[VÍDEO] Entrevista de ITS a TV5MONDE

Vídeo traduzido e legendado ao português que faz parte da entrevista Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?, realizada pela rede francesa TV5MONDE com Xale, membro-fundador de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

[VÍDEO] Próximo trabalho sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Em breve será disponibilizado na web um trabalho sobre ITS editado por Jake Hanrahan, jornalista e cinegrafista especializado em guerras modernas. Jake dirige a Popupar Front e já realizou diversos documentários e vídeos sobre grupos terroristas e guerrilhas ao redor do mundo. Jake já abordou ITS em outra ocasião durante um podcast com John Jacobi, confira neste link.

Abaixo a prévia do trabalho.

Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?

Esta é a tradução de Terroristes, écologistes: qui se cache derrière le groupe ITS?, uma reportagem do veículo francês TV5MONDE. Peca nas declarações do “investigador” frustado academicamente que faz afirmações tolas em torno de ITS. Suas declarações contrariam as de outros investigadores que definem Individualistas Tendendo ao Selvagem como um grupo lúcido, sensato, cabal e intelectualmente superior, com bastante formação intelectual e pensamento complexo. Para citar alguns exemplos temos a investigação da Bio-Bio Chile, o texto do El Mostrador El ecoterrorismo y la paradoja de la locura total, escrito pelo magistrado em direito ambiental Jorge Andrés Cash, e a entrevista do sociólogo e acadêmico da Universidade Central do Chile Rodrigo Larraín ao canal chileno Chilevisión Noticias. Talvez este “investigador” frustrado seja algum policial mal pago disfarçado para desacreditar ITS. Abaixo a reportagem.

Os eco-terroristas de ITS (Individualistas Tendendo ao Selvagem) são extremistas ecológicos para quem “todos os seres civilizados merecem morrer”. Desde dezembro de 2018 pelo menos cinco ataques foram reivindicamos em quatro países, incluindo a Grécia. Seu credo? Niilismo. Sua luta? O retorno à natureza, convencidos da inescapável destruição do mundo. Apresentamos uma entrevista exclusiva com um membro desta célula terrorista, presente na América Latina e na Europa.

Quando se fala em terrorismo se imagina os jihadistas da Al-Qaeda ou do ISIS, mas não se pensa em pessoas que podem colocar bombas em nome da ecologia. Esta é uma prática de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), um grupo eco-terrorista criado em 2011 no México, e que propagou novamente o terror no Chile em 4 de janeiro de 2019, depois de detonar uma bomba em uma parada de ônibus, no centro da capital, deixando cinco feridos. Seus membros parecem ter saído de um romance de ficção científica. Eles se movem clandestinamente na internet, e no vídeo enviado a TV5MONDE aparecem encapuzados e vestidos de preto. O membro da organização que fala neste vídeo se descreve como o “chefe de ITS no México”.

A TV5MONDE conseguiu entrar em contato com este grupo através de um blog conduzido por outro grupo eco-extremista de língua espanhola, “Maldición Eco-extremista“. Este blog está alojado no servidor italiano Altervista, que funciona como a “mídia oficial” de ITS. Todos os comunicados do grupo (75 até agora, sendo o último publicado em 22 de fevereiro de 2019), são publicados ali. O conteúdo do blog está em sete idiomas – Turco, inglês, italiano, português, grego, tcheco e romeno. “Nenhum membro de ITS fala francês”, indica um membro do “Maldición Eco-extremista” durante nossa investigação.

Para uma entrevista com um membro de ITS, trocamos emails com o “Maldición Eco-extremista” que nos pediu para criar uma conta em um serviço seguro de mensagens, com sede na Suíça. A entrevista resultante é a sexta desde a criação de ITS, e a primeira dada a um meio de comunicação em língua francesa. Três entrevistas de ITS foram dadas à mídia mexicana, depois à imprensa argentina, e por último a chilena.

TV5MONDE enviou a ITS perguntas por email. Xale, pseudônimo por trás do qual se esconde um dos membros fundadores de ITS e a cabeça da organização no México, respondeu algumas de nossas perguntas em um vídeo de sete minutos, posto a disposição através de um servidor baseado na Nova Zelândia.

Nada Nem Ninguém

“ITS foi criado espontaneamente”, diz Xale no vídeo que recebemos. “Em abril de 2011”, continua ele, “cometemos nosso primeiro ataque a bomba, que feriu gravemente um funcionário universitário no México. Queríamos parar por ali, mas vendo que poderíamos usar esse modus operandi, começamos a fazer dezenas de ataques com pacotes-bomba”.

Para ITS, um slogam resume tudo: “todos os seres humanos civilizados merecem morrer.” Em janeiro de 2019, enquanto ITS colocava um artefato explosivo em frente a uma universidade de Santiago, a capital do país, o grupo disse “se arrepender” de que o engenho não tenha explodido e matado alguém. “Qualquer um”, disseram no comunicado.

Ataques, mas com qual propósito? Nenhum. O grupo afirmou em 2016 a um jornal mexicano:não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém. Um niilismo em seu aspecto mais puro, é com esta nuance que Xale traz no vídeo: “Queremos participar da desestabilização da ordem estabelecida e, na paranoia coletiva, para aterrorizar os bons hábitos de uma sociedade corrompida por sua hipocrisia”.

“Todos os seres humanos civilizados merecem morrer.”
Trecho de um comunicado de ITS.

Além da desestabilização da ordem estabelecida, os niilistas do ITS desejam ferozmente um retorno à natureza. Uma visão como a de Rousseau, com frequentes referências aos povos indígenas da América Latina, tanto em revistas digitais, quanto no cenário do vídeo, com uma jarra utilizada pelo povo chichimeca (cabaça). A cena é adornada com um crânio de ovelha e raízes de uma planta mexicana: a mesquite, toda iluminada com “a cera de uma vela natural”, nos conta Xale.

Misticismo e Eco-terrorismo

Os nomes dos diferentes ramos de ITS também fazem referência a sua proximidade com a natureza: a “Horda Mística do Bosque” no Chile, as “Constelações Selvagens” na Argentina ou a “Seita Pagã da Montanha” no México. Seus membros não creem e nada, só em si mesmos, em sua “natureza selvagem” e suas “raízes primitivas”. “A esperança está morta aqui. Não existe. Não haverá mudanças nem revolução que transforme merda em ouro. Estamos perdidos e aceitamos nosso declínio enquanto olhamos o problema real: o progresso humano e a civilização moderna.”, disse Xale, membro fundador de ITS.

“Não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém”.
Trecho de uma entrevista de ITS dada a um jornal mexicano em 2016.

No entanto, ITS quer se livrar das fronteiras de qualquer ideologia e indicou, em 2016, na revista digitalRegresión – Cuadernos contra el progreso: “não somos revolucionários nem anarquistas, não representamos a esquerda radical. NÃO somos primitivistas. O romântico e ingênuo Zerzan (nota do editor da redação: filósofo primitivista) NÃO NOS REPRESENTA, tampouco o ingênuo radical Kaczynski (nota do editor da redação: eco-terrorista estadunidense) nem nenhum outro teórico grego, espanhol, italiano, brasileiro, nem ninguém”.

De acordo com um pesquisador latino-americano que prefere permanecer em anonimato por razões de segurança, ITS é um “grupo de pessoas jovens, mal preparadas, tanto intelectualmente quanto materialmente. O grupo se baseia em argumentos fracos”. Continua o investigador, “o que os faz ainda mais perigosos é que seu discurso evolui com o tempo”. Para o investigador, os membros de ITS tem mais “problemas mentais que crenças políticas”, o que é um “duplo perigo”.

Indivíduos tendentes ao selvagem, anticivilização

ITS está presente em sete países: três na Europa (Espanha, Grécia e Reino Unido (Escócia)) e quatro na América Latina: Argentina, Brasil, Chile e México.

Em 27 de junho de 2016 o grupo reivindicou o assassinato de Jaime Barrera Moreno, empregado da Faculdade de Química da Universidade do México, UNAM.

No blog Maldición Eco-extremista, haviam reivindicado outros assassinatos desde 2011, também relacionados com centros de investigação científica. Para ITS, “a humanidade está perdida”. Não é hostil à classe trabalhadora em particular, nem aos poderosos, o grupo se declara contra a “humanidade moderna”. Guerra de classes? “É uma estupidez desnecessária”.

“Por que atacar os oprimidos?”, se pergunta em uma declaração em janeiro de 2019. “Porque não nos importa o status social. Rico, pobre, carente. Qualquer ser humano merece morrer”, disse o grupo com um cinismo que não oculta depois de um ataque cometido na capital chilena.

Bombas em Nome da Ecologia

Em 4 de janeiro de 2019, uma bomba explode em uma parada de ônibus no centro de Santiago. O saldo: 5 feridos. Os santiaguinos ficaram com medo ao ver qualquer bolsa ou pacote esquecido na cidade nos dias após o ataque, a mídia ficou perplexa.

“Chile não está acostumado a este tipo de ações, e ainda menos quando não há uma ideologia forte por trás dele”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Mas, acrescentou, “como em qualquer sociedade ocidental com um ritmo de vida agitado, este último ataque é quase esquecido por todos”.

Uma bomba em uma parada de ônibus e uma tentativa de incendiar um ônibus foi o que aconteceu no Chile em dezembro de 2018. Deixaram também explosivos na frente de igrejas no México e na Grécia na véspera de Natal do ano passado, ferindo a algumas pessoas. Bombas também foram abandonadas em frente a uma igreja no Brasil de Jair Bolsonaro, presidente de extrema direita recentemente eleito.

Os ataques de ITS, grupo oposto ao catolicismo, se dão em lugares “pequenos, isolados e fáceis de atacar”, analisa o investigador latino-americano. “Longe de um ataque em um shopping center, cercado por câmeras de segurança, onde aumentaria a pressão social para encontrar os perpetradores”, observa o investigador.

Por falta de evidências, as absolvições de ITS estão erigidas em vitórias. Após o ataque no Chile em 4 de janeiro de 2019, ninguém foi preso até agora.

Segundo uma fonte próxima à investigação a polícia chilena tem “poucas pistas”, e nenhuma delas “é clara”. Deve-se dizer que os serviços de inteligência chilenos foram desmantelados após a ditadura de Pinochet (1973 – 1990) e “não são efetivos”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Isto explica sua “falta de jeito”, acrescenta, e explica em parte “os principais problemas no Chile para enfrentar e antecipar os casos de terrorismo”.

Em uma entrevista ao jornal andino La Tercera em janeiro de 2019, Raúl Guzmán, promotor encarregado da investigação do ataque de 4 de janeiro de 2019 em Santiago, segue na mesma direção: “Eu gostaria que a Agência Nacional de Inteligência do Chile (ANI) desempenhasse um papel mais operacional na descoberta de informações.” Em outras palavras, o promotor pede uma maior eficiência desta agência. Este promotor chileno agrega que estas ações terroristas “não obedecem a nenhuma ideologia política”. O niilismo, portanto, ligado ao desejo de liberdade dos animais.

Guerrilheiros da Causa Animal

ITS se opõe à domesticação de animais. Com os escândalos de carne polaca estragada, ou lasanha com carne de cavalo (*), podia-se crer que estes eco-terroristas são parte da linha anti-especista como a associação L214, mas não é bem assim.

Em um texto intitulado “O Mito do Veganismo“, criticam a “irracionalidade das ideias e valores da filosofia vegana”, denominada por eles “regime civilizado moderno que alimenta os sonhos progressistas dos humanistas de merda”. O eco-terrorismo não tem fé no homem, nem em seu futuro.

“A longo prazo, tudo o que queremos é sobreviver, continuar travando a nossa guerra, nos expandir a outras nações e ter êxito em todos os nossos ataques”, disse Xale no vídeo enviado a TV5MONDE.

Com respeito ao risco de ataques na França, de acordo com nossas fontes, ITS “não se constitui como uma ameaça imediata e prioritária no território nacional e não se considera suficientemente capaz para atacar os interesses fundamentais da Nação.”

*Se refere a escândalos relacionados com a indústria agroalimentar na França, como a carne polaca encontrada em mal estado e a venda fraudulenta de lasanha de cavalo.

O grupo terrorista ITS põe em xeque o Estado do México

El grupo terrorista ITS pone en jaque al Estado de México é uma reportagem do meio de comunicação mexicano Excelsior sobre ITS e as últimas ações recentes dos grupos eco-extremistas daquele país, incluindo do novo grupo A Conspiração do Trovão; alinhado, mas ainda não pertencente a ITS, de acordo com declarações públicas da organização eco-terrorista. A reportagem reconhece Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) como um grupo terrorista que opera à nível mundial. Se equivoca apenas ao atribuir a ITS o ataque ao Mall no Chile, já que de acordo com informações publicadas no portal do grupo a acometida foi realizada por outro grupo simpático ao eco-extremismo.

Individualistas Tendendo ao Selvagem têm presença global e se atribuiu dos ataques a municípios mexicanos, de acordo com os acontecimentos recentes.

Os artefatos que explodiram em diversos lugares no Estado do México nas últimas semanas são parte dos atos do grupo terrorista denominado Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), que já é investigado pela Procuradoria Geral da República (PRG) por meio de áreas como a Polícia Federal Cibernética.

ITS têm presença global e perpetrou atos de terrorismo em países do continente americano, como o Chile. Em sua página htpp://maldicionecoextremista.altervista.org reivindicou em 28 de dezembro o ataque nas proximidades de uma praça comercial em Coacalco, ocorrido dois dias antes.

Seus membros declararam: “Por meio deste breve comunicado nos responsabilizamos pelo explosivo detonado nas imediações do centro comercial Power Center em Coacalco, Estado do México, em 26 de dezembro deste ano.”

“Abandonamos a bomba na passagem para pedestres às 20:00 horas. A detonação foi ouvida a vários metros ao redor e causou danos em uma das estruturas de concreto da passagem, sem que fossem registrados feridos, uma pena.”

“Nosso ódio misantrópico se traduz em feridas e terror para os humanos que se espalham por todos os lados com uma asquerosa ânsia de consumo desenfreado. Que se fodam TODOS!”

“Embora as autoridades ocultem nossas atividades, nós adiantamos que as bombas continuarão explodindo em lugares públicos durante estas datas, assim como demonstraram os cúmplices da Seita Pagã da Montanha e nós reiteramos.”

“Força para os irmãos de ITS-Brasil, que neste momento estão na mira do Estado brasileiro e suas agências de segurança! Que o Desconhecido os cubra com seu manto de impunidade! Porque nada humano detém o Selvagem!”.

Em Ecatepec

E, de fato, a série de atentados à bomba continuou: em 13 de fevereiro um artefato explodiu na capela do Santíssimo da Catetral de Ecatepec; horas antes o exército mexicano evacuou usuários e funcionários do palácio municipal de Jaltenco ante uma alegada ameaça de bomba.

No dia seguinte, foi interceptado outro explosivo com temporizador colocado em uma banca no Power Center de Coalcalco e no dia 15 foi localizada outra bomba no banheiro masculino no terceiro andar do Plaza Mundo “E”, em Naucalpan. Nos tribunais deste município a polícia evacuou 600 pessoas por um falso alarme ao encontrar uma granada de brinquedo nas imediações das instalações.

Em 22 de fevereiro foram queimadas duas unidades articuladas do Mexibús poucas horas depois de um falso alarme de bomba no centro comercial Las Américas, em Ecatepec. Este fato provocou o pânico na vizinhança porque perto do local está localizado um posto de gasolina. Investigações apontaram que o incêndio das unidades possivelmente foram causadas por bombas molotov. Em todos estes casos, não houveram detidos.

De acordo com versões reunidas de fontes da Procuradoria Geral da República (FGR) em sua delegação no Estado do México, foram iniciadas diversas investigações, que já estão sobre a mesa do chefe da unidade, Alejandro Gertz Manero.

Apesar da frequência destes eventos e das reivindicações por parte de ITS, as autoridades mantiveram certo sigilo sobre o que aponta para uma série de atentados terroristas que certamente não são novos no México.

Resposta Oficial

A secretária de Segurança do Estado do México, Maribel Cervantes, indicou que, por enquanto, há três linhas de investigação na PGR, e poderia se tratar de um grupo delinquente, grupos anarquistas ou grupos ligados a uma organização internacional (ITS) da qual as autoridades tanto locais como federais preferiram ocultar sua presença.

Em outubro de 2016 a comissária do Instituto Nacional de Transparência, Acesso à Informação e Proteção de Dados Pessoais (INAI), María Patricia Kurczyn Villalobos, exortou a Procuradoria Geral da República (PGR) a buscar e divulgar o nome dos grupos terroristas baseados no país, as organizações nacionais ou transnacionais a que pertencem, bem como crimes ou atentados provocados no/ou a partir do México.

Ao levantar a questão perante o INAI, destacou que implicava numa importância especial para a segurança do país e do mundo. O terrorismo, advertiu, é um fenômeno caracterizado pela tragédia e o sofrimento gerado individualmente, coletivamente ou socialmente.

E formou sua opinião com dados duros: “Segundo o Índice Global de Terrorismo de 2015, elaborado pelo Instituto Para a Economia e Paz, nesta área, o México ocupa o lugar 44º numa lista de 162 países, principalmente pelo impacto de nosso país na relação com o Estados Unidos e a América Latina”, disse Kurczyn Villalobos.

Através da Plataforma Nacional de Transparência (PNT) foram solicitadas informações à PGR. Através do Gabinete Especializado em Investigação do Crime Organizado (SEIDO), a Unidade Especializada em Investigação do Terrorismo, Recolha e Tráfico de Armas; da Agência de Investigação Criminal; o Centro Nacional de Planejamento, Análise e Informação Para o Combate ao Crime e da Direção Geral de Comunicação Social, a agência se desculpou com o solicitante ao responder-lhe que, após uma busca em seus arquivos, base de dados físicas e eletrônicas, “não localizou informações que atendam às características requeridas”.

Ataques Anteriores

É provável que os funcionários da PGR buscaram não criar pânico entre a população e decidiram ocultar suas informações sobre o assunto, já que de 2014 a 2016 tinha registrado em seus arquivos sobre atos de grupos anarquistas e terroristas um total de 31 atentados em diversos estados do país. Em 2017, o número subiu para 38 casos.

Alguns dos grupos detectados nas pesquisas da PGR foram: O Comado Feminista Informal de Ação Antiautoritária; o Grupo de Individualidades Anárquicas Informais e FAI/FRI; as Células Insurrectas Poucos, Mas Loucos e FAI/FRI; a Célula Incendiária Caninos Negros e Federação Anarquista Informal (FAI) – Frente Revolucionária Internacional (FRI); as Células de Ação Informal Punky Maury – FAI/FRI; a Frente de Libertação da Terra; o grupo BAIBF; as Células Incendiárias Lobos Negros – FAI/FRI e Mario Buda – FAI/FRI; a Brigada de Ação Informal Bruno Filippi; o Grupo Selvagem de Ação Pela Terra, entre outros.

Dependências

Os alvos de seus ataques foram os mesmos órgãos do governo, como instalações bancárias e escritórios de empresas privadas como Telmex, e ocorreram principalmente em locais como Oaxaca, Cidade do México, Jalisco, Estado do México e Quintana Roo. Na lista não aparecia o agora ativo ITS.

Em outubro de 2016, o Centro de Investigação e Segurança Nacional (CISEN) relevou que nos últimos dez anos, grupos anarquistas, extremistas e eco-terroristas haviam realizado 306 atentados, especialmente na Cidade do México. Somente em 2016 foram registrados 36 ataques, conforme estabelecido em uma solicitação de informações por meio da PNT.

De fato, a agência de inteligência estabeleceu o ano passado como uma das prioridades na Agenda Nacional de Riscos para o perigo representado pelo terrorismo internacional. Até os últimos seis anos o CISEN estava encarregado de preparar esta agenda que fazia com o feedback e acordo mútuo com os titulares de outros órgãos que integravam o Conselho de Segurança Nacional, como o Presidente da República; os secretários da Defesa Nacional, Marinha, Relações Exteriores, Função Pública, Comunicações e Transporte, Finança e Crédito Público; bem como o Comissário de Segurança Nacional, o Procurador Geral da República e o próprio diretor geral do CISEN. Agora será importante perguntar ao novo governo como esta agenda será integrada.

Em outros de seus comunicados reivindicando outro atentado, mas no Chile, os membros de ITS delineiam parte de sua doutrina:

Ataque no Mall Florida Center no Chile

“Acreditamos que o Anarquismo, pelo menos aqui e agora, deve ser antissocial, renunciar a “alcançar o povo”, dado que a própria sociedade com sua visão antropocêntrica e sua moral são inimigos nossos. Os cidadãos estão do outro lado da barricada, com seu conforto e consumo, defendendo o artificial. Saibam que não lamentados se nossos feitiços firam alguém, se os terremotos e tsunamis afetam a mais pessoas. Não pretendemos solucionar problemas, mas criá-los. Somos parte das forças do caos pandimensional. Rumo a todas as direções”, disse ITS.

Ecologistas Selvagens

Pequena reportagem investigativa extraída do site Reporter Indigo. Foi publicada em 2016.

jalisco

A Procuradoria Geral de Jalisco atribuiu a organização eco-terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) dois explosivos encontrados em fevereiro em Guadalajara, o que confirma sua chegada; em 2011 ITS perpetrou diversos ataques contra membros da comunidade científica do TEC, UNAM, UPP e outros.

“Nossos atos estão pensados para aterrorizar, ferir, mutilar e assassinar aos mencionados objetivos. Utilizando ameaças, explosivos e armas de fogo para cumprir nossos fins imediatos. Os e as que trabalham na destruição da natureza selvagem necessitam de uma punição, seus atos não permanecerão impunes.”

“Nada, absolutamente nada garante que não serão feridos civis. Na verdade, nossos ataques são projetados para causar o maior dano possível e se em um destes atentados caem mais vidas do que havíamos pensado, melhor ainda.”

Isso faz parte do Quinto Comunicado de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), uma organização inclinada ao eco-terrorismo a qual a Procuradoria Geral de Jalisco atribui a colocação de dois artefatos explosivos em Guadalajara, em fevereiro passado, o que revela sua chegada à cidade.

A notícia passou um tanto despercebida. Em 8 de fevereiro foram abandonados pacotes explosivos nas delegações do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt), e na Secretaria de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação (Sagarpa), ambos neutralizados pelo esquadrão Tedax de Guadalajara.

Dois dias depois, o promotor Eduardo Almanguer Ramírez disse que o atentado “foi dirigido a cientistas”, e abundou:

Um deles é investigador em novas tecnologias de produção agroalimentícia e o outro é o diretor do Conacyt, estão desenvolvendo vários projetos e estamos revisando o que poderia ter ocorrido”, uma declaração registrada pelo jornal Crónica.

Em 13 de fevereiro foi o próprio ITS que se atribuiu da autoria destes artefatos, em seu Segundo Comunicado, onde descreve suas ações e objetivos:

“Um pacote-bomba de ativação eletro-mecânica composto de dinamite foi abandonado nas oficinas centrais da Sagarpa na colônia Tabachines, do município de Zapopan. O pacote estava dirigido ao titular da instituição federal.”

“Um outro pacote-bomba de ativação similar, porém composto por um tubo de papelão sólido preenchido com pólvora negra foi abandonado nos escritórios do Conacyt, dirigido ao encarregado da instituição, na colônia Vallarta San Jorge, em Guadalajara.”

“Embora ambos explosivos não tenham alcançado o seu fim, o qual era ferir ou privar a vida das pessoas-objetivos, foi gerada uma grande mobilização policial e militar em ambos municípios.”

Em um informe posterior de seu Comissário de Segurança Pública, Raúl Alejandro Velázquez Ruiz, obtido em 14 de março através da lei de acesso à informação pelo Repórter Indigo, a Procuradoria confirmou o ITS por trás dos pacotes explosivos.

A Chegada

A organização ITS -antes denominada de Individualidades, não Individualistas– situa sua origem em 2011, ano em que perpretaram diversos ataques à comunidade científica em locais como a Cidade e o Estado do México, Guanajuato, Hidalgo e Morelos, mas não havia antecedente dela em Jalisco.

“Que saibam que ITS também se encontra em Jalisco, isto foi apenas uma prova, seguiremos empenhados em aterrorizar, ferir, mutilar e até mesmo assassinar os cínicos responsáveis por trás de uma instituição que se dizem “preocupados” com a natureza, mas que, em vez disso (sic), são responsáveis diretos pela devastação e a domesticação desta.”

Em seu Primeiro Comunicado de 26 de janeiro de 2016 definiram seus objetivos:

“Persistimos nesta guerra declarada contra o sistema tecnológico, contra os que o aperfeiçoam e o sustentam. Atentamos fisicamente e emocionalmente contra aquelas pessoas-objetivos que se empenham em destruir e manipular os ambientes naturais, indômitos e selvagens que restam.”

“Nossos atos estão pensados para aterrorizar, ferir, mutilar e assassinar aos mencionados objetivos. Utilizando ameaças, explosivos e armas de fogo para cumprir nossos fins imediatos. Os e as que trabalham na destruição da natureza selvagem necessitam de uma punição, seus atos não permanecerão impunes.”

Em seu Quinto Comunicado em 2 de março, afirmou ter presença no Estado do México (Ouroboros Silvestre); na Cidade do México (Grupo Oculto “Fúria do Lince”); em Michoacán (Grupo Editorial “Revista Regresión”); e em Jalisco (Bando Feral-Delinquencial), além de Chile e Argentina.

“Vagamos por suas cidades em busca de seus defeitos e imperfeições, à procura de tudo que seja civilizado e progresso humano. Conhecemos seus tempos, suas horas e momentos, sua rotineira monotonia civilizadora nos ampara”, é parte do seu Terceiro Comunicado de 19 de fevereiro, desde o Chile.

A História

O primeiro atentado que é atribuído a ITS data 19 de abril de 2011, na Univerdade Politécnica do Vale do México, em Tultitlán, onde um artefato explodiu e provocou feridas graves a um trabalhador no rosto.

Somente em 2011 ITS assumiu a autoria de outros quatro pacotes explosivos: no Tec de Monterrey em Atizapán (8 de agosto); no Centro de Investigação e de Estudos Avançados de Irapuato (Cinvestav, 28 de agosto); na Universidade Politécnica de Pachuca (8 de dezembro); e nos escritórios do Greenpeace (25 de novembro).

Além disso, assumem a responsabilidade do homicídio em Cuernavaca de Ernesto Méndez Salinas, investigador do Instituto de Biotecnologia da UNAM, em 8 de novembro de 2011.

Após o ataque citado ao Tec de Monterrey, onde a explosão do dispositivo feriu a Armando Herrera Corral, coordenador do Centro de Desenvolvimento Empresarial e Transferência de Tecnologia, e a outro cientista, Alejandro Aceves López, ITS difundiu:

“Parece que neste atentado acertamos a dois tecnonerds com um só tiro.”

Em seguida o procurador mexiquense, Alfredo Castillo Cervantes, disse à imprensa em 9 de agosto de 2011:

“Foi identificado como prováveis responsáveis um grupo denominado Individualidades Tendendo ao Selvagem, por suas siglas ITS, como aqueles que tem atribuído o envio e fabricação de um artefato explosivo contra o pessoal acadêmico deste centro educacional”; asegurou que tinha presença na Espanha, França e Chile.

Em 2013 ITS atribuiu a suas atividades mais dois explosivos, um explodiu em um carro dos correios da Sepomex em Tlalpan (21 de fevereiro), e outro foi dirigido ao investigador em nanotecnologia Sergio Andrés Águila, do Instituto de Biotecnologia da UNAM, em Morelos, entretanto não detonou (11 de fevereiro).

Libertação Animal

Antes de ITS, um grupo também de orientação eco-extremista -mas sem se assumir como terrorista- havia deixado explosivos em Guadalajara: a Frente de Libertação Animal, a qual a Procuradoria atribui três artefatos, embora apenas tenha detonado.

O primeiro foi colocado aos arredores do laboratório Novartis em 22 de setembro de 2009. A FLA acusou a esta empresa de torturar animais; e o segundo foi posto em 19 de maio de 2010 a 20 metros de distância do primeiro local; nenhum explodiu.

Em contrapartida, em 6 de novembro de 2010, a FLA explodiu um pacote nas imediações da Secretaria de Desenvolvimento Rural, embora sem causar grandes danos. Os três foram na colônia Americana de Guadalajara.

Em seu relatório sobre Terrorismo em 2009, o Departamento de Estado estadunidense incluiu a atividade da FLA no México:

“Embora os incidentes de terrorismo doméstico não tenham aumentado durante o ano passado, o México recebeu ameaças de um grupo anteriormente ativo (o EPR) e testemunhou o surgimento de um novo elemento.”. E observa:

“De maio a agosto, a Frente de Libertação Animal assumiu a responsabilidade por ataques a bancos e pontos comerciais na Cidade do México, usando bombas com tanques de propano. Três bombas foram descobertas sem explodir, outras três causaram danos em propriedades, mas não houve feridos.”

No relatório de 2010 os atos da FLA voltaram a ser incluídos nos “incidentes terroristas” no México.