Artigo Sobre Violência Descolonializadora e Eco-extremismo Para a Conferência da ASN em 2018

Interessante texto de autoria de Julian Langer, do blog Eco-revolt, que fala sobre moralidade e territorialização política moralizadora, especialmente pelos esquerdistas (incluindo os anarquistas).

Este texto de Langer foi publicado em seu blog e rapidamente apagado devido às reações que provocou, já que o que ele mesmo discute em seu ensaio graciosamente ocorreu com ele próprio, foi instantaneamente atacado pelas freiras da igreja da anarquia. A sua versão íntegra foi publicada pelo grupo eco-extremista brasileiro Sociedade Secreta Silvestre, que afirmou possuir a versão original do texto e o divulgou no comunicado 63 do grupo ITS. Tal comunicado tem haver com uma briga que se iniciou com o IGD (It’s Going Down), mencionado no texto de Langer, e se estendeu envolvendo outros personagens, como os “anarcaguetas” do 325 a quem o grupo brasileiro direcionou o comunicado. Talvez a maior resposta por parte dos eco-extremistas a todo este pleito foi o texto Against the World-Builders: Eco-extremists respond to critics. Também há outra resposta mais curta chamada Tendências Cristãs Pseudo-humanistas.

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Em 13 de setembro, apresentei este artigo na conferência da Rede de Estudos Anarquistas, na Universidade de Loughborough. Isso foi escrito para ser falado e não foi editado para que sua leitura fosse simplificada.

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O teórico político pessimista Jacques Camatte, cujos escritos após seus anos como teórico marxista influenciaram o discurso ana
rquista de sua época —em particular a ala anarco-primitivista— declarou em seu trabalho Contra a Domesticação que; “Há outros que acreditam que podem combater a violência propondo remédios contra a agressividade e coisas do tipo. Todas essas pessoas geralmente concordam com a preposição de que cada problema pressupõe sua própria solução científica específica. São, portanto, essencialmente passivos, pois consideram que o ser humano é um simples objeto a ser manipulado. Eles, por sua vez, são completamente desprovidos do que é necessário para se criar relações interpessoais (algo que eles têm em comum com os adversários da ciência); eles são incapazes de ver que uma solução científica é uma solução capitalista, porque elimina os humanos e coloca a perspectiva de uma sociedade totalmente controlada”.

Parece mais do que óbvio que vivemos entre grandes quantidades de violência e que a violência e a necessidade de acabar com ela é o assunto dominante dentro da narrativa em que nos encontramos. A violência da cultura do estupro; a violência da opressão racial e colonial; a violência do ISIS, os islamitas e as forças internacionais contra eles; a violência da Rússia, Coreia do Norte e Estados Unidos; a violência dos tiroteios nas escolas da América; a violência dos apunhalamentos em massa pelas gangues em Londres; de bombas, carros, armas, facas e pênis. Muitos atos de violência são pouco comentados; a violência das armadilhas para animais; a violência das motosserras; a violência da desocupação de uma área para reutilizá-la para construções ou plantações de monocultivos industriais para alimentar uma população em crescimento.

No discurso radical, particularmente no da tradição anarquista, geralmente temos um tipo de relacionamento distorcido com a violência. Meu desejo aqui é identificar um tópico em nossas discussões que muitas vezes é negligenciado —esse tópico tem a ver com a interiorização e exteriorização —, sob o olhar do grande Outro. Neste assunto, me concentrarei no discurso contemporâneo sobre as atividades descoloniais, anticoloniais e eco-extremistas. Isso também envolverá, na parte final deste artigo, uma declaração ontológica sobre o que a violência realmente é.

No ano passado, a organização anticolonial chilena Luta do Território Rebelde (Weichan Auka Mapu), em uma única ação, incendiou 29 veículos usados em atividades de extração de madeira. Entre janeiro e maio de 2016, o grupo cometeu 30 atos semelhantes de danos à propriedade, em defesa do território em que vivem, das florestas e a vida selvagem. Da mesma forma, o MEND, Movimento Para a Emancipação do Delta do Níger, uma organização combativa armada composta por células independentes envolvidas em uma guerra de guerrilhas contra as empresas de petróleo, explodiram oleodutos, atacaram campos de petróleo e sequestraram petroleiros como parte de suas atividades anticoloniais.

Como porta-vozes dos âmbitos de ambientalistas radicais e anticoloniais de fala inglesa, grupos como Earth First! e Deep Green Resistance lançaram seus apoios a esses grupos e a outros como eles, buscando legitimá-los, dentro do contexto do discurso radical. Isso envolve experimentar o processo que Deleuze e Guattari denominaram territorialização, no qual um processo de interiorização associa esses grupos à estrutura de um mecanismo particular. Isso leva esses grupos a um lugar de aceitação moral, dentro do marco moral com orientações de esquerda. A partir disso, essas ações, as atividades desses grupos, e outros similares, passam a fazer parte da narrativa da política radical de esquerda, referente ao processo de civilização e história. Eles se convertem em personagens nos capítulos que precedem a “revolução” e, semelhante ao descrito por Camatte na citação que mencionei anteriormente, são vistos como objetos passivos a serem cientificamente manipulados. Como personagens do meta-drama em que residem, eles recebem uma identidade que funciona plenamente como um significante simbólico para um Outro, que se posiciona como o superego paterno, legitimando suas lutas, como Deus ao determinar quem vai para o céu, ou melhor, quem não será jogado no gulag, mesmo o anarquista, depois da revolução —interiorizada— e quem será jogado no inferno, ou no gulag, novamente, até o gulag construído por anarquistas — exteriorizado.

Esse também é o caso em lutas descoloniais que não estão necessariamente ligadas a lutas eco-radicais, como a luta palestina contra as violências de Israel, na qual manifestantes desarmados são pintados como “inocentes” pelas organizações pacifistas de esquerda que usam a luta destes indivíduos como uma plataforma própria, com a implicação de que palestinos armados, como o Hamas, são alvos legítimos da violência colonial estatista.

Enquanto os líderes das organizações, que podem ser educados nas filosofias ocidentais do marxismo, anarquistas etc., podem abraçar essa trajetória ideológica, acho que, na verdade, fora dessa interiorização, aqueles indivíduos que estão ativamente engajados nas ações desses organizações e similares; eles não se importam com progresso, história, capitalismo ou nada disso. Eles se preocupam com as florestas, terras, vida selvagem, rios e mundo em que estão imersos e vivem como Extensões.

Essas funções de enquadramento mecânico, da maneira que Heidegger descreve em relação à tecnologia e enquadramento, onde, como objetos, símbolos e personagens de uma descrição tecnológica, se encaixam no modo da existência humana previamente descrita, aquela da narrativa ideológica de esquerda, desumanizada, inanimada e não animal.

E agora quero avançar para algo que poderia parecer de muitas maneiras como totalmente o oposto, mas argumento que se enraíza na mesma narrativa que descrevi aqui. De qualquer forma, para isso, vou me dedicar um pouco à história. Pode-se dizer que a campanha de ataques de Kaczynski, que durou 17 anos, foi a de maior sucesso do seu tipo. Como Unabomber, Kaczynski enviou 16 bombas a vários locais nos Estados Unidos. Foi somente após a publicação de seu manifesto, A Sociedade Industrial e Seu Futuro, que suas motivações foram esclarecidas e ele foi capturado. O trabalho é uma crítica brilhantemente articulada sobre a sociedade industrial, que inclui uma crítica ao esquerdismo, que não irei me aprofundar aqui, uma vez que não é tão necessário e isso ocuparia muito espaço. Menciono apenas por sua relevância e pelo que estou prestes a desenvolver.

A influência de Kaczynski, com relação ao espaço anticolonial, é particularmente notável em relação ao movimento pós-anarquista niilista-terrorista chamado Eco-extremismo. Surgido das profundezas das discussões niilistas-anarquistas e anticiv, e quase inteiramente situado na América do Sul e Centro, composto por indivíduos indígenas e anticivilização, com apenas algumas células na Europa, esse movimento tem buscado ativamente se exteriorizar da maquinaria e da narrativa esquerdista.

Em suas atividades anti-progressitas e anti-melioristas, o grupo que é o defensor mais conhecido do Eco-extremismo, Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), centrou suas atividades, assim como Kaczynski, em plantar bombas em instituições universitárias, como laboratários nano-tecnológicos; antes de avançar com seus famosos, devido ao rechaço à moralidade, assassinatos indiscriminados, em nome da Natureza Selvagem.

Caso você não esteja familiarizado com o grupo, gostaria de resgatar aqui algumas citações de seus primeiros comunicados:

1. “A civilização entrará em colapso e um novo mundo nascerá devido aos esforços dxs guerreirxs anticivilização? Ah, por favor! Sejamos realistas, plantemos os pés no chão e deixemos de voar dentro da mente delirante e esquerdista. A revolução nunca existiu e, portanto, tampouco xs revolucionárixs. Aquelxs que se vêem como “potencialmente revolucionárixs” e que buscam uma “mudança radical anti-tecnológica”, estão sendo verdadeiramente idealistas e irracionais, porque tudo isso não existe. Neste mundo moribundo existe apenas a Autonomia do Indivíduo, e é por ela que lutamos.”

2. “Um mundo sem domesticação, com um sistema derrotado através do trabalho dxs “revolucionárixs”, com a Natureza Selvagem nascendo das cinzas do antigo regime tecnológico e a espécie humana (o que restaria) de volta à natureza, é completamente ilusório e sonhador.”

3. “Its mostra a sua verdadeira face, vamos ao ponto central, a feroz defesa da Natureza Selvagem (inclusive humana) não se negocia, é executada com os materiais necessários, sem compaixão e assumindo a responsabilidade pelo ato. Nossos instintos nos marcam, porque (como dissemos anteriormente) somos a favor da violência natural e contra a destrutividade civilizada.”

A resposta que ITS recebeu foi de exteriorização ativa por parte dos esquerdistas e anarquistas-morais. A publicação anarquista de esquerda Its Going Down particularmente se pronunciou contra ITS, especialmente após o comunicado 29, no qual reivindicavam a responsabilidade pelo assassinato de uma mulher em uma floresta, e também demonizaram anarquistas e ocidentais que incluem o Eco-extremismo em suas discussões. Its Going Down os classificou como Eco-fascistas em uma de suas condenações contra o grupo, numa tentativa óbvia de demonizá-los moralmente, excluindo-os da comunidade de grupos e organizações consideradas aceitáveis dentro da moralidade anarquista. Isto é, assim como o MEND e a Luta Pelo Território Rebelde (Weichan Auka Mapu), realizado sob o olhar do Outro superego paternal, reprimindo aquilo que é moralmente inaceitável, desde uma posição de autoridade moral, como Deus. Este é um exemplo do que Camatte descreve, onde os esquerdistas condenando ITS e o Eco-extremismo tratam os Eco-extremistas, aqueles interessados no Eco-extremismo e seus próprios simpatizantes e partidários, como objetos para a manipulação científica, em um movimento capitalista por controlar, territorializar.

A revista Eco-extremista Regresión faz uma tentativa notável de se exteriorizar, tanto em seu nome quanto em seu conteúdo. Ela se descreve como o antônimo do progresso, como uma força regressiva antiética, marcando sua estratégia em um estilo marxista ativo da dupla dialética. A Revista proclama ativamente que não deseja ser lida por muitas pessoas e que não busca atrair leitores, mas está disponível na web para ler lida por quem quiser. Está dizendo ativamente que “não somos um de vocês” e “não formamos parte disso”, de maneira muito semelhante a como os esquerdistas buscam exteriorizar o Eco-extremismo. A partir desses exemplos que apresentei, tentei identificar que, tanto em enquadramentos morais positivos e negativos, através de interiorização ou exteriorização dentro da narrativa do progresso, revolução e história, a relação esquerdista com relação aos projetos extremistas e radicais anticoloniais e descoloniais é aquela cuja estrutura mecanicista é ideológica e funcionalmente colonialista e racista. A esquerda não aceita nem condena as ações de grupos indígenas e anticoloniais simplesmente sob seus próprios termos, mas os associa ao simbolismo de seu próprio desenho ideológico. Ao mesmo tempo, o movimento descolonial tornou-se tão incorporado à maquinaria esquerdista que, no caso dos Eco-extremistas, os povos indígenas estão se afastando da luta.

Aqui, sinto a necessidade de ir a outro ponto ligeiramente diferente daquele de onde estivemos durante a maior parte disso, mas sem nos afastarmos muito. Enquadro isso em um lugar geográfico, mais que em um tempo histórico, pois a onde quero chegar não é nem historicamente progressivo nem reacionário, ou regressivo, seja qual for o termo que você prefira, mas metafisicamente presentista, em um sentido imediatista egoísta e fenomenológico. Karl Popper declarou em seu trabalho A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, onde critica o historicismo teleológico de Hegel, Marxs e pensadores semelhantes por ser fundamentalmente totalitários, que a “História não tem significado” —uma preposição sem dúvida desagradável para qualquer pessoa que tenha uma postura política esquerdista, mas é neste sentimento a qual quero chegar. Esta é a questão da destruição, que mais tarde diferenciarei da violência. Agora, quando olho para fora de mim rumo ao que o discurso e ação pós-anarquista significam hoje em dia, no tempo presente, quando nos encontramos em uma crise sistemática, colapso ecológico e em meio a tanta violência, me parece que realmente podemos apenas falar sobre ontologia. Não estou querendo dizer que estamos falando e que só podemos falar sobre conceitos vagos e abstratos, mas que, na raiz de nossos discursos e, se formos honestos em nossas discussões, estamos falando de psico-ônticos, socio-ôticos, eco-ônticos, sobre Realidades e sobre o Real. Estou indagando aqui, ao incorporar o ôntico junto com a ontologia, dentro do mundo das Coisas (C maiúscula) e a reificação (usando o termo no sentido exposto pelo velho e confiável comunista Marx e no sentido da falácia do concretismo, também conhecido como hipostatização). Essas discussões ontológicas podem frequentemente ser enquadradas nos teatros simbólicos das ideologias, interiorizando e exteriorizando, em processos de territorialização. Mas abaixo destas vestimentas, na carne nua de nosso discurso, é ontológico. Somos, de muitas maneiras, todos anarquistas ontológicos de práxis.

Com base nisso, farei uma afirmação de que o projeto anarquista ontológico é de destruição ativa, no sentido Heideggeriano. Eu gostaria de pegar emprestado o termo da guerrilha ontológica de Robert Anton Wilson para isso. Como Heidegger observou, a destruição é uma tarefa presentista que não se enquadra nas categorias normais de positivo-negativo, sendo niilisticamente amoral e não posicionada no passado. Sem ser dualisticamente positiva nem negativa, a destruição aqui é uma força radical monística, no sentido que sugere o anarquista-coletivista Bakunin quando declarou que “a paixão pela destruição é também uma paixão criativa” imediata; ao contrário das tradições gnósticas da ideologia revolucionária de esquerda, nas quais tanto a teoria como a prática mantêm um dualismo esotérico, em relação a objetos que podem ser manipulados cientificamente.

Mais do que como uma prática antropológica, afirmo que a verdadeira destruição-criativa sem objetivos de Ser é o processo de transformação que está acontecendo constantemente. A civilização e a história, nesse sentido, são tentativas de interromper esse processo e criar, através da reificação simbólica, uma ontologia social de um estruturado-espaço absoluto —a construção de territórios, de objetos com interiores e exteriores, da natureza e do espaço que está fora da natureza (civilização), de grupos e categorias; um teatro de fantasmas, tecnologicamente inautênticos, no sentido em que Heidegger expõe, tentando reprimir a relacionabilidade do Ser, na forma de desenvolvimentos prolongados no tempo, ou melhor, como a passagem da vida vista como o espaço aberto da possibilidade. A civilização, a fim de manter o maquinário de seu funcionamento, deve restringir, através da colonização, a moralidade, etc., o espaço aberto da possibilidade, através da interiorização e a exteriorização voltadas para uma narrativa totalitária, com um caminho direcionado.

Agora, de certa forma, o que eu, como alguém do mundo anti-civ, estou dizendo com isso é que deveríamos nos livrar dos grupos, categorias, territórios, interiores, exteriores, inclusão, exclusão, objetos, símbolos e outros fantasmas tecnológicos, mas isso dificilmente chegará a algum lugar no tempo presente. Assim, junto com isso, desejo fazer outra afirmação para nós, como indivíduos, ou melhor, como singularidades, envolvidas em projetos descoloniais e anticoloniais de desterritorialização; que abracemos radicalmente a noção de monismo-como-pluralismo; não para interiorizar o mapeamento do espaço radical de uma nova maneira em relação àquela em que o fazemos atualmente. Se não, deixar a situação o mais desordenada possível e não julgar a desordem através da condenação moral, e não encaixar os eventos dentro das estruturas de ideologias de esquerda, mas deixar tudo no espaço da possibilidade. Talvez isso possa ser considerado o equivalente eco-anarquista da noção liberal de Bergson da sociedade aberta —embora também, talvez não. Se, no entanto, estamos lidando com processos ontológicos, sugiro que consideremos nossas percepções da realidade, como espaço e tempo, da maneira que o matemático Poincaré indica com sua filosofia da geometria; como se tivéssemos nascidos sem intuições, que se tornaram mais convenções normativas do que fatos.

Essa ideia que estou propondo é obviamente bastante incômoda, pois deixa quase tudo em aberto, mas se vamos descolonizar o espaço físico estruturalmente racista das políticas anticoloniais, então nos resta este lugar de incomodidade, no qual devemos reconhecer sem categorizar moralmente, em um sentido anti-político.

Finalmente, também desejo fazer uma declaração ontológica aqui, para os propósitos do discurso, de que muito do que é categorizado como violência por grupos eco-radicais e anticoloniais não é violência, sendo a violência um objeto reificado da civilização, significando violação. Em vez disso, o que geralmente é categorizado como violência, neste sentido, é realmente uma aceitação da destruição-criativa não-ôntica acósmica ontológica selvagem.

Violação, dessa maneira, parece ser o funcionamento mecanicista básico da civilização —invertendo a afirmação de ITS de que a natureza é violenta e a civilização é destrutiva. O propósito da civilização é o propósito da violência. Isso não é para legitimar estas ações que estou descrevendo como destrutivas ao invés de violentas, mas para diferenciá-las para os propósitos da práxis pós-anarquista.

Violar é interromper o fluxo de um espaço e criar uma obstrução, como uma represa em um rio, como um militar chegando para interromper o cotidiano da comunidade, como um pênis forçando sua entrada no corpo por estupro. A destruição é um aspecto criativo dos atuais processos temporais do espaço que é o Ser. Destruição é a abertura do espaço. Descolonizar é destruir a narrativa de produção que é essa cultura. Desterritorializar, sem reterritorializar, e sem julgar o que cresce no espaço aberto. Deixemos as coisas abertas e não tratemos o mundo como um objeto para nossa manipulação. Deixemos de tentar ser Deus e destruamos o totalitarismo. Vivamos livres de interiores e exteriores, de inclusão e exclusão. Tornemos real o sem fronteiras nem limites, e sejamos anarquistas abraçando a anarquia. Poincaré disse que “A Geometria não é verdadeira, é vantajosa”, mas isso não vai longe o suficiente. A geometria não é verdade, mas pode ser uma aventura!

Obviamente, isso vai além do espaço descolonial, pois inclui os espaços de teoria e práxis antipatriarcais, de ambientalismo radical e antiestatismo, uma vez que a estes também seria importante desconstruírem seus territórios e abraçar a noção ontológica do monismo = pluralismo —mas não há espaço neste ensaio para incluir estas lutas.

Gostaria de terminar com esta frase do filósofo marxista-autônomo Agamben; “O que teve de perdurar no inconsciente coletivo como um híbrido monstruoso de humano e animal, dividido entre o bosque e a cidade —o lobisomem— é, portanto, originalmente a figura do homem que foi expulso da cidade. Que esse homem seja definido como um lobisomem e não simplesmente como um lobo…é decisivo aqui. A vida do bandido, como a do homem sagrado, não é um pedaço de natureza humana sem relação alguma com a lei e a cidade. É, em vez disso, um umbral de indistinção e de passagem entre animal e homem, Physis e Nomos, exclusão e inclusão: a vida do bandido é a vida de Loup Garou, o lobisomem, que não é exatamente nem homem nem besta, e que habita paradoxalmente dentro de ambos sem pertencer a nenhum”.

Eco-terrorismo, Eco-fascismo, Eco-extremismo, Eco-anarquia e a Floresta Białowieża

Esta é a tradução de Eco-terrorism, Eco-fascism, Eco-extremism, Eco-anarchism and the Bialowieza Forest, respeitável opinião de Julian Langer, eco-radical radicado no Reino Unido responsável pelos blogs Eco-Revolt e Feral Culture. Na ocasião Langer se manifesta sobre as críticas de alguns anarquistas nos Estados Unidos em relação às ações dos eco-extremistas.

A última floresta primaveril da Europa é bela floresta Białowieża, lar de bisontes, raposas e uma infinidade de outras criaturas vivas, os últimos remanescentes de uma Europa selvagem agora lembrada apenas em mitos e lendas, que é situada na região da atual Polônia, e atualmente está sob ataque de madeireiros.

Como indicado no vídeo acima, o mais alto tribunal da União Europeia ordenou que o governo polonês parasse de entrar na área (1). O movimento nacionalista de extrema direita em ascensão na Polônia levou isso para sua pauta (2), (desta forma, a UE) chama os ambientalistas que buscam defender e apoiar a floresta de “terroristas verdes”.

Esta não é a primeira vez que os ecologistas e os anarquistas foram taxados de terroristas, houveram eventos como o de Langnau na Suíça em 2010 (3) que puseram o eco-anarquismo na imprensa britânica, sendo rotulados como terroristas. O FBI (4) lista grupos eco-anarquistas como Earth First!, ALF e ELF como grupos terroristas. Mas isso é completamente estranho por rotular grupos que na maioria dos casos causam danos à propriedade como grupos terroristas.

É terrorismo sabotar equipamentos madeireiros, escalar e sitiar árvores, e não danar pessoas, não infligir violência a ninguém e, em geral, fazer todo o possível para evitar ferir pessoas? É terrorismo cortar e destruir um dos ecossistemas vivos mais antigos do planeta, lar de mais vida silvestre do que se pode imaginar, uma fonte de cura para nossa atmosfera, um modo de vida em si, de uma maneira brutal? Um me parece terrorismo, e o outro não. No entanto, e quanto ao rótulo que os ecologistas muitas vezes chamam de “eco-fascismo”: tem algum peso nisso?

Em reação à ascensão do Trumpismo e aos crescentes movimentos de direita nos Estados Unidos e Europa, os antifas e o antifascismo tornaram-se mais visualmente ativos e cada vez mais fazem parte da política cotidiana. Os grupos anarco-comunistas, ligados aos antifas, realizaram recentemente entrevistas com a Fox News (5) sobre o tema do racismo e o autoritarismo na era política de Trump. Mas e os eco-anarquistas?

O Earth First! tem falado durante muito tempo contra o fascismo e a xenofobia, e apoiou ações que se opuseram diretamente a Trump antes de sua presidência. (6) O ambientalismo como movimento apoiou durante muito tempo as lutas anticolonialistas (7), e pode-se argumentar que o ambientalismo não pode ser separado do anticolonialismo, já que o fascismo italiano-imperialista têm laços inegáveis e relações amistosas com o colonialismo. (8)

O escritor ambientalista radical Derrick Jensen escreveu sobre, em oposição aos laços e a influência do fascismo nas indústrias e negócios hoje em dia. (9)

Muitos daqueles que querem vincular o ecologismo com o fascismo buscam inspiração na simpatia nazi pela natureza (10), extraindo o sangue e as narrativas do solo ligadas ao nazismo verde (11). Este é obviamente um argumento bastante pobre para o homem de palha, mas frequentemente é popularizado, e apela a argumentos baratos do tipo Reductio ad Hitlerum.

Então, qualquer tentativa de vincular os eco-radicais com o fascismo parece muito fraca, se é que isso pode ser feito, com eco-radicais e eco-anarquistas que têm vínculos mais estreitos com os antifascistas que com a extrema-direita. Mas quais são os sentimentos entre os grupos radicais?

O grupo anarquista-comunista It’s Going Down recentemente (12) criticou o grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) através de uma rodada de artigos sobre o eco-extremismo e sua relação com o anarquismo. Em geral, as críticas foram direcionadas às táticas mais violentas deste grupo no México, que abraça a categoria do terrorismo e pretende criar terror para os civilizados.

It’s Going Down acusou este grupo eco-extremista de ser “eco-fascista”, e tentou manchar nomes de projetos anarquistas que têm algum tipo de ligação ou que estão em discussão com o eco-extremismo.

O eco-extremismo é um movimento que se separou do anarco-primitivismo e de Kaczynski, seguindo um viés ecologista radical em favor de uma abordagem do tipo niilista-pagã para o discurso e a prática eco-radical. Pessoalmente, não estou convencido de tudo o que vi emergir das escrituras eco-extremistas nem encontro o amor de ITS à violência aleatória completamente vulgar e indesejável, mas simpatizo com uma grande parte da crítica do argumento eco-extremista, particularmente suas críticas aos anarquistas e ecologistas de esquerda.

E simpatizo também com esta crítica aos anarquistas por parte deste escritor eco-extremista (13), sobre a fraqueza dos argumentos anarquistas, onde os anarcos simplesmente chamam “fascista” tudo o que não gostam, algo que parece estar acontecendo. Algo que me encanta no discurso eco-extremista é sua oposição ao antropocentrismo e o abraço à natureza selvagem, que definem como:

Natureza Selvagem: “A Natureza Selvagem é o principal agente da guerra eco-extremista. Os filisteus se opõem à invocação da “Natureza Selvagem” taxando isso de atavismo ou “superstição”, mas o fazem apenas por causa da sua própria domesticação e idiotice. “Natureza Selvagem” é tudo o que cresce e se manifesta no planeta em objetos animados e inanimados, de pedras a oceanos, de microrganismos a toda a flora e fauna que se desenvolveram na Terra. Mais especificamente, “Natureza Selvagem” é o reconhecimento de que a humanidade não é a fonte e o fim da realidade física e espiritual, mas apenas uma parte dela, e talvez nem mesmo uma parte importante.”, extraído de Atassa: Reading in Eco-Extremism. (14)

Este abraço ao selvagem é algo que grande parte do ecologismo e a maioria dos anarquistas perderam, já que ambos se fundiram cada vez mais à civilização e a suas narrativas.

Voltando à floresta Białowieża, um dos últimos lugares que encarna completamente o selvagem, se você olhar para ela desde um olhar do tipo pagão eco-extremista ou desde um olhar eco-anarquista ou eco-radical, é um lugar de óbvia beleza e valor.

Não podemos dizer se a proteção da UE fará muito ou não, especialmente com a crescente onda de nacionalismo dentro da Polônia e a quantidade de extração ilegal de madeira que não é controlada em todo o mundo. O que podemos fazer é sermos aliados do selvagem, viver vidas selvagens e sermos iconoclastas em relação a esta cultura/civilização/Leviatã que está destruindo antropocentricamente a biosfera, cuja beleza selvagem nós amamos.

Não somos fascistas nem terroristas, mas utilizaremos os meios que temos disponíveis e lutaremos pelo que amamos. Este site recentemente reeditou este o artigo sobre o Chamado Internacional de Mobilização Para a Defesa da Floresta Hambacher (15), como parte da resposta para defender esta floresta na Europa.

Necessitamos retornar ao bosque e defendê-los por todos os meios à nossa disposição.

Para terminar, algumas citações:

“O caminho mais claro ao Universo é através de uma floresta selvagem.” – John Muir

 

“A cultura nos levou a trair nosso próprio espírito e integridade aborígene, rumo a um reino cada vez pior de alienação sintética, isolante e empobrecedora. O que não quer dizer que não haja mais prazeres cotidianos, sem os quais perderíamos nossa humanidade. Mas à medida que nossa situação se agrava, vislumbramos o quanto deve ser apagado para a nossa redenção.” – John Zerzan

 

“Precisamos da tônica da loucura … Ao mesmo tempo em que somos sinceros para explorar e aprender todas as coisas, exigimos que todas as coisas sejam misteriosas e inexploráveis, que a terra e o mar sejam indefinidamente selvagens, sem serem inspecionados e não sondados por nós porque são insondáveis. Nunca podemos ter o suficiente da natureza.” – Thoreau

 

“O Selvagem ainda permanece nele, e o lobo nele simplesmente dormia.” – Jack London

Notas:

1) https://www.theguardian.com/environment/2017/jul/28/eu-court-orders-poland-to-stop-logging-in-bialowieza-forest
2) https://www.ft.com/content/67618b9e-8893-11e5-90de-f44762bf9896
3) http://www.independent.co.uk/environment/eco-anarchists-a-new-breed-of-terrorist-1975559.html
4) https://archives.fbi.gov/archives/news/testimony/the-threat-of-eco-terrorism
5) http://video.foxnews.com/v/5509083595001/?#sp=show-clips
6) http://www.earthfirst.org.uk/actionreports/node/23958
7) https://www.opendemocracy.net/uk/anna-lau/climate-stories-environment-colonial-legacies-and-systemic-change
8) https://medium.com/@malorynye/the-brutal-friendship-between-colonialism-and-fascism-some-thoughts-from-aim%C3%A9-c%C3%A9saire-on-9224e90550b5
9) http://www.derrickjensen.org/culture-of-make-believe/lamont-and-mussolini/
10) http://theunion4ever.com/general/environmentalism-new-fascism/
11) http://www.spunk.org/texts/places/germany/sp001630/peter.html
12) https://itsgoingdown.org/nothing-anarchist-eco-fascism-condemnation/
13) https://youtu.be/708mjaHTwKc
14) https://ia801606.us.archive.org/32/items/AtassaReadingsInEcoExtremism/Atassa%20-%20Readings%20in%20Eco-Extremism.pdf
15) https://feralculture.blog/2017/07/23/international-mobilisation-call-for-the-defence-of-hambacher-forest-2/

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference é um artigo escrito por Julian Langer do blog Eco-Revolt e Feral Culture que foi apresentado em 13 de Setembro de 2018 durante a Anarchist Studies Network Conference, na Universidade de Loughborough. Neste denso texto o autor aborda a posição moralizante da esquerda (incluindo os anarquistas) em torno da “violência” que é abordada amplamente e como o eco-extremismo ultrapassa esta barreira.

On September the 13th I presented this paper at the Anarchist Studies Network Conference, at Loughborough University. This was written to be spoken and I haven’t edited it to make it any more readable.
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Pessimist political theorist Jacques Camatte, whose writings after his years of being a Marxist theoretician influenced anarchist discourse at the time – in particular the anarcho­primitivist wing – stated in his work Against Domestication that – “There are others who believe they can fight against violence by putting forward remedies against aggressiveness, and so on. These people all subscribe, in a general way, to the proposition that each problem presupposes its own particular scientific solution. They are therefore essentially passive, since they take the view that the human being is a simple object to be manipulated. They are also completely unequipped to create new interhuman relationships (which is something they have in common with the adversaries of science); they are unable to see that a scientific solution is a capitalist solution, because it eliminates humans and lays open the prospect of a totally controlled society.”

It seems abundantly obvious that we live amidst a great deal of violence and that violence and the need to end it is the dominant theme within the narrative we are located within. The violence of rape culture; the violence of racial and colonial oppression; the violence of ISIS, Islamists and the international forces against them; the violence of Russia, North Korea and the USA; the violence of school shootings in America; the violence of mass stabbings from gangs in London; of bombs, cars, guns, knives and penises. Many acts of violence are spoken of less; the violence of animal traps; the violence of chainsaws; the violence of dehabitation to develop an area, or to grow industrial monocultures of crops, to feed a growing population.

Within radical discourse, particularly that of the anarchist tradition, we generally have somewhat of a strained relationship with violence. My wish here is to identify a theme within our discussions which often gets over looked – this theme is one regarding interiorisation and exterioisation, under the gaze of an big-­Other. I will focus this within contemporary discourse around decolonial, anti-­colonial and eco­-extremist activities. This will also involve, in the later part of this paper, an ontological assertion, regarding what violence actually is.

Last year the Chilean indigenous anti­-colonial organisation Fight Of The Rebel Territory, in a single action, burned down 29 logging vehicles. Between January andMay 2016 the group committed 30 similar acts of property damage, in defence of the land they live upon, the forests and the wildlife. Similarly, MEND, the Movement for the Emancipation of the Niger Delta, an armed militant organisation of loose cells engaged in guerrilla warfare against oil companies, have blown up pipelines, attacked oil fields and kidnapped oil workers, as part of their anti­-colonial activities.

As voices for the English speaking radical environmentalist and anti­-colonial milieus, groups like Earth First! and Deep Green Resistance have spoken out in support for these groups, and others like them, seeking to legitimise them, within the context of radical discourse. This involves undergoing a process that Deleuze and Guattari called territorialisation, where a process of interiorisation brings these groups into the structure of particular machine. This brings these groups into the space of moral­ acceptablity, within a left­-wing oriented moral framework. From this, these actions, the activities of these groups, and similar others, become part of the narrative of left­ wing radical politics, regarding the progress of civilisation and history. They become characters within the chapters preceding the “revolution” and, in a similar way to that being described by Camatte in the quote I stated earlier, they are viewed as passive objects to be scientifically manipulated. As characters within the metadrama they reside within, they are allocated an identity that functions entirely as a symbolic signifier for an Other, who stands as the parental superego, granting their struggles as legitimate, like God determining who is going to heaven, or rather who will not be thrown into the gulag, even the anarchist one, after the revolution – interiorised – and who will be cast into hell, or the gulag, again, even the gulag
constructed by anarchists – exteriorised.

This is also the case in decolonial struggles that aren’t necessarily connected to eco-radical struggles, such as the Palestinian struggle against the violences of Israel, where unarmed protestors are painted as “innocent” by pacifist Leftist organisations that use their struggle as a platform for their own, with the implication being that armed Palestinians, such as Hamas, are legitimate targets for statist colonial violence.

While the organisations leaders, who might be educated in the western philosophies of Marxism, anarchist, etc., might embrace this ideological trajectory, I think that, in actuality, outside of this interiorisation, those individuals who are actively engaged in the actions of these organisations and similar ones; they do not care about progress, history, capitalism or any of that. They care about the forests, lands, wildlife, rivers and world that they are immersed in and live as Extensions of.

This machinic enframing functions, in the way Heidegger describes regarding technology and enframing, whereby, as objects, symbols and characters of a technological description, they fit within the mode of human existence stated before, that of the lef-t­wing ideological narrative, dehumanised, inanimate and un­-animal.

Now I want to turn to something that might seem in many ways entirely opposite, but I argue stems from the same narrative I have been describing here. To do this though, I’m going to do a short bit of history.

Ted Kaczynski’s 17 ­year bombing campaign is arguably the most successful campaign of its type. As the Unabomber, Kaczynski sent 16 bombs, to various locations within the USA. It was only after the publication of his manifesto, Industrial Society and its Future, that his motivations became clear and he captured. The work is a brilliantly articulated critique of technological society, which includes a critique of Leftism, which I will not go into here, as it is not necessary for this and would take up too much space. I only acknowledge it for its relevance for what I am about to go into.

Kaczynski’s influence, regarding the anti­-colonial space, is particularly noteworthy, regarding the post­-anarchist nihilist­-terrorist movement called Eco-­Extremism. Growing out of dark­net nihilist­-anarchist anti­-civ discussions, and almost entirely located within Southern and Central America, from indigenous anti­-civ individuals, with only a few cells within Europe, this movement is one that has actively sought to exteriorise themselves from the left­-wing narrative and machine.

In their anti­progressive anti­meliorist activities, the group which is the most vocal proponent of Eco-­Extremism, Individualists Tending Towards the Wild (translated from Spanish), ITS (as the S stands for savagery), focused their early activities on, like Kaczynski, bombing university institutions, such as nano-­technology laboratories; before moving onto their famed, through moral disgust, indiscriminate killings, in the name of Wild Nature.

In case you are unfamiliar with the group, I’d like to state here quotations from their earlier communiqués –

1. “Civilization is collapsing and a new world will be born, through the efforts of anti­civilization warriors? Please! Let us see the truth, plant our feet on the ground and let leftism and illusions fly from our minds. The revolution has never existed, nor have revolutionaries; those who view themselves as “potential revolutionaries”and seek a “radical anti­technology shift” are truly being idealistic and irrational because none of that exists, in this dying world only Individual Autonomy exists and it is for this that we fight.”

2. “A world without domestication, with a system stopped by the work of the “revolutionaries,” with Wild Nature born from the ashes of the old technological regime and the human species (what remains) returned to the wild, is completely illusory and dreamy.”

3. “ITS shows its true face, we go to the central point, the fierce defense of Wild Nature (including human); we do not negotiate, we carry out our task with the necessary materials, without compassion and accepting the responsibility of the act. Our instincts make us do it, since (as we have said before) we are in favor of natural violence against civilized destruction.”

The response ITS has received has been one of active exteriorisation on the part of leftists and moral-­anarchists. The left­-anarchist publication Its Going Down in particular spoke out against ITS, noticeably following their 29th communiqué, where they claimed responsibility for the murder of a woman in a forest, and have demonised anarchists and westerners who include Eco­-Extremism within discussions. Its Going Down struck ITS with the label of Eco­-Fascism in one of their condemnations of the group, in an obvious attempt to morally demonise them, excluding them from the community of groups and organisations deemed acceptable within anarchist morality. This is, like with MEND and Fight of the Rebel Territory, done under the gaze of a parental superego Other, repressing that which is deemed morally unacceptable, from a position of moral authority, as God. This is an example of what Camatte described, where the leftist condemners of ITS and Eco-­Extremism treat Eco­-Extremists, those interested in Eco-­Extremism and their own sympathisers and supporters, as objects for scientific manipulation, in a capitalistic move to control, to territorialise.

The Eco­Extremist journal Regresion Magazine makes a noticeable attempt to exteriorise itself, in both its name and its contents. It describes itself as the antonym to progress, as the antithetical regressive force, placing its strategy as one of active Marxist style dualistic dialectics. The magazine is one that claims to actively not want to be read or be trying to find readers, but makes itself available to read online by anyone. It is actively saying “we are not one of you” and “we are not a part of this”, in a very similar way to how Leftists seek to exteriorise Eco-­Extremism. From these examples I have presented, I have looked to identify that, in both positive and negative moral framings, through both interiorising and exteriorising within the narrative of progress, revolution and history, the leftist relationship towards anti­-colonial and decolonial radical and extremist projects is one whose machinic structure is functionally and ideologically colonialist and racist. The left does not accept or condemn the actions of indigenous and anti­-civ groups simply on their own terms, but layers it with the symbology of its own ideological design. As well as this, the decolonial movement has become so much a part of the Leftist machine, that, in the case of Eco­Extremists, indigenous peoples are moving away from the struggle.

At this point I feel to move to somewhere slightly different to where we have been for the bulk of this, though not straying too far away. I frame this in geographical place, rather than historical time, because what I am moving to is neither historically progressive nor reactionary, or regressive, whichever term you prefer, but metaphysically presentist, in an egoist and phenomenologically immediatist sense. Karl Popper stated in his work The Open Society and Its Enemies, where he critiques the teleological historicism of Hegel, Marx and similar thinkers as being fundamentally totalitarian, “History has no meaning”– a proposition undoubtedly disagreeable to anyone who embraces Leftist political positions, but this is the sentiment I wish to move forward from.

This is the matter of destruction, which I will later differentiate from violence. Now, when I look outwards from myself at what post-­anarchist discourse and action means now, in this present moment, as we find ourselves in systematic crisis, ecological collapse and amidst so much violence, it seems to me that we can really only being talking about ontology. I am not meaning that we are talking about and can only talk about vague and abstract concepts, but rather that at the root of our discourses and that if we are honest about our discussions we are talking about psycho­ontics, social­ontics, eco­-ontics, about Realities and about the Real – I am delving here, through bringing ontics in alongside ontology, into the world of Things (capital T) and reification (using the term equally in the sense meant by good old Commie Marx and the sense of the fallacy of concretism, also know as hypostatization).

These ontological discussions might often be framed within Symbolic theatres of ideologies, interiorising and exteriorising, in processes of territorialisation. But underneath this clothing, the bare­naked flesh of our discourse, lives and selves, isontological. We are, in many ways, all practicing ontological anarchists.

From this, I make this assertion, that the ontological anarchist project is one of active destruction, in the Heideggerian sense (with the k replacing the c) – I like to borrow Discordian philosopher Robert Anton Wilson’s term guerrilla ontology for this. As Heidegger found, destruction is a presentist task and doesn’t fit into normal categories of positive­negative, being nihilistically amoral and not positioned within the past. Being non­dualistically positive or negative, destruction here is a radically monist force, in the way collectivist­-anarchist Bakunin suggests when he stated “the passion for destruction is also a creative passion”– immediate; unlike the gnostic traditions of left­-wing revolutionary ideology, where both theory and practice retain an esoteric dualism, towards objects that can be manipulated scientifically.

Even more than as an anti­political practice, I assert that the actual objectless creative­destruction of Being is the process of becoming that is happening always. Civilisation and history, in this sense, are attempts to halt this process and create, through Symbolic reification, a social ontology of structured-­absolute space – the construction of territories, of objects with interiors and exteriors, of nature and the space that is outside of nature (civilisation), of sets and categories; a theatre of phantasms, technologically inauthentic, in the sense Heidegger argues, attempting to repress the relationality of Being, as temporally extended unfoldings, or rather the happening of life as the open space of possibility. Civilisation, in order to continue the machinery of its functioning, must restrict, through colonisation, morality, etc., the open space of possibility, through interiorisation and exteriorisation aimed towards a totalitarian narrative, with one directed pathway.

Now, in one sense what I, as someone from the anti­-civ world, am saying here is that we should do away with sets, categories, territories, interiors, exteriors, inclusion, exclusion, objects, symbols and other technological phantasms, but this seems unlikely at this present time to lead to much. So, alongside this, I wish to make another assertion for us as individuals, or rather as singularities, involved in the decolonial and anti­-colonial projects of deterritorialisation; that we radically embrace the notion of monism­as­pluralism; not to interiorise the cartography of radical space in a new way to the one we now do. Rather, to leave the situation as messy and to not judge the mess through moral condemnation, and not fit events within the structures of left­-wing ideology, but to leave it all in the open space of possibility. Perhaps this could be considered the eco­anarchist equivalent of Bergson’s liberal notion of the open society – though also, perhaps not. If, though, we are dealing with ontological processes, I suggest we consider our perceptions ofreality, as space and time, in the way the mathematician Poincare suggests in his philosophy of geometry; as having been born out of intuitions, which became tied to normative conventions rather than facts.

This is obviously a very uncomfortable idea I am asserting, as it leaves open basically everything, but if we are going to decolonised the structurally racist psychic­space of anti­colonial politics, then we are left with this space of discomfort, where we are having to acknowledge without morally categorising, in an anti­political sense.

Finally, I also wish to make an ontical assertion here, for the purposes of discourse, that much of what gets categorised as violence by anti­-colonial and eco­radical groups is not violence, with violence being a reified object of civilisation, signifying violation. Rather what is often in this way categorised as violence is actually an embrace of wild non­ontical acosmic ontological creative­destruction. Violation, in this way, seems to be the basic machinic functioning of civilisation – flipping ITS’s assertion of nature being violent and civilisation being destructive. The object of civilisation is the object of violence. This is not to seek to legitimise those actions I am describing as destructive rather than violent, but to differentiate for the purposes of post­-anarchist praxis.

To violate is to interrupt the flow of a space and to create a blockage, like a dam blocking a river, like a military coming to interrupt the everyday life of a community, like a penis forcing its way into somewhere through rape. Destruction is a creative aspect of the actualising­becoming­temporal processes of space that is Being. Destruction is the opening up of space.

To decolonise is to destroy the colonial production­narrative that is this culture. Lets deterritorialise, without reterritorialising, and not judge what grows out of the open space. Lets leave things open and not treat the world as an object for our manipulation. Lets not try to be God and lets destroy totalitarianism. Lets live free from interiors and exteriors, from inclusion and exclusion. Lets actually do no borders and no boundaries, and be anarchists embracing anarchy. Poincare said “Geometry is not true, it is advantageous”, but this does not go far enough – geometry isn’t true, but it can be adventurous!

This goes further than just the decolonial space obviously, as it includes the spaces of anti­patriarchy, radical environmentalism and anti­state theory and practice, as these also could do with deconstructing their territories and embrace the ontological notion of monism = pluralism – but there is not space in this essay to include thesestruggles.

I’d like to end this with this quote from autonomous-­Marxist philosopher Agamben – “What had to remain in the collective unconscious as a monstrous hybrid of human and animal, divided between the forest and the city – the werewolf – is, therefore, in its origin the figure of the man who has been banned from the city. That such a man is defined as a wolf­-man and not simply as a wolf … is decisive here. The life of the bandit, like that of the sacred man, is not a piece of animal nature without any relation to law and the city. It is, rather, a threshold of indistinction and of passage be­tween animal and man, physis and nomos, exclusion and inclusion: the life of the bandit is the life of the loup garou, the werewolf, who is precisely neither man nor beast, and who dwells paradoxically within both while belonging to neither.”