Entrevista sobre Antropoceno e Crise Climática com Guy McPherson

Entrevista de Erva Daninha a Guy R. McPherson. Guy é um cientista americano, professor emérito de Ecologia e Recursos Naturais e Biologia Evolutiva da Universidade do Arizona. Agradecemos a Guy por esta entrevista conosco. Seu site é Nature Bats Last.

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Erva Daninha: Antes de mais nada, queremos agradecer pelo senhor ter aceitado participar desta entrevista, Dr. Guy McPherson. As suas investigações científicas sobre o caos climático na civilização industrial são de enorme importância ao apontar a gravidade da crise ambiental no mundo provocada pela atividade humana.

Vamos lá. Você é conhecido por defender a ideia de Extinção Humana a Curto Prazo (NTHE). Você pode nos explicar o que é a NTHE e quais são os principais indicadores ecológicos que sustentam essa teoria?

Guy McPherson: Obrigado pela oportunidade de iniciar esta conversação com você e seu público.

A Extinção Humana a Curto Prazo (NTHE) *NdT1 como resultado das mudanças climáticas abruptas refere-se ao desaparecimento precoce da nossa espécie, o Homo Sapiens. Eu estive prognosticando a NTHE por vários anos, e outros começaram a compartilhar este prognóstico de forma recente.

Os humanos são animais e, como outros animais, nossa espécie requer um habitat para sobreviver. Especificamente, os seres humanos são mamíferos vertebrados. No entanto, o ritmo projetado das mudanças climáticas, usando o índice gradual de mudança prevista pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) *NdT2, supera a capacidade dos vertebrados de se adaptar por um fator de 10.000. (https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/ele.12144). Os mamíferos levarão milhões de anos para se recuperar do evento de Extinção em Massa atualmente em processo (https://www.pnas.org/content/115/44/11262). Duvido seriamente que nossa espécie possa evitar a extinção, sobretudo quando os vertebrados não-humanos e os mamíferos não-humanos desapareçam.

Pelo menos sete espécies do gênero Homo já foram extintas, apesar de que nenhuma destas espécies se encontrava na Terra durante um evento de Extinção em Massa. Nós estamos no meio de um evento de extinção massiva. De acordo com o biólogo da conservação Gerardo Ceballos, principal autor de um artigo publicado em 19 de junho de 2015 na revista Advanced Science, indicando que a Terra está experimentando um evento de Extinção em Massa (https://advances.sciencemag.org/content/1/5/e1400253), “a vida levará muitos milhões de anos para se recuperar, e nossa própria espécie poderia desaparecer antes que isso aconteça”. (https://phys.org/news/2015-06-sixth-mass-extinction-declares.html). Um artigo com o mesmo autor publicado em 25 de Julho de 2017 na Proceedings of the National Academy of Sciences indica que a Terra está em um processo de Extinção em Massa bastante avançado (https://www.pnas.org/content/114/30/E6089.short).

Um artigo na publicação de Novembro de 2018 da revista Scientific Reports indica que uma elevação média de 5-6 graus na temperatura global levaria à extinção toda a vida na terra (https://www.nature.com/articles/s41598-018-35068-1). Esse aumento da temperatura média global é esperado logo após os oceanos do Ártico ficarem sem gelo, um evento incorretamente projetado para o ano 2016 + 3 na publicação de 2012 da Annual Reviews sobre A Terra e as Ciências Planetárias (https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev-earth-042711-105345). Apesar desta projeção incorreta, um Ártico sem gelo aparece no horizonte próximo.

As viagens comerciais aéreas representam uma ameaça existencial para toda a vida na Terra. De acordo com um artigo publicado na revista Atmospheric Chemistry and Physics de 27 de Junho de 2019, apenas os rastros dos aviões poderiam eliminar o habitat da maioria, senão de todas as formas de vida sobre a terra, ao interromper os padrões da circulação atmosférica (https://www.atmos-chem-phys.net/19/8163/2019/). Esta conclusão é apoiada por um estudo publicado on-line em 12 de Dezembro de 2019 na Earth and Space Science Open Archive (https://www.essoar.org/doi/10.1002/essoar.10501296.1).

A resposta padrão à atual crise climática é recomendar a redução das emissões de gases do efeito estufa. No entanto, a atividade industrial reduzida se traduz em uma redução abrupta dos aerossóis atmosféricos. Estes aerossóis refletem a radiação solar recebida, mantendo a Terra mais fria do que seria sem esses gases. Investigações sobre o efeito de resfriamento destes aerossóis apareceram na literatura científica sob revisão por pares desde 1929 (Angstor, 1929, “Sobre a transmissão atmosférica da radiação solar e sobre a poeira no ar”, Geografiska Annaler, 11, 156–166). A redução de apenas 20% da atividade industrial levaria a um aumento de 1 grau na temperatura global média em questão de semanas (Rosenfeld et al 2019, https://science.sciencemag.org/content/363/6427/eaav0566, e https://www.sustainability-times.com/environmental-protection/research-cooling-from-atmospheric-particles-may-mask-greater-warming/).

Erva Daninha: A conhecida ativista e escritora Naomi Klein, ao contrário de muitos negacionistas climáticos, argumenta que a atividade humana está intimamente relacionada à crise climática; no entanto, ela concentra a maior parte de seus esforços na pintura do capitalismo como o grande vilão do meio ambiente. Ocasionalmente, Naomi também critica o “socialismo industrial” de algumas nações, mas na maioria das vezes ela defende a mesma tese repetida pela grande maioria dos esquerdistas e ecologistas de todo o mundo: “se eliminarmos o capitalismo, tudo ficará bem”. Dr. Guy, acreditamos que suas críticas são mais amplas, elas visam o complexo industrial global e não apenas um tipo específico de ordem social. Por que você acha que a sociedade tecnológico-industrial global é o problema real e não apenas o capitalismo?

Guy McPherson: Como Tim Garrett apontou com base em extensas pesquisas, a civilização é uma máquina de calor (https://faculty.utah.edu/u0294462-TIM_GARRETT/research/index.hml). Em outras palavras, esse agrupamento de estruturas e seres vivos produz calor. Pouco importa como a civilização industrial opera. Os painéis solares e turbinas eólicas aquecem o planeta de igual maneira como a queima de combustíveis fósseis. A civilização está nos levando a um clima ao estilo do Plioceno que poderia chegar em 2030 (de acordo com um artigo da Proceedings of the National Academy of Sciences publicado em 26 de Dezembro de 2018, que se apoia no fortemente conservador Representative Concentration Pathways do IPCC, https://www.pnas.org/content/115/52/13288.short). Não consigo imaginar que humanos e outros mamíferos vertebrados sejam capazes de sobreviver a uma taxa tão alta de mudanças. Ainda sim, como apontei acima, desacelerar ou deter a civilização aqueceria o planeta ainda mais rápido do que se a mantivéssemos em pé.

Erva Daninha: Entre muitos outros cenários, temos destacadas as visões utópicas e esperançosas defendidas por Naomi Klein em relação ao ecossocialismo como uma alternativa para “salvar o mundo” de uma catástrofe ecológica e temos também a delirante “revolução primitivista” contra a civilização industrial apoiada por anarquistas como Kevin Tucker e John Zerzan. Em sua opinião, quão eficientes esses sistemas seriam quando o censo global prevê quase 10 bilhões de pessoas no planeta para 2050? Vivemos em um planeta finito com recursos limitados e a maioria desses recursos já desapareceram; mesmo uma mudança radical em direção a um sistema supostamente sustentável exigiria outras fontes massivas de energia, especialmente vinculadas a atividades de transporte ou para a produção de alimentos e, mesmo em casos mais extremos, como os da “utopia primitiva” defendida por alguns anarquistas, atividades em massa como alimentação e moradia, ou o que quer que seja, teriam um enorme impacto ambiental.

A natureza tende a exercer um controle auto-regulador sobre as espécies da Terra para impor uma coexistência orgânica, algo que alguns chamam de cascata trófica, mas a nossa espécie escapou disso e usou a tecnologia moderna a seu favor para superar o controle populacional imposto pela natureza manipulando o meio ambiente e expandindo-se para além de seus limites, enquanto consome a natureza indiscriminadamente e destrói grande parte dos recursos limitados da Terra, unicamente a benefício próprio. Você não acredita que exista uma superpopulação no mundo e que nossa cultura moderna seja alienada e decadente e que, dada a quantidade de bilhões de pessoas no mundo, qualquer proposta para criar uma sociedade global sustentável seria falha?

Guy McPherson: Como indiquei acima, duvido seriamente que sobreviveremos até 2030, muito menos até 2050. Uma população excessiva de humanos está consumindo excessivamente materiais finitos por um tempo excessivo. Superamos severamente o número sustentável de população humana sobre a terra.

Erva Daninha: Você afirmou em várias ocasiões que o IPCC é bastante conservador em suas estimativas. O senhor acredita que exista algum tipo pacto de conduta nessas entidades ou na própria comunidade científica que estabeleça um padrão de comportamento para evitar alarmes com impacto na economia ou na própria sociedade? Por exemplo, aqui no Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou dados alarmantes corroborados pela NASA sobre o aumento drástico do desmatamento na floresta amazônica no ano de 2019, e esta ação resultou na demissão de Ricardo Galvão, diretor da agência, a pedido do presidente Jair Bolsonaro. Acreditamos que, embora alertem sobre a crise climática, estas entidades e a maioria dos cientistas operam dentro da mesma lógica que a da cultura da civilização industrial-tecnológica e defendem a manutenção dessa lógica que, em teoria, seria a essência do caos climático, então, talvez por ordem dos governos (como foi o caso no Brasil), ou por iniciativa própria, as instituições manejam seus dados com precaução para não expor a inviabilidade dessa ordem social ecocida. O que você pensa sobre isso?

Guy McPherson: O IPCC usa uma abordagem muito conservadora para desenvolver as suas avaliações. Os cientistas dentro dos grupos de trabalho geralmente recorrem à relutância ao tirar suas conclusões. Depois que uma avaliação é preparada por cientistas conservadores, exigidos pelo IPCC para obter consenso, essa avaliação é enviada aos governos para uma revisão. Como você pode imaginar, os governos do mundo estão interessados principalmente em sustentar o crescimento econômico. “Salvar o mundo” não está na sua agenda.

Erva Daninha: Recentemente, um cientista brasileiro revelou que a Antártica atingiu uma temperatura surpreendente de 20º C, algo que “nunca foi visto antes”. Tais temperaturas são drásticos exemplos do aquecimento global. As consequências do aumento da temperatura nesses ambientes congelados já são bem conhecidas, o aumento do nível do mar é amplamente discutido na comunidade científica, mas os efeitos do derretimento não se restringem a apenas isso. A revista Nature já publicou um estudo no qual afirma que a Antártica está possivelmente retendo quantidades colossais de gás metano produzido ao longo de milhares de anos dentro de sua camada de gelo e que, se esse gás fosse liberado, teria um impacto agressivo no efeito estufa. O mesmo vale para o Ártico com permafrost, onde a situação é talvez ainda mais grave, pois o solo do Ártico não está mais congelado. Estudos indicam que o permafrost contém o dobro da quantidade total de carbono atualmente na atmosfera da Terra, e que um vazamento massivo desse material seria catastrófico para a vida na Terra, podendo até causar uma extinção em massa como a do período Permiano-Triássico. Você acredita que o efeito da “arma de clatratos” poderia realmente colocar em risco a maior parte da vida na Terra até 2040?

Guy McPherson: Não só eu concordo, como também o renomado cientista climático James Hansen que discutiu esta possibilidade. Um artigo de 2017 revisado entre pares por Hansen e seus colegas, indicava que a Terra se encontrava em suas temperaturas mais altas desde a existência da nossa espécie (https://arxiv.org/abs/1609.05878). De fato, as emissões de metano provenientes do fundo do gelo e também as emissões de metano que saem do derretimento do permafrost representam dois dos sete meios pelos quais o planeta poderia aquecer muito rapidamente, destruindo o habitat para os seres humanos (https://weeklyhubris.com/seven-distinct-paths-to-loss-of-habitat-for-humans/).

Erva Daninha: Em 2014, em uma entrevista à Russia Today, citando um estudo do cientista climático Tim Garrett, você disse que apenas o colapso total da civilização industrial poderia impedir mudanças climáticas descontroladas. Por razões lógicas, uma solução baseada nessa premissa nunca virá de nenhum governo ou instituição como a ONU. Pelo contrário, o fraco Acordo de Paris já foi abandonado pelos Estados Unidos, o maior emissor de gases de efeito estufa de toda a história, e o Estado brasileiro também mostrou sinais de sua intenção de abandonar o acordo. Estudos como o da Universal Ecological Fundation já apontaram que o acordo não será suficiente para limitar o aumento da temperatura entre 1,5º C e 2º C em relação aos níveis da era pré-industrial. Avaliações como a sua indicam a possibilidade de um aumento superior a 3,5º C em um curto período de tempo. A interrupção das atividades industriais é impensável no mundo moderno, pois isso significaria negar a própria lógica na qual a maioria dos países estão inseridos. No entanto, isso não significa que cenários como esse sejam impossíveis de serem alcançados, apenas não através da ação de governos, claro.

No final do ano passado, os rebeldes houthis atacaram a maior refinaria de petróleo do mundo na Arábia Saudita com drones, interrompendo metade da produção do reino, que fornece 10% de todo o petróleo consumido no mundo. Embora extremo, este é um exemplo real da interrupção abrupta de uma atividade que é prejudicial ao meio ambiente. Grupos como os Vingadores do Delta do Níger também causaram danos catastróficos à produção de petróleo em países como a Nigéria. Estudos publicados pela revista Science Advances também concluíram que a guerra no Oriente Médio fez com que a poluição diminuísse em algumas áreas da região, porque os níveis de atividade industrial diminuíram e as atividades da vida urbana, como dirigir, foram afetadas. Deixando de lado todo o julgamento que poderia implicar esse tipo de ação e considerando o fato de que são necessárias ações urgentes para interromper a atividade industrial e os governos nunca as oferecerão, você considera que há eficiência prática nesse tipo de ação para interromper as emissões de poluentes ou destruição do meio ambiente no mundo? Repito, pergunto de uma perspectiva puramente prática, deixando de lado o julgamento sobre se é legal ou ilegal.

Guy McPherson: Consulte as informações anteriores sobre o efeito do Escurecimento Global.

Erva Daninha: Dr. Guy, o mundo está atualmente enfrentando uma pandemia do COVID-19, uma das mais catastróficas dos últimos tempos. A atenção está praticamente toda focada nos danos econômicos causados por essa situação, fala-se muito de uma nova recessão econômica no mundo e de uma crise financeira global semelhante à de 2008, mas pouco se fala sobre os benefícios dessa pandemia para o meio ambiente. Você mesmo disse que a interrupção total das atividades industriais são os eventos mais benéficos que podem contribuir para o não aumento da temperatura global e é exatamente isso que esta doença está causando.

Na China, houve uma grande paralisia das atividades econômicas e a redução de gases poluentes foi enorme e abrupta. Em fevereiro deste ano, a concentração desses gases foi 25% menor em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Center for Research on Energy and Clean Air. Na Itália, com o turismo reduzido a zero, as águas do Grande Canal de Veneza pareciam melhores e a qualidade do ar melhorava na área, segundo a prefeitura. Dados do satélite Sentinel-5P do programa Copernican da Comissão Europeia em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) mostraram que, em termos gerais, a poluição teve uma forte queda na Itália, especialmente na região norte do país, que foi a mais afetada pelo vírus. Certamente, o mesmo se repete em várias regiões do planeta, e não apenas porque as atividades industriais foram paralisadas ou reduzidas, mas também porque o turismo, o transporte e muitas outras atividades diárias da civilização tecnológico-industrial cessaram.

Com base nisso, como você vê esses grandes desastres e seus benefícios ambientais? Acreditamos que eles contribuem para conter a crise climática global e indicam que, para o planeta, nosso estilo de vida civilizado é tão ruim quanto uma pandemia é para nós. Também pensamos que os desastres podem funcionar como uma catarse auto-reguladora da terra, tentando desmantelar o estilo de vida moderno e prejudicial e a grande civilização tecno-industrial.

Guy McPherson: Na verdade, revi minha avaliação sobre os horrores da civilização industrial, conforme observado acima. A civilização industrial intoxica o ar, suja as águas e enche os mares de óleo. A civilização industrial é uma praga para o planeta vivo. No entanto, partindo da perspectiva das mudanças climáticas, manter a civilização ajuda a sustentar o habitat dos seres humanos na Terra. Na nossa ausência, as plantas nucleares do mundo entrariam em colapso catastroficamente, deixando assim o planeta banhado em radiação ionizante. Suspeito que um evento destas características destruiria o habitat para todas as formas de vida na Terra em poucas gerações depois que as mutações letais começassem.

Erva Daninha: Atualmente vemos o surgimento de um “Green New Deal” global através de novos movimentos como o Extinction Rebellion e o Movimento Sunrise e também por ativistas climáticos como Greta Thunberg. Para os pouco informados, parece algo novo, mas o mesmo aconteceu em tempos passados com várias ONGs, com ênfase no Greenpeace, que ao longo dos anos reduziu suas atividades a performances pacíficas a serem registradas e disseminadas nas mídias sociais, campanhas para assinar petições para o governo e uma intensa atividade de greenwashing para promover o consumo supostamente sustentável.

Hoje as grandes eco-organizações do passado estão promovendo um discurso de mudança individual para mudar o mundo, o famoso ativismo “faça a sua parte”, uma vez que foram aceitas e incorporadas na própria lógica do sistema que criticaram, como é o caso o caso do Greenpeace, que fez pactos com empresas de exploração petroleira e da área madeireira e pesqueira, além de algumas outras. O Extinction Rebellion tem uma aparência muito jovem e atraente, o movimento atrai muitas pessoas para gritar contra líderes globais e exigir mudanças nas políticas ambientais em todo o mundo, respeitando os limites que a ordem lhes impõe e, indiretamente, usando a mesma lógica à qual se opõem e esperando dos líderes globais as tão esperadas mudanças nas políticas ambientais, os mesmos líderes que demonstram que são incapazes de cumprir acordos básicos como o de Paris. Você não acha que há ingenuidade nesses movimentos e que, em vez de abordar a raiz do problema, eles indiretamente defendem reformas e perpetuam a civilização industrial destrutiva? Se eles não estão lutando pelo fim da sociedade industrial, mas pela existência de uma “sociedade industrial melhor”, essa luta não seria um grande problema e um mero greenwashing?

Guy McPherson: Estes movimentos são excepcionalmente ingênuos. Como indiquei acima, a civilização industrial é uma máquina de calor, mas diminuir ou parar a civilização industrial aqueceria o planeta muito rapidamente. Isso representa um clássico Ardil 22 *NdT3.

Erva Daninha: Um relatório da ONU divulgado no ano passado, provavelmente conservador em termos numéricos, disse que um milhão de espécies de animais e plantas estão em risco de extinção. A principal causa indicada pelo relatório é a agricultura industrial, a poluição e o aquecimento dos oceanos. Muitos cientistas apontam para o mesmo. Você também acredita que estamos atualmente enfrentando a sexta extinção em massa? Esta seria a primeira extinção em massa causada pela espécie humana, certo? Antropoceno seria um termo adequado?

Guy McPherson: A terra se encontra no meio da Sétima Extinção em Massa. Passamos muito tempo acreditando que estávamos na Sexta Extinção em Massa, mas um artigo publicado na revista Historical Biology em 5 de Setembro de 2019 indica um evento de Extinção em Massa anteriormente desconhecido (https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2019.1658096). Deixando esse pequeno ponto de lado, a atual evento de Extinção em Massa é comumente denominado Extinção em Massa do Antropoceno, porque é resultado das atividades humanas (principalmente, da civilização industrial).

Erva Daninha: O estudo de Mark Boyce publicado no Journal of Mammalogy sobre a experiência de reintroduzir lobos no Parque Nacional de Yellowstone reforçou o que muitos já sabiam, a natureza é interconectada e interdependente com as espécies que vivem nela, sejam animais, plantas, fungos, o que quer que seja. Se um único animal desaparece para sempre, toda a cascata trófica é desestabilizada e as consequências podem ser incomensuráveis.

Atualmente, todos os biomas terrestres estão ameaçados pelo avanço da civilização e a velocidade com que as espécies são extintas é mil vezes superior ao normal, segundo um estudo da University College London. Essa extinção massiva põe em perigo a vida não apenas das espécies, mas também dos próprios biomas. O bioma marinho, talvez o mais importante para a vida na Terra, está desaparecendo rapidamente. Os insetos vitais para os ciclos terrestres, como os polinizadores, também morrem em quantidades catastróficas. Você acha que essa enorme onda de extinção pode atingir a própria espécie humana em algum momento?

Guy McPherson: Várias outras espécies do gênero Homo foram extintas. De fato, todos os indivíduos morrem e todas as espécies se extinguem. O artigo revisado por pares de 13 de Novembro de 2018 na Scientific Reports indica que toda a vida na Terra se extinguirá com os aumentos de temperatura prognosticados para o futuro próximo, principalmente como resultado de co-extinções (https://www.nature.com/articles/s41598-018-35068-1). Em outras palavras, espécies como a nossa, que dependem de outras espécies para sua própria existência, enfrentam um risco existencial especificamente porque dependem de outras espécies. O atual apocalipse de insetos, o ritmo acelerado das mudanças climáticas, etc. A união interdependente de tantas formas de vida na Terra garante a nossa extinção a curto prazo.

Erva Daninha: Às vezes você é apontado na comunidade científica e em círculos ecologistas como alguém tremendamente pessimista e sem esperança. Nós pensamos em você como alguém que é apenas realista e bem informado. Na verdade é a própria realidade pessimista e cheia de más notícias para o futuro da humanidade. No ano passado, um texto chamado A esperança é um erro e uma mentira foi publicado em seu site, no qual você destrói o comportamento esperançoso sobre o futuro de nossa espécie. Dr. Guy, você não acha que há uma dificuldade amarga na comunidade científica, e entre militantes e ativistas, normalmente anarquistas e esquerdistas, de aceitar a realidade sobre o nosso futuro e entender o fato de que dias melhores nunca virão?

Nós em particular, somos bastante realistas (e também pessimistas) sobre o futuro de nossa espécie e acreditamos que, como seres humanos, traçamos nosso próprio fim e que colheremos as consequências da estrutura ecocida que os homo sapiens ergueram. Isso nos permite lidar com a realidade da maneira mais dura, fria e necessária. Ativistas ingênuos gritam para seus líderes políticos adotarem novas políticas ambientais, anarquistas e esquerdistas já parecem saber que não há saídas, mas eles preferem negar isso com todas suas forças e se apegam a sonhos utópicos confortáveis que não podem ser alcançados. A esperança é como uma droga e este perfil de pessoas é viciado, não podem aceitar os dias sombrios que estão por vir, então correm em círculos, porque renunciar à esperança seria renunciar à própria humanidade e a tudo o que ela criou até hoje. O que você pensa sobre isso?

Guy McPherson: A sociedade adotou a ideia de que a esperança é universalmente boa. Eu acreditei nisso por um longo tempo, então busquei a definição no dicionário. Como você indicou, prefiro a realidade dura a submergir-me em delírios que dificilmente serão alcançados, e a esperança é uma versão destes pensamentos inalcançáveis.

Erva Daninha: Dr. Guy, o que você acha da perspectiva antropocêntrica de se enxergar as coisas? Esse tipo de pensamento que coloca o ser humano no centro de tudo e lhe dá mais importância do que as outras espécies está presente mesmo nas escolas contemporâneas de pensamento que apresentam uma crítica ecológica radical, como é o caso do eco-anarquismo.

Acreditamos que o ser humano é apenas mais uma espécie dentre as milhares que existem, e que talvez nem seja tão importante. O ciclo vida-morte está omnipresente na natureza e faz parte da trajetória de qualquer ser vivo; os seres nascem e morrem o tempo todo. O ser humano moderno nega a morte e sempre busca prolongar a sua existência. Não é errado dizer que a evolução da medicina, especialmente a medicina moderna, que proporcionou aos humanos tanta longevidade, fez com que burlassem a seleção natural e se expandissem em um ritmo muito acelerado. Hoje, as técnicas de biotecnologia e nanotecnologia flertam com a imortalidade. Acreditamos que esse tipo de pensamento também influenciou a capacidade da humanidade de alcançar um maior grau de ecocídio na Terra e é a base dos valores que apoiam as civilizações. O que você pensa sobre isso?

Guy McPherson: Estou completamente de acordo. O Homo Sapiens representa uma espécie entre milhões que ocupam a Terra. Criamos as condições ambientais contrárias à continuação da vida neste maravilhoso planeta. Nós nos esforçamos para alcançar a imortalidade a nível individual e a nível de espécie. Pelo contrário, a aceitação da própria morte é um presente cheio de paz. O mesmo sentimento mantém sua veracidade ao nível da espécie.

Erva Daninha: Dr. Guy, existe a possibilidade de que o aquecimento global possa revelar ao mundo algo tão sério quanto a atual pandemia de coronavírus? Notícias recentes mostraram que o derretimento no Ártico e em outras regiões congeladas estava resultando no reaparecimento de bactérias e vírus considerados extintos e também tinha a possibilidade de liberar bactérias e vírus pré-históricos de capacidade patogênica desconhecida. A revista Scientific Reports já publicou que o derretimento do gelo no Ártico liberou um vírus normalmente encontrado no Atlântico que contaminou lontras marinhas no Alasca. Acreditamos que os super-microrganismos patogênicos poderiam, através do derretimento nos polos extremos da terra, alcançar as costas de vários países e iniciar infecções por pandemia, como ocorreu com o coronavírus na China, que poderia ter começado em um mercado de frutos do mar. Com base na sua experiência como pesquisador, você acredita que essa possibilidade é real?

Guy McPherson: Há poucas dúvidas sobre as interações entre as mudanças climáticas e o COVID-19. As mais importantes são (1) a potencial redução do efeito do Escurecimento Global à medida que as indústrias desaceleram, e (2) o reaparecimento de muitos vírus como resultado do derretimento do gelo (acelerado pelas mudanças climáticas). 28 novos grupos virais foram encontrados recentemente em uma geleira que estava derretendo (https://www.popularmechanics.com/science/health/a30643717/viruses-found-melting-glacier/). O novo coronavírus atualmente nos noticiários é a primeira de muitas dessas dificuldades que vamos enfrentar.

Erva Daninha: Uma pesquisa da revista Science Advances in Atmospheric Sciences revelou que 2018 foi o ano mais quente já registrado para as temperaturas dos oceanos desde o início do monitoramento. Muitas pessoas afirmam erroneamente que as florestas são os “pulmões da terra”. Embora importantes para a produção de oxigênio, absorção de carbono e regulação do clima, as florestas não produzem a maior parte do oxigênio do mundo, os oceanos produzem. O que acontece é que, com o aquecimento global, as temperaturas nos oceanos estão aumentando, uma vez que mais ou menos 93% de todo o calor das mudanças climáticas é absorvido pelos oceanos.

Os biomas e a fauna marinha são extremamente sensíveis às mudanças climáticas, e não são apenas as mudanças climáticas que atacam os mares, mas também a poluição (incluindo a poluição sonora de barcos e submarinos), a pesca industrial, o turismo etc. Os oceanos do mundo estão em uma situação muito delicada e, ao contrário de uma reserva ecológica terrestre, onde a destruição humana pode ser facilmente controlada e com grande esforço, revertida, o que acontece nos mares é que as ações de mitigação estão fora de controle. Embora possível, não é fácil “plantar” corais marinhos, plantar grama não é o mesmo que “plantar algas”, embora existam experiências bizarras de geoengenharia que proponham isso (o que poderia ser mais desastroso do que eficiente). Que diagnóstico você faria da situação dos oceanos globais e o que pode acontecer se eles continuarem a perder a vida marinha?

Guy McPherson: Nós somos produtos do oceano. Todas as formas de vida dependem do oceano. Paul Watson, autor e fundador da Sea Shepherd Conservation Society, afirma da melhor forma: “Não podemos viver neste planeta com os oceanos mortos. Se os oceanos morrem, nós morreremos”. Estamos no meio de um evento global de “branqueamento de corais”, o terceiro na história. Também é o terceiro desde 1998. A desoxigenação é um problema urgente para os sistemas marinhos atualmente. Eu apresentei evidências abundantes na literatura revisada por pares: https://guymcpherson.com/2018/12/ocean-deoxygenation-as-an-indicator-of-abrupt-climate-change/

Erva Daninha: No ano passado, um estudo pouco confiável da revista Science afirmou que para limitar o aumento da temperatura global a 1,5º C (meta do Acordo de Paris) seriam necessários 1,2 trilhão de novas árvores em todo o mundo, e o estudo defendeu o plantio indiscriminado de árvores para absorver e reduzir o excesso de dióxido de carbono na atmosfera da Terra. Achamos que o estudo não é confiável, pois apresenta apenas a quantidade como solução, sem pensar na complexidade do processo e em seus efeitos colaterais. O plantio indiscriminado de árvores, de acordo com o que lemos na literatura científica, como a análise do brasileiro Gerhard Overbeck, que confrontou uma proposta como essa do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique publicada no artigo The global tree restoration potential (O potencial global de restauração de árvores); pode ter consequências ambientais. Do nosso ponto de vista, plantar árvores indiscriminadamente parece irresponsável e inconsequente. A natureza é complexa, auto-reguladora e interconectada, a natureza não é apenas quantidade, mas complexidade. Os biomas não podem ser gerados abruptamente e, a longo prazo, o plantio massivo de árvores também pode trazer consequências ambientais, como o esgotamento das reservas de água subterrâneas, migrações ou extinções de espécies de animais e plantas, etc. O que você acha dessa proposta de cultivo massivo e plantio indiscriminado de árvores para reduzir a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera da Terra?

Guy McPherson: Esta ideia é terrível. Escrevi a respeito aqui: https://guymcpherson.com/2020/02/can-trees-sequester-enough-carbon/

Erva Daninha: Theodore Kaczynski, mais conhecido como Unabomber, escreveu uma vez um texto chamado “O Navio dos Tolos”. O texto é metafórico e muito inteligente, coloca o “navio” como nossa civilização e a tripulação como figuras sociais que mais se destacam em reclamações públicas. Na história, o capitão do navio, que representa líderes políticos no mundo real, é uma pessoa muito vaidosa e confiante, assim como a tripulação, então eles decidem loucamente viajar em águas turvas, em direção a perigosos icebergs. No texto, o capitão, apoiado por sua tripulação, lidera o navio, que simboliza a civilização, em direção a águas cada vez mais perigosas, algo que poderia facilmente resultar no naufrágio do barco se ele colidisse com icebergs. As águas perigosas no texto simbolizam claramente o rumo errado que nossa espécie está tomando, e os icebergs seriam o fim, a extinção. No conto, enquanto o capitão dirige o barco em direção aos icebergs, a tripulação começa a reclamar de vários problemas no navio. Há o membro da tripulação pobre que reclama de ganhar pouco, há a membra da tripulação feminina que reclama da desigualdade entre homens e mulheres no barco, há o membro da tripulação imigrante que reclama da desigualdade no tratamento de estrangeiros, há o membro da tripulação que é um índio que reclama que os brancos roubaram suas terras e é por isso que ele acabou naquele navio e nem deveria estar ali, há o membro da tripulação gay que reclama que ele é discriminado por suas preferências sexuais, há o membro da tripulação que é vegano e queixa-se de que os animais no barco estão sendo maltratados, há o membro da tripulação que é professor universitário e um tipo de intelectual que defende e apoia todas as queixas anteriores, e há também outro tripulante, um indivíduo que é ignorado por todos os anteriores e que diz que, embora todos se queixem do que os incomoda, o navio está indo em direção a icebergs e isso poderia matar a todos eles muito em breve. À medida que a história continua, as queixas continuam e o capitão atende a cada uma delas pouco a pouco, concedendo mais direitos para interromper os protestos e acalmar os ânimos. O mesmo cenário é repetido algumas vezes e o capitão sempre consegue acalmar a sua tripulação, concedendo-lhes um pouco mais de direitos, mas sem nunca mudar o rumo do barco. No final da história, todos estão mais ou menos satisfeitos com suas realizações, que não são grandes, mas são importantes de qualquer maneira, e de repente o barco colide com um imenso iceberg e todos morrem.

Dr. Guy, acreditamos que não é preciso muito esforço para entender que essa história reflete perfeitamente a situação crítica do mundo, com a grave crise ecológica em andamento, líderes políticos demagogos, movimentos sociais e suas queixas, e aquele 1% que percebe a delicada situação em que estamos e tenta alertar sobre o ecocídio ou agir à sua maneira contra a catástrofe climática. Você acredita que esse conto reflete lucidamente a realidade do mundo e os movimentos sociais existentes?

Guy McPherson: Sim, sem sombra de dúvidas. Kaczynski esteve a frente de seu tempo.

Erva Daninha: O respeitável cientista brasileiro Antonio Donato Nobre publicou em 2014 um relatório chamado O Futuro Climático da Amazônia, que destaca que, devido ao desmatamento e degradação, a floresta amazônica pode estar próxima do que ele chama de “ponto sem retorno”, quando não é mais capaz de se regenerar por conta própria e começa a se mover em direção à desertificação total. Desde então, seis anos se passaram e o desmatamento se intensificou consideravelmente, principalmente após a eleição de Jair Bolsonaro e a gestão de Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente. Em outras florestas tropicais da Ásia e da África, o desdobramento é o mesmo, há intenso desmatamento, de acordo com alguns relatórios científicos. As florestas tropicais são extremamente importantes no mundo, pois ajudam a regular o clima e o ciclo das chuvas; portanto, se essas florestas desaparecerem, as chuvas também poderão desaparecer e uma infinidade de ecossistemas seriam afetados e, talvez até extintos. Dr. Guy, você acha que existe a possibilidade de que, a curto prazo, possamos ver um processo severo de desertificação no planeta? Esse fenômeno já está ocorrendo no mundo, inclusive aqui no Brasil, especialmente nas regiões nordeste e norte do país, mas você acha que as florestas tropicais do mundo podem atingir o “ponto de não retorno” e colapsar e tornarem-se desertos, como defende o Dr. Antonio Donato Nobre?

Guy McPherson: A atual exploração da Amazônia é um emblema de nossa corrida à ganância. Existem muitos exemplos de florestas transformadas em desertos pelos humanos “civilizados”. O exemplo da Amazônia é uma continuação de outros exemplos anteriores no Crescente Fértil, grande parte do Oriente Médio e o Norte da África, e assim por diante. Em vista destes exemplos, podemos esperar um resultado terrível para a Amazônia.

Erva Daninha: Dr. Guy, um estudo da Rights and Resources Initiative (RRI), Woods Hole Research Center (WHRC) e World Resources Institute (WRI) indicou que as reservas indígenas detêm 24% do carbono armazenado na superfície terrestre. Os povos nativos têm perspectivas de existência distintas da nossa e uma relação diferente com a terra, por isso a preservam, a preservam porque a consideram sagrada e porque é dela que obtêm sua comida diretamente, da caça, coleta e baixa agricultura. A preservação é apenas uma consequência, uma consequência bonita e inteligente.

Acreditamos que há uma crise cultural dentro da civilização, especialmente com a chegada da modernidade ultratecnológica e cibernética. Nossa dieta, padrões de sono, cacofonia, rotina repetitiva, tipos de trabalho, pressão da família, trabalho ou sociedade, super e subproteção familiar, sedentarismo, obesidade, câncer, epidemias e pandemias, “infocalipse”, isolamento social nas redes sociais, confinamento, artificialização de tudo, poluição visual, o acinzentado das cidades, velocidade com o que tudo passa (dias, informações, pessoas, etc.), mudanças climáticas que influenciam em nossa disposição, controle social, vigilância, pornografia, publicidade, tendências, traumas, abusos, drogas, ideologias, abstração, perda de identidade, perda de raízes, liquidez de relacionamentos sociais, familiares e amorosos, violência, polícia, prisões, guerras, doenças psicológicas, distúrbios, ansiedade, depressão, suicídio, medo. Acreditamos que boa parte de todos esses problemas advém da vida civilizada e de seus valores, crenças, rotinas e comportamentos, principalmente da vida moderna, e que esses problemas só pioram com o passar dos anos e, possivelmente, alguns deles podem reincidir mesmo no cenário de alguma sociedade socialista, vegana, anarquista ou permacultural. Não sabemos se você já reparou nisso, mas quando caminhamos por uma floresta e sentimos a sua serenidade, o cheiro de terra molhada, o barulho dos animais, tudo parece estar bem, como se fosse terapêutico. Talvez seja a informação antiga contida em nosso DNA que traz de volta as memórias da vida ancestral na floresta. Alguns de nós somos descendentes diretos de tribos nativas e quilombolas ou temos fortes laços com o que resta dessas culturas ancestrais e sentimos que a solução para o ecocídio global e a crise cultural na civilização não é pensar no futuro, mas olhar para trás, ao nosso passado, ao modo de vida ancestral, em suas respeitosas relações com a terra, razão pela qual os povos indígenas preservam suas reservas e, consequentemente, elas podem absorver o carbono. Não somos ingênuos, não romantizamos povos tribais e muito menos cremos em um “futuro primitivo” como aquele pregado por anarquistas como John Zerzan e Kevin Tucker, nem achamos que seria saudável para qualquer ecossistema que uma grande parte da população mundial mudasse seu estilo de vida para um modelo primitivo para “salvar o mundo”. Com o número de humanos que existem hoje na Terra, acreditamos que nenhum modelo seria sustentável a longo prazo. O que acreditamos é que, em outra realidade (atualmente existente) longe da civilização e da sociedade de massas, a sabedoria e o modo de vida dos povos ancestrais realmente demonstram a possibilidade de coexistência a longo prazo com a natureza, onde há um futuro não apenas para o ser humano, mas para todas as outras espécies. Certamente, não é isso que o atualmente o futuro reserva para a espécie humana. Mas, independentemente do fim que está se aproximando, o que você acha dessa ideia de olhar para trás, para os tempos ancestrais e não para o futuro?

Guy McPherson: Coincido absolutamente. Muitas sociedades pré-civilizadas aprenderam e praticaram a sustentabilidade muito mais que os humanos contemporâneos, como observou Turnbull (The Forest People [1961], The Mountain People [1972]) e Quinn (Ishmael [1992], Beyond Civilization [1999]). Um exemplo clássico e muito citado é o da Confederação dos Iroqueses tomando decisões depois de considerar o impacto que teriam em sete gerações no futuro. Padgett nos fornece uma análise baseada na educação em 2018 (“Sustainability of Education: An Ecopedagogical Approach,” Journal of Sustainability Studies 1(1), Article 5, https://ir.una.edu/sustainabilityjournal/vol1/iss1/5). Claramente, o aprendizado era uma parte importante na vida cotidiana da Confederação dos Iroqueses e de outras sociedades pré-civilizadas. Pelo contrário, as evidências apresentadas aqui indicam que os humanos contemporâneos não aprenderam a praticar ações sustentáveis.

Erva Daninha: Guy, você diz que frear a civilização industrial abruptamente levaria à morte imediata de toda a vida humana na Terra, e talvez de toda forma de vida. Mas deixá-la continuar terá as mesmas consequências, vinte ou trinta anos mais tarde. Então… o que deveríamos fazer? O que você propõe? Qual é a sua postura pessoal a respeito?

Guy McPherson: A certeza da morte, junto com o absurdo da vida, me ajuda a viver com urgência e autenticidade.

Quase todos os dias as pessoas me pedem conselhos sobre como viver. Eu recomendo morar onde você se sinta mais vivo. Recomendo viver plenamente. Recomendo viver com intenção. Recomendo viver com urgência, com a morte em mente. Recomendo a busca da excelência. Recomendo a busca do amor. Não é de surpreender que eu seja frequentemente ridicularizado, alvo de piadas, rechaço e seja isolado por meus próprios contemporâneos na comunidade científica.

Persiga a ação correta. Não se apegue aos resultados. Considerando o pouco de tempo restante em sua vida e na minha, recomendo tudo isso acima, mais do que nunca. Mais intensamente do que você possa imaginar. Para os limites desta cultura restritiva e além. Por você. Por mim. Por nós. Por aqui. Pelo agora. Viva grande. Seja você mesmo, e mais ousado do que nunca. Viva como se estivesse prestes a morrer. O dia se aproxima.

Erva Daninha: Certo! Dr. Guy, agradecemos a oportunidade de entrevistá-lo. Foi um prazer. Se você quiser deixar uma mensagem, sinta-se à vontade para fazê-lo.

Guy McPherson: Agradeço a você. Aprecio a oportunidade de informar as pessoas sobre o mundo que ocupamos.

Notas do Tradutor:

1. NTHE, por suas siglas em inglês (Near-term human extinction).

2. IPCC, por suas siglas em inglês (Intergovernment Panel on Climate Change).

3. Ardil 22 é uma novela satírica antibelicista de ficção histórica escrita por Joseph Heller e publicada em 1961.

Interview with Guy McPherson about Anthropocene and Climate Crisis

Erva Daninha interview with Guy R. McPherson. Guy is an American scientist, professor emeritus of natural resources and ecology and evolutionary biology at the University of Arizona. We thank Guy for this interview with us. His website is Nature Bats Last.

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Erva Daninha: First of all, we want to thank you for accepting this interview, Dr. Guy McPherson. Your scientific investigations into the climatic chaos within industrial civilization are of tremendous importance in pointing out the seriousness of the environmental crisis in the world caused by human activity.

So let’s begin, you are known for defending the idea of Near-Term Human Extinction (NTHE). Can you explain to us what NTHE is and what are the main ecological indicators that support this theory?

Guy R. McPherson: Thank you for the opportunity to engage with you and your audience.

Near-term human extinction (NTHE) as a result of abrupt climate change refers to the rapid demise of our species, Homo sapiens. I have predicted NTHE for many years, and I have recently been joined by others in my prediction.

Humans are animals. As with other animals, our species requires hábitat to survive. Specifically, humans are vertebrate mammals. Yet the projected rate of environmental change, using the gradual rate of change projected by the Intergovernment Panel on Climate Change (IPCC), outstrips the ability of vertebrates to adapt by a factor of 10,000 times (https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/ele.12144). Mammals will take millions of years to recover from the ongoing Mass Extinction Event (https://www.pnas.org/content/115/44/11262). I seriously doubt our species can avoid extinction even as non-human vertebrates and non-human mammals disappear.

At least seven species in the genus Homo have already gone extinct, even though none of those species were on Earth during a Mass Extinction Event. We are in the midst of a Mass Extinction Event. According to conservation biologist Gerardo Cellabos, lead author of a paper published 19 June 2015 in Science Advances indicating Earth is experiencing a Mass Extinction Event (https://advances.sciencemag.org/content/1/5/e1400253), “life would take many millions of years to recover, and our species itself would likely disappear early on.” (https://phys.org/news/2015-06-sixth-mass-extinction-declares.html). A paper with the same lead author published 25 July 2017 in the Proceedings of the National Academy of Sciences indicates Earth is well into the ongoing Mass Extinction Event (https://www.pnas.org/content/114/30/E6089.short).

A paper in the November 2018 issue of Scientific Reports indicates a 5-6 C global-average rise in temperature will cause the extinction of all life on Earth (https://www.nature.com/articles/s41598-018-35068-1). Such an increase in global-average temperature is expected shortly after the Arctic Ocean become free of ice, an event incorrectly projected to occur in 2016 + 3 years in the 2012 issue of Annual Review of Earth and Planetary Sciences (https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev-earth-042711-105345). Despite this incorrect projection, an ice-free Arctic looms on the near horizon.

Commercial air travel poses an existential threat to all life on Earth. According to a paper in the 27 June 2019 issue of Atmospheric Chemistry and Physics, contrails alone could eliminate habitat for most, if not all, life on Earth by disrupting atmospheric circulation patterns (https://www.atmos-chem-phys.net/19/8163/2019/). This conclusion is supported by a study published online 12 December 2019 in Earth and Space Science Open Archive (https://www.essoar.org/doi/10.1002/essoar.10501296.1).

The standard response to the ongoing climate crisis is to recommend a reduction in emissions of greenhouse gases. However, reduced industrial activity tranlates to an abrupt reduction in atmospheric aerosols. These aerosols reflect incoming solar radiation, thereby keeping Earth cooler than it would be without these aerosols. Research on the cooling effect of these aerosols has appeared in the peer-reviewed literature since 1929 (Angstrom, 1929, “On the atmospheric transmission of sun radiation and on dust in the air,” Geografiska Annaler, 11, 156–166). As little as a 20% reduction in industrial activity leads to a 1 C global-average temperature spike with a few weeks (Rosenfeld et al 2019, https://science.sciencemag.org/content/363/6427/eaav0566, and https://www.sustainability-times.com/environmental-protection/research-cooling-from-atmospheric-particles-may-mask-greater-warming/).

Erva Daninha: The well-known activist and writer Naomi Klein, unlike many climate deniers, argues that human activity is closely related to the climate crisis, however, she concentrates most of her efforts on painting capitalism as the great villain against the environment. Occasionally Naomi also criticizes the “industrial socialism” of some nations, but for the most part she defends the same thesis repeated by the great majority of leftists and ecologists around the world, “if we eliminate capitalism everything will be fine”. Dr. Guy, we believe that your criticisms are broader, they target the global industrial complex and not just a specific type of social order. Why do you think that the global technological-industrial society is the real problem and not just capitalism?

Guy R. McPherson: As pointed out with abundant research by Tim Garrett, civilization is a heat engine (https://faculty.utah.edu/u0294462-TIM_GARRETT/research/index.hml). In other words, this set of living arrangements produces heat. It matters little or not at all how industrial civilization operates. Solar panels and wind turbines heat the planet, just as burning fossil fuels. Civilization takes us to a Pliocene-style climate as early as 2030 (according to a paper in the Proceedings of the National Academy of Sciences published 26 December 2018 that relies upon the IPCC’s stunningly conservative Representative Concentration Pathways, https://www.pnas.org/content/115/52/13288.short). I cannot imagine humans or other vertebrate mammals could survive such a rapid rate of change. Yet, as I pointed out above, slowing or stopping civilization heats the planet even faster than keeping civilization running.

Erva Daninha: Among many others scenarios, we have the utopian and hopeful views defended by Naomi Klein regarding eco-socialism as an alternative to “save the world” of an ecological catastrophe, or a delusional “primitivist revolution” against industrial civilization defended by anarchists like Kevin Tucker and John Zerzan. How efficient do you think these systems would be when the global census predicts almost 10 billion people on the planet for 2050? We live on a finite planet with limited resources and most of these resources have already disappeared, even a radical change towards a supposedly sustainable system would require other massive sources of energy, transportation or mass activities for food production, and even in more extreme cases like the “primitive utopia” defended by some anarchists, massive activity like feeding and housing, or whatever it may be, would have an enormous environmental impact on a large scale.

Nature tends to exercise a self-regulatory control over species on earth to enforce an organic coexistence, something that some call the trophic cascade, but our species has escaped this and has used the modern technology to its advantage to surpass the population control enforced by nature, manipulating its surroundings and expanding beyond its limit, whilst consuming nature indiscriminately and destroying great part of the limited resources on earth, all for it’s own benefit. Don’t you believe that there is overpopulation in the world and that our modern culture is alienated and decadent and that given the amount of billions of people in the world, any proposal to create a global sustainable society would be flawed?

Guy R. McPherson: As indicated above, I seriously doubt we survive until 2030, much less 2050. Too many humans have been consuming too many finite materials for far too long. We have severely overshot a sustainable population of humans on Earth.

Erva Daninha: You have stated on a number of occasions that the IPCC is quite conservative in its estimates. Do you believe that there is some kind of internal law within these entities or in the scientific community itself that establishes a pattern of behavior in order to avoid alarms that would have an impact on the economy or in society itself? For example, here in Brazil the National Institute for Space Research (INPE) released alarming data corroborated by NASA about the drastic increase of deforestation in the Amazon Rain forest in the year 2019, which resulted in the dismissal of Ricardo Galvão, director of the agency, at the behest of president Jair Bolsonaro. We believe that although they do warn about the climate crisis, these entities and most scientists operate within the same logic as that of the culture of industrial-technological civilization and defend the maintenance of this logic that in theory would be the essence of climatic chaos, then perhaps at the behest of governments (such was the case in Brazil), or by their own initiative, institutions handle their data carefully so as not to expose the infeasibility of this ecocidial social order. What do you think about this?

Guy R. McPherson: The IPCC uses a very conservative approach in creating their assessments. Scientists within working groups typically employ reticence in reaching their conclusions. After an assessment is drafted by conservative scientists who are required by the IPCC to rely upon consensus, the assessment is sent to governments for review. As you can probably imagine, the governments of the world are primarily interested in sustaining economic growth. “Saving the world” is not on the agenda.

Erva Daninha: Recently a Brazilian scientist revealed that Antarctica reached a surprising temperature of 20º C, something that was “never seen before”. Such temperatures are harsh examples of global warming. The consequences of the temperature rise in these frozen environments are already well known, the rise of the sea levels is widely discussed in the scientific community, but the effects of the melting are not restricted to it. Nature magazine has already published a study in which it states that Antarctica is possibly retaining colossal amounts of methane gas produced over thousands of years within its ice sheet and that if this gas were to be released, it would have an aggressive impact on the greenhouse effect. The same is true for the Arctic with permafrost, where the situation is perhaps even more serious, as the Arctic soil is no longer frozen. Studies indicate that the permafrost contains twice the total amount of carbon currently in the Earth’s atmosphere, and that a massive leak of this material would be catastrophic for life on Earth, even being able to cause a mass extinction like that of the Permian-Triassic period. Do you believe that the “clathrate gun” effect could really endanger most life on earth up until the year 2040?

Guy R. McPherson: Not only do I agree, but renowned climate scientist James Hansen has discussed this possibility. A peer-reviewed paper by Hansen and colleagues indicated Earth was at its highest temperature with our species present in 2017 (https://arxiv.org/abs/1609.05878). Indeed, methane emissions from beneath ice and also methane emissions from the melting permafrost represent two of seven means by which the planet could heat very quickly, thereby destroying hábitat for humans (https://weeklyhubris.com/seven-distinct-paths-to-loss-of-habitat-for-humans/).

Erva Daninha: In 2014 at an interview with Russia Today quoting a study by the climate scientist Tim Garrett you said that only the total collapse of industrial civilization could prevent uncontrolled climate change. For logical reasons, a solution based on this premise will never come from any government or institutions like the UN. On the contrary, the weak Paris Agreement has already been abandoned by the United States, the bigest emitter of greenhouse gases of all history, and the Brazilian State has also shown signs of its intents to abandon the agreement. Studies like the one of the Universal Ecological Fundation have already pointed out that the agreement won’t be enough to limit the temperature increase to between 1.5º C to 2º C in relation to the levels of the pre-industrial era. Assessments such as yours indicate the possibility of an increase of more than 3.5º C in a short period of time. Stopping industrial activities is unthinkable in the modern world, as this would mean to deny the very logic in which most countries are inserted in, however this does not mean that scenarios like this one are impossible to achieve, only not through the action of governments, of course.

At the end of last year, Houthis rebels attacked the world’s largest oil refinery in Saudi Arabia with drones, interrupting half of the kingdom’s production, which supplies 10% of all oil consumed in the world. Although extreme, this is a real example of the abrupt interruption of an activity that is harmful to the environment. Groups like the Niger Delta Avengers have also caused catastrophic damage to oil production in countries like Nigeria. Studies published by the magazine Science Advances also concluded that the war in the Middle East caused pollution to decrease in some areas of that region, because the levels of industrial activity decreased and activities of urban life such as driving were affected. Leaving aside all judgment that could be made regarding this type of action and considering the fact that urgent actions to interrupt industrial activity are needed and governments will never offer them, do you consider that there is practical efficiency in this type of action to interrupt pollutant emissions or destruction of the environment in the world? I say it again, I ask from a purely practical perspective, leaving aside the judgment as to whether it is legal or illegal.

Guy R. McPherson: Please see preceding information about the aerosol masking effect.


Erva Daninha:
Dr. Guy, the world is currently facing a COVID-19 pandemic, one of the most catastrophic in recent times. The attention is practically all focused on the economic damage caused by this situation, there is a lot of talk about a new economic recession in the world and a global financial crisis similar to that of 2008, but little is said about the benefits of this pandemic to the environment. You yourself said that total interruption of industrial activities are the most beneficial events that can contribute to the non-rise in global temperature and that is exactly what this disease is causing.

In China, there was a major paralysis of the economic activities and the reduction of polluting gases was huge and abrupt, in February this year the concentration of these gases was 25% lower compared to the same period last year, according to the Center for Research on Energy and Clean Air. In Italy, with tourism reduced to zero, the waters of the Grand Canal in Venice looked better and the air quality improved in the area, according to the city hall. Data from the Sentinela-5P satellite of the Copernican program at the European Commission and the European Space Agency (ESA) showed that in general terms pollution had a strong decrease in Italy, especially in the northern region of the country, the ones that were most affected by the virus. Certainly the same is repeating in various regions around the planet, and not only because industrial activities have been paralyzed or reduced, but also because tourism, transportation and many other daily activities within the technological-industrial civilization have ceased.

Based on this, how do you see these major disasters and their environmental benefits? We believe that they contribute in curbing the global climate crisis and indicate that, for the planet, our civilized lifestyle is just as bad as a pandemic to us. We also think that disasters can function as a self-regulating catharsis from the earth trying to dismantle the harmful modern lifestyle and the great techno-industrial civilization.

Guy R. McPherson: Actually, I have revised my assessment regarding the horrors of industrial civilization, as I have indicated above. Industrial civilization fouls the air, dirties the wáter, and washes soil into the ocean. Industrial civilization is a plague on the living planet. Yet, from the perspective of abrupt climate change, maintaining civilization helps to retain hábitat for humans on Earth. In our absence, the world’s nuclear power plants will melt down catastrophically, thereby leaving the planet bathing in ionizing radiation. I suspect such as event will destroy hábitat for all life on Earth within a few generations after the lethal mutations begin.

Erva Daninha: today we see the rise of a global “Green New Deal” through new movements like Extinction Rebellion and Sunrise Movement and also by climate activists such as Greta Thunberg. For the uninformed it looks like something new, but the same thing happened in past times with several NGOs, with emphasis on Greenpeace, which over the years reduced its activities to peaceful performances to be registered and disseminated on social media, campaigns to sign petitions to the government and an intense greenwashing activity to promote supposedly sustainable consumption.

The great eco-organizations of the past are promoting a discourse of “individual change to change the world”, the famous “do your part” activism, since they were accepted and incorporated within the very logic of the system that they criticized, such is the case for Greenpeace, which made pacts with oil, timber and fishing companies, in addition to many others. Extinction Rebellion has a very youthful and attractive appearance, the movement attracts enough people to shout against global leaders and demand changes in environmental policies around the world, respecting the limits that the order imposes on them, indirectly using the same logic that they oppose to and expecting from global leaders the longed-for changes in environmental policies, the same leaders who demonstrate that they are unable to comply with basic agreements like the one in Paris. Don’t you think that there is naivety in these movements and that instead of addressing the root of the problem they indirectly advocate for reforms and perpetuate the destructive industrial civilization? If they are not fighting for the end of industrial society, but for the existence of a “better industrial society”, wouldn’t this struggle be a big problem and a mere greenwashing?

Guy R. McPherson: These movements are exceptionally naive. As I indicated above, industrial civilization is a heat engine, but slowing or stopping industrial civilization heats the planet very quickly. This represents a classic Catch-22.

Erva Daninha: A UN report released last year, probably conservative in terms of numbers, said that one million species of animals and plants are at risk of extinction. The main cause indicated by the report is industrial agriculture, pollution and the warming of the oceans. Many scientists point towards the same, do you also believe that we are currently experiencing the sixth mass extinction? This would be the first human-made mass extinction, right? Would Anthropocene be a suitable term?

Guy R. McPherson: Earth is in the midst of the Seventh Mass Extinction. We have long believed we were in the Sixth Mass Extinction, but a paper published in the peer-reviewed Journal of Historical Biology on 5 September 2019 indicates an additional, previously unknown Mass Extinction Event (https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2019.1658096). That minor point aside, the ongoing Mass Extinction Event is generally termed the Anthropocene Mass Extinction because it results from human activities (notably, industrial civilization).

Erva Daninha: Mark Boyce’s study published in the Journal of Mammalogy on the experience of reintroducing wolves in the Yellowstone National Park reinforced what many already knew, nature is interconnected and interdependent with the species that live in it, be it animals, plants, fungi, whatever it is. If a single animal disappears forever, the entire trophic cascade is destabilized and the consequences can be immeasurable.

Currently, all terrestrial biomes are threatened by the advance of civilization and the speed with which species are going extinct is a thousand times above normal, according to a study by University College London. This massive extinction endangers the life not only of the species, but of the biomes themselves. The marine biome, perhaps the most important one for life on earth, is rapidly disappearing. Insects vital to earth cycles, such as pollinators, also die in catastrophic quantities. Do you think that this massive extinction wave can reach the human species itself at some moment?

Guy R. McPherson: Several other species in the genus Homo have gone extinct. Indeed, all individuals die and all species go extinct. The 13 November 2018 peer-reviewed paper in Scientific Reports indicates all life on Earth will go extinct with the kind of temperature rise forecast in the near future, largely as a result of co-extinctions (https://www.nature.com/articles/s41598-018-35068-1). In other words, species such as ours that rely upon other species for our own existence, face an existential risk specifically because we depend upon other species. The ongoing insect apocalypse, the rapid rate of environmental change, and our membership as life forms on Earth guarantee our near-term demise.

Erva Daninha: You are sometimes singled out within the scientific community and within the world of ecological discourse as someone who is tremendously pessimistic and hopeless. We think of you as someone who is just realistic and well informed. It’s reality itself that’s pessimistic and full of bad news for humanity’s future. Last year a text called “Hope is a Mistake and a Lie” was published on your website, in which you destroy the hopeful behavior about the future of our species. Dr. Guy, don’t you think that there is a bitter difficulty within the scientific community, and among militants and activists, normally anarchists and leftists, to accept the reality about our future and understand the fact that better days will never come?

Us in particular are very realistic (and also pessimistic) about the future of our species and we believe that as humans we draw our own end and that we will reap the consequences of the ecocidal structure that homo-sapiens has erected. This allows us to deal with reality in the hardest, coldest and most necessary way. Naive activists shout for their political leaders to adopt new environmental policies, anarchists and leftists already seem to know that there is no way out, but they prefer to deny it with all their strength and cling to comfortable utopian dreams that can not be achieved. Hope is like a drug and these types of people are addicted, they cannot accept the dark days to come, so they run in circles, because to renounce hope would be to renounce humanity itself and everything it has created until today. What do you think about this?

Guy R. McPherson: The society has promulgated the idea that hope is universally good. I believed it for a long time. Then I looked up the definition of the word in the dictionary. As you indicated, I prefer reality to wishful thinking. And hope is one versión of wishful thinking.

Erva Daninha: Dr. Guy, what do you think about the anthropocentric perspective of the world? This type of thinking that places the human being at the center of everything and gives it more importance than other species is present even in the contemporary schools of thought that present a radical ecological critique, such is the case with eco-anarchism. We believe that the human being is just one more species among the thousands that exist, and perhaps is not even that important. The life-death cycle is constantly present in nature and it’s a part of the life of any living being, beings are being born and dying all the time. The modern human being denies death and always seeks to extend its existence. It is not wrong to say that the evolution of medicine, especially modern medicine, which has provided humans with such longevity, has caused them to mock natural selection and to expand at a very accelerated pace. Today the techniques of biotechnology and nanotechnology flirt with immortality. We believe that this type of thinking has also influenced humanity’s capability to reach a higher degree of ecocide on earth and it’s the basis for the values that support civilizations. What do you think about this?


Guy R. McPherson: I could not agree more. Homo sapiens represents one species among millions to occupy Earth. We have created environmental conditions contrary to the continuation of life on this beautiful planet. We strive for immortality at the level of individuals and at the level of our species. To the contrary, acceptance of one’s own death is a gift filled with peace. The same sentiment holds true at the level of our species.

Erva Daninha: Dr. Guy, is there a possibility that global warming could reveal to the world something as serious as the current coronavirus pandemic? Recent news showed that the melting in the Arctic and other frozen regions was resulting in the reappearance of bacteria and viruses considered to be extinct and also had the possibility of bringing back prehistoric bacteria and viruses of unknown pathogenic capacity. The magazine Scientific Reports has already published that the melting of the ice in the Arctic has released a virus normally found in the Atlantic that has contaminated sea otters in Alaska. We think that pathogenic super-microorganisms could, through the melting at the extreme poles of the earth, reach the coasts of several countries and start pandemic infections as occurred with the coronavirus on China, which could have started on a seafood market. Based on your experience as a researcher, do you believe that this possibility is real?


Guy R. McPherson: There is little question about the interaction between climate change and COVID-19. Most notable are (1) the potential for a reduction of the aerosol masking effect as industries slow, and (2) reappearance of many viruses as a result of melting ice (accelerated by climate change). Twenty-eight new virus groups were found recently in a melting glacier (https://www.popularmechanics.com/science/health/a30643717/viruses-found-melting-glacier/). The novel coronavirus currently in the news is the first of many such difficulties we face.

Erva Daninha: A survey by the science magazine called Advances in Atmospheric Sciences revealed that 2018 was the warmest year on record for ocean temperatures since monitoring began. Many people erroneously claim that forests are the “lungs of the earth”. Although important for oxygen production, carbon absorption and climate regulation, forests do not produce most of the world’s oxygen, the oceans do. What happens is that with global warming the temperatures in the oceans are increasing since more or less 93% of all the heat from climate change is absorbed by the oceans.

Biomes and marine fauna are extremely sensitive to climate change, and it is not only climate change that attacks the seas, but also pollution (including noise pollution from boats and submarines), industrial fishing, tourism, etc. The world’s oceans are in a very delicate situation, and unlike a terrestrial ecological reserve, where human destruction can be easily controlled and with great effort, reversed, what happens in the seas is that mitigation actions are out of control. Although possible, it is not easy to “plant” marine corals, planting grass is not the same as “planting algae”, although there are bizarre geoengineering experiments that propose this (which could be more disastrous than efficient). What diagnosis would you make out of the situation of the global oceans and what can happen if they continue to lose marine life?

Guy R. McPherson: We are products of the ocean. All life is dependent upon the ocean. Paul Watson, author and founder of the Sea Shepherd Conservation Society, says it best: “We cannot live on this planet with dead oceans. If our oceans die, we die.” We are in midst of the a global coral bleaching event, the third one in history. It is also the third one since 1998. Deoxygenation is a pressing problem in marine systems right now. I present abundant evidence from the peer-reviewed literature: https://guymcpherson.com/2018/12/ocean-deoxygenation-as-an-indicator-of-abrupt-climate-change/

Erva Daninha: Last year, an unreliable study by the Science magazine revealed that to limit the increase in global temperature to 1.5º C (Paris Agreement target) 1.2 trillion new trees would be needed worldwide, and the study advocated the indiscriminate planting of trees to absorb and reduce excess carbon dioxide in the earth’s atmosphere. We think that the study is unreliable because it presents only the quantity as a solution, without thinking about the complexity of the process and its side effects. The indiscriminate planting of trees, according to what we have read in the scientific literature and also to the opinions of scientists, such as that of the Brazilian Gerhard Overbeck, who refuted a proposal like this one from the Federal Institute of Technology in Zurich published in the article The global Tree Restoration Potential; can have environmental consequences. From our point of view, planting trees indiscriminately seems irresponsible and inconsequential. Nature is complex, self-regulating and interconnected, nature is not just quantity, but complexity. Biomes cannot be generated abruptly and in the long run the massive planting of trees could also bring environmental consequences such as depletion of underground water reserves, migrations or extinctions of species of animals and plants, etc. What do you think about this proposal of massive and indiscriminate planting of trees to reduce the amount of carbon dioxide in the Earth’s atmosphere?


Guy R. McPherson: This is a terrible idea. I wrote about it here: https://guymcpherson.com/2020/02/can-trees-sequester-enough-carbon/

Erva Daninha: Theodore Kaczynski, best known as the Unabomber, once wrote a text called “The Ship of Fools”. The text is metaphorical and very intelligent, it places the “ship” as our civilization, and the crew as the social figures that stand out the most in public complaints. In the story, the captain of the ship, who represents political leaders in the real world, is a very vain and confident person, as well as the crew, so they madly decide to travel in murky waters, towards dangerous icebergs. In the text, the captain, supported by his crew, leads the ship, which symbolizes civilization, towards increasingly dangerous waters, something that could easily result in the sinking of the boat if it crashed into icebergs. The dangerous waters in the text clearly symbolize the wrong course that our species is taking, and icebergs would be the end, the extinction. In the tale, while the captain steers the boat towards the icebergs, the crew begins to complain about various problems on the ship. There is the poor crew member who complains about earning little, there is the female crew member who complains about the inequality between women and men on the boat, there is the immigrant crew member who complains about the inequality in the treatment of foreigners, there is the crew member who is an Indian native who complains that the white stole their land and that is why he ended up on that ship and shouldn’t even be there, there is the gay crew member who complains that he is discriminated for his sexual preferences, there is the crew member who is vegan and who complains that the animals on the boat are being abused, there is the crew member who is a university professor and kind of an intellectual who defends and supports all previous complaints, and there is also another crew member, an individual who is being ignored by all the previous ones, and who says that while everybody complains about what bothers them, the ship is heading towards icebergs and that could kill all of them very soon. As the tale goes on, the complaints continue and the captain attends to each complaint little by little, granting more rights to stop the protests and calm the spirits. The same scenario is repeated a few times and the captain always manages to calm his crew down by granting them a little more rights, but without ever turning the boat’s course. At the end of the story everyone is more or less satisfied with their achievements, which are not big, but are significant anyways, and suddenly the boat crashes into a huge iceberg and everyone dies.


Dr. Guy, we believe that it does not take much effort to understand that this story perfectly reflects the critical situation in the world, with the serious ecological crisis underway, demagogue political leaders, social movements and their complaints, and that one percent who realizes about the delicate situation we are in and tries to alert about the ecocide or to act on their own way against the climate catastrophe. Do you believe that this tale lucidly reflects the reality of the world and the existing social movements?

Guy R. McPherson: Yes, without question. Kaczynski was well ahead of his time.

Erva Daninha: The respectable Brazilian scientist Antonio Donato Nobre published in 2014 a report called “The Climate Future of the Amazon” that points out that due to deforestation and degradation, the Amazon forest could be close to what he calls the “point of no return”, when it’s no longer able to regenerate on its own and begins to move towards total desertification. Since then, six years have passed and deforestation has intensified considerably, especially after the election of Jair Bolsonaro and the management of Ricardo Salles, Minister of the Environment. In other tropical forests of Asia and Africa the unfolding is the same, there is intense deforestation, according to some scientific reports. Tropical forests are extremely important in the world, they help to do things like regulating the climate and the rain cycle, so if these forests disappear the rains could also disappear and a myriad of ecosystems would be affected, perhaps extinguished. Dr. Guy, do you think there is a possibility that in the short term we will see a severe process of desertification in the world? This process is already happening in the world, including here in Brazil, especially in the northeast and northern regions of the country, but do you think that the world’s tropical forests can reach the “point of no return” and collapse at the point of becoming desertic, as Dr. Antonio Donato Nobre defends?

Guy R. McPherson: The ongoing exploitation of the Amazon is emblematic of our rush to greed. There are many examples of forests turned into deserts by “civilized” humans. The Amazonian example follows other previous examples in the Fertile Crescent, much of the Middle East and northern Africa, and so on. Given these examples, we can expect a similarly dire outcome in the Amazon.

Erva Daninha: Dr. Guy, a study by the Rights and Resources Initiative (RRI), Woods Hole Research Center (WHRC) and World Resources Institute (WRI) indicated that indigenous reserves hold 24% of the carbon stored on the terrestrial surface. The native peoples have different perspectives of existence and a different relation with the land, that is why they preserve it, they preserve it because they consider it to be sacred and because it is from it that they directly get their food, from hunting and gathering. Preservation is just a consequence, a beautiful and intelligent consequence.


We believe that there is a cultural crisis within civilization, especially with the arrival of the ultratechnological and cyber-connected modernity. Our diet, sleep patterns, cacophony, repetitive routine, types of work, the pressure from the family, work or society itself, over and under protection of the family, physical inactivity, obesity, cancer, epidemics and pandemics, “infocalypse”, social isolation on social networks, confinement, the artificialization of everything, vision pollution, the grayness of the cities, the speed at which everything goes (days, information, people, etc.), the climate changes that influence our disposition, social control, surveillance, pornography, advertisements, trends, traumas, abuses, drugs, ideologies, abstraction, loss of identity, loss of roots, liquidity of social, familiar and loving relationships, violence, police, prisons, wars, psychological illnesses, disorders, anxiety, depression, suicide, fear. We believe that a great part of all these problems comes from civilized life and its values, beliefs, routines and behaviors, especially modern life, and that these problems will only get worse over the years, and possibly even in the scenario of some socialistic, vegan, anarchistic or permacultural society. We don’t know if you have ever experienced this, but when we walk through a forest and feel its serenity, the smell of wet earth, the noise of the animals, everything seems to be fine, as if it were therapeutic. Perhaps it is ancient information contained in our DNA that brings back the memories of ancestral life in the forest. Some of us are direct descendants of native tribes and Quilombolas or have strong ties to what is left of these ancestral cultures and we feel that the solution to the global ecocide and the cultural crisis in civilization is not to think ahead, but to look back, to our past, to the ancestral way of life, at their respectful relations with the land, which is the reason why the indigenous people preserve their reserves and consequently they can absorb carbon. We are not naive, we do not romanticize tribal people and much less believe in a “primitive future” as the one preached by anarchists like John Zerzan and Kevin Tucker, nor do we think that it would be healthy for any ecosystem that a large part of the world’s population would change their lifestyle to a primitive model to “save the world”. With the number of humans that exist today on earth, we believe that no model would be sustainable in the long run. What we believe is that in another reality (currently existing) far from civilization and mass society, the wisdom and way of life of ancestral peoples really demonstrates the possibility of long-term coexistence with nature, where there is a future not only for the human species, but for all others. Of course, that is not what the future currently holds for the human species. But regardless of the end that is getting closer, what do you think about this idea of looking back, to ancestral times, and not further away to the future?


Guy R. McPherson: Absolutely. Many pre-civilized societies learned and practiced sustainability to a far greater extent than contemporary humans, as pointed out by Turnbull (The Forest People [1961], The Mountain People [1972]) and Quinn (Ishmael [1992], Beyond Civilization [1999]). A classic and often-cited example is the Iroquois Confederacy making decisions only after considering the impacts seven generations in the future. Padgett provided an education-based overview in 2018 (“Sustainability of Education: An Ecopedagogical Approach,” Journal of Sustainability Studies 1(1), Article 5, https://ir.una.edu/sustainabilityjournal/vol1/iss1/5). Clearly, learning was an important part of everyday living for the Iroquois Confederacy and other pre-civilized societies. In contrast, the evidence presented herein indicates that contemporary humans have not learned to practice sustainable actions.

Erva Daninha: You say stopping industrial civilization abruptly will bring the immediate demise for human life on earth, and maybe all life. But letting it go on, will have the same consequences, maybe twenty or thirty years into the future. So… What should we do? What do you propose? What’s your personal stance on this?

Guy R. McPherson: The certainty of death, coupled with the absurdity of life, helps me live with urgency and authenticity.

I am asked nearly every day for advice about living. I recommend living where you feel most alive. I recommend living fully. I recommend living with intention. I recommend living urgently, with death in mind. I recommend the pursuit of excellence. I recommend the pursuit of love. It’s small wonder I am often derided, mocked, rejected, and isolated by my contemporaries in the scientific community.

Pursue right action. Do not be attached to the outcome.

In light of the short time remaining in your life, and my own, I recommend all of the above, louder than before. More fully than you can imagine. To the limits of this restrictive culture, and beyond.

For you. For me. For us. For here. For now.

Live large. Be you, and bolder than you’ve ever been. Live as if you’re dying. The day draws near.

Erva Daninha: Dr. Guy, we appreciate the opportunity to interview you. It was a pleasure. If you want to leave a message feel free to do so.

Guy R. McPherson: Thank you. I appreciate the opportunity to inform people about the world we occupy.

[PT – VÍDEO] Catarse – Dias Melhores Nunca Virão II

E sai a segunda edição do projeto Catarse, elaborado por Erva Daninha. A primeira parte pode ser conferida neste link. Esta nova edição aparece em um momento drástico para o cenário mundial, marcado pelo agravamento da crise ecológica, surgimento de convulsões sociais, derrocadas econômicas e uma pandemia que castiga a vários países. Esta compilação confirma de maneira amarga os prognósticos para os próximos anos, dias melhores não virão.

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Este projeto é sobre o agora, o mesmo agora de há cinco anos quando ele foi iniciado. Esta edição é sobre os gritos de dor de um planeta que morre pelas mãos de um animal chamado humano e indiferente com a natureza selvagem ao redor do mundo. Nesta segunda edição há compilações das piores notícias sobre o agravamento da crise mundial, com ênfase na crise climática, onde houve alguns dos piores incêndios da era moderna em importantes florestas ao redor do mundo, como na Amazônia, África Central e Austrália. Também abarca notícias sobre o severo derretimento de gelo nos polos extremos da terra, onde o aquecimento provocou colossais 20º graus na Antártida, a maior temperatura já registrada no século. Relata o culmine do simbólico Relógio do Apocalipse, um projeto elaborado por cientistas de diversas áreas que “prevê” o fim do mundo analisando as diversas crises que o mundo atravessa, o relógio nunca esteve tão perto da meia-noite, que simbolizaria a nossa extinção. Abarca as bárbaras convulsões sociais ao redor do mundo, como as de caráter niilista que houve no Chile e que causaram destruições bilionárias sem precedentes e danaram a infraestrutura chilena em muitas escalas, bem como repressões que custaram milhares de prisões e sangrentas mortes. Há quase dois centenares de recortes de notícias nesta segunda edição do projeto, incluindo a discussão do momento, a pandemia da COVID-19 que mata a milhares de pessoas e colapsa o mundo em diferentes frentes, com ênfase no cenário econômico.

Juntei todas as minhas forças para reunir o que encontrei de mais grave e pessimista sobre a situação da grande civilização mundial, recortes que apenas afirmam que já acabou para o humano e a civilização, não há mais volta e ele será punido com uma catástrofe extintiva que o varrerá deste planeta. As águas, os solos, as florestas, os outros animais, todas estas coisas sagradas significam nada para o humano civilizado adorador da modernidade. Coisa alguma poderá mudar o curso que a nossa espécie traçou para si mesma. Não há esperanças nem revoluções, tampouco messias que poderá deter a catarse da natureza selvagem. Merecemos o nosso próprio extermínio porque miseravelmente brincamos de deuses sem possuir grandeza para isto. Os dias por virem são pessimistas porque nós fizemos do agora o fim. Não haverão dias melhores.

Erva Daninha.

Um obituário antes da morte de nossos parentes de baleias

Tradução do texto A pre-death obituary for our whale kin, do blog The Cult of Infinity .

“O mundo dos sons das baleias reverbera nas profundezas dos mares, de centenas de metros a centenas de quilômetros. Ele é completamente alheio à paisagem sonora da humanidade, gritando e cantando no ar, onde canções e discursos não sonham em chegar tão longe. Padrões profundos e estrondosos são encontrados abaixo da superfície, e talvez a música possa nos ajudar a encontrar sentido quando as palavras e a lógica falham.” – David Rothenberg

Talvez a razão pela qual as baleias pareçam tão tristes e melancólicas seja porque elas previram o destino de sua espécie. É preciso se perguntar se elas sabiam como seria. A prática generalizada da caça às baleias e sua crueldade visceral pode tê-las levado a crer que esta seria a causa de seu desaparecimento do ecossistema, mas e se elas pudessem ter visto o seu destino, e se de alguma maneira tivessem previsto que não seria a caça, mas sim a morte lenta e dolorosa ao serem preenchidas com detritos humanos? Ou que sua linguagem e senso de direção, fundamentais para sua sobrevivência, seriam profundamente afetados pelo sonar naval? E as provas bem documentadas de armas nucleares?

A Marinha dos Estados Unidos conhecia as canções das baleias jubartes antes do público em geral. Por décadas, eles publicaram guias e treinaram cadetes sobre como reconhecer e diferenciar estes sons de outros sinais subaquáticos, como por exemplo, o ruído do radar inimigo. Claro, a observação das canções das baleias precede qualquer gravação. Elas podem ter sido a inspiração para as sereias encontradas na jornada épica de Odisseu… e é muito bonito pensar que os homens ficaram tão hipnotizados pelos gemidos e lamentos que colidiam contra penhascos e desapareciam.

Em 1585, um viajante holandês chamando Adriaen Coenen escreveu que o som das baleias beluga, também conhecidas como ‘canários marinhos’, ou baleias brancas pelos russos, era como “o canto dos humanos… se uma tempestade é iminente, elas brincam na superfície da água e é dito que elas lamentam quando são pegas… elas gostam de escutar canções tocadas por alaúde, arpa, flauta e instrumentos similares”. Como David Rothenberg observou em seu livro Thousand Mile Song, “por um longo tempo as pessoas sentiram que estes animais estão bastante intrigados com a vida humana para gostar de ouvir nossas canções.”

Elas já não ouvem mais músicas agradáveis, mas um grito tortuoso que sem dúvidas leva muitas ao suicídio. Não é um ruído do qual possam escapar, sim algo imposto, assim como a música e o som que são usados em guerras psicológicas e durante torturas. Para os cadetes da marinha, as canções eram simplesmente “evidências biológicas” que precisavam ser diferenciadas das “não biológicas”.

Embora a Marinha possa ser responsável pela interrupção das migrações devido o sonar, todo tipo de poluição acústica ameaça as baleias, e o oceano não foi menos afetado do que as criaturas terrestres pela incessante perturbação criada pelos seres humanos. As baleias, por exemplo, gravitam naturalmente em direção aos motores dos navios, o que resulta em horríveis e profundas lacerações que geralmente são fatais. Há também o som estridente da exploração sísmica de petróleo e gás.

As baleias são observadas encalhadas há séculos, no entanto não há explicações concretas sobre o porque de centenas encalharem ao mesmo tempo. Alguns especulam que a proliferação de algas vermelhas, que em 2018 devastaram a costa da Flórida, possa desempenhar um papel. Essas “marés vermelhas”, como são chamadas, foram registradas desde os anos 1500 pelos exploradores espanhóis, e são conhecidas por ocorreram após tempestades particularmente fortes. À medida que o oceano se aquece e as tempestades se tornam cada vez mais intensas, estas plantas se tornam cada vez mais tóxicas.

As baleias são frequentemente descritas como “extraterrestres”, o que é adequado. O mar profundo foi a última fronteira para a humanidade aqui na terra. A pressão das profundezas impedia que os humanos descobrissem seus segredos bem guardados. O homo sapiens é uma criatura muito curiosa, e que exige tudo do mundo não-humano. Querem saber o que estes sons significam, ou para onde vão quando desaparecem, para depois se divertir e se acasalar sem serem interrompidos por estas criaturas estranhas que os seguem e observam. As linhas entre os zoológicos e a natureza nunca foram tão porosas, e é sabido que as criaturas do zoológico exibem características ansiosas, se movem de um lado para o outro ou muitas vezes sequer se movem.

Quando as primeiras gravações de canções de baleias foram escutadas por multidões de ambientalistas na época em que o movimento internacional de conservação estava começando com o maciço “Dia da Terra”, elas tiveram um efeito hipnótico. A multidão permaneceu em silêncio enquanto ouvia a triste música que provocou o mesmo efeito de quando as primeiras imagens da própria terra foram mostradas ao mundo, isto é, uma percepção momentânea do quanto podemos perder. Mas esses sentimentos logo desapareceram, já que as pessoas saíram das ruas e começaram a promover a responsabilidade individual como a reciclagem e medidas contra a produção de lixo. O Greenpeace foi encorajado quando as canções das baleias atraíam cada vez mais pessoas a ineficazes organizações sem fins lucrativos que agora nos honram com constantes pedidos de doações ou com assinaturas em uma petição inútil. E enquanto as pessoas se enfurecem com o lixo jogado no quintal, não se importam para onde todo o lixo está indo, desde que esteja fora de vista.

Somente na Tailândia, cerca de 300 mamíferos marinhos morrem por ingestão de plástico a cada ano. Não é preciso ser um cientista para entender o que acontece com estas criaturas que recebem uma dieta constante de lixo. Seus estômagos são bloqueados com tudo o que não pode ser digerido, causando uma morte lenta, certamente agonizante devido à fome. Simplesmente não podem colocar comida de verdade em seus estômagos.

Claro, o plástico não é a única coisa que ameaça a vida dos oceanos; das baleias ao krill, do qual elas dependem, todos vivem em mares cheios de derramamentos venenosos provenientes de fábricas. A única coisa que chama a atenção para esta paródia é o sushi, cada vez mais caro, mas tóxico. A demanda por mariscos, bem como a toxicidade da carne das criaturas, nunca foi tão grande, e isso na medida em que os recursos se escasseiam. Até agora, as pessoas mais afetadas não são as que mais aparecem nos noticiários; sim os indígenas e os pobres que dependem da pesca em pequena escala para manter suas famílias, e ocasionalmente da baleia para alimentar a um povoado inteiro durante bastante tempo. No que diz respeito às práticas indígenas, o respeito dado a seu sustento permitiu uma abordagem sustentável, mas tudo foi arrastado pelas marés do progresso. Assim como nos parques nacionais com a proibição da caça, muitos povos nativos não podem continuar com suas antigas formas de se alimentar, o que por sua vez interrompe outros aspectos da cultura, uma vez que a caça e as festas comunais permitiam a coesão social.

As baleias nos deram de tudo, desde o óleo até o entretenimento, e sustentam uma massiva indústria do turismo, projetada para dar às pessoas uma ideia de sua magnificência. Suas imagens foram usadas para vender produtos e movimentos ecológicos às massas. Orcas, jubartes e golfinhos tem sido particularmente eficazes para abrir carteiras. E como retribuímos a eles? Para início de conversa, todo esse dinheiro movimentado só beneficiou os humanos, responsáveis pela destruição das baleias.

Apesar do otimismo implacável que nos empurram goela abaixo, é cada vez mais óbvio que o tempo está acabando. Não há mais tempo para elas, e não há mais para nós. No mais otimista dos cenários, as reformas podem atrasar um pouco as coisas, enquanto o homo sapiens tenta freneticamente encontrar um novo planeta para destruir. Talvez haja outro planeta com oceanos e mais baleias para se conquistar.

Este é um comprimido amargo de se engolir, mas que a humanidade deve e eventualmente engolirá.

Orangotango luta contra uma escavadeira que destrói seu habitat em Bornéu

Um vídeo captado em 2013 mostra um orangotango sobre uma das últimas árvores de sua floresta que ainda não tinham sido derrubadas por homens e máquinas. O animal corre sobre o tronco e parece tentar parar a escavadeira com as próprias mãos.

De Público:

O corte massivo de árvores em Bornéu para a extração do questionado óleo de palma é um problema ecológico descomunal. Os Orangotangos são alguns dos animais mais prejudicados pela ação do ser humano nesta ilha do sudeste asiático. Entre 1999 e 2015 sua população caiu 50%.

A organização International Animal Rescue difundiu um vídeo de 2013 em que um Orangotango ataca a uma escavadora que está devastando seu habitat, uma reação desesperadora de um animal que parece apenas querer proteger seu território e seu lar.

O desmatamento não é a única ameaça que sofrem estes animais. Se calcula que cerca de 70% da queda da população destes animais se deve a assassinatos cometidos pelos humanos. Isso significa que, em números estimados, 100.000 Orangotangos foram assassinados em áreas florestais pelas mãos do homem.

Os Orangotangos habitam as florestas das terras baixas de Bornéu, uma ilha compartilhada pela Indonésia, Malásia, Brunei e a ilha indonésia de Sumatra, comendo normalmente frutas silvestres, insetos, cascas, flores e folhas.

[SÉRIE] Nosso Planeta

Com imagens espetaculares e de altíssima qualidade da vida selvagem, o grandioso documentário Nosso Planeta traz a beleza natural de nosso planeta e mostra como as mudanças climáticas e outras ações da espécie humana têm impacto sobre todas as criaturas vivas e sobre a terra.

A série é um projeto ambicioso de oito episódios que ficou em produção durante quatro anos, realizando gravações em dezenas de países com a ajuda de uma equipe de 600 pessoas, com registros surpreendentes, arriscados e talvez nunca antes registrados da vida selvagem. A série Nosso Planeta foca na diversidade de habitats ao redor do mundo, como o remoto Ártico, as profundezas misteriosas dos oceanos, as vastas paisagens da África e as selvas variadas da América do Sul, um verdadeiro paraíso de biodiversidade com registros capazes de causar grande emoção devido à infinidade de beleza.

Em paralelo com toda a beleza selvagem exibida a série mostra também consequências das ações da espécie humana na natureza que está levando todas as outras espécies do mundo a uma extinção massiva e causando diversas alterações climáticas na terra através do aquecimento global e outras atividades destrutivas, registros realmente sensíveis e comoventes.

DOWNLOAD: Episódio 1Episódio 2Episódio 3Episódio 4Episódio 5Episódio 6Episódio 7Episódio 8

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Temperatura da Terra já é a maior dos últimos 120 mil anos

A diferença, porém, é que o aquecimento atual não tem nada de natural, sendo resultado das ações da humanidade.

Imagem mostra o efeito do aquecimento nas geleiras do Alasca. (Foto: NASA)

De Revista Galileu:

Os últimos três meses de julho na Terra foram os três mais quentes já registrados pelos cientistas. Mas, esses também podem ser os meses mais quentes que ocorreram em nosso planeta em cerca de 120 mil anos, conforme publicou Mark Kauffman, no site norte-americano Mashable.

Após o anúncio recente da NASA de que julho de 2018 foi o terceiro mês mais quente desde que o registro confiável começou em 1880, o cientista climático Stefan Rahmstorf, chefe da Análise de Sistema Terrestre do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, destacou que em julho passado também foi provavelmente um dos meses mais quentes desde o período geológico chamado de Eemiano.

Escalada das temperaturas globais. (Foto: NASA)

O período, com duração de cerca de 130.000 a cerca de 115.000 anos atrás, foi, em média, cerca de 1 a 2 graus Celsius mais quente do que é hoje.

Os hipopótamos amantes do calor percorriam a Europa atual, e os níveis do mar, devido às camadas de gelo derretido, estavam 6 a 9 metros mais altos do que hoje (grande parte da Flórida estava submersa).

O período Eemiano — e as eras do gelo antes e depois dele — eram processos naturais da Terra, explicáveis ​​através da física simples por nossa orientação ao sol da época, dizem os cientistas.

Esses eventos de aquecimento e resfriamento aconteceram gradualmente ao longo de milhares de anos. Mas o atual aquecimento rápido na Terra nos últimos 150 anos é inquestionavelmente nosso próprio feito, já que os potentes gases de efeito estufa produzidos pela queima de carvão e outros combustíveis se acumulam em nossa atmosfera.

As flutuações entre os períodos quentes e frios da Terra “duram para sempre”, disse Pat Bartlein, um paleoclimatologista da Universidade de Oregon, que pesquisou temperaturas desde a última era glacial, por e-mail ao Mashable.

“Mas o mais importante é que, desde a industrialização, fomos colocados em um cronograma completamente diferente“, disse Bartlein.

Há pouca dúvida entre os cientistas de que estamos provavelmente experimentando o clima mais quente em cerca de 120.000 anos, chegando até acima de um período particularmente quente, cerca de 7.000 anos atrás, durante um período após a era do gelo chamada Holoceno.

“Eu concordo inteiramente que é muito provável que os últimos verões tenham sido os mais quentes nos últimos ~ 100.000-115.000 anos”, David Black, um paleoclimatologista da Universidade Stony Brook, disse por e-mail. “É muito provável que tenhamos começado a exceder a parte mais quente do Holoceno”.

“É seguro dizer que é verdade”, acrescentou Jennifer Marlon, pesquisadora da Escola de Silvicultura e Estudos Ambientais da Universidade de Yale. “Você vai encontrar um consenso científico entre os especialistas, mesmo nesse ponto, agora eu aposto, o que diz muito.”

Marlon notou que durante aquele período mais quente, 7 mil anos atrás, apenas o hemisfério norte experimentou alguns verões bem quentes, “mas agora estamos mais quentes o ano todo”.

Em 2013, Rahmstorf já argumentava que o clima atual já havia ultrapassado esse período mais quente do Holoceno. E nos últimos cinco anos, o caso só ficou mais forte. “Houve mais aquecimento”, disse Rahmstorf ao Mashable. De fato, os três anos mais quentes registrados, 2015, 2016 e 2017, ocorreram desde então.

Além disso, a Terra caiu em sua última era do gelo por cerca de 90.000 anos após o fim do Eemian, uma época em que gatos com dentes de sabre, lobos medonhos e gigantescos mamutes colombianos ainda vagavam pela terra.

Não há evidências de que quaisquer pontos durante esse período mais frio tenham excedido as temperaturas médias que estamos experimentando hoje.

Enquanto a Terra continua seu ritmo acelerado de aquecimento, alguns cientistas, olhando para o que poderíamos esperar no futuro, sugeriram que a Terra pode ver condições similares às do Eemian no futuro, disse Black, o que significaria um clima dramaticamente mais quente.

Mas o Eemiano, como outros climas do passado, pode não ser um bom roteiro para onde estamos indo.

“Os seres humanos estão colocando gases de efeito estufa na atmosfera a uma taxa sem precedentes”, disse Black, acrescentando que “não há um analógico climático ideal no passado que possamos explorar para ver o que poderíamos esperar no futuro”.

A diferença crítica é o carbono

A principal diferença entre o período Eemiano e o presente, no entanto, é a quantidade de dióxido de carbono atualmente presente no ar. Hoje, as concentrações de dióxido de carbono são fenomenais – o mais alto em 800.000 anos.

Durante o Eemian essas concentrações pairavam em torno de 280 partes por milhão, ou ppm. Hoje eles estão em torno de 409 ppm. Os cientistas sabem desde o século XIX que o dióxido de carbono absorve calor, e os níveis históricos de hoje – quando comparados com os aumentos naturais de carbono no passado – estão aumentando vertiginosamente.

“O ritmo não é nem perto – isso não é natural”, Kristopher Karnauskas, um professor do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas do Colorado Boulder. Com todo esse carbono acumulando a atmosfera, o problema iminente não é simplesmente o aquecimento de hoje, mas o quanto mais aquecimento está reservado.

“Colocamos todo esse carbono no ar, agora vai demorar um pouco para que tudo fique em dia”, disse Marlon. “A grande questão é, com que rapidez tudo será recuperado?”

Como o aquecimento no último século, essas mudanças de temperatura em escala global ocorrem ao longo de décadas a séculos, disse Karnauskas. Mas já há carbono suficiente no ar para elevar consideravelmente as temperaturas. “Mesmo sob o melhor cenário, vamos dobrar o aquecimento que já vimos”, afirmou, enfatizando a necessidade de se livrar dos combustíveis fósseis.

Um grau ou dois de aquecimento – se não fizermos a transição para energias mais limpas – nos aproximaria do Eemiano, uma época que não era apenas mais quente – era um período distintamente diferente dos dias atuais. “O mundo será um mundo quente ou um mundo muito diferente?” perguntou Karnauskas.

A Amazônia Queima, e Queima Também a Consciência dos Híper-civilizados

Texto traduzido do blog Maldición Eco-extremista.

A Amazônia arde, já é notícia mundial. O fogo avança e queima tudo, e os híper-civilizados temem… Os alarmes estão ligados e nas redes sociais todos gritam aos céus: por que ninguém faz nada? Nosso planeta está morrendo!

Parece que a consciência mundial sobre o estado catastrófico em que submergimos o mundo está despertando, EM 2019! Lamentamos informar que já é tarde demais para isso, e “nosso planeta” está desgraçadamente condenado, ou melhor, “nosso mundo”, porque o planeta seguirá adiante sem nós.

Mas nós os parabenizamos, já que conseguiram fazer com que a Amazônia se tornasse trending topic no Twitter, certamente os animais mortos estarão agradecidos, e não há dúvidas de que a partir de amanhã começaremos a ver como as árvores se regeneram com base em likes e compartilhamentos. Que piada de merda…

Há algo que não resta dúvidas, a fúria é uma resposta adequada à devastação, mas não a que se indigna, sim a fúria que queima, que detona e que castiga.

Todos os dedos apontam a Bolsonaro como o maior culpado, e embora seja o caminho mais fácil, não se pode negar que o bastardo está particularmente ligado à acelerada destruição ambiental, no entanto, quantos vão além das palavras? Até onde sabemos, apenas um grupo esteve planejando a execução do bastardo. Se perguntam qual é?

Já faz muito tempo que nós vimos a crueza deste mundo, e se alguém precisa que toda a Amazônia seja queimada para se dar conta disso, que assim seja, desde que a resposta seja proporcional. O tempo das lamentações acabou, como os guerreiros da ALF já disseram: se não é você, então quem será? Se não for agora, será quando?

Ataca, queima, assassina!
Que a raiva se traduza em ódio misantrópico!
Morte à humanidade moderna!

Alguns vídeos para entender os últimos acontecimentos na região amazônica.

Índice atual de CO2 na atmosfera é o maior de todos os tempos

De acordo com análise realizada em laboratório nos Estados Unidos, esse é o maior nível de dióxido de carbono dos últimos 800 mil anos.

De Revista Galileu:

O Observatório Mauna Loa, no estado norte-americano do Havaí, detectou um índice de dióxido de carbono atmosférico de 415 partes por milhão (ppm). De acordo com os especialistas, esse nível é o maior dos últimos 800 mil anos — ou seja, é o mais alto da história da humanidade.

O meteorologista Eric Holthaus escreveu em seu Twitter, sobre a detecção: “[É a maior] Não apenas na história registrada, não apenas desde a invenção da agricultura, há 10.000 anos. [É a maior] Desde antes dos humanos modernos existirem milhões de anos atrás. Não conhecemos uma situação como essa.”

Cientistas do observatório têm medido os níveis de dióxido de carbono atmosférico desde 1958. Mas graças a outros tipos de análise, como as realizadas em bolhas de ar presas em núcleos de gelo, eles conseguiram reunir dados sobre níveis que remontam há mais de 800 mil anos. De acordo com a NASA, durante as eras glaciais, os níveis de CO2 na atmosfera estavam em torno de 200 ppm, enquanto durante os períodos interglaciais (como o que estamos vivendo neste momento) os níveis ficam em torno de 280 ppm.

Os especialistas afirmam que o ser humano é o principal culpado pela situação. Michael Mann, professor de meteorologia da Penn State University, avalia que os níveis de CO2 na atmosfera da Terra cresçam mais ou menos 3 ppm por ano: “Se você fizer as contas, bem, é bastante sério. Vamos cruzar 450 ppm em pouco mais de uma década”, disse o estudioso, de acordo com o Live Science.

Se a poluição por carbono continuar aumentando, mais calor ficará preso na Terra, o que resultará em um planeta ainda mais quente — a última vez que o planeta esteve aquecido dessa forma existiam árvores no Polo Sul, segundo pesquisadores.

Ação humana pode exterminar um milhão de espécies, segundo estudos

O impacto dos seres humanos na natureza é devastador – seja em terra, nos mares ou no céu. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Muitas espécies de animais no mar estão em declínio devido à pesca indiscriminada, diz o estudo.

De BBC:

Segundo a organização, 1 milhão de espécies de animais e vegetais estão ameaçados de extinção.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Elaborada nos últimos três anos, essa avaliação do ecossistema mundial é baseada na análise de 15 mil materiais de referência e foi compilada pela Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês). São 1.800 páginas no total.

O resumo de 40 páginas, publicado nesta segunda-feira (6), talvez seja a mais forte denúncia de como os homens trataram seu único lar.

O documento afirma que, embora a Terra tenha sofrido sempre com as ações dos seres humanos ao longo da história, nos últimos 50 anos esses arranhões se tornaram cicatrizes profundas.

A biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%.

Expansão humana

A população mundial dobrou desde 1970, a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior.

Para alimentar, vestir e fornecer energia a este mundo em expansão, florestas foram derrubadas num ritmo surpreendente, especialmente em áreas tropicais.

Entre 1980 e 2000, 100 milhões de hectares de floresta tropical foram perdidos, principalmente por causa da pecuária na América do Sul e plantações de palmeira de dendê no sudeste da Ásia.

A situação dos pântanos é ainda pior – apenas 13% dos que existiam em 1700 estavam conservados no ano 2000.

Nossas cidades se expandiram rapidamente; as áreas urbanas dobraram desde 1992.

Toda essa atividade humana está matando mais espécies do que nunca.

De acordo com a avaliação global, uma média de cerca de 25% dos animais e plantas se encontram agora ameaçados.

As tendências globais em relação às populações de insetos não são conhecidas, mas foram registrados declínios acelerados em algumas regiões.

Tudo isso sugere que cerca de 1 milhão de espécies estão à beira da extinção nas próximas décadas, um ritmo de destruição de dezenas a centenas de vezes maior do que a média dos últimos 10 milhões de anos.

“Nós documentamos um declínio realmente sem precedentes na biodiversidade e na natureza, isso é completamente diferente de qualquer coisa que tenhamos visto na história da humanidade em termos de taxa de declínio e escala da ameaça”, afirma Kate Brauman, da Universidade de Minnesota, nos EUA, uma das principais autoras e coordenadoras do estudo.

Aproximadamente 25% das espécies já estão ameaçadas de extinção.

A avaliação também revela que os solos estão sendo degradados como nunca, o que reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre do planeta.

Nosso apetite insaciável ​​está produzindo, por sua vez, uma montanha de lixo.

A poluição causada por plástico aumentou dez vezes desde 1980.

Todos os anos despejamos de 300 milhões a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos nas águas do planeta.

O que há por trás da crise?

Os autores do relatório dizem que há uma série de fatores que levaram a este cenário, apontando como principal a mudança no uso do solo.

Isso significa essencialmente a substituição de prados pela agricultura intensiva, a substituição de florestas antigas por plantações florestais ou o desmatamento de florestas para cultivar alimentos. Isso está acontecendo em muitas partes do mundo, especialmente nos trópicos.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

No mar, a situação é semelhante.

Apenas 3% dos oceanos foram descritos como livres da pressão humana em 2014.

Os peixes estão sendo explorados como nunca. Em 2015, 33% das populações de peixe foram capturadas de forma insustentável.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

A cobertura de corais vivos nos recifes caiu quase pela metade nos últimos 150 anos.

No entanto, impulsionando tudo isso, há uma demanda crescente por alimentos da população mundial em expansão e, especificamente, nosso apetite cada vez maior por carne e peixe.

“O uso da terra aparece agora como o principal fator do colapso da biodiversidade, com 70% da agropecuária relacionada à produção de carne”, diz Yann Laurans, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri, na sigla em francês).

“É hora de reconsiderar a participação da carne industrial e laticínios na nossa alimentação.”

Os outros fatores-chave são a caça e a exploração direta de animais, assim como as mudanças climáticas, a poluição e espécies invasoras.

O relatório conclui que muitos desses fatores atuam juntos para agravar a situação.

Tartaruga Marinha com um canudo de plástico dentro do nariz.

O declínio em números

Risco de extinção de espécies: aproximadamente 25% delas já estão ameaçadas de extinção na maioria dos grupos de animais e plantas analisados.

Ecossistemas naturais: diminuíram em média 47%.

Biomassa e abundância de espécies: a biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%. E os indicadores de abundância de vertebrados recuaram rapidamente desde 1970.

Natureza para os povos indígenas: 72% dos indicadores desenvolvidos pelas comunidades locais mostram uma deterioração contínua dos elementos da natureza importantes para eles.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Isso é pior que a mudança climática?

A mudança climática é um fator subjacente crucial que está ajudando a impulsionar a destruição em todo o mundo.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980 e as temperaturas subiram 0,7°C como resultado. Isso teve um grande impacto em algumas espécies, tornando sua extinção mais provável.

A avaliação global conclui que se as temperaturas subirem 2°C, então 5% das espécies estarão correndo o risco de extinção por causa do clima. Este percentual sobe para 16% se o mundo ficar 4,3°C mais quente.

Impactos são devastadores.

“Da lista dos principais fatores determinantes do declínio da biodiversidade, a mudança climática é apenas a de número três”, afirmou o professor John Spicer, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

“A mudança climática é certamente uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta em um futuro próximo – então o que isso nos diz sobre o primeiro e o segundo (fator), alterações no uso da terra/mar, e a exploração direta? A situação atual é desesperadora e há algum tempo.”

Os autores do estudo esperam que sua avaliação se torne tão decisiva para o debate sobre a perda de biodiversidade quanto o relatório do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 °C foi para a discussão sobre a mudança climática.

Baleia é encontrada morta com 40 quilos de plástico no estômago

Carcaça foi encontrada nas Filipinas. Biólogo diz que animal morreu de fome e desidratação.

Plástico é retirado do estômago de baleia morta encontrada nas Filipinas — Foto: D’Bone Collector/Facebook

De G1:

Uma baleia da espécie bicuda de Cuvier foi encontrada em Mabini, na costa das Filipinas, morta com 40 quilos de plástico em seu estômago. A informação foi divulgada pelos cientistas do grupo D’Bone Collector Museum, organização que visa educar as pessoas sobre a preservação do meio ambiente.

O biólogo marino Darrell Blatchley, fundador da organização, disse em entrevista à rede americana “CNN” que a baleia morreu de desidratação e inanição e vomitou sangue antes de morrer.

“Eu não estava preparado para a quantidade de plástico”, disse Blatchley. “Cerca de 40 quilos de sacas de arroz, sacolas de supermercado, sacolas de plantação de banana e sacolas plásticas em geral. Dezesseis sacas de arroz no total.”

Biólogo retira plásticos do estômago de baleia — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Ele ressaltou que havia tantos sacos plásticos no estômago do animal que alguns começaram a se calcificar.

Blatchley explicou que os cetáceos – uma família de mamíferos aquáticos que inclui baleias e golfinhos – não bebem água do oceano, mas obtêm a água dos alimentos que comem. Como a baleia não era mais capaz de consumir grandes quantidades de comida devido ao plástico ingerido, ela morreu de desidratação e fome.

Baleia encontrada morta nas Filipinas tinha plástico no estômago — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Em um comunicado no Facebook, a organização declarou que foi a maior quantidade de plástico que já registrou em uma baleia: “Uma lista completa dos itens de plástico seguirá nos próximos dias. Esta baleia tinha a maior quantidade de plástico que já vimos em uma baleia. É nojento. A ação deve ser tomada pelo governo contra aqueles que continuam a tratar os rios e oceanos como lixeiras”.

Urso polar faminto viaja 700 km e chega em vila na Rússia

O derretimento das geleiras impede que os ursos polares encontrem comida: cientistas afirmam que cada vez mais animais podem morrer de fome.

De Revista Galileu:

Um urso polar foi visto a 700 quilômetros de distância de seu habitat, extremamente exausto e procurando por comida, em uma vila na península russa de Kamtchatka. A aparição do animal, registrada na última quinta-feira (18) surpreendeu os moradores locais: eles o alimentaram com peixes.

A imprensa russa reportou que o animal teria viajado de Chukotka, região no extremo leste da Rússia, até a vila onde foi encontrado. Um vídeo flagrou o aparecimento do urso:

No ano passado, um estudo publicado na revista Science revelou que ursos polares estão morrendo de fome devido ao geletimento de geleiras, utilizada como uma plataforma para caçar focas. Para não morrer de fome, a única saída para os animais é procurar por alimentos em terra firme.

“Devido a mudanças climáticas, o Ártico está ficando mais quente e o ambiente se torna cada vez menor e conveniente. O gelo está derretendo e os ursos polares procuram por meios de sobrevivência. E pela melhor maneira de chegar até às pessoas”, contou o chefe do programa ártico do Greenpeace Rússia, Vladimir Chuprov.

Autoridades russas de Kamtchatka estão formulando um plano para resgatar o urso utilizando sedativos para desacordá-lo e levá-lo de helicóptero até seu habitat natural.

Tartaruga Marinha Emerge do Mar Para Desovar e Encontra Praia Transformada em Aeroporto

O réptil à beira de extinção teve que optar por esse lugar estranho devido às mudanças provocadas pela atividade dos seres humanos nas ilhas Maldivas.

De Sputnik News:

Uma tartaruga verde surpreendeu realmente muitos moradores de Mandhoo, uma das ilhas Maldivas, tentando depositar seus ovos no meio da pista do aeroporto de Maafaru, segundo o jornal local The Edition.

Segundo uma fonte citada pela edição, o animal tentou encontrar um ninho apropriado para desovar e, sem encontrá-lo, depositou seus ovos no asfalto, onde ficaram sem qualquer proteção. Depois de terminar o processo, a tartaruga voltou para o oceano.

Na imagem, publicada por uma das testemunhas, o réptil foi fotografado ao lado de três ovos que estão na pista, enquanto um homem, aparentemente empregado do aeroporto, está observando a cena.

Segundo explica o jornal, o incidente demonstra mais uma vez as consequências devastadoras da intervenção humana na fauna oceânica. O crescimento econômico que as Maldivas estão sofrendo afeta a natureza do arquipélago, alertam os ecologistas locais.

As tartarugas verdes são uma espécie em vias de extinção que está distribuída pelos oceanos tropicais e subtropicais. Uma de suas particularidades é que as fêmeas sempre desovam no mesmo lugar em que nasceram. E um dos locais de nidificação mais comuns para elas é a ilha de Mandhoo.

Encontrado o Selo de Uma Marca de Cigarros Dentro de Uma Medusa

O selo impresso numa tira de celofane e perfeitamente legível é um alerta de que o plástico está em toda a parte.

Ainda é possível observar o selo, impresso numa tira de celofane, da empresa tabaqueira Philip Morris no interior do corpo de uma medusa. – Fotografia por Alexander Semenov.

De National Geographic:

Se observar de perto com atenção, poderá identificar facilmente as palavras Philip Morris International. O nome da empresa tabaqueira pode ser visto na tira translúcida de celofane, que envolve a embalagem de um maço de cigarros, e que foi fotografada no interior do corpo de uma medusa-luminescente, Pelagia noctiluca, encontrada nas águas do mar Mediterrâneo.

Os animais marinhos navegam num campo minado ao tentar evitar o plástico no oceano. Mais de oito milhões de toneladas de lixo plástico acabam anualmente nas águas oceânicas, sendo difícil às criaturas marinhas, como a medusa, evitá-lo.

Em abril último, um estudo publicado na revista Scientific Reports divulgou a primeira evidência de plástico no corpo de uma medusa.

A medusa foi encontrada nas águas do Mediterrâneo em 2016 por um grupo de cientistas que participava na expedição Aquatilis, uma viagem de pesquisa, com a duração de três anos, levada a cabo com o propósito de explorar os oceanos do planeta. No estudo, os investigadores referiram ter encontrado várias medusas-luminescentes, Pelagia noctiluca, com vários tipos de plástico presos no interior da umbela – parte superior do corpo em forma de campânula – ou nos tentáculos ao longo do corpo.

A análise dos 20 espécimes capturados ao abrigo da pesquisa permitiu observar que quatro medusas apresentavam lixo plástico no sistema digestivo, levando os cientistas a supor que as medusas tenham confundido o plástico com alimento.

“Pelo que parece, as medusas adoram o plástico”, afirma um dos autores do estudo, Armando Macali, um ecologista da Universidade de Tuscia, em Itália. Macali afirma que ele e os seus colegas estão convencidos de que a medusa não largou o plástico, porque estava a tentar comê-lo.

Estudos anteriores revelaram que são comuns os casos de animais marinhos que consomem lixo plástico. Os cientistas acreditam que os animais consomem detritos plásticos, porque algumas das formas e dimensões desses detritos partilham semelhanças com as suas presas: as tartarugas ingerem sacos de plástico semelhantes a medusas, e os peixes comem plásticos do tamanho de um bago de arroz semelhantes às pequenas presas de que se alimentam.

O plástico do oceano também tem um odor apetitoso para algumas criaturas marinhas. Em 2016, um estudo da revista Science Advances revelou que algumas algas crescem com facilidade no plástico do oceano, e a decomposição deste material liberta um odor designado por dimetilsulfureto que atrai os animais famintos.

Não é clara a razão da atração das medusas pelo plástico, afirma Macali. Ao fim de algum tempo a flutuar nas águas do oceano, o plástico começa a acusar desgaste, e finas películas microbianas tendem a revestir a sua superfície. Macali acredita que estas películas microbianas ou algumas moléculas presentes no processo de decomposição do plástico possam atrair as medusas.

Macali tenciona expor as medusas a vários tipos de lixo plástico em condições laboratoriais, no âmbito de novas experiências. O ecologista acredita que, se os cientistas conseguirem identificar especificamente os elementos presentes no plástico que atraem os animais, talvez seja possível trabalhar em parceria com os fabricantes para que produzam plástico menos atrativo para os organismos marinhos.

Os cientistas realçam que é um mau sinal para a saúde da medusa a ingestão de uma tira de celofane. As medusas-luminescentes podem consumir 50 por cento do seu peso corporal, e está provado que a ingestão de plástico em excesso pode conduzir à morte lenta de muitos animais por subalimentação.

Dado que as medusas servem de alimento a muitas outras espécies de animais de maior porte, que navegam nas águas do Mediterrâneo, a presença de lixo plástico nos seus corpos pode ter impactos semelhantes na saúde dos seus predadores. O atum-rabilho, um dos maiores predadores da medusa-luminescente, é capturado com frequência, servindo de alimento a pessoas e animais, o que significa que os fragmentos microscópicos ingeridos pelas medusas podem acabar nos estômagos de espécies de maior porte, incluindo nós, humanos.

É um problema complexo, cuja escala os investigadores ainda tentam perceber, afirma Macali. Compreender a forma como as medusas interagem com o plástico que navega em águas oceânicas será apenas uma peça de um puzzle maior, acrescenta.

“Se queremos entender o destino do plástico no oceano, temos de começar pela base da cadeia alimentar.”

A Terra Inóspita

Artigo do site Eco-debate de autoria de José Eustáquio Diniz Alves que por sua vez comenta outro artigo publicado na New York Magazine, o The Uninhabitable Earth.

A revista New York Magazine (NYMag) publicou, no dia 09/07/2017, uma matéria denominada “The Uninhabitable Earth” – pintando no pior cenário, um Armagedon climático – que se tornou viral e foi comentada amplamente em diversos países e passou a ser o artigo mais lido da revista (ver o link no final desse artigo). Infelizmente, pouco se falou sobre o assunto no Brasil. A matéria, com chamada de capa, feita a partir de entrevistas com cientistas renomados, traz uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. A repercussão foi enorme. Houve muita comoção pelo tom apocalíptico, reproduzido por uma grande revista que tem respeitabilidade e repercussão imediata.

O texto começa assim: “It is, I promise, worse than you think” (Prometo, é pior do que você pensa). O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.

Desta forma, o jornalista David Wallace-Wells realmente conseguiu assustar. A seguir segue uma tentativa de resumir alguns dos principais pontos da matéria.

Na primeira parte, denominada “Apocalipse, espiando além da reticência científica” o autor explica que a ansiedade sobre os efeitos do aquecimento global em relação à elevação do nível do mar, é justificável, mas apenas arranha a superfície dos horrores que podem acontecer no espaço de tempo da vida de um adolescente de hoje. A elevação do nível dos oceanos é ruim, muito ruim, mas fugir do litoral é um problema menor. Na ausência de um ajuste significativo de como bilhões de seres humanos produzem e consomem, partes da Terra provavelmente se tornarão inabitáveis ​​e outras partes ficarão terrivelmente inóspitas, antes do final deste século.

David Wallace-Wells diz que até mesmo pessoas que reconhecem as mudanças climáticas são incapazes de compreender seu alcance. No inverno passado, em diversos dias, a temperatura do Polo Norte ficou 60 a 70 graus mais quentes do que o normal, derretendo o PERMAFROST. Até recentemente, o permafrost não era uma grande preocupação dos cientistas, porque, como o nome sugere, era um solo permanentemente congelado. Mas o permafrost do Ártico contém 1,8 trilhão de toneladas de carbono, mais do dobro do que atualmente está suspenso na atmosfera terrestre. Quando se descongela e é liberado, esse carbono pode evaporar-se como o metano, que é 34 vezes mais poderoso do que o CO2. Ou seja, mesmo que a humanidade pare de emitir gases de efeito estufa nas atividades industriais e nos automóveis, o efeito feedback do metano do permafrost pode elevar a temperatura a níveis infernais. Na Antártica não é diferente. O “parto” da Plataforma Larsen C é mais um dos sinais de alarme.

A ocupação, dominação e exploração humana sobre os ecossistemas, juntamente com efeito estufa e a acidificação dos solos e das águas está provocando a 6ª extinção em massa das espécies. O Antropoceno é como uma “máquina de guerra”, todos os dias, o ser humano coloca mais munição. Atualmente, estamos adicionando carbono na atmosfera a uma taxa extremamente elevada. Isto é o que Stephen Hawking tinha em mente quando disse que a nossa espécie precisa colonizar outros planetas no próximo século para sobreviver e o que levou Elon Musk a anunciar seus planos para a colonização do planeta Marte.

Na segunda parte da matéria da NYMag, “O calor mortal, transformando Nova Iorque em Bahrain”, David Wallace-Wells mostra que os seres humanos, como todos os mamíferos, são motores de calor. Sobreviver significa ter que esfriar continuamente, como cães ofegantes. Para isso, a temperatura precisa ser suficientemente baixa para que o ar atue como uma espécie de refrigerador, extraindo calor da pele para que o motor possa continuar bombeando. Mas as ondas mortais de calor estão tornando a vida impossível em algumas regiões, pois em temperaturas muito altas, dentro de horas, um corpo humano seria cozido até a morte por dentro e por fora.

O autor reporta que na região açucareira de El Salvador, cerca de um quinto da população tem doença renal crônica, o resultado presumido da desidratação de trabalhar nos campos. Desde 1980, o planeta experimentou um aumento de 50 vezes no número de locais com calor perigoso ou extremo. Um aumento maior virá em breve. Os cinco verões mais quentes da Europa desde 1500 ocorreram desde 2002 e, em breve, simplesmente estar ao ar livre, nessa época do ano será insalubre para grande parte do globo. A quatro graus, a onda mortal de calor europeia de 2003, matou 2.000 pessoas por dia. Mesmo que atingindo os objetivos de Paris de dois graus de aquecimento, cidades como Karachi e Calcutá se tornarão próximas a inabitáveis. A crise será mais dramática no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, onde, em 2015, o índice de calor registrou temperaturas tão altas que a sensação térmica chegou a 163 graus Fahrenheit (72º C). Assim, num futuro próximo, o Hajj se tornará fisicamente impossível para os 2 milhões de muçulmanos que fazem a peregrinação a cada ano a Meca.

Na terceira parte da matéria da NYMag, “O fim da comida, rezando por campos de milho na tundra”, David Wallace-Wells diz que nas culturas de cereais os rendimentos da colheita diminuem 10% para cada grau de aquecimento. O que significa que, para uma população de 11 bilhões de habitantes, poderemos ter 50% menos de grãos para oferecer. E o efeito do aquecimento global sobre as proteínas animais serão pior. A perda de solos será dramática, especialmente nos trópicos. A seca pode ser um problema ainda maior do que o calor, com algumas das terras mais aráveis ​​do mundo passando rapidamente para o deserto. O quadro já é preocupante hoje, com a ONU alertando de que 20 milhões de pessoas podem morrer de fome na Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Nigéria.

Na quarta parte da matéria da NYMag, “Pragas climáticas, o que acontece quando o gelo bubônico derrete”, David Wallace-Wells relata que o gelo funciona como um livro do clima, mas também é uma história congelada, com pragas armazenadas que podem ser reanimados quando descongelados. Atualmente, estão presos no gelo do Ártico, doenças que não circularam no ar há milhões de anos. O que significa que nosso sistema imunológico não teria ideia de como lutar quando essas pragas pré-históricas emergem do gelo. O Ártico também armazena insetos aterrorizantes nos tempos mais recentes. Já no Alasca, pesquisadores descobriram os restos da gripe de 1918 que infectaram até 500 milhões e mataram cerca de 100 milhões de pessoas – cerca de 5% da população mundial e quase seis vezes mais do que morreram na Primeira Guerra Mundial.

Na quinta parte da matéria da NYMag, “Ar irrespirável, uma poluição (smog) mortal que atinge milhões de pessoas”, David Wallace-Wells considera que até o final do século, os meses mais legais da América do Sul tropical, da África e do Pacífico provavelmente serão mais quentes do que os meses mais quentes no final do século XX. Nossos pulmões precisam de oxigênio, mas isso é apenas uma fração do que respiramos. Com o aumento da concentração de CO2, em comparação com o ar que respiramos agora, a capacidade cognitiva humana diminui em 21%. Em 2090, cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão respirando um ar poluído, acima do nível “seguro” definido pela OMS. Documentos mostram que, entre outros efeitos, a exposição da mãe grávida ao ozônio aumenta o risco de autismo da criança. Já morrem cada dia mais de 10 mil pessoas das pequenas partículas emitidas pela queima de combustível fóssil. A cada ano, 339 mil pessoas morrem de fumaça de incêndios, em parte porque a mudança climática prolongou a temporada de fogo florestal. O que preocupa ainda mais as pessoas é o efeito que teria sobre as emissões, especialmente quando os incêndios provocam uma queda nas florestas decorrentes da turfa. Os incêndios são especialmente ruins na Amazônia que sozinha fornece 20% do nosso oxigênio. O “airpocalypse” chinês de 2013 tem afetado as atividades econômicas do país e foi responsável por um terço de todas as mortes na China.

Na sexta parte da matéria da NYMag, “Guerra perpétua, a violência cozida no calor”, David Wallace-Wells relata que os climatologistas são muito cuidadosos ao falar sobre a Síria e querem crer que, embora a mudança climática tenha produzido uma seca que contribuiu para a guerra civil, não é justo dizer que o conflito é o resultado do aquecimento. Mas há pesquisadores que conseguiram quantificar algumas das relações não óbvias entre temperatura e violência: para cada meio grau de aquecimento, eles dizem, as sociedades verão entre um aumento de 10 e 20% na probabilidade de conflitos armados.

Na sétima parte da matéria da NYMag, “Colapso Econômico Permanente, tenebroso capitalismo em um mundo meio pobre”, David Wallace-Wells ridiculariza o mantra do neoliberalismo de que “o crescimento econômico nos salvaria de todos e de tudo”. Mas no rescaldo da crise financeira de 2008, um crescente número de historiadores que estudam o que chamam de “capitalismo fóssil” começaram a sugerir que toda a história do rápido crescimento econômico, que começou um pouco antes do século 18, não é o resultado da inovação, mas simplesmente da descoberta dos combustíveis fósseis e todo o seu poder energético. Com o pico do petróleo, voltaremos a uma economia do “estado estacionário”. Além do mais, cada grau Celsius de aquecimento custa, em média, 1,2% do PIB. Os limites ambientais devem levar a economia global à estagnação secular.

Na oitava parte da matéria da NYMag, “Oceanos Envenenados, Sulfeto de hidrogênio e o esqueleto”, David Wallace-Wells declara que o mar se tornará um assassino. O nível do mar vai subir no mínimo um metro. Um terço das principais cidades do mundo estão na costa, para não mencionar suas usinas de energia, portos, bases da marinha, terras agrícolas, pescas, deltas de rios, pântanos e plantações de arroz. O naufrágio das benfeitorias é apenas o começo. No momento, mais de um terço do carbono do mundo é absorvido pelos oceanos – ainda bem, ou então teríamos muito mais aquecimento. Mas o resultado é o que se denomina “acidificação do oceano”, que, por si só, pode aumentar meio grau de aquecimento neste século. Há também o “branqueamento de corais” – isto é, morte de corais – que é uma notícia muito ruim, porque os recifes suportam tanto quanto um quarto de toda a vida marinha e fornecem alimentos para meio bilhão de pessoas. Acidificação dos oceanos frita as populações de peixes. Nas águas ácidas, as ostras e os mexilhões terão dificuldade em cultivar suas conchas. Quando o pH do sangue humano cai tanto quanto o pH dos oceanos, induz convulsões, comas e morte súbita. A absorção de carbono pode iniciar um ciclo de feedback em que as águas sub-oxigenadas produzem diferentes tipos de micróbios que tornam a água ainda mais “anóxica”, primeiro em “zonas mortas” do oceano profundo, depois gradualmente em direção à superfície.

Na nona parte da matéria da NYMag, “O Grande Filtro, nossa curiosidade atual não pode durar”, David Wallace-Wells pondera que não existe uma vontade de esclarecer os efeitos da mudança climática. Certamente essa cegueira não durará, pois, o mundo que estamos prestes a habitar não o permitirá. Em um mundo de seis graus mais quente, o ecossistema terrestre vai ferver com tantos desastres naturais. Os furacões mais fortes virão com mais frequência, e teremos de inventar novas categorias para descrevê-los.

Em síntese, o autor considera que é preciso avaliar melhor os danos já causados ​​ao planeta. A Terra pode ficar inabitável, pois são muitos os processos que estão afetando a capacidade de sobrevivência da humanidade. Provavelmente, a Terra não ficará desabitada, mas a qualidade de vida da população mundial poderá reduzir bastante em um Planeta degradado. O Holoceno garantiu 10 mil anos de estabilidade climática. O Antropoceno e a grande aceleração das atividades antrópicas estão desequilibrando o clima e transformando a biosfera em um habitat inóspito e inabitável.

Indubitavelmente, David Wallace-Wells conseguiu assustar muita gente. Mas, principalmente, conseguiu fazer as pessoas discutirem os cenários negativos para os quais o mundo está caminhando na medida que mantém o atual modelo de produção e consumo, sem respeitar o fluxo metabólico entrópico e os limites do meio ambiente.

Creio que vale a pena ler o artigo “The Uninhabitable Earth” e as centenas de respostas que foram publicadas logo a seguir. Para contribuir com a discussão indico abaixo algumas referências das pessoas que concordaram, aquelas que discordaram do tom, mas concordam com os perigos potenciais do aquecimento global e aquelas que discordam:

Artigos que defendem o uso de uma linguagem catastrófica como forma de alerta:

JOE ROMM. We aren’t doomed by climate change. Right now we are choosing to be doomed, 11/07/2017 https://thinkprogress.org/climate-change-doomsday-scenario-80d28affef2e

KEVIN DRUM. Our Approach to Climate Change Isn’t Working. Let’s Try Something Else. 10/07/20017

http://www.motherjones.com/kevin-drum/2017/07/our-approach-to-climate-change-isnt-working-lets-try-something-else/

Steve Rousseau. Did New York Magazine Make Its Climate Change Story Too Scary? 10/07/2017

http://digg.com/2017/nymag-climate-change-david-wallace-wlls

SUSAN MATTHEWS. Alarmism Is the Argument We Need to Fight Climate Change. New York magazine’s global-warming horror story isn’t too scary. It’s not scary enough, 10/07/2017

http://www.slate.com/articles/health_and_science/science/2017/07/we_are_not_alarmed_enough_about_climate_change.html

ROBERT HUNZIKER. Uninhabitable Earth? 14/07/2017

https://www.counterpunch.org/2017/07/14/uninhabitable-earth/

Ian Johnston. Earth could become ‘practically ungovernable’ if sea levels keep rising, says former Nasa climate chief, 14/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/earth-sea-levels-rising-nasa-climatechange-chief-jim-hansen-global-warming-melting-ice-antarctica-a7841026.html

Artigos que consideram sérias as ameaças, mas não defendem o uso de uma linguagem catastrófica:

ROBINSON MEYER. Are We as Doomed as That New York Magazine Article Says? Why it’s so hard to talk about the worst problem in the world, JUL 10, 2017

https://www.theatlantic.com/science/archive/2017/07/is-the-earth-really-that-doomed/533112/

Eric Holthaus. Stop scaring people about climate change. It doesn’t work. Jul 10, 2017

http://grist.org/climate-energy/stop-scaring-people-about-climate-change-it-doesnt-work/

Michael E. Mann, Susan Joy Hassol and Tom Toles. Doomsday scenarios are as harmful as climate change denial, 12/07/2017

https://www.washingtonpost.com/opinions/doomsday-scenarios-are-as-harmful-as-climate-change-denial/2017/07/12/880ed002-6714-11e7-a1d7-9a32c91c6f40_story.html?utm_term=.bbe40a9986d6

Michael Le Page. Uninhabitable Earth? In fact, it’s really hard to fry the planet. A controversial article says we’re heading for the worst-case warming scenarios. But while we can’t rule out extreme warming, it’s not our most likely future, 12 July 2017

https://www.newscientist.com/article/2140496-uninhabitable-earth-in-fact-its-really-hard-to-fry-the-planet/

JOHN TIMMER Climate scientists push back against catastrophic scenarios. In both the popular and academic press, scientists argue against worst cases. 12/07/2017

https://arstechnica.com/science/2017/07/climate-scientists-push-back-against-catastrophic-scenarios/

Ian Johnston. Climate change doomsday warning of ‘rolling death smog’ and ‘perpetual war’ criticised by scientists, Independent, 13/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/climate-change-doomsday-scenario-new-york-magazine-perpetual-war-rollnig-death-smog-critics-a7838991.html

David Roberts. magazine climate story freak you out? Good. It’s okay to talk about how scary climate change is. Really, 11/07/2017

https://www.vox.com/energy-and-environment/2017/7/11/15950966/climate-change-doom-journalism

Judith Curry. Alarm about alarmism, July 15, 2017

https://judithcurry.com/2017/07/15/alarm-about-alarmism/

Artigos contra o tom catastrófico e que acreditam que ainda há esperança

EMILY ATKIN. The Power and Peril of “Climate Disaster Porn”. Climate scientists say New York magazine’s cover story about global warming is unnecessarily apocalyptic. But can fear help the planet? July 10, 2017

https://newrepublic.com/article/143788/power-peril-climate-disaster-porn

Warner Todd Huston. NY Magazine Claims Planet Earth Will Soon Become Uninhabitable, Turns Into Giant Mess, 11/07/2017

https://www.youngcons.com/ny-magazine-fires-back-at-claims-its-global-warming-article-lacks-scientific-basis/?ref=FacebookPost

Rachel Becker. Why scare tactics won’t stop climate change. Doomsday scenarios don’t inspire action, 11/07/2017

https://www.theverge.com/2017/7/11/15954106/doomsday-climate-science-apocalypse-new-york-magazine-response

Oren Cass. Truth Is Just a Detail. Pundits invested in climate-change alarmism praise even shoddy work—as long as it comes to the right conclusions. July 11, 2017

https://www.city-journal.org/html/truth-just-detail-15316.html

ANDREW FREEDMAN. No, New York Mag: Climate change won’t make the Earth uninhabitable by 2100, 11/07/2017

http://mashable.com/2017/07/10/new-york-mag-climate-story-inaccurate-doomsday-scenario/#Wbc4Dd3xwPqz

Climatefeedback. Scientists explain what New York Magazine article on “The Uninhabitable Earth” gets wrong, 12/07/2017

https://climatefeedback.org/evaluation/scientists-explain-what-new-york-magazine-article-on-the-uninhabitable-earth-gets-wrong-david-wallace-wells/

Mark Tercek. Don’t Panic, Do Act: A Climate Resource With Real Solutions, 14/07/2017

http://www.huffingtonpost.com/entry/dont-panic-do-act-a-climate-resource-with-real-solutions_us_5968c5dde4b06a2c8edb45d6

Entrevista com David Wallace-Wells sobre o artigo “The Uninhabitable Earth”

REBECCA FISHBEIN Are Humans Doomed? A Q&A With The Author Of NY Mag’s Terrifying Climate Change Story`, 10/07/2017

http://gothamist.com/2017/07/10/climate_change_ny_mag.php

Wikipedia. The Uninhabitable Earth, 11/07/2017

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Uninhabitable_Earth

Referências:

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth. Famine, economic collapse, a sun that cooks us: What climate change could wreak — sooner than you think. NYMag, 09/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans.html

Versão revisada e comentada do artigo pelo próprio autor

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth, Annotated Edition. The facts, research, and science behind the climate-change article that explored our planet’s worst-case scenarios, 14/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans-annotated.html

Mundo perdeu 60% dos animais selvagens em 40 anos, alerta estudo

Relatório da WWF apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais sobre os ecossistemas e a biodiversidade da Terra.

De Exame:

São Paulo – A biodiversidade planetária está ameaçada. Populações globais de animais selvagens diminuíram em média 60% em pouco mais de 40 anos, de acordo com o relatório “Planeta Vivo 2018”, da organização não governamental WWF (World Wildlife Fund).

O relatório apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais na vida selvagem, florestas, oceanos, rios e clima. Ao mesmo tempo, chama atenção para a curta janela de tempo para ação e a necessidade urgente de adoção em larga escala de novas abordagens para a valorização, proteção e restauração da natureza.

O estudo reitera a ameaça já sublinhada no recente relatório do Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC): estamos no meio de uma crise planetária causada por atividades humanas e estamos fazendo pouco para mudar a rota.

O que está causando a perda global de espécies?

A degradação ambiental e perda de habitat devido à agropecuária e à superexploração de espécies continuam sendo as maiores ameaças à biodiversidade e ecossistemas terrestres e marinhos em todo o mundo. Segundo o estudo, apenas um quarto das terras do Planeta estão livres dos impactos das atividades humanas e esse número deverá cair para apenas um décimo até 2050.

Essas ameaças são particularmente evidentes nos trópicos, resultando em uma perda mais significativa da vida selvagem nessas áreas, principalmente nas Américas Central e do Sul, onde a redução chega a 89% desde 1970. No caso do Brasil, ainda somos a maior fronteira de desmatamento do mundo — perdemos 1,4 milhão de hectares de vegetação natural por ano.

Nos últimos 50 anos, 20% da vegetação da Amazônia já desapareceu. Especialistas indicam que se o desmatamento total alcançar 25%, esse bioma chegará ao “ponto de não retorno”, podendo entrar em colapso.

O relatório aponta também a região do Cerrado como uma das maiores frentes de desmatamento no mundo. Além das perdas para a biodiversidade, o desmatamento no bioma põe em risco a segurança hídrica do país, uma vez que as águas que nascem no Cerrado alimentam seis das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras e alguns dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo.

Outra ameaça crescente é a mudança climática, que afeta ecossistemas e espécies, e que pode dobrar a curva da perda de biodiversidade até o final do século. A mudança de uso do solo, principalmente o desmatamento, é o maior fator de emissão de gases de efeito estufa do Brasil, contribuindo assim para o aquecimento global. Entre 1990 e 2013, a mudança de uso do solo foi responsável por 62,1% do total de emissões do país, segundo o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

[DOCUMENTÁRIO] Terra

Terra é um deslumbrante documentário que relata a rica diversidade da vida na natureza selvagem em suas mais diversas manifestações desde os primórdios. A produção que faz um paralelo entre passado e presente narra e ilustra a evolução da espécie humana junto a outras e como nossa espécie chegou ao atual estado de inconsciência capaz de atirar ao abismo toda a vida na Terra através civilização e do progresso.

Antes o que era só mais uma espécie dentre milhões acabou por fazer com que o mundo girasse em torno de si em detrimento de todas as outras, ela se alienou de seu ambiente natural e criou para si um terreno estranho e doente, capaz de contaminar e adoecer a todo o resto. Terra é sobre isso, sobre as características deslumbrantes da natureza selvagem e a capacidade catastrófica da espécie humana para destruir a sua existência e a de outras espécies engolidas por um extincionismo abismal.

Por mais que o final do documentário advogue por um otimismo tolo com a mensagem barata de “vamos nos juntar para fazer algo e mudar o rumo da civilização”, como se não fosse a própria civilização e o seu progresso o problema, a produção narra e cobre belos momentos no mundo selvagem, ela é capaz de despertar ira. Tola em alguns, extremista a outros.

Você pode assistir o documentário dublado em português logo abaixo, mas se quiser, pode também baixá-lo neste link.

Lembramos que não hospedamos nesta plataforma qualquer tipo de arquivo ilícito ou não autorizado, e todo o material aqui compartilhado é extraído de fontes públicas na web.

Animais estão se tornando mais noturnos para evitar os humanos

Espécies diurnas de todo o planeta aumentaram sua atividade durante a noite, quando há menos presença humana.

Um grupo de javalis procura comida numa rua de Barcelona. Laurent Geslin

De El País:

Animais que há milhões de anos exercem hábitos diurnos estão trocando o dia pela noite. Sejam grandes ou pequenos, de floresta ou de savana, predadores ou presas, em todo o planeta as espécies estão transferindo a maior parte da sua atividade para o horário noturno. Um amplo estudo aponta a expansiva presença humana como a causa de dessas mudanças que podem transtornar a dinâmica de ecossistemas inteiros.

O impacto dos humanos sobre a vida selvagem tem muitas arestas. A mais evidente é a redução do espaço disponível para os animais à medida que a espécie humana foi se expandindo pelo globo. Além disso, esses espaços naturais são cada vez mais reduzidos e esquartejados, e sua qualidade se reduz a cada nova infraestrutura que os cerca. Uma das consequências de tudo isto é que os animais se movem cada vez menos nas zonas com presença humana e se refugiam em áreas cada vez mais diminutas. Mas há outra forma de se esconder das pessoas: só sair quando elas vão dormir.

Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos comprovou o caráter global dessa translação da vida animal para os horários em que o grande predador diurno descansa. Reunindo os resultados de dezenas de estudos sobre os movimentos de 60 espécies de mamíferos nos cinco continentes, os cientistas comprovaram que onde há uma perturbação humana os mamíferos têm 1,36 vez mais atividade noturna, em média. Isto significa que um animal que, sem perturbações, distribuiria em partes iguais suas atividades entre o dia e a noite aumentaria sua atividade noturna em até 68%.

“Há indícios de que animais de todas as partes estão ajustando seus patrões de atividade diária para evitar os humanos no tempo, já que é cada vez mais difícil para eles nos evitar no espaço”, diz a autora principal do estudo, Kaitlyn Gaynor, da Universidade de Califórnia em Berkeley (EUA). “Como as pessoas são mais ativas durante o dia, os animais estão passando para a noite”, acrescenta. Essa mudança se produz seja no caso de herbívoros ou grandes carnívoros, como o tigre. O padrão se repete tanto nos mamíferos menores, como o saruê, como em alguns que chegam a pesar mais de 3,5 toneladas, como o elefante africano.

O mais chamativo dessa análise, publicada na revista Science, talvez seja que os animais estão se tornando mais noturnos independentemente do nível de perigo que os humanos representam. “Esperávamos encontrar uma tendência de aumento da atividade noturna nas proximidades dos humanos, mas nos surpreendeu a consistência dos resultados. Os animais respondem a todos os tipos de perturbação humana, sem importar se realmente representam uma ameaça direta”, acrescenta.

O trabalho de Gaynor se baseia em dezenas de estudos que usaram diversas técnicas de rastreamento dos movimentos dos animais (balizas, colares com emissores de rádio, GPS, armadilhas fotográficas e observação direta) diante de um leque de presenças humanas, de excursionistas a caçadores, passando por campos de cultivo e estradas. Um desses estudos rastreou uma espécie oportunista, a raposa, pelas terras de Castela-La Mancha (centro-sul da Espanha), numa série de entornos de menor (parque nacional de Cabañeros) ou maior presença humana (arredores de Ciudad Real).

“Embora seja um animal crepuscular, quanto mais perturbação humana havia, mais a raposa tendia a reduzir sua atividade diurna”, diz o biólogo Francisco Díaz, da Universidade de Málaga, e coautor daquele estudo. Para as raposas mais noturnas, produzia-se um desajuste temporal com sua principal presa, o coelho, eminentemente diurno. Por sorte delas, as raposas estão entre os animais que melhor se adaptam ao meio. “Mas há outras espécies com milhões de anos de adaptação a uma conduta diurna que não são tão plásticos”, recorda Díaz.

As consequências dessa mudança de tantas espécies para a noite ainda são incertas. Em princípio, pareceria que deixar o dia para os humanos facilitaria a coexistência deles com os animais. Mas uma mudança tão generalizada e rápida de padrões de atividade moldados durante milênios pode alterar todo um ecossistema. “No caso dos predadores não adaptados a caçar de noite, poderia ocorrer um aumento da população dos ungulados que eram suas presas, o que afetaria a disponibilidade de cobertura vegetal, produzindo um efeito em cascata”, comenta a pesquisadora Ana Benítez, da Universidade Radboud, da Nijmegen, nos Países Baixos.

Para a ecóloga espanhola, que também investigou os diferentes impactos humanos sobre a vida animal, o mais relevante desta pesquisa é que ela confirma uma hipótese exposta nos anos 1960 pelo biólogo Fritz R. Walther: “Os animais respondem igualmente perante os humanos, sempre nos veem como predadores”, comenta. Isso leva a questionar se o impacto de um caçador pode ser o mesmo que o de um excursionista amante da natureza. Para Gaynor, sua pesquisa “sugere que basta a nossa mera presença para interferir nos padrões naturais de conduta”.

Um quarto dos vertebrados do mundo morrem por interferência humana

Pesquisadores descobriram que a humanidade é responsável por 28% de todos os vertebrados terrestres que morrem.

De Revista Galileu:

Efeito desproporcional: foi assim que uma equipe de cientistas da Faculdade SUNY de Ciências Ambientais e Florestais (FSE), em Nova York, e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos descreveu a influência dos seres humanos nas mais 35 mil espécies de vertebrados existentes.

Em estudo publicado no periódico Global Ecology and Biogeography os cientistas explicam que analisaram as mortes de 42.755 animais relatadas em 1.114 estudos publicados e, a partir disso, descobriram que 28% delas foram diretamente causadas ​​por seres humanos.

”Todos sabemos que os humanos podem ter um efeito substancial na vida selvagem”, disse um dos autores, Jerrold L. Belant. “Somos apenas uma entre as 35 mil espécies de vertebrados terrestres no mundo, mas responsáveis ​​por mais de um quarto de suas mortes. Isso fornece uma perspectiva de quão grande o nosso efeito realmente é.”

Ele continua: “E isso é apenas causas diretas. Quando você também considera o crescimento urbano e outras mudanças no uso da terra que reduzem o habitat, fica claro que os humanos têm um efeito desproporcional sobre outros vertebrados terrestres”.

Os pesquisadores concluíram que os seres humanos são um dos principais contribuintes para a mortalidade de vertebrados terrestres. Quanto maior e mais velho o animal, maior a probabilidade de ser morto por humanos.

Segundo eles, 75% da superfície terrestre é afetada pela atividade humana. “É um alerta”, disse Belant. “Considere as taxas de desmatamento e o branqueamento dos recifes de coral devido ao aumento da temperatura do mar. Esta é mais uma evidência a ser acrescentada à lista. Mais um exemplo do impacto que estamos impondo ao planeta.”

Especialista em sons da natureza adverte: o mundo animal está cada vez mais silencioso

Segundo ele, a orquestra da natureza é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber.

De Revista Galileu:

O músico americano Bernie Krause já gravou com lendas como Bob Dylan, George Harrison e Stevie Wonder. Nos últimos 47 anos, porém, dedica-se a outro tipo de música: a orquestra da natureza. Krause se especializou em bioacústica e grava os sons de animais em florestas, mares, pântanos e desertos em várias partes do mundo. Hoje, ele possui um centro de pesquisa dos sons do mundo animal, com mais de quatro mil horas de gravações e 15 mil espécies em seu habitat natural.

O trabalho de Krause tem um valor inestimável já que, à medida que florestas são desmatadas e o clima se transforma, boa parte de seu trabalho é composto de sons que não existem mais. “Tudo está mudando por causa do aquecimento global, o nível dos mares e o desmatamento em geral. Metade dos meus arquivos vêm de habitats que ou foram radicalmente transformados pela ação do homem ou já estão em silêncio. Metade desses arquivos você já não pode ouvir de outra forma”, diz. Em entrevista a GALILEU, Krause explicou por que ele acredita que o mundo natural é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber. Confira:

GALILEU: Antes de se dedicar à “orquestra da natureza” você era músico. O que o fez mudar de carreira?

Eu até conheci Tom Jobim e tivemos muitas discussões sobre isso também. Eu entrei nessa área porque como um músico eu sempre trabalhava em ambientes fechados e eu queria trabalhar ao ar livre. Em 1967, desisti da música de vez e fiz minha especialização em bioacústica, o estudo do som de animais vivos, e desde então trabalho na área. O que eu descobri no ramo dos animais foi a origem da vida, algo que o Tom fez, na verdade. Boa parte de suas músicas se baseiam nos sons da Mata Atlântica que ele ouviu ao crescer no Rio de Janeiro.

Você acha que nosso conceito de música é inspirado na natureza?

Toda nossa música é inspirada pelos sons da natureza porque somos mímicos. Nós aprendemos a imitar o que ouvimos no mundo ao nosso redor. Quando vivemos mais perto do mundo natural, organizamos os sons como os animais o fazem, imitamos o som solo de animais como pássaros e mamíferos e tiramos música daí. Quando começamos, éramos uma parte pequena da orquestra animal, porque precisávamos organizar esses sons para mostrar que fazíamos parte do mesmo grupo, para sobreviver.

Você tem experiência gravando os sons da natureza brasileira?

Eu gravei os sons de muitos lugares no Brasil, como Minas Gerais, Amazônia, a Mata Atlântica, eu fui ao Brasil muitas vezes e graveis em vários locais diferentes. Meu lugar preferido é a Amazônia porque lá o som é muito mais rico. É verdadeiramente mágico. Na Mata Atlântica, o problema é que o habitat foi tão prejudicado que é muito complicado gravar lá, você simplesmente não encontra mais muita diversidade.

Estamos enfrentando um sério problema de desmatamento na Amazônia agora também. Você tem uma comparação entre os sons da Amazônia ao longo de alguns anos?

Faz muito tempo que eu não vou ao Brasil, quero voltar à Amazônia, mas ainda não consegui financiamento para isso. O que sabemos é que, ao gravar sons naturais, você pode interpretar muito rapidamente as consequências da atividade humana, e as pessoas têm muito medo disso. Muitas indústrias não querem isso, então é muito difícil de conseguir financiamento. Porque mostra muito rapidamente os resultados do desmatamento, realmente mostra o antes e o depois das atividades do homem.

Por que usar gravadores e não câmeras para arquivar os sons da natureza?

Com uma câmera, é muito fácil enquadrar uma imagem que faz com que um habitat pareça saudável, mesmo quando ele não está. Já os microfones gravam em 360 graus, o habitat completo, e o som mostra uma perspectiva completa. O que eu falo aos meus alunos é que uma foto pode valer mil palavras, mas um som vale mais que mil imagens, porque o som nos fala a verdade, quantas espécies de pássaros, mamíferos, insetos e répteis estão ativos no lugar.

O silêncio é o som da extinção?

Nos anos 1960, uma mulher chamada Rachel Carson escreveu um livro chamado “A Primavera Silenciosa”, no qual ela explica o que vai acontecer se o mundo natural ficar silencioso por causa do homem. O que eu vejo é que estamos nos aproximando não só de uma primavera silenciosa, mas inverno, outono e verão silenciosos.

Mesmo em uma floresta densa como a da Amazônia, se você cortar apenas algumas árvores ali, as consequências serão sentidas em grande escala pelos animais que ocupam esse lugar há muito tempo. Ou seja, um efeito profundo no som que será sentido muito rapidamente. Nós temos que pensar nas formas como estamos afetando esses lugares e perguntar a nós mesmos se é isso o que queremos, o silêncio do mundo natural. São organismos vivos, essa é a vida de onde viemos, se a aniquilarmos, estaremos destruindo a vida à nossa volta. Essa é a voz divina, as pessoas falam em religiões, mas essa é a voz divina que está implorando por proteção. As nossas vidas dependem dela.

Confira, abaixo, a comparação de sons gravados por Bernie Krause em áreas que tiveram algumas áreas derrubadas:

Insetos enfrentam extinção em massa — e vão trazer tudo abaixo consigo

Pequeninos e muitas vezes ignorados, os insetos são as pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres. Se sumirem, fique certo: eles não vão sozinhos.

Ameaça: uso desmedido de agroquímicos é uma das razões para declínio. (Florian Gaertner/Getty Images)

De EXAME:

São Paulo – Mais de 40% das espécies de insetos do mundo podem ser extintas nas próximas décadas, com consequências “catastróficas” para o meio ambiente e a manutenção da própria vida na Terra.

O alerta vem de um estudo publicado na revista Biological Conservation e que fez uma revisão de 73 pesquisas globais sobre o declínio de insetos.

A lista de populações mais afetadas é liderada por borboletas, abelhas, mariposas, vespas, formigas e besouros escaravelhos, insetos essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, preenchendo funções críticas como a predação e a polinização.

Há uma série de razões pelas quais esses animais estão em apuros. O estudo cita a perda de habitat devido à conversão de terra para a “agricultura intensiva”, poluição agroquímica e mudança climática como as principais razões para o rápido declínio.

“As repercussões que isso terá para o meio ambiente do Planeta são, no mínimo, catastróficas, já que os insetos estão na base estrutural e funcional de muitos dos ecossistemas do mundo”, diz um trecho do estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, Universidade de Queensland e a Academia Chinesa de Ciências Agrárias.

Há mais de um milhão de espécies de insetos no mundo, em comparação com pouco mais de 5 mil mamíferos, e essas espécies funcionam como pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres.

Sem os insetos, tudo viria a baixo, o que os cientistas chamam de “cascata trófica de baixo para cima”, levando ao colapso da cadeia alimentar, que se espalharia pelos ecossistemas em   uma espiral que atingiria desde predadores até plantas. Em outras palavras: não sobraria nada para sustentar a vida como a conhecemos.

Segundo o estudo, metade das espécies de mariposas e borboletas estudadas está em declínio, com um terço delas ameaçadas de extinção. Enquanto isso, quase metade das abelhas e formigas pesquisadas estão ameaçadas

O estudo recomenda várias mudanças para retardar ou interromper o declínio de insetos, incluindo uma drástica redução no uso de produtos químicos nos campos, como herbicidas, fungicidas e pesticidas, que quando aplicados atingem espécies não-alvo, e os neonicotinóides, que têm sido associados ao declínio mundial das abelhas.

Combater a mudança climática também é vital. Quase invisíveis no debate climático, os insetos são as criaturas que mais sofreriam perdas na sua distribuição no globo em um mundo mais quente. Um aumento de 3,2 graus Celsius no termômetro até o final do século poderia reduzir em 49% o alcance geográfico dos insetos, em 44% das plantas e 26% dos vertebrados, alerta um estudo publicado em 2018 na revista Science.

A vulnerabilidade dos insetos se soma à série de desventuras do processo que os cientistas caracterizam como a sexta extinção em massa na Terra.

Nos 500 milhões de anos de existência do Planeta, houve cinco extinções em massa, que levaram ao desaparecimento de 75% das espécies.

A mais famosa de todas, segundo a hipótese mais proeminente, ocorreu a 65 milhões de anos, com o impacto de um asteroide que teria destruído a vida por aqui.

Na sexta edição do cataclisma, porém, o algoz é o próprio ser humano e suas atividades nocivas ao meio ambiente.

Desde o alvorecer da civilização, a humanidade causou a perda de 83% de todos os mamíferos selvagens. Nos últimos 50 anos, as populações de todos os mamíferos selvagens, aves, répteis e peixes caíram em média 60%.

Nesse contexto, o declínio dos insetos é um golpe fatal no complexo elo de sustentação da vida. O alerta já está dado: se eles sumirem, vai todo mundo junto.

O apetite humano ameaça a megafauna que resta

Cerca de 150 espécies de grandes animais estão em risco de extinção por sua carne, barbatanas, chifres ou ovos.

Secagem de barbatanas de tubarão no telhado de uma edificação na China. Sam Tsang/South China Morning Post via Getty Images

De El País:

Para os imperadores chineses da dinastia Song (960-1279 desta era) a sopa de barbatana de tubarão já era uma iguaria. Na qualidade de um prato influía a dificuldade de obter seus ingredientes, e capturar um esqualo perigoso devia ser uma grande oferenda ao imperador. Além disso, acreditava-se em uma espécie de transmutação, pela qual a força e a ferocidade do animal passavam para quem comia sua carne. Tais atavismos transformaram este prato em um símbolo de status. Até recentemente, na China, todos os casamentos, jantares de negócios ou banquetes oficiais que se prezassem deveriam incluir sopa de barbatanas de tubarão. E mesmo considerando que esses adendos têm pouco sabor e o principal ingrediente do caldo é o frango.

Cerca de trinta espécies de tubarões, peixes-serra, tubarões-martelo e outros peixes cartilaginosos estão ameaçados de extinção por causa do desejo de muitos chineses de agradar a seus hóspedes. De acordo com um estudo recente sobre ameaças à megafauna, eles fazem parte do grupo dos grandes vertebrados mais perseguidos. Existem cerca de 200 espécies de animais de grande porte que estão perdendo população e 150 delas estão em risco de extinção por culpa de vários apetites humanos.

“Nosso estudo mostra que, além da perda ou degradação do habitat, a caça direta por humanos é a maior ameaça para os maiores animais do mundo”, diz o professor de ecologia da Universidade do Estado do Oregon (EUA) e principal autor do estudo, William Ripple. “Há muitas causas pelas quais os humanos estão matando a megafauna.” Às vezes, é para subsistência, às vezes para interesses comerciais, em outras, para fins medicinais ou simples hobby, às vezes a morte é intencional e às vezes não intencional, por captura acidental”, acrescenta.

A investigação, publicada na Conservation Letters, catalogou como megafauna os mamíferos e peixes de mais de 100 quilogramas e os anfíbios, répteis e pássaros que excedem 40 quilos. Encontraram um total de 292 espécies com dados suficientes sobre o seu estado de conservação e seus riscos principais. Seus resultados mostram que 70% das espécies de megafauna estão perdendo população e 59% estão ameaçadas de extinção, com algumas em risco crítico. Dois dados confirmam que os seres humanos se nutrem dos maiores animais: entre as espécies de todos os tamanhos, metade perde população e um quinto está ameaçada.

Entre a dezena de ameaças, além da perda de habitat, os pesquisadores analisaram o impacto de espécies invasoras, poluição, desmatamento, avanço da agricultura, mudanças climáticas … Embora muitas espécies sofram impactos de várias frentes, a caça está presente em 98% das ameaçadas. O item caça também inclui pesca.

“O consumo é muito grave. Inclui um enorme tráfico ilegal de subsistência e comercial para os mercados legais e ilegais”, diz o pesquisador Gerardo Ceballos, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México e coautor do estudo. “É parte do que chamamos de ‘aniquilação da natureza’. A maior parte deste consumo se deve a dois fatores: a miséria em que vive um grande número de pessoas no planeta e a ganância das máfias, principalmente asiáticas (chinesas), que dominam o mercado negro.”

Exemplar da salamandra-gigante-da-China no zoológico de Londres. Se sua captura não cessar, peritos avaliam que somente a criação fora de seu entorno original garantirá a sobrevivência da espécie. Luke Harding ZSL

Há espécies caçadas por sua carne, pele, penas e até mesmo os ovos, como o avestruz somali, colocado em extremo perigo pela caça de subsistência. Em outras, a condenação está em seus ornamentos, e isso vem de longe, como acontece com elefantes e rinocerontes. Mas é a comida, geralmente de pratos supostamente requintados, que está matando muitos dos poucos animais de grande porte que restam. Entre essas iguarias está a carne da salamandra-gigante-da-China, o único anfíbio da lista, o único grande anfíbio que resta.

“A situação das populações da salamandra-gigante-da-China é absolutamente crítica”, diz Samuel Turvey, pesquisador do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres. Autor de vários livros sobre extinções causados por humanos, Turvey participou entre 2013 e 2016 de uma extensa campanha para conhecer o status desse anfíbio. Foram realizados estudos de campo em 97 condados da China e entrevistados cerca de 3.000 moradores. “Não encontramos nenhuma salamandra gigante na natureza”, diz o zoólogo britânico, que não tomou parte do estudo da megafauna. As únicas que eles viram foram espécimes fugidos de fazendas onde são criadas como gado.

Embora este animal esteja há muito tempo sob risco de extinção, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, as autoridades chinesas ainda não proibiram sua captura (fora das áreas protegidas) e seu consumo. Talvez o caso dos tubarões possa servir como referência: com eles a pressão sobre a oferta parece não funcionar, mas, sim, as ações para reduzir sua demanda.

Na maioria dos países, e também na China, a pesca de algumas espécies é proibida, mas não a de outras, e as barbatanas dos tubarões são muito parecidas com as de outros animais. Uma pesquisa recente da Universidade de Hong Kong, principal porto e mercado desses apêndices, mostrou que pelo menos um terço das barbatanas pertencia a espécies que aparecem ameaçadas na Lista Vermelha.

“Os dados apontam que as capturas mundiais de tubarões superaram um milhão de toneladas por ano, mais do que o dobro de seis décadas atrás. Esta superexploração ameaça hoje quase 60% das espécies de tubarões, a maior proporção entre todos os vertebrados”, disse em uma nota a bióloga Yvonne Sadovy, da universidade da ex-colônia britânica.

“A exclusividade de um produto natural combinada com a sua reduzida disponibilidade em liberdade aumenta seu preço e o torna um produto atraente para as redes de negócios, incluindo o extenso tráfego ilegal, que se mostrou muito difícil de ser controlado pelas autoridades”, acrescentou.

No entanto, de acordo com estatísticas oficiais, o consumo de barbatanas de tubarão na China caiu 80% nos últimos anos. De acordo com um relatório da organização ambientalista e ativista WildAid, a importação dessas partes do animal teve redução similar. Em um contexto em que tanto a Europa quanto os Estados Unidos perseguem esse comércio, a pressão das organizações conservacionistas levou o Governo chinês a retirar a sopa de tubarão de seus banquetes oficiais. As campanhas contra este prato por parte de organizações como a WildAid decolaram com os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Hoje as principais redes hoteleiras o tiraram de seus cardápios e começa a ser malvisto festejar o casamento com este caldo.

A solução, portanto, poderia estar no combate à demanda com a arma da educação. Peter Knights, CEO da WildAid, explica: “Nossas campanhas, apoiadas pelas mídias governamentais e lideradas por ícones como Yao Ming [ex-jogador da NBA] e outras celebridades chinesas mudaram as atitudes do público em relação às barbatanas de tubarão. Quando as pessoas estão informadas sobre o declínio das populações de tubarões e seu impacto sobre a saúde dos ecossistemas marinhos, e descobrem a crueldade na forma de capturá-los, a sopa dá mais vergonha do que prestígio.”

Humanos representam 0,01% dos seres vivos e mataram 83% dos mamíferos

Estudo revela que plantas são principal forma de vida da Terra e que humanos foram responsáveis pelo fim de diversas espécies.

De Revista Galileu:

Apesar de representarem apenas 0,01% dos seres vivos do planeta, os humanos são responsáveis pela destruição de muitas espécies. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, revela, inclusive, que a espécie humana acabou com 83% dos mamíferos selvagens da Terra.

Publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa compila os tipos de biomassa — matéria orgânica — dos reinos animais. “A análise revela uma visão holística da composição da biosfera e nos permite observar padrões de categorias taxonômicas e locais geográficos”, escrevem os cientistas.

Esse é o primeiro relatório a estimar a quantidade de todos os tipos de criaturas vivas. “Eu fiquei surpreso em descobrir que não ainda não existia uma estimativa compreensiva e holística de todos os componentes da biomassa”, disse o pesquisador Ron Milo, do Instituto de Ciência Wrizmann, em entrevista ao jornal The Guardian.

Milo e sua equipe compilaram dados de diversas fontes, como da Organização Internacional de Comida e Agricultura, por exemplo, para estimar a biomassa de cada país e como a industrialização, o êxodo rural e o uso de novas tecnologias pelos humanos colaborou para o fim de outras espécies animais.

Os cientistas concluiram que os 7,6 bilhões de pessoas representam somente 0,01% dos seres vivos, as bactérias, 13% e o restante das criaturas, como insetos, fungos e outros animais equivalem a 5% da biomassa do planeta. O que sobra é das plantas: segundo o estudo, elas representam 82% da matéria viva.

Atualmente, 70% das aves e 60% dos mamíferos do planeta foram criados em cativeiro, enquanto 30% dos pássaros são selvagens, 36% dos mamíferos são humanos e os 4% restantes são selvagens. Ainda de acordo com o relatório, 86% das espécies se encontram em terra, 13% abaixo de superfícies (como bactérias, por exemplo) e somente 1% nos oceanos.

[VÍDEO] ¿Cómo No?

¿Cómo No? é um vídeo publicado na web que compila um punhado de danos provocados pela civilização e o ser humano moderno à natureza selvagem. O texto adjunto ao vídeo foi também extraído da web.

Como não odiar as petroleiras? Como não desejar a sua destruição? Como não sentir raiva diante dos atentados contra a Terra? Como não querer atacar a desprezível mineração? Como não sentir asco pela devastação nuclear? Como não amaldiçoar a sua prática? Como não rechaçar o cristianismo? Como não continuar com a Guerra Ancestral? Como não clamar por vingança? Como não querer ver mortos os religiosos? Como não incendiar seus malditos templos e suas putas imagens? Como esquecer o que fez o invasor? JAMAIS! Como não vomitar com as inovações tecnológicas? Como não odiar a alienação moderna? Como não ver a loucura civilizada nisso tudo? Como não querer esfaquear a todos os híper-civilizados? Robôs miseráveis! Como não sentir asco dos estereótipos?

O ser humano moderno é um lixo, não tem salvação nem solução alguma. Está destinado a sua lenta artificialização. O ser humano moderno esqueceu que é um animal… Foi seduzido pela não-violência progressista. Os eco-extremistas reconhecem que são animais domésticos ainda com instintos assassinos, como todos os exemplos no vídeo.

[PT – VÍDEO] Catarse – Dias Melhores Nunca Virão

Este projeto foi publicado na web por Erva Daninha juntamente com o texto adjunto. Encontramos valor nas palavras e no texto que têm poder reflexivo e de alerta. Confira abaixo.

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Este projeto é sobre o agora, o mesmo agora de há três anos atrás quando ele foi produzido e esquecido. Esta edição é sobre os gritos de dor de um planeta que morre pelas mãos de um animal chamado humano e indiferente com a beleza do mundo. Juntei todas as minhas forças naquele momento para reunir o que encontrei de mais grave e pessimista sobre a situação ecológica da terra, recortes que apenas afirmam que já acabou para o humano e a civilização, não há mais volta e ele será punido com uma catástrofe extintiva que o varrerá deste planeta. As águas, os solos, as florestas, os outros animais, todas estas coisas sagradas significam nada para o humano civilizado adorador da tecnologia moderna. Coisa alguma poderá mudar o curso que a nossa espécie traçou para si mesma. Não há esperanças nem revoluções, tampouco messias que poderá deter a catarse da natureza selvagem. Merecemos o nosso próprio extermínio porque miseravelmente brincamos de deuses sem possuir grandeza para isto. Os dias por virem são pessimistas porque nós fizemos do agora o fim. Não haverão dias melhores.

Erva Daninha.