Posturas acadêmicas antagônicas contra o Eco-extremismo

Opiniões da Dra. Gabriela Muñoz Meléndez, diretora do Departamento de Estudos Urbanos e do Meio Ambiente do Colegio de la Frontera Norte, prestigiado instituto científico mexicano. Neste registro a cientista faz um rápido repasso sobre o eco-terrorismo, com menções à Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). A catedrática diz entender parte de suas motivações, mas se coloca contra o uso da violência e evoca outras conhecidas críticas humanistas.

SISBIN debate eco-extremismo

Em um evento sediado na ABIN em Brasília, a atuação de grupos extremistas foi debatida por profissionais de órgãos integrantes do Sistema Brasileira de Inteligência (SISBIN), na semana passada.

O evento foi marcado pela interação entre os mais de 40 integrantes de núcleos de Inteligência governamentais do Centro-oeste.

Com ênfase nas ações do Estado Islâmico, o extremismo violento em geral, as ações de ecoextremistas e os processos de radicalização online também foram abordados.

Você pode conferir neste link, mas recomendamos utilizar o Tor ou uma VPN para acessá-lo.

[PT – DOCUMENTÁRIO] A Evolução do Eco-extremismo no México

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Disponibilizamos legendado em português o documentário A Evolução do Eco-extremismo no México, uma produção publicada na web que mostra as origens, etapas e ações de grupos eco-radicais e de libertação animal que levaram ao surgimento espontâneo da tendência do eco-extremismo, e em seguida de grupos como Reação Selvagem (RS) e pouco depois Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), o mais expressivo que abdica pela tendência do eco-extremismo. O registro não trata de sua internacionalização que ocorreu em meados de 2016, já que a cobertura vai até o final de 2015.

O texto abaixo foi resgatado do já encerrado blog Tierra Maldita. O documentário e o texto ajudam a entender suas origens e alguns aspectos da tendência.

A tradução ao português é um esforço da Revista Anhangá em conjunto com a Revista Regresión.

Para maior entendimento do que é o eco-extremismo nos dias de hoje recomendamos o texto O que é o Eco-extremismo? – A flor que cresce no submundo: Uma introdução ao eco-extremismo.

Apresentação:

“A Evolução do Eco-extremismo no México” é um esforço audiovisual realizado por “Espírito Tanu da Terra Maldita” e a “Revista Regresión”. Nele se reflete o desenvolvimento tanto teórico como prático que tiveram certos grupos que colocaram em sua mira o progresso da civilização, a ciência e a tecnologia.

Desde o ano de 2007 até agora (2016), foi desencadeada uma série de ataques que foram se aperfeiçoando ao passar dos anos.

A princípio estes ataques visaram atacar a indústria da exploração animal, depois passaram a atacar a indústria da destruição dos ecossistemas, então foram se refinando, implementando atentados contra pessoas específicas relacionadas com as ciências avançadas. Depois desta fase, os grupos que participaram nestas etapas se uniram em um grupo denominado “Reação Selvagem”, de modo que após sua dissolução, estes grupos já refinados em suas críticas e melhorados na prática, seguiram a guerra separadamente, como até agora tem sido mantida.

Os individualistas que fazem parte da tendência do Eco-extremismo se unem em várias qualidades que serão mencionadas neste texto. Com isso não estamos dizendo que as pessoas que realizam atos extremos contra o sistema tecnológico TEM QUE ser assim, mas é necessário tê-los em conta.

O Eco-extremismo foi formado por seus próprios propulsores, se consolidou sob a espontaneidade, na solidificação do ataque e na variabilidade dos objetivos, abrangendo vários fatores, tais como:

– Defesa extrema da Natureza Selvagem e uma guerra até a morte contra a civilização:

“(…) observando a realidade vislumbramos que a maioria das críticas que fazem à tecnologia tem um fundo reformista, dizem “a tecnologia está nos levando à falta de interação pessoal, é melhor que a eliminemos”, “a vida em sedentarismo nesta civilização causa problemas de saúde, é melhor nos exercitarmos frequentemente”, “o artificial nos consome, não suporto a vida na cidade, vamos um dia ao campo”, “o lixo inunda os mares, há que comprar produtos amigáveis com o meio ambiente”, “a tecnologia não é o problema, o problema é o uso que lhe é dado”, etc. Estas supostas críticas são as que são negociáveis, e podem até serem propostas para que o sistema continue a crescer, se reformando e sendo fortalecido.

Mas, que tal se dissermos; “a tecnologia é o problema, incendiemos esta ou aquela empresa de inovação tecnológica com todos dentro”, “a civilização se expande perigosamente acabando com a natureza que resta, assassinemos o engenheiro de tal mega projeto”, “a sociedade estúpida só segue as regras fazendo com que a máquina siga avançando, são parte do problema, detonemos um explosivo em um local público com um papel simbólico importante”, etc. Este tipo de crítica extremista são as que não são negociáveis e as que defendemos (…)” – Entrevista a Reação Selvagem.

– Apego e respeito à Natureza Selvagem:

Existe uma relação muito íntima de caráter simbiótico entre a natureza e a nossa espécie. Perdemos bastante desta relação após a passagem das gerações, mas é possível nos reconectarmos outra vez, voltar a recuperar a nossa natureza selvagem (embora não em sua totalidade, é claro).

Apreciamos grandiosamente a natureza, dela viemos e a ela regressaremos. Defendê-la e defender nossas raízes mais profundas, as que nos unem a ela, é apenas uma consequência de ainda sermos humanos e não humanoides. As habilidades de sobrevivência, o reconhecimento da flora e fauna silvestre, a caça, a coleta, a imaginação que dá lugar a uma vida o mais longe da civilização, são ferramentas que complementam o individualista e a seus grupos de afinidades.

“Para muitos de nós é bastante viável ter uma horta orgânica de onde possamos tirar a comida em tempos de escassez ou a medicina em tempos de enfermidade. Não caímos em contradições, o importante é desenvolver estilos de vida que se distanciem o máximo que se possa da dependência artificial do sistema.

Embora alguns membros do RS estejam mais atraídos pela vida de caçadores-coletores, não descartam a opção das hortas.” – Entrevista a Reação Selvagem.

– Rejeição total ao cristianismo, e enaltecimento de crenças individuais pagãs ligadas à natureza, tanto no cotidiano como nos atos extremistas.

“Continuamos ao lado da natureza selvagem, seguimos venerando o sol, a lua, o vento, os rios, o coiote e ao veado, continuamos rejeitando o cristianismo com ritualismos na escuridão dos espessos bosques, continuamos sendo os guardiões do fogo, continuamos dançando ao redor da fogueira. Embora seres civilizados, ainda temos o instinto característico do ataque.” – Artigo “A Guerra Chichimeca” (segunda parte). Revista Regresión N° 4

“(…) pulamos os arames farpados que protegiam o canal de esgoto e atrás de uma grande árvore de Pirúl que ainda está de pé, realizamos vários disparos de arma de fogo contra as máquinas, estruturas e paredes de tal construção. Os disparos diretos danificaram e aterrorizaram aqueles que estavam no local. Com o trovão das balas detonando iam os sons dos animais mortos para a construção da obra, ia o violento zumbido do vento que move as folhas das árvores derrubadas e o imperceptível cantar da água do rio enegrecido pelo artificial. Também iam os gritos de guerra de nossos antepassados: ¡Axcan Kema Tehuatl Nehuatl!” – Ação armada contra o Túnel Emissor Oriente (TEO). Grupúsculo do Oculto/Reação Selvagem.

– Terrorismo:

“Porque no ataque terrorista não há considerações por ninguém, nem sequer por nós mesmos. Nos atiramos ao nada porque a única certeza é a incerteza.”

Independentemente de ferir civis, atacamos, assim, com este ato, o coração da “moral do ataque”, porque na Guerra contra a Civilização e seu Progresso não existem ataques nem “bons” nem “maus”, porque esta Guerra se não é extremista e indiscriminada, não é uma guerra.” – Morte à “moral do ataque” (Explosivo na Sanborns). Ouroboros Niilista.

– Determinação: a coragem é uma das coisas que caracteriza os grupúsculos. Atuar friamente e sem contemplação alguma com estranhos durante um atentado, sabotagem ou assalto, é necessário.

Se há dúvidas ou não está completamente seguro em defender-se (em matar ou morrer), daquela pessoa que tenta detê-lo (seja um civil ou um policial), melhor que nem tente. Em outras palavras, seja indiscriminado.

“(…) nossa intenção era que explodisse causando a maior destruição possível sem importar que nesta ação morressem ou fossem mutiladas algumas pessoas. Queremos deixar claro também que, em nossas ações contra a civilização não consideraremos a vida das ovelhas que cegamente aceitam o desenvolvimento e o progresso para levar uma vida mais confortável, por isso que decidimos atacar este meio de transporte. Embora não tenha causado a magnitude que esperávamos, criou-se uma grande tensão entre usuários e autoridades.” – Ataque explosivo frustrado no Metrô. Grupúsculo Indiscriminado.

– Austeridade: as necessidades artificiais são um problema para os membros desta decadente sociedade, embora alguns não as vislumbrem e se sintam felizes celebrando a vida de escravo que levam. A maioria das pessoas está sempre tentando pertencer a certos círculos sociais acomodados, sonham com luxos, com confortos, etc., e para nós isso é uma aberração. A simplicidade, manejá-la com o que se tenha em mãos, e afastar-se dos vícios civilizados, recusando o desnecessário, são características muito notórias em individualistas do tipo Eco-extremista.

– Apego e prática de atividades delinquenciais:

“Na Regresión enfatizamos como parte de nossa essência, o extremismo individualista, que o crime é a consequente postura diante da civilização moderna difusora de valores humanistas que tendem ao progresso, e que estão nos levando ao desfiladeiro tecnológico.

As dinâmicas sociais as quais estamos submetidos dentro deste complexo sistema muitas vezes nos absorvem como indivíduos, nos fazem participantes da massa, do devastador consumismo e da rotineira vida de escravos nas urbes, mas decidimos resistir a esses ataques, resistir a partir da clandestinidade e aceitar no cotidiano as nossas contradições das quais nos retroalimentamos e nos formamos como verdadeiros indivíduos, sujeitos únicos.

Resistir e negar a vida que nos é imposta desde pequenos, para que busquemos uma vida simples e, tanto quanto possível, distante dos alinhamentos e esquemas culturais modernos, é um dos propósitos a serem concretados no presente. Mas para formar esta vida que queremos, longe das grandes cidades e na natureza, às vezes requer dinheiro, dinheiro que preferimos roubar de qualquer lugar ou obtê-lo através das centenas de formas criminais que existem. Preferimos isso do que levar uma vida subordinada de escravos que a maioria das pessoas levam. Claro, é por isso que o grupo editorial desta revista sente simpatia pela reapropriação do dinheiro para fins específicos que levam a uma vida digna de ser vivida, não se importando com quem seja baleado se o dinheiro não é entregue, porque quando um funcionário não entrega o dinheiro do empregador ele não merece seguir vivendo, já que defende como um cão obediente as migalhas do seu amo; portanto, merece punhaladas ou uma bala em seu corpo. O mesmo para quando um empresário, proprietário ou executivo de uma empresa não cumpre as exigências do ladrão, também merece o mesmo ou algo pior.

Nestes atos não há misericórdia, é tudo ou nada, é do extremismo que falamos sem escrúpulos. Se este dinheiro será necessário para algum propósito do extremista individualista ele deve ser alcançado aconteça o que acontecer. Aqui cabe ser mencionado que para nós o dinheiro não é tudo, dizemos isso de maneira realista. Neste mundo governado por grandes corporações econômicas, às vezes é necessário obter dinheiro para cobrir certos fins e/ou meios, e para nós obtê-lo trabalhando não é uma opção, obtê-lo por fraude, assaltos ou golpes, sim.

Aqueles antepassados que viram seus modos de vida afetados pela expansão das civilizações tanto mesoamericana como ocidental, tiveram que agir dessa maneira (predação, ataques, roubo, engano, assassinato, etc.). Nós apenas cumprimos nosso papel histórico como herdeiros desta ferocidade selvagem.

Pela proliferação da delinquência e o terrorismo que satisfaça os instintos dos individualistas!” – Texto editorial. Regresión N° 3

– Sobriedade: Ficar sóbrio e rejeitar todas as drogas legais e ilegais é muito importante dentro desta tendência, é preciso sempre estar alerta para qualquer eventualidade. Cair bêbado, fumar cigarro ou maconha, injetar drogas, inalar solventes, tentar se “curar” com medicina alopática, ou seja, violar o corpo com estas substâncias nocivas apenas os tolos fazem, aqueles que não respeitam a si mesmos, os carentes de controle, os fracos e os inconsequentes. Então, nós rejeitamos totalmente as drogas.

“Os integrantes de RS não se deixariam morrer por essa ou aquela “doença” que seu próprio corpo não possa resistir e, para dizer a verdade, acreditamos que ninguém em sã consciência. É claro que poderíamos ignorar os antibióticos farmacêuticos. Todos os membros de RS se curam com os remédios da terra e rejeitam totalmente os medicamentos alopáticos. Para aqueles que adotaram a cultura da medicina moderna e nociva, é quase impossível viver sem aspirinas, ranitidinas, paracetamol, etc., mas antibióticos com aditivos químicos realmente não são necessários. Existem antibióticos naturais muito efetivos, como o própolis. Para quem conhece a cura por ervas é fácil aliviar-se ou se curar das doenças das cidades com infusões, cataplasmas, vaporizações, extratos, etc.” Comunicado: Já era hora… Resposta de RS a “Destrua as Prisões”.

– Paciência: Esta é uma das virtudes mais respeitáveis, já que o desespero é uma doença da civilização. Nela vemos que tudo corre a uma velocidade frenética, todos andam de um lado para o outro sem nenhum controle e deixando que suas rotinas os envolvam nisso, no desespero. Ter paciência e ser cuidadoso, tanto em atos contra o sistema quanto na própria vida, te distancia de problemas que muitos já sofreram (prisão, acidentes, morte, etc.) Repetimos, te afasta, mas não te isenta.

– Rejeição total (tanto em ideias como em atos) ao progressismo:

“Decidimos atentar contra esta instituição porque ela simboliza o humanismo e o progressismo. Repudiamos todos aqueles que, gritando, acabam neste tipo de comissão, exigindo garantias por seus “direitos humanos”, “respeito” a suas decisões grupais e o “cesse” da repressão. É absurdo que esta multidão espere que este tipo de organização precária resolva a seus problemas, os ampare e defenda, um exemplo claro de como o ser humano moderno deixou sua própria segurança na mão de estranhos, em vez de tomar a justiça em suas próprias mãos e defender-se como faziam os antepassados. Estes tipos de instituições são uma banalidade, não passam de uma fachada simples para ocultar a incapacidade que tem o sistema de lidar com os problemas internos de uma sociedade decadente, por isso a atacamos.” Pacotes-Incendiários contra a Comissão de Direitos Humanos, subestação elétrica CFE e Universidade Lucerna. Grupúsculo Trovão de Mixtón e Grupúsculo Senhor do Fogo Verde de Reação Selvagem.

– Constância: Dar seguimento a um projeto como este não tem sido fácil, sempre há problemas que não se espera que ocorra e, embora você não os espere, é preciso estar sempre preparado.

Se empenhar duramente e dar continuidade à finalidade imediata criam motivações reais que levam um individualista eco-extremista a ser constante. Isso pode nos levar a alcançar metas mais diretas. A meta que nós de Regresión temos ao publicar esta revista é acompanhar esta tendência. Se muda algo em alguém e esta pessoa decida empreender desde sua individualidade a guerra herdada por nossos ancestrais, adiante, embora esse não seja o nosso propósito (mudar as pessoas). Se isso acontece, é apenas obra do acaso.

– Rechaço às lutas seletivas: é necessário focar na guerra TOTAL contra o sistema tecnológico e contra a civilização, as demais lutas são reducionistas e são apenas uma pequena parte do problema real, lutas como “direitos humanos” (deficientes, negros, mulheres agredidas, imigrantes, homossexuais, etc.), “direitos dos animais”, “direitos trabalhistas”, “anti-racismo”, “anti-fascismo”, “anti-militarismo”, “feminismo”, “veganismo”, “abolicionismo carcerário”, “anarquismo social”, “comunismo”, “patriotismo”, etc.

“(…) Se colocamos em uma sala um homem comum, um negro, uma mulher, uma pessoa com deficiência, um gay e um defensor dos direitos dos animais, poderá ver que todos são diferentes em termos de caráter, pensamentos, regras morais, habilidades, etc., mais algo os une, todos e cada um deles tem um papel a desempenhar na sociedade, e esse papel é que estabilidade do sistema siga de pé. Para nós há diferença, mas ao mesmo tempo não, porque vemos um padrão, ou seja, o HUMANO (como tal) contribui expressamente para a destruição da natureza selvagem, sua civilização destrói tudo em seu caminho, sua tecnologia torna tudo mais mecânico e sua ciência subjuga o natural e o transforma em artificial. Não focamos nos problemas das pessoas ou problemas de um setor específico.

Penso que as pessoas que veem, se preocupam e “lutam” pelas causas menores, como a obtenção de “direitos”, novas leis, reformas, apoio a grupos vulneráveis, etc., estão se especializando nestas problemáticas e nós nos centramos no sistema tecnológico e na civilização, porque são as raízes de todos os males que nos afligem como espécie, o resto é apenas um efeito do problema real.” Entrevista a RS.

– Repúdio total (tanto em ideias como em atos) ao progressismo:

“Certamente muitos se perguntarão: E o que há de errado que exista este tipo de caridade com pessoas vulneráveis? Talvez, os especuladores não se deram conta de que o sistema sempre se veste de “monge bem-intencionado” para continuar se perpetuando. A alta tecnologia sempre terá o mesmo fim em qualquer uma de suas formas, seja terapêutica ou armamentista, educacional ou de destruição massiva, medicinal ou venenosa. E esse fim é continuar existindo sobre a natureza selvagem, por isso atacamos. Sem mais explicações: Não somos cristãos, não somos nobres, nós somos selvagens e não buscamos nem defendemos a caridade de nada com ninguém!”. Ataque explosivo à sede da Fundação Teletón México. Grupúsculo Caçador Noturno de RS.

– Assumir a responsabilidade: tomar em suas mãos as consequências de seus atos, reconhecer que causaram o impacto que causaram, muitas vezes enfrentando contradições, sendo a mais comum quando os tolos questionam: Se você luta contra o sistema tecnológico, por que usa computadores? Abaixo resgatamos uma nota esclarecedora e sarcástica de um grupo eco-extremista sobre a questão.

“Vivemos nas cavernas, sem eletricidade, sem celulares, sem INTERNET, e sem comunicação além dos sinais de fumaça, sendo testemunhos passivamente de como a artificialidade corrói qualquer rastro de natureza selvagem, a manipula, modifica, e com um tom suculento e brilhante, a apresenta ante uma disposição total, aguardando com calma a aceitação da população humana, sem nenhuma confusão ou contratempo. Gentis ante qualquer mudança biológica espúria, entregando o curso de nossas vidas a estranhos infortúnios.

Isso seria menos incoerente, né? Menos que publicar reivindicações, atentados e ameaças por internet, que preocupam tanto e são tão criticados por espectadores, internautas, leitores, etc… Porque, claro, as críticas contra o progresso científico-tecnológico moderno impedem que utilizemos certas tecnologias, porque aí seria armadilha ou trapaça! Raciocínio estúpido.

Não nos importa suas críticas a nossa suposta “incoerência”, não só não importa a nós, mas nos provoca risos a medíocre obediência e cumplicidade ao defender e proteger o boom científico-tecnológico, gastando apenas suas vidas… deixando apenas um rastro do que algum dia foi a natureza selvagem.” Atentados contra a Aliança Pró-Transgênicos. Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem.

“A luta contra o Sistema Tecnoindustrial não é um jogo do qual devemos vencer ou perder, vencer ou ser vencidos, é o que muitos ainda não entenderam e parece que muitos ainda estão esperando ser “recompensados” no futuro por pagarem de “revolucionários” no agora. É preciso aceitar que muitas coisas na vida não são recompensadas, que muitas tarefas e/ou finalidades nem mesmo são alcançadas (incluindo a autonomia), e a destruição do tecnosistema por obra dos “revolucionários” é uma delas. Agora não é hora de esperar pelo “colapso iminente”, para aqueles que querem ter tempo, como se o progresso tecnológico não crescesse aos trancos e barrancos e devorasse a nossa esfera de liberdade individual aos poucos.

Somos a geração que viu crescer ante seus olhos o progresso tecnológico, a especialização da nanobiotecnologia em vários campos da não-vida civilizada, criação e comercialização do grafeno, desastres nucleares como Fukushima, deterioração ambiental acelerada, o crescimento da biomimética, a expansão qualitativa e quantitativa da inteligência artificial, bioinformática, neuroeconomia, etc. É por isso que ITS vê o que é tangível, palpável e imediato, e esse imediato é o ataque com todos os recursos, tempo e inteligência necessários contra este sistema. Somos individualidades em processo de alcançar a nossa liberdade e autonomia dentro de um ambiente ideal, e junto com ele obedecendo a nossos instintos humanos selvagens atacamos o sistema que claramente nos quer em jaulas. Com isso nos esforçamos como indivíduos afins para tentar ficar o mais longe possível de conceitos, práticas e ideologizações civilizadas.” Sexto comunicado de Individualidades Tendendo ao Selvagem.

O Eco-extremismo é uma tendência, não é uma teoria nem regra, todos aqueles que se sentem realmente comprometidos com a natureza selvagem o entendem, e os que não, já sabem.

Fogo, explosivos e balas contra o sistema tecnológico e a civilização!
Em defesa extrema da natureza selvagem!
Axkan Kema, Tehuatl, Nehuatl!
Adiante com a Guerra!
– Espírito Tanu da Terra Maldita
-Revista Regresión


Terra Maldita e, especialmente o “Espírito Tanu”, ficam muito satisfeitos por terem participado na edição desde trabalho audiovisual em conjunto com a “Revista Regresión”. Deste intercâmbio de cumplicidades e materiais audiovisuais saímos com aprendizagens tanto técnicas como práticas. Esperamos que este trabalho contribua e seja um pequeno gesto para o avanço da guerra contra o sistema tecnoindustrial, chegando a olhos e mentes radicais.

Sudamos a cada um dos integrantes da Revista Regresión por confiar em nós. A Xale por sua paciência e esforço, a Espírito Tanu pelas horas de edição, possibilitando a publicação deste trabalho. CUSTOU, MAS SAIU!

Vida longa aos indivíduos eco-extremistas!
Em guerra selvagem contra a civilização!

¿Por qué incendian iglesias en Chile?: una guerra irregular contra Occidente

Fragmentos do escrito de Vanessa Vallejo, colunista do PanAm Post. Compartilhamos aqui os trechos que se encaixam dentro da narrativa deste espaço, nos distanciando dos lamentos presentes no texto, postura recriminadora e visões exageradas ou conspiratórias que enxergam a catarse chilena exclusivamente como uma “tática esquerdista” promovida por “interferência externa” para se alçar um “regime socialista”. O que se passa em Chile é plural e perpetrado por diversos grupos multi-intencionados, e o escrito da autora é bem assertivo ao observar o fenômeno do caos niilista naquela região como uma guerra ao ocidente, a seu modelo social e valores. A luta contra a civilização e o progresso em maior ou menor grau é uma das faces do que se passa em Chile, e este aspecto da rebelião foi inteligentemente observado pela autora e merece ser compartilhado.

Lo que ocurre en Chile va más allá de la común lucha socialista por llegar al poder. Lo que en el fondo quieren es destruir la cultura occidental (EFE)

Creo, sinceramente, que ni el presidente Sebastián Piñera, ni la mayoría de los chilenos de bien, han dimensionado el ataque del que son víctimas.

Lo que ocurre en Chile no es simplemente la arremetida de un grupo de socialistas que quiere llegar al Congreso y a la presidencia y replicar el modelo cubano o venezolano. Lo que tiene lugar en el país austral es, además, una guerra irregular contra Occidente. Específicamente, lo que enfrentan los chilenos es un ataque práctico y teórico contra las instituciones que refuerzan y mantienen los valores occidentales. La idea, al final, es destruir el sistema. Destruir lo que conocemos como sociedad Occidental.

Reflexione el lector en por qué, en menos de un mes de protestas, van decenas de iglesias profanadas e incendiadas. No solo católicas, sino también evangélicas. Las iglesias protestantes no son fáciles de reconocer; a simple vista parecen bodegas o locales. Sin embargo, los «manifestantes» chilenos han ubicado estas iglesias y les han prendido fuego.

En diferentes calles de Chile, y dentro de las iglesias atacadas, los terroristas han pintado en las paredes la frase: «iglesia bastarda».

Si -como dicen los voceros de lo que ahora llaman «primavera chilena»- las movilizaciones son en contra de supuestas injusticias sociales y «mala situación económica», ¿por qué se ensañan con tal violencia contra las iglesias? ¿Qué culpa tienen los creyentes de las decisiones políticas del Gobierno de turno?

Y, en general, ¿por qué desatar tal nivel de caos? Hay ya más de 20 muertos, la mayoría perdieron la vida al quedar atrapados en medio de los incendios provocados los supuestos manifestantes. La Cruz Roja estima que 2.500 personas han resultado heridas. Unas 6.800 empresas pequeñas han sido destruidas, las estimaciones de los daños en infraestructura ascienden a 4.500 millones de dólares. 70 de las 136 estaciones de metro que tiene Santiago han sido totalmente destruidas. Y se han perdido aproximadamente 100 mil puestos de trabajo.

Lo que ocurre en Chile es terrorismo urbano. La gente normal no se enoja y sale a incendiar iglesias o edificios con gente adentro. Estamos hablando de grupos terroristas que quieren cambiar el sistema -como abiertamente lo dicen y lo pintan en las paredes- a través del caos.

Pero no hablan solo de un cambio de sistema económico, digo que lo que ocurre en Chile no es solo el típico socialismo que quiere estatizar la economía y quedarse con el poder político, los chilenos enfrentan una amenaza que va mucho más allá. El fondo, el objetivo final, es un cambio cultural que ni siquiera los mismos cabecillas de estos grupos tienen claro a dónde nos conduciría, pero lo que sí tienen claro es que necesitan deconstruir la cultura occidental. Lo que conocemos como natural. Por eso atacan las iglesias, por eso atemorizan a los creyentes de esa forma.

Aunque estas ideas puedan sonar extrañas y confusas para muchos lectores que no ven en las protestas chilenas más que una intento común del socialismo para llegar al poder, todo esto del cambio cultural la izquierda ya lo ha propuesto y trabajado desde hace años.

Lo que ocurre hoy en Chile parece la puesta en marcha de lo que alguna vez teorizaron Georg Lukács y los «intelectuales» de la Escuela de Frankfurt.

Lukács, por ejemplo, planteaba la necesidad de sumir a las personas en el pesimismo y hacerlas creer que vivían en un “mundo olvidado por Dios”, para de este modo tener las condiciones necesarias de desesperación social que permitirían la adhesión de nuevos militantes a la causa marxista. La iglesia, católica o protestante, es una barrera de contención contra el socialismo.

Pero yendo al fondo del asunto, tanto Lukács como los teóricos de la Escuela de Frankfurt, dejaron de lado el asunto económico y convirtieron la cultura en su centro de estudio, teniendo claro que lo que querían era provocar «cambios sociales masivos».

La escuela de Frankfurt plantea que bajo la Cultura Occidental, todos viven en un constante estado de represión psicológica, que la libertad y la felicidad solo se conseguirá eliminando lo que conocemos como valores occidentales. Por eso hay que atacar las instituciones como la familia y la iglesia, que son las que refuerzan e inculcan las virtudes sobre las que sustenta Occidente.

¿Cuál es la nueva sociedad que quieren construir? Ni ellos lo saben, estos teóricos de la nueva izquierda creían que estaban tan «alienados» por la cultura occidental que hasta que no la destruyeran no podrían ser realmente libres para saber qué es lo verdaderamente deseable.

Eso sí, tienen claro, y escriben ampliamente al respecto -en libros como “Eros y Civilización”- que la destrucción de la cultura occidental pasa por la eliminación de cualquier restricción a la conducta sexual y la normalización del desenfreno, consiguiendo que cualquier cosa que antes pudiera ser tildada de aberrante ahora deba ser aceptada. La familia, como la conocemos, debe desaparecer, la monogamia es para ellos una atadura y los hijos no deben ser de los padres sino del Estado, de la «comunidad». Y por supuesto la religión es un impedimento para la consecución de todo esto.

Estos mismos grupos que atacan iglesias en Chile -tal vez el más conocido es «Individualistas tendiendo a lo salvaje»-, según dicen sus páginas, tienen entre sus objetivos la «lucha contra la civilización y el progreso científico y tecnológico». Dice la «teoría crítica» de la Escuela de Frankfurt que el progreso técnico es «un mecanismo ideológico de alienación». En Chile, siguen al pie de la letra las teorías de los padres de la izquierda moderna.

Ellos entienden perfecto lo que muchos capitalistas y liberales no comprenden aún, sin valores judeocristianos, sin cultura occidental, no hay capitalismo, de modo que tienen claro que una vez destruida la cultura el capitalismo será imposible.

No hablamos de una guerrilla uniformada a la que se puede atacar frontalmente -como ocurre en Colombia-, hablamos de terroristas vestidos de civiles que incendian iglesias y causan caos.

[VÍDEO] Entrevista de ITS a TV5MONDE

Vídeo traduzido e legendado ao português que faz parte da entrevista Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?, realizada pela rede francesa TV5MONDE com Xale, membro-fundador de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

[VÍDEO] Entrevista do sociólogo Rodrigo Larraín sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem

Interessante entrevista de um sociólogo a um jornal chileno sobre ITS. Em seguida um texto analisando o que foi dito.

Entrevista da televisão chilena. O sociólogo entrevistado apresenta um interessante ponto de vista sobre o que representa o grupo Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

A fim de esclarecer algumas coisas ditas no programa e de uma maneira puramente pessoal, darei meu ponto de vista, tentando responder algumas questões. Embora eu deva dizer que, devido à profunda estupidez, insensatez e imbecilidade máxima do entrevistador, nenhum de meus esclarecimentos poderá fazê-lo entender qual é o real pensamento de ITS.

A entrevista é do dia 07 de Janeiro de 2019, e foi transmitida no jornal matinal Chilevision Noticias.

Sobre o Sociólogo

O acadêmico, de uma maneira bem-sucedida, consegue acertar algumas coisas e, em geral, creio que graças a seu conhecimento, ele consegue nos dar uma boa interpretação do significado das siglas. Mas, aparentemente, não tem conhecimento de um ponto crucial da guerra de ITS-Chile, dizendo que ITS concentrou seus atentados nos “setores populares”. Não é esse o caso, e para isso basta apenas lembrar das cicatrizes deixadas no corpo do endinheirado e elitista Oscar Landerretche, essas marcas provam que ITS também executou atentados contra os ricos e burgueses. É de conhecimento público que ITS não crê na guerra de classes nem em nenhuma destas supérfluas bobagens, o grupo não está contra a classe trabalhadora nem contra a dos poderosos, mas contra a humanidade moderna, portanto estas analogias não vêm ao caso.

Ele diz que os grupos de ITS-Chile não têm muitos recursos, e talvez esteja certo, este é um ponto que eu desconheço. Eu me questiono humildemente neste caso, se com os poucos recursos que têm os terroristas do sul conseguiram causar desastres contundentes, nem quero imaginar o que fariam quando consigam seus AK-47 e TNT.

Esclarecido isso, é extremamente interessante a visão do acadêmico de que o ITS funciona como uma seita que recebe ordens “a mando do sobrenatural”. Algo que chamou minha atenção foi como o professor, em seu entendimento, faz uma espécie de “defesa” das ideias do grupo contra a absoluta tolice do jornalista que não capta a essência do discurso dos terroristas.

Sobre o Jornalista

Este profissional meia boca em sua estreita mente e com base em seu humanismo enraizado se contorce de incompreensão ao ouvir as contradições dos terroristas de ITS. A preocupação deste espécime é que ele não consegue entender um grupo que critique a tecnologia e ao mesmo tempo a utilize. É importante dizer que ele não é o único com esta visão.

Eu aceito minha falta de lógica ou minha incoerência, ou como queiram chamar, não tenho nenhum problema moral em me contradizer. Diante deste questionamento eu não tenho a resposta iluminada que me dá a razão, é mais duvidoso que exista uma resposta. Mas vamos supor que eu consiga responder a sua pergunta; “porque usam a tecnologia se a criticam?”. A resposta poderia ser, “bem, porque é a única maneira de encarar sua civilização de maneira equitativa”. Essa é uma resposta possível, mas eu não busco a coerência em meu discurso, porque a verdade é que não quero encontrar uma resposta coerente. Os grupos de ITS entenderam que a única forma de avançar e conseguir travar sua guerra extremista é aceitando esta contradição, torná-la parte de seu caminho de terror e ponto. Deixando de lado laços morais que apenas atrapalham a sua guerra.

Este sujeito fica muito zangado e dá ênfases ao dizer “eles são completamente contra a tecnologia, mas suas mensagens eles mandam pelas redes sociais”. O cara acusa os terroristas de pouco sérios e de ilógicos. O engraçado aqui é que ele acha que a maior contradição é usar a internet, ignorando que a contradição não está apenas em usar a internet, assim como diz as partes mais importantes da entrevista, mas em muitas outras coisas.

Seguindo a lógica da coerência e a lógica que este sujeito aconselha, os terroristas não poderiam usar pólvora, nem tubos de aço, cabos, ou qualquer outra coisa para fazer seus artefatos. Deveriam ir morar no topo de uma colina, e sequer deveriam usar roupas e então andar nus pela rua, o que é algo impossível e estúpido. O cara pensa que ITS deveria utilizar flechas para atacar as máquinas do progresso e esculpir seus comunicados em pedra.

Então, por falta desta coerência, os terroristas não deveriam realizar atentados? Deveriam primeiro encontrar uma ideologia coerente e com isso ficaria justificado o método do terrorismo? Deveriam se render, abandonar sua guerra e deixar tudo como está? Deveriam eles fugirem para a natureza selvagem e se esquecer das vexações da humanidade contra a terra? Estúpido.

Como eu disse, “o ilógico” por utilizar a internet é minúsculo ao lado de outras contradições, como a adoção da misantropia. O mesmo acontece aqui. “Se odeiam a raça humana, porque não se matam primeiro?”. Aparentemente, esta “incoerência” que é mais profunda passa batido pelo sujeito. Talvez alguns terroristas realmente desejem se matar. Mas e se antes de se suicidarem preferissem seguir atentando contra a civilização? E se os terroristas desejem levar a cabo sua misantropia, se matando como os kamikazes e levar com eles a vida de vários humanos? Isso só eles sabem.

Mas isso das contradições não é um problema exclusivo de ITS, os grupos terroristas ao longo da história evidenciaram sua incoerência em alguns pontos. Não sei, penso nos terroristas islâmicos que odeiam tudo o que é ocidental, mas não tem escrúpulos na hora de utilizar a internet ou uma infinidade de produtos de seus inimigos. Os grupos anarquistas antiautoritarios que matam exercendo com isso a autoridade sobre a pessoa morta, ou o terrorista primitivista Unabomber que vivia sem eletricidade no bosque, mas usava materiais tecnológicos da civilização para seus atentados. Bem tudo se repete novamente, as mesmas críticas. Isso parece ser um problema histórico da qual ITS não se isenta.

Como podem ver, se os extremistas de ITS buscassem a coerência, a única coisa que lhes restaria seria dar um tiro na própria cabeça ou se atirar de um prédio. Mas não, desgraçadamente para a ordem social os terroristas não são simplesmente suicidas. A complexidade da mente dos eco-extremistas escapa ao raciocínio humanista. Somos loucos? Pode ser que sim, se a sanidade é a humanidade moderna e seu progresso implacável, então estamos loucos, fodidamente loucos.

Nascemos nesta era, a era da híper-tecnologia, não utilizá-la a nosso favor seria algo idiota, infantil e orgulhoso da nossa parte. Os povos selvagens ancestrais ao longo da história enfrentaram os invasores que buscavam conquistá-los, inicialmente utilizando ferramentas primitivas, mas logo entenderam que não era viável essa confrontação. O que fizeram? Se renderam? Deixaram que os invadissem sem mais nem menos? Claro que não. Em vez disso, se apoderaram das armas modernas de seus inimigos (armas de fogo, cavalos e táticas de guerra) e com isso travaram uma guerra sangrenta. O mesmo faz os terroristas modernos ao utilizar as tecnologias modernas, seja a internet, eletricidade, pólvora, vestimentas, comidas, etc.

Sem dúvida, poucos serão capazes de entender isso, já que é necessário um nível superior de inteligência para chegar à compreensão. Portanto, toda essa ninhada de jornalistas de quinta categoria, reportuchos de jornais ou simples cidadãos nunca entenderão. Em seus pequenos cérebros humanistas, onde tudo tem que ser razoável e coerente nossos postulados arrancam a sua lógica.

É por isso que pessoas intelectualmente superiores, como o acadêmico entrevistado, conseguem entender melhor a situação do terrorismo moderno.

-Malviviente

[VÍDEO] Próximo trabalho sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Em breve será disponibilizado na web um trabalho sobre ITS editado por Jake Hanrahan, jornalista e cinegrafista especializado em guerras modernas. Jake dirige a Popupar Front e já realizou diversos documentários e vídeos sobre grupos terroristas e guerrilhas ao redor do mundo. Jake já abordou ITS em outra ocasião durante um podcast com John Jacobi, confira neste link.

Abaixo a prévia do trabalho.

O que é o ITS, grupo eco-extremista que o governo do Chile acusa de atos terroristas

Publicação extraída da BBC.

Símbolo do grupo ITS no Chile.

Era meia-noite de terça-feira, 7 de maio, quando o presidente da Metro do Chile, Louis de Grange, recebeu um pacote em sua casa, no bairro de Las Condes, em Santiago.

O que parecia ser uma encomenda despertou suspeita, e ele decidiu chamar a polícia.

Quando o grupo especializado da OS9 dos Carabineros chegou à sua casa, o temor de De Grange foi confirmado: o pacote continha um dispositivo explosivo dentro.

O ataque frustrado ao presidente da Metro não foi um caso isolado. Em janeiro de 2017, um pacote semelhante foi enviado para o endereço do então presidente da Corporação Estadual do Cobre (Codelco), Óscar Landerretche, que não alertou a polícia.

A bomba explodiu e o gerente acabou com ferimentos no braço, antebraço e abdômen.

Em janeiro a detonação de um artefato deixou vários feridos.

Outro ataque aconteceu no dia 4 de janeiro em um ponto de ônibus da rede de transporte Transantiago, no centro da capital chilena, quando explodiu um artefato que deixou cinco feridos.

Quem reivindica a autoria desta série de ataques é o auto-intitulado grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

O ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick, chamou o ataque a De Grange de “ato terrorista”.

Mas de onde vem este grupo e no que acreditam?

Como afirmado em seu site, a organização é contra a “civilização moderna e o progresso humano, científico e tecnológico”.

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, com o presidente da Metro, Louis de Grange (à direita), para quem o explosivo foi enviado.

Para eles, estes são os “maiores responsáveis ​​pela devastação dos ecossistemas”, por isso são necessárias “respostas decisivas e extremas contra os responsáveis, isto é, contra a própria humanidade”.

Por meio de uma declaração pública, o grupo indicou que tinha escolhido De Grange para receber o explosivo por ele estar “no controle de corporações que destroem a Terra”.

Onde nasceu o grupo

O ITS nasceu no México em 2011, mas afirma ter presença não apenas no Chile, mas também na Argentina, no Brasil e em alguns lugares da Europa, como Espanha, Escócia e Grécia.

Em um comunicado publicado após o ataque frustrado contra o presidente da Metro, a organização afirmou que tinha laços com facções anarquistas argentinas e seria naquele país que vivia o “arquiteto da bomba”.

No México, foram atribuídos ao grupo ataques contra professores universitários que ensinam nanotecnologia e outras ciências relacionadas com o avanço tecnológico.

Os extremistas acrescentam, no comunicado, que não se limitaram a atacar apenas os responsáveis ​​pelo progresso tecnológico, mas também “meios de transporte público, profissionais, empresários, seguidores do catolicismo, veículos, máquinas, prédios, bancos, shopping centers, torres de telecomunicação, igrejas e grupos ambientais” que não compartilham de suas posições.

O Metrô de Santiago está entre os alvos de ITS.

“Esses grupos que não são sistêmicos e que são pequenos são muito difíceis de neutralizar porque a infiltração é quase impossível, então, é difícil saber o que eles pensam, qual é a sua ideologia e o que querem”, diz Hugo Frühling, diretor do Instituto de Relações Públicas da Universidade do Chile.

O grupo, além disso, teria relação com outros grupos anarquistas chilenos.

Preocupação

Há uma preocupação crescente entre as autoridades chilenas, já que o ITS fez um chamado para que sejam instalados explosivos em diferentes partes de Santiago durante o mês de maio.

Neste mês, completam-se dez anos da morte de Mauricio Andrés Morales Duarte, conhecido como “Punky Mauri”, um jovem anarquista que morreu depois que um explosivo detonou em sua mochila.

Até agora não há detidos pelo atentado a Landerretche, nem pela bomba colocada no ponto de ônibus da Transantiago e nem pelo frustrado ataque a De Grange.

Segundo Frühling, é muito difícil encontrar o perfil e saber como os membros desses grupos anarquistas operam.

ITS é um grupo radical que procura proteger o meio ambiente.

O acadêmico acredita que, sendo um grupo que opera além do Chile, a realização de uma colaboração policial internacional poderia ser “frutífera”.

Frühling diz que não está claro se esses grupos extremistas aumentaram no Chile.

“Ao ITS são atribuídas três ações em dois anos e meio, então, você não pode dizer que há um crescimento exponencial, embora o grupo possa estar participando de outras ações menos diretas ou visíveis, como ameaças ou estímulo a outras ações.”

“Então, sim, estamos enfrentando um perigo porque eles tentam causar danos por meio de atos que são claramente terroristas e isso é extremamente preocupante”, diz ele.

Alarme

No Chile, há preocupação especialmente sobre duas cúpulas importantes a serem realizadas no país no final do ano: a reunião mundial sobre mudança climática (COP25), que reunirá cerca de 22 mil pessoas, e o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que reunirá mais 15 mil.

Frühling diz que, embora ele não acredite que haja perigo para as autoridades que comparecerão a essas reuniões, é preciso ter cautela.

“As autoridades têm seus próprios serviços de segurança e filtrarão a entrega de pacotes ou elementos desse tipo, mas o que poderia acontecer, talvez, seria que outros participantes pudessem estar sujeitos a ações desse tipo”, diz ele.

O ministro do interior do Chile, Andrés Chadwick, condenou o ato e chamou-o de ‘terrorista’ .

Para dar mais ferramentas às equipes de investigação desse tipo de evento, o ministro do Interior anunciou que nesta semana o governo promoverá no Parlamento chileno uma emenda à lei antiterrorista que já existe.

“Condenamos veementemente esses atos, e os chamamos diretamente pelo nome: atos terroristas, que são atribuídos a grupos de natureza anárquica”, disse Chadwick após o ataque fracassado contra De Grange.

O Eco-terrorismo e o Paradoxo da Loucura Total

Tradução de El Ecoterrorismo y la Paradoja de la Locura Total, escrito por Jorge Andrés Cash, advogado e magistrado em direito ambiental pela Universidade do Chile. Alguns tópicos planteados por Jorge já foram discutidos em outros textos como o “Salvar o Mundo” como a maior forma de Domesticação, de Chahta-Ima. Notas Sobre a Extinção de Abe Cabrera também levanta uma questão de destaque no texto. A primeira entrevista de ITS e o vigésimo nono comunicado também contribuem. O autor menciona sobre a necessidade de um diálogo e discussão do problema. ITS faz isso a seu modo bastante particular, suas entrevistas, textos e propagandas demonstram isso, e em um passado distante foi mais aberto ao diálogo, mas isso só provou o quão tola é a outra via. Não se pode esperar que o grupo se dobre a propostas otimistas e reformistas vindas dos civilizados, já que tem bem claro consigo de que não há alternativas nem saídas a não ser a oposição extremista a todo o progresso humano, e ele não carece de dados, toda a sua literatura mostra isso, chegando a rejeitar até as mais radicais propostas como mostra a análise “Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica.

Não é possível recorrer a qualquer definição que permita explicar e, portanto, entender, o que é “eco-terrorismo” ou o que ele representa. É antes um neologismo tão amplo que pode incluir um tipo de terrorismo cujo propósito em relação ao meio ambiente pode ser tanto a proteção do “todo” e ao mesmo tempo do “nada”.

Este conceito que não tem uma definição oficial e só foi confusamente descrito pelo FBI como “o uso ou ameaça de uso da violência de natureza criminal contra vítimas inocentes de uma propriedade por grupos subnacionais com orientações ecologistas a favor do meio ambiente ou por razões políticas, ou destinada a um público além do alvo, frequentemente de caráter simbólico”, não fornece suficiência conceitual para compreendê-lo desde sua denominação.

Consequentemente, uma estrutura lógica de pensamento nos obriga a ponderar adequadamente a necessidade de levar a sério o conceito de “eco-terrorismo”, primeiro para entender do que estamos falando, e depois para decidir a relevância que é dada à conclusão que se obtenha. Assim, dada a ausência de uma fonte normativa para o “eco-terrorismo” e a confusa definição do FBI, é preciso subtrair as ideias que poderiam estar subjacentes ao conceito, de modo que emerjam para uma análise mais aprofundada, de maneira individual ou ideológica, a mais pura possível.

Sem o dito anteriormente, todas as agências de inteligência, por mais profundo que cavem, não poderão encontrar nenhuma pista, simplesmente porque não saberão o que estão buscando.

Para ilustrar o contexto geral da análise, é necessário remontar os anos de 1976 e 1992. Estas datas correspondem ao nascimento dos grupos mundialmente conhecidos como “eco-terroristas”. A Frente de Libertação Animal (F.L.A.) e a Frente de Libertação da Terra (F.L.T.), respectivamente, ambos originários do Reino Unido. A F.L.A. foi descrita como uma ameaça terrorista interna na Grã-Bretanha e foi declarada pelo FBI como uma das 10 principais organizações terroristas do país.

Por sua parte, a F.L.T. foi classificada como a maior ameaça terrorista nos Estados Unidos pelo FBI em março de 2001, e realizou ataques em mais de uma dúzia de países. Ambas as organizações estão categorizadas como “eco-terroristas”. No entanto, a atividade terrorista que estas organizações desenvolveram, e que exorbitam intensamente fins protetores com relação ao meio ambiente, são insuficientes para se chegar a uma ideia ou conjunto de ideias que permita cristalizar um conceito complexo e altamente desafiador para as agências de inteligência moderna.

Da mesma forma, não só a falta de uma “fonte oficial” para o “eco-terrorismo” complica a tarefa de entender o conceito e abordá-lo , mas também, e talvez o mais complexo, a relativização que foi feita de sua existência, em que muitos atribuem os ataques realizados em seu nome a conspirações próprias de ficção científica.

Uma destas teorias diz que o “eco-terrorismo” surgiu no âmbito da elaboração do Relatório Brundtland em 1987, que deu origem ao conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. Este conceito que tem permitido ancorar universalmente a necessidade de equilibrar o crescimento econômico, a igualdade social e a proteção ambiental, teria tido como base uma deliberada pesquisa sobre a pobreza, através da diminuição do consumo de recursos e do controle dos níveis de mortalidade.

Esta ideia conspirativa teria começado a tomar forma nos anos 70, a partir do “Relatório Kissinger”, que advertia sobre o perigo do crescimento da população mundial e como afetaria negativamente os EUA o consumo dos recursos do planeta que o país estima como “suas” reservas. Portanto, em nosso país devemos ser claros, como o primeiro elemento de análise, que os atentados perpetrados pelo grupo “eco-terrorista” denominado “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (I.T.S.), cuja origem remonta a 2011 e possui presença no Chile, México, Argentina, Brasil, Grécia, Reino Unido, Espanha, entre outros países, tiveram como objetivo matar pessoas, circunstância que acelera imperativamente a necessidade de se compreender do que falamos quando nos referimos a “eco-terrorismo”.

Neste sentido, a organização mencionada, de acordo com seus próprios manifestos, afirma que a destruição da espécie humana, irremediavelmente alienada, constitui a única possibilidade para salvar o planeta. Isso, porque quando exterminada a espécie, um novo ser humano nascerá e o planeta terá sobrevivido. Expressam esta ideia, entre outras formas, da seguinte maneira: “… quando não restar mais água potável e estiver ela toda contaminada, quando todas as florestas morrerem, e os mares e rios secarem, saberão que a loucura não estava em se opor a esta forma de vida, mas em perpetuá-la”.

Ante o fundamentalismo irredutível do qual se planteiam, o que toca então, consiste em entender que o “eco-terrorismo” não responde a uma concepção niilista nem anárquica, mas sim, o contrário, a um método extremo de salvação do habitat de nossa espécie, cuja arquitetura ideológica, parece obedecer a perda total da esperança, da fé e do amor, no entanto, paradoxalmente, ancorada em uma valorização purista do natural, que deixou o desenvolvimento material e espiritual do individuo como fins circunstanciais à sua existência.

Desta forma, diante dos insondáveis fins que podem ser encontrados na exegese do “eco-terrorismo” como uma necessidade de política pública, e ante a improvável circunstância de se chegar a um conceito suficiente, é necessário concordar que, ao menos no Chile, a ameaça é clara: se trata de um grupo terrorista, altamente ideológico, intelectualmente superior, de alta capacidade e conhecimento informático e em uma guerra declarada contra uma espécie humana, cuja alienação mental impossibilita o diálogo.

Diante do exposto, se cai no absurdo trágico, que a “organização sistemática” e “o civilizado” os qualifique como personagens anárquicos e alienados, cuja batalha carece de total sentido. E, inversamente, este grupo terrorista perdeu a esperança no “organizado” e estima que o razoável é exterminá-lo. Se o paradoxo é tão absurdo, devemos concluir que a única forma de encontrar a “verdade” na salvação de nosso habitat e do natural, exige uma nitidez total das contradições, propósito que só é possível através do diálogo.

A renúncia ao diálogo, por ambas os lados, não só deixaria em evidência uma alienação total dos intelectuais do “organizado” e das células intelectuais “eco-terroristas”, mas também uma extinção parcial de nossa espécie: dos líderes. Das pessoas que, apesar do extremo, dos dogmas, da negação total do possível e da posição social que tenham, são capazes de persuadir com a entidade moral e ética de suas ideias, para aqueles que teoricamente se encontram em rota de colisão com o “correto”.

A carga moral do que dizem defender os obriga a elevar o diálogo ao mais alto nível de importância. Caso contrário, permanecerão na história como terroristas comuns que, diante da negação do diálogo, desacreditarão e contaminarão os esforços daqueles que realmente se importam pelo cuidado do meio ambiente e que combatem a brutal predação da natureza.

Portanto, diante do absurdo paradoxo da alienação total compartilhada entre o “organizado” e os “eco-terroristas”, isso só pode unicamente ligar o “eco-terrorismo” a um conceito taticamente ambíguo, para abrigar fins obscuros e estranhos à causa ambiental.

Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?

Esta é a tradução de Terroristes, écologistes: qui se cache derrière le groupe ITS?, uma reportagem do veículo francês TV5MONDE. Peca nas declarações do “investigador” frustado academicamente que faz afirmações tolas em torno de ITS. Suas declarações contrariam as de outros investigadores que definem Individualistas Tendendo ao Selvagem como um grupo lúcido, sensato, cabal e intelectualmente superior, com bastante formação intelectual e pensamento complexo. Para citar alguns exemplos temos a investigação da Bio-Bio Chile, o texto do El Mostrador El ecoterrorismo y la paradoja de la locura total, escrito pelo magistrado em direito ambiental Jorge Andrés Cash, e a entrevista do sociólogo e acadêmico da Universidade Central do Chile Rodrigo Larraín ao canal chileno Chilevisión Noticias. Talvez este “investigador” frustrado seja algum policial mal pago disfarçado para desacreditar ITS. Abaixo a reportagem.

Os eco-terroristas de ITS (Individualistas Tendendo ao Selvagem) são extremistas ecológicos para quem “todos os seres civilizados merecem morrer”. Desde dezembro de 2018 pelo menos cinco ataques foram reivindicamos em quatro países, incluindo a Grécia. Seu credo? Niilismo. Sua luta? O retorno à natureza, convencidos da inescapável destruição do mundo. Apresentamos uma entrevista exclusiva com um membro desta célula terrorista, presente na América Latina e na Europa.

Quando se fala em terrorismo se imagina os jihadistas da Al-Qaeda ou do ISIS, mas não se pensa em pessoas que podem colocar bombas em nome da ecologia. Esta é uma prática de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), um grupo eco-terrorista criado em 2011 no México, e que propagou novamente o terror no Chile em 4 de janeiro de 2019, depois de detonar uma bomba em uma parada de ônibus, no centro da capital, deixando cinco feridos. Seus membros parecem ter saído de um romance de ficção científica. Eles se movem clandestinamente na internet, e no vídeo enviado a TV5MONDE aparecem encapuzados e vestidos de preto. O membro da organização que fala neste vídeo se descreve como o “chefe de ITS no México”.

A TV5MONDE conseguiu entrar em contato com este grupo através de um blog conduzido por outro grupo eco-extremista de língua espanhola, “Maldición Eco-extremista“. Este blog está alojado no servidor italiano Altervista, que funciona como a “mídia oficial” de ITS. Todos os comunicados do grupo (75 até agora, sendo o último publicado em 22 de fevereiro de 2019), são publicados ali. O conteúdo do blog está em sete idiomas – Turco, inglês, italiano, português, grego, tcheco e romeno. “Nenhum membro de ITS fala francês”, indica um membro do “Maldición Eco-extremista” durante nossa investigação.

Para uma entrevista com um membro de ITS, trocamos emails com o “Maldición Eco-extremista” que nos pediu para criar uma conta em um serviço seguro de mensagens, com sede na Suíça. A entrevista resultante é a sexta desde a criação de ITS, e a primeira dada a um meio de comunicação em língua francesa. Três entrevistas de ITS foram dadas à mídia mexicana, depois à imprensa argentina, e por último a chilena.

TV5MONDE enviou a ITS perguntas por email. Xale, pseudônimo por trás do qual se esconde um dos membros fundadores de ITS e a cabeça da organização no México, respondeu algumas de nossas perguntas em um vídeo de sete minutos, posto a disposição através de um servidor baseado na Nova Zelândia.

Nada Nem Ninguém

“ITS foi criado espontaneamente”, diz Xale no vídeo que recebemos. “Em abril de 2011”, continua ele, “cometemos nosso primeiro ataque a bomba, que feriu gravemente um funcionário universitário no México. Queríamos parar por ali, mas vendo que poderíamos usar esse modus operandi, começamos a fazer dezenas de ataques com pacotes-bomba”.

Para ITS, um slogam resume tudo: “todos os seres humanos civilizados merecem morrer.” Em janeiro de 2019, enquanto ITS colocava um artefato explosivo em frente a uma universidade de Santiago, a capital do país, o grupo disse “se arrepender” de que o engenho não tenha explodido e matado alguém. “Qualquer um”, disseram no comunicado.

Ataques, mas com qual propósito? Nenhum. O grupo afirmou em 2016 a um jornal mexicano:não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém. Um niilismo em seu aspecto mais puro, é com esta nuance que Xale traz no vídeo: “Queremos participar da desestabilização da ordem estabelecida e, na paranoia coletiva, para aterrorizar os bons hábitos de uma sociedade corrompida por sua hipocrisia”.

“Todos os seres humanos civilizados merecem morrer.”
Trecho de um comunicado de ITS.

Além da desestabilização da ordem estabelecida, os niilistas do ITS desejam ferozmente um retorno à natureza. Uma visão como a de Rousseau, com frequentes referências aos povos indígenas da América Latina, tanto em revistas digitais, quanto no cenário do vídeo, com uma jarra utilizada pelo povo chichimeca (cabaça). A cena é adornada com um crânio de ovelha e raízes de uma planta mexicana: a mesquite, toda iluminada com “a cera de uma vela natural”, nos conta Xale.

Misticismo e Eco-terrorismo

Os nomes dos diferentes ramos de ITS também fazem referência a sua proximidade com a natureza: a “Horda Mística do Bosque” no Chile, as “Constelações Selvagens” na Argentina ou a “Seita Pagã da Montanha” no México. Seus membros não creem e nada, só em si mesmos, em sua “natureza selvagem” e suas “raízes primitivas”. “A esperança está morta aqui. Não existe. Não haverá mudanças nem revolução que transforme merda em ouro. Estamos perdidos e aceitamos nosso declínio enquanto olhamos o problema real: o progresso humano e a civilização moderna.”, disse Xale, membro fundador de ITS.

“Não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém”.
Trecho de uma entrevista de ITS dada a um jornal mexicano em 2016.

No entanto, ITS quer se livrar das fronteiras de qualquer ideologia e indicou, em 2016, na revista digitalRegresión – Cuadernos contra el progreso: “não somos revolucionários nem anarquistas, não representamos a esquerda radical. NÃO somos primitivistas. O romântico e ingênuo Zerzan (nota do editor da redação: filósofo primitivista) NÃO NOS REPRESENTA, tampouco o ingênuo radical Kaczynski (nota do editor da redação: eco-terrorista estadunidense) nem nenhum outro teórico grego, espanhol, italiano, brasileiro, nem ninguém”.

De acordo com um pesquisador latino-americano que prefere permanecer em anonimato por razões de segurança, ITS é um “grupo de pessoas jovens, mal preparadas, tanto intelectualmente quanto materialmente. O grupo se baseia em argumentos fracos”. Continua o investigador, “o que os faz ainda mais perigosos é que seu discurso evolui com o tempo”. Para o investigador, os membros de ITS tem mais “problemas mentais que crenças políticas”, o que é um “duplo perigo”.

Indivíduos tendentes ao selvagem, anticivilização

ITS está presente em sete países: três na Europa (Espanha, Grécia e Reino Unido (Escócia)) e quatro na América Latina: Argentina, Brasil, Chile e México.

Em 27 de junho de 2016 o grupo reivindicou o assassinato de Jaime Barrera Moreno, empregado da Faculdade de Química da Universidade do México, UNAM.

No blog Maldición Eco-extremista, haviam reivindicado outros assassinatos desde 2011, também relacionados com centros de investigação científica. Para ITS, “a humanidade está perdida”. Não é hostil à classe trabalhadora em particular, nem aos poderosos, o grupo se declara contra a “humanidade moderna”. Guerra de classes? “É uma estupidez desnecessária”.

“Por que atacar os oprimidos?”, se pergunta em uma declaração em janeiro de 2019. “Porque não nos importa o status social. Rico, pobre, carente. Qualquer ser humano merece morrer”, disse o grupo com um cinismo que não oculta depois de um ataque cometido na capital chilena.

Bombas em Nome da Ecologia

Em 4 de janeiro de 2019, uma bomba explode em uma parada de ônibus no centro de Santiago. O saldo: 5 feridos. Os santiaguinos ficaram com medo ao ver qualquer bolsa ou pacote esquecido na cidade nos dias após o ataque, a mídia ficou perplexa.

“Chile não está acostumado a este tipo de ações, e ainda menos quando não há uma ideologia forte por trás dele”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Mas, acrescentou, “como em qualquer sociedade ocidental com um ritmo de vida agitado, este último ataque é quase esquecido por todos”.

Uma bomba em uma parada de ônibus e uma tentativa de incendiar um ônibus foi o que aconteceu no Chile em dezembro de 2018. Deixaram também explosivos na frente de igrejas no México e na Grécia na véspera de Natal do ano passado, ferindo a algumas pessoas. Bombas também foram abandonadas em frente a uma igreja no Brasil de Jair Bolsonaro, presidente de extrema direita recentemente eleito.

Os ataques de ITS, grupo oposto ao catolicismo, se dão em lugares “pequenos, isolados e fáceis de atacar”, analisa o investigador latino-americano. “Longe de um ataque em um shopping center, cercado por câmeras de segurança, onde aumentaria a pressão social para encontrar os perpetradores”, observa o investigador.

Por falta de evidências, as absolvições de ITS estão erigidas em vitórias. Após o ataque no Chile em 4 de janeiro de 2019, ninguém foi preso até agora.

Segundo uma fonte próxima à investigação a polícia chilena tem “poucas pistas”, e nenhuma delas “é clara”. Deve-se dizer que os serviços de inteligência chilenos foram desmantelados após a ditadura de Pinochet (1973 – 1990) e “não são efetivos”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Isto explica sua “falta de jeito”, acrescenta, e explica em parte “os principais problemas no Chile para enfrentar e antecipar os casos de terrorismo”.

Em uma entrevista ao jornal andino La Tercera em janeiro de 2019, Raúl Guzmán, promotor encarregado da investigação do ataque de 4 de janeiro de 2019 em Santiago, segue na mesma direção: “Eu gostaria que a Agência Nacional de Inteligência do Chile (ANI) desempenhasse um papel mais operacional na descoberta de informações.” Em outras palavras, o promotor pede uma maior eficiência desta agência. Este promotor chileno agrega que estas ações terroristas “não obedecem a nenhuma ideologia política”. O niilismo, portanto, ligado ao desejo de liberdade dos animais.

Guerrilheiros da Causa Animal

ITS se opõe à domesticação de animais. Com os escândalos de carne polaca estragada, ou lasanha com carne de cavalo (*), podia-se crer que estes eco-terroristas são parte da linha anti-especista como a associação L214, mas não é bem assim.

Em um texto intitulado “O Mito do Veganismo“, criticam a “irracionalidade das ideias e valores da filosofia vegana”, denominada por eles “regime civilizado moderno que alimenta os sonhos progressistas dos humanistas de merda”. O eco-terrorismo não tem fé no homem, nem em seu futuro.

“A longo prazo, tudo o que queremos é sobreviver, continuar travando a nossa guerra, nos expandir a outras nações e ter êxito em todos os nossos ataques”, disse Xale no vídeo enviado a TV5MONDE.

Com respeito ao risco de ataques na França, de acordo com nossas fontes, ITS “não se constitui como uma ameaça imediata e prioritária no território nacional e não se considera suficientemente capaz para atacar os interesses fundamentais da Nação.”

*Se refere a escândalos relacionados com a indústria agroalimentar na França, como a carne polaca encontrada em mal estado e a venda fraudulenta de lasanha de cavalo.

[ES – VIDEO] Cronología Maldita: Sobre-Bomba del Caos

Este vídeo em espanhol compartilhado publicamente na web realiza uma cronologia do que foi considerado uma ação terrorista por parte das autoridades chilenas, o ataque do grupo eco-terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) na avenida Vicuña Mackena em Santiago do Chile, em janeiro deste ano.

O grupo terrorista ITS põe em xeque o Estado do México

El grupo terrorista ITS pone en jaque al Estado de México é uma reportagem do meio de comunicação mexicano Excelsior sobre ITS e as últimas ações recentes dos grupos eco-extremistas daquele país, incluindo do novo grupo A Conspiração do Trovão; alinhado, mas ainda não pertencente a ITS, de acordo com declarações públicas da organização eco-terrorista. A reportagem reconhece Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) como um grupo terrorista que opera à nível mundial. Se equivoca apenas ao atribuir a ITS o ataque ao Mall no Chile, já que de acordo com informações publicadas no portal do grupo a acometida foi realizada por outro grupo simpático ao eco-extremismo.

Individualistas Tendendo ao Selvagem têm presença global e se atribuiu dos ataques a municípios mexicanos, de acordo com os acontecimentos recentes.

Os artefatos que explodiram em diversos lugares no Estado do México nas últimas semanas são parte dos atos do grupo terrorista denominado Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), que já é investigado pela Procuradoria Geral da República (PRG) por meio de áreas como a Polícia Federal Cibernética.

ITS têm presença global e perpetrou atos de terrorismo em países do continente americano, como o Chile. Em sua página htpp://maldicionecoextremista.altervista.org reivindicou em 28 de dezembro o ataque nas proximidades de uma praça comercial em Coacalco, ocorrido dois dias antes.

Seus membros declararam: “Por meio deste breve comunicado nos responsabilizamos pelo explosivo detonado nas imediações do centro comercial Power Center em Coacalco, Estado do México, em 26 de dezembro deste ano.”

“Abandonamos a bomba na passagem para pedestres às 20:00 horas. A detonação foi ouvida a vários metros ao redor e causou danos em uma das estruturas de concreto da passagem, sem que fossem registrados feridos, uma pena.”

“Nosso ódio misantrópico se traduz em feridas e terror para os humanos que se espalham por todos os lados com uma asquerosa ânsia de consumo desenfreado. Que se fodam TODOS!”

“Embora as autoridades ocultem nossas atividades, nós adiantamos que as bombas continuarão explodindo em lugares públicos durante estas datas, assim como demonstraram os cúmplices da Seita Pagã da Montanha e nós reiteramos.”

“Força para os irmãos de ITS-Brasil, que neste momento estão na mira do Estado brasileiro e suas agências de segurança! Que o Desconhecido os cubra com seu manto de impunidade! Porque nada humano detém o Selvagem!”.

Em Ecatepec

E, de fato, a série de atentados à bomba continuou: em 13 de fevereiro um artefato explodiu na capela do Santíssimo da Catetral de Ecatepec; horas antes o exército mexicano evacuou usuários e funcionários do palácio municipal de Jaltenco ante uma alegada ameaça de bomba.

No dia seguinte, foi interceptado outro explosivo com temporizador colocado em uma banca no Power Center de Coalcalco e no dia 15 foi localizada outra bomba no banheiro masculino no terceiro andar do Plaza Mundo “E”, em Naucalpan. Nos tribunais deste município a polícia evacuou 600 pessoas por um falso alarme ao encontrar uma granada de brinquedo nas imediações das instalações.

Em 22 de fevereiro foram queimadas duas unidades articuladas do Mexibús poucas horas depois de um falso alarme de bomba no centro comercial Las Américas, em Ecatepec. Este fato provocou o pânico na vizinhança porque perto do local está localizado um posto de gasolina. Investigações apontaram que o incêndio das unidades possivelmente foram causadas por bombas molotov. Em todos estes casos, não houveram detidos.

De acordo com versões reunidas de fontes da Procuradoria Geral da República (FGR) em sua delegação no Estado do México, foram iniciadas diversas investigações, que já estão sobre a mesa do chefe da unidade, Alejandro Gertz Manero.

Apesar da frequência destes eventos e das reivindicações por parte de ITS, as autoridades mantiveram certo sigilo sobre o que aponta para uma série de atentados terroristas que certamente não são novos no México.

Resposta Oficial

A secretária de Segurança do Estado do México, Maribel Cervantes, indicou que, por enquanto, há três linhas de investigação na PGR, e poderia se tratar de um grupo delinquente, grupos anarquistas ou grupos ligados a uma organização internacional (ITS) da qual as autoridades tanto locais como federais preferiram ocultar sua presença.

Em outubro de 2016 a comissária do Instituto Nacional de Transparência, Acesso à Informação e Proteção de Dados Pessoais (INAI), María Patricia Kurczyn Villalobos, exortou a Procuradoria Geral da República (PGR) a buscar e divulgar o nome dos grupos terroristas baseados no país, as organizações nacionais ou transnacionais a que pertencem, bem como crimes ou atentados provocados no/ou a partir do México.

Ao levantar a questão perante o INAI, destacou que implicava numa importância especial para a segurança do país e do mundo. O terrorismo, advertiu, é um fenômeno caracterizado pela tragédia e o sofrimento gerado individualmente, coletivamente ou socialmente.

E formou sua opinião com dados duros: “Segundo o Índice Global de Terrorismo de 2015, elaborado pelo Instituto Para a Economia e Paz, nesta área, o México ocupa o lugar 44º numa lista de 162 países, principalmente pelo impacto de nosso país na relação com o Estados Unidos e a América Latina”, disse Kurczyn Villalobos.

Através da Plataforma Nacional de Transparência (PNT) foram solicitadas informações à PGR. Através do Gabinete Especializado em Investigação do Crime Organizado (SEIDO), a Unidade Especializada em Investigação do Terrorismo, Recolha e Tráfico de Armas; da Agência de Investigação Criminal; o Centro Nacional de Planejamento, Análise e Informação Para o Combate ao Crime e da Direção Geral de Comunicação Social, a agência se desculpou com o solicitante ao responder-lhe que, após uma busca em seus arquivos, base de dados físicas e eletrônicas, “não localizou informações que atendam às características requeridas”.

Ataques Anteriores

É provável que os funcionários da PGR buscaram não criar pânico entre a população e decidiram ocultar suas informações sobre o assunto, já que de 2014 a 2016 tinha registrado em seus arquivos sobre atos de grupos anarquistas e terroristas um total de 31 atentados em diversos estados do país. Em 2017, o número subiu para 38 casos.

Alguns dos grupos detectados nas pesquisas da PGR foram: O Comado Feminista Informal de Ação Antiautoritária; o Grupo de Individualidades Anárquicas Informais e FAI/FRI; as Células Insurrectas Poucos, Mas Loucos e FAI/FRI; a Célula Incendiária Caninos Negros e Federação Anarquista Informal (FAI) – Frente Revolucionária Internacional (FRI); as Células de Ação Informal Punky Maury – FAI/FRI; a Frente de Libertação da Terra; o grupo BAIBF; as Células Incendiárias Lobos Negros – FAI/FRI e Mario Buda – FAI/FRI; a Brigada de Ação Informal Bruno Filippi; o Grupo Selvagem de Ação Pela Terra, entre outros.

Dependências

Os alvos de seus ataques foram os mesmos órgãos do governo, como instalações bancárias e escritórios de empresas privadas como Telmex, e ocorreram principalmente em locais como Oaxaca, Cidade do México, Jalisco, Estado do México e Quintana Roo. Na lista não aparecia o agora ativo ITS.

Em outubro de 2016, o Centro de Investigação e Segurança Nacional (CISEN) relevou que nos últimos dez anos, grupos anarquistas, extremistas e eco-terroristas haviam realizado 306 atentados, especialmente na Cidade do México. Somente em 2016 foram registrados 36 ataques, conforme estabelecido em uma solicitação de informações por meio da PNT.

De fato, a agência de inteligência estabeleceu o ano passado como uma das prioridades na Agenda Nacional de Riscos para o perigo representado pelo terrorismo internacional. Até os últimos seis anos o CISEN estava encarregado de preparar esta agenda que fazia com o feedback e acordo mútuo com os titulares de outros órgãos que integravam o Conselho de Segurança Nacional, como o Presidente da República; os secretários da Defesa Nacional, Marinha, Relações Exteriores, Função Pública, Comunicações e Transporte, Finança e Crédito Público; bem como o Comissário de Segurança Nacional, o Procurador Geral da República e o próprio diretor geral do CISEN. Agora será importante perguntar ao novo governo como esta agenda será integrada.

Em outros de seus comunicados reivindicando outro atentado, mas no Chile, os membros de ITS delineiam parte de sua doutrina:

Ataque no Mall Florida Center no Chile

“Acreditamos que o Anarquismo, pelo menos aqui e agora, deve ser antissocial, renunciar a “alcançar o povo”, dado que a própria sociedade com sua visão antropocêntrica e sua moral são inimigos nossos. Os cidadãos estão do outro lado da barricada, com seu conforto e consumo, defendendo o artificial. Saibam que não lamentados se nossos feitiços firam alguém, se os terremotos e tsunamis afetam a mais pessoas. Não pretendemos solucionar problemas, mas criá-los. Somos parte das forças do caos pandimensional. Rumo a todas as direções”, disse ITS.

Eco-extremismo, a nova face do terror no México

Artigo de 2016 extraído da imprensa mexicana. É importante ressaltar que desde a data da publicação Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) se expandiu a vários países e causou grandes danos e deixou feridos e mortos com as suas atividades terroristas.

“Os pensamentos surgidos em um momento de terror tem o mistério e os olhos petrificados de ícones bizantinos.”
-E.M. Cioran, O Crepúsculo do Pensamento

Em 11 de Setembro de 2001 nossa visão de mundo mudou enquanto as torres do World Trade Center, localizadas no coração de Manhattan, Nueva York, caíam aos pedaços após serem impactadas por dois aviões comerciais sequestrados por integrantes do grupo jihadista Al Qaeda no mesmo momento em que um ato similar atingia o edifício do Pentágono e deixava-o seriamente danificado.

A partir deste momento, extremismo ou “terrorismo” deixou de ser apenas uma palavra e se converteu numa sombra sinistra disposta a atacar no momento menos esperado, causando o maior dano possível e deixando a sociedade mergulhada no caos. No entanto, o mais preocupante é a frequência com que estes ataques estão sendo realizados, pois condicionam o imaginário coletivo e o levam a um estado de paranóia, e simplesmente na medida em que o ano passa se pode contabilizar inúmeros ataques, sendo os mais destacados os ocorridos em Paris, Bruxelas e Orlando, mas sem contar os eventos quase diários que são realizados no Oriente Médio.

O Eco-extremismo

Menos visíveis e comentados foram os atos de extremismo cometidos nos últimos dias no México por um grupo radical conhecido como “Individualistas Tendendo ao Selvagem” que buscam desequilibrar o desenvolvimento tecnológico da sociedade através de ataques bem planejados aos pilares deste crescimento como é o caso dos centros educativos e científicos. Os chamados “eco-extremistas” argumentam que estão “contra o progresso humano, que corrompe e degrada toda a beleza que há neste mundo”.

Este grupo, que também tem presença na Argentina, Chile [e Brasil], afirma que não reconhecem nenhuma autoridade a não ser a da “Natureza Selvagem”, em suas próprias palavras: “matamos porque rechaçamos qualquer moral que nos queiram impor, porque não consideramos nem “ruim” nem “bom”, mas sim uma resposta de nossa individualidade a toda a destruição que gera o progresso humano”.

Não é um grupo novo, vem operando desde 2011 e, na verdade, tem se multiplicado em diferentes células que estão presentes no centro do país. Os métodos vão desde cartas bombas até ataques frontais. Assumiram ao menos meia dúzia destes acontecimentos até agora neste ano, sendo o mais recente o assassinato do chefe de serviços da faculdade de Química, José Jaime Barrera Moreno, que na segunda-feira, 27 de junho, foi encontrado morto com um ferimento causado no peito provocado por uma arma afiada, mas não é o primeiro e asseguram que não será o último.

Em uma entrevista concedida a Ciro Gómez Leyva na Rádio Fórmula, datada de 1 de julho de 2016, anunciaram que foram os responsáveis por 8 ataques realizados durante o mês de abril, embora não tenham tido cobertura mediática apesar de terem sido concretizados tal e como haviam planejado.

Nesta mesma entrevista revelaram que apesar dos ataques e assassinatos perpetrados no México até agora não foi detido nenhum integrante do grupo e que segundo eles se deve ao que, em suas próprias palavras, são as instituições de segurança do país, “uma PIADA”.

No entanto, apesar de ser um grupo ativo em constante expansão asseguram que sua única finalidade é a destruição, “porque nos encontramos em um ponto onde nenhuma mudança e nenhuma revolução serão suficientes para realizar uma transformação social, pois tudo está corrompido de maneira irreversível”. Neste sentido, também dizem que não apostam pela “caída da civilização, nem temos como finalidade a destruição desta”, o que alguns poderiam ver como uma contradição, mas no aspecto mais básico da existência, na Natureza Selvagem, é o que acontece quando um animal ferido se encontra encurralado, ele ataca até que não possa mais, “os eco-extremistas são como as abelhas, as quais enfiam seu ferrão para ferir a seu oponente (a civilização) lutando sabendo que morrerão tentando, já que está claro que nesta guerra não sairemos vitoriosos.”

O mundo está mudando diante de nossos olhos e a maioria destas mudanças estão baseadas no terror nascido do sistema no qual estamos imersos, pelo que a informação poderia significar a diferença, não se trata de saber tudo, mas de estar ciente destas alterações para fluir em consequência, seja para nos reencontrarmos como sujeitos sociais ou para seguir nos destruindo.

“Não podemos caminhar com eco-extremistas”, dizem anarquistas mexicanos

O texto abaixo é o fragmento de um artigo da imprensa publicado em 2016 onde é possível ver a opinião geral que tem os anarquistas mexicanos sobre os eco-extremistas.

Em um ponto o autor do texto foi equivocado ao mesclar ou relacionar as “libertações” de animais com os atos terroristas de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). É uma afirmação que não procede já que ITS não advoga pela “libertação animal”, embora a prática tenha feito parte das etapas anteriores de suas raízes.

À caça de anarquistas

18 de Outubro de 2016

“Salvajes” y ecoterroristas, contra universidades y trabajadores

Grupos como Individualistas Tendendo ao Selvagem, Seita Pagã da Montanha, entre outros, tem sido marcados como “anarquistas” sem que sejam.

Publicam suas “libertações” de animais (como coelhos de granja e galinhas de fazendas) em bosques descampados, e também seus atentados contra institutos de investigação e reivindicam explosões que colocam em risco a vida das pessoas.

Eu seus comunicados estas organizações repudiam o anarquismo e qualquer tipo de esperança em construir um novo tipo de sociedade ou fazer a revolução. Sobre o fato de que tenham sido relacionados com o anarquismo, Individualistas Tendendo ao Selvagem disse, por meio de seus comunicados, que isso se deve provavelmente a porque começaram enviando seus comunicados a portais de informação anarquista.

Todos os anarquistas entrevistados concordaram que os eco-terroristas e eco-extremistas –que atentaram contra a vida de trabalhadores, universitários e cientistas– não são anarquistas. “Estes grupos fazem parte daqueles que não podemos caminhar junto”.

[ARGENTINA] A Presença de ITS Ameaça a Segurança do G20


Neste vídeo exibido em uma reportagem na TV argentina o grupo eco-terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) é tido como uma das ameaças ao G20 que foi realizado naquele país. A reportagem exibida no programa  “Periodismo Para Todos” aborda ITS a partir do minuto 14 do vídeo. Nela mencionam que tiveram contato com o grupo e em um áudio enviado pelos integrantes da organização Constelaciones Salvajes é feito um repasse geral dos pensamentos da tendência. Para conferir o vídeo no site da emissora de TV, acesse este link. Se deseja conferir apenas a mensagem na íntegra que foi enviada para a reportagem você pode conferir o vídeo abaixo que foi disponibilizado na web.

[ES – VÍDEO] Paquete-Bomba: ITS-Chile

Este vídeo foi compartilhado publicamente na web e se trata das reações, análises, equívocos e espanto dos meios de comunicação à respeito do atentado de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) no Chile contra o então presidente na época da mineradora de cobre Codelco, Óscar Landerretche.

[Vídeo – ES] Chile: ITS nos preocupa, pois busca alvos terroristas que danam a Terra: Capitão de Carabineros aposentado

Nesta entrevista concedida ao canal de televisão NTN24, Jorge Valdés, um especialista em segurança e ex-capitão da força militar chilena, analisa o grupo eco-terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) após o ataque perpetrado contra o então presidente na época da empresa de mineração Codelco, Óscar Landerretche. O áudio está em espanhol.

ITS: uma das ameaças para a América Latina, segundo “Intercec Mag”

A Intercec, revista de segurança internacional que é responsável por publicar análises sobre ameaças para a segurança nacional, terrorismo e crime, publicou em outubro de 2016 o seguinte artigo intitulado Latin America Threatwatch: Terrorist groups and countries facing threat, onde expõe os países e os grupos que representam uma ameaça para a segurança tanto de suas fronteiras como fora delas.

O artigo menciona zonas como Venezuela, Colômbia, México, América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala).

Ademais, entre os grupos que para o analista representam uma ameaça estão as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ambos da Colômbia e o primeiro praticamente empurrado ao desarmamento; o Exército do Povo Paraguaio (EPP), e também Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Abaixo está traduzida a informação que nos interessa. Devemos destacar que o analista olha os atos de ITS desde o ângulo de sua profissão, e não a partir de outra perspectiva mais profunda. É também importante ressaltar que a capacidade de ataque do grupo eco-terrorista se elevou desde então, bem como se expandiu para outros países da Europa.

“Individualistas Tendendo ao Selvagem” é caracterizado como um grupo pan-latinoamericano onde seus militantes operam em grupos independentes. Surgido em agosto de 2011 o grupo defende uma corrente abertamente niilista, anticivilização e “eco-extremista”, chamando à destruição da propriedade, assassinato de cientistas e de qualquer indivíduo que apoie o que ITS vê como domínio da sociedade sobre a natureza, e justificam os danos, inclusive até mesmo a morte de espectadores inocentes. As proclamações e modos de ataque do grupo são inspirados, em parte, no Unabomber.

Embora originalmente estivesse ativo apenas no México, o grupo também reivindicou ataques no Chile e Argentina. Mais recentemente, no início de agosto, em uma publicação de um site afiliado a ITS, o grupo se atribuiu da responsabilidade de um artefato explosivo improvisado detonado em um centro comercial da capital do Brasil, Brasília, pouco antes do início dos Jogos Olímpicos.

A aparente expansão das operações de ITS para o Brasil após ter se estendido para a Argentina e Chile no início deste ano, marcou o maior aumento do alcance de sua “máfia”, em vez de qualquer mudança substancial de sua capacidade.

No caso dos outros países onde ITS opera, com exceção do México, as habilidades de fabricar suas bombas são limitadas, com operações típicas onde houve apenas poucos ataques de pequena escala com artefatos explosivos improvisados ou incendiários que, muitas vezes, falham em detonar adequadamente, salvo exceções. As vezes seus ataques consistem apenas no abandono de bombas falsas ao invés de deixarem explosivos viáveis.

A existência do grupo fez-se evidente em 9 de agosto de 2011 quando se atribuiu da responsabilidade de um ataque com pacote-bomba que feriu a dois professores do Instituto Tecnológico de Estudos Superiores de Monterrey, no Estado do México no dia seguinte. Em seu extenso comunicado reclamando sua responsabilidade, que foi publicado no blog Liberación Total, o grupo realizou críticas específicas consistentes com a investigação em nanotecnologia, citando preocupações sobre esta ciência contra o meio ambiente.

Nesse mesmo dia em que foi emitido o comunicado um segundo pacote-bomba foi desativado pela polícia no Instituto Politécnico Nacional (um artefato com livros), na Cidade do México. (…) Além destes atos, em outro comunicado o grupo se responsabilizou por outros dois pacotes-bombas a um professor em nanotecnologia da Universidade Politécnica do Valle do México, em Tultitlan, Estado do México, em abril e maio. O primeiro acabou ferindo um trabalhador que mexia com manutenção. (…)

[AUDIO – ES] Todas as Emissões da Rádio Primate

Radio Primate é um podcast em espanhol publicado na web que analisa a tendência eco-extremista e o grupo mais expressivo que advoga por este pensamento radical, Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

*Recomenda-se escutar o áudio com fones de ouvido, isso devido ao som grave da voz no podcast.

PRIMEIRA EDIÇÃO

DESCARREGUE: Link 1Link 2

GUIA:

0:00 – 4:03: Apresentação

4:04 – 7:19: Música

7:23 – 20:12: Sobre as Últimas Manifestações Selvagens

20:13 – 22:37: Música

22:38 – 51:30: A Caça às Bruxas Contra Atassa nos Estados Unidos

51:31 – 54:19: Música

54:21 – 1:19:39: A Persistente Presença de ITS

1:19:41 – 1:24:05: Música

SEGUNDA EDIÇÃO


OBS: este podcast é todo sobre o grupo terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). A partir de 32 minutos e 57 segundos se aborda o tópico ITS-Brasil.

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Terceira Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem: A Mentira Sempre Tem Pernas Curtas

Traduzimos a terceira entrevista realizada com Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), desta vez concedida à revista política Siempre!.

A entrevista foi publicada na revista impressa e no site da empresa jornalística mencionada, embora não de forma completa. Um blog atribuído ao grupo terrorista a publicou sem cortes.

É válido mencionar que desde a publicação da entrevista (2017) ITS se expandiu ainda mais pelas Américas e inclusive pela Europa, com o surgimento de grupos na Grécia, Reino Unido e Espanha.

1. – Desde quando o grupo existe e em quais outros países operam?

Em 2011 “Individualidades tendendo ao selvagem” (Its) começou a operar, levando a cabo ataques contra centros de pesquisa científica, universidades, entre outros, nos municípios do Estado do México, nas delegações da Cidade do México, em Hidalgo, Morelos, Guanajuato, Veracruz e Coahuila.

Cabe destacar aqui que desde o ano de 2011 até então nós passamos por várias fases, por exemplo, em 2014 formamos um grupo chamado “Reação Selvagem” (RS) junto com uma dúzia de grupos que aderiram ao projeto, operando no Estado do México, Cidade do México e Tlaxcala, deixando de lado o nome “Its”. Já em 2015 RS foi dissolvido para que cada grupo continuasse o seu caminho sem estarem necessariamente unidos.

Em 2016 renasce “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (ITS), e até agora temos presença na Cidade do México, Estado do México, Coahuila, Chihuahua e Jalisco. Este novo ITS tem como um de seus objetivos a expansão internacional desta tendência, portanto, em fevereiro deste mesmo ano, grupos de ITS surgiram no Chile e Argentina. Em Santiago, capital chilena, um grupo de ITS incendiou uma máquina do tipo “Metrobus” em plena luz do dia e com passageiros ainda dentro, e embora não houveram feridos, o ataque foi o terrorístico sinal da chegada do eco-extremismo ao sul do continente. Neste mesmo mês, mas em Buenos Aires, capital argentina, um grupo de ITS detonou um artefato explosivo nas imediações da Fundação Argentina de Nanotecnologia, realizou várias ameaças a cientistas e abandonou um pacote-bomba em uma estação de ônibus. Em agosto de 2016 o eco-extremismo chegou ao Brasil, um grupo de ITS detonou uma panela de pressão cheia de pólvora negra no estacionamento do centro comercial Conjunto Nacional, em Brasília.

Devemos reconhecer que nestes anos de atividade o Eco-extremismo teve cúmplices, afins de sangue aderidos à tendência do Terrorismo Niilista, defendida e representada pelas Seitas Egoarcas na Itália. Também surgiram vários grupos na Alemanha, França, Finlândia, etc., que embora não se digam eco-extremistas, compartilham o discurso visceral contra a civilização e o progresso humano, melhorando com isso a “bandeira” do individualismo.

Como é possível ver, não somos um grupo novo que saiu do nada, temos um histórico e as autoridades federais sabem disso, só que nunca nos reconheceram de maneira direta porque não lhes convém e, claro, a grande maioria dos meios de comunicação dissemina a verdade “oficial”, embora esta sempre feda.

2. – Qual é o objetivo de vocês para formar um grupo desse tipo e o que realmente estão buscando?

Individualistas Tendendo ao Selvagem é um grupo de pessoas anônimas com conexões internacionais unidas para fins criminosos, ou seja, somos uma Máfia.

ITS é um grupo com vistas à destruição e ao caos na civilização, detestamos e rechaçamos cada aspecto da vida civilizada, artificial e industrializada que é imposta à Natureza Selvagem. ITS é a vingança esquecida que nossos antepassados nos deixaram. Há séculos atrás os antigos reagiram violentamente contra a chegada dos ocidentais, mas também reagiram da mesma forma contra a chegada das civilizações mesoamericanas. Os nativos caçadores-coletores nômades destas terras nunca se renderam e muitos preferiram morrer ao invés de se submeter a modos de vida alheios às suas culturas. Na ITS nós resgatamos essa resistência selvagem, agora nós reagimos violentamente contra qualquer indício de civilização como fizeram os nossos antepassados mais antigos. ITS é apenas a expressão de algo maior, ITS é também a chuva que inunda cidades, é a avalanche que soterra vilas inteiras, são os raios que acertam infraestruturas alheias ao ambiente, é o terremoto que inesperadamente põe tudo abaixo, é o ataque da onça contra a sua presa, é o belo canto do faisão, o vôo do condor, o nado das tartarugas marinhas, as ervas que saem do pavimento rachado das pestilentas cidades. Todos nós temos um assassino primitivo no fundo de nosso ser, e nós o deixamos sair e isso surgiu e não iremos parar, porque o eco-extremismo é apenas uma expressão do Selvagem, ITS é um grupo de indivíduos com um objetivo comum mas, por si só, o Selvagem sempre prevalecerá.

Cabe ressaltar que nós não queremos voltar para as cavernas, não queremos voltar a ser primitivos como o homo sapiens, e qualquer um que diga isso é um idiota e não leu nada do que nós escrevemos. Isso é ITS, e nós realmente não esperamos que muitos entendam isto, poucos o fazem.

3. – Por que utilizar o crime como um meio para resolver conflitos? Por que ir ao extremo de atentar contra a vida das pessoas? Não há outra saída?

Para nós não há saída pacífica a isto, não há ofertas com ninguém, não há acordos nem negociações, o que estamos vivenciando é uma Guerra entre o civilizado e a Natureza Selvagem. Por acaso há outra saída para as milhares de árvores que são cortadas diariamente pelas mãos humanas? Por acaso houve outra saída para os animais selvagens marinhos presos nas redes dos pescadores legais e ilegais? Por acaso houve outra saída para os nossos ancestrais que foram expulsos de seus territórios e massacrados séculos atrás pelos ocidentais que vieram para “nos conquistar”? Por acaso houve outra saída para a Terra devastada pela extração de minérios das grandes indústrias? Por acaso há outra saída a toda esta loucura civilizada? CLARO QUE NÃO. O humano moderno segue crendo que é o umbigo do universo, segue se sentindo deus e dono de tudo ao seu redor, embora a sua existência signifique para o universo uma total insignificância. Nós, ITS, aceitamos que somos parte do ser humano moderno, só que nós nos demos conta de que ainda somos parte da Natureza Selvagem, porque quando vemos um rio contaminado sentimos raiva, quando vemos máquinas perfurando a Terra nos gera tristeza, quando vemos milhares de carros indo e vindo nas fedorentas cidades sentimos ódio, quando vemos o avanço da mancha urbana sepultando ambientes inteiros sentimos repúdio, quando lembramos que os antigos morreram lutando contra os civilizados a única coisa que sentimos é o desejo de reivindicar a sua vingança e continuar com a sua guerra, e o crime é o punho com o qual batemos. Dizem por aí que em um país cheio de ladrões ser um criminoso é motivo de orgulho, por isso tomamos para nós estas palavras.

Deve-se notar que a nossa causa não é nobre, não é de justiceiros se acaso pensaram isso em algum momento, ITS é um grupo politicamente incorreto de criminosos, defensores amorais do Selvagem, assassinos do que é ocidental e não lamentamos dizer isso porque aprendemos com isso, com o Selvagem. Somos indiscriminados como os terremotos e as inundações, somos bestiais como as onças atacando e discretos como as raposas espreitando.

4. – Existe alguma pessoa ou grupo que patrocine vocês ou algum grupo que esteja com vocês?

Dentro do que chamamos de Máfia Eco-extremista existem vários grupos que, certamente, não são parte de ITS e não tem relação conosco, mas que lideram diferentes projetos de propaganda teórica, porém não há patrocínio de ninguém. São vários os grupos que editam as revistas, escrevem textos com bases filosóficas e antropológicas (principalmente), criam blogs, traduzem artigos, estão a par do que acontece, e mantém isso em um constante fluxo de atividade. Por exemplo, os nossos comunicados estão traduzidos ao inglês, italiano, português, tcheco, polaco, alemão, francês, turco, romeno, grego, galês e até mesmo em hebraico. Isso é a prova de que nossas palavras e atos têm se estendido também graças a todos aqueles e aquelas que simpatizam com a nossa tendência, mas, novamente, estes grupos NÃO tem nada a ver com as atividades de ITS.

5. – O que vocês se consideram? São anarquistas? Qual é a filosofia de vocês?

Não, nós não somos anarquistas. O anarquismo é bastante recente em comparação com o que defendemos. Te digo que naquela época do Iluminismo muitas das ideias liberais começaram a florescer na Europa, houve uma em particular que aquelas velhas massas proletárias se apegaram muito (além do Marxismo), especialmente por suas demandas idealistas, foi assim como o anarquismo teve seu auge no século XIX. Naquela época as pessoas sonhavam com um amanhã melhor, devaneavam em trabalhar no hoje para a “revolução” futura, algo que nunca chegou a ser plenamente realizado devido aos “obstáculos” que os estados colocavam no caminho ácrata. E se esta “revolução” por acaso tiver chegado ela se transformou em algo completamente diferente das ideias originais. É engraçado porque os anarquistas quase sempre eram tão estupidamente nobres que até mesmo deixavam o caminho livre para os comunistas, e então eles se apoderavam de suas realizações e se atribuíam de seus trabalhos, assim aconteceu na Ucrânia, Rússia, Cuba, Espanha e até mesmo aqui, em Veracruz, durante o movimento arrendatário, mas estas são outras histórias.

Voltando ao assunto, o anarquismo é uma daquelas ideias nascidas das demandas progressistas de “liberdade, igualdade e fraternidade”, demandas que nós desprezamos completamente, uma vez que a “liberdade” já não existe nesta era, é uma palavra e prática morta, alguns tolos quiseram se apegar a seu cadáver, mas cedo ou tarde acabam fedendo junto aos restos podres da história. A “igualdade” é um mito, tampouco existe, nada é igualitário, e se alguma vez fosse, o mundo seria uma cópia fiel do romance de Orwell ou pior ainda, do de Huxley. A “fraternidade” é uma questão relativa, mas quando os progressistas a invocam quase sempre se referem a uma fraternidade ou solidariedade com o “próximo”, o que é asqueroso. Como você pode ser fraterno com alguém que você não conhece? A solidariedade promiscua é o que o sistema quer que pratiquemos para que ele siga adiante, porque quanto menos problemas sociais existirem tudo irá segundo o planejado. O sistema precisa de menos crimes, menos corrupção, menos discriminação, menos discussões entre diferentes grupos sociais para que a civilização siga de pé, é por isso que a mídia dissemina tanto esse mito da igualdade, da não-violência e contra a divisão, e é por isso que nós repudiamos a igualdade e somos violentos, porque somos desses humanos que resistem em ser ovelhas do rebanho, somos a contrapartida deste sistema, nossos instintos assassinos voltaram dos lugares mais hostis habitados pelos selvagens. Então, com os nossos ataques estamos honrando a memória de Guerra dos antigos, estamos levando o caos e a destruição a uma civilização que declarou guerra não só a nós, mas a toda a Natureza Selvagem. O vírus do humano moderno se estende, eles destroem bosques, contaminam rios, envenenam a Terra, roubam minerais, vagueiam sem rumo, invadem ambientes, modificam sementes, etc. Eles têm visto a devastação que causaram na Terra e buscam por novos planetas para habitá-los no futuro; o sistema tecno-industrial tornou-se extremista, então por que não reagir da mesma maneira contra todo este lixo? ITS faz isso, reagimos na forma de atentados porque isso é uma Guerra, porque embora aceitemos que somos humanos modernos temos dentro de nós a chama da confrontação selvagem.

ITS não se define ideologicamente, nós representamos uma tendência chamada “Eco-extremismo”, que é anti-política, amoral, suicida, indiscriminada e seletivamente terrorista, pessimista, anti-revolucionária, que realça as crenças pagãs ancestrais anti-cristãs, levanta o nome da Natureza Selvagem, ridiculariza até não poder mais a demência dos valores humanistas, rechaça categoricamente o progresso humano, e não tem problemas em cair em supostas “contradições” no discurso, por exemplo, no uso da internet para realizar propagandas. Tudo está justificado, nesta guerra se vale de tudo.

6. – Como operam? Realizam algum tipo de atividade para conscientizar as pessoas sobre cuidados com o meio ambiente ou seus atos são destinados unicamente, como afirmado à imprensa, a aterrorizar, ferir ou assassinar?

A verdade é que não nos interessa “conscientizar” as pessoas, não somos revolucionários nem nos interessa que as pessoas “despertem” de seu sono letárgico. A massa gosta de viver entre seus próprios excrementos e bem, você perguntaria, e porque então publicar comunicados, propagandas e responder a entrevistas se não querem conscientizar os outros? E a resposta é fácil. Sabemos que há individualistas como nós em alguma parte desta bonita Terra, e sabemos que são muito poucos, estes atos são um eco que chegam a eles, que talvez os inspirem a realizar atentados como nós. Os comunicados nós publicamos não para ganhar adeptos ou para chamar a atenção para a contaminação (por exemplo), mas para reivindicar egoisticamente os atos que são nossos, ITS não permitirá que outros se responsabilizem pelo que temos feito ou que as autoridades afirmem que foi a delinquência comum, NÃO, os atos que fazemos são unicamente nossos e escolhemos um acrônimo na União de Egoístas para gerar uma ferida em nossas vítimas, queremos aterrorizar porque isso não responde a nenhuma demanda política, é apenas por seguir o impulso animal-primitivo e impô-lo sobre o civilizado.

7. – Como vocês escolhem as suas vítimas? Vocês tem contato com elas antecipadamente ou simplesmente as escolhem aleatoriamente?

Depende, o especialista em biotecnologia Ernesto Méndez Salinas assassinado em Cuernavaca, nós o seguimos durante semanas, até que metemos uma bala em sua cabeça em 8 de Novembro de 2011, enquanto ele dirigia a sua camionete por uma das vias mais famosas da cidade.

Com o vice-reitor da Tec de Monterrey aconteceu o mesmo, alguém nos disse que ele viajaria de Monterrey a Chihuahua para um assunto de família, e quando ele saía de uma igreja nós o caçamos e o matamos em Fevereiro deste ano, embora devamos dizer que por uma falha na pistola utilizada não pudemos disparar contra a sua esposa, então decidimos apenas tomar a sua bolsa para que ela não chamasse a polícia, mas se não fosse por isso a sua esposa teria tido o mesmo destino que o seu marido. Foi por isso que as autoridades de Chihuahua disseram que havia se tratado de um roubo, mas eles sabem que não foi apenas isso.

Já o casal que matamos no Monte Tlaloc nós os matamos apenas porque se encontravam no caminho. Originalmente íamos pelos madeireiros, os quais nunca apareceram, apenas estes dois transeuntes “amantes da natureza”. Nós não queremos ver humanos nos ambientes ameaçados por eles mesmos, então os madeireiros, campistas, exploradores e assim por diante também estão na lista. O mesmo aconteceu com a mulher assassinada na Cidade Universitária, já dissemos na entrevista com a Rádio Fórmula porque a matamos, não precisamos dizer mais nada a respeito.

O que queremos deixar claro é que nós não temos uma maneira específica de atacar, da mesma forma que podemos colocar uma bomba em um shopping para que fira a todos aqueles e aquelas que estejam perto do artefato, nós podemos também matar a um cientista especializado e podemos atacar por todas as partes, desenvolvendo-nos prazerosamente no ato de atentar, desfrutando do momento e gerando nervosismo, Caos e desestabilização.

8. – Por que agir dentro da UNAM? Há alguma conexão com algum outro grupo, por exemplo, com o que tem ocupado o auditório Che Guevara?

A UNAM é o berço do progresso, a partir dali são concebidas as mentes do futuro, que estão sempre pensando em melhorar o lixo que está deixando a espécie. A UNAM, a Tec de Monterrey, qualquer universidade pública ou privada, qualquer centro educativo, todos tendem à artificialidade, é por isso que merecem pacotes-bomba, incêndios, balas, terror e morte.

E sobre o auditório Che Guevara, queremos deixar bem claro que nós desprezamos esse lugar tanto quanto nós desprezamos o progressismo. Dentro deste okupa se escondem um bando de hippies fedorentos revolucionários que enchem as suas sifilíticas bocas com álcool, inalam e fumam drogas enquanto dizem que são “livres”, enquanto pagam de fodões, sempre se esquivando da ideia de que também são fantoches; este tipo de gente é o pior lixo. São estas pessoas que estão a favor do progresso humano, mas de uma maneira diferente, não se dão conta de que estão iludidos, mas ainda sim se sentem os mais radicais. Há tempos a comunidade universitária tem os “convidado” para que abandonem a CU, os estudantes bunda mole fazem marchas e entre todas as suas razões para expulsá-los dali dizem que é porque dão “má imagem à UNAM”, que “quando passam fedem à maconha”, rá! Sabem o que vemos aí? Primeiramente, vemos a eterna luta entre “moderados” ou “ultras” da greve de 99 (com muitas nuances claras), e segundamente, vemos a hipocrisia feita realidade, de um lado os “okupantes” se fazendo de coitadinhos, e do outro os estudantes julgando a seu próprio reflexo, como se eles fossem abstinentes. Enfim… Nós não tememos a relação com eles nem com nenhum okupa, organização, nem grupo anarquista, marxista, nacionalista ou de qualquer tipo, pois o que defendemos vai contra o que eles acreditam.

9. – Estamos inevitavelmente em um ano eleitoral, e há quase um ano uma mudança no comando presidencial, há alguma conexão entre suas ações e isso?

Repito, nós não temos ideologias políticas, o que defendemos vai além da política, então pensar que o que fazemos tem um fundo político é repetir o mesmo coro conspiracionista de 50 anos atrás.

10. – Há algo a mais que vocês crêem importante destacar na entrevista?

Nada. Apenas acrescentamos que seguiremos com o que fazemos, nada disso acabou, as autoridades e certos meios de comunicação podem até se fazer de desentendidos e dizer que o que fazemos é falso ou que não fomos nós quem fizemos, não nos importamos, há apenas que enfatizar uma coisa, a mentira tem pernas curtas…

-Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Segunda Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem

Tradução da segunda entrevista de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) concedida à Radio Fórmula em 12 de Maio de 2017, a qual se centra no escandaloso assassinato de uma mulher na Cidade Universitária pelas mãos do Grupo Indiscriminado Tendendo ao Selvagem (GITS).

Por quê mataram-na?

A pergunta pode ter várias respostas, mas vamos direto ao ponto, o assassinato da mulher na Cidade Universitária foi uma brutal e sufocante reação de repulsa ao ser humano moderno. Por acaso você acha que uma pessoa vagando na madrugada cambaleando devido as drogas químicas ingeridas é digna de seguir vivendo? Nós pensamos que NÃO, é por isso que ela recebeu o que queria, o que ansiava profundamente, a morte.

Todos os membros de ITS repudiam completamente os vícios do ser humano moderno, rechaçamos nitidamente a sua diversão asquerosa, nós odiamos aqueles que com pouco ou muito dinheiro que tem vivem alterando os seus sentidos, estes e estas que apenas removem oxigênio do mundo, são um desperdício, um lixo de pessoas, sejam homens ou mulheres, são o mesmo vírus que infecta esta bela Terra e é por isso que merecem a sua extinção.

A mulher assassinada na CU é o reflexo fiel de uma sociedade decadente que vive com pesar, pessoas fracas que não podem enfrentar a vida com toda e sua crueza, e decidem se drogar com substâncias estranhas, covardes que estão no mundo epenas vegetando inutilmente.

É engraçado que a reação por ter assassinado uma mulher dentro da CU seja tanta, e embora não seja estranho, é certeza que o mesmo teria acorrido se uma mulher tivesse sido morta na Cineteca Nacional, no Politécnico, ou em qualquer outra área onde as feministas operam. A CU, como já dissemos, é um dos berços do progresso, ali é onde o humanismo pestilento é escondido e ensinado sob o enganoso manto do “pensamento próprio e crítico”. Já vimos as amostras de repúdio e ficamos com um sorriso derramando bile. Todas estas feministas são umas idiotas que com estas demonstrações banais sabem apenas se ver como indefesas, se veem como umas “vítimas revitimizadas”, algo completamente contrário ao que quiseram demonstrar. Para todas as feministas e “feministos”, ou seja, para todos os progressistas, a nossa mais hedionda e execrável cuspida. O novo e mais escandaloso atentado realizado em seu berço é a prova de que isso não é um jogo e de que estamos falando sério. Chamem-nos de assassinos, covardes, pós-modernistas e toda a sua besteira, nenhum de seus insultos através de um computador, nem suas marchas, nem suas assembleias esquerdozas, nem o repúdio podem apagar o que fizemos.

Ah! E é claro, sim, estamos contra o progresso, odiamos a sociedade tecnológica, e não nos importa merda alguma se nos chamem de “incongruentes” com este discurso, isto é, quando usamos computadores para lançar nossas as mensagens misantropas contra as massas.

Como podem provar que foi vocês?

Lembram da vez que o grupo de ITS “Máfia Eco-extremista/Niilista (ME/N) disse em Junho do ano passado que haveria mais derramamentos de sangue? Não era uma piada e olha, aí está a prova. Vale ressaltar que ITS tem vários grupos operando no México e fora deste território, ME/N disse que em seu próximo assassinato removeriam o couro cabeludo de suas vítimas, e respeitamos a sua decisão. Nós somos outro grupo que nos distinguem os assassinatos sem nenhum modus operandi específico, então não esperem provas de nada, apenas a reivindicação surpresa como agora.

Quais outros homicídios e ações realizaram nos últimos meses?

Em Janeiro vários grupos de ITS participaram de saqueios, roubos e uma grande variedade de atividades delinquenciais após o gasolinaço no Estado do México e Cidade do México.

Neste mesmo mês ITS do Brasil abandonou uma carga explosiva numa rodoviária em Brasília, assim como ITS do Chile enviou um pacote-bomba à casa do presidente da diretoria da mineradora multinacional Codelco, Óscar Landerretche, em Santiago. O pacote detonou exitosamente ferindo tanto o alvo como a sua filha e a empregada.

Em Fevereiro grupos de ITS da cidade de Torreón, Coahuila, reivindicaram o abandono de dois artefatos incendiários em igrejas da região, bem como abandonaram um pacote-bomba em uma loja pertencente a uma empresa de biotecnologia (Sanki).

Um grupo de ITS no município de Tlalnepantla incendiou um ônibus com passageiros dentro, embora não houve feridos.

No último dia de Fevereiro um grupo de ITS na cidade de Chihuahua assassinou com um tiro na cabeça o vice-reitor da Tec de Monterrey quando este saía de uma igreja.

Em Março um grupo de ITS realizou um ataque armado contra um prédio de propriedade da ICA/CARSO no município de Zumpango, Estado do México.

Em Abril um grupo de ITS em Torreón, Coahuila, abandonou de maneira indiscriminada um pacote-bomba em um dos bancos de La Alameda, resultando em uma adolescente com queimaduras.

Muitos já sabem o que aconteceu em 30 de Abril quando matamos a uma dupla de caminhantes no Monte Tlaloc em Texcoco, Estado do México, e em 3 de Maio, a tal Lesby.

Estamos apenas começando, a Máfia de ITS se estende pelo México, Chile, Brasil e Argentina e não há indícios de que possam nos deter.

Quais serão as suas próximas ações?

Apenas nós e o Oculto sabemos dos nossos próximos atentados, não há garantia em nada, não há avisos de advertências assim como o Jaguar em seu ataque, como a repentina tempestade que cai do céu, como os terremotos que sacodem e deixam destruição…

Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Grupo Indiscriminado Tendendo ao Selvagem (GITS)

Primeira Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem

Primeira entrevista de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) concedida à Radio La Fórmula após o ataque homicida do grupo no México que resultou na morte de um trabalhador da Faculdade de Química da UNAM.

O que vocês querem dizer com os ataques de 25 e de 8 de abril?

É preciso esclarecer uma coisa aqui, ITS NÃO foi responsável pelo ataque em 8 de abril na C.U., foi outro grupo que compartilha a mesma tendência do eco-extremismo, mencionamos ele em nosso último comunicado para evidenciar que as autoridades universitárias acalmaram ditos ataques.

Por outro lado, o ataque de 25 de abril na C.U., foi parte de uma coordenação entre grupos de ITS no México, Chile e Argentina.

Dedicamos todo o mês de abril a essa coordenação de ataques, os quais foram:

– Em 6 de abril a “Horda Mística do Bosque”, abandonou um artefato incendiário dentro da Faculdade de Ciências Físicas e Matemáticas da Universidade do Chile, em Santiago. Embora o artefato tenha sido encontrado antes de ser ativado, uma grande comoção foi gerada na comunidade universitária do país dos terremotos.

– Em 12 de abril o grupo “Ouroboros Silvestre”, detonou um explosivo em frente a Universidade de Ecatepec, no Estado do México, esta a poucos metros da Câmara Municipal localizada em pleno centro de San Cristóbal. Neste caso o artefato explodiu com sucesso sem que se soubessem mais detalhes.

– No mesmo dia o mesmo grupo abandonou um artefato explosivo de ativação eletromecânica na Comunidade Educativa Hispano-americana no mesmo município. O artefato detonou em um dos guardas da instituição no momento em que ele o ergueu e provocou-lhe ferimentos, acontecimento que as autoridades educativas e os meios de comunicação local acobertaram, os quais disseram que o artefato havia detonado sem deixar feridos e apenas danos materiais.

– Em 19 de abril o “Grupo Oculto Fúria de Lince” detonou um artefato explosivo caseiro em uma das entradas da Tec de Monterrey – Campus Cidade do México, em Tlalpan, sem que mais detalhes fossem conhecidos.

– Em 21 de abril o grupo “Constelações Selvagens” abandonou um pacote-bomba dentro da Universidade Tecnológica Nacional em Buenos Aireis, Argentina, sem que se soubessem maiores detalhes, pois as autoridades silenciaram o atentado.

– Em 25 de abril o “Grupo Oculto Fúria de Lince”, abandonou um artefato explosivo de ativação eletromecânica similar ao que detonou na Comunidade Educativa Hispano-americana em Ecatepec, mas dessa vez na Faculdade de Arquitetura na C.U., sem maiores detalhes.

– No mesmo dia, o mesmo grupo abandonou outro artefato explosivo com um mecanismo similar ao outro, mas, na faculdade de Engenharia, especificamente no edifício A, sem que mais detalhes fossem conhecidos.

Todos estes atos foram realizados pelos grupos mencionados e que estão associados a ITS, e que foram reivindicados em nosso Sétimo Comunicado em 9 de maio passado.

Contra quem atentaram?

Os ataques de 25 de abril na C.U., em particular, foram simbólicos e materiais contra a UNAM e contra qualquer universitário que cruzasse com os explosivos abandonados. É falsa a informação que propagaram alguns meios de comunicação onde dizem que os ataques de 25 foram especificamente contra o chefe de serviços químicos, é mentira.

Quantos mais objetivos vocês tem?

Nosso objetivo em específico é a civilização como um todo, as universidades e empresas que geram escravos para que este sistema continue a crescer, os shoppings e instituições que enchem de lixo as mentes das ovelhas cegas que rumam direto ao abate (com isso não estamos nos posicionando a favor da sociedade de massas, a qual também contribui com a destruição da Terra com a sua simples existência), atacamos os símbolos da modernidade, da religião, da tecnologia e do progresso, atentamos diretamente contra os responsáveis por esta mancha urbana que segue se expandindo e devorando os entornos silvestres que ainda restam. Em suma, nós, os eco-extremistas, estamos contra o progresso humano, o qual corrompe e destrói toda a beleza que há neste mundo, o progresso converte tudo em artificial, mecânico, cinzento, triste. Nós não suportamos isso e esse é o motivo pela qual declaramos guerra a esta civilização e seu asqueroso progresso já há alguns anos.

Nunca prenderam um companheiro de vocês?

Em 2011 depois de “mandar pelos ares” a dois professores da Tec de Monterrey – Campus Atizapán, dissemos que a PGR e demais instituições de segurança eram uma PIADA e ainda seguimos dizendo. Nenhum dos nossos foi detido até agora…

Por que matar?

E por que não? É pecado? É um crime? É errado? Com certeza mais de uma pessoa disse “sim” em alguma destas perguntas. Respondemos. Para ser claros, nós matamos porque isso é uma GUERRA, pelo motivo de não reconhecermos mais autoridade que a autoridade de nossas deidades pagãs relacionadas à natureza e contrárias ao catolicismo e ao deus judaico, deidades pessoais que nos empurram para o confronto. Matamos porque não reconhecemos outra lei a não ser as leis naturais que regem TUDO neste mundo morto. Matamos porque rechaçamos qualquer moral que nos queiram impor, porque não consideramos nem “mal” nem “bom”, mas sim uma resposta de nossa individualidade a toda a destruição que gera o progresso humano.

Dentro do espectro do terrorismo, matar pode ser uma estratégia, um chamado, uma advertência para o que talvez possa ocorrer…

Voltando ao tema central, assassinamos o chefe de serviços químicos da UNAM para lembrá-los que podemos atacar a qualquer momento a quem quer seja dentro da universidade, para mostrar que nossos objetivos foram ampliados. Em 2011 nos dedicamos a atacar os cientistas e investigadores, agora todos os que integram a comunidade universitária podem e são um objetivo potencial. Por quê? Pelo simples fato de serem parte da comunidade estudantil e progressista do mais alto local de estudos.

Advertimos meses atrás às autoridades da UNAM, advertimos que se nossos ataques permanecessem sendo silenciados teriam de enfrentar as consequências. O resultado foi a escandalosa morte dentro da Cidade Universitária como um aviso. Tanto faz para nós que tenha sido um trabalhador, o mesmo escândalo houvesse ocorrido se o morto fosse um estudante ou um professor, ou na melhor das hipóteses, um investigador renomado. O objetivo, a UNAM, foi atingido mais uma vez. As autoridades desmoralizadas e nós com mais uma morte em nossa história.

Como podem provar que foram vocês?

As provas estão nos fatos, o corpo tinha seus pertences, não foi um roubo. O corpo foi localizado em um lugar onde não há câmeras, isso indica um ataque direto e não outra coisa. Já sabemos que as autoridades da cidade estão preparando suas “investigações” torpes e com faltas de argumentação (como sempre) para indicar que não foi nós para não assustar ainda mais a comunidade universitária. Havíamos pensado em arrancar o couro cabeludo dele como prova, mas não foi possível. Como escrevemos no comunicado, fica para a próxima. Você e todos podem pensar o que quiserem, que foi um roubo, uma vingança pessoal por pessoas de seu bairro, que foi acidental, etc., mas a nossa história não mente, não somos um grupo novo que vem do nada, e já foi evidenciado com esse e com outros atos que não estamos de brincadeira.

Se não acreditam em um amanhã melhor nem são revolucionários, o que pedem? Qual é a finalidade de sua luta?

Nós não pedimos nada, não temos exigências ou “folhas de petição”. Se pode negociar a perda de nossas raízes como seres humanos naturais que estão resistindo à artificialidade da civilização? Claro que não, não há negociação nem mesas de diálogo ou qualquer outra coisa.

Nós não acreditamos nas revoluções, afinal sempre visam a “solução de problemas”, a construir algo novo e “melhor”. Deixe-nos dizer, a era das “revoluções” e dos “revolucionários” acabou, não existe “revolução” alguma que possa mudar uma coisa negativa por uma positiva porque hoje tudo está corrompido, porque tudo está à venda, porque o que rege o mundo na atualidade não é o poder político, mas o econômico. As revoluções são coisas do passado e nós entendemos isso muito bem.

Nós não queremos resolver nada, nem propomos nada a ninguém, não queremos mudar o mundo, nem queremos nos unir à massa. Chega das utopias secundárias, chega de ter em mente que possa haver um mundo novo. Olha ao seu redor, o presente está repleto de horrores causados pela mesma civilização, pela alienante realidade tecnológica (redes sociais, celulares, etc.), respira o espesso ar desta suja cidade, olha as pistas repletas de carros, observa a massa se espremendo nos ônibus, nos metrôs, veja suas caras cansadas da mesmice. O poder econômico poucos o tem, vivem no luxo, se afundam em notas e comodidades, os meios de comunicação estão vendidos à melhor oferta, e surgem os não-conformistas, e desaparecem com eles e os assassinam, a tensão social se agrava, e quando tudo parece que irá explodir, a normalidade retorna, ou tudo se vai a uma normalidade alternativa. Por isso nós deixamos de acreditar em um “amanhã melhor”, porque este presente decadente é o único que temos, e neste presente apenas vemos o progresso que avança sem freio em direção ao abismo civilizado.

A civilização está podre, cada vez mais se corrói, porém segue avançando. O que mais iríamos querer senão fazê-la colapsar com nossas próprias mãos? Mas isso seria outro propósito infantil.

Nós não apostamos na queda da civilização, nem temos como finalidade a destruição desta, que fique claro.

No aspecto filosófico somos pessimistas, porque vimos que todo o belo para nós, que é a natureza, se perdeu, a destruíram e seguem empurrando-a à extinção. Não nos resta nada pelo que lutar, exceto por nossas próprias individualidades. Nós seguimos sendo humanos ao invés de robôs, somos a Natureza Selvagem que resta, o último dos últimos, nós continuamos nos considerando parte da natureza e não os donos. Nós eco-extremistas resgatamos nossas raízes primitivas, e entre muitas outras coisas está a confrontação, o conflito que nos identificou como pessoas desta terra, filhos da algaroba e do coiote, guerreando contra os que nos queiram domesticar, assim como fizeram nossos antepassados mais selvagens ao não permitir serem subjugados pelos europeus a sua chegada na Grande Chichimeca.

Nós eco-extremistas somos animais domésticos com seus instintos ainda vivos. Para muitos é certeza que é uma “incoerência” dizer que estamos contra tudo isso e continuar usando tecnologia. Respondemos que não hesitamos em usá-la para conseguir nossos fins imediatos, isso é um fato, nós não nos importamos com um caminho cair em supostas “inconsistências”, assim como não nos importamos com nada que nos considerem o que quer que seja.

Uma das finalidade de ITS e do eco-extremismo em si é o ataque, é devolver os golpes que deram à Natureza Selvagem sem ser homenageados como “revolucionários”, desinteressadamente guiados por um impulso egoísta.

Os eco-extremistas são como as abelhas, as quais fincam seu ferrão para ferir a seu oponente (a civilização), lutando sabendo que morrerão tentando, já que está claro que nesta guerra não sairemos vitoriosos.

Isso vai parecer que somos doentes mentais ou desequilibrados, mas olha, o eco-extremismo niilista é uma tendência que praticamente “nasceu” no México, e que alguns individualistas tomaram como sua no Chile, Argentina e Europa. Está claro que não somos os únicos loucos…

Talvez há mais perguntas que respostas, isso é tudo que diremos por agora. O que está feito está feito.

[ES – DOCUMENTÁRIO] – La Espora del Eco-extremismo en el Sur América

La Espora del Eco-extremismo en el Sur América é um documentário disponibilizado publicamente na web que aborda o início da internacionalização do grupo Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). A produção cobre a expansão do grupo eco-terrorista para o Chile, Argentina e Brasil, não aborda a sua chegada à Europa no ano de 2018.

O que é o Eco-extremismo? – A flor que cresce no submundo: Uma introdução ao eco-extremismo

Tradução do escrito What is Eco-extremism?, de Abe Cabrera. Este texto foi extraído da primeira edição da Revista Anhangá, disponibilizada publicamente na web.

“Una salus victis nullam sperare salutem.” (A única esperança dos conquistados é não esperar a salvação.) – Virgil, The Aeneid

“Se a morte vier, continuaremos destruindo as coisas no inferno; mundo repugnante, vou dar risadas enquanto assisto sua queda, neste eterno confronto…” – Décimo primeiro Comunicado de Individualistas Tendendo ao Selvagem, 2016

O eco-extremismo é uma das mais recentes escolas de pensamento do nosso tempo, mas mais do que uma escola de pensamento é também um plano de ação, uma atitude de hostilidade e uma rejeição de tudo o que aconteceu antes dele na sociedade tecno-industrial. Nascido de várias ideologias radicais como a libertação animal, o anarquismo insurrecional, o anarco-primitivismo e o neoluddismo de Theodore Kaczynski, germinou e brotou como algo completamente diferente: um poema de amor à violência e à criminalidade; uma visão ecológica radical onde a esperança e o humanismo são superados pelo cano de uma arma, pela explosão do dispositivo incendiário e pela faca que persegue presas humanas na escuridão. Todos os seus verdadeiros adeptos são atualmente desconhecidos. Não é uma ideologia que se formou na academia ou mesmo em espaços políticos “alternativos”. Seus escritos só podem ser encontrados (alguns diriam ironicamente) em sites anônimos na Internet. O eco-extremismo foi formado nas sombras, e permanecerá ali, uma ameaça clandestina até que todos os eco-extremistas sejam capturados ou mortos… ou seja, até que outros tomem seu lugar.

Pouco depois de eu ter escrito meu ensaio na Ritual Magazine1, Rumo à Selvageria: desenvolvimentos recentes do pensamento eco-extremista no México, o principal grupo descrito nesse ensaio, Reacción Salvaje, se desfez (em agosto de 2015), citando uma nova etapa de sua luta e desenvolvimento. Muitos dos sites que eu usei para a minha pesquisa também se silenciaram ou anunciaram seu fim. No entanto, rumores eco-extremistas podiam ser ouvidos no sul, ecoados através de notícias na Internet. Grupos como a Seita Pagã da Montanha cometeram ataques no Estado do México e em outras partes do país, usando a mesma retórica contra os “hiper-civilizados” e sem nenhuma preocupação com a moralidade e a sociedade tecnológica em massa. Uma das principais revistas do eco-extremismo, a Revista Regresión, continuou a ser publicada fora do México.

Em janeiro de 2016, novos sites eco-extremistas e até mesmo um extenso documentário em vídeo sobre eco-extremismo surgiram on-line. No final do mês, foi emitido o primeiro comunicado do reorganizado Individualistas Tendendo ao Selvagem (Individualistas Tendiendo a lo Salvaje, ITS) no principal site eco-extremista, Maldición Eco-extremista, bem como no anti- authoritarian news. Logo começou a se perceber que a continuação do ITS havia se espalhado para outros países, nomeadamente o Chile, a Argentina e, mais tarde, o Brasil, juntamente com os grupos aliados de Terroristas Niilistas na Itália. Os textos eco-extremistas foram traduzidos em idiomas que vão do espanhol e inglês ao turco, tcheco e romeno. As ações eco-extremistas no último ano civil variaram de incêndio, ameaças de bomba, bombardeamentos indiscriminados até o assassinato de um trabalhador científico na maior universidade do México. Pelo que sabemos, ninguém foi detido ou investigado por esses crimes.

A recente teoria eco-extremista enfatizou a ação acima do estudo histórico e da teoria. Grande parte da energia polêmica no início deste ano foi consumida por uma defesa do “ataque indiscriminado“: isto é, bombardeio, tiro, incêndio, etc. que não leva em conta “espectadores inocentes”, mas ataca um alvo, independentemente do “dano colateral ” que possa causar. Outras questões de contenção têm sido a relação entre niilismo e egoísmo (a ideia de que os ITS e outros eco-extremistas não acreditam em um futuro e lutam no aqui e agora por nenhum objetivo estratégico particular), primitivismo, animismo/paganismo e individualismo. No que se segue vou discutir termos essenciais e conceitos que esperamos que possam esclarecer a retórica e linguagem eco-extremista. Deve-se notar desde o início que o eco-extremismo não visa uma clareza absoluta para o observador imparcial, mas sim busca estimular a afinidade naqueles que estão em desacordo com a tecnologia, a artificialidade e a civilização.

Eco-extremismo é uma tendência que visa recuperar o selvagem. Exalta os instintos de guerreiro ancestral de cada um e declara guerra a tudo o que é civilizado. O eco-extremismo é corporificado por eco-extremistas individuais escondidos que emergem com ferocidade fria no momento oportuno. O eco-extremista é um individualista na medida em que ele desafia a proibição do coletivo ou comunidade, qualquer comunidade, à lutar, ferir, mutilar ou matar. Nenhum coletivo tem a autoridade de dizer-lhe o que fazer, pois todos eles perderam a sua autoridade (inexistente) em sua guerra contínua contra a Natureza Selvagem. Junto com a renúncia ao coletivo há uma renúncia à esperança ou qualquer “futuro primitivo”. Eco-extremistas acreditam que este mundo é lixo, eles entendem o progresso como a escravidão industrial, e eles lutam como animais selvagens encurralados, uma vez que sabem que não há escapatória. Eles olham a morte nos olhos, e gritam, “Hoka Hey!” (Hoje é um bom dia para morrer.)

O eco-extremismo é uma resistência violenta que imita a reação reflexiva da Natureza Selvagem contra aquilo que procura alienar e escravizar todas as coisas vivas e inanimadas. Contra a artificialidade da sociedade moderna, e tudo o que subjuga o instinto humano a um “fim superior”.

Comecemos, no entanto, a definir nossos termos:

Natureza Selvagem: Natureza Selvagem é o principal agente da guerra eco-extremista. Os filisteus se opõem à invocação da “Natureza Selvagem” taxando isso de atavismo ou “superstição”, mas o fazem apenas por causa da sua própria domesticação e idiotice. “Natureza Selvagem” é tudo o que cresce e se manifesta no planeta em objetos animados e inanimados, de pedras a oceanos, de microrganismos a toda a flora e fauna que se desenvolveram na Terra. Mais especificamente, “Natureza Selvagem” é o reconhecimento de que a humanidade não é a fonte e o fim da realidade física e espiritual, mas apenas uma parte dela, e talvez nem mesmo uma parte importante. O eco-extremismo, na medida em que pensa sobre a epistemologia, baseia-se na ideia de que a realidade é governada por nossos sentidos e instintos animais. Como Chahta-Ima afirmou em seu ensaio, O que queremos dizer quando dizemos, ‘natureza’?:

“A natureza existe porque a mente humana é fraca e limitada. Ela é mortal, é feita de carne e, por fim, este é o seu limite, mesmo que não possamos vê-lo. É como se ela jogasse um jogo contra o resto da existência, e ela vai perder. A existência da natureza é o limite do pensamento. É o fato de que todas as coisas não são para nós, nossos pensamentos não fazem as coisas: as coisas estão lá para a tomada, e estariam lá sem a nossa intervenção. Em outras palavras, nós não somos deuses, não somos espíritos, precisamente porque essas coisas não existem como nós as entendemos. Nosso pensamento não compreende e não pode compreender tudo, e é por isso que é tão miseravelmente pouco confiável.”

O eco-extremismo, portanto, adota uma posição pessimista no que diz respeito à empreendimentos humanos e conquistas, sejam elas físicas, espirituais ou morais. É por isso que se opõe à civilização, especialmente na sua manifestação tecno-industrial. A civilização moderna procura subjugar tudo a si mesma, e sua hubris é sua queda. Eco-extremistas procuram ser instrumentos dessa queda, embora eles não acreditem que possam fazê-lo por si sós. Mais importante ainda, a natureza selvagem é encontrada em nós, principalmente em nossos instintos, e ao sentir o gemido da terra em face da destruição causada pela vida civilizada. Esta tendência procura (embora imperfeitamente) recuperar crenças baseadas nas montanhas, desertos, costas, pântanos, florestas, animais, fases da lua, e assim por diante.

Muitos eco-extremistas ouvem o chamado de seus antepassados que resistiram à sua subjugação. Quando a Natureza Selvagem fala, ela o faz na linguagem de seus antepassados Teochichimecas, os Selk’nam, os Yahis, os Navajo, os Maoris, os bárbaros europeus, os Waranis, os Taromenanes, os Seris, os Tobas e qualquer outro grupo que lutou contra a extinção de seu antigo modo de vida. A natureza selvagem está assim dentro de nós, na individualidade que recusa a mentalidade e a moral da civilização e da domesticação.

Individualismo: Mais do que uma corrente filosófica, o individualismo é uma importante escolha tática dentro da sociedade de massas. É a decisão de se tornar um lobo no meio de todas as ovelhas. É a decisão de cuidar do próprio interesse e agir em conformidade com ele. Os individualistas aprendem com a solidão e buscam a auto-realização porque entenderam que não podem mais seguir as normas e costumes que a civilização lhes ditou. Os individualistas negam a moralidade aceita e rejeitam os valores que lhes foram ensinados desde o nascimento. Eles não esperam para tomar a iniciativa, mas sim unem-se com aqueles de disposição semelhante para melhorar sua teoria e prática. O individualismo é uma arma contra o coletivismo progressista imposto pelo sistema. Como um eco-extremista escreveu:

“’Eu e depois eu!’, Eu grito tentando acabar com minha domesticação, quebrando os laços de relacionamentos inúteis, lançando-me de cabeça em uma guerra contra a civilização e seus escravos. Contra seu coletivismo, seu altruísmo e humanismo. Morte às relações fundadas na hipocrisia! Longa vida às afinidades sinceras! Meus aliados que lutam esta guerra perdida junto comigo sabem: para mim será sempre eu antes deles, e vice-versa: para eles, o ‘eu’ deles vem antes do meu ‘eu’. Assim nós continuaremos já que somos indivíduos amorais e egoístas.”

Os eco-extremistas individualistas são cautelosos e espirituais, amam profundamente e quando odeiam, não perdoam. Eles agem de forma indiscriminada, são frios e calculistas. Eles rondam e camuflam-se nas paisagens urbanas e rurais com a astúcia de uma raposa. Eco-extremistas usam tudo o que tiver ao seu alcance para alcançar seus objetivos, mas tentam ligar-se ao passado sagrado sabendo que o tempo para a paz já não mais existe. Procuram oferecer as suas vítimas como um sacrifício aos seus antepassados e à própria Terra. Como em muitas das guerras passadas contra a civilização, a força motriz por trás dela não é a moralidade nem a justiça, mas sim a vingança.

Ataque indiscriminado: A mente progressista moderna se opõe à ataques indiscriminados, uma vez que ainda não foi capaz de livrar-se da moralidade ocidental. Para os eco-extremistas, agir indiscriminadamente é um dos principais métodos de ataque. Atacar indiscriminadamente é atacar um alvo sem considerar “espectadores inocentes” ou “danos colaterais”. Enquanto os individualistas eco-extremistas geralmente visam alvos que são significativos para a sociedade tecno-industrial (ministérios governamentais, universidades, veículos de transporte), os terroristas individualistas o fazem com a intenção de infligir o máximo de danos, incluindo as mortes humanas. Como o ITS expressou em seu Quinto Comunicado deste ano:

“Consideramos inimigos todos aqueles que contribuem para o processo sistemático de domesticação e alienação: os cientistas, os engenheiros, os investigadores, os físicos, os executivos, os humanistas e (por que não?), afirmando o princípio do ataque indiscriminado, a sociedade em si e tudo o que ela implica. Por que a sociedade? Porque ela tende ao progresso, tecnológico e industrial. Contribui para a consolidação e avanço da civilização. Podemos pensar em todos os que fazem parte da sociedade como sendo meras ovelhas que fazem o que lhes é dito e nada mais, mas para nós não é assim tão simples. As pessoas obedecem porque querem. Se tivessem uma escolha e, se dependessem deles, gostariam de viver como aqueles malditos milionários, mas apodrecem na sua pobreza como os servos eternamente fiéis ao sistema que nos escraviza como animais domésticos”.

O eco-extremismo realiza ataques indiscriminados como um eco da natureza selvagem e para mostrar que sua hostilidade para com a sociedade é real. Os tsunamis não param de repente quando chegam aos bairros pobres, os jacarés não distinguem entre inocentes e culpados em suas caças noturnas e os furacões não atacam as pessoas de acordo com a raça. O eco-extremismo é parte desse ciclo de ação e reação. O tempo da “ação revolucionária” já passou, e os eco-extremistas procuram levar a cabo uma guerra real, com verdadeiras baixas e ações que não são meramente simbólicas, mas que, de fato, derramam sangue.

Niilismo: O niilismo é principalmente uma recusa do futuro. Como eu descrevi no meu ensaio “Primitivismo Sem Catástrofe“, as sociedades humanas em todos os níveis, mas especialmente a sociedade tecno-industrial, são extremamente complexas, compostas de muitas partes complexas e de muitas pessoas. Assim, qualquer aspiração de pastorear as pessoas em um curso coletivo de ação, seja ele humanista, socialista, liberal ou mesmo anarquista, não funcionará e terá de enfrentar a oposição daqueles que buscam resistir à sua própria escravidão tecno-industrial.

Na “Mafia Eco-extremista” (como eles gostam de chamar a si mesmos) há os Terroristas Niilistas, particularmente na Itália. Estes niilistas aderem à posição de que o verdadeiro niilismo é o niilismo ativo, do contrário não seria um niilismo completo. Não adianta falar de “niilismo” ou “egoísmo” enquanto se paga impostos e obedece às leis de trânsito. Tal egoísmo ou niilismo puramente passivo talvez seja mais parecido com o budismo ou o niilismo filosófico do século XIX, que sustenta todas as coisas que condenam a pessoa a ser uma engrenagem na grande máquina social, mas oferece algum tipo de integridade ou pureza invisível (ou um “espaço emancipado” particular) semelhante à “libertação espiritual”. O Niilismo Ativo Terrorista, praticado pela Seita do Niilístico Memento Mori e outros, busca atacar o que obviamente escraviza o indivíduo à sociedade, e esse ataque deve ser sempre um ataque físico contra alvos reais como máquinas, edifícios, etc. e os autômatos humanoides que constroem e operam. Todas as outras manifestações de niilismo ou egoísmo não são melhores do que o ascetismo oriental ou o cristianismo.

“O puro golpe para a vida que flui na margem do “viver”. Sou o criminoso niilista que nega a humanidade obsoleta, transcendendo o humano moral-mortal, numa representação categórica e identificadora de valores iguais”. – Nechaevshchina, “Nihilist Funeral”

Paganismo/animismo: O eco-extremismo é fundado no animismo pagão e tenta resgatar divindades ancestrais que muitas vezes foram esquecidas pela sociedade cristã/secular. Por razões profundamente pessoais e estratégicas, o eco-extremista busca reviver a adoração dos espíritos da Terra e oferecer sacrifícios a eles. O componente estratégico é renunciar e opor-se à filosofia do cientificismo secular defendida por alguns anarquistas que clamam: “Sem deuses, nem mestres!” Os eco-extremistas reconhecem a necessidade de autoridades espirituais, mesmo que estas sejam mal compreendidas ou quase esquecidas, já que estas ainda determinam o curso da vida e da morte. Nenhum guerreiro pode fazer a guerra por conta própria: sempre há forças maiores em ação que nem mesmo a civilização tecno-industrial pode dominar. Na guerra eco-extremista, apesar do individualismo tático, um componente espiritual é necessário para realizar um ataque contra essa sociedade pútrida e se livrar dela. Isso também lembra o eco-extremista que, em última instância, se ele ou ela vive ou morre não é uma questão que está nas mãos dele, mas sim nas mãos de forças que sempre estiveram no controle, e ainda estarão mesmo depois de nós termos partido. Como Halputta Hadjo afirmou em seu monógrafo,Os Calusa: Um Reino Selvagem?:

“[O eco-extremista] pode atacar ou ele pode render-se, mas tudo o que ele faz está limitado pela cegueira e impotência de sua própria natureza carnal. Isso não é motivo para desistir, e não é motivo para o desespero. Pelo contrário, isso é razão para reverenciar as forças que criaram as coisas dessa maneira, e estes são os “espíritos”, ou os “deuses”, de um ambiente específico, seja qual for o nome que você queira chamá-los. A atitude dos eco-extremistas é a hostilidade eterna contra a civilização tecnológica em nome dos espíritos que são seu patrimônio perdido”.

Como o selvagem guerreiro do passado, o eco-extremista entende que, apesar de o couro cabeludo e sangue do inimigo poder ser seu no curto prazo, no longo prazo, seu destino é a decadência como toda a carne, com seu espírito voltando ao vento e à poeira. O eco-extremista não foge de seus “fantasmas”, de seu “lado negro”, ou de sua ignorância, mas abraça-os para que estes lhe deem coragem contra o inimigo. Estes são seus deuses, seus próprios espíritos guardiães que são emissários da Natureza Selvagem. Ele não necessita da racionalidade matemática do domesticado para agir, mas age por instinto com o conhecimento necessário para atacar seu inimigo. Seu único consolo é que ele também é Natureza Selvagem, que seu lamento é seu lamento, que sua vitória final será sua, mesmo que ele não viva para vê-lo com seus olhos físicos. No final, todos os sentimentos elevados e as ideias estão a uma mera batida do coração de serem extinguidos, o que dá ao eco-extremista um sentido de urgência na luta contra a domesticação e artificialidade.

Conclusão: Guerra com data de vencimento, guerra sem fim

O eco-extremismo é o sentido trágico da vida encarnado em nossa época. É um produto das contradições de nosso tempo, da turbulência da erudição antropológica, da renúncia à ação política e do impasse ideológico contemporâneo. Esta tendência sabe que este impasse não será resolvido por melhores filosofias ou códigos morais, mas apenas pela destruição de tudo o que existe, incluindo o “hiper-civilizado” (isto é, todos nós). A sociedade tecno-industrial é um problema que nunca deveria ter existido em primeiro lugar, e todos os “defeitos” e “contradições” do eco-extremismo como ideologia são o resultado de contradições da sociedade refletidas como um espelho distorcido. Não há solução. A única resposta adequada é fogo e balas.

Esta atitude coloca o eco-extremista em conflito não só com as autoridades da sociedade tecno-industrial, mas também com outros grupos chamados radicais. Não há nenhum “chamado às ruas” ou expressões de “solidariedade” por parte dos eco-extremistas. Não há nenhuma tentativa de se justificar moral ou filosoficamente. “Inocência” ou “culpa” nunca entram no cálculo eco-extremista. De fato, essa tendência absorve os “piores” aspectos da sociedade moderna, incluindo a criminalidade, sem qualquer esforço de justiça por meio da lógica da “justiça civilizada”. A recente introdução ao ensaio “Os Calusa: Um Reino Selvagem?” destaca os atores e grupos societários que o eco-extremismo procura imitar em nosso tempo:

“‘Os Calusa: Um Reino Selvagem?’ Ensina uma lição valiosa; nomeadamente, que muito pode ser aprendido tanto dos pequenos grupos nômades como das grandes civilizações pré-colombianas. Aqui não há perigo de cair em uma “contradição” teórica, pois os eco-extremistas podem fazer referência aos selk’nam e aos maias. Podem referir-se às experiências dos pequenos criminosos, bem como as das grandes máfias; as gangues guatemaltecas, bem como a rígida organização do Estado islâmico. Ou seja, os eco-extremistas se vêem livres para se referirem a tudo que os interessem, sem qualquer indício de moralidade, com a única condição de que isso sirva como uma lição particular útil no que diz respeito ao planejamento e execução de sua guerra”.

O ecletismo teórico só entra em choque no eco-extremista quando se vê frente à obstinação pelo ataque violento. O eco-extremista tem abandonado sua afinidade com o hiper-civilizado e vê praticamente todos como um inimigo. Estes individualistas têm vindo a valorizar o ataque mais do que suas próprias vidas, como inúmeros outros guerreiros e selvagens têm feito antes deles. Eles não pedem ajuda àqueles que hoje vêem como, na melhor das hipóteses, inúteis, e na pior das hipóteses, o adversário odiado digno de morte. Os eco-extremistas já estão no radar das autoridades dos países onde operam, e além. Eles não alimentam a ilusão de que serão capazes de evitá-los indefinidamente.

A Natureza Selvagem corrói a civilização pouco a pouco por meio da entropia assim como a água diminui aos poucos a massa de uma pedra. Juntamente com as mudanças climáticas, terremotos e outros desastres naturais, os novos individualistas que resistem à sua domesticação tomarão o lugar dos eco-extremistas, talvez conscientes daqueles que vieram antes deles. Estamos agora entrando numa era de extremos, uma era de incerteza, onde ilusões de esquerda e banalidades conservadoras não podem mais nos preparar para o nosso rumo futuro. O individualista continuará sendo uma ameaça invisível, imune à coerção moral do rebanho e trabalhando na total privacidade de seus próprios pensamentos e desejos. As massas podem se enfurecer e as autoridades lamentar, mas sempre haverá bolsões de recusa destrutiva emergindo como faíscas no escuro apenas para sair novamente, até que esta sociedade seja moída até o pó, e os espíritos de todos os guerreiros vão mais uma vez caçar na terra de seus antepassados. Axkan kema, tehuatl, nehuatl! [Até a sua morte, ou a minha!]

RUMO À SELVAGERIA: Desenvolvimentos Recentes no pensamento Eco-Extremista no México

Tradução do ensaio Toward Sevagery – recent developments in eco-extremist thought in México, escrito por Abe Cabrera e publicado no espaço virtual da Ritual Magazine, uma revista de política e cultura e uma plataforma crítica para examinar a vida sob o capitalismo contemporâneo.

Introdução

“Isso foi chamado de Guerra Chichimeca e começou perto do momento da morte de Hernan Cortes (1547), simbolicamente fechando a “primeira” conquista do México. A nova guerra, travada na vasta área selvagem que se estende para o norte das terras da vitória de Cortes, ensanguentou quatro décadas, 1550-1590, a mais longa guerra indígena na história norte-americana. Foi a primeira competição plena e constante entre civilização e selvageria do continente.”


Philip Wayne Powell, Soldiers, Indians, & Silver: North America’s First Frontier War, vii

Em 2011, um grupo que se autodenomina “Individualidades Tendendo ao Selvagem” (Individualidades Tendiendo A Lo Salvaje – ITS) iniciou uma série de ataques eco-terroristas no México. Estes ataques variavam de cartas-bombas enviadas para diversas instituições de pesquisa em todo o país até o assassinato de um pesquisador em biotecnologia em Cuernavaca, Morelos. Para cada tentativa de atentado à bomba ou ação, o ITS publicava comunicados explicando os motivos por trás dos ataques, e usavam os ataques como “propaganda pelo ato” para propagar suas idéias. Em 2014, após uma série de polêmicas e auto-críticas, suas forças supostamente se juntaram com outros grupos aliados no México e mudaram seu nome para “Reação Selvagem” (Reacción Salvaje – RS). Este último grupo caracteriza-se como um grupo de “sabotadores niilistas, nômades incendiários, delinquentes individualistas, anarco-terroristas e críticos política e moralmente incorretos” [1], entre outros. Desde sua re-nomeação, o RS assumiu a responsabilidade pelo bombardeio de um Teleton, bem como pela recente agitação durante manifestações contra o governo na Cidade do México.

Não há nenhuma maneira de saber o número ou o tamanho de ITS/RS, as suas origens para o observador externo parecem obscuras e suas influências parecem indefinidas. Em seus comunicados há muitas citações de Theodore Kaczynski (conhecido como “Unabomber” ou “Clube da Liberdade” [Freedom Club]), bem como referências passageiras a Max Stirner e vários pensadores anarco-primitivistas. Seu método de ação e preferência por comunicados também sugerem óbvia influência de Kaczynski. Ao longo de seus escritos, no entanto, os indivíduos do ITS/RS insistem que não representam ninguém além de si mesmos, ética e ideologicamente. Conforme expresso no primeiro comunicado do ITS:

“Se tivéssemos de dar nomes para a guerra contra a civilização como aqueles que defendem a “revolução”, os “revolucionários” ou “pseudo-revolucionários”, estaríamos caindo no mesmo erro que os marxistas quando excluem as pessoas enquanto “contra-revolucionárias”. Além disso, nós estaríamos caindo no mesmo dogmatismo religioso de regimes de esquerda; onde Deus é a natureza selvagem; o Messias é Ted Kaczynski; a Bíblia é o Manifesto Unabomber, os Apóstolos são Zerzan, Feral Faun, Jesus Sepulveda, entre outros; o Paraíso muito aguardado é o colapso da civilização; o iluminado ou pregadores são os “revolucionários”, mantidos pela fé cega de que um dia a “Revolução” virá. Os discípulos serão aqueles que são “potencialmente revolucionários”, as cruzadas ou as missões serão a de levar a palavra aos círculos envolvidos nas lutas ambientalistas ou anarquistas (onde eles podem encontrar “potenciais revolucionários”); e os ateus ou seitas seriam aqueles de nós que não acreditam em seus dogmas, nem aceitamos as suas ideias como coerentes com a realidade presente. [2]

O objetivo deste artigo é analisar a trajetória ideológica do ITS/RS e tentar vinculá-lo a correntes intelectuais e históricas mais amplas. Nesta análise, tenho a intenção de mapear o desenvolvimento deste grupo a nível ideológico, mostrando mudança e continuidade dentro de suas idéias como reflexo da ação militante. Acredito que a história do ITS/RS é mais uma fuga ideológica de tendências anarquistas de esquerda, que inclui retórica tomada do anarquismo insurrecionalista e de lutas pela libertação animal, até de uma crítica aprofundada à ideologia anti-tecnologia de Theodore Kaczynski. Esta fuga incluí uma polêmica intensa em oposição à idéia de Kaczynski de revolução contra o “sistema tecno-industrial”. Em vez disso, o ITS/RS tem favorecido uma crítica egoísta individualista à ação das massas fundamentada por uma visão de suas próprias investigações antropológicas acerca da vida de caçadores-coletores no contexto mexicano. Vou argumentar que eles chegaram a uma abordagem “pós-política” para suas ações terroristas extremas, buscando uma reversão para uma selvageria indígena encontrada na longa história da civilização e resistência do México. Finalmente, vou avaliar as atuais tendências ideológicas do RS contra o registro histórico e pesquisa antropológica. Na minha opinião, o desenvolvimento ideológico do ITS/RS possui uma abordagem inovadora para o pensamento anti-civilização, embora esteja anexado ao romantismo vestigial e retórica exagerada que muitas vezes ofusca sua mensagem.

Para fora do Esquerdismo, Para dentro do Selvagem

O sétimo comunicado do ITS, publicado em 22 de Fevereiro de 2012, estabelece o seguinte:

“Seguindo temas de caráter anarquista, publicamente aceitamos que cometemos o erro em comunicados anteriores (especificamente o primeiro, segundo e quarto) quando nos referimos a assuntos que não conheço pessoalmente à respeito, mas aos quais naquela época nos considerávamos potenciais aliados. Durante esse tempo, o ITS foi muito influenciado pelas correntes de libertação (dos animais e da terra) e por insurrecionalistas, que foram no início uma parte integrante do nosso desenvolvimento ideológico, mas agora nós deixamos isso para trás, e como se pode ler acima, temos nos transformado em algo diferente.”

Uma das organizações mexicanas que popularizou os materiais do ITS/RS é a Ediciones Aborigen. Esta organização tem publicado vários comunicados do ITS/RS, bem como materiais de pesquisa produzidos muitas vezes em colaboração com o ITS/RS.[3] Em uma edição da revista Ediciones Aborigen [4], Palabras Nocivas, Ediciones Aborigen descreve sua própria história; digno de nota é o fato de que esse esforço de publicação saiu da dissolução de uma revista anterior, Rabia y Acción. Esta é uma revista insurrecionalista extinta que já havia coberto lutas de animais e de Libertação da Terra durante todo México e em outros lugares. A décima edição da revista, publicada em 2012, anunciou a sua dissolução, afirmando que os autores agora se opõem a sua antiga orientação voltada a ações pelos direitos dos animais e da terra. Eles vieram a considerar estas ações como “reducionistas”, “uma fuga psicológica” e “sentimentalista”. [5] Os autores também expressaram apoio à contenda de Kaczynski que afirma que a luta contra o “sistema tecno-industrial” é a única que importa . Eles também republicaram um ensaio em meados de 2003, intitulado “Stirner, o Único, o Egoísta e o Selvagem”, onde o autor afirma o seguinte: “O homem de verdade, e não o civilizado, o selvagem, foi sacrificado para o engrandecimento da glória da dominação pela pira civilizatório, juntamente com o resto dos animais selvagens e do próprio planeta”.

Muitos dos temas abordados pelos autores do Rabia y Acción ecoam os do ITS/RS, incluindo a crítica ao esquerdismo, lutas coletivistas e domesticação no coração da civilização. Os primeiros comunicados do ITS também expressam um horizonte expandido de ação de ativismo pela libertação animal e da terra. Seus ataques a nanotecnologia e cientistas trabalhando em diversos empreendimentos tecnológicos foram uma tentativa de atingir um alvo mais amplo do que campanhas contra fazendas industriais e vivissecação de animais que tinham sido os projetos anteriores de grupos eco-anarquistas no México. Considerando que os ataques até então tinham se focado no sofrimento concreto e exploração de determinados animais e extensões de terra, o ITS se focou no “sistema tecno-industrial” como um todo, conforme definido por Kaczynski durante sua suposta campanha contra a infra-estrutura científica durante todo o intervalo entre 1980 e meados de 1990.

A trajetória ideológica do ITS/RS e, portanto, de seus aliados, parece ser uma de purificação sem fim, talvez até mesmo paranóica, da mensagem acerca do ataque à tecnologia e à civilização. Neste processo de auto-crítica, o ITS/RS se desfizeram das suas ligações com o esquerdismo, o anarquismo e o coletivismo objetivando chegar cada vez mais a uma mensagem “mais pura” da guerra absoluta contra a civilização técnico-industrial, bem como a auto-conversão à “selvageria” na medida em que eles são capazes. Como se afirma em seu primeiro comunicado:

Vamos ver a verdade. Vamos plantar nossos pés na terra e parar de voar iludidos dentro da mente esquerdista. A revolução nunca existiu e, portanto, nem há revolucionários. Aqueles que se visualizam como “potencialmente revolucionários”, e que procuram por “mudança radical anti-tecnológica” estão sendo verdadeiramente irracionais e idealistas, porque tudo isso não existe. Tudo o que existe neste mundo moribundo é a autonomia do indivíduo e é para isso que nos esforçamos. E mesmo que tudo isso seja inútil e permaneça estéril em seus resultados, nós preferimos nos levantar em uma guerra contra a dominação do que nos manter inertes, meros observadores, passivos, ou parte de tudo isso. [6]

A crítica do ITS acabaria por afastar qualquer aparência de discurso esquerdista, incluindo a sua identidade anterior de “ecologista radical”. Posteriormente, ele também renunciaram a categorias ideológicas tais como “humanismo”, “igualdade”, “pluralidade”, e assim por diante [7]. No processo, o ITS/RS desenvolveu uma crítica pungente à revolução, ao esquerdismo e até mesmo à própria sociedade, em favor do objetivo singular da desestabilização do sistema tecnológico moderno. A conclusão definitiva do ITS/RS foi posta logo no início: a verdadeira solidariedade e comunidade humana não pode ser alcançada sob a civilização tecno-industrial, e, portanto, todas as idéias e valores que vem atreladas à ela são obsoletas e perniciosas. A ação coletiva é, portanto, fora de questão; somente a resistência de indivíduos que confrontam este sistema é adequada para aqueles que estão voltando à selvageria. A este respeito, nenhum curso de ação ou tática está fora de questão.

O Filho Bastardo de Ted Kackzynski [8]

Em janeiro de 2012, o ITS publicou o seu sexto comunicado que foi uma auto-crítica de várias tendências apresentadas anteriormente em comunicados anteriores. O comunicado começa por criticar o anterior uso ortográfico de colocar um “x” em vez de um “o” ou “a” em certos substantivos pessoais para preservar a neutralidade de gênero. [9] O ITS também clarificou a sua posição em relação ao “esquerdismo”, indicando que deixaria de enviar mensagens de solidariedade à prisioneiros anarquistas como vinha fazendo em comunicados anteriores, e que não iria nem mesmo se referir aos seus atos como parte de um “movimento” ou “revolução” para derrubar ou alterar o “sistema Techno-industrial.” O ITS resumiu a sua crítica ao esquerdismo afirmando:

“Com relação à nossa posição, o que isso tem a ver com a nossa guerra contra o esquerdismo? Temos reavaliado o que dissemos no passado, e concluímos que o esquerdismo é um fator que não merece nada mais do que mera rejeição, crítica e ruptura por parte de todos aqueles que lutam contra o sistema industrial Tecnológico.” [9]

A crítica ao esquerdismo é tomado em grande parte de Theodore Kaczynski. No parágrafo 214 de seu famoso “Sociedade Industrial e o seu Futuro”, Kaczynski afirma:

“Para evitar isso, um movimento que exalta a natureza e se opõe à tecnologia deve assumir uma posição resolutamente anti-esquerdista e deve evitar toda a colaboração com os esquerdistas. O esquerdismo é a longo prazo incompatível com a natureza selvagem, com a liberdade humana e com a eliminação da tecnologia moderna. O esquerdismo é coletivista; que busca unir o mundo inteiro (tanto a natureza quanto a raça humana) em um todo unificado. Mas isto implica gestão da natureza e da vida humana por parte da sociedade organizada, e isso exige tecnologia avançada. Você não pode ter um mundo unido sem transporte veloz e comunicação, você não pode fazer todas as pessoas amarem umas as outras sem técnicas psicológicas sofisticadas, você não pode ter uma “sociedade planejada” sem a base tecnológica necessária. Acima de tudo, o esquerdismo é impulsionado pela necessidade de poder, e o esquerdista procura sua energia numa base coletiva, através da identificação com um movimento de massas ou uma organização. O esquerdismo provavelmente nunca desistirá da tecnologia, porque a tecnologia é uma fonte muito valiosa de poder coletivo.” [11]

No sétimo comunicado, o ITS desenvolve uma crítica à afinidade entre anarquismo e sociedades primitivas. Por exemplo, o ITS defende na discriminação deste comunicado, a autoridade e a hierarquia familiar no contexto da vida de caçadores-coletores. Este também parece ser um reflexo da própria crítica de Kaczynski em seu ensaio, “A verdade sobre a vida primitiva: uma crítica ao anarco-primitivismo”:

“O mito do progresso pode ainda não estar morto, mas ele está morrendo. Em seu lugar um outro mito está crescendo, um mito que tem sido promovido principalmente pelos anarco-primitivistas, embora seja difundido em outros grupos também. De acordo com este mito, antes do advento da civilização ninguém nunca teve de trabalhar, as pessoas simplesmente arrancavam a comida das árvores e colocavam na boca e passavam o resto de seu tempo brincando de joguinhos com as crianças. Homens e mulheres eram iguais, não havia nenhuma doença, nem concorrência, nem racismo, sexismo ou homofobia, as pessoas viviam em harmonia com os animais e tudo era amor, partilha e cooperação.

É certo que o precede é uma caricatura da visão dos anarco-primitivistas. A maioria deles – espero – não estão tão longe do contato com a realidade como fiz parecer. Eles, no entanto, estão bastante longe da realidade, e é tempo de alguém desmascarar seu mito.” [12]

Estas posições, assim como as citações freqüentes de escritos e ações de Kaczynski, indicam claramente uma influência do legado “Unabomber” sobre o grupo mexicano. No entanto, o que eles herdam de suas leituras de Max Stirner e outros teóricos radicais aponta em uma direção bem longe da “revolução” contra a sociedade tecno-industrial de que Kaczynski falou. Na verdade, esta posição foi prevalecente no ITS desde os primeiros comunicados, mesmo que fosse muitas vezes revestida de açúcar ou apenas vagamente reconhecida, como na seguinte passagem do segundo comunicado:

“Recordamos que Kaczynski está em uma prisão de segurança máxima, isolado do mundo que o rodeia, desde 1996; certamente, se ele deixasse a prisão agora, iria perceber que tudo está pior (muito pior) do que estava da última vez que pode o ver no século passado, ele iria perceber o quanto a ciência e a tecnologia têm avançado e quanto elas têm devastado e pervertido. Ele iria perceber que agora as pessoas estão mais alienadas com o uso da tecnologia e que elas têm até mesmo colocado-a em um altar como a sua divindade, seu sustento, a sua própria vida. Como tal, o conceito de “revolução” é completamente antiquado, estéril e fora de contexto com as idéias anti-civilização que se gostaria de expressar. Uma palavra que em si tem sido usado por diferentes grupos e indivíduos na história a fim de chegar ao poder, a fim de mais uma vez dominar e ser o centro do universo. Uma palavra que tem servido como o ansiado sonho de todos os esquerdistas que têm fé de que um dia ela virá para libertá-los de suas cadeias.” [13]

Depois que o ITS se tornou o RS em 2014, começou uma polêmica bastante acentuado contra o Ediciones Isumatag (EI), um site de língua espanhola pró-Kaczynski. Em um comunicado intitulado “Algumas respostas sobre o presente e não sobre o futuro” várias facções do RS deram sua resposta às críticas do EI contra o RS por sua falha em endossar um movimento anti-tecnológico que poderia levar a uma derrubada revolucionária do sistema industrial tecnológico . Na sua resposta, o RS afirma que uma tal revolução teria de ser sustentada por um longo período de tempo em âmbito internacional, um evento que nunca aconteceu anteriormente na história. Na verdade, de acordo com o RS, a única revolução que teve um efeito transformador global foi a Revolução Industrial. [14] Aguardar uma revolução em um futuro indefinido é uma esperança “sem nada de concreto, totalmente no ar”. A “revolução” é, em uma palavra, impossível, e talvez nem mesmo desejável. O RS escolhe assim viver e lutar no presente contra a sua domesticação e subjugação:

“Quando o ITS (em seu momento), ou as facções do RS, declaram que não esperam nada dos ataques que realizamos, estamos nos referindo ao que é estritamente associado com o “revolucionário” ou “o que é transcendental na luta”. Nós não esperamos por uma “revolução”, nem por uma “crise mundial”, nem pelas “condições ideais.” A única coisa que esperamos é que depois de um ataque, nós possamos sair intactos com a nossa vitória individualista, com as mãos cheias de experiências para os próximos passos que serão ainda mais constantes, destrutivos e ameaçadores.” [15]

Assim, o RS classifica a revolução anti-tecnológica de Kaczynski tanto como delirante quanto um impedimento à ação extremista no aqui e agora. O único caminho aceitável de ação para o ITS/RS é um em que apenas o presente importa, um que golpeia a máquina tecnológica com pouca preocupação com efeitos ou consequências de longo prazo. O ITS/RS abdicou assim a sua obrigação para com o futuro em nome de atos individualistas de violência que são uma feroz desconstrução de sua própria domesticação. É claramente observável que o ITS/RS nunca acreditou que qualquer outra coisa fosse possível ou construtiva. O que vou tentar mostrar no restante deste ensaio é como eles chegaram a essas conclusões, e como o seu próprio estudo do passado os levou a rejeitar o futuro em nome de um presente selvagem.

Axcan kema, tehuatl, nehuatl! (Até sua Morte, ou a minha!)

A transição do Individualidades Tendiendo a lo Salvaje à sua nova identidade de Reacción Salvaje em 2014 foi marcada por um enfoque decisivo na história no contexto mexicano. O pensamento anti-civilização no México aborda a longa história de resistência à civilização que já acontecia mesmo antes da chegada dos europeus. Em particular, tribos de caçadores-coletores do norte do México central eram uma ameaça constante para as prósperas civilizações que os europeus encontraram após a sua chegada. Embora esta região do mundo tenha domesticado algumas culturas como o milho, que serviu como a espinha dorsal da agricultura sedentária em todo o continente, a dominância da forma civilizada de vida não alcançava algumas das regiões vizinhas dos impérios da Mesoamérica pré-conquista. Mesmo após a conquista espanhola em 1521, estas tribos do norte, chamado de “Gran Chichimeca” (Grande Chichimeca), travaram uma guerra feroz com o crescente império espanhol. Esta guerra duraria quase quarenta anos. O RS retira substancial inspiração ideológica deste evento histórico, como declarou em uma polêmica recente:

“Ediciones Isumatag escreve em seu texto que o confronto direto constitui, mais cedo ou mais tarde, suicídio, e eles estão certos. Mas decidimos que, para nós mesmos, sabemos que talvez teremos que compartilhar o mesmo destino de prisão ou morte dos selvagens guerreiros Chichimecas Tanamaztli e Maxorro, o mesmo que aconteceu com indomável Chiricahua Mangas Coloradas e Cosiche. Isso nós sabemos bem, nós escolhemos nos engajar em uma luta até a morte com o sistema antes de conformar-nos e aceitar a condição de seres humanos hiper-domesticados que eles querem nos impor. Lembramo-nos de que cada indivíduo é diferente. Para alguns, é bastante reconfortante se enganarem pensando que um dia uma grande crise vai chegar e só então eles vão trabalhar ativamente para o colapso hipotético do sistema. Mas para nós, esse não é o caso. Nós não somos idealistas, vemos as coisas como elas são, e elas nos impelem à confrontação direta, assumindo sobre nós mesmos as últimas conseqüências.” [16]

Outro trabalho que o RS e seus aliados têm realizado é imprimir publicações como o Regresión e o Palabras Nocivas que publicam tanto propaganda do RS quanto matérias informativas sobre a história indígena de luta contra a civilização. Por exemplo, em outubro de 2014, um número do Regresión foi lançado com informações sobre a resistência Chichimeca à colonização espanhola e à Guerra de Mixtón do século 16. [17] A Guerra de Mixtón foi uma revolta, em 1541, dos povos recentemente conquistados contra a dominação espanhola no centro do México. Esses povos indígenas tinham sido agricultores sedentários que “reverteram” para um estilo de vida caçador-coletor nas colinas e montanhas da região central do México para combater os espanhóis. No decorrer do ano, as forças indígenas conquistaram vitórias bastante impressionantes, mas em 1542 eles foram decisivamente derrotados por uma coalizão de espanhóis e seus aliados indígenas. Como o autor do artigo Regresión escreve:

“Cinvestav alterou e modificado geneticamente um grande número de plantas antigas e exóticas. Uma dessas plantas é a chilague, uma de nossas raízes ancestrais. Muitos selvagens foram salvos da morte através do uso desta raiz, e assim eles foram capazes de continuar sua guerra contra a civilização. Pode-se afirmar com firmeza que a Guerra Mixtón (1540-1541), a Guerra Chichimeca (1550-1600) e a Rebelião de Guamares (1563-1568) foram todas autênticas guerras contra a civilização, tecnologia e progresso. Os Chichimecas selvagens não querem um novo ou melhor governo. Eles não desejavam nem defendiam as cidades ou centros das civilizações mesoamericanas derrotadas. Eles não buscavam a vitória. Eles só desejavam atacar aqueles que os atacaram e os ameaçaram. Eles buscavam confronto, e de lá vem a grito de guerra: “Axkan kema, tehualt, nehuatl”. (Até a sua morte, ou a minha)” [18]

O Chichimeca é o “selvagem” arquetípico no pensamento atual do RS, mais do que qualquer outro grupo de caçadores-coletores. Os nômades caçadores-coletores que se encontravam aonorte da civilização mesoamericana foram inimigos ferozes das cidades agrícolas sedentárias da região central do México antes da chegada dos espanhóis. A afinidade recém-descoberta do RS com a história do Gran Chichimeca é a melhor indicação de uma mudança ideológica dentro de suas fileiras. Não só é necessário rejeitar o esquerdismo e a “revolução” contra o sistema tecno-industrial, mas em sua mentalidade, é preciso voltar a “selvageria”, e adotar o ethos dos antigos “selvagens” que lutaram contra a civilização. O RS pretende, assim, ir da crítica ao abandono imediato da mentalidade civilizada, em direção a uma atitude que eles reconhecem como “selvagem” e mais em sintonia com a natureza, que é a única considerada boa.

A tendência intelectual do RS no sentido de uma nova barbárie parece ser um resultado de um envolvimento com fontes acadêmicas disponíveis. Enquanto estas fontes tendem a documentar o Gran Chichimeca como um lugar inóspito e violento, sem dúvida essas calúnias só inspiraram ainda mais o RS na adoção de uma identidade “feroz”. A dureza da vida de caçadores-coletores em uma região árida ainda equivale a liberdade em seus olhos. Um artigo de investigação independente citado no blog El Tlatol é intitulado, “Repensando o Norte: O Grande Chichimeca – Um Diálogo com Andres Fabregas.” [19] Uma passagem deste trabalho cita o imperador asteca pré-colombiano, Montezuma Ilhuicamina, que afirmou o seguinte, relativo à re-escrita da história asteca:

“Temos que reconstruir nossa história, porque ainda somos como os Chichimecas do Vale do México, e isso não pode acontecer. Assim, devemos apagar essa história Chichimeca de nosso passado e construir outra: a história de como nós somos o povo civilizador do México, e como nós somos os construtores da grande Tenochtitlan.”

Fabregas nesta entrevista também resume as atitudes dos astecas e outros índios civilizados como a seguir:

“E, efetivamente, os mexicas renunciaram ao passado, afastaram-se de seu passado, que era um passado Chichimeca, inventaram o termo: mais do que o termo, eles inventaram o conceito, o que torna as pessoas do norte, ao norte do centro do mundo – já que o México é o centro do mundo – povos incivilizados. E eles usaram um argumento que agora parece lunático para nós, mas naquele momento foi crucial. O argumento era: os Chichimecas não sabiam como fazer tamales, para não mencionar como comê-los. Nós achamos isto estranho, mas o fato é que fazer tamales exigia toda uma transformação da natureza. Um conhecimento impressionante da natureza. Era como um resumo da história cultural. Com isto queriam dizer que os Chichimecas não são capazes de criar cultura.” [20]

Outros mexicas prenunciaram preconceitos europeus contra a vida “primitiva” de caçadores-coletores, descrevendo a terra dos Chichimecas aos primeiros cronistas espanhóis sob uma luz muito negativa: “É uma terra de penúria, de dor, de sofrimento, fadiga, pobreza e tormento, é um lugar de aridez pedregosa, de fracasso, um lugar de lamentação; é um lugar de morte, de sede, um lugar de desnutrição. É um lugar de muita fome e muita morte”. [21]

A rejeição à moralidade recebeu das RS até parece, em certa medida, inspirada pelo que eles consideram ser as atitudes dos Chichimecas em relação à sociedade cristã ocidental. Por exemplo, em um comunicado assumindo a responsabilidade por um ataque recente sobre o Teleton Nacional em Novembro de 2014, o “Nocturnal Hunter Faction” do RS declarou: “Sem o recurso a mais explicações, não somos cristãos, e nobreza é algo que não pode ser atribuído a nós! Nós somos selvagens! Nós não desejamos defender ou caridade dos outros e para os outros!” [22] A aparente imoralidade e ardor de luta é uma característica comumente conhecida dos Chichimecas em sua guerra contra os espanhóis e seus aliados indígenas cristianizados. O estudioso norte-americano, Philip Wayne Powell, em seu livro seminal sobre a Guerra Chichimeca, “Soldados, Índios e Prata”, afirma o seguinte sobre o tratamento dos Chichimecas à seus inimigos capturados em batalha:

“A tortura e mutilação de inimigos capturados pelos Chichimecas tomou muitas formas. Às vezes, o peito da vítima era aberto e o coração era removido enquanto ainda estava pulsando, na forma do sacrifício asteca; esta prática era característica das tribos mais próximas dos povos sedentários do sul. O escalpelamento foi amplamente praticado no Gran Chichimeca e, com freqüência, enquanto a vítima ainda vivia… Os guerreiros também cortavam os órgãos genitais e enfiava-os na boca da vítima. Eles empalavam seus cativos, “como os turcos faziam.” Eles removiam várias partes do corpo, perna e braço, ossos e costelas, um por um, até que os prisioneiros morressem; os ossos eram, por vezes, levados como troféus. Algumas vítimas eles jogavam do alto de penhascos; alguns eles enforcavam. Eles também abriam as costas e arrancavam os tendões, que eles usavam para amarrar pontas de seta em flechas. As crianças pequenas, que ainda não caminhavam, eram agarradas pelos pés e as cabeças eram batidas contra rochas até que seus cérebros esguichassem para fora.” [23]

Apesar de sua barbárie, e talvez por causa dela, os Chichimecas foram praticamente invictos militarmente pelos espanhóis e seus aliados indígenas subjugados. Eles eram guerreiros ferozes com “vantagem de jogar em casa” em terreno hostil, e a guerra da Espanha contra eles se arrastou por décadas no final do século XVI. Para o Reacción Salvaje, eles são oponentes arquetípicos contra a civilização no contexto mexicano. Num comunicado recente, alguns membros admitem ter para a região onde estas batalhas ocorreram para interrogar os moradores locais para obter mais detalhes e confirmar o que leram nos livros de história “civilizados”. [24]

Os membros do RS, juntamente com o jornal Regresión e o Ediciones Aborigen, resumiu o que a Chichimeca significava para sua versão de ideologia eco-extremista em sua compilação antropológica, “O Lugar das Sete Cavernas”:

“Nós entendemos Chicomoztok [O Lugar das Sete Cavernas] como aquele lugar isolado da civilização, o local de convergência de várias tribos nômades selvagens, que representa a vida selvagem e plena que nossos ancestrais viviam antes de serem convencidos a adotar a vida sedentária. É uma visão do passado que tende para a regressão e uma lembrança daquilo que temos vindo a perder pouco a pouco. Ele simboliza para nós a clivagem ao nosso passado primitivo e, assim, a defesa extrema da natureza selvagem; o fogo inicial que incita conflito individual e em grupo contra o que representa artificialidade e progresso.” [25]

Os Chichimecas são o símbolo da intransigência do RS ao ponto de morte contra uma força que está destruindo a natureza através da tecnologia e vida civilizada. Note-se também que o símbolo do RS, com a sua representação de um indígena vestido em pele de coiote acendendo um fogo, é tomada a partir de um códice que representa um guerreiro Chichimeca em Chicomoztok. Mesmo a própria idéia de tempo é concebida como sendo “muito civilizada” para o RS e seus aliados e, portanto, o objetivo é concebido em termos os quais apenas um “selvagem” adequado poderia compreendê-los:

“Nós não acreditamos na possibilidade de “revoluções anti-industriais”, nem nos movimentos futuristas que podem trazer (de acordo com aqueles pensadores) a queda deste sistema artificial. Na natureza selvagem, não existe “possivelmente”, nem “talvez”. Não há pontos intermediários, nem neutros. Só existe o concreto: é ou não é. A sobrevivência sempre foi assim, e obedecemos essas leis naturais. O presente é tudo o que há, aqui e agora. Tentar ver o futuro, ou trabalhar para realizar algo no futuro, é um desperdício de tempo. Esse tem sido o verdadeiro erro dos revolucionários.” [26]

Conclusão: o Orgão do Capitão Vancouver, Ou: como o Norte venceu?

Tendo percorrido a trajetória ideológica do ITS/RS, neste momento eu sinto a necessidade de fazer uma avaliação da recente “selvageria” do RS. O aspecto que mais precisa ser interrogado é “anti-hagiografia” que o RS faz dos Chichimecas. Embora seja claro que a guerra terminou com a dominação espanhola, não fica claro, pela narrativa ideológica do RS, como ela terminou. Era realmente um “lutar até a morte”? Foram todos os Chichimecas abatidos? E se não, por que eles finalmente se renderam? Ou, isso poderia mesmo ser chamado de “rendição”?

O que o RS e seus aliados parecem não se importar de falar é que, pelo menos de acordo com o livro inovador de Philip Wayne Powell sobre o assunto, o fim da Guerra Chichimeca foi relativamente pacífica e anti-clímax. Enquanto alguns guerreiros, de fato, “lutaram até a morte”, a grande maioria não o fez. Eles eram militarmente parelhos ou mesmo superiores aos seus adversários espanhóis, mesmo com a ajuda de indígenas “sedentários” aliados. Enquanto muitos Chichimecas foram levados cativos durante a fase da guerra que Powell denomina, “la guerra a fuego y a sangre” (a guerra à fogo e sangue, ou menos figurativamente, a guerra total), o impasse que se seguiu obrigou os espanhóis a adotar outra abordagem para acabar com as hostilidades. Em vez de utilizar um método de pacificação que incentivava a escravização dos índios como forma de pagamento aos soldados mercenários, a Coroa decidiu pegar os fundos para a guerra e usá-los para pagar a lealdade de vários líderes Chichimecas. Em tantas palavras, os espanhóis compraram os Chichimecas:

“A diplomacia de paz tornou-se um pouco menos difícil durante a última década do século [XVI], como as tribos Chichimecas perceberam que poderiam obter vantagens a partir dos tratados de paz e que eles não seriam prejudicados pelos espanhóis. Vez após vez, os próprios índios iniciaram negociações de paz, mostrando vontade real de abandonar a sua vida nômade e se estabelecer nas terras de nível.” [27]

Avançando apenas mais de dois séculos pode-se ver este processo replicado mais ao norte, desta vez na Califórnia colonial tardia. Enquanto este último exemplo se deu com ainda maior tragédia e violência devido a uma mortandade em massa de doença e violência dos colonos, no geral, a subjugação dos índios da Califórnia frente o sistema de missão foi um caso quase voluntário. Como comenta Randall Milliken em seu livro, A Time of Little Choice: The Disintegration of Tribal Culture in the San Francisco Bay Area 1769-1810:

“Os moradores da área da baía foram tentados por produtos materiais e tiveram suas práticas tradicionais denegridas pelos agentes da complexidade tecnológica e organizacional ocidental. As taxas de mortalidade elevadas e a ameaça contínua de violência militar esmagadora contra qualquer grupo que tentasse barrar os proselitistas missioneiros aumentou a pressão. É de se admirar que os povos tribais tenham chegado a duvidar do valor de sua cultura nativa, e começado a aceitar uma definição de si mesmos como ignorantes, não qualificados, e merecedores de uma vida de subordinação na nova estrutura social baseada em castas?” [28 ]

Em alguns casos, não foi necessário muito contato para convencer as tribos indígenas para subjugarem-se ao jugo cristão espanhol. Nos anais da missão de San Juan Bautista, na Califórnia, é contada uma história de um órgão que pertenceu ao capitão britânico George Vancouver:

“Em uma ocasião, esse órgão foi designado para salvar a missão da destruição nas mãos dos bélicos índios Tulare, que atacaram San Juan Bautista, assassinando neófitos e fugindo conduzindo os cavalos. Índios cristãos recuperaram os cavalos, e os Tulares, gritando gritos de guerra, apareceram novamente. Padre de la Cuesta arrastou o órgão apressadamente para fora e começou a acionar a manivela furiosamente. O clangor da música primeiramente deixou os agressores intrigados, e depois os encantou, então pacificamente se renderam à missão que eles tinham a intenção de destruir.” [29]

Dessa forma, o RS cometeu um erro raro, mas ainda assim grave, de considerar certos povos como “selvagens ignóbeis” completamente imunes ao comportamento e consideração “civilizados”. Este, claramente, não foi o caso do registro histórico. Enquanto os Chichimecas empreenderam duras batalhas na fronteira para defender seu modo de vida, uma vez que se tornou claro que o espanhol iria lhes dar presentes e não escravizá-los, em sua maior parte, eles se estabeleceram de bom grado ao lado de seus antigos inimigos indígenas sedentários e fizeram as pazes com a ordem colonial. Em última análise, os chichimecas e outros índios na fronteira não travaram uma guerra de morte contra a civilização. Com efeito, não se pode projetar um discurso anti-civilização da parte deles, porque eles não sabiam o que isso significava. Os povos indígenas não foram nem homogêneos nem aliados uns dos outros de alguma forma coesa. Eles não estavam unidos como uma força contra algo que viríamos chamar de “civilização”. Quando foi dada uma forma de se comprometer, pelo menos na questão da guerra Chichimeca e na Califórnia colonial, os nativos aceitaram o fim de seu modo de vida sem muita resistência.

O ato do ITS/RS de olhar para a sua própria história local buscando fundamentar sua luta em guerras anteriores contra a civilização travadas em solo mexicano é altamente admirável e renovador no contexto de conceitos de esquerda muitas vezes abstratos. No entanto, a sua atitude a respeito da necessidade de um “retorno à selvageria”, uma espécie de purificação da poluição da modernidade e da esquerda, é um enquadramento intelectual mal concebido. A única razão pela qual nós sabemos que a civilização é o mal é porque temos passado por isso e temos vindo a temer o atual Prometeica vontade de poder sobre a natureza. “Purificação” é, portanto, muito mais difícil do que o ITS/RS as vezes deixa transparecer.

No entanto, ainda que os nossos antepassados tenham falhado na luta contra o Leviatã civilizado, eu e outros acreditamos que essa luta deve continuar. A retórica semi-suicida do ITS/RS à respeito do enfrentamento contra a civilização tecno-industrial pode parecer exagerada às vezes, mas, dada a cooptação de todas as lutas anteriores e o verdadeiro beco sem saída que é o esquerdismo, é difícil argumentar contra a adequação de tal militância. Um animal selvagem pode fugir, mas quando encurralado, ele não senta e obedece; ele ataca; mesmo que as probabilidades estejam contra ele, mesmo que a morte seja certa. Um animal selvagem só pode ser morto pela civilização porque não serve a nenhum uso para ela. Aqueles animais que obedecem e encontram uma maneira de se acomodar à seus mestres são a história de sucesso da domesticação. Os animais que se escondem na auto-preservação são o que a civilização precisa. Esquemas e revoluções para “um futuro melhor” podem muito bem ser a armadilha na qual sempre caímos. Esta é a armadilha que leva à domesticação e conformidade, que é uma morte em vida que conduz rapidamente à morte real maciça em uma escala global.

Assim, pode-se criticar as táticas das ITS/RS, a sua falta de empatia para com as vítimas que se tornam “danos colaterais” em seus ataques, sua prosa histriônica, seu romantismo sádico, e assim por diante. Mas quando tudo tiver sido dito e feito, a lápide da Terra dirá que ela morreu por culpa de um modo de vida que procurou trazer paz e prosperidade à custa da escravidão de todas as coisas para os seus fins. Esse tipo de violência generalizada e despretensiosa faz ações como as do ITS/RS parecerem insignificantes, por comparação. Talvez, nesse sentido, nós também devemos evocar a “selvageria”, aquela vida interior ainda não conquistada, que proclama uma firme não-servidão a um sistema que oferece paz ao preço de nossa morte lenta. Talvez seja por isso que está escrito: “E desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência, e os violentos o tomam pela força” (Mateus 11:12).

Notas:

[1] First communiqué of Wild Reaction, 113, found at: https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/11/la-naturaleza-es-el-bien-la-civilizacic3b3n-es-el-mal.pdf. The title of the book containing the communiqués is: La Naturaleza es El Bien, La Civilización es el Mal: Comunicados de Individualidades tendiendo a lo salvaje. Edicions Matar o Morir: Mexico, 2014. All translations are the author’s unless otherwise noted.

[2] Second ITS communiqué, 20.

[3] See for example this link: https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/12/el-lugar-de-las-siete-cuevas.pdf

[4] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/08/palabras-nocivas-5.pdf

[5] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/08/rabia-y-accion-10.pdf

[6] First ITS communiqué, 11.

[7] First communiqué of Wild Reaction, August 2014.

[8] The title is taken from this link: https://eltlatol.wordpress.com/2015/01/12/eco-extremismo/

[9] In Spanish, as in most Romance languages, plural personal nouns where a mixed group of people of both genders are present are made masculine by default, no matter what the makeup of the group. Some radical groups of feminist sensitivities try to get around this by placing a gender neutral “x” instead of an “a” or “o” at the end of plural personal nouns to avoid this grammatical rule, e.g. “compañeros” (comrades) becomes “compañerxs”.

[10] Sixth ITS communiqué, 74.

[11] Technological Slavery, 106.

[12] Technological Slavery, 129.

[13] Second communiqué, 18.

[14] https://eltlatol.wordpress.com/2014/11/24/algunas-respuestas-sobre-el-presente-y-no-del-futuro-2/

[15] Ibid.

[16] https://eltlatol.wordpress.com/2014/11/24/algunas-respuestas-sobre-el-presente-y-no-del-futuro-2/

[17] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/10/regresion2.pdf

[18] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/08/regresic3b3n-1.pdf

[19] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/10/la-gran-chichimeca.pdf

[20] Ibid.

[21] Braniff, 7.

[22] https://eltlatol.wordpress.com/2014/11/18/artefacto-explosivo-detonado-en-fundacion-teleton-mexico/

[23] Powell, 51.

[24] https://eltlatol.wordpress.com/2015/02/27/ya-se-habian-tardado-reaccion-salvaje-en-respuesta-a-destruye-las-prisiones/

[25] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/12/el-lugar-de-las-siete-cuevas.pdf

[26] https://eltlatol.wordpress.com/2014/09/22/algunos-comentarios-criticos-al-articulo-de-john-zerzan-en-vice/

[27] Powell, 207.

[28] Milliken, 226-27.

[29] http://www.sandiegohistory.org/journal/63january/organ.htm

Bibliografia

Braniff, Beatriz, ed. La Gran Chichimeca: El lugar de las rocas secas. México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 2001.

Individualidades Tendiendo a lo Salvaje (ITS). La Naturaleza es El Bien, La Civilización es el Mal: Comunicados de Individualidades tendiendo a lo salvaje. México: Ediciones Matar o Morir, 2014.

Kaczynski, Theodore. Technological Slavery: The Collected Writings of Theodore J. Kaczynski, a.k.a. “The Unabomber.” Port Townsend, WA: Feral House, 2010.

Milliken, Randall, A Time of Little Choice. Menlo Park, CA: Ballena Press, 1995.

Powell, Philip Wayne. Soldiers, Indians, & Silver: North America’s First Frontier War. Tempe: Center for Latin American Studies, 1975.

[ES – PDF] “Nem Insensatos, Nem Dementes” – ¿Qué es el Eco-extremismo?: análisis de “Individualistas Tendiendo a lo Salvaje”

¿Qué es el Eco-extremismo?: análisis de “Individualistas Tendiendo a lo Salvaje é uma assertiva investigação desenvolvida por Bio-Bio Chile após o ataque realizado por um grupo chileno de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) contra Óscar Landerretche no início de 2017, época em que dirigia a empresa estatal de mineração.

Abaixo está a tradução da introdução do artigo.

O que é o Eco-extremismo?

Análise de Individualistas Tendendo ao Selvagem

(…) O que temos exposto -exceto as notas de rodapé e referências da imprensa-, foi tirado diretamente das publicações de ITS. Embora seja um breve resumo, permite realizar a seguinte análise ideológica, e sua correspondente correlação política e factual: O Eco-extremismo que defende ITS, é, em essência, uma nova expressão do Niilismo como fundamento filosófico e do Eco-pessimismo como doutrina base. É um Neo-niilismo. (…)

Entao, como vimos, não se trata de “Anarquistas”: estão muito além da mera abolição do “Princípio”… seu objetivo é “Nada Humano”. E além, parafraseando a Emile Cioran, “se tivessem o poder, destruiriam ao homem e limpariam da Terra as suas pegadas”: são narrativas densas e complexas, com fundamentos consistentes, e até mesmo terrivelmente coerentes em sua absoluta busca do Nada.

Não “carecem de um programa político”, pelo contrário, seu programa é a ação direta, sistemática, sem tréguas nem descanso contra seus alvos, “renunciando até mesmo a pensar no amanhã”. Sua política é agora, sempre, e sua –nas palavras do Subsecretário Aleuy–, “estranha denominação”, reflete exatamente sua ideologia: são, precisamente, “Individualistas Tedendo ao Selvagem”.

São extremamente formais em suas convicções, a ponto de nunca renunciar a sua própria anti-natureza humana, chegando até a postular o suicídio como saída formal final. Em suas concepções, não há nem vítimas nem vitimizadores, nem culpados nem inocentes, nem civilizados nem incivilizados, mas “não-civilizados”.

Portanto, “Indivíduos Tendendo ao Selvagem” não são, como os qualificou o Subsecretário Aleuy, “bárbaros”, conceito que os gregos cunharam para denominar os persas, referindo ironicamente a sua fala: “bar-bar”, um término que posteriormente foi utilizado por alguns antropólogos para denominar como “barbárie” um estado de evolução cultural das sociedades humanas, intermediário entre selvagismo e a civilização.…

Como ITS afirmou em seu comunicado: “Somos uma Horda de selvagens eco-extremistas, niilistas e egoístas, estamos pelo caos total na civilização e pela proliferação da delinquência”.

E, por último, eles NÃO “tem mais aversão à pessoas que eram da Concertação que as mesmas pessoas de direita”: para eles dá exatamente no mesmo se assassinam a alguém de direita, de esquerda, de cima, de baixo, negro, branco, chinês, judeu, palestino, heterossexual, homossexual, homem ou mulher, criança ou idoso, deficiente ou campeão olímpico, pobre ou rico, idiota ou inteligente. Para eles, qualquer Humano civilizado merece estar morto.

Como pontou o presidente da Suprema Corte, Hugo Dolmestch:

“Espera-se que as autoridades competentes façam o máximo esforço para esclarecer este crime, que pode dar início a uma escalada…”, sustentando que o atentado “é de uma gravidade tremenda, que pode mudar a história delitual e política no Chile”.

É provável que a você tudo isso possa soar como uma completa loucura, própria de “insensatos ou dementes”…. Mas eles não são.

Se trata de jovens, de adultos jovens, completamente lúcidos, sensatos e cabais. Não estão nem loucos nem doentes. Não são nem estúpidos nem ignorantes. Pelo contrário. Todos os seus textos e, em particular, seus trabalhos historiográficos, antropológicos e ideológicos, revelam muita formação intelectual e pensamento complexo… mesmo quando se expressam com erros ortográficos óbvios.

E o mais importante: se definem como terroristas –não quanto ao uso do “terror por si mesmo”, mas seu uso como “propaganda pelo ato”–, eles mesmo se consideram extremamente perigosos, e advertem que não vão parar, não vão se arrepender e que nunca, nunca se renderão.

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Un Análisis a Individualist… by on Scribd

[ES – DOCUMENTÁRIO] La Evolución del Eco-extremismo en México

Presentación:

“La evolución del Eco-extremismo en México” es un esfuerzo audio-visual realizado por “Espíritu Tanu de la Tierra Maldita” y la “Revista Regresión”, en este, se refleja el desarrollo tanto teórico como práctico que han tenido ciertos grupos que han puesto en su mira el progreso de la civilización, la ciencia y la tecnología.

Desde el año 2007 hasta ahora (2016), se ha desatado toda una serie de ataques, los cuales, se han venido perfeccionando tras el pasar del tiempo.

Al principio esos ataques fueron a golpear la industria de la explotación animal, después pasaron a atacar la industria de la destrucción de los ecosistemas; previamente los ataques se fueron afinando, implementando atentados contra personas en específico relacionadas con las ciencias avanzadas, después de este lapso, los grupos que participaron en estas tres etapas se unieron en un grupo denominado “Reacción Salvaje”, para así después de su disolución, estos grupos ya afinados en sus críticas y mejorados en práctica, siguieran la guerra por separado, como hasta ahora se ha mantenido.

Los individualistas que formamos parte de la tendencia del Eco-extremismo, nos unen varias cualidades, las cuales mencionamos en seguida, con esto no estamos diciendo que las personas que pasan a los actos extremos contra el sistema tecnológico TIENEN QUE ser así, pero es necesario tenerlos en cuenta.

El Eco-extremismo lo han formado sus propios propulsores, lo consolidan bajo la espontaneidad, en la solidificación del ataque y en la variabilidad de los objetivos, abarcando varios factores como los siguientes:

-Defensa extrema de la Naturaleza Salvaje y guerra a muerte contra la Civilización:

“(…) viendo la realidad vislumbramos que la mayoría de las críticas que se hacen a la tecnología tienen un trasfondo reformista, dicen “la tecnología nos está llevando a la no-interacción personal, mejor hay que limitarla”, “la vida en sedentarismo en esta civilización causa problemas de salud, mejor hay que ejercitarnos más seguido”, “lo artificial nos consume, no soporto la vida en la ciudad, vamos a un día de campo”, “la basura inunda los mares, hay que comprar productos amigables con el medio ambiente”, “la tecnología no es el problema, el problema es el uso que se le da”, etc. Estas supuestas críticas son las que son negociables, y hasta son propuestas para que el sistema siga creciendo, reformándose y fortaleciéndose.

Pero qué tal si decimos; “la tecnología es el problema, incendiemos tal o cual empresa de innovación tecnológica con todos dentro”, “la civilización se expande peligrosamente arrasando con la naturaleza que queda, asesinemos al ingeniero de tal mega proyecto”, “la sociedad estúpida solo sigue las reglas haciendo que la maquina siga avanzando, son parte del problema, detonemos un explosivo en un lugar público con un cargo simbólico importante”, etc. Ese tipo de críticas extremistas son las que no son negociables y las que defendemos (…)” – Entrevista a Reacción Salvaje.

-Apego y respeto a la Naturaleza Salvaje:

Existe una relación muy íntima entre la naturaleza y nuestra especie de carácter simbiótico, esa relación la hemos perdido un poco tras el pasar de las generaciones, pero es posible volver a reconectarnos, volver a recuperar nuestra naturaleza salvaje (aunque no en su totalidad, claro).

Apreciamos en gran manera la naturaleza, de ella provenimos y a ella regresaremos, defenderla y defender nuestras raíces más profundas, las que nos unen a ella, es solo una consecuencia de ser aun humanos y no humanoides. Las habilidades de supervivencia, el reconocimiento de flora y fauna silvestre, la caza, la recolección, la imaginación que da cabida a una vida lo más alejada de la civilización que se pueda, son herramientas que complementan al individualista y a su grupo de afines.

“Para muchos de nosotros es muy viable tener un huerto orgánico desde donde poder tomar la comida en tiempos de escases o la medicina en tiempos de enfermedad. No caemos en contradicciones, lo importante es desarrollar estilos de vida que se alejen lo más que se pueda de la dependencia artificial del sistema.

Aunque algunos miembros de RS están más atraídos por la vida de recolectores y cazadores, no desestiman la opción de los huertos.”Entrevista a Reacción Salvaje.

-Rechazo total al cristianismo, y enaltecimiento de creencias individuales paganas apegadas a la naturaleza, tanto en lo cotidiano como en los actos extremistas.

“Seguimos estando de lado de la naturaleza salvaje, seguimos venerando al sol, a la luna, al viento, a los ríos, al coyote y al venado, seguimos rechazando el cristianismo con ritualismos en la oscuridad de los espesos bosques, seguimos siendo las guardianas del fuego, seguimos danzando alrededor de la hoguera, aunque seres civilizados seguimos teniendo el instinto característico del ataque.”Articulo La Guerra Chichimeca (segunda parte). Revista Regresión N° 4

“(…) saltamos las alambradas de púas que protegían el canal de aguas negras y detrás de un gran árbol de Pirúl que sigue de pie, realizamos varias detonaciones de arma de fuego en contra de las maquinarias, estructuras y paredes de dicha construcción. Los disparos directos dañaron y aterrorizaron a los que se encontraban en el lugar, con el tronido de las balas detonando iban los sonidos de los animales muertos para la construcción de la obra, iba el violento zumbido del viento que mueve las hojas de los árboles derribados y el imperceptible cantar del agua del rio ennegrecido por lo artificial, también, iban los gritos de guerra de nuestros antepasados: ¡Axcan Kema Tehuatl Nehuatl!” – Acción armada contra Túnel Emisor Oriente (TEO). Grupúsculo de Lo Oculto de Reacción Salvaje.

-Terrorismo:

“Porque en el ataque terrorista no hay consideraciones para nadie, ni siquiera para nosotros mismos, nos adentramos en la nada porque lo único seguro es la incertidumbre.
Sin importar herir a civiles, golpeamos así, con este acto, la quijada de la “moral del ataque”, porque en la Guerra contra la Civilización y su Progreso no existen ataques ni “buenos” ni “malos”, porque esta Guerra si no es extremista e indiscriminada, no lo es.” – Muerte a la “moral del ataque” (Explosivo en Sanborns). Ouroboros Nihilista.

-Determinación: El arrojo es una de las cosas que caracteriza a los grupúsculos. Actuar fríamente y sin contemplación alguna con extraños durante un atentado, sabotaje o atraco, es menester.

Si hay dudas o no se está del todo seguro en defenderte (en matar o morir), de aquella persona que intenta detenerte (ya sea un civil o un policía), mejor ni lo intentes. En otras palabras, se indiscriminado.

“(…) nuestra intención era que explotara causando la mayor destrucción posible sin importar que con ello murieran o se mutilaran personas. Queremos dejar en claro también que, en nuestro accionar en contra de la civilización no consideraremos la vida de los borregos que ciegamente aceptan el desarrollo y el progreso para llevar una vida más cómoda, por ello es que decidimos atacar este medio de transporte y aunque no causó las magnitudes que se esperaban creó una gran tensión entre usuarios y autoridades.” – Ataque explosivo frustrado en el Metro. Grupúsculo Indiscriminado.

-Austeridad: Las necesidades artificiales son un problema para los miembros de esta decadente sociedad, aunque algunos no las vislumbren y se sientan felices cubriéndolas con su vida de esclavos que llevan. La mayoría de la gente está siempre intentando pertenecer a ciertos círculos sociales acomodados, sueñan con lujos, con comodidades, etc., y para nosotros eso es una aberración. La sencillez, arreglártelas con lo que tengas a la mano, y apartarse de los vicios civilizados rehusando de lo innecesario son características muy notorias dentro del individualista del tipo eco-extremista.

-Apego y práctica de actividades delincuenciales:

“En Regresión remarcamos como parte de nuestra esencia, el extremismo individualista, que es la consecuente postura frente a la civilización moderna difusora de los valores humanistas que tienden al progreso, y que nos están llevando al despeñadero tecnológico.

Las dinámicas sociales a las que estamos sometidos dentro de este complejo sistema, muchas veces nos absorben como individuos, nos hacen participes de la masa, del devastador consumismo y de la rutinaria vida de esclavos en las urdes, pero nosotros hemos decidido resistir esos embates, resistir desde la clandestinidad y aceptar en lo cotidiano nuestras contradicciones de las cuales nos retroalimentamos y nos formamos como verdaderos individuos, sujetos únicos.

Resistir y negar la vida impuesta desde pequeños y formarnos una vida sencilla y lo más alejadamente posible de aquellos lineamientos y esquemas culturales modernos, es una de las finalidades que se concreta desde el presente. Pero para formarnos esa vida que queremos, alejada de las grandes ciudades y adentrada en la profundidad de la naturaleza, conlleva en algunas ocasiones requerir dinero, dinero que preferiríamos robarlo de cualquier lugar u obtenerlo por medio de las cientos de formas delincuenciales que existen, antes que esclavizarnos a la vida de subordinados que la mayoría de personas lleva. Así de claro, es por eso que el grupo editorial de esta revista, siente simpatía por la reapropiación del dinero para fines concretos que lleven a tener una vida digna de vivir, sin importar a quien se dispare cuando el dinero no es entregado, porque cuando un empleado no entrega el dinero del patrón, este no merece la pena que siga viviendo, defiende como un perro obediente las migajas del amo, así que merece una puñalada o una bala en su cuerpo, igualmente, cuando el empresario, dueño o ejecutivo del negocio no cumple las exigencias del ladrón, también se merece lo mismo o algo peor.

No hay misericordia tampoco en estos actos, es todo o nada, es del extremismo del que hablamos sin tapujos, si es que ese dinero hará falta para algún fin del extremista individualista, este lo debe tomar pase lo que pase. Aquí cabria mencionar que para nosotros el dinero no lo es todo, esto lo decimos de una forma realista, en este mundo regido por grandes corporaciones económicas, en algunas ocasiones es necesario obtener dinero para cubrir ciertos fines y/o medios, para nosotros obtenerlo trabajando no es una opción, obtenerlo por fraude, asaltando o estafando sí.

Aquellos antepasados que vieron afectados sus modos de vida por la expansión de las civilizaciones tanto mesoamericanas como occidentales, tuvieron que actuar también en su momento de esta forma (depredación, rapiña, engaño, robo y/o asesinato), nosotros solo cumplimos nuestro rol histórico como herederos de esa fiereza salvaje.
¡Por la proliferación de la delincuencia y el terrorismo que sacie los instintos de los individualistas!” – Texto editorial. Regresión N° 3

-Sobriedad: Mantenerse sobrios y rechazar en todo las drogas legales e ilegales es importantísimo dentro de esta tendencia, siempre hay que estar alertas ante cualquier eventualidad. Caerse de borracho, fumar cigarros o mariguana, inyectarse drogas, inhalar solventes, intentarse “curar” con medicina alopática, es decir, invadir tu cuerpo con esas nocivas sustancias solo lo hacen los necios, que no se respetan ni a sí mismos, los carentes de control, los débiles e inconsecuentes. Así que las rechazamos totalmente.

“Los integrantes de RS no se dejarían morir por aquella “enfermedad” que su propio cuerpo no pueda resistir, y a decir verdad, creemos que nadie en su sano juicio. Y claro que podríamos hacer de lado los antibióticos farmacéuticos, todos los integrantes de RS se curan con los remedios de la tierra y rechazan totalmente la medicina alopática, para aquellos que han adoptado la cultura de la medicina moderna y nociva se les hace imposible vivir sin aspirinas, ranitidinas, paracetamol, etc., pero realmente no son necesarios los antibióticos con aditivos químicos, existen antibióticos naturales muy efectivos como el propóleo. Para quien conoce de hierbas curativas no es ningún problema aliviarse o curarse de las enfermedades de las ciudades con infusiones, cataplasmas, vaporizaciones, extractos, etc.” – Comunicado: Ya se habían tardado… Respuesta de RS a “Destruye las Prisiones”.

-Paciencia: Esta es una de las virtudes más respetables, la desesperación es una enfermedad de la civilización, en esta, vemos que todo corre a una velocidad frenética, todos andan de un lado para otro sin control alguno y dejando que sus rutinas los envuelvan en eso, en la desesperación. Tener paciencia y ser cuidadoso tanto en los actos en contra del sistema como en la vida misma, te alejan de los problemas que muchos han padecido (cárcel, accidentes, muerte, etc.), repetimos, te alejan, mas no te dejan exento.

-Rechazo total (tanto en ideas como en actos) al progresismo:

“Decidimos atentar contra esta institución pues simboliza humanismo y progresismo, repudiamos a todos aquellos que, chillando, llegan a parar a este tipo de comisiones para exigir garantías a sus “derechos” humanos, “respeto” a sus decisiones grupales y “cese” a la represión, es absurdo que esta gentuza espere a que este tipo de raquíticas organizaciones resuelva sus problemas, los ampare y los defienda, ejemplo claro de cómo es que el ser humano moderno ha dejado en manos de extraños su propia seguridad, en vez de tomar justicia por su propia mano y defenderse como lo hacía antes. Este tipo de instituciones son una banalidad, “la pus”, solo una simple fachada para disimular la incapacidad que tiene el sistema para manejar los problemas internos de una sociedad decadente, por eso la atacamos.” – Paquetes-incendiarios contra Comisión de Derechos Humanos, subestación eléctrica CFE y Universidad Lucerna. Grupúsculo Trueno del Mixtón, Grupúsculo Señor del Fuego Verde de Reacción Salvaje.

-Constancia: Darle seguimiento a un proyecto como este no ha sido fácil, siempre hay problemas que uno no espera que se presenten, y que aunque no los esperas siempre hay que estar preparados.

Las motivaciones reales llevan a ser constante a un individualista eco-extremista, trabajar duro y darle continuidad a la finalidad inmediata puede llevarte a conseguir metas directas. Nosotros en Regresión, la meta que tenemos en publicar esta revista es darle el seguimiento que se merece a esta tendencia, si algo cambia en alguien y ese alguien decide emprender desde su individualidad la guerra heredada por nuestros ancestros, adelante, aunque esa no es nuestra finalidad (cambiar a las personas) si eso pasa, solo sería obra de la causalidad.

-Rechazo a las luchas selectivas: Es necesario centrarse en la guerra TOTAL contra el sistema tecnológico y contra la civilización, las demás luchas son reduccionistas y solo son una pequeña parte del problema real, luchas como los “derechos humanos” (discapacitados, negros, mujeres golpeadas, inmigrantes, homosexuales, etc.), “derechos animales”, “derechos laborales”, “anti-racismo”, “anti-fascismo”, “anti-militarismo”, “feminismo”, “veganismo”, “abolicionismo carcelario”, “anarquismo social”, “comunismo”, “patriotismo”, etc.

“(…) si ponemos en un cuarto a un hombre común, un negro, una mujer, un discapacitado, un gay y un defensor de los derechos de los animales, podrás ver tu que todos son distintos en cuanto a carácter, pensamientos, reglas morales, aptitudes, etc., pero algo los une, todos y cada uno de ellos tiene un papel que desempeñar en la sociedad, y ese papel es que la estabilidad del sistema siga en pie. Para nosotros hay diferencia pero a la vez no, pues vemos una regla general, y es que, el HUMANO (como tal), contribuye expresamente a la destrucción de la naturaleza salvaje, su civilización arrasa todo a su paso, su tecnología lo vuelve todo cada vez más mecánico y su ciencia subyuga lo natural y lo vuelve artificial. No nos centramos en los problemas de la gente, o en las problemáticas de un sector en específico.

Pienso que las personas que ven, se preocupan y “luchan” por las causas menores, como eso de la obtención de “derechos”, nuevas leyes, reformas, apoyo a grupos vulnerables, etc., se están especializando en esas problemáticas, y no nosotros, nos hemos centrado en el sistema tecnológico y en la civilización pues son las raíces de todos los males que nos aquejan como especie, lo demás es solo un efecto del verdadero problema.” – Entrevista a RS.

-Repudio total (tanto en ideas como en actos) al progresismo:

“Seguro muchos se preguntarán: ¿Y qué tiene de malo que existan este tipo de caridades con la gente desprotegida? Quizás, los preguntones no se han dado cuenta de que el sistema siempre se viste de “monja bienintencionada” para seguir perpetuándose. La tecnología compleja siempre tendrá el mismo fin en cualquiera de sus formas, ya sea terapéutica o armamentista, educacional o de destrucción masiva, medicinal o ponzoñosa. Y ese fin es el continuar existiendo por sobre la naturaleza salvaje, por eso nuestro ataque.

Sin más explicaciones: ¡No somos cristianos, ni nos caracteriza la nobleza, somos salvajes, no buscamos ni defendemos la caridad de nadie ni con nadie!” – Ataque explosivo a la sede de la Fundación Teletón México. Grupúsculo Cazador Nocturno de RS.

-Asumir la responsabilidad, tomar en tus manos las consecuencias de tus actos y asumirlas como tuyas hayan causado el impacto que hayan causado, enfrentándose muchas veces a contradicciones, la más común es cuando los necios cuestionan: ¿si luchas contra el sistema tecnológico porque usas computadoras? Abajo rescatamos una nota aclaratoria-sarcástica desde un grupo eco-extremista sobre esta cuestión:

“Vivimos en las cavernas, sin electricidad, sin celulares, sin INTERNET; y sin comunicación más allá de las señales de humo. Siendo testigos pasivamente, de cómo la artificialidad corroe cualquier rastro de naturaleza silvestre, la manipula, la modifica, y con un tono jugoso y brillante, la presenta ante una total disposición, aguardando sosegadamente la aceptación de la población humana, sin ningún aspaviento y contratiempo alguno. Apacibles ante cualquier cambio biológico espurio, entregando el rumbo de nuestras vidas a funestos extraños. Esto sería una menor incoherencia, ¿Cierto?

Menor que publicar reivindicaciones, atentados y amenazas por internet, que tanto les preocupa y critica la comunidad televidente, cibernauta, lectora, etc… Porque claro está, la crítica al progreso científico-tecnológico moderno impide usarlo en su contra, ¡Eso sería trampa, pillines!

Nos tienen sin cuidado sus críticas a nuestra supuesta “incoherencia”, no solo sin cuidado, si no que sirven para mofarnos de la mediocre obediencia y complicidad, al defender y proteger el auge científico-tecnológico, expendiendo más que solo sus vidas… Dejando solo una estela de lo que alguna vez fue naturaleza salvaje.”Atentados contra la Alianza Pró-Transgénicos. Circulo Eco-extremista de Terrorismo y Sabotaje.

-Rechazo a la “Revolución” como concepto y estrategia: La realidad muchas veces nos presenta un escenario muy derrotista, muy pesimista, aun así, asumir ese realismo y aceptarlo tal y como es, (aunque cause un conflicto mental) es necesario para tirar por la borda esa venda de los ojos que nos ha cegado desde hace tiempo, esa venda llamada utopía. Muchos han criticado a Individualidades tendiendo a lo salvaje, a Reacción Salvaje y a otros grupos que han desechado la idea de un “mejor” mañana, que declaran que no esperan nada positivo de toda esta guerra, y que desprecian la esperanza. La gente siempre va a querer oír lo que les conviene, y no la Realidad. El individualista eco-extremista es realista y pesimista a la vez, no escucha la alegre cantaleta de los pueriles optimistas, porque para él, el presente que vive está lleno de realidades sombrías, las cuales hay que enfrentarlas con fortaleza, defendiéndose de ellas con uñas y dientes.

“La lucha contra el Sistema Tecnoindustrial, no es un juego del cual debemos ganar o perder, vencer o ser vencidos, eso es lo que muchos no han comprendido aun y parece ser que muchos todavía están esperando a ser “recompensados” en el futuro por hacerla hoy de “revolucionarios”. Se debe aceptar que muchas cosas en la vida no son recompensadas, que muchas tareas y/o finalidades ni siquiera son alcanzadas (incluida la Autonomía) y la destrucción del tecnosistema por obra de los “revolucionarios” es una de ellas. Ahora no es tiempo de esperar el inminente colapso, para los que se quieran tomar el tiempo como si el progreso tecnológico no creciera a pasos agigantados y devorara nuestra esfera de Libertad individual poco a poco. Somos la generación que ha visto crecer ante sus ojos el progreso tecnológico, la especialización de nanobiotecnología en varios campos de la no-vida civilizada, creación y comercialización del grafeno, desastres nucleares como en Fukushima, deterioro ambiental acelerado, el acrecentamiento de la biomimética, la expansión cualitativa y cuantitativa de la inteligencia artificial, bioinformática, neuroeconomía, etc. Es por eso que Its ve por lo que es tangible, palpable e inmediato, y eso inmediato es el ataque con todos los recursos, tiempo e inteligencia necesarios contra este sistema. Somos individualidades en proceso de la consecución de nuestra Libertad y Autonomía, dentro de un ambiente optimo, y junto con ello atacamos al sistema que nos quiere a todas luces en jaulas, obedeciendo nuestros instintos humanos salvajes. Con esto nos esforzamos como individuos afines por tratar de mantenernos lo más alejados que se pueda de conceptos, prácticas e ideologizaciones civilizadas.” – Sexto comunicado de Individualidades tendiendo a lo salvaje.

El Eco-extremismo es una tendencia, no es una teoría, ni una regla, todos aquellos que se sienten comprometidos realmente con la naturaleza salvaje, lo comprenden, los que no, no.

Fuego, explosivos y balas contra el sistema tecnológico y la civilización!
En defensa extrema de la naturaleza salvaje!
Axkan Kema, Tehuatl, Nehuatl!
Adelante con la Guerra!!

-Espíritu Tanu de la Tierra Maldita
-Revista Regresión


Tierra Maldita y especialmente “El Espíritu Tanu”, quedamos muy satisfechos al haber participado en la edición de este trabajo audiovisual en conjunto con la “Revista Regresión”. De este intercambio de complicidades y materiales audio-visuales salimos con aprendizajes tanto técnicos como prácticos. Esperando que este trabajo contribuya y sea un gesto mínimo al avance de la guerra contra el sistema tecnoindustrial, llegando a esos ojos y mentes radicales.

Saludamos así a cada uno de los integrantes de la Revista Regresión por confiar en nosotros. A Xale por su paciencia y esfuerzo. Al Espíritu “Tanu” por cada hora de edición. Haciendo posible todos la publicación de este trabajo. ¡COSTO PERO SALIO!

¡Larga vida a los individuos eco-extremistas!
¡En guerra salvaje contra la civilización!