temos o instinto característico do ataque.” – Artigo “A Guerra Chichimeca” (segunda parte). Revista Regresión N° 4

“(…) pulamos os arames farpados que protegiam o canal de esgoto e atrás de uma grande árvore de Pirúl que ainda está de pé, realizamos vários disparos de arma de fogo contra as máquinas, estruturas e paredes de tal construção. Os disparos diretos danificaram e aterrorizaram aqueles que estavam no local. Com o trovão das balas detonando iam os sons dos animais mortos para a construção da obra, ia o violento zumbido do vento que move as folhas das árvores derrubadas e o imperceptível cantar da água do rio enegrecido pelo artificial. Também iam os gritos de guerra de nossos antepassados: ¡Axcan Kema Tehuatl Nehuatl!” – Ação armada contra o Túnel Emissor Oriente (TEO). Grupúsculo do Oculto/Reação Selvagem.

– Terrorismo:

“Porque no ataque terrorista não há considerações por ninguém, nem sequer por nós mesmos. Nos atiramos ao nada porque a única certeza é a incerteza.”

Independentemente de ferir civis, atacamos, assim, com este ato, o coração da “moral do ataque”, porque na Guerra contra a Civilização e seu Progresso não existem ataques nem “bons” nem “maus”, porque esta Guerra se não é extremista e indiscriminada, não é uma guerra.” – Morte à “moral do ataque” (Explosivo na Sanborns). Ouroboros Niilista.

– Determinação: a coragem é uma das coisas que caracteriza os grupúsculos. Atuar friamente e sem contemplação alguma com estranhos durante um atentado, sabotagem ou assalto, é necessário.

Se há dúvidas ou não está completamente seguro em defender-se (em matar ou morrer), daquela pessoa que tenta detê-lo (seja um civil ou um policial), melhor que nem tente. Em outras palavras, seja indiscriminado.

“(…) nossa intenção era que explodisse causando a maior destruição possível sem importar que nesta ação morressem ou fossem mutiladas algumas pessoas. Queremos deixar claro também que, em nossas ações contra a civilização não consideraremos a vida das ovelhas que cegamente aceitam o desenvolvimento e o progresso para levar uma vida mais confortável, por isso que decidimos atacar este meio de transporte. Embora não tenha causado a magnitude que esperávamos, criou-se uma grande tensão entre usuários e autoridades.” – Ataque explosivo frustrado no Metrô. Grupúsculo Indiscriminado.

– Austeridade: as necessidades artificiais são um problema para os membros desta decadente sociedade, embora alguns não as vislumbrem e se sintam felizes celebrando a vida de escravo que levam. A maioria das pessoas está sempre tentando pertencer a certos círculos sociais acomodados, sonham com luxos, com confortos, etc., e para nós isso é uma aberração. A simplicidade, manejá-la com o que se tenha em mãos, e afastar-se dos vícios civilizados, recusando o desnecessário, são características muito notórias em individualistas do tipo Eco-extremista.

– Apego e prática de atividades delinquenciais:

“Na Regresión enfatizamos como parte de nossa essência, o extremismo individualista, que o crime é a consequente postura diante da civilização moderna difusora de valores humanistas que tendem ao progresso, e que estão nos levando ao desfiladeiro tecnológico.

As dinâmicas sociais as quais estamos submetidos dentro deste complexo sistema muitas vezes nos absorvem como indivíduos, nos fazem participantes da massa, do devastador consumismo e da rotineira vida de escravos nas urbes, mas decidimos resistir a esses ataques, resistir a partir da clandestinidade e aceitar no cotidiano as nossas contradições das quais nos retroalimentamos e nos formamos como verdadeiros indivíduos, sujeitos únicos.

Resistir e negar a vida que nos é imposta desde pequenos, para que busquemos uma vida simples e, tanto quanto possível, distante dos alinhamentos e esquemas culturais modernos, é um dos propósitos a serem concretados no presente. Mas para formar esta vida que queremos, longe das grandes cidades e na natureza, às vezes requer dinheiro, dinheiro que preferimos roubar de qualquer lugar ou obtê-lo através das centenas de formas criminais que existem. Preferimos isso do que levar uma vida subordinada de escravos que a maioria das pessoas levam. Claro, é por isso que o grupo editorial desta revista sente simpatia pela reapropriação do dinheiro para fins específicos que levam a uma vida digna de ser vivida, não se importando com quem seja baleado se o dinheiro não é entregue, porque quando um funcionário não entrega o dinheiro do empregador ele não merece seguir vivendo, já que defende como um cão obediente as migalhas do seu amo; portanto, merece punhaladas ou uma bala em seu corpo. O mesmo para quando um empresário, proprietário ou executivo de uma empresa não cumpre as exigências do ladrão, também merece o mesmo ou algo pior.

Nestes atos não há misericórdia, é tudo ou nada, é do extremismo que falamos sem escrúpulos. Se este dinheiro será necessário para algum propósito do extremista individualista ele deve ser alcançado aconteça o que acontecer. Aqui cabe ser mencionado que para nós o dinheiro não é tudo, dizemos isso de maneira realista. Neste mundo governado por grandes corporações econômicas, às vezes é necessário obter dinheiro para cobrir certos fins e/ou meios, e para nós obtê-lo trabalhando não é uma opção, obtê-lo por fraude, assaltos ou golpes, sim.

Aqueles antepassados que viram seus modos de vida afetados pela expansão das civilizações tanto mesoamericana como ocidental, tiveram que agir dessa maneira (predação, ataques, roubo, engano, assassinato, etc.). Nós apenas cumprimos nosso papel histórico como herdeiros desta ferocidade selvagem.

Pela proliferação da delinquência e o terrorismo que satisfaça os instintos dos individualistas!” – Texto editorial. Regresión N° 3

– Sobriedade: Ficar sóbrio e rejeitar todas as drogas legais e ilegais é muito importante dentro desta tendência, é preciso sempre estar alerta para qualquer eventualidade. Cair bêbado, fumar cigarro ou maconha, injetar drogas, inalar solventes, tentar se “curar” com medicina alopática, ou seja, violar o corpo com estas substâncias nocivas apenas os tolos fazem, aqueles que não respeitam a si mesmos, os carentes de controle, os fracos e os inconsequentes. Então, nós rejeitamos totalmente as drogas.

“Os integrantes de RS não se deixariam morrer por essa ou aquela “doença” que seu próprio corpo não possa resistir e, para dizer a verdade, acreditamos que ninguém em sã consciência. É claro que poderíamos ignorar os antibióticos farmacêuticos. Todos os membros de RS se curam com os remédios da terra e rejeitam totalmente os medicamentos alopáticos. Para aqueles que adotaram a cultura da medicina moderna e nociva, é quase impossível viver sem aspirinas, ranitidinas, paracetamol, etc., mas antibióticos com aditivos químicos realmente não são necessários. Existem antibióticos naturais muito efetivos, como o própolis. Para quem conhece a cura por ervas é fácil aliviar-se ou se curar das doenças das cidades com infusões, cataplasmas, vaporizações, extratos, etc.” Comunicado: Já era hora… Resposta de RS a “Destrua as Prisões”.

– Paciência: Esta é uma das virtudes mais respeitáveis, já que o desespero é uma doença da civilização. Nela vemos que tudo corre a uma velocidade frenética, todos andam de um lado para o outro sem nenhum controle e deixando que suas rotinas os envolvam nisso, no desespero. Ter paciência e ser cuidadoso, tanto em atos contra o sistema quanto na própria vida, te distancia de problemas que muitos já sofreram (prisão, acidentes, morte, etc.) Repetimos, te afasta, mas não te isenta.

– Rejeição total (tanto em ideias como em atos) ao progressismo:

“Decidimos atentar contra esta instituição porque ela simboliza o humanismo e o progressismo. Repudiamos todos aqueles que, gritando, acabam neste tipo de comissão, exigindo garantias por seus “direitos humanos”, “respeito” a suas decisões grupais e o “cesse” da repressão. É absurdo que esta multidão espere que este tipo de organização precária resolva a seus problemas, os ampare e defenda, um exemplo claro de como o ser humano moderno deixou sua própria segurança na mão de estranhos, em vez de tomar a justiça em suas próprias mãos e defender-se como faziam os antepassados. Estes tipos de instituições são uma banalidade, não passam de uma fachada simples para ocultar a incapacidade que tem o sistema de lidar com os problemas internos de uma sociedade decadente, por isso a atacamos.” Pacotes-Incendiários contra a Comissão de Direitos Humanos, subestação elétrica CFE e Universidade Lucerna. Grupúsculo Trovão de Mixtón e Grupúsculo Senhor do Fogo Verde de Reação Selvagem.

– Constância: Dar seguimento a um projeto como este não tem sido fácil, sempre há problemas que não se espera que ocorra e, embora você não os espere, é preciso estar sempre preparado.

Se empenhar duramente e dar continuidade à finalidade imediata criam motivações reais que levam um individualista eco-extremista a ser constante. Isso pode nos levar a alcançar metas mais diretas. A meta que nós de Regresión temos ao publicar esta revista é acompanhar esta tendência. Se muda algo em alguém e esta pessoa decida empreender desde sua individualidade a guerra herdada por nossos ancestrais, adiante, embora esse não seja o nosso propósito (mudar as pessoas). Se isso acontece, é apenas obra do acaso.

– Rechaço às lutas seletivas: é necessário focar na guerra TOTAL contra o sistema tecnológico e contra a civilização, as demais lutas são reducionistas e são apenas uma pequena parte do problema real, lutas como “direitos humanos” (deficientes, negros, mulheres agredidas, imigrantes, homossexuais, etc.), “direitos dos animais”, “direitos trabalhistas”, “anti-racismo”, “anti-fascismo”, “anti-militarismo”, “feminismo”, “veganismo”, “abolicionismo carcerário”, “anarquismo social”, “comunismo”, “patriotismo”, etc.

“(…) Se colocamos em uma sala um homem comum, um negro, uma mulher, uma pessoa com deficiência, um gay e um defensor dos direitos dos animais, poderá ver que todos são diferentes em termos de caráter, pensamentos, regras morais, habilidades, etc., mais algo os une, todos e cada um deles tem um papel a desempenhar na sociedade, e esse papel é que estabilidade do sistema siga de pé. Para nós há diferença, mas ao mesmo tempo não, porque vemos um padrão, ou seja, o HUMANO (como tal) contribui expressamente para a destruição da natureza selvagem, sua civilização destrói tudo em seu caminho, sua tecnologia torna tudo mais mecânico e sua ciência subjuga o natural e o transforma em artificial. Não focamos nos problemas das pessoas ou problemas de um setor específico.

Penso que as pessoas que veem, se preocupam e “lutam” pelas causas menores, como a obtenção de “direitos”, novas leis, reformas, apoio a grupos vulneráveis, etc., estão se especializando nestas problemáticas e nós nos centramos no sistema tecnológico e na civilização, porque são as raízes de todos os males que nos afligem como espécie, o resto é apenas um efeito do problema real.” Entrevista a RS.

– Repúdio total (tanto em ideias como em atos) ao progressismo:

“Certamente muitos se perguntarão: E o que há de errado que exista este tipo de caridade com pessoas vulneráveis? Talvez, os especuladores não se deram conta de que o sistema sempre se veste de “monge bem-intencionado” para continuar se perpetuando. A alta tecnologia sempre terá o mesmo fim em qualquer uma de suas formas, seja terapêutica ou armamentista, educacional ou de destruição massiva, medicinal ou venenosa. E esse fim é continuar existindo sobre a natureza selvagem, por isso atacamos. Sem mais explicações: Não somos cristãos, não somos nobres, nós somos selvagens e não buscamos nem defendemos a caridade de nada com ninguém!”. Ataque explosivo à sede da Fundação Teletón México. Grupúsculo Caçador Noturno de RS.

– Assumir a responsabilidade: tomar em suas mãos as consequências de seus atos, reconhecer que causaram o impacto que causaram, muitas vezes enfrentando contradições, sendo a mais comum quando os tolos questionam: Se você luta contra o sistema tecnológico, por que usa computadores? Abaixo resgatamos uma nota esclarecedora e sarcástica de um grupo eco-extremista sobre a questão.

“Vivemos nas cavernas, sem eletricidade, sem celulares, sem INTERNET, e sem comunicação além dos sinais de fumaça, sendo testemunhos passivamente de como a artificialidade corrói qualquer rastro de natureza selvagem, a manipula, modifica, e com um tom suculento e brilhante, a apresenta ante uma disposição total, aguardando com calma a aceitação da população humana, sem nenhuma confusão ou contratempo. Gentis ante qualquer mudança biológica espúria, entregando o curso de nossas vidas a estranhos infortúnios.

Isso seria menos incoerente, né? Menos que publicar reivindicações, atentados e ameaças por internet, que preocupam tanto e são tão criticados por espectadores, internautas, leitores, etc… Porque, claro, as críticas contra o progresso científico-tecnológico moderno impedem que utilizemos certas tecnologias, porque aí seria armadilha ou trapaça! Raciocínio estúpido.

Não nos importa suas críticas a nossa suposta “incoerência”, não só não importa a nós, mas nos provoca risos a medíocre obediência e cumplicidade ao defender e proteger o boom científico-tecnológico, gastando apenas suas vidas… deixando apenas um rastro do que algum dia foi a natureza selvagem.” Atentados contra a Aliança Pró-Transgênicos. Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem.

“A luta contra o Sistema Tecnoindustrial não é um jogo do qual devemos vencer ou perder, vencer ou ser vencidos, é o que muitos ainda não entenderam e parece que muitos ainda estão esperando ser “recompensados” no futuro por pagarem de “revolucionários” no agora. É preciso aceitar que muitas coisas na vida não são recompensadas, que muitas tarefas e/ou finalidades nem mesmo são alcançadas (incluindo a autonomia), e a destruição do tecnosistema por obra dos “revolucionários” é uma delas. Agora não é hora de esperar pelo “colapso iminente”, para aqueles que querem ter tempo, como se o progresso tecnológico não crescesse aos trancos e barrancos e devorasse a nossa esfera de liberdade individual aos poucos.

Somos a geração que viu crescer ante seus olhos o progresso tecnológico, a especialização da nanobiotecnologia em vários campos da não-vida civilizada, criação e comercialização do grafeno, desastres nucleares como Fukushima, deterioração ambiental acelerada, o crescimento da biomimética, a expansão qualitativa e quantitativa da inteligência artificial, bioinformática, neuroeconomia, etc. É por isso que ITS vê o que é tangível, palpável e imediato, e esse imediato é o ataque com todos os recursos, tempo e inteligência necessários contra este sistema. Somos individualidades em processo de alcançar a nossa liberdade e autonomia dentro de um ambiente ideal, e junto com ele obedecendo a nossos instintos humanos selvagens atacamos o sistema que claramente nos quer em jaulas. Com isso nos esforçamos como indivíduos afins para tentar ficar o mais longe possível de conceitos, práticas e ideologizações civilizadas.” Sexto comunicado de Individualidades Tendendo ao Selvagem.

O Eco-extremismo é uma tendência, não é uma teoria nem regra, todos aqueles que se sentem realmente comprometidos com a natureza selvagem o entendem, e os que não, já sabem.

Fogo, explosivos e balas contra o sistema tecnológico e a civilização!
Em defesa extrema da natureza selvagem!
Axkan Kema, Tehuatl, Nehuatl!
Adiante com a Guerra!
– Espírito Tanu da Terra Maldita
-Revista Regresión


Terra Maldita e, especialmente o “Espírito Tanu”, ficam muito satisfeitos por terem participado na edição desde trabalho audiovisual em conjunto com a “Revista Regresión”. Deste intercâmbio de cumplicidades e materiais audiovisuais saímos com aprendizagens tanto técnicas como práticas. Esperamos que este trabalho contribua e seja um pequeno gesto para o avanço da guerra contra o sistema tecnoindustrial, chegando a olhos e mentes radicais.

Sudamos a cada um dos integrantes da Revista Regresión por confiar em nós. A Xale por sua paciência e esforço, a Espírito Tanu pelas horas de edição, possibilitando a publicação deste trabalho. CUSTOU, MAS SAIU!

Vida longa aos indivíduos eco-extremistas!
Em guerra selvagem contra a civilização!

[ES/EN – PDF] Chichimecas de Guerra/Chichimecas of War

Este trabajo es una recopilación del estudio sobre los mas fieros y salvajes nativos de la Mesoamérica Septentrional. Los antiguos grupos cazadores-recolectores nómadas, llamados “Chichimecas” fueron quienes resistieron y defendieron con gran arrojo sus sencillos modos de vida, sus creencias y sus entornos, quienes decidieron matar y morir por aquello que consideraban como parte de ellos mismos en guerra declarada contra todo lo ajeno.

Recordarlos en esta era moderna no es solo por tener un referente histórico de su conflictividad, sino que, evidencía que por el simple hecho de criticar a la tecnología, afilar las garras para atacar este sistema y querer volver a nuestras raíces, estamos reviviendo esa guerra, estamos avivando el fuego interno que nos impulsa a defendernos y defender todo lo Salvaje, así como lo hicieron nuestros ancestros.

De este estudio se pueden sacar muchas conclusiones, pero una de vital importancia, es darle continuidad a la guerra contra la artificialidad de esta civilización, en contra del sistema tecnológico rechazando sus valores y sus vicios, y sobre todo, por la defensa extremista de la naturaleza salvaje.

!Axkankema, tehuatl, nehuatl!

DESCARGUE en PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

This compilation is a study concerning the fiercest and most savage natives of Northern Mesoamerica. The ancient hunter-gatherer nomads, called “Chichimecas,” resisted and defended with great daring their simple ways of life, their beliefs, and their environment,. They decided to kill or die for that which they considered part of themselves, in a war declared against all that was alien to them.

We remember them in this modern epoch not only in order to have a historical reference of their conflict, but also as evidence of how, due to the simple fact of our criticism of technology, sharpening our claws to attack this system and willing to return to our roots, we are reliving this war. Just like our ancestors, we are reviving this internal fire that compels us to defend ourselves and defend all that is Wild.

Many conclusions can be taken from this study. The most important of these is to continue the war against the artificiality of this civilization, a war against the technological system that rejects its values and vices. Above all, it is a war for the extremist defense of wild nature.

Axkankema, tehuatl, nehuatl!

DOWNLOAD in PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

¿Por qué incendian iglesias en Chile?: una guerra irregular contra Occidente

Fragmentos do escrito de Vanessa Vallejo, colunista do PanAm Post. Compartilhamos aqui os trechos que se encaixam dentro da narrativa deste espaço, nos distanciando dos lamentos presentes no texto, postura recriminadora e visões exageradas ou conspiratórias que enxergam a catarse chilena exclusivamente como uma “tática esquerdista” promovida por “interferência externa” para se alçar um “regime socialista”. O que se passa em Chile é plural e perpetrado por diversos grupos multi-intencionados, e o escrito da autora é bem assertivo ao observar o fenômeno do caos niilista naquela região como uma guerra ao ocidente, a seu modelo social e valores. A luta contra a civilização e o progresso em maior ou menor grau é uma das faces do que se passa em Chile, e este aspecto da rebelião foi inteligentemente observado pela autora e merece ser compartilhado.

Lo que ocurre en Chile va más allá de la común lucha socialista por llegar al poder. Lo que en el fondo quieren es destruir la cultura occidental (EFE)

Creo, sinceramente, que ni el presidente Sebastián Piñera, ni la mayoría de los chilenos de bien, han dimensionado el ataque del que son víctimas.

Lo que ocurre en Chile no es simplemente la arremetida de un grupo de socialistas que quiere llegar al Congreso y a la presidencia y replicar el modelo cubano o venezolano. Lo que tiene lugar en el país austral es, además, una guerra irregular contra Occidente. Específicamente, lo que enfrentan los chilenos es un ataque práctico y teórico contra las instituciones que refuerzan y mantienen los valores occidentales. La idea, al final, es destruir el sistema. Destruir lo que conocemos como sociedad Occidental.

Reflexione el lector en por qué, en menos de un mes de protestas, van decenas de iglesias profanadas e incendiadas. No solo católicas, sino también evangélicas. Las iglesias protestantes no son fáciles de reconocer; a simple vista parecen bodegas o locales. Sin embargo, los «manifestantes» chilenos han ubicado estas iglesias y les han prendido fuego.

En diferentes calles de Chile, y dentro de las iglesias atacadas, los terroristas han pintado en las paredes la frase: «iglesia bastarda».

Si -como dicen los voceros de lo que ahora llaman «primavera chilena»- las movilizaciones son en contra de supuestas injusticias sociales y «mala situación económica», ¿por qué se ensañan con tal violencia contra las iglesias? ¿Qué culpa tienen los creyentes de las decisiones políticas del Gobierno de turno?

Y, en general, ¿por qué desatar tal nivel de caos? Hay ya más de 20 muertos, la mayoría perdieron la vida al quedar atrapados en medio de los incendios provocados los supuestos manifestantes. La Cruz Roja estima que 2.500 personas han resultado heridas. Unas 6.800 empresas pequeñas han sido destruidas, las estimaciones de los daños en infraestructura ascienden a 4.500 millones de dólares. 70 de las 136 estaciones de metro que tiene Santiago han sido totalmente destruidas. Y se han perdido aproximadamente 100 mil puestos de trabajo.

Lo que ocurre en Chile es terrorismo urbano. La gente normal no se enoja y sale a incendiar iglesias o edificios con gente adentro. Estamos hablando de grupos terroristas que quieren cambiar el sistema -como abiertamente lo dicen y lo pintan en las paredes- a través del caos.

Pero no hablan solo de un cambio de sistema económico, digo que lo que ocurre en Chile no es solo el típico socialismo que quiere estatizar la economía y quedarse con el poder político, los chilenos enfrentan una amenaza que va mucho más allá. El fondo, el objetivo final, es un cambio cultural que ni siquiera los mismos cabecillas de estos grupos tienen claro a dónde nos conduciría, pero lo que sí tienen claro es que necesitan deconstruir la cultura occidental. Lo que conocemos como natural. Por eso atacan las iglesias, por eso atemorizan a los creyentes de esa forma.

Aunque estas ideas puedan sonar extrañas y confusas para muchos lectores que no ven en las protestas chilenas más que una intento común del socialismo para llegar al poder, todo esto del cambio cultural la izquierda ya lo ha propuesto y trabajado desde hace años.

Lo que ocurre hoy en Chile parece la puesta en marcha de lo que alguna vez teorizaron Georg Lukács y los «intelectuales» de la Escuela de Frankfurt.

Lukács, por ejemplo, planteaba la necesidad de sumir a las personas en el pesimismo y hacerlas creer que vivían en un “mundo olvidado por Dios”, para de este modo tener las condiciones necesarias de desesperación social que permitirían la adhesión de nuevos militantes a la causa marxista. La iglesia, católica o protestante, es una barrera de contención contra el socialismo.

Pero yendo al fondo del asunto, tanto Lukács como los teóricos de la Escuela de Frankfurt, dejaron de lado el asunto económico y convirtieron la cultura en su centro de estudio, teniendo claro que lo que querían era provocar «cambios sociales masivos».

La escuela de Frankfurt plantea que bajo la Cultura Occidental, todos viven en un constante estado de represión psicológica, que la libertad y la felicidad solo se conseguirá eliminando lo que conocemos como valores occidentales. Por eso hay que atacar las instituciones como la familia y la iglesia, que son las que refuerzan e inculcan las virtudes sobre las que sustenta Occidente.

¿Cuál es la nueva sociedad que quieren construir? Ni ellos lo saben, estos teóricos de la nueva izquierda creían que estaban tan «alienados» por la cultura occidental que hasta que no la destruyeran no podrían ser realmente libres para saber qué es lo verdaderamente deseable.

Eso sí, tienen claro, y escriben ampliamente al respecto -en libros como “Eros y Civilización”- que la destrucción de la cultura occidental pasa por la eliminación de cualquier restricción a la conducta sexual y la normalización del desenfreno, consiguiendo que cualquier cosa que antes pudiera ser tildada de aberrante ahora deba ser aceptada. La familia, como la conocemos, debe desaparecer, la monogamia es para ellos una atadura y los hijos no deben ser de los padres sino del Estado, de la «comunidad». Y por supuesto la religión es un impedimento para la consecución de todo esto.

Estos mismos grupos que atacan iglesias en Chile -tal vez el más conocido es «Individualistas tendiendo a lo salvaje»-, según dicen sus páginas, tienen entre sus objetivos la «lucha contra la civilización y el progreso científico y tecnológico». Dice la «teoría crítica» de la Escuela de Frankfurt que el progreso técnico es «un mecanismo ideológico de alienación». En Chile, siguen al pie de la letra las teorías de los padres de la izquierda moderna.

Ellos entienden perfecto lo que muchos capitalistas y liberales no comprenden aún, sin valores judeocristianos, sin cultura occidental, no hay capitalismo, de modo que tienen claro que una vez destruida la cultura el capitalismo será imposible.

No hablamos de una guerrilla uniformada a la que se puede atacar frontalmente -como ocurre en Colombia-, hablamos de terroristas vestidos de civiles que incendian iglesias y causan caos.

[VÍDEO] Entrevista de ITS a TV5MONDE

Vídeo traduzido e legendado ao português que faz parte da entrevista Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?, realizada pela rede francesa TV5MONDE com Xale, membro-fundador de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

[VÍDEO] Entrevista do sociólogo Rodrigo Larraín sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem

Interessante entrevista de um sociólogo a um jornal chileno sobre ITS. Em seguida um texto analisando o que foi dito.

Entrevista da televisão chilena. O sociólogo entrevistado apresenta um interessante ponto de vista sobre o que representa o grupo Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

A fim de esclarecer algumas coisas ditas no programa e de uma maneira puramente pessoal, darei meu ponto de vista, tentando responder algumas questões. Embora eu deva dizer que, devido à profunda estupidez, insensatez e imbecilidade máxima do entrevistador, nenhum de meus esclarecimentos poderá fazê-lo entender qual é o real pensamento de ITS.

A entrevista é do dia 07 de Janeiro de 2019, e foi transmitida no jornal matinal Chilevision Noticias.

Sobre o Sociólogo

O acadêmico, de uma maneira bem-sucedida, consegue acertar algumas coisas e, em geral, creio que graças a seu conhecimento, ele consegue nos dar uma boa interpretação do significado das siglas. Mas, aparentemente, não tem conhecimento de um ponto crucial da guerra de ITS-Chile, dizendo que ITS concentrou seus atentados nos “setores populares”. Não é esse o caso, e para isso basta apenas lembrar das cicatrizes deixadas no corpo do endinheirado e elitista Oscar Landerretche, essas marcas provam que ITS também executou atentados contra os ricos e burgueses. É de conhecimento público que ITS não crê na guerra de classes nem em nenhuma destas supérfluas bobagens, o grupo não está contra a classe trabalhadora nem contra a dos poderosos, mas contra a humanidade moderna, portanto estas analogias não vêm ao caso.

Ele diz que os grupos de ITS-Chile não têm muitos recursos, e talvez esteja certo, este é um ponto que eu desconheço. Eu me questiono humildemente neste caso, se com os poucos recursos que têm os terroristas do sul conseguiram causar desastres contundentes, nem quero imaginar o que fariam quando consigam seus AK-47 e TNT.

Esclarecido isso, é extremamente interessante a visão do acadêmico de que o ITS funciona como uma seita que recebe ordens “a mando do sobrenatural”. Algo que chamou minha atenção foi como o professor, em seu entendimento, faz uma espécie de “defesa” das ideias do grupo contra a absoluta tolice do jornalista que não capta a essência do discurso dos terroristas.

Sobre o Jornalista

Este profissional meia boca em sua estreita mente e com base em seu humanismo enraizado se contorce de incompreensão ao ouvir as contradições dos terroristas de ITS. A preocupação deste espécime é que ele não consegue entender um grupo que critique a tecnologia e ao mesmo tempo a utilize. É importante dizer que ele não é o único com esta visão.

Eu aceito minha falta de lógica ou minha incoerência, ou como queiram chamar, não tenho nenhum problema moral em me contradizer. Diante deste questionamento eu não tenho a resposta iluminada que me dá a razão, é mais duvidoso que exista uma resposta. Mas vamos supor que eu consiga responder a sua pergunta; “porque usam a tecnologia se a criticam?”. A resposta poderia ser, “bem, porque é a única maneira de encarar sua civilização de maneira equitativa”. Essa é uma resposta possível, mas eu não busco a coerência em meu discurso, porque a verdade é que não quero encontrar uma resposta coerente. Os grupos de ITS entenderam que a única forma de avançar e conseguir travar sua guerra extremista é aceitando esta contradição, torná-la parte de seu caminho de terror e ponto. Deixando de lado laços morais que apenas atrapalham a sua guerra.

Este sujeito fica muito zangado e dá ênfases ao dizer “eles são completamente contra a tecnologia, mas suas mensagens eles mandam pelas redes sociais”. O cara acusa os terroristas de pouco sérios e de ilógicos. O engraçado aqui é que ele acha que a maior contradição é usar a internet, ignorando que a contradição não está apenas em usar a internet, assim como diz as partes mais importantes da entrevista, mas em muitas outras coisas.

Seguindo a lógica da coerência e a lógica que este sujeito aconselha, os terroristas não poderiam usar pólvora, nem tubos de aço, cabos, ou qualquer outra coisa para fazer seus artefatos. Deveriam ir morar no topo de uma colina, e sequer deveriam usar roupas e então andar nus pela rua, o que é algo impossível e estúpido. O cara pensa que ITS deveria utilizar flechas para atacar as máquinas do progresso e esculpir seus comunicados em pedra.

Então, por falta desta coerência, os terroristas não deveriam realizar atentados? Deveriam primeiro encontrar uma ideologia coerente e com isso ficaria justificado o método do terrorismo? Deveriam se render, abandonar sua guerra e deixar tudo como está? Deveriam eles fugirem para a natureza selvagem e se esquecer das vexações da humanidade contra a terra? Estúpido.

Como eu disse, “o ilógico” por utilizar a internet é minúsculo ao lado de outras contradições, como a adoção da misantropia. O mesmo acontece aqui. “Se odeiam a raça humana, porque não se matam primeiro?”. Aparentemente, esta “incoerência” que é mais profunda passa batido pelo sujeito. Talvez alguns terroristas realmente desejem se matar. Mas e se antes de se suicidarem preferissem seguir atentando contra a civilização? E se os terroristas desejem levar a cabo sua misantropia, se matando como os kamikazes e levar com eles a vida de vários humanos? Isso só eles sabem.

Mas isso das contradições não é um problema exclusivo de ITS, os grupos terroristas ao longo da história evidenciaram sua incoerência em alguns pontos. Não sei, penso nos terroristas islâmicos que odeiam tudo o que é ocidental, mas não tem escrúpulos na hora de utilizar a internet ou uma infinidade de produtos de seus inimigos. Os grupos anarquistas antiautoritarios que matam exercendo com isso a autoridade sobre a pessoa morta, ou o terrorista primitivista Unabomber que vivia sem eletricidade no bosque, mas usava materiais tecnológicos da civilização para seus atentados. Bem tudo se repete novamente, as mesmas críticas. Isso parece ser um problema histórico da qual ITS não se isenta.

Como podem ver, se os extremistas de ITS buscassem a coerência, a única coisa que lhes restaria seria dar um tiro na própria cabeça ou se atirar de um prédio. Mas não, desgraçadamente para a ordem social os terroristas não são simplesmente suicidas. A complexidade da mente dos eco-extremistas escapa ao raciocínio humanista. Somos loucos? Pode ser que sim, se a sanidade é a humanidade moderna e seu progresso implacável, então estamos loucos, fodidamente loucos.

Nascemos nesta era, a era da híper-tecnologia, não utilizá-la a nosso favor seria algo idiota, infantil e orgulhoso da nossa parte. Os povos selvagens ancestrais ao longo da história enfrentaram os invasores que buscavam conquistá-los, inicialmente utilizando ferramentas primitivas, mas logo entenderam que não era viável essa confrontação. O que fizeram? Se renderam? Deixaram que os invadissem sem mais nem menos? Claro que não. Em vez disso, se apoderaram das armas modernas de seus inimigos (armas de fogo, cavalos e táticas de guerra) e com isso travaram uma guerra sangrenta. O mesmo faz os terroristas modernos ao utilizar as tecnologias modernas, seja a internet, eletricidade, pólvora, vestimentas, comidas, etc.

Sem dúvida, poucos serão capazes de entender isso, já que é necessário um nível superior de inteligência para chegar à compreensão. Portanto, toda essa ninhada de jornalistas de quinta categoria, reportuchos de jornais ou simples cidadãos nunca entenderão. Em seus pequenos cérebros humanistas, onde tudo tem que ser razoável e coerente nossos postulados arrancam a sua lógica.

É por isso que pessoas intelectualmente superiores, como o acadêmico entrevistado, conseguem entender melhor a situação do terrorismo moderno.

-Malviviente

Excursionismo

Tradução do texto Hiking, escrito por Abe Cabrera.

Cenas de uma vida dupla.

“Só queremos deixar claro que nenhum ser humano estará tranquilo na natureza, nós não acreditamos ser coiotes, lobos, ou qualquer coisa assim, mas nós somos aqueles que não hesitarão em disparar uma arma para que nenhum ser humano pise na pouca natureza semivirgem que ainda existe, então a partir daqui advertimos que nenhum eventinho desses como a “montanha fantasma” que organizam, as visitas à “floresta dos vagalumes”, passeios pelos bosques, eventos humanistas e estúpidos de “sobrevivência primitivista”, nenhuma pessoa é bem-vinda na natureza, será melhor que se abstenham de querer entrar e é melhor que fiquem em suas malditas cidades”.

– Vigésimo Nono Comunicado de ITS/GITS

“Quero viver nas florestas com predadores. Não quero ser o animal mais perigoso nas matas quando entro nelas. Eu gosto de saber que existe um predador maior por aí, um que pertence e se encaixa em um ecossistema saudável. Odeio a ideia da natureza como um espaço rural, livre de todas as ameaças. Essa é a visão do invasor, não a minha.”

– Rod Coronado, “A Resiliência do Selvagem: Lobos Falando e Espreitando com Rod Coronado.”

Black and Green Review Nº 1 (primavera de 2015), página 108.

Quando ando pela floresta, tento estar o mais atento possível. Mas no fundo da minha mente, eu sei que estou em um lugar seguro. De fato, até digo a minhas filhas que o lugar que fico mais nervoso é o estacionamento subterrâneo do shopping. Este é o lugar mais antinatural que um humano poderia conceber, razão pela qual é um dos mais provocadores de ansiedade que alguém possa imaginar. De qualquer forma, o problema real são os carros dando ré, que é uma das situações mais notáveis para acidentes de carros. As crianças, sendo pequenas, poderiam facilmente serem atropeladas por um condutor que não presta atenção ao que está atrás dele. Em comparação com a floresta aqui, o máximo que poderia ser encontrado seria uma serpente ou parar sobre um formigueiro. Com muita sorte se poderia encontrar um lagarto tomando sol, ao lado de um pântano ou uma lagoa. Mas os lagartos são muito tímidos, e fugiriam para a água se alguém os encontrasse.

Ironicamente, em locais selvagens no Oeste, mesmo em lugares que parecem muito mais desenvolvidos, caminhar na natureza poderia ser potencialmente uma proposta muito mais perigosa. Quando eu morava nas montanhas da Califórnia Central, sempre tive medo de me encontrar com um leão da montanha, especialmente quando alguém dizia que havia visto um em alguma montanha, fora do local onde eu estava me hospedando. Lembro-me de ter ficado em outro lugar, e tive que sair para caminhar muito cedo pela manhã, no escuro, e estava desesperadamente com medo de me encontrar com um leão da montanha ou um urso. Os porcos selvagens eram também uma preocupação. No deserto eram os cães errantes que eu mais temia, e levava inclusive uma vara. Uma serpente cascavel poderia ser facilmente evitada: ao contrário das pantanosas florestas de pinheiros, há pouca grama no deserto para que se escondam. O máximo que eu vi foi um pequeno lince ou um coiote meio emaciado. Ao me verem sequer mudaram seus cursos, seguiram vagando.

Também vi coisas menos ameaçantes. Os cervos são abundantes a oeste, já que a caça é estritamente proibida. Caminhando nas terras de Robinsón Jeffers, especificamente em Wolf Point, cheguei a dois metros de um cervo, e fiquei diante dele. Ele me olhou e não tinha medo. Durante semanas em um dos lugares em que eu estava hospedado, mencionado acima, uma família de cervos passava todas as tardes, perto das cinco horas em ponto: uma cerva e cerca de cinco filhotes. Certa manhã, acordei para encontrar com um lindo cervo de cifres predominantes que havia sido atropelado campina abaixo. Essa visão partiu meu coração.

Houve outros encontros, e haverá mais sem dúvidas. Mas estou começando a perceber que estas epifanias do Deus Selvagem do mundo, se manifestam dentro do cativeiro Babilônico, uma curta, mas trágica época em que um animal decidiu que dominará tudo, e que tudo que restar o servirá enquanto sua existência puder se beneficiar disso. Por exemplo, os lagartos nesta área quase foram extintos no início do século passado. Ursos, lobos, panteras e martas vagavam por estas florestas. Sem dúvida, o grande coro dos pássaros foi uma grande orquestra até não muito tempo atrás. A floresta abre de tempos em tempos mausoléus a céu aberto, e inconfundivelmente silenciosos em comparação a quando uma sinfonia total de animais acrescentava suas medidas musicais. E elas (as florestas atuais) *¹ foram feitas desta maneira por e para o homem. Eu já comentei como minha área nativa na Califórnia foi alterada além do reconhecível.

Declaro tudo isso porque recentemente me pediram para refletir sobre o selvagem *². Para mim, não existe tal coisa. A “natureza” existe completamente a critério do homem. Leia um livro como A Terra dos Cervos: A Caça na América Para o Equilíbrio Ecológico e a Essência da Vida Selvagem, e você percebe que mesmo os selvagens e impressionantes cervos são meramente um produto da civilização: uma população que é permitida vagar e que são extraídos de acordo com cotas muito estritas do governo. De fato, a forma pela qual algumas pessoas caçam cervos, usando milho para atraí-los e ficando a postos para disparar contra eles, já que o cervo não consegue levantar seu olhar, está mais para um massacre que para uma caçada. Existe até um procedimento que a pessoa deve seguir se ela atropela um cervo (que é um acidente muito comum em algumas partes dos Estados Unidos). Em algumas partes do sul, enquanto se está transbordando de árvores, elas são colhidas de acordo com uma determinada agenda. Há a temporada dos lagartos, dos patos, etc., etc. Considerando o número de armas nesta parte do mundo, e o entusiasmo de alguns em usá-las contra animais comparativamente indefesos, a única coisa que impede estas criaturas de serem extintas é o Estado. Muitos animais foram extintos apoiando esta hipótese, uma vez que o governo foi menos entusiasta para protegê-los.

Então enquanto as pessoas pensam que o Estado está contra a “Natureza”, eu estou um pouco relutante em concordar. Se o Estado e a sociedade tecnoindustrial entrassem em colapso amanhã, os primeiros a morrerem seriam todos os animais. Todos os cervos: mortos. Tartarugas: mortas. Lagoas e rios: saturados pela pesca. As pessoas até mesmo começariam a matar os guaxinins e gambás (que eu ouvi dizer que caem bem se vão acompanhados com batatas). Talvez comecem a comer tatus, que dizem que carregam lepra, e depois cães e gatos, e assim por diante. Muitos romances distópicos foram escritos sobre isso. Se a sociedade tecnoindustrial entrasse em colapso amanhã, o leve, mas entusiasta coro da floresta, cairia em silêncio total, enquanto milhões de humanos vagariam pelos espaços silvestres a procura de carne para se alimentar. A descrição de Paul Theroux do silencioso campo da Angola destruído pela guerra, em seu livro The Last Train to Zona Verde, vem à mente.

Claro, agora é muito mais perigoso andar pelos bairros mais distantes, Eu sei, tendo sido assaltado uma vez, tarde da noite, na Califórnia (não levaram nada, e descobri que eu poderia aguentar um soco). Os tiroteios geralmente ocorrem à noite, assim como todos os tipos de assassinatos, roubos de veículos, violações, assaltos, etc. Homo homini lupus*³, especialmente quando todos os lupis reais, foram massacrados pelas mãos do homo sapiens. Ou talvez não seja tão sábio ao tentar criar um mundo em que ele é o único predador a ser temido. É verdade, talvez, que a única Natureza Selvagem que resta está no coração do homem: em seu coração mortal, frio, onde apenas outros homens são presas. No final, este é o mundo que criamos. Um em que a única forma de replicar a sensação do homem primitivo, caminhando pelo bosque primaveril, é afrontando outro homem na floresta artificial de concreto, concebida fora de sua mente limitada. Lá pelo menos deve permanecer alerta e consciente de sua própria mortalidade. Na floresta real, a reserva que sobrou da civilização, é como um claustro monástico em comparação.

De qualquer forma, penso eu, que posso entrar na floresta, no pântano, e nas águas para expressar minha dor. Talvez algum dia, outro homem possa sentir a plenitude de viver entre as árvores, rochas e águas, onde ele é meramente outro animal, a potencial comida de algum animal, e somente outra voz na grande Roda Cósmica. Isso e nada mais. Talvez isso aconteça novamente no sonho do Mundo, talvez não, mas não voltarei a cometer o erro de acreditar que sou eu quem está sonhando.

1. * Esclarecimento do tradutor.
2. * Referindo neste caso a áreas selvagens, geograficamente.
3. * (O homem é o lobo do homem)

Minha Autoridade

Texto extraído da terceira edição da Revista Ajajema.

É um pouco difícil para mim começar a escrever algumas palavras, posto que os teóricos da tendência se lançaram no abismo das reflexões. Tanto que muitas vezes sinto que logo ficaremos sem mais nada para dizer. Muitas coisas já foram ditas, cada uma igualmente interessante. Reflexões muito letradas, especialmente a dos manos dos EUA. Às vezes invejo a capacidade reflexiva e intelectual dos compas. Ler cada palavra dos irmãos e irmãs de tantos lugares é uma alegria e um tremendo impulso anímico para o espírito. Cada uma de suas contribuições para a guerra, cada texto encorajando a Máfia, cada escrito resgatando as vidas dos povos primitivos, as reflexões enaltecendo o Oculto e o Desconhecido, e suas bocas lançando maldições pagãs em detrimento da civilização e a humanidade. Tudo isso é uma lufada de ar fresco para os individualistas que lhes custa tirar dentro de si as palavras, como é o meu caso.

Sabendo disso, atrevo-me a escrever algumas palavras sobre a autoridade da Natureza Selvagem, de suas indiscriminadas manifestações, de seus massacres contra a humanidade, do chamado que fizeram alguns compas para alegrarmo-nos com cada tragédia caótica da Terra sobre a civilização.

Os irmãos do grupo editorial da Revista Ajajema fizera-me o convite para eu somar com alguma contribuição para a sua terceira edição, e com prazer me animo e escrevo estas palavras soltas. Reflexões caóticas a quem interesse. Aí vou eu…

Comecemos com uma pergunta bastante básica, o que é autoridade? Ou, pelo menos, o que eu entendo por ela. A autoridade vem sendo uma figura (mística ou real) a qual você deve respeito e/ou obediência. A autoridade hoje em dia é vista como algo bastante ruim, repressiva, abusadora, tanto que há radicais que visam eliminá-la e, de certa forma eu encontro uma afinidade aí. Sem dúvida a autoridade civilizada é uma verdadeira merda, mas, ao contrário destes radicais, não me esforço para erradicá-la. Acredito que tudo dentro da vida civilizada é repugnante, então por que tenho que parar e me concentrar em apenas um aspecto dela? É uma pergunta muito boa. Eu não rechaço a autoridade humana como instinto, aquela ancestral que sempre esteve presente. Os compas escreveram bastante a respeito do termo autoridade “inócua” e “iníqua”.

A primeira coisa que tenho que dizer é que não tenho problemas com a “autoridade humana”, não tenho problemas com alguém que me diga o que eu tenha que fazer. Não sou um “anti-autoritário”, porque ao contrário deles, eu acredito na autoridade, creio ser capaz de dar ou receber uma ordem, e aqui não vejo nenhuma relação de submissão. Obviamente, aqui me refiro claramente àquela autoridade inócua que pode exercer, por exemplo, um compa quando estamos em uma ação, quando ele é o encarregado a me dar a ordem para que eu possa me aproximar do alvo para atacar, ou quando este mesmo cúmplice tem que me chamar a atenção quando estou cometendo um erro que pode colocar em risco o plano, ou quando eu devo ser o encarregado de decidir quais serão as rotas de fuga e então guiar os outros, e mais um monte de exemplos do exercício da autoridade. Eu poderia dizer da mesma forma que, em alguns casos, a “autoridade biológica” (os irmãos, os pais, os avós, etc.) podem ser também um exemplo de autoridade inócua. E mesmo sabendo o quão desgraçados podem ser os familiares biológicos em algumas ocasiões, ninguém pode negar o quão vital e necessária é a autoridade, por exemplo, de uma mãe a seus filhos pequenos.

Nem preciso falar sobre isso, que “sinto certo rechaço” pela autoridade humana civilizada, e aqui me refiro a todos estes seres que em sua maioria estão por trás de um uniforme dentro das grandes cidades. E quando digo que “sinto certo rechaço”, quero dizer que realmente não tenho um sério conflito com ela. Entendo e sou consciente de que as cidades e a civilização enquanto existam estão e estarão controladas pela autoridade, não há dúvidas quanto a isso, então, estar em “guerra contra a autoridade” pelo menos eu não vejo como algo para concentrar minhas energias e minha vingança.

Bem, isso é o que posso dizer sobre o que penso da “autoridade real”. Acredito que seja necessário dizer algo da autoridade ancestral e onipotente que é a Natureza Selvagem, daquela “autoridade mística” representada por todo o desconhecido da Terra, aquela que se manifesta com a chuva e o raio, com os tsunamis e as erupções, nas luzes do céu escuro após um terremoto e no som dos rios, evitando os séculos de intelectualidade e raciocínio científico do porque que as coisas acontecem, e jogando fora todo o lixo da teoria humanoide que se atreve a explicar o inexplicável. Para todos estes eu digo: humanos modernos híper-civilizados, me deixem com minha essência primitiva, essa que tinham os antigos humanos que sim sabiam de algo.

Eu digo isso com o maior orgulho, a Natureza Selvagem é minha autoridade, e por quê? Porque ela está acima de Mim, acima de tudo e todos, ela é quem me rege, a ela devo obediência e respeito, ponto. Seus ciclos naturais são os que me ditam as normas que devo seguir. Assim como a porra do motorista de um carro segue as leis do trânsito, eu sigo as leis a Terra. As nuvens negras me indicam chuva, a chuva me indica refúgio, e logo me sugere para me preparar para o frio posterior. Os rios tem a força ancestral e eterna da Terra, eu me aproximo deles quando estou perdido, sei que me guiarão em meu caminho. Os demais animais são capazes de seguir as leis da Terra, sabem onde e quando dormir, onde e quando acordar, onde e quando se esconder, onde e quando se alimentar ou procriar.

A espécie humana perdeu todo o contato com a maravilha da Terra. Ela se tornou incapaz de combater um resfriado, agora curam-no abruptamente com químicos nocivos. Como alguns irmãos disseram, “quem não tem dinheiro fica gripado”, pura verdade!

Muito tem sido dito sobre os desastres naturais, eles inclusive são festejados por alguns compas que fizeram um chamado para se alegrar com a desgraça humana, chamado ao qual, sem dúvida, me somo. Eu li que algumas pessoas por aí são contra a comemoração de desgraças como estas, já que em alguns casos as vítimas são pessoas extremamente pobres, elas ficam indignadas por nos alegrarmos com os mortos, especialmente quando são crianças, nos chamam de monstros perversos por essa e outras coisas mais.

O que me ocorre com estas posturas classistas é um tremendo asco, isto é, se o furacão destrói um bairro burguês cheio de milionários e mata a todos, que bonito! Mas se a chuva inunda algum povoado de algum país asiático bastante pobre, que pena. Como se as manifestações da Terra se importassem quão rica ou pobre uma pessoa é. Ou celebramos o Caos sem nenhum problema e sem a mínima culpa ou calamos a nossa boca de merda. Esses aí que andam se alegrando quando morrem policiais ou os filhos dos ricos empresários e que entram em choque quando nós nos regozijamos com a morte humana indiscriminada são uns hipócritas moralistas.

Devo o respeito e a obediência a todas as belezas e a violência da Terra, a cada um de seus ciclos primordiais. À garoa de manhãzinha em pleno verão que encharca os campos e montanhas. Aos insetos que se escondem embaixo da terra no inverno, e que saem em massa para estocar alimento no verão. Às chuvas de inverno que inundam toda a cidade, a que torpemente amaldiçoa o humano híper-civilizado. Ao verão infernal que esquenta a terra e propaga incêndios ferozes. Ao canto dos grilos e o voo do pássaro. Ao grito da raposa. Ao por do sol que nos mostra a maravilha do céu. À lua cheia que aparece quando tudo está escuro e que brilha como o dia. À precaução e o sigilo dos coelhos que esperam que as montanhas cubram a lua antes de saírem para comer. Ao medo que senti quando dormi em meio ao selvagem e que me paralisava ao escutar o som de algum animal, às pisadas de algum ser entre as árvores que fazem com que meu ser se angustie, à este maravilhoso pavor que só algumas pessoas experimentaram. Às profundidades dos oceanos. Aos abismos infinitos das montanhas. À cordilheira que mantém o gelo para sempre. À erva e as flores que persistem em pleno deserto. Às mariposas, borboletas e vespas que aparecem em meu caminho.

Eu rezo a todo o oculto e desconhecido da Terra, me curvo e me entrego. Decidi confiar-me aos espíritos dos antigos sempre que deixo o meu refúgio, lhes agradeço por terem cuidado de mim em minhas andanças terroristas até meu retorno. Eu toquei as terras com meus pés e mãos em um ato de conexão suprema com a Terra e toda a beleza dela. Me olharam com desgosto por falar com as plantas e saudar os animais de rua. Porque sempre peço permissão à árvore quando vou arrancar alguma de suas folhas, peço permissão e agradeço. Tudo isso faz parte de meus processos individuais e únicos que não se encontram regidos por nenhuma ideologia, é uma conduta caótica e selvagem que adora e enaltece o Selvagem e o esquecido pelo ser humano moderno híper-civilizado.

Pela autoridade da Terra sobre Meu ser!

Amém…

Espírito Tanu

A Águia e o Falcão

Conta uma velha lenda Sioux que uma vez chegou à tenda do feiticeiro mais velho da tribo um casal apaixonado de mãos dadas: Touro Bravo, o mais valente e honrado dos jovens guerreiros, e Nuvem Alta, a filha do cacique e uma das mais bonitas mulheres da tribo.

“Nos amamos”, começou o jovem.

“E vamos nos casar”, disse ela.

– “E nos amamos tanto que temos medo”.

– “Queremos um feitiço, uma conjuração, um talismã”.

– “Algo que assegure que estaremos lado a lado até encontrar Manitu no dia da morte”.

– “Por favor”, repetiram. “Há algo que possamos fazer?”.

O velho olhou para eles e ficou emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados…

– “Há algo…”, disse o velho depois de uma longa pausa. “Mas não sei… é uma tarefa muito difícil e sacrificial”.

– “Não importa”, disseram os dois.

– “Pode ser qualquer coisa”, ratificou Toro Bravo.

– “Bem”, disse o feiticeiro. “Nuvem Alta, você vê a montanha ao norte de nossa aldeia? Deverá escalá-la sem nada a mais além de uma rede em suas mãos, e deverá caçar o mais belo e vigoroso falcão da montanha. Então você deverá trazê-lo aqui com vida no terceiro dia após a lua cheia”.

– “E você, Touro Bravo”, continuou o feiticeiro. “Deverá escalar a Montanha do Trovão e, quando chegar ao topo, encontrar a mais valente de todas as águias e, somente com suas mãos e uma rede, pegá-la sem feri-la e trazê-la a mim, viva, no mesmo dia em que virá Nuvem Alta. Compreenderam?”

O casal assentiu e o velho xamã fez um gesto indicando que não tinha mais nada a dizer. Os jovens se entreolharam com ternura e depois de um fugaz sorriso partiram para cumprir a missão que lhes foi confiada, ela ao norte, ele ao sul. No dia estabelecido, diante da tenda do feiticeiro, os dois jovens esperavam com sacos de pano contendo as aves solicitadas.

O velho pediu-lhes que, como muito cuidado, as tirassem dos sacos. Os dois jovens retiraram-nas e expuseram, ante a aprovação do velho, os pássaros caçados. Eram verdadeiramente formosos, sem dúvida os melhores de suas linhagens.

– “Voavam alto?”, perguntou o feiticeiro.

– “Claro, como você pediu… e agora?”, perguntou o jovem.

“Esperamos um sacrifício? Devemos matá-los? O que temos que fazer?”

– “Não”, disse o velho sábio. “Faça o que eu disser: pegue as aves e amarre-as pelas patas com estas tiras de couro. Quando estiverem amarradas, solte-as e as deixe voar livres”.

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi pedido e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram levantar vôo, mas conseguiram apenas chafurdar no chão. Poucos minutos depois, frustradas, se arremeteram uma contra a outra à bicadas, até se lastimarem.

– “Este é o feitiço. Jamais se esqueçam o que viram. Vocês são como uma águia e um falcão: se são atados entre si, mesmo que por amor, não só viverão se rastejando, mas também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se vocês querem que o amor de vocês perdure, voem juntos, mas jamais atados”.

Conto Siux.

Aponte Mais Alto

Tradução do escrito Aim Higher, de Abe Cabrera.

Alfredo Bonanno abre sua famosa obra, “O Prazer Armado”, com esta passagem:

“Por que diabos estes benditos meninos atiraram contra Montanelli nas pernas? Não teria sido melhor ter disparado na boca? Claro que sim. Mas, além disso, teria sido mais grave. Mais vingativo e sombrio. Deixar fodida uma besta como esta pode ter um lado mais significativo, mais profundo, que vai além da vingança, do castigo pela responsabilidade de Montanelli, jornalista fascista e servo dos grandes senhores. Aleijá-lo significa forçá-lo a desistir, a lembrar-se. Por outro lado, é uma diversão mais agradável que atirar em sua boca, com pedaços de cérebros saindo de seus olhos.”

Claro, matar alguém é muito mais definitivo que deixá-lo coxo, sem dúvida. E talvez haja também consequências legais envolvidas (peso na consciência?). É como quando algumas pessoas dizem que a vida na prisão é pior que a pena de morte. Há um ponto aí, dependendo da perspectiva do observador. Pessoas inocentes podem ser libertadas, mas não podem ser ressuscitadas. Talvez um fascista coxo possa mudar seus costumes, ou talvez você apenas quer que ele sofra. Talvez você durma melhor à noite sabendo que “só o deixou coxo”. Ler a mente de alguém é um exercício fútil, então pararei por aqui.

Mas por que disparar na cara de um fascista seria mais “grave”, mais “vingativo e sombrio”? (“Ma sarebbe stato anche più pesante. Più vendicativo e più cupo.”) Bonnano passa a falar da piedade dos revolucionários, levando em consideração que a revolução está longe de ser piedosa. Para ele, estão apenas de fofoquinha, para se divertirem contra a máquina cinzenta que busca nos oprimir, e outro monte de blá blá blá insurrecional sobre ter esperança, mas sem realmente ter esperança, lutar, mas se divertir ao mesmo tempo, etc. Tudo se resume em ultrapassar estas dicotomias, e é por isso que a coisa menos grave é mais divertida enquanto que a coisa mais sensível (disparar na cara e eliminá-lo) é de alguma forma a coisa mais moral, o mais “sombrio”, e o menos subversivo.

Mas, de acordo com alguns grandes insurrecionalistas sem insurreição, ainda mais subversivo é não fazer completamente nada e fingir que o mundo “normal”, o mundo em que se vive de fato, o de milhões de pessoas, simplesmente não existe. Veja você, tudo se trata de fugas binárias, bem e mal, revolução e vida real, natureza e civilização, o Eu e Você, o Um e os Muitos, etc., apenas afirmando que não existem. (Isso me lembra a história talvez apócrifa da Rainha Vitória apagando a Bolívia do mapa após o Embaixador de Sua Majestade Real ter sido expulso do país e posto nas ruas montando um burro como forma de humilhação). Veja como tudo se trata da percepção; estar consciente em oposição e ser “inconsciente” (estar acordado* NdT 1, como as crianças dizem nos dias de hoje). E neste sentido, fazer qualquer coisa que se assemelhe remotamente ao terrorismo, violência revolucionária, ou mesmo a violência criminal, é cair nas mãos do Binarismo Opressor. Em sua bolha, se você denuncia o Binário desde o começo, você vencerá e terá transcendido. Sim, eu também sou um bastardo em minha imaginação. Meus amigos imaginários também pensam que sou especial (“Insurrecionalistas sem insurreição” me lembra a caracterização do comunista Bukharin dizendo que o anarquista é um liberal com uma bomba. Você pode fazer a aritmética sozinho). Foi aproximadamente na metade da minha vida, mas ainda posso me lembrar da Ideologia Alemã e processando o jovem Marx, seu ponto principal era que a refutação de algo no abstrato não destrói aquilo no mundo físico. Eu não vou entrar em toda a polêmica do “São Marx”, mas vou tentar citar Teses sobre Feuerbach encima de outra problemática hegeliana que o autor comunista aborda:

“O problema de saber se ao pensamento humano pode ser atribuído uma verdade objetiva não é um problema teórico, mas um problema prático. É na prática que o homem tem que demonstrar a verdade, isto é, a realidade e o poder, a mundanidade de seu pensamento. O litígio sobre a realidade ou irrealidade de um pensamento isolado da prática é um problema puramente escolástico…

A vida social é, em essência, prática. Todos os mistérios que levam a teoria ao misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão desta prática.”

Vamos salvar o leitor de toda a questão de “o ponto está em mudar isso”. Outro marxista (Trotsky?) resumiu o princípio mais sucintamente dizendo algo como (parafraseando): “Quando uma ideia busca o controle das massas, se converte em uma força material.” Não importa se uma ideia é “falsa”, se existe um deus ou não, etc. Deveria importar, mas realmente não é assim. Se as pessoas estão prontas para matar ou morrer por ela, é uma realidade física, pode até ser uma realidade física superior (um deus?). O progresso, por exemplo, pode ser um fantasma sem base na “realidade física”, mas essa ideia criou a Hidrelétrica das Três Gargantas na China: a crença firme na ordem, no futuro, na benevolência da dominação do homem sobre a natureza, νόμος sobre φύσις. Você se negar a lidar com isso e retrair sua própria imaginação e opinião significa simplesmente que você acaba protegido por sua fortaleza de opiniões intransponíveis. Isso parece uma vitória pírrica, se é que alguma vez existiu uma.

Mas vamos voltar ao tiro na perna: não poderíamos dizer que este “prazer” está infectado pela ideologia neo-cristã, como um malware criando um backdoor no software insurrecional? Por que não é divertido ver cérebros escorrendo pelo oco de um olho, mas ver um fascista se contorcendo de dor porque lhe espatifaram a patela é legal? Pode ser que haja medo que te considerem um psicopata por matar alguém, mas regojizar-se por deixar alguém coxo não deveria te catalogar no status de psicopata, é? (explique isso para uma pessoa comum para ver se compram a ideia). Não poderia ter nada a ver com todo o assunto de “Não Matarás”, certo? Ou o monopólio absoluto sobre a vida e a morte que o Rei, o Estado, etc., reivindicaram sobre as pessoas por milênios no contexto europeu? Talvez estas pessoas deveriam começar a ser honestas consigo mesmas, mas provavelmente não o farão. Elas não deveriam se surpreender, em todos os casos, quando algum de seus compas chegue a conclusão de que todo o derramamento de sangue é “fascista”, ou se alguns mais ainda confusos flertam com os “movimentos sociais” que promovem a intervenção do Estado para desarmar todo o mundo.

A moeda humana, mesmo para o mais fervoroso insurrecionalsita, para o traidor da espécie mais entusiasta, é preciosa demais. Não vamos invalidar esta moeda, eles exortam; ao fazê-lo, a pessoa cai no cálculo moral da sociedade. Ao ser imoral, reverencia-se a moralidade, em oposição a ter a atitude correta, a “consciência correta”. Uma percepção tão alta pode tornar a travessia de uma rua um ato revolucionário, pode criar abundância do nada, pode partir o mar. Mas em termos de desafiar o humanismo inerente, o cristianismo inerente a todas as ideologias “radicais”, não podemos fazer isso. Desculpe, não vamos prestar-lhes atenção, e seguiremos com a próxima moda da semana que prometa salvar uma sociedade que não quer ser salva, ou ao menos nosso confortável lugar nela.

Atirar no joelho é atirar nos ramos mais altos. O atacante está claramente perturbado por algo a ponto de usar a violência. Por que você quer ferir essa pessoa? Por que ela tem poder? Quem lhe deu esse poder? Ou quem consente que o tenha? Há mais de “nós” que “deles”, certo? Com quem você realmente está zangado? Você realmente acha que matará a árvore se você podar o suficiente? O que te impede de atirar na raiz? Quando você se vê de frente para o indivíduo e para o coletivo, o que te impede de apontar mais alto, acima dos joelhos, na direção de onde o problema realmente está? Além do bode expiatório para a Massa amorfa que o mantém em sua posição de poder?

Nota do Tradutor:

1. A palavra usada em inglês é “woke”, termo político de origem afro-americana que se refere a uma consciência perceptiva respeito à justiça social e a justiça racial. Nas acepções mais modernas do termo, é usado para falar de consciência social em termos gerais.

Sobre o Eco-extremismo

Texto extraído da sexta edição da Revista Ajajema.

Minha relação com o eco-extremismo passou por muitas etapas ao longo dos anos, e recentemente senti uma espécie de necessidade de fazer uma reflexão pessoal sobre a tendência e minha relação com ela. Como uma nota destacada, o eco-extremismo não é um tema monolítico. Foi entendido de diferentes maneiras, até mesmo por aqueles dentro da própria tendência. Consequentemente, não pretendo oferecer nenhum comentário definitivo, apenas reflexões sobre minhas próprias abordagens (teóricas) com o eco-extremismo como uma tendência de ação e pensamento anti-civilização.

Antes de minha mais recente virada rumo à uma perspectiva mais “anti-civ” (um termo que chegou a me desagradar porque é muito amplo e inclui uma bagagem desagradável), minhas raízes se alojavam firmemente nos campos ideológicos do esquerdismo contemporâneo. Eu provavelmente teria me declarado como uma espécie de Marxista Libertário se tivessem me perguntando. Sustentei a doutrina do progresso, acreditava na delicada luta por um amanhã melhor, o futuro utópico. E fui, embora com relutância, um humanista, acreditava em uma espécie de bondade subjacente ao ser humano que poderia ser descoberta ou atualizada se apenas os meios de produção fossem liberados de suas contradições, derrubados, ou alguma outra merda como essa.

Eu encontrei alguns laços com o que agora sei que eram versões do anarco-primitivismo inspiradas por Zerzan, mas geralmente achava ridículo por várias razões. Mas minha primeira introdução ao eco-extremismo veio de uma série de trabalhos teóricos de um escritor eco-extremista sob o nome de Chahta-Ima. Muitos desses textos exploravam as nuances e as bases filosóficas da tendência. Eu encontrei nos escritos de Chahta-Ima e em grande parte do resto do material ligado à tendência (Revista Regresión, os comunicados de ITS e Reacción Salvaje, Atassa, etc.) algo que ressoava profundamente tanto em meus crescentes desacordos com toda a visão do mundo progressista e humanista e com a monstruosidade histórica que ele gerou, como com minha crescente reverência pelo inumano.

Em um nível teórico (e nível prático, no que diz respeito a isso) o eco-extremismo foi e ainda é um punhal frio no coração das estruturas filosóficas e materiais que sustentam o mundo progressista e humanista. Desde as desconstruções da filosofia humanista e progressista até a explosão de cada artefato incendiário, a tendência é uma manifestação visceral do rechaço violento da ordem existente.

Além de sua marca particular de “anti-modernismo violento” (por falta de um termo mais apropriado) os escritos expressam uma bela forma de reverência às raízes do inumano em grande parte por uma tentativa de reivindicar as crenças animistas/pagãs e seus correspondentes laços ancestrais com a terra, bem como um antigo legado de resistência violenta contra o avanço do progresso. Estas questões são amplamente desenvolvidas nas etapas de atividades eco-extremistas definidas pelo desenvolvimento de Reacción Salvaje e o trabalho articulado em vários números da Revista Regresión, e se mantiveram realizadas no ressurgimento de ITS, que ainda se sentia de várias formas em dívida devido suas ligações anteriores com Kaczynski, apesar de seu distanciamento teórico e prático com ele (para uma revisão muito detalhada deste período leiam “Rumo à Selvageria“, de Abe Cabrera).

Em suma, a tendência representou e segue representando uma manifestação ideal e material do ataque implacável contra a ordem da civilização moderna e todas as suas instâncias. Como disse um escritor eco-extremista, e assim os esforços pessimistas, niilistas, inumanistas do eco-extremismo são os pesadelos que atormentam os sonhos que constituem as fundações de todo o ideal humanista e progressista. A criança se contorce diante dos monstros que vêm à noite, subindo nas penumbras de seus sonhos para aterrorizá-la e destroçar suas mais preciosas fantasias. E ela chuta e grita e acorda suando frio de seu sonho, tremendo, por temor aquele mundo sombrio e impiedoso.

Tem sido principalmente estes elementos mencionados anteriormente que me acompanharam por mais tempo ao longo de minha aproximação da tendência, a veemente rejeição dos pilares da sociedade moderna e uma profunda reverência ao inumano. O realismo endurecido do rechaço eco-extremista pelos sonhos vazios do progresso (seu severo rechaço pelo futuro) e pela idolatria em direção ao humanismo (seu abraço à beleza profunda do inumano e seu rechaço aos delírios modernos sobre a superioridade humana) reflete e segue refletindo minha crescente convicção de que uma grande parte do projeto progressista/humanista era baseado em nada mais que escassas abstrações da mente humana. Uma espécie de obsessão com os sonhos nascidos nos sombrios confins da mente humana que jamais poderiam ser alcançados, quer sob a forma de nosso solipsismo moderno que nos cega para a beleza profunda do inumano com mentiras sobre a nossa própria significância ou a luta interminável por aquilo que está sempre no horizonte, o glorioso futuro que nunca haverá porque não existe em nenhum outro lugar a não ser na mente humana.

Certamente, estes pontos não são únicos do eco-extremismo, e eu fui exposto a eles em outro trabalho, mais significativamente no contato com as obras do poeta americano Robinson Jeffers e suas explicações sobre a filosofia do “inumanismo”. Eu também encontrei estes sentimentos incrivelmente poderosos nos escritos de Jeffers e provavelmente devo muito da mudança em minhas visões à perspectiva que me foi aberta por sua poesia. E assim, encontrar os mesmos sentimentos articulados nos escritos eco-extremistas (embora com uma dose mais saudável violência) foi igualmente comovente para mim e certamente me levou a uma ressonância mais profunda com as bases espirituais e filosóficas com eco-extremismo.

Curiosamente (ou talvez pouco surpreendente) é também neste aspecto, a maneira na qual o eco-extremismo se posiciona como uma crítica adequadamente sutil e poderosa às bases do progressismo e do humanismo, que é consistentemente pouco abordado na maioria, senão todas as críticas contra a tendência. A maior “disputa” contra o pensamento eco-extremista no mundo da língua inglesa foi, sem dúvida, devido a publicação da revista Atassa: Readings on Eco-extremism, nos volumes 1 e 2. Enquanto as publicações tem sido experiências diferentes para as distintas partes envolvidas em sua produção, algo que elas experimentaram da mesma forma além daquelas variadas intenções é um encontro violento para a paisagem ideológica contemporânea das políticas “radicais”, volumes que trouxeram à conversa o que o eco-extremismo vem dizendo (e respaldando com a ação) ao sul da fronteira. Bem, um encontro e também uma tempestade de fervorosa merda entre as filas da esquerda, a maior parte sendo só barulho e raiva, significando nada.

Para ser honesto, a estas alturas perdi o rastro de todos os furiosos escritos sórdidos com observações moralistas vazias para denunciar o “mal” que é o eco-extremismo, e ao mesmo tempo redobrando suas apostas contra as mesmas estruturas que o eco-extremismo tenta sangrar. Tudo isso parece ser entendido pelos anarquistas e sua classe como uma “competição” contra a tendência, “lidando com as perguntas difíceis”, ou algo assim. Ou é a verdadeira estupidez ou a conscienciosa ignorância para não ter que enfrentar algo que é verdadeiramente desafiador, em vez de um reforço superficial das fantasias reconfortantes que orientam e dão sentido ao ethos do mundo moderno. Dois volumes de barulho, e em todo caso, ainda não vi realmente nenhuma contestação verdadeiramente crítica aos questionamentos da filosofia humanista e progressista. E não é que o trabalho não esteja lá, há uma cuidadosa articulação realizada por um número de teóricos eco-extremistas para ampliar a plataforma filosófica do eco-extremismo. Mas suponho que não deveria ficar terrivelmente surpreso com a resposta do eco-extremismo. Não é e nunca quis ser uma marca de atração massiva. Não é uma reunião confortável. Encara sem piedade o coração do mundo moderno com uma navalha fria e um sacrifício de sangue para queles deuses sombrios além do reino do ser humano. Com o tempo, aprendi a deixar que essa reação seja o que é, os solavancos e gritos da espécie quando a arrancam de seus confortáveis sonhos e a colocam cara a cara com os poderes sombrios do mundo.

Rememorando o tempo que passei lidando com o eco-extremismo, descobri que é uma tendência para a qual não posso evitar sentir afinidade. Certamente há elementos que não aceito de todo o coração, e como indiquei na introdução, não é e nunca foi um assunto monolítico. À medida que a tendência cresceu ao longo dos anos, desenvolveu numerosas tensões dentro de si mesma. Esta é uma parte inevitável do crescimento, suponho. Versões de um niilismo misantropo mais retumbante, desprovido de uma reverência estilo animista/pagão tem se desenvolvido de uma aceitação mais profunda do niilismo e o egoísmo, uma aceitação do extincionismo e ideias semelhantes foram desenvolvidas na medida em que a tendência foi se expandindo. Eu pessoalmente não acho essas permutações muito interessantes, e eu expressei meus próprios problemas com o niilismo misantrópico, por exemplo, pelo menos no que me diz respeito. Também tenho dúvidas do que considero que são problemas não abordados nas bases filosóficas do extincionismo que provavelmente levariam a uma análise mais longa no futuro. Mas, no entanto, além da minha dúvida pessoal em relação a certos elementos, sempre encontrei nas minhas abordagens das bases filosóficas e espirituais da tendência algo que, além de todos seus elementos “problemáticos”, simboliza algo profundamente belo. No violento rechaço a nosso predicamento moderno e a reviravolta na direção da vasta e incompreensível glória do inumano, algo profundamente comovente é encontrado. Eu não sou um eco-terrorista. Passo meu tempo caminhando pelo bosque, escrevendo e tirando fotografias em vez de fazer bombas. Mas em sentimentos como este, não posso deixar de sentir uma profunda afinidade:

[O Homem Moderno] nunca se ajoelhará diante da imensidão e força da Natureza Selvagem e toda sua beleza, esplendor, sabedoria e riqueza. Sempre buscará manipular e dominar o Desconhecido, nomear o Inominável e desafiar sua fúria. Ele ousará colocar suas mãos sujas em tudo aquilo que é belo e vivente para arrancar as entranhas da Terra e impor seu mundo cinza, barulhento e cheio de fumaça. Nunca será capaz de compreender a beleza das constelações, o sabor das águas naturais, a serenidade dos bosques, o silêncio da noite, o mistério que é o desconhecido, a canção do animal no fundo do bosque, o movimento do vento, os cursos dos rios, a fúria das tempestades, o infinito dos céus, nunca. Enquanto caminhe pela Terra ele sempre trará vergonha para os Espíritos da Terra, pavimentando tudo o que é vital até que não haja nada mais além de suas metrópoles sujas e secas.

Vagabundo

Texto extraído de uma das edições da Revista Ajajema.

Como um egoísta com uma personalidade veementemente antissocial e niilista, deveria ser bastante aparente que meus interesses, paixões e desejos se movem de forma completamente contrária aos interesses, padrões, leis e moralidade de qualquer sociedade ou estado. Sem estar disposto a ceder, retroceder ou comprometer-me por alguém, minha vida de criminalidade e excomunhão se iniciou em minha juventude, quando decidi que não desperdiçaria um segundo sequer de minha vida tentando ganhar aceitação ou aprovação daqueles que me rodeavam.

Por que eu deveria me importar em ser valorizado por outras pessoas que, francamente, me enojam por completo, e que odeio sua asquerosa existência humana tanto quanto a minha? Rechaço essa prática humilhante que constitui a fábrica social em sua totalidade, um tecido vil de fraqueza, imbecilidade, timidez e estupidez. Esta rejeição, em todo caso, não é passiva, é algo que eu sempre abordei com desprezo absoluto, hostilidade e frequentemente com atos de violência contra aqueles que tentaram se impor a mim ou a quaisquer correntes que flutuavam sobre minha florescente individualidade.

Na medida em que eu aprendi a viver por minha própria força de vontade, os muros carcerários da escola já não puderam me conter e nem a imundice pode me alcançar, então passei todo o meu tempo matando aula e inicialmente aproveitei este tempo livre recém-adquirido vagando por florestas e edifícios abandonados, escutando música, desenhando e escrevendo. Quando isso não era particularmente satisfatório, mergulhava mais fundo em artes mais sombrias e secretas. Dia após dia, a prática de furtos, invasão de propriedade privada, roubo e vandalismo se tornou minha vida diária. Uma reação a ser criada nesta desprezível sociedade que eu nunca poderia pertencer, uma sociedade que nunca respeitei ou tolerei nem o mínimo.

Então, quando eu era apenas um adolescente, senti o desejo de “fazer uma declaração” sobre todos estes pensamentos e sentimentos fervendo dentro de mim, então eu fugi de casa uma noite e me dirigi a uma igreja local. Coberto pelas árvores, escalei a cerca ao redor do edifício e ergui uma pesada pedra do chão. Eu a levantei com os dois braços e lancei com toda a minha força, destruindo a cabeça e os braços das estátuas nos jardins da igreja, aquelas mesmas estátuas que eu via ao passar caminhando quase todos os dias, e as mesmas que eu cuspia vis maldições de ódio e nojo. Depois de alguns minutos de uma excitante iconoclastia, percebi que estava fazendo muito barulho, então decidi fugir antes que um potencial herói pudesse intervir. Mais tarde, reconheci que aquela atividade noturna foi meu primeiro ataque direto motivado por razões puramente egoístas contra um símbolo e pilar institucional da civilização.

Soube naquele momento que era apenas o começo. Pouco tempo depois, por várias razões acumuladas em relação à minha hostilidade e à minha personalidade inflexível, abandonei a escola. Rejeitei a ideia de combater a servidão a partir de dentro e, por quase dois anos, mantive um teto sobre minha cabeça graças ao envolvimento em vários golpes pequenos e atos de fraude. Eu enchia meu estômago, juntando uma quantia relativa de dinheiro de tempos em tempos através do meu engenho, habilidades, enganos e com a ajuda de amigos. Mas comecei a ficar cada vez mais insatisfeito com esta miserável existência, jogando videogames, fumando maconha e indo a festas me embebedar. Naquela época também comecei a me identificar como “anarquista” em vez daquele outro rótulo que eu tinha “portado”, de misantropo. (Também acho engraçado ver como como isso fechou o círculo e mais uma vez abraço minhas tendências misantropas e rejeito o altruísmo alardeado pelos numerosos sacerdotes dentro dos tempos ideológicos do “Anarquismo”.)

Continuei buscando a emoção do crime e a aventura da rebelião. Então peguei minha confiável mochila e dei um passo mais adiante. Eu fui para uma floresta onde vivi entre outros “anarquistas” por alguns anos, e lá passei incontáveis horas com zines e literatura eco-anarquista, descobrindo várias habilidades através do autoaprendizado. A fim de reduzir minhas chances de ser pego e acusado mais do que o habitual pela polícia da região, rejeitei por um tempo as artes obscuras do roubo e comecei a me sustentar praticando freeganismo. Também aprendi a fazer fogueiras, construir abrigos e viver com o que a natureza tivesse para me oferecer. Aprendi a identificar e a preparar plantas comestíveis, e também a me mover rapidamente entre as árvores, sem ser visto ou escutado. Havia aprendido muito, e ainda sim queria seguir aprendendo e crescendo.

Então veio a inevitável colisão entre aqueles indivíduos e eu. Numa manhã brilhante e ensolarada, mal consegui conter minha alegria e emoção, me aproximei dos meus “compas” com uma cópia impressa do comunicado recém publicado do Núcleo Olga da Federação Anarquista Informal, reivindicando a responsabilidade pelo disparo no joelho de Roberto Adionfli, um pedaço de merda a serviço da empresa nuclear italiana Ansaldo Nucleare. Apesar de ter sentido que compartilhávamos um desprezo mútuo pela indústria nucelar e pela sociedade em geral, eles ficaram revoltados com aquele corajoso ato de terrorismo e com a sua ousada afirmação, e soube aí que já não podia mais ter a verdadeira afinidade entre aqueles indivíduos e eu, então eu parti e os deixei com seu ativismo idealista e sua covardia anarco-social.

Depois de um particular encontro com os robôs da “lei e da ordem” da qual não darei mais detalhes, tive que fugir e retomar as artes negras mais uma vez, abraçando a vida de vagabundo “ilegalista”. Vivendo em permanente movimento. Já não tinha que me preocupar com a possibilidade dos policiais me reconhecerem, já que viajava de cidade em cidade, de costa a costa, de picos de montanhas até as margens de algum rio. Através do autoaprendizado adquiri mais habilidades vindas de gerações de canalhas e sem vergonhas, como por exemplo, usar disfarces que permitam uma pessoa atravessar cidades sem ser notado, deslocando-me sem deixar nenhuma impressão digital pelo caminho, sempre pedindo carona e utilizando bicicletas do mercado negro ou roubadas. Também comecei a praticar a arte de abrir fechaduras, extrair dinheiro de carteiras e o furto com a utilização de mais ferramentas e meios para alcançar minhas próprias metas e sem jamais submeter-me à ditadura moral-ética alheia e o sufocamento do trabalho.

Sou um marginal arrogante, inóspito e intolerante. Se me faço chamar “ilegalista” não é porque aderi a qualquer doutrina pré-estabelecida de “criminalidade”, não utilizo este termo como uma placa, pois creio que todas as identidades são mantos da civilização que reproduzem intermináveis papéis e ideais que só limitam a autodeterminação de minha individualidade no presente. Se me faço chamar “ilegalista” é porque sinto que viver contra as leis e a moralidade estabelecida por esta repugnante sociedade é a única forma que poderia viver sem sofrer a derrota da humilhação diária e o tédio, que são endêmicos da vida dentro da prisão que são estes sistemas que odeio, e se me faço chamar “ilegalista” é porque sinto muito fortemente que neste termo existe uma expressão muito compreensiva de meu implacável e desavergonhado ego.

“Fazia uma busca existencial eterna que parte desde mim, e nada mais. Devo domar a existência e não deixar que a existência me dome. Sou uma semente da civilização e seu veneno ao mesmo tempo…”

[VÍDEO] Próximo trabalho sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Em breve será disponibilizado na web um trabalho sobre ITS editado por Jake Hanrahan, jornalista e cinegrafista especializado em guerras modernas. Jake dirige a Popupar Front e já realizou diversos documentários e vídeos sobre grupos terroristas e guerrilhas ao redor do mundo. Jake já abordou ITS em outra ocasião durante um podcast com John Jacobi, confira neste link.

Abaixo a prévia do trabalho.

[ES – PDF] Revista Ajajema N° 7 – Contra El Progreso Humano Desde El Sur

Todas as edições neste link.

Editorial

Mais uma vez saímos, novamente nossas letras e nossa propaganda vem à luz. Seguimos incansáveis em nosso caminho de apologia e difusão em nome das siglas do caos; ITS. Das sombras, do mais feroz anonimato, continuamos editando nossas páginas, páginas destinadas e orientadas a aguçar a guerra das tendências eco-extremistas e misantropas/niilistas.

Há seis meses de nosso último número, na época com o sol queimando forte e temperaturas ardentes… Hoje, no inverno de 2019 da era do crucificado, nossa Revista Ajajema aflora mais uma vez. O sul está congelado e seu frio congela os ossos, a chuva transborda rios e converte suas ruas em rios civilizados… Nossa edição responde a esta inclemência, a este processo selvagem, em nome do clima voltamos a surgir como propaganda terrorística, apologizadora de atentados e assassinatos. Oh! Frio majestoso, assassino de homens, em teu nome escrevemos. Oh! Chuva indiscriminada, sabotadora de cidades e inimiga da humanidade moderna, por ti e por tua fúria nós editamos.

Contemplamos a cordilheira mais branca do que nunca, as ânimas da neve embranquecida falam conosco, estão furiosas, nos lembram o nosso caminho e sussurram em nossos olvidos; vingança! Os irmãos já responderam a este chamado… Você o escutou? Aquele sussurro? Tente não ficar sem resposta…
*
Muitas coisas aconteceram desde a nossa última edição, atentados, egos, pólvora, sigilos, amuletos… a Máfia ITS. Os individualistas extremistas ainda estão íntegros e à espera, pacientes e sempre em tocaia, livres e selvagens como o vento que atinge as estruturas civilizadas. Por pouco os irmãos da HMB juntamente com os cúmplices da SVS não matam aquele maldito da Metro de Santiago, por pouco não o desfiguram, por pouco não cravam parafusos no corpo de sua esposa ou filha.

Sabemos que os aparatos de inteligência chilenos e internacionais estão cientes do que dizemos, portanto, ouçam atentamente seus pedaços de merda; no Norte, no Sul e do outro lado do oceano, os irmãos caminham, pensem que paramos, que abandonamos a guerra, mas quando verem e escutarem o estrondo da bomba ou observarem as chamas ardentes do fogo, não se surpreendam… Vocês e todos seus aparatos tecnológicos, seus milhares de peritos especialistas em bombas e seus senis especialistas em terrorismo tenham cuidado conosco.

Porque a Revista Ajajema têm a bênção do antigo, seguimos as ordens do Desconhecido. Ajajema é, e sempre foi, Terror incivilizado, Ajajema é letra e é imagem, Ajajema é guerra, Ajajema é… ITS-Sul.

Sempre em tocaia, reunindo, buscando e analisando, nos espreitamos, aguardamos a ordem do Oculto, seu mandato será obedecido e praticado, esperem, esperem-nos…

Da total impunidade, das sombras praticamos o terror, ocultos sempre, bombas e revistas à civilização!

Morte ao progresso da humanidade!

Morte à sua vida civilizada e a seus habitantes fedorentos!

Viva a guerra dos irmãos de ITS no norte, no sul e no outro lado!

Individualistas Tendendo ao Selvagem – Chile

– Grupo Ajajema: Letras do Caos
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Conteúdo:

Poemas de Shagnessy
-Arboles
-Canción del mundo
-Sobre la tragedia
-Teología I
-Teología II
Moribundo anarquismo verde
Cuentos Kawesqar
-Cuento del Martín pescador
-Cuento del cisne de cuello negro
-Cuento de los sapos
Artículo Sobre Violencia De-colonizadora y Eco-extremismo Para la Conferencia ASN del 2018
Fiera
Theodore Kaczynski Revolución anti-tecnología: por qué y cómo, Una evaluación crítica
El Llamado de las Guerreras
Un Demonio Entre Ustedes
El Terrible Autoritario y la Terrible Union de Los Egoistas
Desvarío Antihumano
Apología del Caos
Hijos de Ted
Cronología Maldita
(Kawesqar) La Jornada de los Nómadas Acuáticos
El Credo Satánico
Paroxismo en el Delirio Nihilista
Los Eclipses en Karukinka

DESCARREGUE em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

Uma Abordagem Extra-moral à Artificialidade

Tradução da reflexão Extramoral Approach Artificiality, extraída do blog Antisocial Evolution.

As leis sociais são um sistema de regras impostas à maioria das pessoas civilizadas desde o nascimento. Elas são um conjunto de regras que governam como você deve viver para fazer a sociedade funcionar: não roube, seja uma boa pessoa, trate os outros como você gostaria de ser tratado, somos todos iguais e se pudéssemos deixar de lado nossas diferenças e trabalhar juntos nós viveríamos em uma utopia de ouro. Estas leis são uma mistura da espuma borbulhante da doutrina judaico-cristã tradicional e o humanismo liberal moderno. É a maior fraude de todos os tempos, o engano mestre, um sistema de mentiras envolvidas em um lindo pacote e chamadas de civilização. É como ser fodido por um porco vestido de freira.

Logo está a lei natural, a lei real, a natureza primitiva do homem, a parte de nosso cérebro que se desenvolveu ao longo dos últimos milhares de anos, sobrevivendo às eras glaciais, secas, em florestas, desertos, à pragas e guerras. É o cérebro do lagarto, o cérebro animal, a parte de nós que impulsiona instintos e comportamentos nos níveis mais profundos.

Em nossa ignorância pensamos que somos removidos a um nível de distância das bestas da terra. Qualquer um que tenha animais de estimação ou que tenha estado no meio da natureza sabe que existe uma lei selvagem que reina acima de tudo: a sobrevivência do mais apto, afunda-se ou nada, aprende a voar ou morre tentando. “Vitória ou Valhala.”

Isso não quer dizer que o altruísmo em certo ponto não exista. Experimentos mostraram que os ratos arriscam suas vidas para libertar seus amigos do cativeiro. Os bonobos nas tribos compartilham a comida entre si. Um cachorro poderia adotar um gatinho órfão como se fosse seu e cuidar dele.

Não estou dizendo que a “bondade” não exista em nossa natureza primitiva. Mesmo assim, as leis da sociedade civilizada são uma farsa. As regras escritas em tábuas de pedra e assinadas por “deus” eram, obviamente, dirigidas a pessoas nos escalões mais baixos da sociedade – não para os ricos e poderosos.

Se você olha a demografia de hoje, são os pobres que são os mais religiosos e os ricos os menos. Os ricos mentirão, roubarão e serão opressivos contra qualquer um que cruze em seu caminho – isso se chama viver sob as leis naturais.

A lei natural é viciosa. Ela é a mãe que insiste e critica, que aponta suas maiores inseguranças com risadas em um sorriso maligno. Ela não é a pequena amorosa Terra, mãe das flores, doces e abraços. Ela é Kali em um embate, incendiando florestas no chão. É a furiosa e ciumenta Hera, atormentando e destruindo aqueles que se opõem a ela. Sua compaixão é grande para aqueles que a respeitam, mas sua ira é a morte experimentada milhares de vezes em um tsunami, por isso andamos em nossas vidas diárias, falando, atuando e respirando sob as leis sociais – quando no fundo de nosso subconsciente – estamos vivendo sob a lei natural. Por que o homem estabelecido com uma esposa e uma família arrisca tudo por uma noite de paixão com uma mulher jovem e bonita, mesmo quando ele sabe que as repercussões poderiam ser a solidão, o divórcio, e intermináveis pagamentos de pensão alimentícia? Por que os líderes de países levam seu próprio povo à ruína com dívidas intermináveis e guerras em busca de riqueza – mesmo quando estão em risco?

Os tolos e os idiotas quebram a cabeça e ficam com suas mandíbulas abertas, estáticos por aí, como se fossem uma horda de vaginas arregaçadas. Um ponto de interrogação que paira no ar como um fedor estagnado.

No início de nossas vidas, estamos posicionados em um tabuleiro de xadrez, mas nos dizem que é um tabuleiro de damas. Como peões obedientes, nos concentramos em avançar um quadrado de cada vez – apenas para nos vermos surpreendidos e espancados quando a torre captura nossas vidas com uma varredura limpa. Como ela pode fazer isso? É justo? Como ela pode simplesmente atravessar todo o tabuleiro? Claro que ela pode, quando você percebe o jogo que está jogando.

Assim que acorda, você está na selva, bebê. Como primatas, é onde começamos e nunca saímos realmente. É claro, talvez sejamos astutos o bastante para criar pequenas casas e estradas ou cercar subúrbios que podem dividir nossas falsas vidas acomodadas.

Mas a civilização, como a conhecemos, tem apenas 5.000 anos de idade. A moderna sociedade industrial tem apenas 200 anos de idade. As leis reais dos homens foram estabelecidas ao longo dos 40.000 anos de nossa existência como bestas, e até mesmo as leis de outros primatas antes disso sequer acontecer.

Poderia a psique humana mudar tão rápido para se adaptar às leis humanitárias, liberais e cristãs? Talvez quando se corte as genitais e lobotomize a mente. Por que você acha que os antidepressivos prevalecem tanto na sociedade de hoje? Por que você acha que as pessoas vão a caras terapias por causa de seus flácidos casamentos e vida sexual?

Então acorde da ilusão. Tudo o que foi dito a você é uma mentira. Perceba o jogo que você está jogando e jogue-o bem. Não há equivalentes. Apenas ganhadores e perdedores. Você é o lobo ou a presa?

Eco-terrorismo, Eco-fascismo, Eco-extremismo, Eco-anarquia e a Floresta Białowieża

Esta é a tradução de Eco-terrorism, Eco-fascism, Eco-extremism, Eco-anarchism and the Bialowieza Forest, respeitável opinião de Julian Langer, eco-radical radicado no Reino Unido responsável pelos blogs Eco-Revolt e Feral Culture. Na ocasião Langer se manifesta sobre as críticas de alguns anarquistas nos Estados Unidos em relação às ações dos eco-extremistas.

A última floresta primaveril da Europa é bela floresta Białowieża, lar de bisontes, raposas e uma infinidade de outras criaturas vivas, os últimos remanescentes de uma Europa selvagem agora lembrada apenas em mitos e lendas, que é situada na região da atual Polônia, e atualmente está sob ataque de madeireiros.

Como indicado no vídeo acima, o mais alto tribunal da União Europeia ordenou que o governo polonês parasse de entrar na área (1). O movimento nacionalista de extrema direita em ascensão na Polônia levou isso para sua pauta (2), (desta forma, a UE) chama os ambientalistas que buscam defender e apoiar a floresta de “terroristas verdes”.

Esta não é a primeira vez que os ecologistas e os anarquistas foram taxados de terroristas, houveram eventos como o de Langnau na Suíça em 2010 (3) que puseram o eco-anarquismo na imprensa britânica, sendo rotulados como terroristas. O FBI (4) lista grupos eco-anarquistas como Earth First!, ALF e ELF como grupos terroristas. Mas isso é completamente estranho por rotular grupos que na maioria dos casos causam danos à propriedade como grupos terroristas.

É terrorismo sabotar equipamentos madeireiros, escalar e sitiar árvores, e não danar pessoas, não infligir violência a ninguém e, em geral, fazer todo o possível para evitar ferir pessoas? É terrorismo cortar e destruir um dos ecossistemas vivos mais antigos do planeta, lar de mais vida silvestre do que se pode imaginar, uma fonte de cura para nossa atmosfera, um modo de vida em si, de uma maneira brutal? Um me parece terrorismo, e o outro não. No entanto, e quanto ao rótulo que os ecologistas muitas vezes chamam de “eco-fascismo”: tem algum peso nisso?

Em reação à ascensão do Trumpismo e aos crescentes movimentos de direita nos Estados Unidos e Europa, os antifas e o antifascismo tornaram-se mais visualmente ativos e cada vez mais fazem parte da política cotidiana. Os grupos anarco-comunistas, ligados aos antifas, realizaram recentemente entrevistas com a Fox News (5) sobre o tema do racismo e o autoritarismo na era política de Trump. Mas e os eco-anarquistas?

O Earth First! tem falado durante muito tempo contra o fascismo e a xenofobia, e apoiou ações que se opuseram diretamente a Trump antes de sua presidência. (6) O ambientalismo como movimento apoiou durante muito tempo as lutas anticolonialistas (7), e pode-se argumentar que o ambientalismo não pode ser separado do anticolonialismo, já que o fascismo italiano-imperialista têm laços inegáveis e relações amistosas com o colonialismo. (8)

O escritor ambientalista radical Derrick Jensen escreveu sobre, em oposição aos laços e a influência do fascismo nas indústrias e negócios hoje em dia. (9)

Muitos daqueles que querem vincular o ecologismo com o fascismo buscam inspiração na simpatia nazi pela natureza (10), extraindo o sangue e as narrativas do solo ligadas ao nazismo verde (11). Este é obviamente um argumento bastante pobre para o homem de palha, mas frequentemente é popularizado, e apela a argumentos baratos do tipo Reductio ad Hitlerum.

Então, qualquer tentativa de vincular os eco-radicais com o fascismo parece muito fraca, se é que isso pode ser feito, com eco-radicais e eco-anarquistas que têm vínculos mais estreitos com os antifascistas que com a extrema-direita. Mas quais são os sentimentos entre os grupos radicais?

O grupo anarquista-comunista It’s Going Down recentemente (12) criticou o grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) através de uma rodada de artigos sobre o eco-extremismo e sua relação com o anarquismo. Em geral, as críticas foram direcionadas às táticas mais violentas deste grupo no México, que abraça a categoria do terrorismo e pretende criar terror para os civilizados.

It’s Going Down acusou este grupo eco-extremista de ser “eco-fascista”, e tentou manchar nomes de projetos anarquistas que têm algum tipo de ligação ou que estão em discussão com o eco-extremismo.

O eco-extremismo é um movimento que se separou do anarco-primitivismo e de Kaczynski, seguindo um viés ecologista radical em favor de uma abordagem do tipo niilista-pagã para o discurso e a prática eco-radical. Pessoalmente, não estou convencido de tudo o que vi emergir das escrituras eco-extremistas nem encontro o amor de ITS à violência aleatória completamente vulgar e indesejável, mas simpatizo com uma grande parte da crítica do argumento eco-extremista, particularmente suas críticas aos anarquistas e ecologistas de esquerda.

E simpatizo também com esta crítica aos anarquistas por parte deste escritor eco-extremista (13), sobre a fraqueza dos argumentos anarquistas, onde os anarcos simplesmente chamam “fascista” tudo o que não gostam, algo que parece estar acontecendo. Algo que me encanta no discurso eco-extremista é sua oposição ao antropocentrismo e o abraço à natureza selvagem, que definem como:

Natureza Selvagem: “A Natureza Selvagem é o principal agente da guerra eco-extremista. Os filisteus se opõem à invocação da “Natureza Selvagem” taxando isso de atavismo ou “superstição”, mas o fazem apenas por causa da sua própria domesticação e idiotice. “Natureza Selvagem” é tudo o que cresce e se manifesta no planeta em objetos animados e inanimados, de pedras a oceanos, de microrganismos a toda a flora e fauna que se desenvolveram na Terra. Mais especificamente, “Natureza Selvagem” é o reconhecimento de que a humanidade não é a fonte e o fim da realidade física e espiritual, mas apenas uma parte dela, e talvez nem mesmo uma parte importante.”, extraído de Atassa: Reading in Eco-Extremism. (14)

Este abraço ao selvagem é algo que grande parte do ecologismo e a maioria dos anarquistas perderam, já que ambos se fundiram cada vez mais à civilização e a suas narrativas.

Voltando à floresta Białowieża, um dos últimos lugares que encarna completamente o selvagem, se você olhar para ela desde um olhar do tipo pagão eco-extremista ou desde um olhar eco-anarquista ou eco-radical, é um lugar de óbvia beleza e valor.

Não podemos dizer se a proteção da UE fará muito ou não, especialmente com a crescente onda de nacionalismo dentro da Polônia e a quantidade de extração ilegal de madeira que não é controlada em todo o mundo. O que podemos fazer é sermos aliados do selvagem, viver vidas selvagens e sermos iconoclastas em relação a esta cultura/civilização/Leviatã que está destruindo antropocentricamente a biosfera, cuja beleza selvagem nós amamos.

Não somos fascistas nem terroristas, mas utilizaremos os meios que temos disponíveis e lutaremos pelo que amamos. Este site recentemente reeditou este o artigo sobre o Chamado Internacional de Mobilização Para a Defesa da Floresta Hambacher (15), como parte da resposta para defender esta floresta na Europa.

Necessitamos retornar ao bosque e defendê-los por todos os meios à nossa disposição.

Para terminar, algumas citações:

“O caminho mais claro ao Universo é através de uma floresta selvagem.” – John Muir

 

“A cultura nos levou a trair nosso próprio espírito e integridade aborígene, rumo a um reino cada vez pior de alienação sintética, isolante e empobrecedora. O que não quer dizer que não haja mais prazeres cotidianos, sem os quais perderíamos nossa humanidade. Mas à medida que nossa situação se agrava, vislumbramos o quanto deve ser apagado para a nossa redenção.” – John Zerzan

 

“Precisamos da tônica da loucura … Ao mesmo tempo em que somos sinceros para explorar e aprender todas as coisas, exigimos que todas as coisas sejam misteriosas e inexploráveis, que a terra e o mar sejam indefinidamente selvagens, sem serem inspecionados e não sondados por nós porque são insondáveis. Nunca podemos ter o suficiente da natureza.” – Thoreau

 

“O Selvagem ainda permanece nele, e o lobo nele simplesmente dormia.” – Jack London

Notas:

1) https://www.theguardian.com/environment/2017/jul/28/eu-court-orders-poland-to-stop-logging-in-bialowieza-forest
2) https://www.ft.com/content/67618b9e-8893-11e5-90de-f44762bf9896
3) http://www.independent.co.uk/environment/eco-anarchists-a-new-breed-of-terrorist-1975559.html
4) https://archives.fbi.gov/archives/news/testimony/the-threat-of-eco-terrorism
5) http://video.foxnews.com/v/5509083595001/?#sp=show-clips
6) http://www.earthfirst.org.uk/actionreports/node/23958
7) https://www.opendemocracy.net/uk/anna-lau/climate-stories-environment-colonial-legacies-and-systemic-change
8) https://medium.com/@malorynye/the-brutal-friendship-between-colonialism-and-fascism-some-thoughts-from-aim%C3%A9-c%C3%A9saire-on-9224e90550b5
9) http://www.derrickjensen.org/culture-of-make-believe/lamont-and-mussolini/
10) http://theunion4ever.com/general/environmentalism-new-fascism/
11) http://www.spunk.org/texts/places/germany/sp001630/peter.html
12) https://itsgoingdown.org/nothing-anarchist-eco-fascism-condemnation/
13) https://youtu.be/708mjaHTwKc
14) https://ia801606.us.archive.org/32/items/AtassaReadingsInEcoExtremism/Atassa%20-%20Readings%20in%20Eco-Extremism.pdf
15) https://feralculture.blog/2017/07/23/international-mobilisation-call-for-the-defence-of-hambacher-forest-2/

Breves palavras a respeito da violência do Céu

Tradução do texto Brief words on the violence of heaven, de Sokaksin.

A violência no núcleo do mundo é parte integrante da beleza e da vida do tudo. Assim são as coisas. O mundo não pode se sustentar sem a escuridão, e não poderia ficar sem luz, ou o jogo sem fim de sua interpretação e determinação mútua. Esta é a verdade do mundo. Em tal mundo a graça inefável que traz as bagas da primavera ao urso também escreve o drama eterno do alce e dos lobos. Uma vida de morte, uma morte de vida. Na teia de uma incontável quantidade de seres, em seu sofrimento e sua fortuna, na forma da terra e a integridade do todo. É simples ver o surgimento mútuo do todo na floração da primavera e a atividade das abelhas, mas mesmo o corpo falador da lebre no ajustado aperto das mandíbulas do coiote reflete a beleza do todo. Como Jeffers observava em seu poema Fogo nas Colinas, “a beleza nem sempre é amorosa…”. O sangue nas rochas, os ossos dos cervos branqueados pelo sol, as poderosas mandíbulas do grande leão da montanha, perfeitas para matar, o uivo do coiote e o grito da morte do alce. A ferocidade e a violência indiscriminada do eco-extremismo é a representação deste fundamento, a violência divina que trabalha e sempre trabalhou no coração do mundo.

O eco-extremismo é continuamente assediado pelas fileiras dos fracos híper-civilizados, por sua aparente “psicopatia”, porque se atreve a materializar esta violência primordial contra a ordem artificial do Leviatã. No altar da lei e da ordem, o eco-extremismo oferece a profanação e um sacrifício de sangue para a terra selvagem. Ao se negar ter um contato mínimo com a linha do humanismo e do progressismo, ele se situa em oposição a tudo o que a civilização tecno-industrial (e isso também se refere ao próprio Homem em si) representa. Está oposto em sua essência a toda a infraestrutura podre, desde a “rede” a qualquer cidadão híper-civilizado que igualmente é a manifestação da civilização, tal como a represa da hidroelétrica que afeta a vida do rio. Ele se recusa a por a vazia abstração do “Homem” no topo do ser e ataca com selvageria tudo aquilo que canibaliza a beleza do todo pelo desolado aterro da modernidade. O eco-extremismo é o ataque do lobo feroz, olhando contra o gado domesticado. É a fúria do urso pardo contra aquele que vagueia de forma insolente dentro de seus domínios. É a força do búfalo e as janelas quebradas ao lado do metal dobrado contra os híper-civilizados que esqueceram a força e a fúria desta escuridão primitiva e seu lugar nas grandes redes do mundo, redes dentro dais quais elas permanecem impotentes apesar do engrandecimento de suas próprias abstrações.

A ordem da terra foi forjada sobre aeons através desta violência divina. Este é o caminho. Daí surgiu a beleza implacável daquele mundo trans-humano que o homem e sua sociedade tecno-industrial busca profanar para si mesmo. Cada explosão de uma bomba, cada jorro de sangue derramado é um golpe a partir daquele núcleo primitivo de selvageria, que permanece contra as ilusões e pretensões do homem moderno, sua civilização e tudo o que ele representa.

-Sokaksin

Entrevista com o Popular Front Podcast: A Nova Onda do Eco-Terrorismo

John Jacobi, teórico da tendência Selvagista, concedeu uma entrevista recente ao Popular Front Podcast, um veículo investigativo britânico especializado em conflitos e guerras modernas. Na ocasião o tópico principal dos 54 minutos de conversa foi radicalismo e extremismo ecológico. É um registro pertinente e que merece ser compartilhado, especialmente porque se debate questões interessantes em torno de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), embora não concordemos com tudo o que é conversado. Abaixo está um resumo da conversa minuto a minuto.

DESCARREGAR ÁUDIO: LINK 1LINK 2

0: Apresentação do tema. John Jacobi fala sobre Eco-terrorismo, especificamente sobre ITS e o que o apresentador chama de “Militância Niilista”.
1: O que é Eco-terrorismo?
2: História do Eco-terrorismo (The Eco-Raiders).
3: Earth First!.
4/5: Ações da Earth First!
6: Surgimento do Unabomber e da ELF.
7/8: Processo de desconfiança e esgotamento das principais correntes do ambientalismo que levaram à radicalização.
9: Queda do Unabomber e prisões da ELF nos EUA.
10: The Green Scare.
11: Ao que se refere o conceito de Natureza Selvagem?
12/13: Ecologismo Radical, nem Esquerda nem Direta.
14: Surgimento de ITS e o renascimento do Eco-terrorismo.
15: Maior atenção da mídia ao assunto.
16: ITS, “a nova onda de Eco-terrorismo”.
17: O velho ITS, semelhanças com Ted Kaczynski e seus discípulos (UR) em atos e linguagem.
18: Primeiras ações.
19: Kaczynski rechaça ITS publicamente.
20/21/22: Retórica e estilo de ITS, passado e presente.
23/24: Extincionismo.
25: Expansão internacional de ITS.
26: Anarquistas desiludidos mudam de lado.
27: Táticas para a expansão, analogia com a Al-Qaeda e o Islamismo Extremista.
28: Pouca atenção por parte da imprensa, relevância no mundo do ambientalismo.
29: Novas analogias com o surgimento e o desenvolvimento inicial da Al-Qaeda em relação ao começo do grupo com pequenos ataques que servem tanto para fortalecer ao grupo como para criar laços e atrair indivíduos com psicologia semelhante.
30: Atassa.
31/32: Diferentes correntes que convergem em ITS, e um único fim, a destruição.
33: Relação com grupos satanistas, eco-fascistas e outros. Menção ao TOB e o ressurgimento do eco-fascismo.
34/35: A eco-militância está na moda?
36: As lutas ecologistas e sua tendência à radicalização no presente.
37/38: Atualidade das ideias de Kaczynski e a disseminação de um sentimento de desesperança e frustração.
39: A urgência de uma revolução e a polemização deste conceito por parte de ITS.
40: Grupos radicais e extremistas debocham dos movimentos ecologistas mainstream, já é tarde para cuidar do meio ambiente.
41: Crítica ao reformismo dos grupos mainstream.
42: Explicação do niilismo dos grupos radicais, buscam rejeitar o sistema e não concertá-lo.
43: É mencionada a possibilidade de realizar pequenas mudanças na medida em que a civilização vá tendendo ao desastre.
44: Grupos como ITS só querem participar do desastre.
45: Onde ITS aprendeu a fazer suas bombas?
46: Trabalho de Jacobi, “The Wild Will” e outros projetos.
47: Reselvagização em vez de violência.
48/49: Encerramento do programa e menção a outros projetos do Popular Front.
50/51: Agradecimentos e outras menções.
52/53/54: Música de encerramento.

Notas Sobre a Extinção

Tradução do texto Notes on Extinction de Abe Cabrera escrito para o seu blog Wandering Cannibals.

A extinção é a gramática da civilização tecno-industrial. É desta forma que ela se tornou o que é hoje, e a extinção é o que a sustenta. É como se criasse a vida para simplesmente destruí-la. Isso vai desde os campos de agronegócios e fetos abortados a povos que foram inteiramente dizimados em nome do “progresso”. Se o niilista passivo pode lançar a acusação de que a natureza é indiferente às criaturas que ela mesma cria, o que é ainda mais certo é que a civilização europeia cristã (especialmente) tem levado a sério essa premissa e tem operado com ela em um ritmo acelerado e exagerado. O que leva milhões de anos para a natureza criar, formular e desenvolver, a civilização pode se livrar em uma tarde. Todo o nosso modo de vida é alimentado pelos cadáveres de animais mortos milhões de anos antes de que a primeira sombra de um ancestral humano honrasse a face da terra.

No eco-extremismo, a necessidade/propriedade/simetria da extinção humana é a base do ataque indiscriminado. É discutível se o ataque eco-extremista é realmente “indiscriminado” em um sentido absoluto, já que para ser verdadeiramente indiscriminado, o eco-terrorista nem sequer precisaria se levantar da cama e poderia disparar um projétil pela janela em uma rua adjacente. Todos os ataques que não sejam desta exata natureza exigem planejamento, reflexão, preparação, etc. Agora, onde se discute se o ataque eco-extremista é realmente indiscriminado é na escolha da vítima, porque muitas vezes pode ser que quem quer que esteja próximo da “linha de fogo” seja quem sairá ferido, quando isso não era intencional. Novamente, ainda não nos livramos do pântano ético, mesmo se tenhamos decidido quem é culpado ou inocente. De fato, sentenças exaustivas para as pessoas e até mesmo para suas propriedades são quase tão antigas quanto a própria civilização. Vamos para a nossa confiável Bíblia. No famoso relato da queda de Jericó está escrito:

“Quando soaram as trombetas, o povo gritou. Ao som das trombetas e do forte grito, o muro caiu. Cada um atacou do lugar onde estava, e tomaram a cidade. Consagraram a cidade ao Senhor, destruindo ao fio da espada homens, mulheres, jovens, velhos, bois, ovelhas e jumentos; todos os seres vivos que nela havia.”

Este não é o único evento nas Sagradas Escrituras: O Povo escolhido por Deus deixou cidades devastadas como se fosse um exercício de rotina, e até mesmo foram castigados por Deus por serem condolentes com o gado.

Claro, as pessoas não serão particularmente persuadidas ao mencionar a história antiga, então vamos ao ponto. A questão da civilização não é um assunto de moralidade, mas de números. Não é um problema filosófico, mas sim um problema matemático e físico. Se você pode superar seu inimigo em número, uma hora você deve sucumbir. Muitas guerras foram guerras de esgotamento onde o lado taticamente superior foi derrotado por ondas após ondas de inimigos sendo lançados. Isso aconteceu na guerra civil estadunidense, nas guerras indígenas norte-americanas, na guerra de libertação nacional do Vietnã, etc., etc.. Muitas vezes não é uma questão de ser capaz de ganhar, mas de ser capaz de suportar derrota após derrota até que o inimigo não possa mais lutar. A culpa ou inocência neste paradigma é irrelevante: a própria presença de corpos (homens, mulheres, crianças ou até mesmo animais de carga) é uma incursão suficiente para garantir a sua destruição sem escrúpulos.

Isso é bom para os tempos incultos do passado, mas o presente aprendeu sua lição humanista, certo? Bem, não exatamente. Sem sequer precisar recorrer a Stalin ou Mao e os milhões que tiveram que morrer no processo antisepticamente criado de “acumulação primitiva do capital”, até mesmo o esquerdista mais anti-autoritário é anulado e é possível encontrar alguém que acha que está tudo bem se, por exemplo, um grupo insurgente faz voar pelos ares uma sorveteria cheia de crianças em nome da “libertação nacional”, sempre e quando o colonialista o tenha feito primeiro:

Então, no final, não importa se alguns milhões morrem, ou se crianças são feitas em pedaços, ou se algumas freiras são estupradas por revolucionários. Uma causa justa cobre uma multidão de pecados… Exceto para as vítimas da causa justa. O tema sobre lidar com vidas humanas é que não é um jogo de números, pelo menos para o híper-civilizado. Enquanto muitos poderiam dizer adeus às atrocidades do passado, ninguém está se voluntariando para as atrocidades do futuro, mais precisamente aquelas atrocidades que serão necessárias para um amanhã melhor. Todos querem ser rei, mas ninguém quer ser o camponês que paga impostos para sustentar o rei em seu excessivo estilo de vida. Todos querem jogar, mas ninguém quer investir no jogo.

Eles nem deveriam querer fazê-lo, porque o jogo está decidido. Isso não impede que os sonhadores, os revolucionários, os conservadores, etc., se ofereçam como “voluntários” para as próximas gerações e as pessoas que não conhecem a árdua tarefa de forjar um amanhã melhor, no qual saiam mais ou menos ilesos. Os devaneios de um futuro melhor são agradáveis desde que você possa confiar nos esforços de outras pessoas para espelharem a sua visão. É claro, esperar que as pessoas façam isso é tolice, mas isso não impede o sonhador revolucionário. Pular destas observações para a conclusão de que “portanto, todos os humanos devem ser extinguidos” pode ser corretamente sinalizado como uma reductio ad absurdum. O fato de que ninguém tenha culpa não significa que todos sejam culpados, ou que esta culpa tampouco exista.

Portanto, medidas punitivas ou mesmo linguagens punitivas não são necessárias. Talvez isso tenha um ponto, mas vamos colocar de outra maneira: o ideal humano (forma) nunca pode ter o hospedeiro físico (matéria) apropriado para se realizar. A forma é sempre um fantasma, flutuando sobre a massa fervente da matéria-prima humana. A humanidade nunca pode ser avivada por um ideal, nunca pode aderir a um plano ético orgânico que possa informar suas ações coletivas a um futuro melhor. Em outras palavras, a humanidade como um todo é um zumbi coletivo, algo que tropeça com a aparência da vida, mas que na verdade está constantemente à beira de se separar devido à falta de inteligência ou vontade coletiva definida. Podemos falar de ação coletiva global, mas é uma retórica completamente vazia. O problema é divino em escala, mas os meios para abordá-los são demasiado humanos…

Então, apesar de que um indivíduo possa pensar sobre o que faz, o humano como uma categoria universal é um fenômeno frágil e passageiro. Mas, novamente, vamos voltar ao parágrafo acima: o problema real com os humanos não é que não são inteligentes o suficiente, mas sim que há muitos deles conectados de maneira desordenada pelas comunicações e transportes globais. O problema não é um diretor executivo ou mil políticos ou um milhão de policiais. O problema são sete bilhões de pessoas com sonhos e aspirações e grandes expectativas para seus filhos… que só podem acontecer às custas de outros seres do planeta. O problema são os valores da humanidade pelo bem da humanidade, humanidade como um sistema fechado, humanidade como o imperativo categórico. Sete bilhões de anarco-primitivistas traidores da espécie seriam inferiores a uma humanidade constituída apenas por dez executivos da Monsanto. Seus sentimentos, opiniões, crenças e ações não contam. Basicamente, o que conta é apenas a sua existência animal, porque é parasitária e injustificável. A menos que sua existência particular possa convencer sete bilhões de pessoas a cometerem suicídio coletivo, deixando, talvez, apenas um punhado de homo sapiens vivendo na Terra como um animal entre os outros, você não é diferente de qualquer outra pessoa.

É claro, você pode dizer que isso se aplica apenas à civilização europeia (pós-) cristã híper-civilizada, mas estamos realmente certos disso? Fora dos intermináveis debates sobre se o homem acabou com a megafauna nas Américas e Austrália, sabemos com certeza que o homem acabou com a Moa, uma grande ave não-voadora nativa da Nova Zelândia que foi extinta a menos de 150 anos antes que os humanos civilizados colonizassem essas ilhas (bem antes da chegada dos europeus). O problema com as coisas que acontecem é que sempre tiveram o potencial para acontecer, ceteris paribus. Mesmo que alguns humanos (a maioria?) nunca levaram sozinhos uma espécie à extinção, de qualquer modo o fizeram, e sempre têm o potencial para fazê-lo. Isso não é uma declaração de culpa, mas uma declaração de fatos. Assim como dizer que um cachorro é capaz de atacar a uma criança não é um julgamento moral do cão: é uma declaração da realidade da situação.

Talvez o verdadeiro problema ético por trás do ataque indiscriminado não seja sobre atribuições de culpa, mas de distinguir se a inocência sequer exista neste contexto. Sete bilhões de pessoas não vivem suas vidas sendo inocentes ou culpadas de nada. Seu estado padrão é “cuidar de seus próprio assuntos”. São carne de canhão, não sabem o que fazem. Nesse nível, suas vidas carecem de conteúdo ético discernível. E mesmo em situações em que as pessoas “se preocupam”, frequentemente roubam de Pedro para dar a Paulo: vivem uma parte de suas vidas de forma amoral para manter um verniz ético em outras partes de suas vidas. O resultado final é: se você não quer que a floresta seja cortada, que o fundo do oceano seja perfurado ou que o rio seja contaminado, você não precisa procurar muito para saber quem são os culpados. Você tem a culpa, seus amigos também e aqueles que você ama também têm. Ou eles comem apenas ar e vivem em cabanas de palha feitas com galhos de árvores nativas? Ou você se cura com plantas locais quando está doente e checa seu email apenas com um pedaço de madeira? Se (por suas ações, não por suas palavras) você não se importa com a Natureza Selvagem, porque ela deveria se preocupar com você? Por que alguém deveria?

A vida humana não é nem poderá ser heroica, ética, nobre, ou qualquer outra coisa do tipo. Você pode esperar pouco dela, e não é eterna. Aqueles que continuam defendendo o humanismo só querem fechar fileiras e defender o poder humano como seu próprio fim por qualquer meio necessário, mas estão defendendo os meios materiais pela qual a supremacia desta espécie é sustentada. O eco-extemista chegou à conclusão de que a única forma de atacar a supremacia humana é atacar os seres humanos em qualquer grau que sejam capazes. Não fazem isso por algum sentido invertido de moralidade, mas pelo entendimento de que a moralidade é impossível, ou melhor, não pode fazer o que diz que faz: separar o joio do trigo, as ovelhas das cabras e o inocente do culpável. Seu ataque é um rechaço à premissa de que o ideal humano pode governar a vida a um nível ético universal. É lançar-se em direção ao Inumano em Nome do Desconhecido, com poucas expectativas em relação às conquistas humanas.

Abe Cabrera

[ES – PDF] Revista Movimiento y Muerte (Todas as Edições – All Editions)

A Revista Movimiento y Muerte é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Norte dedicada a estudar a tendência egoísta anti-humanista e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e a humanidade moderna.

Atualmente está em sua primeira edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference é um artigo escrito por Julian Langer do blog Eco-Revolt e Feral Culture que foi apresentado em 13 de Setembro de 2018 durante a Anarchist Studies Network Conference, na Universidade de Loughborough. Neste denso texto o autor aborda a posição moralizante da esquerda (incluindo os anarquistas) em torno da “violência” que é abordada amplamente e como o eco-extremismo ultrapassa esta barreira.

On September the 13th I presented this paper at the Anarchist Studies Network Conference, at Loughborough University. This was written to be spoken and I haven’t edited it to make it any more readable.
*
Pessimist political theorist Jacques Camatte, whose writings after his years of being a Marxist theoretician influenced anarchist discourse at the time – in particular the anarcho­primitivist wing – stated in his work Against Domestication that – “There are others who believe they can fight against violence by putting forward remedies against aggressiveness, and so on. These people all subscribe, in a general way, to the proposition that each problem presupposes its own particular scientific solution. They are therefore essentially passive, since they take the view that the human being is a simple object to be manipulated. They are also completely unequipped to create new interhuman relationships (which is something they have in common with the adversaries of science); they are unable to see that a scientific solution is a capitalist solution, because it eliminates humans and lays open the prospect of a totally controlled society.”

It seems abundantly obvious that we live amidst a great deal of violence and that violence and the need to end it is the dominant theme within the narrative we are located within. The violence of rape culture; the violence of racial and colonial oppression; the violence of ISIS, Islamists and the international forces against them; the violence of Russia, North Korea and the USA; the violence of school shootings in America; the violence of mass stabbings from gangs in London; of bombs, cars, guns, knives and penises. Many acts of violence are spoken of less; the violence of animal traps; the violence of chainsaws; the violence of dehabitation to develop an area, or to grow industrial monocultures of crops, to feed a growing population.

Within radical discourse, particularly that of the anarchist tradition, we generally have somewhat of a strained relationship with violence. My wish here is to identify a theme within our discussions which often gets over looked – this theme is one regarding interiorisation and exterioisation, under the gaze of an big-­Other. I will focus this within contemporary discourse around decolonial, anti-­colonial and eco­-extremist activities. This will also involve, in the later part of this paper, an ontological assertion, regarding what violence actually is.

Last year the Chilean indigenous anti­-colonial organisation Fight Of The Rebel Territory, in a single action, burned down 29 logging vehicles. Between January andMay 2016 the group committed 30 similar acts of property damage, in defence of the land they live upon, the forests and the wildlife. Similarly, MEND, the Movement for the Emancipation of the Niger Delta, an armed militant organisation of loose cells engaged in guerrilla warfare against oil companies, have blown up pipelines, attacked oil fields and kidnapped oil workers, as part of their anti­-colonial activities.

As voices for the English speaking radical environmentalist and anti­-colonial milieus, groups like Earth First! and Deep Green Resistance have spoken out in support for these groups, and others like them, seeking to legitimise them, within the context of radical discourse. This involves undergoing a process that Deleuze and Guattari called territorialisation, where a process of interiorisation brings these groups into the structure of particular machine. This brings these groups into the space of moral­ acceptablity, within a left­-wing oriented moral framework. From this, these actions, the activities of these groups, and similar others, become part of the narrative of left­ wing radical politics, regarding the progress of civilisation and history. They become characters within the chapters preceding the “revolution” and, in a similar way to that being described by Camatte in the quote I stated earlier, they are viewed as passive objects to be scientifically manipulated. As characters within the metadrama they reside within, they are allocated an identity that functions entirely as a symbolic signifier for an Other, who stands as the parental superego, granting their struggles as legitimate, like God determining who is going to heaven, or rather who will not be thrown into the gulag, even the anarchist one, after the revolution – interiorised – and who will be cast into hell, or the gulag, again, even the gulag
constructed by anarchists – exteriorised.

This is also the case in decolonial struggles that aren’t necessarily connected to eco-radical struggles, such as the Palestinian struggle against the violences of Israel, where unarmed protestors are painted as “innocent” by pacifist Leftist organisations that use their struggle as a platform for their own, with the implication being that armed Palestinians, such as Hamas, are legitimate targets for statist colonial violence.

While the organisations leaders, who might be educated in the western philosophies of Marxism, anarchist, etc., might embrace this ideological trajectory, I think that, in actuality, outside of this interiorisation, those individuals who are actively engaged in the actions of these organisations and similar ones; they do not care about progress, history, capitalism or any of that. They care about the forests, lands, wildlife, rivers and world that they are immersed in and live as Extensions of.

This machinic enframing functions, in the way Heidegger describes regarding technology and enframing, whereby, as objects, symbols and characters of a technological description, they fit within the mode of human existence stated before, that of the lef-t­wing ideological narrative, dehumanised, inanimate and un­-animal.

Now I want to turn to something that might seem in many ways entirely opposite, but I argue stems from the same narrative I have been describing here. To do this though, I’m going to do a short bit of history.

Ted Kaczynski’s 17 ­year bombing campaign is arguably the most successful campaign of its type. As the Unabomber, Kaczynski sent 16 bombs, to various locations within the USA. It was only after the publication of his manifesto, Industrial Society and its Future, that his motivations became clear and he captured. The work is a brilliantly articulated critique of technological society, which includes a critique of Leftism, which I will not go into here, as it is not necessary for this and would take up too much space. I only acknowledge it for its relevance for what I am about to go into.

Kaczynski’s influence, regarding the anti­-colonial space, is particularly noteworthy, regarding the post­-anarchist nihilist­-terrorist movement called Eco-­Extremism. Growing out of dark­net nihilist­-anarchist anti­-civ discussions, and almost entirely located within Southern and Central America, from indigenous anti­-civ individuals, with only a few cells within Europe, this movement is one that has actively sought to exteriorise themselves from the left­-wing narrative and machine.

In their anti­progressive anti­meliorist activities, the group which is the most vocal proponent of Eco-­Extremism, Individualists Tending Towards the Wild (translated from Spanish), ITS (as the S stands for savagery), focused their early activities on, like Kaczynski, bombing university institutions, such as nano-­technology laboratories; before moving onto their famed, through moral disgust, indiscriminate killings, in the name of Wild Nature.

In case you are unfamiliar with the group, I’d like to state here quotations from their earlier communiqués –

1. “Civilization is collapsing and a new world will be born, through the efforts of anti­civilization warriors? Please! Let us see the truth, plant our feet on the ground and let leftism and illusions fly from our minds. The revolution has never existed, nor have revolutionaries; those who view themselves as “potential revolutionaries”and seek a “radical anti­technology shift” are truly being idealistic and irrational because none of that exists, in this dying world only Individual Autonomy exists and it is for this that we fight.”

2. “A world without domestication, with a system stopped by the work of the “revolutionaries,” with Wild Nature born from the ashes of the old technological regime and the human species (what remains) returned to the wild, is completely illusory and dreamy.”

3. “ITS shows its true face, we go to the central point, the fierce defense of Wild Nature (including human); we do not negotiate, we carry out our task with the necessary materials, without compassion and accepting the responsibility of the act. Our instincts make us do it, since (as we have said before) we are in favor of natural violence against civilized destruction.”

The response ITS has received has been one of active exteriorisation on the part of leftists and moral-­anarchists. The left­-anarchist publication Its Going Down in particular spoke out against ITS, noticeably following their 29th communiqué, where they claimed responsibility for the murder of a woman in a forest, and have demonised anarchists and westerners who include Eco­-Extremism within discussions. Its Going Down struck ITS with the label of Eco­-Fascism in one of their condemnations of the group, in an obvious attempt to morally demonise them, excluding them from the community of groups and organisations deemed acceptable within anarchist morality. This is, like with MEND and Fight of the Rebel Territory, done under the gaze of a parental superego Other, repressing that which is deemed morally unacceptable, from a position of moral authority, as God. This is an example of what Camatte described, where the leftist condemners of ITS and Eco-­Extremism treat Eco­-Extremists, those interested in Eco-­Extremism and their own sympathisers and supporters, as objects for scientific manipulation, in a capitalistic move to control, to territorialise.

The Eco­Extremist journal Regresion Magazine makes a noticeable attempt to exteriorise itself, in both its name and its contents. It describes itself as the antonym to progress, as the antithetical regressive force, placing its strategy as one of active Marxist style dualistic dialectics. The magazine is one that claims to actively not want to be read or be trying to find readers, but makes itself available to read online by anyone. It is actively saying “we are not one of you” and “we are not a part of this”, in a very similar way to how Leftists seek to exteriorise Eco-­Extremism. From these examples I have presented, I have looked to identify that, in both positive and negative moral framings, through both interiorising and exteriorising within the narrative of progress, revolution and history, the leftist relationship towards anti­-colonial and decolonial radical and extremist projects is one whose machinic structure is functionally and ideologically colonialist and racist. The left does not accept or condemn the actions of indigenous and anti­-civ groups simply on their own terms, but layers it with the symbology of its own ideological design. As well as this, the decolonial movement has become so much a part of the Leftist machine, that, in the case of Eco­Extremists, indigenous peoples are moving away from the struggle.

At this point I feel to move to somewhere slightly different to where we have been for the bulk of this, though not straying too far away. I frame this in geographical place, rather than historical time, because what I am moving to is neither historically progressive nor reactionary, or regressive, whichever term you prefer, but metaphysically presentist, in an egoist and phenomenologically immediatist sense. Karl Popper stated in his work The Open Society and Its Enemies, where he critiques the teleological historicism of Hegel, Marx and similar thinkers as being fundamentally totalitarian, “History has no meaning”– a proposition undoubtedly disagreeable to anyone who embraces Leftist political positions, but this is the sentiment I wish to move forward from.

This is the matter of destruction, which I will later differentiate from violence. Now, when I look outwards from myself at what post-­anarchist discourse and action means now, in this present moment, as we find ourselves in systematic crisis, ecological collapse and amidst so much violence, it seems to me that we can really only being talking about ontology. I am not meaning that we are talking about and can only talk about vague and abstract concepts, but rather that at the root of our discourses and that if we are honest about our discussions we are talking about psycho­ontics, social­ontics, eco­-ontics, about Realities and about the Real – I am delving here, through bringing ontics in alongside ontology, into the world of Things (capital T) and reification (using the term equally in the sense meant by good old Commie Marx and the sense of the fallacy of concretism, also know as hypostatization).

These ontological discussions might often be framed within Symbolic theatres of ideologies, interiorising and exteriorising, in processes of territorialisation. But underneath this clothing, the bare­naked flesh of our discourse, lives and selves, isontological. We are, in many ways, all practicing ontological anarchists.

From this, I make this assertion, that the ontological anarchist project is one of active destruction, in the Heideggerian sense (with the k replacing the c) – I like to borrow Discordian philosopher Robert Anton Wilson’s term guerrilla ontology for this. As Heidegger found, destruction is a presentist task and doesn’t fit into normal categories of positive­negative, being nihilistically amoral and not positioned within the past. Being non­dualistically positive or negative, destruction here is a radically monist force, in the way collectivist­-anarchist Bakunin suggests when he stated “the passion for destruction is also a creative passion”– immediate; unlike the gnostic traditions of left­-wing revolutionary ideology, where both theory and practice retain an esoteric dualism, towards objects that can be manipulated scientifically.

Even more than as an anti­political practice, I assert that the actual objectless creative­destruction of Being is the process of becoming that is happening always. Civilisation and history, in this sense, are attempts to halt this process and create, through Symbolic reification, a social ontology of structured-­absolute space – the construction of territories, of objects with interiors and exteriors, of nature and the space that is outside of nature (civilisation), of sets and categories; a theatre of phantasms, technologically inauthentic, in the sense Heidegger argues, attempting to repress the relationality of Being, as temporally extended unfoldings, or rather the happening of life as the open space of possibility. Civilisation, in order to continue the machinery of its functioning, must restrict, through colonisation, morality, etc., the open space of possibility, through interiorisation and exteriorisation aimed towards a totalitarian narrative, with one directed pathway.

Now, in one sense what I, as someone from the anti­-civ world, am saying here is that we should do away with sets, categories, territories, interiors, exteriors, inclusion, exclusion, objects, symbols and other technological phantasms, but this seems unlikely at this present time to lead to much. So, alongside this, I wish to make another assertion for us as individuals, or rather as singularities, involved in the decolonial and anti­-colonial projects of deterritorialisation; that we radically embrace the notion of monism­as­pluralism; not to interiorise the cartography of radical space in a new way to the one we now do. Rather, to leave the situation as messy and to not judge the mess through moral condemnation, and not fit events within the structures of left­-wing ideology, but to leave it all in the open space of possibility. Perhaps this could be considered the eco­anarchist equivalent of Bergson’s liberal notion of the open society – though also, perhaps not. If, though, we are dealing with ontological processes, I suggest we consider our perceptions ofreality, as space and time, in the way the mathematician Poincare suggests in his philosophy of geometry; as having been born out of intuitions, which became tied to normative conventions rather than facts.

This is obviously a very uncomfortable idea I am asserting, as it leaves open basically everything, but if we are going to decolonised the structurally racist psychic­space of anti­colonial politics, then we are left with this space of discomfort, where we are having to acknowledge without morally categorising, in an anti­political sense.

Finally, I also wish to make an ontical assertion here, for the purposes of discourse, that much of what gets categorised as violence by anti­-colonial and eco­radical groups is not violence, with violence being a reified object of civilisation, signifying violation. Rather what is often in this way categorised as violence is actually an embrace of wild non­ontical acosmic ontological creative­destruction. Violation, in this way, seems to be the basic machinic functioning of civilisation – flipping ITS’s assertion of nature being violent and civilisation being destructive. The object of civilisation is the object of violence. This is not to seek to legitimise those actions I am describing as destructive rather than violent, but to differentiate for the purposes of post­-anarchist praxis.

To violate is to interrupt the flow of a space and to create a blockage, like a dam blocking a river, like a military coming to interrupt the everyday life of a community, like a penis forcing its way into somewhere through rape. Destruction is a creative aspect of the actualising­becoming­temporal processes of space that is Being. Destruction is the opening up of space.

To decolonise is to destroy the colonial production­narrative that is this culture. Lets deterritorialise, without reterritorialising, and not judge what grows out of the open space. Lets leave things open and not treat the world as an object for our manipulation. Lets not try to be God and lets destroy totalitarianism. Lets live free from interiors and exteriors, from inclusion and exclusion. Lets actually do no borders and no boundaries, and be anarchists embracing anarchy. Poincare said “Geometry is not true, it is advantageous”, but this does not go far enough – geometry isn’t true, but it can be adventurous!

This goes further than just the decolonial space obviously, as it includes the spaces of anti­patriarchy, radical environmentalism and anti­state theory and practice, as these also could do with deconstructing their territories and embrace the ontological notion of monism = pluralism – but there is not space in this essay to include thesestruggles.

I’d like to end this with this quote from autonomous-­Marxist philosopher Agamben – “What had to remain in the collective unconscious as a monstrous hybrid of human and animal, divided between the forest and the city – the werewolf – is, therefore, in its origin the figure of the man who has been banned from the city. That such a man is defined as a wolf­-man and not simply as a wolf … is decisive here. The life of the bandit, like that of the sacred man, is not a piece of animal nature without any relation to law and the city. It is, rather, a threshold of indistinction and of passage be­tween animal and man, physis and nomos, exclusion and inclusion: the life of the bandit is the life of the loup garou, the werewolf, who is precisely neither man nor beast, and who dwells paradoxically within both while belonging to neither.”

Children of Ted: The Unlikely New Generation of Unabomber Acolytes

Escrito por John H. Richardson e publicado na revista quinzenal novaiorquina New York Magazine, Children of Ted: The Unlikely New Generation of Unabomber Acolytes é um interessante artigo sobre a trajetória do teórico Selvagista John Jacobi, mas acima de tudo, o texto passa por pensamentos primitivistas primários, indo do anti-industrialismo de Ted Kaczynski à teoria eco-extremista de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Two decades after his last deadly act of ecoterrorism, the Unabomber has become an unlikely prophet to a new generation of acolytes.

When John Jacobi stepped to the altar of his Pentecostal church and the gift of tongues seized him, his mother heard prophecies — just a child and already blessed, she said. Someday, surely, her angelic blond boy would bring a light to the world, and maybe she wasn’t wrong. His quest began early. When he was 5, the Alabama child-welfare workers decided that his mother’s boyfriend — a drug dealer named Rock who had a red carpet leading to his trailer and plaster lions standing guard at the door — wasn’t providing a suitable environment for John and his sisters and little brother. Before they knew it, they were living with their father, an Army officer stationed in Fayetteville, North Carolina. But two years later, when he was posted to Iraq, the social workers shipped the kids back to Alabama, where they stayed until their mother hanged herself from a tree in the yard. John was 14. In the tumultuous years that followed, he lost his faith, wrote mournful poems, took an interest in news reports about a lively new protest movement called Occupy Wall Street, and ran away from the home of the latest relative who’d taken him in — just for a night, but that was enough. As soon as he graduated from high school, he quit his job at McDonald’s, bought some camping gear, and set out in search of a better world.

When a young American lights out for the territories in the second decade of the 21st century, where does he go? For John Jacobi, the answer was Chapel Hill, North Carolina — Occupy had gotten him interested in anarchists, and he’d heard they were active there. He was camping out with the chickens in the backyard of their communal headquarters a few months later when a crusty old anarchist with dreadlocks and a piercing gaze handed him a dog-eared book called Industrial Society and Its Future. The author was FC, whoever that was. Jacobi glanced at the first line: “The Industrial Revolution and its consequences have been a disaster for the human race.”

This guy sure gets to the point, he thought. He skimmed down the paragraph. Industrial society has caused “widespread psychological suffering” and “severe damage to the natural world”? Made life more comfortable in rich countries but miserable in the Third World? That sounded right to him. He found a quiet nook and read on.

The book was written in 232 numbered sections, like an instruction manual for some immense tool. There were two main themes. First, we’ve become so dependent on technology that the real decisions about our lives are made by unseen forces like corporations and market flows. Our lives are “modified to fit the needs of this system,” and the diseases of modern life are the result: “Boredom, demoralization, low self-esteem, inferiority feelings, defeatism, depression, anxiety, guilt, frustration, hostility, spouse or child abuse, insatiable hedonism, abnormal sexual behavior, sleep disorders, eating disorders, etc.” Jacobi had experienced most of those himself.

The second point was that technology’s dark momentum can’t be stopped. With each improvement, the graceful schooner that sails our shorelines becomes the hulking megatanker that takes our jobs. The car’s a blast bouncing along at the reckless speed of 20 mph, but pretty soon we’re buying insurance, producing our license and registration if we fail to obey posted signs, and cursing when one of those charming behavior-modification devices in orange envelopes shows up on our windshields. We doze off while exploring a fun new thing called social media and wake up to big data, fake news, and Total Information Awareness.

All true, Jacobi thought. Who the hell wrote this thing?

The clue arrived in section No. 96: “In order to get our message before the public with some chance of making a lasting impression, we’ve had to kill people,” the mystery author wrote.

Kaczynski at the time of his arrest, in 1996. Photo: Donaldson Collection/Getty Images

“Kill people” — Jacobi realized that he was reading the words of the Unabomber, Ted Kaczynski, the hermit who sent mail bombs to scientists, executives, and computer experts beginning in 1978. FC stood for Freedom Club, the pseudonym Kaczynski used to take credit for his attacks. He said he’d stop if the newspapers published his manifesto, and they did, which is how he got caught, in 1995 — his brother recognized his prose style and reported him to the FBI. Jacobi flipped back to the first page, section No. 4: “We therefore advocate a revolution against the industrial system.”

The first time he read that passage, Jacobi had just nodded along. Talking about revolution was the anarchist version of praising the baby Jesus, invoked so frequently it faded into background noise. But Kaczynski meant it. He was a genius who went to Harvard at 16 and made breakthroughs in something called “boundary functions” in his 20s. He joined the mathematics department at UC Berkeley when he was 25, the youngest hire in the university’s then-99-year history. And he did try to escape the world he could no longer bear by moving to Montana. He lived in peace without electricity or running water until the day when, maddened by the invasion of cars and chain saws and people, he hiked to his favorite wild place for some relief and found a road cut through it. “You just can’t imagine how upset I was,” he told an interviewer in 1999. “From that point on, I decided that, rather than trying to acquire further wilderness skills, I would work on getting back at the system. Revenge.” In the next 17 years, he killed three people and wounded 23 more.

Jacobi didn’t know most of those details yet, but he couldn’t find any holes in Kaczynski’s logic. He said straight-out that ordinary human beings would never charge the barricades, shouting, “Destroy our way of life! Plunge us into a desperate struggle for survival!” They’d probably just stagger along, patching holes and destroying the planet, which meant “a small core of deeply committed people” would have to do the job themselves (section No. 189). Kaczynski even offered tactical advice in an essay titled “Hit Where It Hurts,” published a few years after he began his life sentence in a federal “supermax” prison in Colorado: Forget the small targets and attack critical infrastructure like electric grids and communication networks. Take down a few of those at the right time and the ripples would spread rapidly, crashing the global economic system and giving the planet a breather: No more CO2 pumped into the atmosphere, no more iPhones tracking our every move, no more robots taking our jobs.

Kaczynski was just as unsentimental about the downsides. Sure, decades or centuries after the collapse, we might crawl out of the rubble and get back to a simpler, freer way of life, without money or debt, in harmony with nature instead of trying to fight it. But before that happened, there was likely to be “great suffering” — violent clashes over resources, mass starvation, the rise of warlords. The way Kaczynski saw it, though, the longer we go like we’re going, the worse things will get. At the time his manifesto was published, many people reading it probably hadn’t heard of global warming and most certainly weren’t worried about it. Reading it in 2014 was a very different experience.

The shock that went through Jacobi in that moment — you could call it his “Kaczynski Moment” — made the idea of destroying civilization real. And if Kaczynski was right, wouldn’t he have some responsibility to do something, to sabotage one of those electric grids?

His answer was yes, which was almost as alarming as discovering an unexpected kinship with a serial killer — even when you’re sure that morality is just a social construct that keeps us docile in our shearing pens, it turns out setting off a chain of events that could kill a lot of people can raise a few qualms.

“But by then,” Jacobi says, “I was already hooked.”

Jacobi in Chapel Hill, North Carolina. Photo: Colby Katz

Quietly, often secretly, whether they gather it from the air of this anxious era or directly from the source like Jacobi did, more and more people have been having Kaczynski Moments. Books and webzines with names like Against Civilization, FeralCulture, Unsettling America, and the Ludd-Kaczynski Institute of Technology have been spreading versions of his message across social-media forums from Reddit to Facebook for at least a decade, some attracting more than 100,000 followers. They cluster around a youthful nickname, “anti-civ,” some drawing their ideas directly from Kaczynski, others from movements like deep ecology, anarchy, primitivism, and nihilism, mixing them into new strains. Although they all believe industrial civilization is in a death spiral, most aren’t trying to hurry it along. One exception is Deep Green Resistance, an activist network inspired by a 2011 book of the same name that includes contributions from one of Kaczynski’s frequent correspondents, Derrick Jensen. The group’s openly stated goal, like Kaczynski’s, is the destruction of civilization and a return to preagricultural ways of life.

So far, most of the violence has happened outside of the United States. Although the FBI declined to comment on the topic, the 2017 report on domestic terrorism by the Congressional Research Service cited just a handful of minor attacks on “symbols of Western civilization” in the past ten years, a period of relative calm most credit to Operation Backfire, the FBI crackdown on radical environmental efforts in the mid-aughts. But in Latin America and Europe, terrorist groups with florid names like Conspiracy of Cells of Fire and Wild Indomitables have been bombing government buildings and assassinating technologists for almost a decade. The most ominous example is Individualidades Tendiendo a lo Salvaje, or ITS (usually translated as Individuals Tending Toward the Wild), a loose association of terrorist groups started by Mexican Kaczynski devotees who decided that his plan to take down the system was outdated because the environment was being decimated so fast and government surveillance technology had gotten so robust. Instead, ITS would return to its guru’s old modus operandi: revenge. The group set off bombs at the National Ecology Institute in Mexico, a Federal Electricity Commission office, two banks, and a university. It now claims cells across Latin America, and in January 2017, the Chilean offshoot delivered a gift-wrapped bomb to Oscar Landerretche, the chairman of the world’s largest copper mine, who suffered minor injuries. The group explained its motives in a defiant media release: “The pretentious Landerretche deserved to die for his offenses against Earth.”

In the larger world, where no respectable person would praise Kaczynski without denouncing his crimes, little Kaczynski Moments have been popping up in the most unexpected places — the Fox News website, for example, which ran a piece by Keith Ablow called “Was the Unabomber Correct?” in 2013. After summarizing some of Kaczynski’s dark predictions about the steady erosion of individual autonomy in a world where the tools and systems that create prosperity are too complex for any normal person to understand, Ablow — Fox’s “expert on psychiatry” — came to the conclusion that Kaczynski was “precisely correct in many of his ideas” and even something of a prophet. “Watching the development of Facebook heighten the narcissism of tens of millions of people, turning them into mini reality-TV versions of themselves,” he wrote. “I would bet he knows, with even more certainty, that he was onto something.”

That same year, in the leading environmentalist journal Orion, a “recovering environmentalist” named Paul Kingsnorth — who’d stunned his fellow activists in 2008 by announcing that he’d lost hope — published an essay about the disturbing experience of reading Kaczynski’s manifesto for the first time. If he ended up agreeing with Kaczynski, “I’m worried that it may change my life,” he confessed. “Not just in the ways I’ve already changed it (getting rid of my telly, not owning a credit card, avoiding smartphones and e-readers and sat-navs, growing at least some of my own food, learning practical skills, fleeing the city, etc.) but properly, deeply.”

By 2017, Kaczynski was making inroads with the conservative intelligentsia — in the journal First Things, home base for neocons like Midge Decter and theologians like Michael Novak, deputy editor Elliot Milco described his reaction to the manifesto in an article called “Searching for Ted Kaczynski”: “What I found in the text, and in letters written by Kaczynski since his incarceration, was a man with a large number of astute (even prophetic) insights into American political life and culture. Much of his thinking would be at home in the pages of First Things.” A year later, Foreign Policy published “The Next Wave of Extremism Will Be Green,” an editorial written by Jamie Bartlett, a British journalist who tracks the anti-civ movement. He estimated that a “few thousand” Americans were already prepared to commit acts of destruction. Citing examples such as the Standing Rock pipeline protests in 2017, Bartlett wrote, “The necessary conditions for the radicalization of climate activism are all in place. Some groups are already showing signs of making the transition.”

The fear of technology seems to grow every day. Tech tycoons build bug-out estates in New Zealand, smartphone executives refuse to let their kids use smartphones, data miners find ways to hide their own data. We entertain ourselves with I Am Legend, The Road, V for Vendetta, and Avatar while our kids watch Wall-E or FernGully: The Last Rainforest. An eight-part docudrama called Manhunt: The Unabomber was a hit when it premiered on the Discovery Channel in 2017 and a “super hit” when Netflix rereleased it last summer, says Elliott Halpern, the producer Netflix commissioned to make another film focusing on Kaczynski’s “ideas and legacy.” “Obviously,” Halpern says, “he predicted a lot of stuff.”

And wouldn’t you know it, Kaczynski’s papers have become one of the most popular attractions at the University of Michigan’s Labadie Collection, an archive of original documents from movements of “social unrest.” Kaczynski’s archivist, Julie Herrada, couldn’t say much about the people who visit — the archive has a policy against characterizing its clientele — but she did offer a word in their defense. “Nobody seems crazy.”

Two years ago, I started trading letters with Kaczynski. His responses are relentlessly methodical and laced with footnotes, but he seems to have a droll side, too. “Thank you for your undated letter postmarked 6/11/18, but you wrote the address so sloppily that I’m surprised the letter reached me …” “Thank you for your letter of 8/6/18, which I received on 8/16/18. It looks like a more elaborate and better developed, but otherwise typical, example of the type of brown-nosing that journalists send to a ‘mark’ to get him to cooperate.” Questions that revealed unfamiliarity with his work were poorly received. “It seems that most big-time journalists are incapable of understanding what they read and incapable of transmitting facts accurately. They are frustrated fiction-writers, not fact-oriented people.” I tried to warm him up with samples of my brilliant prose. “Dear John, Johnny, Jack, Mr. Richardson, or whatever,” he began, before informing me that my writing reminded him of something the editor of another magazine told the social critic Paul Goodman, as recounted in Goodman’s book Growing Up Absurd: “ ‘If you mean to tell me,” an editor said to me, “that Esquire tries to have articles on serious issues and treats them in such a way that nothing can come of it, who can deny it?’ ” (Kaczynski’s characteristically scrupulous footnote adds a caveat, “Quoted from memory.”) His response to a question about his political preferences was extra dry: “It’s certainly an oversimplification to say that the struggle between left & right in America today is a struggle between the neurotics and the sociopaths (left = neurotics, right = sociopaths = criminal types),” he said, “but there is nevertheless a good deal of truth in that statement.”

But the jokes came to an abrupt stop when I asked for his take on America’s descent into immobilizing partisan warfare. “The political situation is complex and could be discussed endlessly, but for now I will only say this,” he answered. “The current political turmoil provides an environment in which a revolutionary movement should be able to gain a foothold.” He returned to the point later with more enthusiasm: “Present situation looks a lot like situation (19th century) leading up to Russian Revolution, or (pre-1911) to Chinese Revolution. You have all these different factions, mostly goofy and unrealistic, and in disagreement if not in conflict with one another, but all agreeing that the situation is intolerable and that change of the most radical kind is necessary and inevitable. To this mix add one leader of genius.”

Kaczynski was Karl Marx in modern flesh, yearning for his Lenin. In my next letter, I asked if any candidates had approached him. His answer was an impatient no — obviously any revolutionary stupid enough to write to him would be too stupid to lead a revolution. “Wait, I just thought of an exception: John Jacobi. But he’s a screwball — bad judgment — unreliable — a problem rather than a help.”

The Kaczynski moment dislocates. Suddenly, everyone seems to be living in a dream world. Why are they talking about binge TV and the latest political outrage when we’re turning the goddamn atmosphere into a vast tanker of Zyklon B? Was he right? Were we all gelded and put in harnesses without even knowing it? Is this just a simulation of life, not life itself?

People have moments like that under normal conditions, of course. Sigmund Freud wrote a famous essay about them way back in 1929, Civilization and Its Discontents. A few unsettled souls will always quit that bank job and sail to Tahiti, and the stoic middle will always suck it up. But Jacobi couldn’t accept those options. Staggered by the shock of his Kaczynski Moment but intent on rising to the challenge, he began corresponding with the great man himself, hitchhiked the 644 miles from Chapel Hill to Ann Arbor to read the Kaczynski archives, tracked down his followers all around the world, and collected an impressive (and potentially incriminating) cache of material on ITS along the way. He even published essays about them in an alarmingly terror-friendly print journal named Atassa. But his biggest influence was a mysterious Spanish radical theorist known only by the pseudonym he used to translate Kaczynski’s manifesto into Spanish, Último Reducto. Recommended by Kaczynski himself, who even supplied an email address, Reducto gave Jacobi a daunting reading list and some editorial advice on his early essays, which inspired another series of TV-movie twists in Jacobi’s turbulent life. Frustrated by the limits of his knowledge, he applied to the University of North Carolina, Chapel Hill, to study some more, received a full scholarship and a small stipend, and buckled down for two years of intense scholarship. Then he quit and hit the road again. “I think the homeless are a better model than ecologically minded university students,” he told me. “They’re already living outside of the structures of society.”

Four years into this bizarre pilgrimage, Jacobi is something of an underground figure himself — the ubiquitous, eccentric, freakishly intellectual kid who became the Zelig of ecoextremism. Right now, he’s about to skin his first rat. Barefoot and shirtless, with an old wool blanket draped over his shoulders, long sun-streaked hair and gleaming blue eyes, he hurries down a rocky mountain trail toward a stone-age village of wattle-and-daub huts, softening his voice to finish his thought. “Ted was a good start. But Ted is not the endgame.”

He stops there. The village ahead is the home of a “primitive skills” school called Wild Roots. Blissfully untainted by modern conveniences like indoor toilets and hot showers, it’s also free of charge. It has just three rules, and only one that will get us kicked out. “I don’t want to be associated with that name,” Wild Roots’ de facto leader told us when I mentioned Kaczynski. “I don’t want my name associated with that name,” he added. “I really don’t want to be associated with that name.”

Jacobi arrives at the open-air workshop, covered by a tin roof, where the dirtiest Americans I’ve ever seen are learning how to weave cordage from bark, start friction fires, skin animals. The only surprise is the lives they led before: a computer analyst for a military-intelligence contractor, a Ph.D. candidate in engineering, a classical violinist, two schoolteachers, and a rotating cast of college students the older members call the “pre-postapocalypse generation.” Before he became the community blacksmith, the engineering student was testing batteries for ecofriendly cars. “It was a fucking hoax,” he says now. “It wasn’t going to make any difference.” At his coal-fired forge, pounding out simple tools with a hammer and anvil, he feels much more useful. “I can’t make my own axes yet, but I made most of the handles on those tools, I make all my own punches and chisels. I made an adze. I can make knives.”

Freshly killed this morning, five dead rats lie on a pine board. They’re for practice before trying to skin larger game. Jacobi bends down for a closer look, selects a rat, ties a string to its twiggy leg, and hangs it from a rafter. He picks up a razor. “You wanna leave the cartilage in the ear,” his teacher says. “Then cut just above the white line and you’ll get the eyes off.”

A few feet away, a young woman who fled an elite women’s college in Boston pounds a wooden staff into a bucket to pulverize hemlock bark to make tannin to tan the bear hide she has soaking in the stream — a mixture of mashed hemlock and brain tissue is best, she says, though eggs can substitute if you can’t get fresh brain.

Jacobi works the razor carefully. The eyes fall into the dirt.

“I’m surprised you haven’t skinned a rat before,” I say.

“Yeah, me too,” he replies.

He is, after all, the founder of The Wildernist and Hunter/Gatherer, two of the more radical web journals in the personal “rewilding” movement. The moderates at places like ReWild University talk of “rewilding your taste buds” and getting in “rockin’ fit shape.” “We don’t have to demonize our culture or attempt to hide from it,” ReWild University’s website enthuses. Jacobi has no interest in padding the walls of the cage — as he put it in an essay titled “Taking Rewilding Seriously,” “You can’t rewild an animal in a zoo.”

He’s not an idiot; he knows the zoo is pretty much everywhere at this point. He explained this in the philosophical book he wrote at 22, Repent to the Primitive: “My focus on the Hunter/Gatherer is based on a tradition in political philosophy that considers the natural state of man before moving on to an analysis of the civilized state of man. This is the tradition of Hobbes, Rousseau, Locke, Hume, Paine.” His plan is to ace his primitive skills, then test living wild for an extended time in the deepest forest he can find.

So why did it take him so long to get out of the zoo?

“I thought sabotage was more important,” he says.

But this isn’t the place to talk about that — he doesn’t want to break Wild Roots’ rules. Jacobi goes silent and works his razor down the rat’s body, pulling the skin down like a sock.

When he’s finished, he leads the way back into the woods, naming the plants: pokeberry, sourwood, rhododendron, dog hobble, tulip poplar, hemlock. The one with orange flowers is a lily that will garnish his dinner tonight. “If you want, I can get some for you,” he offers.

Then he returns to the forbidden topic. “I could never do anything like that,” he says firmly — unless he could, which is also a possibility. “I don’t have any moral qualms with violence,” he says. “I would go to jail, but for what?”

For what? The first time I talked to him, he told me he had dreams of being the leader Kaczynski wanted.

“I am being a little evasive,” he admits. His other reason for going to college, he says, was to plant the anti-civ seed in the future lawyers and scientists gathered there — “people who will defend you, people who have access to computer networks” — and also, speaking purely speculatively, who could serve as “the material for a terrorist criminal network.”

“Did you convince anybody?” I ask.

“I don’t know. I always told them not to tell me.”

“So you wanted to be the Lenin?”

“Yeah, I wanted to be Lenin.”

But let’s face it, he says, the revolution’s never going to happen. Probably. Maybe. That’s why he’s heading into the woods. “I want to come out in a few years and be like Jesus,” he jokes, “working miracles with plants.”

Isn’t he doing exactly what Lenin did during his exile in Europe, though? Honing his message, building a network, weighing tactical options, and creating a mystique. Is he practicing “security culture,” the activist term for covering your tracks? “Are you hiding the truth? Are you secretly plotting with your hard-core cadre?”

He smiles. “I wouldn’t be a very good revolutionary if I told you I was doing that.”

At the last minute, Abe Cabrera changed our rendezvous point from a restaurant in New Orleans to an alligator-filled swamp an hour away. This wasn’t a surprise. Jacobi had given me Cabrera’s email address, identifying him as the North American contact for ITS, which Cabrera immediately denied. His interest in ITS was purely academic, he insisted, an outgrowth of his studies in liberation theology. “However,” he added, “to say that I don’t have any contact with them may or may not be true.”

Now he’s leading me into the swamp, literally, talking about an ITS bomb attack on the head of the Department of Physical and Mathematical Sciences at the University of Chile in 2011. “Is that a fair target?” he asks. “For Uncle Ted, it would have been, so I guess that’s the standard.” He chuckles.

He’s short, round, bald, full of nervous energy, wild theories, and awkward tics — if “Terrorist Spokesman” doesn’t work out for him, he’s a shoo-in for “Mad Scientist in a B-Movie.” Giant ferns and carpets of moss appear and disappear as he leads the way into the swamp, where the elephantine roots of cypress trees stand in the eerie stillness of the water like dinosaurs.

He started checking out ITS after he heard some rumors about a new cell starting up in Torreón, his grandparents’ birthplace in Mexico, he says, but the group didn’t really catch his interest until it changed its name from Individuals Tending Toward the Wild to Wild Reaction. Why? Because healthy animals don’t have “tendencies” when they confront an enemy. As one Wild Reaction member put it in the inevitable postattack communiqué, another example of the purple prose poetry that has become the group’s signature: “I place the device, and it transforms me into a coyote thirsting for revenge.”

Cabrera calls this “radical animism,” a phrase that conjures the specter of nature itself rising up in revolt. Somehow that notion wove together all the dizzying twists his life had taken — the years as the child of migrant laborers in the vegetable fields of California’s Imperial Valley, his flirtation with “super-duper Marxism” at UC Berkeley, the leap of faith that put him in an “ultraconservative, ultra-Catholic” order, and the loss of faith that surprised him at the birth of his child. “Most people say, ‘I held my kid for the first time and I realized God exists.’ I held my kid the first time and I said, ‘You know what? God is bullshit.’ ” People were great in small doses but deadly in large ones, even the beautiful little girl cradled in his arms. There were no fundamental ethical values. It all came down to numbers. If that was God’s plan, the whole thing was about as spiritually “meaningful as a marshmallow,” Cabrera says.

John Jacobi is a big part of this story, he adds. They connected on Facebook after a search for examples of radical animism led him to Hunter/Gatherer. They both contributed to the journal Atassa, which was dedicated on the first page to the premise that “civilization should be fought” and that the example of Ted Kaczynski “is what that fighting looks like.” In the premier edition, Jacobi made the prudent decision to write in a detached tone. Cabrera’s essay bogs down in turgid scholarship before breaking free with a flourish of suspiciously familiar prose poetry: “Ecoextremists believe that this world is garbage. They understand progress as industrial slavery, and they fight like cornered wild animals since they know that there is no escape.”

Cabrera weaves in and out of corners like a prisoner looking for an escape route, so it’s hard to know why he chose a magazine reporter for his most incendiary confession: “Here’s the super-official version I haven’t told anybody — I am the unofficial voice-slash-theoretician of ecoextremism. I translated all 30 communiqués. I translated one last night.”

Abe Cabrera: Abracadabra.

Yes, he knows this puts him dangerously close to violating the laws against material contributions to terrorism. He read the Patriot Act. That’s why he leads a double life, even a triple life. Nobody at work knows, nobody from his past knows, even his wife doesn’t know. He certainly doesn’t want his kids to know. He doesn’t even want to tell them about climate change. Math homework, piano lessons, gymnastics, he’s “knee-deep in all that stuff.” He punches the clock. “What else am I gonna do? I love my kids,” he says. “I hope for their future, even though they have no future.”

His mood sinks, reminding me of Jacobi. Shifts in perspective seem to be part of this world. Puma hunted here before the Europeans came, Cabrera says, staring into the swamp. Bears and alligators, too, things that could kill you. The cypress used to be three times as thick. When you look around, you see how much everything has suffered.

But we’re not in this mess because of greed or nihilism; we’re in it because we love our children so much we made too many of them. And we’re just so good at dominating things, all that is left is to lash out in a “wild reaction,” Cabrera says. That’s why he sympathizes with ITS. “It’s like, ‘Be the psychopathic destruction you want to see in the world’, ” he says, tossing out one last mordant chuckle in place of a good-bye.

Kaczynski is annoyed with me. “Do not write me anything more about ITS,” he said. “You could get me in trouble that way.” He went on: “What is bad about an article like the one I expect you to write is that it may help make the anti-tech movement into another part of the spectacle (along with Trump, the ‘metoo movement,’ neo-Nazis, antifa, etc.) that keeps people entertained and therefore thoughtless.”

ITS, he says, is the very reason he cut Jacobi off. Even after Kaczynski told him the warden was dying for a reason to reduce his contacts with the outside world, the kid kept sending him news about them. He ended his letter to me with a controlled burst of fury. “A hypothesis: ITS is instigated by some country’s security services — probably Mexico. Their real task is to spread hopelessness, because where there is no hope there is no serious resistance.”

Wait … Ted Kaczynski is hopeful? The Ted Kaczynski who wants to destroy civilization? The idea seems ridiculous right up to the moment it spins around and becomes reasonable. What better evidence could you find than the unceasing stream of tactical and strategic advice that he’s sent from his prison cell for almost 20 years, after all. He’s hopeful that civilization can be taken down in time to save some of the planet. I guess I just couldn’t imagine how anyone could ever manage to rally a group of ecorevolutionaries large enough to do the job.

“If you’ve read my Anti-Tech Revolution, then you haven’t understood it,” he scolds. “All you have to do is disable some key components of the system so that the whole thing collapses.” I do remember the “small core of deeply committed people” and “Hit Where It Hurts,” but it’s still hard to fathom. “How long does it take to do that?” Kaczynski demands. “A year? A month? A week?”

On paper, Deep Green Resistance meets most of his requirements. The original core group spent five years holding conferences and private meetings to hone its message and build consensus, then publicized it effectively with its book, which speculates about tactical alternatives to stop the “planet from burning to a cinder”: “If selective disruption doesn’t work soon enough, some resisters may conclude that all-out disruption is needed” and launch “coordinated actions on a large scale” against key targets. DGR now has as many as 200,000 members, according to the group’s co-founder — a soft-spoken 30-year-old named Max Wilbert — who could shave off his Mephistophelian goatee and disappear into any crowd. Two hundred thousand may not sound like much when Beyoncé has 1 million-plus Instagram followers, but it’s not shabby in a world where lovers cry out pseudonyms during sex. And Fidel had only 19 in the jungles of Cuba, as Kaczynski likes to point out.

Jacobi says DGR was hobbled by a doctrinal war over “TERFs,” an acronym I had to look up — it’s short for “trans-exclusionary radical feminists” — so this summer they’re rallying the troops with a crash course in “resistance training” at a private retreat outside Yellowstone National Park in Montana. “This training is aimed at activists who are tired of ineffective actions,” the promotional flyer says. “Topics will include hard and soft blockades, hit-and-run tactics, police interactions, legal repercussions, operational security, terrain advantages and more.”

At the Avis counter at the Bozeman airport, my phone dings. It’s an email from the organizers of the event, saying a guy named Matt needs a ride. I find him standing by the curb. He’s in his early 30s, dressed in conventional clothes, short hair, no visible tattoos, the kind of person you’d send to check out a visitor from the media. When we get on the road and have a chance to talk, he says he’s a middle-school social-studies teacher. He’s sympathetic to the urge to escalate, but he’d prefer to destroy civilization by nonviolent means, possibly by “decoupling” from the modern world, town by town and state by state.

But if that’s true, why is he here?

“See for yourself,” he said.

We reach the camp in the late afternoon and set up our tents next to a big yurt. A mountain rises behind us, another mountain stands ahead; a narrow lake fills the canyon between them as the famous Big Sky, blushing at the advances of the night, justifies its association with the sublime. “Nature is the only place where you feel awe,” Jacobi told me after the leaves rustled at Wild Roots, and right now it feels true.

An hour later, the group gathers in the yurt outfitted with a plywood floor, sofas, and folding chairs: one student activist from UC Irvine, two Native American veterans of the Standing Rock pipeline protests, three radical lawyers, a shy working-class kid from Mississippi, a former abortion-clinic volunteer, and a few people who didn’t want to be identified or quoted in any way. The session starts with a warning about loose lips and a lecture on DGR’s “nonnegotiable guidelines” for men — hold back, listen, agree or disagree respectfully, avoid male-centered words, and follow the lead of women.

By that time, I’d already committed my first microaggression. The cook asked why I was standing in the kitchen doorway, and I answered, “Just supervising.” Her sex had nothing to do with it, I swear — I was waiting to wash my hands and, frankly, her question seemed a bit hostile. But the woman who followed me out the door to dress me down said that refusing to accept her criticism was another microaggression.

The first speaker turns the mood around. His name is Sakej Ward, and he did a tour in Afghanistan with the U.S. Joint Airborne and a few years in the Canadian military. He’s also a full-blooded member of the Wolf Clan of British Columbia and the Mi’kmaq of northern Maine with two degrees in political science, impressive muscles bulging through a T-shirt from some karate club, and one of those flat, wide Mohawks you see on outlaw bikers.
Unfortunately, he put his entire presentation off the record, so all I can tell you is that the theme was Native American warrior societies. Later he tells me the societies died out with the buffalo and the open range. They revived sporadically in the last quarter of the 20th century, but returned in earnest at events like Standing Rock. “It’s a question of ‘Are they there yet?’ We’ve been fighting this war for 500 years. But climate change is creating an atmosphere where it can happen.”

For the next two days, we get training in computer security and old activist techniques like using “lockboxes” to chain yourself to bulldozers and fences — given almost apologetically, like a class in 1950s home cooking. In another session, Ward takes us to a field and lines us up single file. Imagine you’re on a military patrol, he says, turning his back and holding his left hand out to the side, elbow at 90 degrees and palm forward. “Freeze!,” he barks.

We freeze.

“That’s the best way to conceal yourself from the enemy,” he tells us. He runs through basic Army-patrol semiotics. For “enemy,” you make a pistol with your hand and turn it thumbs-down. “Danger area” is a diagonal slash. After showing us a dozen signs, he stops. “Why am I making all the signs with my left hand?”

No one knows.

He turns around to face us with his finger pointed down the barrel of an invisible gun. “Because you always have to have a finger in control of your weapon,” he says.

The trainees are pumped afterward. “You can take out transformers with a .50 caliber,” one man says.

“But you don’t just want to do one,” says another. “You want four-man teams taking out ten transformers. That would bring the whole system to a halt.”

Kaczynski would be fairly pleased with this so far, I think. Ward is certainly a plausible contender for the Lenin role. Wilbert might be too. “We talk about ‘cascading catastrophic effects,’ ” he tells us in one of the last yurt meetings, summing up DGR’s grand strategy. “A large percent of the nation’s oil supply is processed in a facility in Louisiana, for example. If that was taken down, it would have cascading effects all over the world.”

But then the DGR women called us together for a lecture on patriarchy, which has to be destroyed at the same time as civilization. Also, men who voluntarily assume gendered aspects of female identity should never be allowed in female-sovereign spaces — and don’t call them TERFs unless you want a speech on microaggression.

Matt listens from the fringes in a hoodie and mirrored glasses, looking exactly like the famous police sketch of the Unabomber. I’m pretty sure he’s trolling them. Maybe he’s remembering the same Kaczynski quote I am: “Take measures to exclude all leftists, as well as the assorted neurotics, lazies, incompetents, charlatans, and persons deficient in self-control who are drawn to resistance movements in America today.”

At the farewell dinner, one of the more mysterious trainees finally speaks up. With long, wild hair, a floppy wilderness hat, pants tucked into waterproof boots, a wary expression, and an actual hermit’s cabin in Montana, he projects the anti-civ vibe with impressive authenticity. He was involved in some risky stuff during the Cove Mallard logging protests in Idaho in the mid-1990s, he says, but he retreated after the FBI brought him in for questioning. Lately, though, he’s been getting the feeling that things are starting to change, and now he’s sure of it. “I’ve been in a coma for 20 years,” he says. “I want to thank you guys for being here when I woke up.” One of the radical lawyers wraps up with a lyrical tribute to the leaders of Ireland’s legendary 1916 rebellion. He waxes about Thomas MacDonagh, the schoolteacher who led the Dublin brigade and whistled as he was led to the firing squad.

On the drive back to the airport, I ask Matt if he’s really a middle-school teacher. He answers with a question: What is your real interest in this thing?

I mention John Jacobi. “I know him,” he says. “We’ve traded a few emails.”

Of course he does. He’s another serious young man with gears turning behind his eyes.

“Can you imagine actually doing something like that?” I ask.

“Well,” he answers, drawing out the pause, “Thomas MacDonagh was a schoolteacher.”

The next time I talk to John Jacobi, he’s back in Chapel Hill living with a friend and feeling shaky. Things were getting strange at Wild Roots, he says — nobody could cooperate, there were personal conflicts. And, well, there was an incident with molly. It’s been a hard four years. First he lost Jesus and anarchy. Then Kaczynski and Último Reducto dumped him, which was really painful, though he understood why. “I’ve been unreliable,” he says woefully. To make matters worse, an ITS member called Los Hijos del Mencho denounced him by name online: The trouble with Jacobi was his “reluctance to support indiscriminate attacks” because of his sentimental attachment to humanity.

Jacobi is considering the possibility that his troubled past may have affected his judgment. He still believes in the revolution, he says, but he’s not sure what he’d do if somebody gave him a magic bottle of Civ-Away. He’d probably use it. Or maybe not.

I check in a couple of weeks later. He’s working in a fish store and thinking of going back to school. Maybe he can get a job in forest conservation. He’d like to have a kid someday.

He brings up Paul Kingsnorth, the “recovering environmentalist” who got rattled by Kaczynski’s manifesto in 2012. Kingsnorth’s answer to our global existential crisis was mourning, reflection, and the search for “the hope beyond hope.” The group he co-founded to help people with that task, a mixture of therapy group and think tank called Dark Mountain, now has more than 50 chapters worldwide. “I’m coming to terms with the fact that it might very well be true that there’s not much you can do,” Jacobi says, “but I’m having a real hard time just letting go with a hopeless sigh.”

In his Kaczynski essay, Kingsnorth, who has since moved to Ireland to homeschool his kids and write novels, put his finger on the problem. It was the hidden side effect of the Kaczynski Moment: paralysis. “I am still embedded, at least partly because I can’t work out where to jump, or what to land on, or whether you can ever get away by jumping, or simply because I’m frightened to close my eyes and walk over the edge.” To the people who end up in that suspended state now and then, lying in bed at four in the morning imagining the worst, here’s Kingsnorth’s advice: “You can’t think about it every day. I don’t. You’ll go mad!”

It’s winter now and Jacobi’s back on the road, sleeping in bushes and scavenging for food, looking for his place to land. Sometimes I wonder if he makes these journeys into the forest because of the way his mother ended her life — maybe he’s searching for the wild beasts and ministering angels she heard when he fell to his knees and spoke the language of God. Psychologists call that magical thinking. Medication and counseling are more effective treatments for trauma, they say. But maybe the dream of magic is the magic, the dream that makes the dream come true, and maybe grief is a gift too, a check on our human arrogance. Doesn’t every crisis summon the healers it needs?

In the poems Jacobi wrote after his mother hanged herself, she turned into a tree and sprouted leaves.

[AUDIO – EN] The Flower Growing Out Of The Underworld: An Introduction to Eco-extremism

Audiobook em inglês da Revista Atassa do texto O que é o Eco-extremismo? – A flor que cresce no submundo: Uma introdução ao eco-extremismo.

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[AUDIO – EN] The Brilliant Podcast On Atassa

Podcast número 41 do projeto The Brilliant sobre a Revista Atassa e as desafiantes postulações do eco-extremismo que põe em xeque as velhas teorias e alimenta a coragem da confrontação terrorista contra a civilização.


Episode 41: Atassa

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This episode of the Brilliant is an active discussion between Bellamy, Aragorn!, and Wil about the new LBC journal project Atassa. It is worth checking out as an introduction to the journal and an exercise about how to think about revolutionary (or not) practice in a world where terrorism no longer has any meaning. Eco-extremism isn’t a solution that would work in the US but it does raise challenging questions about violence, the planet, and the spirit that inspires all of our actions.

Tick Tock

Introductions to Wil and Bellamy
1:34 Atassa introduction
2:00 Wil: Attitude. ITS.
6:00 Market anarchism & Technophilia
7:30 Strong introduction. Defines terms. Bel: This is something you have to deal with (Why?)
9:45 Origin story of eco-extremism. Revolution. Kacynski. Ancestral Beliefs.
13:20 Shocking bits wrt Mafia style violence, appearance, adopt an accent, espouse a strong moral character. sXe. Necheav.
15:30 Return of the warrior. Clastres. What is the relationship between violence and the State? Monopoly of violence has unforseen consequence. Becoming.
29:00 More origin of EE. Solid piece from Jacobi. Notes on wildism vs EE vs AP.
34:30 Creek War. Market economy as invasion. Old ways. Brutal.
39:00 Indiscriminate anarchists. Today there is reaction by @ against indiscriminate attacks. There is a history here. This is another way to talk about social vs anti-social @.
41:40 Is this an anarchist journal? No! But @ should be engaged with it anyway.
45:30 Are you a pacifist? Kudos for your consistency. Otherwise you have to (internally) confront the questions of Atassa.

[ES – PDF] Revista Extinción – En Contra Del Imperio De La Humanidad, Su Civilización Y Su Progreso (Todas as Edições – All Editions)

A Revista Extinción – En Contra Del Imperio De La Humanidad, Su Civilización Y Su Progreso é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Sul dedicada a estudar o eco-extremismo e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e o progresso.

Atualmente está em sua primeira edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

DESCARREGUE em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

Eco-extremismo, a nova face do terror no México

Artigo de 2016 extraído da imprensa mexicana. É importante ressaltar que desde a data da publicação Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) se expandiu a vários países e causou grandes danos e deixou feridos e mortos com as suas atividades terroristas.

“Os pensamentos surgidos em um momento de terror tem o mistério e os olhos petrificados de ícones bizantinos.”
-E.M. Cioran, O Crepúsculo do Pensamento

Em 11 de Setembro de 2001 nossa visão de mundo mudou enquanto as torres do World Trade Center, localizadas no coração de Manhattan, Nueva York, caíam aos pedaços após serem impactadas por dois aviões comerciais sequestrados por integrantes do grupo jihadista Al Qaeda no mesmo momento em que um ato similar atingia o edifício do Pentágono e deixava-o seriamente danificado.

A partir deste momento, extremismo ou “terrorismo” deixou de ser apenas uma palavra e se converteu numa sombra sinistra disposta a atacar no momento menos esperado, causando o maior dano possível e deixando a sociedade mergulhada no caos. No entanto, o mais preocupante é a frequência com que estes ataques estão sendo realizados, pois condicionam o imaginário coletivo e o levam a um estado de paranóia, e simplesmente na medida em que o ano passa se pode contabilizar inúmeros ataques, sendo os mais destacados os ocorridos em Paris, Bruxelas e Orlando, mas sem contar os eventos quase diários que são realizados no Oriente Médio.

O Eco-extremismo

Menos visíveis e comentados foram os atos de extremismo cometidos nos últimos dias no México por um grupo radical conhecido como “Individualistas Tendendo ao Selvagem” que buscam desequilibrar o desenvolvimento tecnológico da sociedade através de ataques bem planejados aos pilares deste crescimento como é o caso dos centros educativos e científicos. Os chamados “eco-extremistas” argumentam que estão “contra o progresso humano, que corrompe e degrada toda a beleza que há neste mundo”.

Este grupo, que também tem presença na Argentina, Chile [e Brasil], afirma que não reconhecem nenhuma autoridade a não ser a da “Natureza Selvagem”, em suas próprias palavras: “matamos porque rechaçamos qualquer moral que nos queiram impor, porque não consideramos nem “ruim” nem “bom”, mas sim uma resposta de nossa individualidade a toda a destruição que gera o progresso humano”.

Não é um grupo novo, vem operando desde 2011 e, na verdade, tem se multiplicado em diferentes células que estão presentes no centro do país. Os métodos vão desde cartas bombas até ataques frontais. Assumiram ao menos meia dúzia destes acontecimentos até agora neste ano, sendo o mais recente o assassinato do chefe de serviços da faculdade de Química, José Jaime Barrera Moreno, que na segunda-feira, 27 de junho, foi encontrado morto com um ferimento causado no peito provocado por uma arma afiada, mas não é o primeiro e asseguram que não será o último.

Em uma entrevista concedida a Ciro Gómez Leyva na Rádio Fórmula, datada de 1 de julho de 2016, anunciaram que foram os responsáveis por 8 ataques realizados durante o mês de abril, embora não tenham tido cobertura mediática apesar de terem sido concretizados tal e como haviam planejado.

Nesta mesma entrevista revelaram que apesar dos ataques e assassinatos perpetrados no México até agora não foi detido nenhum integrante do grupo e que segundo eles se deve ao que, em suas próprias palavras, são as instituições de segurança do país, “uma PIADA”.

No entanto, apesar de ser um grupo ativo em constante expansão asseguram que sua única finalidade é a destruição, “porque nos encontramos em um ponto onde nenhuma mudança e nenhuma revolução serão suficientes para realizar uma transformação social, pois tudo está corrompido de maneira irreversível”. Neste sentido, também dizem que não apostam pela “caída da civilização, nem temos como finalidade a destruição desta”, o que alguns poderiam ver como uma contradição, mas no aspecto mais básico da existência, na Natureza Selvagem, é o que acontece quando um animal ferido se encontra encurralado, ele ataca até que não possa mais, “os eco-extremistas são como as abelhas, as quais enfiam seu ferrão para ferir a seu oponente (a civilização) lutando sabendo que morrerão tentando, já que está claro que nesta guerra não sairemos vitoriosos.”

O mundo está mudando diante de nossos olhos e a maioria destas mudanças estão baseadas no terror nascido do sistema no qual estamos imersos, pelo que a informação poderia significar a diferença, não se trata de saber tudo, mas de estar ciente destas alterações para fluir em consequência, seja para nos reencontrarmos como sujeitos sociais ou para seguir nos destruindo.

“Não podemos caminhar com eco-extremistas”, dizem anarquistas mexicanos

O texto abaixo é o fragmento de um artigo da imprensa publicado em 2016 onde é possível ver a opinião geral que tem os anarquistas mexicanos sobre os eco-extremistas.

Em um ponto o autor do texto foi equivocado ao mesclar ou relacionar as “libertações” de animais com os atos terroristas de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). É uma afirmação que não procede já que ITS não advoga pela “libertação animal”, embora a prática tenha feito parte das etapas anteriores de suas raízes.

À caça de anarquistas

18 de Outubro de 2016

“Salvajes” y ecoterroristas, contra universidades y trabajadores

Grupos como Individualistas Tendendo ao Selvagem, Seita Pagã da Montanha, entre outros, tem sido marcados como “anarquistas” sem que sejam.

Publicam suas “libertações” de animais (como coelhos de granja e galinhas de fazendas) em bosques descampados, e também seus atentados contra institutos de investigação e reivindicam explosões que colocam em risco a vida das pessoas.

Eu seus comunicados estas organizações repudiam o anarquismo e qualquer tipo de esperança em construir um novo tipo de sociedade ou fazer a revolução. Sobre o fato de que tenham sido relacionados com o anarquismo, Individualistas Tendendo ao Selvagem disse, por meio de seus comunicados, que isso se deve provavelmente a porque começaram enviando seus comunicados a portais de informação anarquista.

Todos os anarquistas entrevistados concordaram que os eco-terroristas e eco-extremistas –que atentaram contra a vida de trabalhadores, universitários e cientistas– não são anarquistas. “Estes grupos fazem parte daqueles que não podemos caminhar junto”.

Um Falso Escape

Tradução do escrito de Huehuecoyotl que faz duras críticas a uma das práticas mais comuns na vida civilizada, o vício.

Diferindo das críticas tradicionais o autor não apenas critica o vício em substâncias psicotrópicas que dissociam a realidade e projetam o viciado a um cenário surreal, mas se refere também ao vício em ideologias transformadoras e utopistas que colocam de lado o aqui e o agora pessimista e criam um delirante mundo fantástico que é ansiado pelos seus adictos.

A mentira chamada civilização é uma hidra; cada uma de suas cabeças busca a hora certa para morder, para matar nossos instintos selvagens e nos transformar em robôs que caminham em condição de cúmplices. Desta condição ninguém está livre de se encontrar dentro desta sociedade. Para nós eco-extremistas tudo isso é uma constante guerra interna e contínua, onde há tentativas de viver longe das práticas e dos valores sociais. Várias destas práticas são, para muitos sujeitos -até mesmo os que chamam a si mesmos de “anti-sistema”- libertadoras, quando na verdade são práticas impostas pela civilização. Neste trabalho irei me referir a uma prática social na qual um grande número de hiper-civilizados e sujeitos com “posturas anti-sistêmicas” estão imersos: a vida dentro de um vício. Estas pessoas encontram muitas razões e justificativas para levar esta vida cíclica: a diversão, uma medida contra a tristeza, a decepção, “abrir a mente”, e a que para mim é a mais desprezível; a busca pela fuga da realidade.

A realidade nos golpeia constantemente, vivemos dentro de um mundo no qual o caminho em direção à morte vai se tornando mais e mais curto de maneira rápida. Esta é a cotidianidade chata e depressiva a que uma grande parte da cidadania está presa: estresse, trabalho, família, escola, rotina, transporte, tráfego, etc. Ante todas estas dores “escapes” são buscados, algo que dê um fôlego e faça esquecer estes maus momentos. Seria um erro pensar que ditas fugas que se tornam parte de uma vida cíclica são apenas substâncias ingeridas.

A grande dominação tecnológica é um forte pilar da vida cíclica, tornou-se “normal” ver jovens que na maior parte de sua vida vão com o celular em mãos -isso literalmente-, escravos e aprisionados, fundidos a um “mundinho” virtual com amigos igualmente virtuais e uma forte dependência das redes sociais, as quais não passam nem uns minutos sequer sem revisá-las. Estes são dependentes totais dos celulares e das redes sociais -dentro disso tudo a morbidez e a opulência ditam o dia a dia-, assim caminha grande parte da sociedade, em especial, a juventude, em direção a uma vida de progresso e tecnologia. Anseiam dentro de seus aparatos celulares a “vida ideal” que querem alcançar enquanto ao redor tudo o que é vivo segue desaparecendo. Sua vida ideal se resume no consumismo desenfreado, em relações banais, uma existência onde tudo é assumido como verdade e nada é submetido a críticas. A juventude segue já perdida, são tão dependentes tanto do celular como do álcool. Não vejo nenhuma esperança no futuro. Alguns ilusoriamente pensariam que as gerações futuras ao verem a grande destruição da Natureza Selvagem refletiriam e optariam por uma vida antagônica à estabelecida dentro da civilização tecno-industrial. Eu acho isso incrível. Os “jovens” que para os estúpidos esquerdistas são biologicamente revolucionários se encontram também na condição de hiper-civilizados, levando a cabo as mesmas ações dos adultos, envolvidos em seus estudos, deixando toda sua vitalidade para o “grande” progresso da humanidade, um progresso que está a poucos passos do precipício. Se os jovens são “nossos” próximos revolucionários, a onde iria sua revolução? Ainda que os modos de produção fossem alterados a produção continuaria a durar. E esta revolução… Que revolução poderia fazer um jovem que na maioria de sua existência se encontra ligado a um aparato tecnológico? Como teria vigência a ideia do “povo organizado” se este “povo” segue acorrentado à tecnologias, e segue perpetuando o estilo de vida dentro dos cânones da tecno-indústria? Que isso não seja uma confusão, como eco-extremista não tento estabelecer uma revolução que derrube a civilização tecno-industrial como uma “resposta” ou uma “melhor” revolução. Então, por que criticar a ideia de uma revolução? Ou por que criticar os jovens que se sentem revolucionários?

Penso que em alguns jovens existe um sentimento de culpabilidade ou indignação diante das situações que eles consideram como injustiça. Então, optam por se apropriar de ideologias que propõem uma mudança…, enchem suas cabeça com ideias revolucionárias, e vivem com base em utopias, meros anseios. Isto não deixa de ser um escape da realidade, ignorando a decadente realidade presente e esperando a revolução que chegará. Vivem em seu eterno sonho. Não vejo diferenças de uma pessoa presa a algum videogame com uma outra presa à ideia da revolução. Ambas ignoram o aqui e o agora. Porque o ato de pensar em seu mundo virtual bem como em seu mundo mais justo que algum dia chegará mantém a cabeça ocupada, e no segundo caso, os “revolucionários”, cura-os do profundo sentimento de culpabilidade. Para muitos esta afirmação que aqui faço será incômoda, alarmante e indignante. Responderão eufóricos que ao contrário daqueles que se mantém dentro da realidade virtual, eles como revolucionários realmente analisam a realidade e enfrentam-na. Será isso verdade? Quão real será seu enfrentamento contra a realidade se em suas redes sociais ante os olhos de todos difundem o que fazem sem medo de serem presos? Um enfrentamento “real” contra a realidade dá possibilidades de expressar seus posicionamentos aos quatro cantos? Alguns até mesmo se põem a encher a cara enquanto permanecem “de pé em luta”. Que engraçada é a forma de enfrentar a realidade destes “revolucionários”. Nós eco-extremistas sabemos que estamos diante de um risco constante, que nossas palavras e ações são incômodas para cidadãos e autoridades. Sabemos que as forças de segurança que operam nos distintos territórios onde atentam os selvagens eco-extremistas estão atrás de nós, é por isso que nós seguimos sempre despertos, por isso que rejeitamos tudo aquilo que distorça nossa realidade, porque a aceitamos e a enfrentamos por mais deprimente que seja, é por isso que vários individualistas se propuseram a difundir seus conhecimentos sobre como sobreviver dentro da civilização. Seguimos nos mantendo fora das grades, seguimos conspirando dentro de suas urbes.

Romper com a ilusão revolucionária não é fácil, mas enquanto se vive nela se ignora a realidade presente, tudo se torna tão utópico que se esquece do agora. A revolução que promulgam jamais chegará, o humano perdeu sua condição natural e se transformou em um robô que trabalha à serviço do progresso destruidor da Natureza. Quando será que esses jovens se darão conta da ilusão em que vivem? Eu não sei, talvez seguirão toda a vida perseguindo o fantasma da revolução, porque não é nada mais que isso: uma ideia morta.

Falei daqueles acorrentados tanto ao mundo virtual como dos que se encontram arrastando as correntes do anseio. Ambos desprezíveis para mim, ambos buscando falsas saídas para a realidade existente. Outros, os que há de monte em todas as cidades, tem caído na hipocrisia de falar de posturas antagônicas à realidade com uma garrafa na mão e seu corpo infestado de substâncias psicotrópicas. Abundam, há em todas as partes, suas razões? Muitas: para escapar das dores da vida, para agigantar a felicidade, felicidade que como já disseram em diversos comunicados eco-extremistas, é totalmente falsa. Em sua condição total de hiper-civilizados, não são capazes de levar a cabo convivência alguma a não ser por meio de uma substância que altere sua percepção da realidade, uma fuga nauseante e falsa onde apenas perpetuam os modos de “diversão” que impõe a civilização. Tristes são aqueles que tentam sanar suas dores sedando-se desenfreadamente. Parece que a hidra tecno-industrial fala e de sua boca sangrando sai as palavras que ordena a seu escravo: se está triste, drogue-se! Se deseja estar feliz, drogue-se! A toda dor ou a todo desejo insaciável de diversão a civilização oferece uma grande quantidade de substâncias psicotrópicas. O triunfo total: se você quer ser rebelde, igualmente drogue-se, e com isso o feroz guerreiro que poderia se lançar a uma guerra contra a realidade terminará transformado em um escravo dócil. A hidra rindo pronuncia sua sentença: a civilização triunfou, o guerreiro já está sedado! Não há “liberdade” alguma em uma vida cíclica. Muitos ignorantes catalogarão estas palavras de moralismo, mas cairiam em um erro pensar que como eco-extremista rejeito essas substâncias por considerar que é “mal” ingeri-las. Tentarão justificar de milhões de formas, justificando suas cadeias. Estas palavras não são uma questão de moral, já que me posiciono como um ser amoral. Estas palavras nascem de um desprezo, um desprezo à vida cíclica, às substâncias e às práticas que levam a essa vida. Se sentem tão vivos quando estão tão mortos, tão dependentes de uma substância ou de uma prática que sem isso o viver se tornaria algo impossível. Não é questão de moral nem muito menos que nos espantemos e cataloguemos essas práticas como “más”, é mero desprezo a suas atividades “libertadoras” que mais são um atalho à vida cíclica. No momento, até aqui chegarão estas palavras, haverá mais tempo para ir mais a fundo na crítica à vida cíclica e as distintas formas que ela se apresenta.

Adiante críticos terroristas!

Longa vida à guerra amoral eco-extremista!

Morte à vida cíclica dos hiper-civilizados!

Huehuecoyotl

Outono de 2016

A Ovelha Negra e o Lobo

Tradução de um texto extraído do trabalho editorial espanhol Contos do Lado Negro.

Na história várias questões são tratadas, incluindo predominantemente críticas às posturas de alguns anarquistas que acreditam ser rebeldes, mas que permanecem sendo parte do rebanho. Trata sobre individualismo, Natureza Selvagem, etc…

Libertária era uma jovem ovelha negra, mas, ao contrário das outras ovelhas do rebanho, ela havia nascido de cor negra. E a cor era apenas uma de suas peculiaridades. Seu caráter também se diferenciava do caráter das ovelhas brancas. Não era tão dócil como suas companheiras. Não abaixava a cabeça e se apertava contra as demais na hora do descanso. Ela preferia ir dar caminhadas nas proximidades em vez de ficar sonolenta. E na hora de se deslocar com o rebanho ela saía à frente, já outras vezes caminhava devagarzinho ou até mesmo saía fora da trilha, fazendo com que o pastor e os cachorros se irritassem e tivessem sempre que estar correndo atrás dela para devolvê-la ao grupo. E ao retornar para o rebanho quando anoitecia ela sempre era a última a chegar e se fazia a durona vindo com má vontade, de tal modo que o pastor costumava ter de ameaçá-la a gritos brandindo por um porrete e fazendo Libertária entrar à base de empurrões e pontapés. Às vezes, se contorcia contra o pastor ou os cachorros e os ameaçava de dar-lhes uma cabeçada. Ela inclusive já havia feito isso uma vez. Outras vezes quando o pastor ficava desatento Libertária cagava e mijava encima do seu cobertor e da sua mochila, pensava sobre as coisas, e tratava de explicar às outras ovelhas que era uma injustiça o pastor não tratá-las bem como os outros animais; não acariciá-las como fazia com os cachorros, não dar a elas outra coisa para comer além de ervas que encontravam no campo ao contrário do que fazia o pastor com o gado bovino que recebia feno e cevada, não levá-las para passear ao povoado como era feito com o burro… e ao ouvi-la as outras ovelhas deixavam de pastar por um momento, levantavam a cabeça, olhavam inexpressivamente para ela e logo após voltavam a pastar, assim como faziam quando durante uma tempestade o monótono som da chuva era interrompido por um trovão distante.

Devido a todas estas características tão atípicas em uma ovelha, Libertária via a si mesma como uma rebelde e se sentia afortunada porque pensava que ela havia se libertado dos preconceitos que as demais ovelhas não podiam ver. Pensava ela ser totalmente livre.

E assim foi até que um dia quando o rebanho estava nas pastagens de verão nas terras finais de julho, Libertária, que estava andando por aí como era de costume, deu de cara com um estranho animal que estava deitado na extremidade de um grande carvalho. No começo ela o identificou como um cachorro, pois seu aspecto era como tal, e tranquilamente logo trocaram saudações entre si.

– Olá!

– E aí!

– Você está vigiando algum rebanho aqui pelos arredores? – perguntou Libertária.

– No momento não. A propósito, ovelha, você não acha que está um pouco longe do seu rebanho? Poderia se perder.

– Não pense assim – disse a ovelha se gabando – eu não sou uma ovelha convencional, sou uma ovelha negra, ando por aí livremente.

Ao ouvir isso o desconhecido soltou uma gargalhada que deixou à mostra uma boca cheia de dentes afiados e dois pares de presas. Libertária ao vê-los se assustou e, de repente, se deu conta de que aquele animal parecido com um cachorro era o que as ovelhas mais velhas e os cães do pastor chamavam de “lobo”. Ela ia sair correndo quando o lobo lhe disse com um sorriso:

– Não fuja, eu não vou te machucar, acabo de comer uma igual a você agorinha do outro lado das montanhas. Não tenho fome pelo momento.

Gostei de ti e por isso vou te ensinar algumas coisas sobre você mesma que você não sabe.

Libertária ao ver que o lobo não se movia e que realmente parecia não ter a intenção de atacá-la, relaxou um pouco e expressou interesse.

– O que você pode me ensinar que eu não saiba? – lhe contestou.

– Sou um lobo velho, não se esqueça, e se tem algo que eu sei bastante é de ovelhas, porque matei e devorei muitas em toda a minha vida.

– Certo, mas eu não sou uma ovelha normal, sou uma ovelha negra.

– Negra ou branca, não importa, no fundo ainda segue sendo ovelha. Você se orgulha de ser independente, livre… mas não é capaz de ficar muito longe do rebanho, de abandoná-lo realmente, estou errado? Você já passou algum tempo do rebanho apenas com você? Você ao menos tentou? Por que não? Nem sequer passou pela sua cabeça – olhava a Libertária com seus olhos puxados de lobo e um olhar severo, e ela se calava e abaixava o olhar em um silêncio mais do que eloquente.

– Para você é suficiente passear na hora do descanso, mas claro, sem perder as demais ovelhas nem o pastor e seus cachorros de vista, acha suficiente sair da trilha quando o rebanho se movimenta, mas sem nunca deixar de acabar indo a onde vão todas as demais ovelhas. E, em geral, você só faz isso para gerar um pouco mais de confusão e para dar trabalho aos cães e a seu mestre. Com isso você se acha livre e rebelde, mas na realidade, segue sendo escrava, segue formando parte deste rebanho cujo não pode nem quer escapar, segue sendo ovelha, rara e negra, mas ovelha no fim das contas.

Você não é nem um muflão, nem um veado, nem um cervo, nem um javali, nem uma cabra da montanha, nem uma raposa, nem um urso, nem qualquer um dos outros animais selvagens que habitam estas montanhas e que são realmente livres. Nós desprezamos os cuidados e o afeto dos mestres e a comodidade de uma vida de escravos e prisioneiros, e o que realmente apreciamos é a vida livre e selvagem que temos aqui.

Já você, no entanto, não sabe nem pode saber o que é a liberdade, e se inveja da alimentação que o teu mestre dá a suas vacas e das carícias e o apreço que dá a seus cães, porque você é tão escrava quanto eles, e sempre será, porque não é mais que uma ovelha que não quer deixar de ser ovelha e crê que é o suficiente ser negra.

Você tem de saber que, se o pastor ainda não se desfez de ti e suporta tuas extravagâncias é porque você é útil para ele. Os rebanhos de ovelhas negras e brancas são mais resistentes a doenças do que os rebanhos compostos apenas por ovelhas brancas. Este último, com o tempo, tende a se degenerar e posteriormente se extinguir. Na verdade, no outro lado das montanhas, onde a pecuária está muito mais avançada do que aqui, os rebanhos estão compostos em sua maioria por ovelhas negras e cinza porque a mescla de ovelhas de distintas cores para escurecer a pelagem de seus descendentes garante a saúde futura, a resistência e a produção do rebanho, apesar de ser menos fácil de se manejar.

E agora, volte para teus semelhantes antes que eu tenha fome novamente e me arrependa de não haver te degolado.

E Libertária de cabeça baixa retornou ao rebanho. E seguiu sendo negra, é claro; e tampouco deixou de atuar de forma excêntrica de vez em quando (ao fim das contas era uma ovelha negra e não poderia deixar de ser um pouco peculiar), mas nunca se esqueceu da verdade das palavras do lobo: as ovelhas negras seguem sem ser mais que meras ovelhas, membros do rebanho.

E=mc2

Eu e Depois Eu

Tradução de um relato de um individualista em guerra contra a civilização. Nele se fala de coletivismo, drogas, terrorismo e Natureza Selvagem. É assinado por alguém das Individualidades Antissociais Pela Queda da Civilização.

Afastei-me do rebanho, escapei de falsas amizades, de relações hipócritas de companheirismo. Cansei-me das reuniões de convivência do modo correto e normal que impõe a civilização, convivências baseadas no consumo de álcool, drogas, conversas decadentes e repetitivas, apenas para quê? Simples… Para continuar com uma relação vazia. Como individualista com tendências eco-extremistas declaro-me inimigo de qualquer droga (legal ou ilegal) que domestique meus instintos selvagens e violentos. Devo estar atento e preparado para qualquer coisa, a vida é caótica e uma vida imersa no ataque a esta civilização tecno-industrial é ainda mais caótica.

Lanço-me a uma guerra contra o meu eu, o eu de alguns anos atrás, aquele que ainda acreditava na farsa da esperança revolucionária, que depositava seu esforço físico e psicológico no despertar do povo, cansei-me de esperar a revolução, abandonei esta ideia que agora me causa náuseas. As palavras revolucionárias apenas servem para encher a boca de esquerdistas ou de algum outro anarquista faminto de atenção. Quando falo de revolução não apenas me refiro a proposta por comunistas ou anarquistas que buscam a expropriação das fábricas, das coletividades, o assembleísmo etc., também refiro-me a ideia ilusória do primitivismo. Neste ponto da história isso é apenas um sonho, algo tão utópico. Estamos em uma civilização dependente das tecnologias até mesmo para a mínima ação onde os instintos selvagens desapareceram quase por completo. Para esta civilização alheia a natureza é impossível obter esta regressão às mais primitivas formas de vida. Quando as novas tendências são o altruísmo, o apoio mútuo, o humanismo, eu cada vez me afasto do humano. Seu altruísmo hipócrita que apenas se baseia em buscar a aceitação da sociedade na qual vive “o altruísta” ou na forma mais repugnante; o altruísmo por troca de “likes”, são o pão de cada dia neste terreno. O domínio total triunfou, adolescentes destruindo seus corpos a cada dia com dezenas de vícios, com aspirações tão decadentes como ter o melhor celular, o melhor carro, o par com o melhor físico. Este é o grande progresso humano?

Amargurado? Pessimista? Sim! Impossível ser feliz neste mundo cinzento que asfixia, que mata desenfreadamente a Natureza Selvagem. “Que siga o extermínio do natural!”, gritam ferozmente os hiper-civilizados agitando a bandeira do progresso com cada uma de suas nefastas ações.

Eu e depois eu!, grito tentando acabar com minha domesticação rompendo laços de relacionamentos inúteis, lançando-me a uma guerra contra a civilização e seus escravos, contra seu coletivismo, seu altruísmo e humanismo. Morte às relações baseadas na hipocrisia, vida longa para as afinidades sinceras. Meus afins que acompanham-me nesta guerra já perdida sabem; para mim sempre será eu antes deles, e vice-versa: seus eus antes do meu eu. Assim continuaremos porque somos indivíduos amorais e egoístas.

Opinião breve de Individualidades Antissociais Pela Queda da Civilização:

Nos enteramos que na madrugada de quarta-feira, 10 de agosto, algum grupo ou indivíduo colocou um artefato incendiário na sede do Partido Revolucionário Institucional (PRI) localizado em Torreón, Coahuila. Para ser honesto, ficamos surpresos com o dito ato, já que esta cidade é um ninho de hiper-civilizados e fábrica de dominação e artificialidade, onde não são comuns os atentados desta índole.

Também na mesma quarta-feira um guarda de um carro-forte foi assassinato a tiros após uma assalto. Esse ato foi realizado pela delinquêncoa comum e de igual maneira incentivamos esses tipos de atos terroristas que implantam o pânico e a tensão na sociedade. Um ser que se preocupa mais com o dinheiro (em muitos casos, alheio) que sua própria vida, apenas merece morrer.

Pela defesa extrema da Natureza Selvagem!

Adiante pessimistas e niilistas terroristas, eco-extremistas e anarquistas anti-civilização!

Pelo ataque indiscriminado e seletivo!

Manter viva a crítica e a ação contra a civilização tecno-industrial!

Com a Natureza do nosso lado!

-Algum individualista –

-Individualidades Antissociais Pela Queda da Civilização-

Torreón, verão de 2016

Halputta

Tradução do texto do autor Bowlegs que aborda o “ataque indiscriminado” defendido pelos eco-extremistas. O contexto deste escrito é o ataque de um caiman contra uma criança de 2 anos na Disney, em 2016.

O caiman é um caçador noturno. Durante o dia, na maioria das vezes ele é visto com apenas a cabeça acima da água, descansando. Mas quando o sol se põe, ele começa a caçar. Caça indiscriminadamente, quase como uma “máquina”, dirão alguns tolos. Mas estão errados, as mandíbulas podem facilmente quebrar uma perna, ou um braço ou algo mais. Sua cauda se move rapidamente na água à procura de presas, suas poderosas garras se movem na terra, tudo isso é a força da Natureza. Caso percebe algo se movendo na costa, o espreita, o ataca, o morde, o leva abruptamente para a água, o afoga, e, finalmente, o devora. Sem se importar com o que seja. Talvez, se percebe que não é algo tão saboroso, o deixa, mas sempre ataca primeiro, morde primeiro, e então decide se consumirá ou não. O caiman faz o que caimans fazem, não pode fazer nada a mais. Todo o raciocínio do mundo não pode mudá-lo.

As aldeias que se formaram em torno das águas dos caimans sabiam muito bem como eram. Os reverenciavam, como um dos donos das águas. Os hiper-civilizados, com sua arrogância e sua ignorância, anseiam que a Natureza se curve à sua vontade. Mas são descuidados, se sentem seguros, e a Natureza outra vez ataca.

Isso ocorreu no “Reino Mágico”, no que hoje é conhecido como o estado da Flórida, nos Estados Unidos. Uma família de Nebraska, estado do interior e sem litoral, pensava em deixar seu bebê de 2 anos brincar na margem de um lago próximo a seu hotel, em torno das 21 horas. Claro, os caimans estavam caçando, e o bebê se converteu em uma presa. O pai viu o caiman agarrar o seu filho, lutou com ele, mas nada pode fazer. O caiman levou o menino, mas não o comeu. O deixou na água, afogado e morto, uma tragédia para a família jovem do interior que estava de férias na Disneylândia com o seu bebê. Os civilizados, por pura vingança travestida de “segurança” mataram o caiman, depois outro e outro, procurando o culpado, o criminoso, o animal delinquente que se atreveu a seguir com sua natureza feroz, aconteça o que acontecer. Ainda não estão seguros se pegaram o malfeitor.

Cada selvagem nestas terras sabe que não se deve estar próximo a margem a esta hora da noite, pois é o momento de se respeitar a hora do caiman, da puma, do urso, das serpentes, e outros animais que são manifestação da força e esplendor da Natureza, a Vida e a Morte. Todo o Selvagem. Mas a família “inocente” não, a família “inocente” pensava que seu filho estava em uma “banheira”, brincando em sua casa com seus bonecos. Foi um momento de alegria e relaxamento que se converteu na vingança pela escravidão da Natureza. Assim, o pai pagou o preço mais alto:

“No meio da noite, Deus matou a todos os primogênitos da Terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que se assenta sobre o seu trono, até o primogênito do prisioneiro na cadeia…”

O eco-extremista é uma manifestação da Natureza, não tão perfeito como o caiman, é claro. É um ser rejeitado, um produto defeituoso e mal feito da sociedade tecno-industrial. Por isso não respeita suas leis, seu horário, sua ordem. Ataca como o caiman e depois se esconde na escuridão das podres urbes como um caiman se esconde na água pantanosa, sempre observando. E acima de tudo, é indiscriminado. Quando lhe aparece a presa, já era, não há remédio. Não é que não tenha “livre arbítrio”, o que francamente é uma piada. A civilização não nos dá escolha, é uma questão que ou você aceita completamente ou te classificam como um delinquente, um criminoso, um perverso. Bem, o eco-extremismo rejeita a falsa escolha do sistema tecno-industrial. A única escolha que será oferecida é o ataque, o fogo, a morte, até mesmo de “inocentes”.

Que os hiper-civilizados, até mesmo os mais progressistas ou também os “anti-autoritários”, morram de asco pensando nos atos indiscriminados dos eco-extremistas. Como os caimans, não é possível mudá-los. É uma questão de caçar ou ser presa, às vezes acontece de você ser uma, outras vezes não.

Ânimo, sempre foi assim.

Boa sorte.

-Bowlegs

kvco-hvse (junho), ano do crucificado, 2016.

O Espírito do Mundo

Trudução do escrito The World Spirit, de Shaughnessy.

Montanha, pico, beleza, himalaia, nuvens, sol, divindade, deuses, deus, luz, foto,

O Espírito do Mundo

O espírito antigo do mundo não é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó

É o silencioso esplendor do sol dourado

E a violência dos céus naquelas velhas tempestades sobre as colinas onduladas

É o jovem crescimento da primavera, um festejo para o cervo do inverno

E as ensanguentadas mandíbulas do lobo feroz

Formoso e selvagem

A glória divina do mundo, o fluxo de seu poder sublime

 

Carta de Uma Anarquista Decepcionada

Esta é a tradução de uma carta enviada por uma anônima ao blog Maldición Eco-extremista. Nela há a reflexão sobre o sentimento de frustração que muitos anarquistas tem com seus costumes políticos, e como o eco-extremismo é a faca que hoje corta o humanismo destas ideologias do passado.

Olá, Individualista.

Várias pessoas se impressionam com as maneiras sofisticadas com as quais tu se comunica e transmite os teus pensamentos, sem uma gota de hipocrisia moral.

As letras que tu consegue por no papel –já há quase 5 anos– abriram a minha consciência para o conceito real de liberdade. É por isso que sou profundamente e sinceramente agradecida.

Minha mente, na distância e na proximidade, sabe saborear apenas uma só luta. Uma luta que busca derrotar a civilização, a enorme prisão do gênero humano com todos os seus aspectos já tão manuseados: educação, gênero, tecnologia, prisão e fábricas. Essa tem sido a minha luta por muitas luas. Se ela não for derrotada, o que nunca acontecerá, eu gostaria de daná-la profundamente.

Mas como se pode conceber laços capazes de unir o pensamento-ação anticivilização, com a prisão, a Máfia, os niilistas terroristas, com a realidade das diferenças de gênero? Existe realmente um espaço para que a ação furiosa dos espíritos femininos possam finalmente ser uma realidade?

Individualista, eu li uma vez e outra o que escreveste e, em tuas palavras não apenas percebo uma crítica à FAI, mas também –algo, talvez um pouco– gratidão. Eles se levantaram em seu momento com o ataque indiscriminado e amoral. Eu fui inspirada por estas sensações de cumplicidade, as mesmas que sinto agora com a Máfia.

No meio de toda esta merda, Individualista, sinto que temos algo em comum. Eu vejo que nós crescemos do mesmo substrato.

Quanto se perdeu em palavras inúteis, pensamentos indefinidos e nada concretos!

A querida e mudada FAI. Era algo tão diferente se olharmos o que ela se tornou. Por quê vemos uma ação real? Por que estamos todos tão cheios de vento? Críticas, ideais, moral, grandes palavras e intermináveis discursos. Onde está a exaltante violência que carrega dentro de si o gesto do assalto? Claudia López tantas vezes lembrada por morrer combatendo e tantas mais esquecida em slogans estéreis? Talvez perderam o gosto excitante de se lançar à garganta do inimigo?

O comunicado número 26 me fez pensar e pensar. Um prazer e culpa ao mesmo tempo, ler sobre o ataque à Teleton no México e ao escritório de direitos humanos.

Fiquei impactada ao ver o que fez RS em seus tempos.

Por aqui odiamos tanto a Teleton… Mas nós nunca faríamos algo assim, exceto com aqueles que –pessimamente– colocam advogados as manas e manos na prisão.

Mas nasce em mim a força que faz parir o seguinte: a guerra contra a civilização é total… E o ódio é total!

Sinto que nós, anarquistas decepcionados, estamos diante de um paradoxo… Uma contradição entre o que dizemos e fazemos, entre o que escrevemos e somos… Há pessoas que já começaram a perceber tal coisa e chegou a hora de acabar com tudo isso. É o fim dos tempos daqueles que sabem apenas reclamar e estar em desacordo. É o fim das ovelhas negras e sua mutação para uma matilha de lobos.

Toda vez que converso com ex-afins, eles não sabem, mas cada vez mais um mar de distância nos separa. Sinto que a anarquia morreu e eles sequer se deram conta disso. A anarquia é prisioneira de seus próprios prisioneiros. A triste e grande prisão da ideologia fracassada e moribunda das ovelhas negras do rebanho humanista e civilizado.

É uma exaustão constante ter de conter o ódio e a raiva. Mas ali eles devem permanecer, escondidos da vista de familiares e amigos, ocultos diante da podre sociedade. Já não posso mais com esse ódio… Apenas agir selvagemente e sem alma, sem moldes antropocêntricos e com a vingativa violência. Então assim te quero ver, Individualista, vivendo apenas com o instinto livre e incontrolável, imprevisível e funesto. Ser uma loba sedenta de sangue, mas inteligente e com estratégia. Se eu devo me passar como branca no rebanho, que assim seja porque a Terra saberá, compreenderá que é a melhor forma de vingá-la.

[VÍDEO] ¿Cómo No?

¿Cómo No? é um vídeo publicado na web que compila um punhado de danos provocados pela civilização e o ser humano moderno à natureza selvagem. O texto adjunto ao vídeo foi também extraído da web.

Como não odiar as petroleiras? Como não desejar a sua destruição? Como não sentir raiva diante dos atentados contra a Terra? Como não querer atacar a desprezível mineração? Como não sentir asco pela devastação nuclear? Como não amaldiçoar a sua prática? Como não rechaçar o cristianismo? Como não continuar com a Guerra Ancestral? Como não clamar por vingança? Como não querer ver mortos os religiosos? Como não incendiar seus malditos templos e suas putas imagens? Como esquecer o que fez o invasor? JAMAIS! Como não vomitar com as inovações tecnológicas? Como não odiar a alienação moderna? Como não ver a loucura civilizada nisso tudo? Como não querer esfaquear a todos os híper-civilizados? Robôs miseráveis! Como não sentir asco dos estereótipos?

O ser humano moderno é um lixo, não tem salvação nem solução alguma. Está destinado a sua lenta artificialização. O ser humano moderno esqueceu que é um animal… Foi seduzido pela não-violência progressista. Os eco-extremistas reconhecem que são animais domésticos ainda com instintos assassinos, como todos os exemplos no vídeo.

[ES – PDF] Revista Ajajema: Contra el Progreso Humano Desde el Sur (Todas as Edições – All Editions)

A Revista Ajajema – Contra el Progreso Humano Desde el Sur é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Sul dedicada a estudar o eco-extremismo e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e o progresso.

Atualmente está em sua sexta edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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SEGUNDA EDIÇÃO

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TERCEIRA EDIÇÃO

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QUARTA EDIÇÃO

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QUINTA EDIÇÃO

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SEXTA EDIÇÃO

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SÉTIMA EDIÇÃO

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OITAVA EDIÇÃO

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[EN – PDF] Atassa: Readings in Eco-Extremism (Todas as Edições – All Editions)

Revista Atassa – Readings in Eco-Extremism é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Norte dedicada a estudar o eco-extremismo e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e o progresso.

Atualmente está em sua segunda edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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SEGUNDA EDIÇÃO

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As Bestas Devem Permanecer Unidas

Tradução de Beast must stick together, escrito por Ramon Elani.

—Para Bec

“Se os viajantes incansáveis não fossem em si a causa, então, como a fragrância e a cor da lótus no céu, não haveria percepção do universo”.
—Nagarjuna

A besta jovem disse à velha: Como posso viver neste mundo?

Este mundo dilacerado, quebrado.

A besta velha respondeu à jovem: Siga o teu alento. Fale com os espíritos nas poças.

Estas coisas acontecerão.

A besta jovem disse à velha: Tudo o que vejo é asqueroso e indescritivelmente feio.

Um mundo que é rasgado e eu igualmente rasgado dentro dele.

A besta velha respondeu à jovem: Vá a floresta, faça tortas e lenços.

Escuta as vozes da tempestade sobre as falésias.

A besta jovem disse à velha: Oh, velha bruxa! Busco o profundo poço nas florestas escuras.

Não consigo encontrá-lo.

A besta velha respondeu à jovem: Tu apenas o encontrarás nas profundezas escuras do silêncio.

O que tu procurarás que não poderás encontrar em teu interior?

A besta jovem disse à velha: Mas eu fervo em ira! Anseio sangue e vingança!

Os deuses deverão presenciar o terror que desatarei sobre este mundo maligno.

A besta velha respondeu à jovem: A menos que você faça um buraco em ti mesmo, não haverá lugar para que os deuses habitem em teu interior.

A besta jovem disse à velha: Meu coração é negro e não posso deixar a minha amargura.

Cuspo na paz e na gentileza do sono.

A besta velha respondeu à jovem: Quando estiver sozinha no gelo, cercada por demônios, haverá apenas a voz de tua verdadeira alma para guiar-te.

A besta jovem disse à velha: Tempestade antiga, me carregue na corrente, estou flutuando, atormentada pelos olhos sempre observadores da escuridão.

A besta velha respondeu à jovem: Olha para os cortes sobre meu peito, eu tirei a minha carne com cortes irregulares de uma faca esfoladora.

A besta jovem disse à velha: Te prepararei um festejo e uma reluzente carne vermelha que te dará água na boca.

A besta velha respondeu à jovem. Olha esta lança na qual eu me empalei.

Olha para as tranças de cabelo com as quais eu me estrangulei.

A besta jovem disse à velha: Te vi na casa escura que estava afogada em fumaça. Te vi caminhar com a lua.

A besta velha respondeu à jovem: Eu matei a meu irmão com suas escuras mãos aquela noite.

Eu matei a todos eles por seu silêncio.

A besta jovem disse à velha: O que viste caminhando entre as estrelas?

O que escutaste nos sussurros da neve?

A besta velha respondeu à jovem: O demônio azul se levanta das profundezas glaciais.

Ele infinca as suas afiadas garras nas entranhas do mundo.

A besta jovem disse à velha: Te afogarás em lágrimas? Um mar de óxido.

Despedaçado em fragmentos pelas ondas de ferro.

A besta velha respondeu à jovem: Submerja-te profundamente no abismo do oceano e não temas.

Depois de tudo, as bestas devem permanecer unidas.

ITS: uma das ameaças para a América Latina, segundo “Intercec Mag”

A Intercec, revista de segurança internacional que é responsável por publicar análises sobre ameaças para a segurança nacional, terrorismo e crime, publicou em outubro de 2016 o seguinte artigo intitulado Latin America Threatwatch: Terrorist groups and countries facing threat, onde expõe os países e os grupos que representam uma ameaça para a segurança tanto de suas fronteiras como fora delas.

O artigo menciona zonas como Venezuela, Colômbia, México, América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala).

Ademais, entre os grupos que para o analista representam uma ameaça estão as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ambos da Colômbia e o primeiro praticamente empurrado ao desarmamento; o Exército do Povo Paraguaio (EPP), e também Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Abaixo está traduzida a informação que nos interessa. Devemos destacar que o analista olha os atos de ITS desde o ângulo de sua profissão, e não a partir de outra perspectiva mais profunda. É também importante ressaltar que a capacidade de ataque do grupo eco-terrorista se elevou desde então, bem como se expandiu para outros países da Europa.

“Individualistas Tendendo ao Selvagem” é caracterizado como um grupo pan-latinoamericano onde seus militantes operam em grupos independentes. Surgido em agosto de 2011 o grupo defende uma corrente abertamente niilista, anticivilização e “eco-extremista”, chamando à destruição da propriedade, assassinato de cientistas e de qualquer indivíduo que apoie o que ITS vê como domínio da sociedade sobre a natureza, e justificam os danos, inclusive até mesmo a morte de espectadores inocentes. As proclamações e modos de ataque do grupo são inspirados, em parte, no Unabomber.

Embora originalmente estivesse ativo apenas no México, o grupo também reivindicou ataques no Chile e Argentina. Mais recentemente, no início de agosto, em uma publicação de um site afiliado a ITS, o grupo se atribuiu da responsabilidade de um artefato explosivo improvisado detonado em um centro comercial da capital do Brasil, Brasília, pouco antes do início dos Jogos Olímpicos.

A aparente expansão das operações de ITS para o Brasil após ter se estendido para a Argentina e Chile no início deste ano, marcou o maior aumento do alcance de sua “máfia”, em vez de qualquer mudança substancial de sua capacidade.

No caso dos outros países onde ITS opera, com exceção do México, as habilidades de fabricar suas bombas são limitadas, com operações típicas onde houve apenas poucos ataques de pequena escala com artefatos explosivos improvisados ou incendiários que, muitas vezes, falham em detonar adequadamente, salvo exceções. As vezes seus ataques consistem apenas no abandono de bombas falsas ao invés de deixarem explosivos viáveis.

A existência do grupo fez-se evidente em 9 de agosto de 2011 quando se atribuiu da responsabilidade de um ataque com pacote-bomba que feriu a dois professores do Instituto Tecnológico de Estudos Superiores de Monterrey, no Estado do México no dia seguinte. Em seu extenso comunicado reclamando sua responsabilidade, que foi publicado no blog Liberación Total, o grupo realizou críticas específicas consistentes com a investigação em nanotecnologia, citando preocupações sobre esta ciência contra o meio ambiente.

Nesse mesmo dia em que foi emitido o comunicado um segundo pacote-bomba foi desativado pela polícia no Instituto Politécnico Nacional (um artefato com livros), na Cidade do México. (…) Além destes atos, em outro comunicado o grupo se responsabilizou por outros dois pacotes-bombas a um professor em nanotecnologia da Universidade Politécnica do Valle do México, em Tultitlan, Estado do México, em abril e maio. O primeiro acabou ferindo um trabalhador que mexia com manutenção. (…)

[PT – PDF] Eco-extremistas: Sobrevivendo à civilização – Experiências da dupla vida eco-extremista

Eco-extremistas: Sobrevivendo à civilização – Experiências da dupla vida eco-extremista é uma publicação extraída da web, nela é possível entender mais sobre o método eco-extremista no que chamam de “vida dupla”.

Como forma de apresentação…

A guerra eco-extremista/niilista contra a civilização tecno-industrial está tendo uma expansão sem precedentes; clãs individualistas que atacam de maneira indiscriminada e/ou seletiva estão aparecendo na América e na Europa. Apesar das tentativas das forças da lei para capturar os guerreiros eco-extremistas… A tendência segue se expandindo sem freio com novas formas de ataque e com novas experiências para “se infiltrar” nas decadentes urbes da civilização.

Este trabalho é realizado pela vontade de vários eco-extremistas que aprenderam a se infiltrar na civilização, atacar e a escapar sem levantar suspeitas. O que menos desejamos é que este texto seja tomado como uma “Bíblia do Eco-extremista”, apenas expomos as lições obtidas através de nossas vivências e temos o sincero desejo de compartilhá-las a todos os individualistas que perpetuam atos criminais contra a civilização, e que estas lhes sirva para algo.

O chamado da Natureza ruge com força, as montanhas se quebram pelo horizonte cinzento da urbe, em nosso coração uivos ressoam. Decidimos nos armar, aprender com a Natureza Selvagem, adquirir experiências na fabricação de artefatos explosivos e incendiários para atacar a realidade artificial, e nos esconder e fingir para não levantarmos nenhuma suspeita. Se você, assim como nós, sente o chamado da Natureza Selvagem, se sente que esta civilização te asfixia….Arma-se!, e lembre-se: Na guerra contra a civilização TUDO é válido.

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[ES – EN – IT] (PDF) ¡MALDITOS!: Nuestra Respuesta Es Como El Terremoto… Tarde o Temprano Llega

¡MALDITOS!: Nuestra Respuesta Es Como El Terremoto… Tarde o Temprano Llega é uma publicação compartilhada na web que compreende a resposta do blog Maldición Eco-extremista às difamações e ataques por parte do espectro anárquico no ano de 2016. Publicação em espanhol, inglês e italiano.

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Delações em cadeia… Sim, claro, na Cidade do México!

Tradução da carta pública compartilhada na web pelo ex-anarquista Mario Lopez Tripa refletindo e fazendo duras críticas à “cena” anarquista mexicana.

Carta Pública de Mario Lopez Tripa

“O que se interponha em nosso caminho, derrotaremos”.

Antes de mais nada, uma enorme e cordial saudação.

Faz pouco mais de cinco anos e meio que acidentalmente me explodiu uma das bombas que eu portava. Felizmente era a bomba menos poderosa e que seria destinada aos escritórios do partido político PRD (a outra seria para uma das sedes do PRI. Naquele momento não me importava merda alguma qual partido político fosse, se tivesse existido o Morena igualmente eu teria atacado sua sede). Foi na noite de 26 de Junho do ano de 2012, apenas um dia depois do meu aniversário. Os policiais investigativos que me custodiavam no hospital diziam que o melhor presente que eu pude me dar foi o acidente.

A razão pela qual me explodiu a bomba, motivo que até agora havia sido um mistério e uma fofoca no interior do movimento anarquista e do espectro insurrecionalista que, segundo a vox populi, oscilava entre “ter feito uma bomba ruim ou sob pressão ou que a pessoa de nome Felicity Ryder e eu fazíamos competições sobre quem colocava mais bombas e por isso me explodiu (fofoca que até os dias de hoje circula nos círculos anarquistas do D.F., e que unicamente trouxe coisas prejudiciais a mim), que explodi a bomba intencionalmente, etc.”… não foi outro motivo a não ser o seguinte: que acionei a bomba em um lugar inadequado, ou seja, que a acionei próxima a um transformador elétrico, portanto, ao passar por debaixo deste o campo eletromagnético que emerge foi suficiente para esquentar o filamento da lâmpada de 1,5 volts e isso detonou a dinamite em pó. A segunda bomba não explodiu porque naquele momento eu ainda não havia conectado o interruptor-circuito. Mas este erro foi devido a uma distração que eu tive, uma distração que jamais perdoarei ou ignorarei.

Agora sim vocês podem dormir tranquilos, o dilema está resolvido, não há mais nada que dizer a respeito.

No entanto, esta carta não é apenas para esclarecer porque me explodiu a bomba, mas também para notificar a audiência de telespectadores anarquistas sobre uma situação que tem acontecido ao longo destes anos que tenho estado fora do alcance da justiça do Estado. Sem mais delongas, trata-se de uma delação, uma de muitas, usando o exemplo que irei expor para arrancar a reflexão ou a ação energética sobre aqueles que não precisam ser minimamente torturados para delatar a companheiros anarquistas ou fofocar sobre eles para assim colocá-los em um risco latente.

Há duas coisas que discutirei nesta carta, comunicado público, choro ou o que você quiser chamar. Desculpe se parecerei arrogante, duro ou agressivo, mas literalmente estou cagando para o que pensa a respeito; estes qualificadores serão atribuídos dependendo de seu estado de humor, de seus sentimentos de inferioridade, de sua baixa auto-estima, de seus preconceitos, de sua ideologia de merda ou de sua maneira de ver as coisas que irei expor, de sua perspectiva ou sua crítica concentrada. O que passará é que pouparei conversa fiada e irei direto ao assunto.

Delações em Cadeia

Bem, já faz mais de um ano que um indivíduo anarquista que durante os últimos anos da época dos anos 90’s até a metade do ano 2000 esteve preso por causa de um “crime comum”, em um par de assembleias abertas (pelo que eu sei, realizadas no interior da Biblioteca Social Reconstruid), afirmou que a Cruz Negra do Distrito Federal disse que “os compas que estavam em fuga (referindo-se a Chivo e a mim) estávamos apenas passeando de (disse o lugar) a (disse o outro lugar) com o dinheiro que nos era dado em apoio, para que com isso pagássemos nossas viagenzinhas do México a países da América Central, ida e volta.

Antes de mais nada quero deixar claro que NÃO me consta que a CNA emitiu tal afirmação delatora, mas SIM me consta que estas palavras saíram da boca deste indivíduo que é amigo e companheiro da CNA-DF e me consta não por uma, mas por várias versões de diversas pessoas que nem se conheciam entre si, mas que estavam presentes naquelas assembleias abertas. E eu sei disso porque o conheço e sei que tipo de pessoa ele é.

Antes disso, tenho algumas coisas a dizer, sempre assumindo o risco existente ao fazer este tipo de esclarecimento de maneira pública. Embora no fim das contas um companheiro preso ou em fuga tenha que dizer coisas que de alguma maneira possam prejudicar nem sempre é sua culpa como muitos querem ver, mas é uma responsabilidade coletiva que cabe ao movimento anarquista, já que graças a alguns bocudos, muitos compas se sentem e nos sentimos pressionados a emitir tais respostas -especialmente quando os que compõem o “movimento” anarquista e pior, o espectro insurrecionalista, não fazem nada em relação a este tipo de infâmias e este tipo de indivíduos. A maioria dos insurrecionalistas passam o tempo escrevendo slogans em seus comunicados pomposos e realizando ações para não perder seus postos na cena-espetáculo, mas quando se trata de usar armas para dar uma lição nos delatores e faladores ninguém faz nada, ninguém faz nada pelo simples fato de que todos são uns acomodados, de que lhes importa muito suas imagens, status, a imagem de seus grupos anarco-punks de música revolucionária e coisas do tipo. Então, onde fica a chamada Solidariedade Revolucionária da qual tanto falam os insurrecionalistas? A Solidariedade Revolucionária se reduz unicamente a comunicados, explosões de bombas e expropriações ou ações chamativas para tornar visível o micro-mundinho irreal anarquista?

Aqui está o que tenho que dizer:

Primeiro. Dinheiro de quem que andamos gastando? De seus amigos da CNA-DF que te protegem? Quando diabos você me deu algum dinheiro para que eu colocasse algum alimento em minha boca? Você sabe o que disse? Se tinha essa dúvida, porque você nunca me enviou uma carta pessoal, covarde de merda!!!!!??? Covarde de merda que nunca disse nada na minha cara e fica falando merda de mim quando sabe que não me é tão fácil te colocar no seu lugar? Por que quando soube que eu sabia ao invés de botar a cara você foi para Guadalajara fingindo estar em Tijuana e vice-versa e com certeza seus guarda-costas te ajudaram a ir aos EUA. Saiu correndo com medo de quê? Além do mais, por muito tempo eu (não sei o Chivo) não recebi nada do movimento anarquista a não ser pura merda, muito menos dinheiro.

Segundo. Este tipo de papinho só põem em perigo os compas em fuga ou na prisão, porque independente do que seja verdade ou não, as informações passadas sempre criam uma reação de delação em cadeia, já que uns falam e outros reproduzem, mas no final tudo se deforma e cai em informações que podem unicamente ajudar a polícia a localizar os companheiros em fuga ou engordar os registros e investigações contra companheiros na prisão.

Não satisfeito em dizer estas coisas sobre nós dois (sobre Chivo e eu) este cara fala sobre alguns indivíduos que no passado, isto é, na minha vida “legal”, foram meus companheiros de luta (entendendo isso como uma diversidade de maneiras de intervir) e vida. Este cara os acusa de “pegar dinheiro do grupo (xs compas) para nossas viagenzinhas”. Esquecendo que a fuga é sempre um movimento constante -mesmo que seja para ir às compras em Chiapas para depois vender algumas roupas usadas- Tais declarações obviamente colocam em risco aqueles indivíduos que desde que eu parti nunca mais voltei a vê-los e muito menos soube deles. Os põem em risco uma vez que essas falações e “indiretas” podem produzir uma investigação contra estas pessoas por obstrução de justiça, uma investigação que, embora parta de uma investigação própria do Estado, eles a poderiam assumir como uma consequência da luta, mas uma investigação assim não poderia ser assumida como tal quando esta tem como raiz a jactância de um indivíduo que quer se destacar entre os demais jovens e impressionar as garotas.

O que fazer com indivíduos como o deste caso? Como lidar com eles ou fazê-los refletir? Teremos que retornar aos velhos códigos revolucionários ou a reflexão é suficiente?

Felizmente, hoje, tenho ânimo apenas para descrever esta situação, no entanto, há muitas, mas muitas situações e muitos indivíduos e indivíduas que ao longo destes anos, desde que me explodiu a bomba e desde que eu fugi, não fizeram mais nada a não ser falar coisas que colocaram eu e a outras pessoas em risco, não fizeram nada além de inventar fofocas, falar merda…. mas não me desanimo muito porque a cada problema uma solução e pouco a pouco as coisas vão brotando.

Por último uma anedota, espero que lembrem-se

Poucos dias antes de eu partir de minha cidade encontrei a uma de minhas advogadas (neste momento eu ainda estava em uma situação “legal”, isto é, não estava em fuga da justiça do Estado, esclareço!!!). Ela me disse que dias antes foi ao Tribunal Federal (que ordenou minha segunda prisão no dia 20 de Janeiro de 2014) para solicitar uma prorrogação de mais alguns dias para que eu comparecesse para assinar. Durante essa visita, a juíza, além de cordialmente me convidar a comparecer por vontade própria disse-lhe que eu já estava bem fodido (ela utilizou esta palavra) já que após a minha detenção duas mulheres de nacionalidade espanhola tinham ido falar com ela e haviam dito tudo sobre mim, haviam falado tudo (eu realmente não sei o que é “tudo”) e tinha me “afundado”. Em um primeiro momento nós duvidamos já que esta “info” vinha de uma servidora do Estado. Posteriormente, na paranoia, pensamos que foram as compas Amellie e Fallon que no meio do que aconteceu, que foi muito forte, disseram coisas (que na verdade eu não sei o que poderiam realmente dizer), mas, finalmente, depois de dar muitas voltas sobre o assunto, buscar informações, analisar, recordar, comunicarmo-nos com estas compas e pedir-lhes honestidade, mas acima de tudo, ver as coisas com claridade após o que me sucedeu desde que fugi e a merda que por três anos certas pessoas fizeram da minha vida em fuga, fomos certeiros e hoje posso afirmar com toda certeza que não há mais a menor dúvida de quem foram essas caguetas, de quem se trataram, quem queria que eu me fodesse… quero dizer, no caso de que a senhora juíza não estivesse mentindo para minha advogada, bem… no fim das contas qual é a diferença na hora de tentar descobrir quem está mentindo, se é um juiz ou um anarquista?

Tomem esta anedota como um prelúdio para minha próxima carta na qual farei uma humilde reflexão individual sobre minha militância, mas acima de tudo, uma crítica da luta anarquista insurrecional na intensa época em que vivi.

“Quando a neve cai e os ventos brancos sopram o lobo solitário morre, mas a manada sobrevive”

Atenciosamente:

Mario Lopez “Tripa”.

Desde algum lugar neste mundo doente. Misantropia e natureza para sempre!

10 de Fevereiro do ano de 2018

Tocaia

Poema Tocaia pertencente à Revista Anhangá 2.

Tocaia

De Tocaia, silenciosos como a Lambú por entre os galhos;

De Tocaia, observadores como o Jacurutu estático;

De Tocaia, caçadores como a Sussuarana pronta para o ataque;

De Tocaia, contundentes como a Sucuri finalizando o abate;

De Tocaia, pacientes desde o alto como o Carcará;

De Tocaia, distantes como o Gavião-Pombo pairando no ar;

De Tocaia, escondidos em grutas como os Morcegos;

De Tocaia, vagantes das Chapadas como os Cervos;

De Tocaia, farejando a presa como o Teiú pela vegetação rasteira;

De Tocaia, subestimados, mas homicidas como o Tamanduá-Bandeira;

De Tocaia, entocados por aí como o Tatu em seu abrigo;

De Tocaia, agouros do Terror como o chocalho da Cascavél anunciando o perigo;

De Tocaia, inesperados como a Jararaca atacando;

De Tocaia, estratégicos como a Jaguatirica se rastejando;

De Tocaia, atentos como a Pega de olho na ameaça;

De Tocaia, sempre despertos como a Paca;

De Tocaia, ariscos como a Raposa em sua trajetória;

De Tocaia, desde o Nada e Fatal como o ataque do Caipora;

De Tocaia, vigiando a tudo como o Tetéu;

De Tocaia, analisando a podridão como o Urubu desde os céus,

De Tocaia, preparados sempre como a Aranha-Armadeira;

De Tocaia, guerreando mortalmente como as Abelhas;

De Tocaia, destrutivos como uma manada de Catitu passando;

De Tocaia, ágeis como a Cutia se deslocando;

De Tocaia, cuidadosos como a Lebre por entre os campos;

De Tocaia, sedentos por sangue como a Piranha em um ataque relâmpago;

De Tocaia, caminhantes como o Aguaraçu mata à dentro;

De Tocaia, florescendo no submundo como sementes levadas ao Vento;

De Tocaia, ferozes como o Jaguar abocanhando o pescoço;

De Tocaia, ameaça noturna e implacável como o Lobo;

De Tocaia, assassinos como o Jacaré estraçalhando a carne;

De Tocaia, invisíveis como o Urutau por entre as árvores;

De Tocaia, certeiros como a Surucucu cravando suas presas;

De Tocaia, rasgando o humano como um Tubarão desde as profundezas;

De Tocaia, migratórios como a Andorinha em sua viagem;

De Tocaia, Indiscriminados como a Natureza Selvagem!

-Urucun

Não Somos Estudantes, Somos Criminosos

Tradução de No Somos Estudiantes, Somos criminales.

Estudar?..…

Para quê?

Eu não desejo me especializar em alguma profissão, não desejo ser uma futura peça da grande e moderna Sociedade Tecno-industrial.

Pelo conhecimento?

As instituições educacionais da Sociedade Tecno-industrial não tem como objetivo induzir o conhecimento a seus estudantes, nem a razão ou a verdade. Seu verdadeiro e único objetivo é induzir, continuar e melhorar um sutil e oculto complexo processo de Domesticação.

Quando criança nos é ensinado como funciona o Sistema, quando jovens é ensinado a como melhorá-lo (Esquerdismo), e por último, quando adultos, o Sistema é herdado, perpetuando assim esta forma anti-natural de viver.

Eu não desejo ter um diploma ou me especializar em alguma área específica. O conhecimento é tão diverso e extenso, e minha curiosidade também. É assim que irei aprender, quando o meu interesse cobiçar o conhecimento que eu desejo, e o aprenderei por mim mesmo, é claro, pois sou autodidata.

Eu estudo para amenizar a ignorância, estudo para conhecer, entender, questionar, criticar e tentar explicar a complexa realidade que me rodeia. Estudo para esclarecer, fortalecer, descartar, ampliar, criticar e verificar minhas próprias razões. E para realizar tudo isso eu não necessito me trancar em uma sala de aula, interagir com desconhecidos, moldar meu tempo a seus horários, aceitar suas formas e programas de ensino ou aceitar suas tarefas, provas e notas.

Estudo para aprender e conhecer e não por um estúpido cargo que me garantirá uma boa posição dentro desta sociedade doente.

O indivíduo livre não necessita que o obriguem a estudar, pois se o seu interesse é real ele mesmo dará consistência ao conhecimento desejado. O indivíduo anti-sistema cria e gere sua própria forma de viver, e também é capaz de gerir suas próprias formas de aprendizagem.

Para ser alguém na vida?

Antes de qualquer coisa, eu já sou alguém. Sou eu mesmo, o único. E a cada dia me descubro e me construo como indivíduo. Lástima por aqueles que se sentem um nada e anseiam ser alguém dentro desta Sociedade (uma futura peça do progresso da Sociedade Tecnológica).

Eu não desejo ser alguém dentro desta decadente sociedade. Eu sou algo contrário a ela, sou seu inimigo.

Sou um animal humano domesticado que luta para ser livre, um animal que escapa e incendeia sua própria jaula.

“A rebeldia contra a Tecnologia e a Civilização é uma rebeldia real, um ataque aos valores do sistema atual.” – F.C

Para ter meu futuro assegurado?

O futuro e a segurança não existem, tudo que existe é o presente, este único e irrepetível instante, no qual o meu coração está batendo. Deste modo que vivo e desfruto minha única e irrepetível vida, aqui e agora, porque talvez amanhã já possa ser tarde demais.

Para ter uma boa posição econômica e social?

Eu não desejo ter uma boa posição econômica e social dentro desta maldita Sociedade porque a forma de viver nela atenta cada vez mais contra a minha Liberdade Individual e está sistematicamente devastando, domesticando e artificializando todos os aspectos da Natureza Selvagem, do planeta em que vivo. Eu não desejo possuir, ostentar e acumular inúteis objetos materiais em excesso. Não desejo ganhar rios de dinheiro ao custo de viver minha vida (me prostituir = trabalhar) legalmente diante de uma empresa. Eu não necessito de seu reconhecimento social nem da aceitação de uma grande Sociedade de desconhecidos. Desejo apenas ter o poder de eu mesmo dirigir a minha própria vida, desejo ser verdadeiramente livre, como o animal humano selvagem deveria ser. Desejo voltar à incessante luta por minha sobrevivência, desejo uma vida livre, uma vida com sentido, desejo viver realmente. Desejo poder adquirir da forma mais autônoma e autossuficiente, com o esforço do meu corpo e mente, dia-a-dia, o necessário para poder satisfazer todas as minhas necessidades. Desejo uma vida livre, simples e natural, com estreita relação com meu meio natural-selvagem, e com meu pequeno grupo de afins próximos.

Para poder me realizar ou obter o ansiado sucesso?

A realização, o tão falado êxito na vida que a Sociedade Tecno-industrial deseja para os indivíduos é o que culmina no seu processo de educação (domesticação), como boas e eficientes peças de sua dinâmica social. É por essa grande razão que desde pequeno te arrancam obrigatoriamente de sua casa para poder te domesticar (educar). São 3 anos de jardim de infância, 6 anos de ensino fundamental, 3 anos de ensino médio, 3 anos de preparatório, e anos e anos de universidade, mestrado e doutorado.

Este Sistema rouba a tua vida, condiciona tua maneira de viver e de se comportar, controla sutilmente tua vivência, e teu destino eles já escreveram: estude, trabalhe, consuma e morra. Não é? Talvez não está tu destinado a ser uma futura peça do Sistema? Talvez neste momento já não seja?

Dizem que um cachorro está bem treinado ou adestrado quando é submisso, obediente e fiel a seu dono. Da mesma forma é dito que um indivíduo é bem sucedido ou está “realizado” quando cumpre os objetivos que o Sistema social lhe impôs, quando é submisso, obediente e fiel ao Progresso de sua Sociedade, um bom cidadão, um bom animal domesticado.

As estruturas e mecanismos de controle e domesticação são tão sutis que a maioria das pessoas acreditam que o cachorro treinado-adestrado é livre. Da mesma forma eles se crêem livres neste grande zoológico humano. Nossas casas são nossas jaulas e cada vez mais vivemos arrebanhados como galinhas de uma granja industrial. A educação é uma cadeia psicológica tão forte que nos liga a todos, é um valor do Sistema tão arraigado que existem pessoas inteligentes e reais que odeiam esta forma de vida, que estão edificando suas próprias ideias e valores, que realmente amam sua Liberdade Individual e a Natureza Selvagem, mas que custam renunciar ao estudo escolarizado. Para estes, força e valentia!

O conhecimento os fará livres?

Sim, mas apenas o conhecimento que nos guie à razão e a verdade. São muitos os que ingenuamente acreditam que o conhecimento que oferece o Sistema os fará livres. O conhecimento sempre foi sutilmente utilizado pelo Sistema para seus próprios fins, ele sempre o utilizou e o manipulou para o seu auto-sustento.

Criminoso-Livre e Selvagem

Facas nas Sombras

Tradução de Cuchillos en Las Sombras, poema da Revista Regresión N° 6, compartilhada publicamente na web.

Facas nas Sombras

Oh, carne que se despedaça!
Sangue chove sobre o asfalto,
O grito implora, quase chora,
Um corpo se desvanece no alto.

Corpo falecido por um rugir,
Um uivo e um sagaz miado,
Disfarçados de facas destinadas a ferir,
Apagar o brilho para o civilizado.

A sombra esconde o ato,
Os rostos tingidos das meninas selvagens;
Compartilham destruições e toques,
Apenas as estrelas acareciam os pesares.

Pesares, dores, tragédias….,
As quais fomos condenados, acorrentados.
Bosques indômitos, apenas na memória,
Facas na escuridão, por cada selvagem assassinado.

-Luas de Abril-

(Roma Infernetto – “Mundo Merda”) – Profanação e Devoração

Tradução do texto Profanazione e Divorazione.

Fragmento niilista que dedico a um “defunto” inimigo meu.

Por mim.

Ajoelhe-se diante de mim.

Tu te estiras e te alargas em uma posição raquítica.

Cuspo sangue negro, bílis da efusão.

Cuspo meu líquido venenoso contra meu inimigo.

Estás preso.

Capturado vivo, respira morto.

Morto estavas antes, com sua vida inútil, na necessidade de Minha paixão.

Aprisionado por uma armadilha que entreguei a ele.

Como uma aranha que tece sua teia para capturar a sua presa.

A fria nacessidade estratégica e a ardente Paixão para avançar neste “mundo morto”.

União de elementos, partículas venenosas de Egolatria, que se juntam e se chocam entre si, formando-se e destruindo-se.

O Criminoso Niilista é um animal feroz em uma sombria metrópoli.

Empobrecida carne viva e apodrecido interior.

Ele recebe horror pela humanidade decadente e sente Terror.

Está de frente e de joelhos: aflito desde o nascimento de seu atributo de limitação à sociedade honesta e correta.

Estavas equivocado.

O que pensava, que pensavas, viu-o como um absoluto no absoluto de tua condição.

Estás confundido, o que pensava, o pensavas, falsificaste tua vida e tua vitória de maneira geométricamente perfeita.

Precipitado em minha cova clandestina:

Agora és um morto errante.

Queria, já sabes, não duvidar… de ti mesmo.

Pensar e sentir, cheirar como um animal selvagem, em meio a espelhos simulados do ser humano mortal.

Não espelho nem reflito o sentido dado às coisas, mas romperei e esmagarei a certeza absoluta.

Me afundo com o veneno abismal, na profundidade solipsista de Meu inferno exclusivo.

Abro o abismo, hermético e infinito, e vejo uma parte superior, vertigem que suga aspectos infinistesimais da vida e da morte, o desejo do sentido morre a partir de uma esplêndida vida linear.

Não há um bocejo “comum”, aqui, em Minha cova clandestina, está o desejo de aniquilar a vida que capturei.

Cérbero está a meu lado.

O cachorro infernal de três cabeças.

Uma invocação caótica a suas bocas infernais.

Elementos unindo-se e encontrando-se, se liquifazem e misturam-se com a forma da sombra maléfica que persegue a meu corpo.

Tenebrosidade da noite que obscurece o conhecimento do raio limpo da paz.

É uma oração esquizofrênica, e uma petição de prazer e dor, sublime agonia pela morte de meu Objetivo Egóico.

“O cão do inferno expulsa seu esperma venenoso sobre meu inimigo, desejo o mal que aniquila a moral, teu julgamento para um ser humano infeliz que Agora está de frente para mim”.

Profanação de um corpo.

Devorando seu “sopro de vida”.

Um membro da Seita do Niilístico Momento Mori

Roma Infernetto – “Mundo Merda”

Terceira Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem: A Mentira Sempre Tem Pernas Curtas

Traduzimos a terceira entrevista realizada com Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), desta vez concedida à revista política Siempre!.

A entrevista foi publicada na revista impressa e no site da empresa jornalística mencionada, embora não de forma completa. Um blog atribuído ao grupo terrorista a publicou sem cortes.

É válido mencionar que desde a publicação da entrevista (2017) ITS se expandiu ainda mais pelas Américas e inclusive pela Europa, com o surgimento de grupos na Grécia, Reino Unido e Espanha.

1. – Desde quando o grupo existe e em quais outros países operam?

Em 2011 “Individualidades tendendo ao selvagem” (Its) começou a operar, levando a cabo ataques contra centros de pesquisa científica, universidades, entre outros, nos municípios do Estado do México, nas delegações da Cidade do México, em Hidalgo, Morelos, Guanajuato, Veracruz e Coahuila.

Cabe destacar aqui que desde o ano de 2011 até então nós passamos por várias fases, por exemplo, em 2014 formamos um grupo chamado “Reação Selvagem” (RS) junto com uma dúzia de grupos que aderiram ao projeto, operando no Estado do México, Cidade do México e Tlaxcala, deixando de lado o nome “Its”. Já em 2015 RS foi dissolvido para que cada grupo continuasse o seu caminho sem estarem necessariamente unidos.

Em 2016 renasce “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (ITS), e até agora temos presença na Cidade do México, Estado do México, Coahuila, Chihuahua e Jalisco. Este novo ITS tem como um de seus objetivos a expansão internacional desta tendência, portanto, em fevereiro deste mesmo ano, grupos de ITS surgiram no Chile e Argentina. Em Santiago, capital chilena, um grupo de ITS incendiou uma máquina do tipo “Metrobus” em plena luz do dia e com passageiros ainda dentro, e embora não houveram feridos, o ataque foi o terrorístico sinal da chegada do eco-extremismo ao sul do continente. Neste mesmo mês, mas em Buenos Aires, capital argentina, um grupo de ITS detonou um artefato explosivo nas imediações da Fundação Argentina de Nanotecnologia, realizou várias ameaças a cientistas e abandonou um pacote-bomba em uma estação de ônibus. Em agosto de 2016 o eco-extremismo chegou ao Brasil, um grupo de ITS detonou uma panela de pressão cheia de pólvora negra no estacionamento do centro comercial Conjunto Nacional, em Brasília.

Devemos reconhecer que nestes anos de atividade o Eco-extremismo teve cúmplices, afins de sangue aderidos à tendência do Terrorismo Niilista, defendida e representada pelas Seitas Egoarcas na Itália. Também surgiram vários grupos na Alemanha, França, Finlândia, etc., que embora não se digam eco-extremistas, compartilham o discurso visceral contra a civilização e o progresso humano, melhorando com isso a “bandeira” do individualismo.

Como é possível ver, não somos um grupo novo que saiu do nada, temos um histórico e as autoridades federais sabem disso, só que nunca nos reconheceram de maneira direta porque não lhes convém e, claro, a grande maioria dos meios de comunicação dissemina a verdade “oficial”, embora esta sempre feda.

2. – Qual é o objetivo de vocês para formar um grupo desse tipo e o que realmente estão buscando?

Individualistas Tendendo ao Selvagem é um grupo de pessoas anônimas com conexões internacionais unidas para fins criminosos, ou seja, somos uma Máfia.

ITS é um grupo com vistas à destruição e ao caos na civilização, detestamos e rechaçamos cada aspecto da vida civilizada, artificial e industrializada que é imposta à Natureza Selvagem. ITS é a vingança esquecida que nossos antepassados nos deixaram. Há séculos atrás os antigos reagiram violentamente contra a chegada dos ocidentais, mas também reagiram da mesma forma contra a chegada das civilizações mesoamericanas. Os nativos caçadores-coletores nômades destas terras nunca se renderam e muitos preferiram morrer ao invés de se submeter a modos de vida alheios às suas culturas. Na ITS nós resgatamos essa resistência selvagem, agora nós reagimos violentamente contra qualquer indício de civilização como fizeram os nossos antepassados mais antigos. ITS é apenas a expressão de algo maior, ITS é também a chuva que inunda cidades, é a avalanche que soterra vilas inteiras, são os raios que acertam infraestruturas alheias ao ambiente, é o terremoto que inesperadamente põe tudo abaixo, é o ataque da onça contra a sua presa, é o belo canto do faisão, o vôo do condor, o nado das tartarugas marinhas, as ervas que saem do pavimento rachado das pestilentas cidades. Todos nós temos um assassino primitivo no fundo de nosso ser, e nós o deixamos sair e isso surgiu e não iremos parar, porque o eco-extremismo é apenas uma expressão do Selvagem, ITS é um grupo de indivíduos com um objetivo comum mas, por si só, o Selvagem sempre prevalecerá.

Cabe ressaltar que nós não queremos voltar para as cavernas, não queremos voltar a ser primitivos como o homo sapiens, e qualquer um que diga isso é um idiota e não leu nada do que nós escrevemos. Isso é ITS, e nós realmente não esperamos que muitos entendam isto, poucos o fazem.

3. – Por que utilizar o crime como um meio para resolver conflitos? Por que ir ao extremo de atentar contra a vida das pessoas? Não há outra saída?

Para nós não há saída pacífica a isto, não há ofertas com ninguém, não há acordos nem negociações, o que estamos vivenciando é uma Guerra entre o civilizado e a Natureza Selvagem. Por acaso há outra saída para as milhares de árvores que são cortadas diariamente pelas mãos humanas? Por acaso houve outra saída para os animais selvagens marinhos presos nas redes dos pescadores legais e ilegais? Por acaso houve outra saída para os nossos ancestrais que foram expulsos de seus territórios e massacrados séculos atrás pelos ocidentais que vieram para “nos conquistar”? Por acaso houve outra saída para a Terra devastada pela extração de minérios das grandes indústrias? Por acaso há outra saída a toda esta loucura civilizada? CLARO QUE NÃO. O humano moderno segue crendo que é o umbigo do universo, segue se sentindo deus e dono de tudo ao seu redor, embora a sua existência signifique para o universo uma total insignificância. Nós, ITS, aceitamos que somos parte do ser humano moderno, só que nós nos demos conta de que ainda somos parte da Natureza Selvagem, porque quando vemos um rio contaminado sentimos raiva, quando vemos máquinas perfurando a Terra nos gera tristeza, quando vemos milhares de carros indo e vindo nas fedorentas cidades sentimos ódio, quando vemos o avanço da mancha urbana sepultando ambientes inteiros sentimos repúdio, quando lembramos que os antigos morreram lutando contra os civilizados a única coisa que sentimos é o desejo de reivindicar a sua vingança e continuar com a sua guerra, e o crime é o punho com o qual batemos. Dizem por aí que em um país cheio de ladrões ser um criminoso é motivo de orgulho, por isso tomamos para nós estas palavras.

Deve-se notar que a nossa causa não é nobre, não é de justiceiros se acaso pensaram isso em algum momento, ITS é um grupo politicamente incorreto de criminosos, defensores amorais do Selvagem, assassinos do que é ocidental e não lamentamos dizer isso porque aprendemos com isso, com o Selvagem. Somos indiscriminados como os terremotos e as inundações, somos bestiais como as onças atacando e discretos como as raposas espreitando.

4. – Existe alguma pessoa ou grupo que patrocine vocês ou algum grupo que esteja com vocês?

Dentro do que chamamos de Máfia Eco-extremista existem vários grupos que, certamente, não são parte de ITS e não tem relação conosco, mas que lideram diferentes projetos de propaganda teórica, porém não há patrocínio de ninguém. São vários os grupos que editam as revistas, escrevem textos com bases filosóficas e antropológicas (principalmente), criam blogs, traduzem artigos, estão a par do que acontece, e mantém isso em um constante fluxo de atividade. Por exemplo, os nossos comunicados estão traduzidos ao inglês, italiano, português, tcheco, polaco, alemão, francês, turco, romeno, grego, galês e até mesmo em hebraico. Isso é a prova de que nossas palavras e atos têm se estendido também graças a todos aqueles e aquelas que simpatizam com a nossa tendência, mas, novamente, estes grupos NÃO tem nada a ver com as atividades de ITS.

5. – O que vocês se consideram? São anarquistas? Qual é a filosofia de vocês?

Não, nós não somos anarquistas. O anarquismo é bastante recente em comparação com o que defendemos. Te digo que naquela época do Iluminismo muitas das ideias liberais começaram a florescer na Europa, houve uma em particular que aquelas velhas massas proletárias se apegaram muito (além do Marxismo), especialmente por suas demandas idealistas, foi assim como o anarquismo teve seu auge no século XIX. Naquela época as pessoas sonhavam com um amanhã melhor, devaneavam em trabalhar no hoje para a “revolução” futura, algo que nunca chegou a ser plenamente realizado devido aos “obstáculos” que os estados colocavam no caminho ácrata. E se esta “revolução” por acaso tiver chegado ela se transformou em algo completamente diferente das ideias originais. É engraçado porque os anarquistas quase sempre eram tão estupidamente nobres que até mesmo deixavam o caminho livre para os comunistas, e então eles se apoderavam de suas realizações e se atribuíam de seus trabalhos, assim aconteceu na Ucrânia, Rússia, Cuba, Espanha e até mesmo aqui, em Veracruz, durante o movimento arrendatário, mas estas são outras histórias.

Voltando ao assunto, o anarquismo é uma daquelas ideias nascidas das demandas progressistas de “liberdade, igualdade e fraternidade”, demandas que nós desprezamos completamente, uma vez que a “liberdade” já não existe nesta era, é uma palavra e prática morta, alguns tolos quiseram se apegar a seu cadáver, mas cedo ou tarde acabam fedendo junto aos restos podres da história. A “igualdade” é um mito, tampouco existe, nada é igualitário, e se alguma vez fosse, o mundo seria uma cópia fiel do romance de Orwell ou pior ainda, do de Huxley. A “fraternidade” é uma questão relativa, mas quando os progressistas a invocam quase sempre se referem a uma fraternidade ou solidariedade com o “próximo”, o que é asqueroso. Como você pode ser fraterno com alguém que você não conhece? A solidariedade promiscua é o que o sistema quer que pratiquemos para que ele siga adiante, porque quanto menos problemas sociais existirem tudo irá segundo o planejado. O sistema precisa de menos crimes, menos corrupção, menos discriminação, menos discussões entre diferentes grupos sociais para que a civilização siga de pé, é por isso que a mídia dissemina tanto esse mito da igualdade, da não-violência e contra a divisão, e é por isso que nós repudiamos a igualdade e somos violentos, porque somos desses humanos que resistem em ser ovelhas do rebanho, somos a contrapartida deste sistema, nossos instintos assassinos voltaram dos lugares mais hostis habitados pelos selvagens. Então, com os nossos ataques estamos honrando a memória de Guerra dos antigos, estamos levando o caos e a destruição a uma civilização que declarou guerra não só a nós, mas a toda a Natureza Selvagem. O vírus do humano moderno se estende, eles destroem bosques, contaminam rios, envenenam a Terra, roubam minerais, vagueiam sem rumo, invadem ambientes, modificam sementes, etc. Eles têm visto a devastação que causaram na Terra e buscam por novos planetas para habitá-los no futuro; o sistema tecno-industrial tornou-se extremista, então por que não reagir da mesma maneira contra todo este lixo? ITS faz isso, reagimos na forma de atentados porque isso é uma Guerra, porque embora aceitemos que somos humanos modernos temos dentro de nós a chama da confrontação selvagem.

ITS não se define ideologicamente, nós representamos uma tendência chamada “Eco-extremismo”, que é anti-política, amoral, suicida, indiscriminada e seletivamente terrorista, pessimista, anti-revolucionária, que realça as crenças pagãs ancestrais anti-cristãs, levanta o nome da Natureza Selvagem, ridiculariza até não poder mais a demência dos valores humanistas, rechaça categoricamente o progresso humano, e não tem problemas em cair em supostas “contradições” no discurso, por exemplo, no uso da internet para realizar propagandas. Tudo está justificado, nesta guerra se vale de tudo.

6. – Como operam? Realizam algum tipo de atividade para conscientizar as pessoas sobre cuidados com o meio ambiente ou seus atos são destinados unicamente, como afirmado à imprensa, a aterrorizar, ferir ou assassinar?

A verdade é que não nos interessa “conscientizar” as pessoas, não somos revolucionários nem nos interessa que as pessoas “despertem” de seu sono letárgico. A massa gosta de viver entre seus próprios excrementos e bem, você perguntaria, e porque então publicar comunicados, propagandas e responder a entrevistas se não querem conscientizar os outros? E a resposta é fácil. Sabemos que há individualistas como nós em alguma parte desta bonita Terra, e sabemos que são muito poucos, estes atos são um eco que chegam a eles, que talvez os inspirem a realizar atentados como nós. Os comunicados nós publicamos não para ganhar adeptos ou para chamar a atenção para a contaminação (por exemplo), mas para reivindicar egoisticamente os atos que são nossos, ITS não permitirá que outros se responsabilizem pelo que temos feito ou que as autoridades afirmem que foi a delinquência comum, NÃO, os atos que fazemos são unicamente nossos e escolhemos um acrônimo na União de Egoístas para gerar uma ferida em nossas vítimas, queremos aterrorizar porque isso não responde a nenhuma demanda política, é apenas por seguir o impulso animal-primitivo e impô-lo sobre o civilizado.

7. – Como vocês escolhem as suas vítimas? Vocês tem contato com elas antecipadamente ou simplesmente as escolhem aleatoriamente?

Depende, o especialista em biotecnologia Ernesto Méndez Salinas assassinado em Cuernavaca, nós o seguimos durante semanas, até que metemos uma bala em sua cabeça em 8 de Novembro de 2011, enquanto ele dirigia a sua camionete por uma das vias mais famosas da cidade.

Com o vice-reitor da Tec de Monterrey aconteceu o mesmo, alguém nos disse que ele viajaria de Monterrey a Chihuahua para um assunto de família, e quando ele saía de uma igreja nós o caçamos e o matamos em Fevereiro deste ano, embora devamos dizer que por uma falha na pistola utilizada não pudemos disparar contra a sua esposa, então decidimos apenas tomar a sua bolsa para que ela não chamasse a polícia, mas se não fosse por isso a sua esposa teria tido o mesmo destino que o seu marido. Foi por isso que as autoridades de Chihuahua disseram que havia se tratado de um roubo, mas eles sabem que não foi apenas isso.

Já o casal que matamos no Monte Tlaloc nós os matamos apenas porque se encontravam no caminho. Originalmente íamos pelos madeireiros, os quais nunca apareceram, apenas estes dois transeuntes “amantes da natureza”. Nós não queremos ver humanos nos ambientes ameaçados por eles mesmos, então os madeireiros, campistas, exploradores e assim por diante também estão na lista. O mesmo aconteceu com a mulher assassinada na Cidade Universitária, já dissemos na entrevista com a Rádio Fórmula porque a matamos, não precisamos dizer mais nada a respeito.

O que queremos deixar claro é que nós não temos uma maneira específica de atacar, da mesma forma que podemos colocar uma bomba em um shopping para que fira a todos aqueles e aquelas que estejam perto do artefato, nós podemos também matar a um cientista especializado e podemos atacar por todas as partes, desenvolvendo-nos prazerosamente no ato de atentar, desfrutando do momento e gerando nervosismo, Caos e desestabilização.

8. – Por que agir dentro da UNAM? Há alguma conexão com algum outro grupo, por exemplo, com o que tem ocupado o auditório Che Guevara?

A UNAM é o berço do progresso, a partir dali são concebidas as mentes do futuro, que estão sempre pensando em melhorar o lixo que está deixando a espécie. A UNAM, a Tec de Monterrey, qualquer universidade pública ou privada, qualquer centro educativo, todos tendem à artificialidade, é por isso que merecem pacotes-bomba, incêndios, balas, terror e morte.

E sobre o auditório Che Guevara, queremos deixar bem claro que nós desprezamos esse lugar tanto quanto nós desprezamos o progressismo. Dentro deste okupa se escondem um bando de hippies fedorentos revolucionários que enchem as suas sifilíticas bocas com álcool, inalam e fumam drogas enquanto dizem que são “livres”, enquanto pagam de fodões, sempre se esquivando da ideia de que também são fantoches; este tipo de gente é o pior lixo. São estas pessoas que estão a favor do progresso humano, mas de uma maneira diferente, não se dão conta de que estão iludidos, mas ainda sim se sentem os mais radicais. Há tempos a comunidade universitária tem os “convidado” para que abandonem a CU, os estudantes bunda mole fazem marchas e entre todas as suas razões para expulsá-los dali dizem que é porque dão “má imagem à UNAM”, que “quando passam fedem à maconha”, rá! Sabem o que vemos aí? Primeiramente, vemos a eterna luta entre “moderados” ou “ultras” da greve de 99 (com muitas nuances claras), e segundamente, vemos a hipocrisia feita realidade, de um lado os “okupantes” se fazendo de coitadinhos, e do outro os estudantes julgando a seu próprio reflexo, como se eles fossem abstinentes. Enfim… Nós não tememos a relação com eles nem com nenhum okupa, organização, nem grupo anarquista, marxista, nacionalista ou de qualquer tipo, pois o que defendemos vai contra o que eles acreditam.

9. – Estamos inevitavelmente em um ano eleitoral, e há quase um ano uma mudança no comando presidencial, há alguma conexão entre suas ações e isso?

Repito, nós não temos ideologias políticas, o que defendemos vai além da política, então pensar que o que fazemos tem um fundo político é repetir o mesmo coro conspiracionista de 50 anos atrás.

10. – Há algo a mais que vocês crêem importante destacar na entrevista?

Nada. Apenas acrescentamos que seguiremos com o que fazemos, nada disso acabou, as autoridades e certos meios de comunicação podem até se fazer de desentendidos e dizer que o que fazemos é falso ou que não fomos nós quem fizemos, não nos importamos, há apenas que enfatizar uma coisa, a mentira tem pernas curtas…

-Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Porque o Fogo Também é Natureza Selvagem

Tradução das reflexões do blog Nomen Nescio a respeito do “Fogo”. O contexto destas palavras foi o gigantesco incêndio que atingiu o Chile em fevereiro de 2017.

É desta forma que vemos uma vez mais como o Selvagem se impõe, desta vez foi com a fúria e violência do indômito Fogo.

Este contundente atentado do Selvagem contra a vida civilizada particularmente me enche de alegria. Me enche de alegria apreciar a desgraça que deixou em seu rastro. Me alegra ver as milhares de casas incineradas. Me alegra ver o terror dos humanos. Me alegra vê-los correndo apavorados diante da imensidão do Fogo. E me alegra saber sobre as mortes humanas.

Eu lamento pelos bosques nativos que sucumbiram à força esmagadora das chamas. Lamento a morte dos animais, de todos os pássaros e insetos selvagens. Sei que seus corpos se unirão à Terra, fertilizando-a para a próxima geração de árvores. Tudo isso eu lamento. Saibam que morreram por algo que é muito maior e mais poderoso que qualquer ser na Terra.

Saber que nem toda a sua mega-maquinária de aviões gigantescos foi capaz de apaziguar as furiosas chamas me alegra a alma. Saber que a única coisa que foi capaz de apagar o Fogo foi a própria Natureza Selvagem: através da Chuva. Com apenas alguns momentos de queda de água o Selvagem fez o que nenhum mega-avião pode fazer. Isso apenas reafirma a majestuosidade da Terra, de como os seus ciclos são onipotentes e impossíveis de evitar. Nada nunca será mais grandioso que a sabedoria eterna da Terra Selvagem. Porque somos regidos e estamos à sua mercê, ela sempre estará acima de nós. Nossa única e verdadeira autoridade é a Natureza Selvagem!

Que os humanistas sigam condenando e demonizando o maravilhoso Fogo. Que sigam se comovendo pela desgraça alheia. Que continuem a lutar sem sucesso contra o Fogo que ainda resta. Talvez o apaguem (provavelmente), mas saibam que o dano já está feito. Diante de tudo isso há apenas uma frase que vem à minha memória e que uma vez uma pessoa anciã me disse: “QUE O SELVAGEM SE ENCARREGUE DO SELVAGEM“.

Que assim seja, porque as montanhas têm a capacidade de se auto-regenerar, nascendo ainda mais belas que antes. Porque os insetos e outras espécies dos bosques voltarão a habitá-los. O que são para a Terra e o Selvagem algumas décadas? NADA.

Que arda tudo o que tenha que arder! Até mesmo o Selvagem!

Que os humanistas percam a vida ajudando a desconhecidos!

Eu rio de seu altruísmo hediondo e sua solidariedade promiscua…

Busca o Teu EU Espiritual

Tradução do texto Busca Tu YO Espiritual, da Revista Ajajema 3, compartilhada publicamente na web.

Desde pequeno eu tive um sonho frequente, e não sei bem se é um sonho ou um pesadelo, mas isso pouco importa. Nele eu sinto que sou uma pequeníssima parte de um todo e que este todo me absorve, e então me sinto impotente, sinto que caio por uma das bordas deste todo e que nunca chego a um final, e logo me afundo em desespero e as ânsias me consomem até que acordo. Este sonho eu tive desde muito pequeno. Já em minha adolescência foi frequente a chamada “paralisia do sono”. A ciência a explica como o momento em que o seu cérebro se “apaga” ao dormir, mas o seu corpo segue com algumas funções como a visão e o olfato, só que é impossível se mover. Associam isso ao cansaço excessivo, etc. Se você nunca passou por isso, deixe-me lhe dizer que no início é uma experiência assustadora, perceber que você pode mover os seus olhos, mas é incapaz de poder mover um só dedo ou de gritar, realmente é algo bastante perturbador. Minha família sempre viu isso como algo do diabo. Vindo de uma família religiosa, é natural que associem estas coisas com um castigo de Deus por eu ter me distanciado de seus mandamentos, etc. As etapas que tive em minha vida me deixaram valiosos ensinos que formaram as crenças pessoais que defendo agora na atualidade. Desde que eu me lembro sempre fui uma pessoa espiritual, sempre à procura de algo mais além, tentando me preencher com a sabedoria dos mais velhos ou de outras maneiras, através do que dizem os livros sobre crenças animistas ancestrais, tanto que cheguei a viver com pessoas que me abriram a visão a respeito disso.

Confesso que quando eu era mais jovem e me declarava anarquista, negava com todas as minhas mais fracas forças a espiritualidade, confundia a religião com as crenças, e ao mesmo tempo em que levantava a bandeira do ateísmo racional e irracional que alça a ciência moderna, em algum momento me dei conta de que tudo isso era um lixo, e que enquanto eu reivindicava estas posturas distantes eu estava negando a mim mesmo, estava negando a minha curiosidade, a minha vontade de experimentar e de explorar caminhos insuspeitados em companhia do Inominável. Então me distanciei destas posturas puritanas e me pus a conhecer mais, a deixar de lado o vício civilizado que dita que porque estamos nesta era “híper-moderna” nós “transcendemos” a crença nas forças da natureza. No começo era difícil para mim a ideia de que a chuva é algo mais que um processo hidrológico, que o fogo não é apenas parte de uma mistura de condições que fazem com que a chama seja produzida, ou que a escuridão é “simplesmente” escuridão. Mas com o decorrer dos ciclos eu aprendi a ver tudo isso e mais através de uma visão espiritualizada, embora não totalmente, eu devo esclarecer.

Foi há muito tempo atrás durante estes episódios de paralisia do sono que, enquanto eu me encontrava sem mobilidade, senti claramente a presença de um ser que me pegava pelas costas e me apertava com bastante força. Vi que tinha a pele escura e percebi que os seus braços estavam cobertos por cicatrizes. Logo sucumbi à situação e simplesmente me deixei levar. No começo senti medo, mas depois a paz me invadiu, então a partir daquele momento estes episódios pararam de me causar medo.

Anos mais tarde, em uma sessão com pessoas que levam a sério a prática da Santeria, tive a oportunidade de realizar um ritual enquanto um jovem era possuído por um guia (como eles dizem). O guia naquele momento era um ancião que formava parte de uma tribo de nativos amazônicos massacrados por europeus. Ele me convidou a fumar um tabaco natural com ele. O guia não falava espanhol, era uma especie de português arcaico misturado com ruídos parecidos aos chamados “clicks” dos Bosquímanos. Lembro-me que o quarto estava coberto por fumaça de tabaco, um silêncio intrigante reinava ali, algumas pessoas borrifavam água em torno de nós, uns mantinham a cabeça baixa, já outros viam expectantes o panorama, e eu, inexplicavelmente entendia o idioma do guia. Ele me disse muitas coisas, das quais eu não posso falar, mas me surpreendeu como ele sabia de algumas coisas que apenas eu sabia, como aquele episódio em minha adolescência com a presença noturna que eu mencionei acima. O guia me deu o seu nome, me disse que era um antepassado meu da África, me disse que as suas cicatrizes eram porque havia sido um bravo guerreiro, que eu era o seu reflexo e que não deveria rejeitá-lo. O jovem possuído despertou e pediu água…

Uma anciã apontou para o céu e disse: “Há aqueles que tentam ir mais além, uma maldição recairá sobre as suas cabeças”. Estas palavras à primeira vista não me pareceram muito contundentes, era apenas um comentário de uma curandeira com quem eu estava aprendendo a arte da cura por meio de ervas ancestrais, mas neste mesmo dia cheguei eu em casa e fui ver algumas notícias, foi quando vi que um astronauta (creio que era italiano) da Estação Espacial Internacional havia sido afetado pelo Desconhecido. Em um caminhada rotineira o capacete do astronauta começou a se encher de água, água que saía do Nada, então ele teve que ser atendido medicamente já que quase se afogou. Os engenheiros especializados, os físicos, etc., não puderam dar uma explicação concreta sobre o ocorrido (até agora). Foi então que as palavras da anciã ressoaram em minha cabeça, validando o que foi dito. Os humanos modernos desafiam o Selvagem e pensam que todos os caminhos são permitidos para eles, se aventuram naquilo que pensam conhecer, mas na verdade não conhecem uma única parte. A imensidão do Desconhecido é algo inexplicável, as suas obras são indizíveis, é incompreensível para quase todos os humanos modernos, apenas alguns poucos compreendem que não somos o centro do universo, mas uma parte dele.

“Há pessoas que tem mais trevas que luz em seu interior, mas você tem os dois quase no mesmo nível”, estas palavras foram as que uma vez me disse um ocultista durante uma conversa à meia noite em uma Lua Nova. Velas negras iluminavam símbolos estranhos, havia cheiro de enxofre e um som de metais se chocando nos acompanhava. Dentro da cabana era possível sentir uma atmosfera pesada, densa como névoa. Lá fora, a floresta estava em silêncio, cheirando a puro gelo, símbolos foram acesos com álcool. Você alguma vez já caminhou sozinho no bosque pela noite? Você já sentiu alguém ou algo te observando naquele momento? Tive esta sensação aquela vez, não sentia medo, mas um pouco de ansiedade que lentamente foi desaparecendo. Esta noite era muito escura, nem sequer podia ver as minhas próprias mãos. Estávamos sentados com os olhos fechados enquanto ele falava em línguas estranhas e às vezes gritava, as mãos suavam, os ouvidos estavam atentos, havia um frio nos ossos. O ser humano moderno está muito ocidentalizado, pensa que estes tipos de experiências são “ruins”, temem ao Desconhecido. Eu não o temo, aprendi a não temê-lo, eu o respeito. “Todos temos um Abismo, é necessário mergulhar-nos nele, e quando o fizermos, poderemos observá-lo e, ao mesmo tempo, saber que o Abismo também nos “vê”.”

As vivências e experiências que um individualista chega a ter centrando-se na espiritualidade são, muitas das vezes, resultado do risco de saber algo além, de sair do cofre em que nos metemos, de romper as crenças cotidianas impostas culturalmente. No começo, parece ser um mundo bastante hostil, mas quando você interage de maneira mais íntima com tudo isso a recompensa é grandiosa. Atreva-se, busque o seu Eu espiritual.

XL.