O Eco-terrorismo e o Paradoxo da Loucura Total

Tradução de El Ecoterrorismo y la Paradoja de la Locura Total, escrito por Jorge Andrés Cash, advogado e magistrado em direito ambiental pela Universidade do Chile. Alguns tópicos planteados por Jorge já foram discutidos em outros textos como o “Salvar o Mundo” como a maior forma de Domesticação, de Chahta-Ima. Notas Sobre a Extinção de Abe Cabrera também levanta uma questão de destaque no texto. A primeira entrevista de ITS e o vigésimo nono comunicado também contribuem. O autor menciona sobre a necessidade de um diálogo e discussão do problema. ITS faz isso a seu modo bastante particular, suas entrevistas, textos e propagandas demonstram isso, e em um passado distante foi mais aberto ao diálogo, mas isso só provou o quão tola é a outra via. Não se pode esperar que o grupo se dobre a propostas otimistas e reformistas vindas dos civilizados, já que tem bem claro consigo de que não há alternativas nem saídas a não ser a oposição extremista a todo o progresso humano, e ele não carece de dados, toda a sua literatura mostra isso, chegando a rejeitar até as mais radicais propostas como mostra a análise “Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica.

Não é possível recorrer a qualquer definição que permita explicar e, portanto, entender, o que é “eco-terrorismo” ou o que ele representa. É antes um neologismo tão amplo que pode incluir um tipo de terrorismo cujo propósito em relação ao meio ambiente pode ser tanto a proteção do “todo” e ao mesmo tempo do “nada”.

Este conceito que não tem uma definição oficial e só foi confusamente descrito pelo FBI como “o uso ou ameaça de uso da violência de natureza criminal contra vítimas inocentes de uma propriedade por grupos subnacionais com orientações ecologistas a favor do meio ambiente ou por razões políticas, ou destinada a um público além do alvo, frequentemente de caráter simbólico”, não fornece suficiência conceitual para compreendê-lo desde sua denominação.

Consequentemente, uma estrutura lógica de pensamento nos obriga a ponderar adequadamente a necessidade de levar a sério o conceito de “eco-terrorismo”, primeiro para entender do que estamos falando, e depois para decidir a relevância que é dada à conclusão que se obtenha. Assim, dada a ausência de uma fonte normativa para o “eco-terrorismo” e a confusa definição do FBI, é preciso subtrair as ideias que poderiam estar subjacentes ao conceito, de modo que emerjam para uma análise mais aprofundada, de maneira individual ou ideológica, a mais pura possível.

Sem o dito anteriormente, todas as agências de inteligência, por mais profundo que cavem, não poderão encontrar nenhuma pista, simplesmente porque não saberão o que estão buscando.

Para ilustrar o contexto geral da análise, é necessário remontar os anos de 1976 e 1992. Estas datas correspondem ao nascimento dos grupos mundialmente conhecidos como “eco-terroristas”. A Frente de Libertação Animal (F.L.A.) e a Frente de Libertação da Terra (F.L.T.), respectivamente, ambos originários do Reino Unido. A F.L.A. foi descrita como uma ameaça terrorista interna na Grã-Bretanha e foi declarada pelo FBI como uma das 10 principais organizações terroristas do país.

Por sua parte, a F.L.T. foi classificada como a maior ameaça terrorista nos Estados Unidos pelo FBI em março de 2001, e realizou ataques em mais de uma dúzia de países. Ambas as organizações estão categorizadas como “eco-terroristas”. No entanto, a atividade terrorista que estas organizações desenvolveram, e que exorbitam intensamente fins protetores com relação ao meio ambiente, são insuficientes para se chegar a uma ideia ou conjunto de ideias que permita cristalizar um conceito complexo e altamente desafiador para as agências de inteligência moderna.

Da mesma forma, não só a falta de uma “fonte oficial” para o “eco-terrorismo” complica a tarefa de entender o conceito e abordá-lo , mas também, e talvez o mais complexo, a relativização que foi feita de sua existência, em que muitos atribuem os ataques realizados em seu nome a conspirações próprias de ficção científica.

Uma destas teorias diz que o “eco-terrorismo” surgiu no âmbito da elaboração do Relatório Brundtland em 1987, que deu origem ao conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. Este conceito que tem permitido ancorar universalmente a necessidade de equilibrar o crescimento econômico, a igualdade social e a proteção ambiental, teria tido como base uma deliberada pesquisa sobre a pobreza, através da diminuição do consumo de recursos e do controle dos níveis de mortalidade.

Esta ideia conspirativa teria começado a tomar forma nos anos 70, a partir do “Relatório Kissinger”, que advertia sobre o perigo do crescimento da população mundial e como afetaria negativamente os EUA o consumo dos recursos do planeta que o país estima como “suas” reservas. Portanto, em nosso país devemos ser claros, como o primeiro elemento de análise, que os atentados perpetrados pelo grupo “eco-terrorista” denominado “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (I.T.S.), cuja origem remonta a 2011 e possui presença no Chile, México, Argentina, Brasil, Grécia, Reino Unido, Espanha, entre outros países, tiveram como objetivo matar pessoas, circunstância que acelera imperativamente a necessidade de se compreender do que falamos quando nos referimos a “eco-terrorismo”.

Neste sentido, a organização mencionada, de acordo com seus próprios manifestos, afirma que a destruição da espécie humana, irremediavelmente alienada, constitui a única possibilidade para salvar o planeta. Isso, porque quando exterminada a espécie, um novo ser humano nascerá e o planeta terá sobrevivido. Expressam esta ideia, entre outras formas, da seguinte maneira: “… quando não restar mais água potável e estiver ela toda contaminada, quando todas as florestas morrerem, e os mares e rios secarem, saberão que a loucura não estava em se opor a esta forma de vida, mas em perpetuá-la”.

Ante o fundamentalismo irredutível do qual se planteiam, o que toca então, consiste em entender que o “eco-terrorismo” não responde a uma concepção niilista nem anárquica, mas sim, o contrário, a um método extremo de salvação do habitat de nossa espécie, cuja arquitetura ideológica, parece obedecer a perda total da esperança, da fé e do amor, no entanto, paradoxalmente, ancorada em uma valorização purista do natural, que deixou o desenvolvimento material e espiritual do individuo como fins circunstanciais à sua existência.

Desta forma, diante dos insondáveis fins que podem ser encontrados na exegese do “eco-terrorismo” como uma necessidade de política pública, e ante a improvável circunstância de se chegar a um conceito suficiente, é necessário concordar que, ao menos no Chile, a ameaça é clara: se trata de um grupo terrorista, altamente ideológico, intelectualmente superior, de alta capacidade e conhecimento informático e em uma guerra declarada contra uma espécie humana, cuja alienação mental impossibilita o diálogo.

Diante do exposto, se cai no absurdo trágico, que a “organização sistemática” e “o civilizado” os qualifique como personagens anárquicos e alienados, cuja batalha carece de total sentido. E, inversamente, este grupo terrorista perdeu a esperança no “organizado” e estima que o razoável é exterminá-lo. Se o paradoxo é tão absurdo, devemos concluir que a única forma de encontrar a “verdade” na salvação de nosso habitat e do natural, exige uma nitidez total das contradições, propósito que só é possível através do diálogo.

A renúncia ao diálogo, por ambas os lados, não só deixaria em evidência uma alienação total dos intelectuais do “organizado” e das células intelectuais “eco-terroristas”, mas também uma extinção parcial de nossa espécie: dos líderes. Das pessoas que, apesar do extremo, dos dogmas, da negação total do possível e da posição social que tenham, são capazes de persuadir com a entidade moral e ética de suas ideias, para aqueles que teoricamente se encontram em rota de colisão com o “correto”.

A carga moral do que dizem defender os obriga a elevar o diálogo ao mais alto nível de importância. Caso contrário, permanecerão na história como terroristas comuns que, diante da negação do diálogo, desacreditarão e contaminarão os esforços daqueles que realmente se importam pelo cuidado do meio ambiente e que combatem a brutal predação da natureza.

Portanto, diante do absurdo paradoxo da alienação total compartilhada entre o “organizado” e os “eco-terroristas”, isso só pode unicamente ligar o “eco-terrorismo” a um conceito taticamente ambíguo, para abrigar fins obscuros e estranhos à causa ambiental.

A Terra Inóspita

Artigo do site Eco-debate de autoria de José Eustáquio Diniz Alves que por sua vez comenta outro artigo publicado na New York Magazine, o The Uninhabitable Earth.

A revista New York Magazine (NYMag) publicou, no dia 09/07/2017, uma matéria denominada “The Uninhabitable Earth” – pintando no pior cenário, um Armagedon climático – que se tornou viral e foi comentada amplamente em diversos países e passou a ser o artigo mais lido da revista (ver o link no final desse artigo). Infelizmente, pouco se falou sobre o assunto no Brasil. A matéria, com chamada de capa, feita a partir de entrevistas com cientistas renomados, traz uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. A repercussão foi enorme. Houve muita comoção pelo tom apocalíptico, reproduzido por uma grande revista que tem respeitabilidade e repercussão imediata.

O texto começa assim: “It is, I promise, worse than you think” (Prometo, é pior do que você pensa). O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.

Desta forma, o jornalista David Wallace-Wells realmente conseguiu assustar. A seguir segue uma tentativa de resumir alguns dos principais pontos da matéria.

Na primeira parte, denominada “Apocalipse, espiando além da reticência científica” o autor explica que a ansiedade sobre os efeitos do aquecimento global em relação à elevação do nível do mar, é justificável, mas apenas arranha a superfície dos horrores que podem acontecer no espaço de tempo da vida de um adolescente de hoje. A elevação do nível dos oceanos é ruim, muito ruim, mas fugir do litoral é um problema menor. Na ausência de um ajuste significativo de como bilhões de seres humanos produzem e consomem, partes da Terra provavelmente se tornarão inabitáveis ​​e outras partes ficarão terrivelmente inóspitas, antes do final deste século.

David Wallace-Wells diz que até mesmo pessoas que reconhecem as mudanças climáticas são incapazes de compreender seu alcance. No inverno passado, em diversos dias, a temperatura do Polo Norte ficou 60 a 70 graus mais quentes do que o normal, derretendo o PERMAFROST. Até recentemente, o permafrost não era uma grande preocupação dos cientistas, porque, como o nome sugere, era um solo permanentemente congelado. Mas o permafrost do Ártico contém 1,8 trilhão de toneladas de carbono, mais do dobro do que atualmente está suspenso na atmosfera terrestre. Quando se descongela e é liberado, esse carbono pode evaporar-se como o metano, que é 34 vezes mais poderoso do que o CO2. Ou seja, mesmo que a humanidade pare de emitir gases de efeito estufa nas atividades industriais e nos automóveis, o efeito feedback do metano do permafrost pode elevar a temperatura a níveis infernais. Na Antártica não é diferente. O “parto” da Plataforma Larsen C é mais um dos sinais de alarme.

A ocupação, dominação e exploração humana sobre os ecossistemas, juntamente com efeito estufa e a acidificação dos solos e das águas está provocando a 6ª extinção em massa das espécies. O Antropoceno é como uma “máquina de guerra”, todos os dias, o ser humano coloca mais munição. Atualmente, estamos adicionando carbono na atmosfera a uma taxa extremamente elevada. Isto é o que Stephen Hawking tinha em mente quando disse que a nossa espécie precisa colonizar outros planetas no próximo século para sobreviver e o que levou Elon Musk a anunciar seus planos para a colonização do planeta Marte.

Na segunda parte da matéria da NYMag, “O calor mortal, transformando Nova Iorque em Bahrain”, David Wallace-Wells mostra que os seres humanos, como todos os mamíferos, são motores de calor. Sobreviver significa ter que esfriar continuamente, como cães ofegantes. Para isso, a temperatura precisa ser suficientemente baixa para que o ar atue como uma espécie de refrigerador, extraindo calor da pele para que o motor possa continuar bombeando. Mas as ondas mortais de calor estão tornando a vida impossível em algumas regiões, pois em temperaturas muito altas, dentro de horas, um corpo humano seria cozido até a morte por dentro e por fora.

O autor reporta que na região açucareira de El Salvador, cerca de um quinto da população tem doença renal crônica, o resultado presumido da desidratação de trabalhar nos campos. Desde 1980, o planeta experimentou um aumento de 50 vezes no número de locais com calor perigoso ou extremo. Um aumento maior virá em breve. Os cinco verões mais quentes da Europa desde 1500 ocorreram desde 2002 e, em breve, simplesmente estar ao ar livre, nessa época do ano será insalubre para grande parte do globo. A quatro graus, a onda mortal de calor europeia de 2003, matou 2.000 pessoas por dia. Mesmo que atingindo os objetivos de Paris de dois graus de aquecimento, cidades como Karachi e Calcutá se tornarão próximas a inabitáveis. A crise será mais dramática no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, onde, em 2015, o índice de calor registrou temperaturas tão altas que a sensação térmica chegou a 163 graus Fahrenheit (72º C). Assim, num futuro próximo, o Hajj se tornará fisicamente impossível para os 2 milhões de muçulmanos que fazem a peregrinação a cada ano a Meca.

Na terceira parte da matéria da NYMag, “O fim da comida, rezando por campos de milho na tundra”, David Wallace-Wells diz que nas culturas de cereais os rendimentos da colheita diminuem 10% para cada grau de aquecimento. O que significa que, para uma população de 11 bilhões de habitantes, poderemos ter 50% menos de grãos para oferecer. E o efeito do aquecimento global sobre as proteínas animais serão pior. A perda de solos será dramática, especialmente nos trópicos. A seca pode ser um problema ainda maior do que o calor, com algumas das terras mais aráveis ​​do mundo passando rapidamente para o deserto. O quadro já é preocupante hoje, com a ONU alertando de que 20 milhões de pessoas podem morrer de fome na Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Nigéria.

Na quarta parte da matéria da NYMag, “Pragas climáticas, o que acontece quando o gelo bubônico derrete”, David Wallace-Wells relata que o gelo funciona como um livro do clima, mas também é uma história congelada, com pragas armazenadas que podem ser reanimados quando descongelados. Atualmente, estão presos no gelo do Ártico, doenças que não circularam no ar há milhões de anos. O que significa que nosso sistema imunológico não teria ideia de como lutar quando essas pragas pré-históricas emergem do gelo. O Ártico também armazena insetos aterrorizantes nos tempos mais recentes. Já no Alasca, pesquisadores descobriram os restos da gripe de 1918 que infectaram até 500 milhões e mataram cerca de 100 milhões de pessoas – cerca de 5% da população mundial e quase seis vezes mais do que morreram na Primeira Guerra Mundial.

Na quinta parte da matéria da NYMag, “Ar irrespirável, uma poluição (smog) mortal que atinge milhões de pessoas”, David Wallace-Wells considera que até o final do século, os meses mais legais da América do Sul tropical, da África e do Pacífico provavelmente serão mais quentes do que os meses mais quentes no final do século XX. Nossos pulmões precisam de oxigênio, mas isso é apenas uma fração do que respiramos. Com o aumento da concentração de CO2, em comparação com o ar que respiramos agora, a capacidade cognitiva humana diminui em 21%. Em 2090, cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão respirando um ar poluído, acima do nível “seguro” definido pela OMS. Documentos mostram que, entre outros efeitos, a exposição da mãe grávida ao ozônio aumenta o risco de autismo da criança. Já morrem cada dia mais de 10 mil pessoas das pequenas partículas emitidas pela queima de combustível fóssil. A cada ano, 339 mil pessoas morrem de fumaça de incêndios, em parte porque a mudança climática prolongou a temporada de fogo florestal. O que preocupa ainda mais as pessoas é o efeito que teria sobre as emissões, especialmente quando os incêndios provocam uma queda nas florestas decorrentes da turfa. Os incêndios são especialmente ruins na Amazônia que sozinha fornece 20% do nosso oxigênio. O “airpocalypse” chinês de 2013 tem afetado as atividades econômicas do país e foi responsável por um terço de todas as mortes na China.

Na sexta parte da matéria da NYMag, “Guerra perpétua, a violência cozida no calor”, David Wallace-Wells relata que os climatologistas são muito cuidadosos ao falar sobre a Síria e querem crer que, embora a mudança climática tenha produzido uma seca que contribuiu para a guerra civil, não é justo dizer que o conflito é o resultado do aquecimento. Mas há pesquisadores que conseguiram quantificar algumas das relações não óbvias entre temperatura e violência: para cada meio grau de aquecimento, eles dizem, as sociedades verão entre um aumento de 10 e 20% na probabilidade de conflitos armados.

Na sétima parte da matéria da NYMag, “Colapso Econômico Permanente, tenebroso capitalismo em um mundo meio pobre”, David Wallace-Wells ridiculariza o mantra do neoliberalismo de que “o crescimento econômico nos salvaria de todos e de tudo”. Mas no rescaldo da crise financeira de 2008, um crescente número de historiadores que estudam o que chamam de “capitalismo fóssil” começaram a sugerir que toda a história do rápido crescimento econômico, que começou um pouco antes do século 18, não é o resultado da inovação, mas simplesmente da descoberta dos combustíveis fósseis e todo o seu poder energético. Com o pico do petróleo, voltaremos a uma economia do “estado estacionário”. Além do mais, cada grau Celsius de aquecimento custa, em média, 1,2% do PIB. Os limites ambientais devem levar a economia global à estagnação secular.

Na oitava parte da matéria da NYMag, “Oceanos Envenenados, Sulfeto de hidrogênio e o esqueleto”, David Wallace-Wells declara que o mar se tornará um assassino. O nível do mar vai subir no mínimo um metro. Um terço das principais cidades do mundo estão na costa, para não mencionar suas usinas de energia, portos, bases da marinha, terras agrícolas, pescas, deltas de rios, pântanos e plantações de arroz. O naufrágio das benfeitorias é apenas o começo. No momento, mais de um terço do carbono do mundo é absorvido pelos oceanos – ainda bem, ou então teríamos muito mais aquecimento. Mas o resultado é o que se denomina “acidificação do oceano”, que, por si só, pode aumentar meio grau de aquecimento neste século. Há também o “branqueamento de corais” – isto é, morte de corais – que é uma notícia muito ruim, porque os recifes suportam tanto quanto um quarto de toda a vida marinha e fornecem alimentos para meio bilhão de pessoas. Acidificação dos oceanos frita as populações de peixes. Nas águas ácidas, as ostras e os mexilhões terão dificuldade em cultivar suas conchas. Quando o pH do sangue humano cai tanto quanto o pH dos oceanos, induz convulsões, comas e morte súbita. A absorção de carbono pode iniciar um ciclo de feedback em que as águas sub-oxigenadas produzem diferentes tipos de micróbios que tornam a água ainda mais “anóxica”, primeiro em “zonas mortas” do oceano profundo, depois gradualmente em direção à superfície.

Na nona parte da matéria da NYMag, “O Grande Filtro, nossa curiosidade atual não pode durar”, David Wallace-Wells pondera que não existe uma vontade de esclarecer os efeitos da mudança climática. Certamente essa cegueira não durará, pois, o mundo que estamos prestes a habitar não o permitirá. Em um mundo de seis graus mais quente, o ecossistema terrestre vai ferver com tantos desastres naturais. Os furacões mais fortes virão com mais frequência, e teremos de inventar novas categorias para descrevê-los.

Em síntese, o autor considera que é preciso avaliar melhor os danos já causados ​​ao planeta. A Terra pode ficar inabitável, pois são muitos os processos que estão afetando a capacidade de sobrevivência da humanidade. Provavelmente, a Terra não ficará desabitada, mas a qualidade de vida da população mundial poderá reduzir bastante em um Planeta degradado. O Holoceno garantiu 10 mil anos de estabilidade climática. O Antropoceno e a grande aceleração das atividades antrópicas estão desequilibrando o clima e transformando a biosfera em um habitat inóspito e inabitável.

Indubitavelmente, David Wallace-Wells conseguiu assustar muita gente. Mas, principalmente, conseguiu fazer as pessoas discutirem os cenários negativos para os quais o mundo está caminhando na medida que mantém o atual modelo de produção e consumo, sem respeitar o fluxo metabólico entrópico e os limites do meio ambiente.

Creio que vale a pena ler o artigo “The Uninhabitable Earth” e as centenas de respostas que foram publicadas logo a seguir. Para contribuir com a discussão indico abaixo algumas referências das pessoas que concordaram, aquelas que discordaram do tom, mas concordam com os perigos potenciais do aquecimento global e aquelas que discordam:

Artigos que defendem o uso de uma linguagem catastrófica como forma de alerta:

JOE ROMM. We aren’t doomed by climate change. Right now we are choosing to be doomed, 11/07/2017 https://thinkprogress.org/climate-change-doomsday-scenario-80d28affef2e

KEVIN DRUM. Our Approach to Climate Change Isn’t Working. Let’s Try Something Else. 10/07/20017

http://www.motherjones.com/kevin-drum/2017/07/our-approach-to-climate-change-isnt-working-lets-try-something-else/

Steve Rousseau. Did New York Magazine Make Its Climate Change Story Too Scary? 10/07/2017

http://digg.com/2017/nymag-climate-change-david-wallace-wlls

SUSAN MATTHEWS. Alarmism Is the Argument We Need to Fight Climate Change. New York magazine’s global-warming horror story isn’t too scary. It’s not scary enough, 10/07/2017

http://www.slate.com/articles/health_and_science/science/2017/07/we_are_not_alarmed_enough_about_climate_change.html

ROBERT HUNZIKER. Uninhabitable Earth? 14/07/2017

https://www.counterpunch.org/2017/07/14/uninhabitable-earth/

Ian Johnston. Earth could become ‘practically ungovernable’ if sea levels keep rising, says former Nasa climate chief, 14/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/earth-sea-levels-rising-nasa-climatechange-chief-jim-hansen-global-warming-melting-ice-antarctica-a7841026.html

Artigos que consideram sérias as ameaças, mas não defendem o uso de uma linguagem catastrófica:

ROBINSON MEYER. Are We as Doomed as That New York Magazine Article Says? Why it’s so hard to talk about the worst problem in the world, JUL 10, 2017

https://www.theatlantic.com/science/archive/2017/07/is-the-earth-really-that-doomed/533112/

Eric Holthaus. Stop scaring people about climate change. It doesn’t work. Jul 10, 2017

http://grist.org/climate-energy/stop-scaring-people-about-climate-change-it-doesnt-work/

Michael E. Mann, Susan Joy Hassol and Tom Toles. Doomsday scenarios are as harmful as climate change denial, 12/07/2017

https://www.washingtonpost.com/opinions/doomsday-scenarios-are-as-harmful-as-climate-change-denial/2017/07/12/880ed002-6714-11e7-a1d7-9a32c91c6f40_story.html?utm_term=.bbe40a9986d6

Michael Le Page. Uninhabitable Earth? In fact, it’s really hard to fry the planet. A controversial article says we’re heading for the worst-case warming scenarios. But while we can’t rule out extreme warming, it’s not our most likely future, 12 July 2017

https://www.newscientist.com/article/2140496-uninhabitable-earth-in-fact-its-really-hard-to-fry-the-planet/

JOHN TIMMER Climate scientists push back against catastrophic scenarios. In both the popular and academic press, scientists argue against worst cases. 12/07/2017

https://arstechnica.com/science/2017/07/climate-scientists-push-back-against-catastrophic-scenarios/

Ian Johnston. Climate change doomsday warning of ‘rolling death smog’ and ‘perpetual war’ criticised by scientists, Independent, 13/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/climate-change-doomsday-scenario-new-york-magazine-perpetual-war-rollnig-death-smog-critics-a7838991.html

David Roberts. magazine climate story freak you out? Good. It’s okay to talk about how scary climate change is. Really, 11/07/2017

https://www.vox.com/energy-and-environment/2017/7/11/15950966/climate-change-doom-journalism

Judith Curry. Alarm about alarmism, July 15, 2017

https://judithcurry.com/2017/07/15/alarm-about-alarmism/

Artigos contra o tom catastrófico e que acreditam que ainda há esperança

EMILY ATKIN. The Power and Peril of “Climate Disaster Porn”. Climate scientists say New York magazine’s cover story about global warming is unnecessarily apocalyptic. But can fear help the planet? July 10, 2017

https://newrepublic.com/article/143788/power-peril-climate-disaster-porn

Warner Todd Huston. NY Magazine Claims Planet Earth Will Soon Become Uninhabitable, Turns Into Giant Mess, 11/07/2017

https://www.youngcons.com/ny-magazine-fires-back-at-claims-its-global-warming-article-lacks-scientific-basis/?ref=FacebookPost

Rachel Becker. Why scare tactics won’t stop climate change. Doomsday scenarios don’t inspire action, 11/07/2017

https://www.theverge.com/2017/7/11/15954106/doomsday-climate-science-apocalypse-new-york-magazine-response

Oren Cass. Truth Is Just a Detail. Pundits invested in climate-change alarmism praise even shoddy work—as long as it comes to the right conclusions. July 11, 2017

https://www.city-journal.org/html/truth-just-detail-15316.html

ANDREW FREEDMAN. No, New York Mag: Climate change won’t make the Earth uninhabitable by 2100, 11/07/2017

http://mashable.com/2017/07/10/new-york-mag-climate-story-inaccurate-doomsday-scenario/#Wbc4Dd3xwPqz

Climatefeedback. Scientists explain what New York Magazine article on “The Uninhabitable Earth” gets wrong, 12/07/2017

https://climatefeedback.org/evaluation/scientists-explain-what-new-york-magazine-article-on-the-uninhabitable-earth-gets-wrong-david-wallace-wells/

Mark Tercek. Don’t Panic, Do Act: A Climate Resource With Real Solutions, 14/07/2017

http://www.huffingtonpost.com/entry/dont-panic-do-act-a-climate-resource-with-real-solutions_us_5968c5dde4b06a2c8edb45d6

Entrevista com David Wallace-Wells sobre o artigo “The Uninhabitable Earth”

REBECCA FISHBEIN Are Humans Doomed? A Q&A With The Author Of NY Mag’s Terrifying Climate Change Story`, 10/07/2017

http://gothamist.com/2017/07/10/climate_change_ny_mag.php

Wikipedia. The Uninhabitable Earth, 11/07/2017

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Uninhabitable_Earth

Referências:

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth. Famine, economic collapse, a sun that cooks us: What climate change could wreak — sooner than you think. NYMag, 09/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans.html

Versão revisada e comentada do artigo pelo próprio autor

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth, Annotated Edition. The facts, research, and science behind the climate-change article that explored our planet’s worst-case scenarios, 14/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans-annotated.html

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference é um artigo escrito por Julian Langer do blog Eco-Revolt e Feral Culture que foi apresentado em 13 de Setembro de 2018 durante a Anarchist Studies Network Conference, na Universidade de Loughborough. Neste denso texto o autor aborda a posição moralizante da esquerda (incluindo os anarquistas) em torno da “violência” que é abordada amplamente e como o eco-extremismo ultrapassa esta barreira.

On September the 13th I presented this paper at the Anarchist Studies Network Conference, at Loughborough University. This was written to be spoken and I haven’t edited it to make it any more readable.
*
Pessimist political theorist Jacques Camatte, whose writings after his years of being a Marxist theoretician influenced anarchist discourse at the time – in particular the anarcho­primitivist wing – stated in his work Against Domestication that – “There are others who believe they can fight against violence by putting forward remedies against aggressiveness, and so on. These people all subscribe, in a general way, to the proposition that each problem presupposes its own particular scientific solution. They are therefore essentially passive, since they take the view that the human being is a simple object to be manipulated. They are also completely unequipped to create new interhuman relationships (which is something they have in common with the adversaries of science); they are unable to see that a scientific solution is a capitalist solution, because it eliminates humans and lays open the prospect of a totally controlled society.”

It seems abundantly obvious that we live amidst a great deal of violence and that violence and the need to end it is the dominant theme within the narrative we are located within. The violence of rape culture; the violence of racial and colonial oppression; the violence of ISIS, Islamists and the international forces against them; the violence of Russia, North Korea and the USA; the violence of school shootings in America; the violence of mass stabbings from gangs in London; of bombs, cars, guns, knives and penises. Many acts of violence are spoken of less; the violence of animal traps; the violence of chainsaws; the violence of dehabitation to develop an area, or to grow industrial monocultures of crops, to feed a growing population.

Within radical discourse, particularly that of the anarchist tradition, we generally have somewhat of a strained relationship with violence. My wish here is to identify a theme within our discussions which often gets over looked – this theme is one regarding interiorisation and exterioisation, under the gaze of an big-­Other. I will focus this within contemporary discourse around decolonial, anti-­colonial and eco­-extremist activities. This will also involve, in the later part of this paper, an ontological assertion, regarding what violence actually is.

Last year the Chilean indigenous anti­-colonial organisation Fight Of The Rebel Territory, in a single action, burned down 29 logging vehicles. Between January andMay 2016 the group committed 30 similar acts of property damage, in defence of the land they live upon, the forests and the wildlife. Similarly, MEND, the Movement for the Emancipation of the Niger Delta, an armed militant organisation of loose cells engaged in guerrilla warfare against oil companies, have blown up pipelines, attacked oil fields and kidnapped oil workers, as part of their anti­-colonial activities.

As voices for the English speaking radical environmentalist and anti­-colonial milieus, groups like Earth First! and Deep Green Resistance have spoken out in support for these groups, and others like them, seeking to legitimise them, within the context of radical discourse. This involves undergoing a process that Deleuze and Guattari called territorialisation, where a process of interiorisation brings these groups into the structure of particular machine. This brings these groups into the space of moral­ acceptablity, within a left­-wing oriented moral framework. From this, these actions, the activities of these groups, and similar others, become part of the narrative of left­ wing radical politics, regarding the progress of civilisation and history. They become characters within the chapters preceding the “revolution” and, in a similar way to that being described by Camatte in the quote I stated earlier, they are viewed as passive objects to be scientifically manipulated. As characters within the metadrama they reside within, they are allocated an identity that functions entirely as a symbolic signifier for an Other, who stands as the parental superego, granting their struggles as legitimate, like God determining who is going to heaven, or rather who will not be thrown into the gulag, even the anarchist one, after the revolution – interiorised – and who will be cast into hell, or the gulag, again, even the gulag
constructed by anarchists – exteriorised.

This is also the case in decolonial struggles that aren’t necessarily connected to eco-radical struggles, such as the Palestinian struggle against the violences of Israel, where unarmed protestors are painted as “innocent” by pacifist Leftist organisations that use their struggle as a platform for their own, with the implication being that armed Palestinians, such as Hamas, are legitimate targets for statist colonial violence.

While the organisations leaders, who might be educated in the western philosophies of Marxism, anarchist, etc., might embrace this ideological trajectory, I think that, in actuality, outside of this interiorisation, those individuals who are actively engaged in the actions of these organisations and similar ones; they do not care about progress, history, capitalism or any of that. They care about the forests, lands, wildlife, rivers and world that they are immersed in and live as Extensions of.

This machinic enframing functions, in the way Heidegger describes regarding technology and enframing, whereby, as objects, symbols and characters of a technological description, they fit within the mode of human existence stated before, that of the lef-t­wing ideological narrative, dehumanised, inanimate and un­-animal.

Now I want to turn to something that might seem in many ways entirely opposite, but I argue stems from the same narrative I have been describing here. To do this though, I’m going to do a short bit of history.

Ted Kaczynski’s 17 ­year bombing campaign is arguably the most successful campaign of its type. As the Unabomber, Kaczynski sent 16 bombs, to various locations within the USA. It was only after the publication of his manifesto, Industrial Society and its Future, that his motivations became clear and he captured. The work is a brilliantly articulated critique of technological society, which includes a critique of Leftism, which I will not go into here, as it is not necessary for this and would take up too much space. I only acknowledge it for its relevance for what I am about to go into.

Kaczynski’s influence, regarding the anti­-colonial space, is particularly noteworthy, regarding the post­-anarchist nihilist­-terrorist movement called Eco-­Extremism. Growing out of dark­net nihilist­-anarchist anti­-civ discussions, and almost entirely located within Southern and Central America, from indigenous anti­-civ individuals, with only a few cells within Europe, this movement is one that has actively sought to exteriorise themselves from the left­-wing narrative and machine.

In their anti­progressive anti­meliorist activities, the group which is the most vocal proponent of Eco-­Extremism, Individualists Tending Towards the Wild (translated from Spanish), ITS (as the S stands for savagery), focused their early activities on, like Kaczynski, bombing university institutions, such as nano-­technology laboratories; before moving onto their famed, through moral disgust, indiscriminate killings, in the name of Wild Nature.

In case you are unfamiliar with the group, I’d like to state here quotations from their earlier communiqués –

1. “Civilization is collapsing and a new world will be born, through the efforts of anti­civilization warriors? Please! Let us see the truth, plant our feet on the ground and let leftism and illusions fly from our minds. The revolution has never existed, nor have revolutionaries; those who view themselves as “potential revolutionaries”and seek a “radical anti­technology shift” are truly being idealistic and irrational because none of that exists, in this dying world only Individual Autonomy exists and it is for this that we fight.”

2. “A world without domestication, with a system stopped by the work of the “revolutionaries,” with Wild Nature born from the ashes of the old technological regime and the human species (what remains) returned to the wild, is completely illusory and dreamy.”

3. “ITS shows its true face, we go to the central point, the fierce defense of Wild Nature (including human); we do not negotiate, we carry out our task with the necessary materials, without compassion and accepting the responsibility of the act. Our instincts make us do it, since (as we have said before) we are in favor of natural violence against civilized destruction.”

The response ITS has received has been one of active exteriorisation on the part of leftists and moral-­anarchists. The left­-anarchist publication Its Going Down in particular spoke out against ITS, noticeably following their 29th communiqué, where they claimed responsibility for the murder of a woman in a forest, and have demonised anarchists and westerners who include Eco­-Extremism within discussions. Its Going Down struck ITS with the label of Eco­-Fascism in one of their condemnations of the group, in an obvious attempt to morally demonise them, excluding them from the community of groups and organisations deemed acceptable within anarchist morality. This is, like with MEND and Fight of the Rebel Territory, done under the gaze of a parental superego Other, repressing that which is deemed morally unacceptable, from a position of moral authority, as God. This is an example of what Camatte described, where the leftist condemners of ITS and Eco-­Extremism treat Eco­-Extremists, those interested in Eco-­Extremism and their own sympathisers and supporters, as objects for scientific manipulation, in a capitalistic move to control, to territorialise.

The Eco­Extremist journal Regresion Magazine makes a noticeable attempt to exteriorise itself, in both its name and its contents. It describes itself as the antonym to progress, as the antithetical regressive force, placing its strategy as one of active Marxist style dualistic dialectics. The magazine is one that claims to actively not want to be read or be trying to find readers, but makes itself available to read online by anyone. It is actively saying “we are not one of you” and “we are not a part of this”, in a very similar way to how Leftists seek to exteriorise Eco-­Extremism. From these examples I have presented, I have looked to identify that, in both positive and negative moral framings, through both interiorising and exteriorising within the narrative of progress, revolution and history, the leftist relationship towards anti­-colonial and decolonial radical and extremist projects is one whose machinic structure is functionally and ideologically colonialist and racist. The left does not accept or condemn the actions of indigenous and anti­-civ groups simply on their own terms, but layers it with the symbology of its own ideological design. As well as this, the decolonial movement has become so much a part of the Leftist machine, that, in the case of Eco­Extremists, indigenous peoples are moving away from the struggle.

At this point I feel to move to somewhere slightly different to where we have been for the bulk of this, though not straying too far away. I frame this in geographical place, rather than historical time, because what I am moving to is neither historically progressive nor reactionary, or regressive, whichever term you prefer, but metaphysically presentist, in an egoist and phenomenologically immediatist sense. Karl Popper stated in his work The Open Society and Its Enemies, where he critiques the teleological historicism of Hegel, Marx and similar thinkers as being fundamentally totalitarian, “History has no meaning”– a proposition undoubtedly disagreeable to anyone who embraces Leftist political positions, but this is the sentiment I wish to move forward from.

This is the matter of destruction, which I will later differentiate from violence. Now, when I look outwards from myself at what post-­anarchist discourse and action means now, in this present moment, as we find ourselves in systematic crisis, ecological collapse and amidst so much violence, it seems to me that we can really only being talking about ontology. I am not meaning that we are talking about and can only talk about vague and abstract concepts, but rather that at the root of our discourses and that if we are honest about our discussions we are talking about psycho­ontics, social­ontics, eco­-ontics, about Realities and about the Real – I am delving here, through bringing ontics in alongside ontology, into the world of Things (capital T) and reification (using the term equally in the sense meant by good old Commie Marx and the sense of the fallacy of concretism, also know as hypostatization).

These ontological discussions might often be framed within Symbolic theatres of ideologies, interiorising and exteriorising, in processes of territorialisation. But underneath this clothing, the bare­naked flesh of our discourse, lives and selves, isontological. We are, in many ways, all practicing ontological anarchists.

From this, I make this assertion, that the ontological anarchist project is one of active destruction, in the Heideggerian sense (with the k replacing the c) – I like to borrow Discordian philosopher Robert Anton Wilson’s term guerrilla ontology for this. As Heidegger found, destruction is a presentist task and doesn’t fit into normal categories of positive­negative, being nihilistically amoral and not positioned within the past. Being non­dualistically positive or negative, destruction here is a radically monist force, in the way collectivist­-anarchist Bakunin suggests when he stated “the passion for destruction is also a creative passion”– immediate; unlike the gnostic traditions of left­-wing revolutionary ideology, where both theory and practice retain an esoteric dualism, towards objects that can be manipulated scientifically.

Even more than as an anti­political practice, I assert that the actual objectless creative­destruction of Being is the process of becoming that is happening always. Civilisation and history, in this sense, are attempts to halt this process and create, through Symbolic reification, a social ontology of structured-­absolute space – the construction of territories, of objects with interiors and exteriors, of nature and the space that is outside of nature (civilisation), of sets and categories; a theatre of phantasms, technologically inauthentic, in the sense Heidegger argues, attempting to repress the relationality of Being, as temporally extended unfoldings, or rather the happening of life as the open space of possibility. Civilisation, in order to continue the machinery of its functioning, must restrict, through colonisation, morality, etc., the open space of possibility, through interiorisation and exteriorisation aimed towards a totalitarian narrative, with one directed pathway.

Now, in one sense what I, as someone from the anti­-civ world, am saying here is that we should do away with sets, categories, territories, interiors, exteriors, inclusion, exclusion, objects, symbols and other technological phantasms, but this seems unlikely at this present time to lead to much. So, alongside this, I wish to make another assertion for us as individuals, or rather as singularities, involved in the decolonial and anti­-colonial projects of deterritorialisation; that we radically embrace the notion of monism­as­pluralism; not to interiorise the cartography of radical space in a new way to the one we now do. Rather, to leave the situation as messy and to not judge the mess through moral condemnation, and not fit events within the structures of left­-wing ideology, but to leave it all in the open space of possibility. Perhaps this could be considered the eco­anarchist equivalent of Bergson’s liberal notion of the open society – though also, perhaps not. If, though, we are dealing with ontological processes, I suggest we consider our perceptions ofreality, as space and time, in the way the mathematician Poincare suggests in his philosophy of geometry; as having been born out of intuitions, which became tied to normative conventions rather than facts.

This is obviously a very uncomfortable idea I am asserting, as it leaves open basically everything, but if we are going to decolonised the structurally racist psychic­space of anti­colonial politics, then we are left with this space of discomfort, where we are having to acknowledge without morally categorising, in an anti­political sense.

Finally, I also wish to make an ontical assertion here, for the purposes of discourse, that much of what gets categorised as violence by anti­-colonial and eco­radical groups is not violence, with violence being a reified object of civilisation, signifying violation. Rather what is often in this way categorised as violence is actually an embrace of wild non­ontical acosmic ontological creative­destruction. Violation, in this way, seems to be the basic machinic functioning of civilisation – flipping ITS’s assertion of nature being violent and civilisation being destructive. The object of civilisation is the object of violence. This is not to seek to legitimise those actions I am describing as destructive rather than violent, but to differentiate for the purposes of post­-anarchist praxis.

To violate is to interrupt the flow of a space and to create a blockage, like a dam blocking a river, like a military coming to interrupt the everyday life of a community, like a penis forcing its way into somewhere through rape. Destruction is a creative aspect of the actualising­becoming­temporal processes of space that is Being. Destruction is the opening up of space.

To decolonise is to destroy the colonial production­narrative that is this culture. Lets deterritorialise, without reterritorialising, and not judge what grows out of the open space. Lets leave things open and not treat the world as an object for our manipulation. Lets not try to be God and lets destroy totalitarianism. Lets live free from interiors and exteriors, from inclusion and exclusion. Lets actually do no borders and no boundaries, and be anarchists embracing anarchy. Poincare said “Geometry is not true, it is advantageous”, but this does not go far enough – geometry isn’t true, but it can be adventurous!

This goes further than just the decolonial space obviously, as it includes the spaces of anti­patriarchy, radical environmentalism and anti­state theory and practice, as these also could do with deconstructing their territories and embrace the ontological notion of monism = pluralism – but there is not space in this essay to include thesestruggles.

I’d like to end this with this quote from autonomous-­Marxist philosopher Agamben – “What had to remain in the collective unconscious as a monstrous hybrid of human and animal, divided between the forest and the city – the werewolf – is, therefore, in its origin the figure of the man who has been banned from the city. That such a man is defined as a wolf­-man and not simply as a wolf … is decisive here. The life of the bandit, like that of the sacred man, is not a piece of animal nature without any relation to law and the city. It is, rather, a threshold of indistinction and of passage be­tween animal and man, physis and nomos, exclusion and inclusion: the life of the bandit is the life of the loup garou, the werewolf, who is precisely neither man nor beast, and who dwells paradoxically within both while belonging to neither.”

Children of Ted: The Unlikely New Generation of Unabomber Acolytes

Escrito por John H. Richardson e publicado na revista quinzenal novaiorquina New York Magazine, Children of Ted: The Unlikely New Generation of Unabomber Acolytes é um interessante artigo sobre a trajetória do teórico Selvagista John Jacobi, mas acima de tudo, o texto passa por pensamentos primitivistas primários, indo do anti-industrialismo de Ted Kaczynski à teoria eco-extremista de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Two decades after his last deadly act of ecoterrorism, the Unabomber has become an unlikely prophet to a new generation of acolytes.

When John Jacobi stepped to the altar of his Pentecostal church and the gift of tongues seized him, his mother heard prophecies — just a child and already blessed, she said. Someday, surely, her angelic blond boy would bring a light to the world, and maybe she wasn’t wrong. His quest began early. When he was 5, the Alabama child-welfare workers decided that his mother’s boyfriend — a drug dealer named Rock who had a red carpet leading to his trailer and plaster lions standing guard at the door — wasn’t providing a suitable environment for John and his sisters and little brother. Before they knew it, they were living with their father, an Army officer stationed in Fayetteville, North Carolina. But two years later, when he was posted to Iraq, the social workers shipped the kids back to Alabama, where they stayed until their mother hanged herself from a tree in the yard. John was 14. In the tumultuous years that followed, he lost his faith, wrote mournful poems, took an interest in news reports about a lively new protest movement called Occupy Wall Street, and ran away from the home of the latest relative who’d taken him in — just for a night, but that was enough. As soon as he graduated from high school, he quit his job at McDonald’s, bought some camping gear, and set out in search of a better world.

When a young American lights out for the territories in the second decade of the 21st century, where does he go? For John Jacobi, the answer was Chapel Hill, North Carolina — Occupy had gotten him interested in anarchists, and he’d heard they were active there. He was camping out with the chickens in the backyard of their communal headquarters a few months later when a crusty old anarchist with dreadlocks and a piercing gaze handed him a dog-eared book called Industrial Society and Its Future. The author was FC, whoever that was. Jacobi glanced at the first line: “The Industrial Revolution and its consequences have been a disaster for the human race.”

This guy sure gets to the point, he thought. He skimmed down the paragraph. Industrial society has caused “widespread psychological suffering” and “severe damage to the natural world”? Made life more comfortable in rich countries but miserable in the Third World? That sounded right to him. He found a quiet nook and read on.

The book was written in 232 numbered sections, like an instruction manual for some immense tool. There were two main themes. First, we’ve become so dependent on technology that the real decisions about our lives are made by unseen forces like corporations and market flows. Our lives are “modified to fit the needs of this system,” and the diseases of modern life are the result: “Boredom, demoralization, low self-esteem, inferiority feelings, defeatism, depression, anxiety, guilt, frustration, hostility, spouse or child abuse, insatiable hedonism, abnormal sexual behavior, sleep disorders, eating disorders, etc.” Jacobi had experienced most of those himself.

The second point was that technology’s dark momentum can’t be stopped. With each improvement, the graceful schooner that sails our shorelines becomes the hulking megatanker that takes our jobs. The car’s a blast bouncing along at the reckless speed of 20 mph, but pretty soon we’re buying insurance, producing our license and registration if we fail to obey posted signs, and cursing when one of those charming behavior-modification devices in orange envelopes shows up on our windshields. We doze off while exploring a fun new thing called social media and wake up to big data, fake news, and Total Information Awareness.

All true, Jacobi thought. Who the hell wrote this thing?

The clue arrived in section No. 96: “In order to get our message before the public with some chance of making a lasting impression, we’ve had to kill people,” the mystery author wrote.

Kaczynski at the time of his arrest, in 1996. Photo: Donaldson Collection/Getty Images

“Kill people” — Jacobi realized that he was reading the words of the Unabomber, Ted Kaczynski, the hermit who sent mail bombs to scientists, executives, and computer experts beginning in 1978. FC stood for Freedom Club, the pseudonym Kaczynski used to take credit for his attacks. He said he’d stop if the newspapers published his manifesto, and they did, which is how he got caught, in 1995 — his brother recognized his prose style and reported him to the FBI. Jacobi flipped back to the first page, section No. 4: “We therefore advocate a revolution against the industrial system.”

The first time he read that passage, Jacobi had just nodded along. Talking about revolution was the anarchist version of praising the baby Jesus, invoked so frequently it faded into background noise. But Kaczynski meant it. He was a genius who went to Harvard at 16 and made breakthroughs in something called “boundary functions” in his 20s. He joined the mathematics department at UC Berkeley when he was 25, the youngest hire in the university’s then-99-year history. And he did try to escape the world he could no longer bear by moving to Montana. He lived in peace without electricity or running water until the day when, maddened by the invasion of cars and chain saws and people, he hiked to his favorite wild place for some relief and found a road cut through it. “You just can’t imagine how upset I was,” he told an interviewer in 1999. “From that point on, I decided that, rather than trying to acquire further wilderness skills, I would work on getting back at the system. Revenge.” In the next 17 years, he killed three people and wounded 23 more.

Jacobi didn’t know most of those details yet, but he couldn’t find any holes in Kaczynski’s logic. He said straight-out that ordinary human beings would never charge the barricades, shouting, “Destroy our way of life! Plunge us into a desperate struggle for survival!” They’d probably just stagger along, patching holes and destroying the planet, which meant “a small core of deeply committed people” would have to do the job themselves (section No. 189). Kaczynski even offered tactical advice in an essay titled “Hit Where It Hurts,” published a few years after he began his life sentence in a federal “supermax” prison in Colorado: Forget the small targets and attack critical infrastructure like electric grids and communication networks. Take down a few of those at the right time and the ripples would spread rapidly, crashing the global economic system and giving the planet a breather: No more CO2 pumped into the atmosphere, no more iPhones tracking our every move, no more robots taking our jobs.

Kaczynski was just as unsentimental about the downsides. Sure, decades or centuries after the collapse, we might crawl out of the rubble and get back to a simpler, freer way of life, without money or debt, in harmony with nature instead of trying to fight it. But before that happened, there was likely to be “great suffering” — violent clashes over resources, mass starvation, the rise of warlords. The way Kaczynski saw it, though, the longer we go like we’re going, the worse things will get. At the time his manifesto was published, many people reading it probably hadn’t heard of global warming and most certainly weren’t worried about it. Reading it in 2014 was a very different experience.

The shock that went through Jacobi in that moment — you could call it his “Kaczynski Moment” — made the idea of destroying civilization real. And if Kaczynski was right, wouldn’t he have some responsibility to do something, to sabotage one of those electric grids?

His answer was yes, which was almost as alarming as discovering an unexpected kinship with a serial killer — even when you’re sure that morality is just a social construct that keeps us docile in our shearing pens, it turns out setting off a chain of events that could kill a lot of people can raise a few qualms.

“But by then,” Jacobi says, “I was already hooked.”

Jacobi in Chapel Hill, North Carolina. Photo: Colby Katz

Quietly, often secretly, whether they gather it from the air of this anxious era or directly from the source like Jacobi did, more and more people have been having Kaczynski Moments. Books and webzines with names like Against Civilization, FeralCulture, Unsettling America, and the Ludd-Kaczynski Institute of Technology have been spreading versions of his message across social-media forums from Reddit to Facebook for at least a decade, some attracting more than 100,000 followers. They cluster around a youthful nickname, “anti-civ,” some drawing their ideas directly from Kaczynski, others from movements like deep ecology, anarchy, primitivism, and nihilism, mixing them into new strains. Although they all believe industrial civilization is in a death spiral, most aren’t trying to hurry it along. One exception is Deep Green Resistance, an activist network inspired by a 2011 book of the same name that includes contributions from one of Kaczynski’s frequent correspondents, Derrick Jensen. The group’s openly stated goal, like Kaczynski’s, is the destruction of civilization and a return to preagricultural ways of life.

So far, most of the violence has happened outside of the United States. Although the FBI declined to comment on the topic, the 2017 report on domestic terrorism by the Congressional Research Service cited just a handful of minor attacks on “symbols of Western civilization” in the past ten years, a period of relative calm most credit to Operation Backfire, the FBI crackdown on radical environmental efforts in the mid-aughts. But in Latin America and Europe, terrorist groups with florid names like Conspiracy of Cells of Fire and Wild Indomitables have been bombing government buildings and assassinating technologists for almost a decade. The most ominous example is Individualidades Tendiendo a lo Salvaje, or ITS (usually translated as Individuals Tending Toward the Wild), a loose association of terrorist groups started by Mexican Kaczynski devotees who decided that his plan to take down the system was outdated because the environment was being decimated so fast and government surveillance technology had gotten so robust. Instead, ITS would return to its guru’s old modus operandi: revenge. The group set off bombs at the National Ecology Institute in Mexico, a Federal Electricity Commission office, two banks, and a university. It now claims cells across Latin America, and in January 2017, the Chilean offshoot delivered a gift-wrapped bomb to Oscar Landerretche, the chairman of the world’s largest copper mine, who suffered minor injuries. The group explained its motives in a defiant media release: “The pretentious Landerretche deserved to die for his offenses against Earth.”

In the larger world, where no respectable person would praise Kaczynski without denouncing his crimes, little Kaczynski Moments have been popping up in the most unexpected places — the Fox News website, for example, which ran a piece by Keith Ablow called “Was the Unabomber Correct?” in 2013. After summarizing some of Kaczynski’s dark predictions about the steady erosion of individual autonomy in a world where the tools and systems that create prosperity are too complex for any normal person to understand, Ablow — Fox’s “expert on psychiatry” — came to the conclusion that Kaczynski was “precisely correct in many of his ideas” and even something of a prophet. “Watching the development of Facebook heighten the narcissism of tens of millions of people, turning them into mini reality-TV versions of themselves,” he wrote. “I would bet he knows, with even more certainty, that he was onto something.”

That same year, in the leading environmentalist journal Orion, a “recovering environmentalist” named Paul Kingsnorth — who’d stunned his fellow activists in 2008 by announcing that he’d lost hope — published an essay about the disturbing experience of reading Kaczynski’s manifesto for the first time. If he ended up agreeing with Kaczynski, “I’m worried that it may change my life,” he confessed. “Not just in the ways I’ve already changed it (getting rid of my telly, not owning a credit card, avoiding smartphones and e-readers and sat-navs, growing at least some of my own food, learning practical skills, fleeing the city, etc.) but properly, deeply.”

By 2017, Kaczynski was making inroads with the conservative intelligentsia — in the journal First Things, home base for neocons like Midge Decter and theologians like Michael Novak, deputy editor Elliot Milco described his reaction to the manifesto in an article called “Searching for Ted Kaczynski”: “What I found in the text, and in letters written by Kaczynski since his incarceration, was a man with a large number of astute (even prophetic) insights into American political life and culture. Much of his thinking would be at home in the pages of First Things.” A year later, Foreign Policy published “The Next Wave of Extremism Will Be Green,” an editorial written by Jamie Bartlett, a British journalist who tracks the anti-civ movement. He estimated that a “few thousand” Americans were already prepared to commit acts of destruction. Citing examples such as the Standing Rock pipeline protests in 2017, Bartlett wrote, “The necessary conditions for the radicalization of climate activism are all in place. Some groups are already showing signs of making the transition.”

The fear of technology seems to grow every day. Tech tycoons build bug-out estates in New Zealand, smartphone executives refuse to let their kids use smartphones, data miners find ways to hide their own data. We entertain ourselves with I Am Legend, The Road, V for Vendetta, and Avatar while our kids watch Wall-E or FernGully: The Last Rainforest. An eight-part docudrama called Manhunt: The Unabomber was a hit when it premiered on the Discovery Channel in 2017 and a “super hit” when Netflix rereleased it last summer, says Elliott Halpern, the producer Netflix commissioned to make another film focusing on Kaczynski’s “ideas and legacy.” “Obviously,” Halpern says, “he predicted a lot of stuff.”

And wouldn’t you know it, Kaczynski’s papers have become one of the most popular attractions at the University of Michigan’s Labadie Collection, an archive of original documents from movements of “social unrest.” Kaczynski’s archivist, Julie Herrada, couldn’t say much about the people who visit — the archive has a policy against characterizing its clientele — but she did offer a word in their defense. “Nobody seems crazy.”

Two years ago, I started trading letters with Kaczynski. His responses are relentlessly methodical and laced with footnotes, but he seems to have a droll side, too. “Thank you for your undated letter postmarked 6/11/18, but you wrote the address so sloppily that I’m surprised the letter reached me …” “Thank you for your letter of 8/6/18, which I received on 8/16/18. It looks like a more elaborate and better developed, but otherwise typical, example of the type of brown-nosing that journalists send to a ‘mark’ to get him to cooperate.” Questions that revealed unfamiliarity with his work were poorly received. “It seems that most big-time journalists are incapable of understanding what they read and incapable of transmitting facts accurately. They are frustrated fiction-writers, not fact-oriented people.” I tried to warm him up with samples of my brilliant prose. “Dear John, Johnny, Jack, Mr. Richardson, or whatever,” he began, before informing me that my writing reminded him of something the editor of another magazine told the social critic Paul Goodman, as recounted in Goodman’s book Growing Up Absurd: “ ‘If you mean to tell me,” an editor said to me, “that Esquire tries to have articles on serious issues and treats them in such a way that nothing can come of it, who can deny it?’ ” (Kaczynski’s characteristically scrupulous footnote adds a caveat, “Quoted from memory.”) His response to a question about his political preferences was extra dry: “It’s certainly an oversimplification to say that the struggle between left & right in America today is a struggle between the neurotics and the sociopaths (left = neurotics, right = sociopaths = criminal types),” he said, “but there is nevertheless a good deal of truth in that statement.”

But the jokes came to an abrupt stop when I asked for his take on America’s descent into immobilizing partisan warfare. “The political situation is complex and could be discussed endlessly, but for now I will only say this,” he answered. “The current political turmoil provides an environment in which a revolutionary movement should be able to gain a foothold.” He returned to the point later with more enthusiasm: “Present situation looks a lot like situation (19th century) leading up to Russian Revolution, or (pre-1911) to Chinese Revolution. You have all these different factions, mostly goofy and unrealistic, and in disagreement if not in conflict with one another, but all agreeing that the situation is intolerable and that change of the most radical kind is necessary and inevitable. To this mix add one leader of genius.”

Kaczynski was Karl Marx in modern flesh, yearning for his Lenin. In my next letter, I asked if any candidates had approached him. His answer was an impatient no — obviously any revolutionary stupid enough to write to him would be too stupid to lead a revolution. “Wait, I just thought of an exception: John Jacobi. But he’s a screwball — bad judgment — unreliable — a problem rather than a help.”

The Kaczynski moment dislocates. Suddenly, everyone seems to be living in a dream world. Why are they talking about binge TV and the latest political outrage when we’re turning the goddamn atmosphere into a vast tanker of Zyklon B? Was he right? Were we all gelded and put in harnesses without even knowing it? Is this just a simulation of life, not life itself?

People have moments like that under normal conditions, of course. Sigmund Freud wrote a famous essay about them way back in 1929, Civilization and Its Discontents. A few unsettled souls will always quit that bank job and sail to Tahiti, and the stoic middle will always suck it up. But Jacobi couldn’t accept those options. Staggered by the shock of his Kaczynski Moment but intent on rising to the challenge, he began corresponding with the great man himself, hitchhiked the 644 miles from Chapel Hill to Ann Arbor to read the Kaczynski archives, tracked down his followers all around the world, and collected an impressive (and potentially incriminating) cache of material on ITS along the way. He even published essays about them in an alarmingly terror-friendly print journal named Atassa. But his biggest influence was a mysterious Spanish radical theorist known only by the pseudonym he used to translate Kaczynski’s manifesto into Spanish, Último Reducto. Recommended by Kaczynski himself, who even supplied an email address, Reducto gave Jacobi a daunting reading list and some editorial advice on his early essays, which inspired another series of TV-movie twists in Jacobi’s turbulent life. Frustrated by the limits of his knowledge, he applied to the University of North Carolina, Chapel Hill, to study some more, received a full scholarship and a small stipend, and buckled down for two years of intense scholarship. Then he quit and hit the road again. “I think the homeless are a better model than ecologically minded university students,” he told me. “They’re already living outside of the structures of society.”

Four years into this bizarre pilgrimage, Jacobi is something of an underground figure himself — the ubiquitous, eccentric, freakishly intellectual kid who became the Zelig of ecoextremism. Right now, he’s about to skin his first rat. Barefoot and shirtless, with an old wool blanket draped over his shoulders, long sun-streaked hair and gleaming blue eyes, he hurries down a rocky mountain trail toward a stone-age village of wattle-and-daub huts, softening his voice to finish his thought. “Ted was a good start. But Ted is not the endgame.”

He stops there. The village ahead is the home of a “primitive skills” school called Wild Roots. Blissfully untainted by modern conveniences like indoor toilets and hot showers, it’s also free of charge. It has just three rules, and only one that will get us kicked out. “I don’t want to be associated with that name,” Wild Roots’ de facto leader told us when I mentioned Kaczynski. “I don’t want my name associated with that name,” he added. “I really don’t want to be associated with that name.”

Jacobi arrives at the open-air workshop, covered by a tin roof, where the dirtiest Americans I’ve ever seen are learning how to weave cordage from bark, start friction fires, skin animals. The only surprise is the lives they led before: a computer analyst for a military-intelligence contractor, a Ph.D. candidate in engineering, a classical violinist, two schoolteachers, and a rotating cast of college students the older members call the “pre-postapocalypse generation.” Before he became the community blacksmith, the engineering student was testing batteries for ecofriendly cars. “It was a fucking hoax,” he says now. “It wasn’t going to make any difference.” At his coal-fired forge, pounding out simple tools with a hammer and anvil, he feels much more useful. “I can’t make my own axes yet, but I made most of the handles on those tools, I make all my own punches and chisels. I made an adze. I can make knives.”

Freshly killed this morning, five dead rats lie on a pine board. They’re for practice before trying to skin larger game. Jacobi bends down for a closer look, selects a rat, ties a string to its twiggy leg, and hangs it from a rafter. He picks up a razor. “You wanna leave the cartilage in the ear,” his teacher says. “Then cut just above the white line and you’ll get the eyes off.”

A few feet away, a young woman who fled an elite women’s college in Boston pounds a wooden staff into a bucket to pulverize hemlock bark to make tannin to tan the bear hide she has soaking in the stream — a mixture of mashed hemlock and brain tissue is best, she says, though eggs can substitute if you can’t get fresh brain.

Jacobi works the razor carefully. The eyes fall into the dirt.

“I’m surprised you haven’t skinned a rat before,” I say.

“Yeah, me too,” he replies.

He is, after all, the founder of The Wildernist and Hunter/Gatherer, two of the more radical web journals in the personal “rewilding” movement. The moderates at places like ReWild University talk of “rewilding your taste buds” and getting in “rockin’ fit shape.” “We don’t have to demonize our culture or attempt to hide from it,” ReWild University’s website enthuses. Jacobi has no interest in padding the walls of the cage — as he put it in an essay titled “Taking Rewilding Seriously,” “You can’t rewild an animal in a zoo.”

He’s not an idiot; he knows the zoo is pretty much everywhere at this point. He explained this in the philosophical book he wrote at 22, Repent to the Primitive: “My focus on the Hunter/Gatherer is based on a tradition in political philosophy that considers the natural state of man before moving on to an analysis of the civilized state of man. This is the tradition of Hobbes, Rousseau, Locke, Hume, Paine.” His plan is to ace his primitive skills, then test living wild for an extended time in the deepest forest he can find.

So why did it take him so long to get out of the zoo?

“I thought sabotage was more important,” he says.

But this isn’t the place to talk about that — he doesn’t want to break Wild Roots’ rules. Jacobi goes silent and works his razor down the rat’s body, pulling the skin down like a sock.

When he’s finished, he leads the way back into the woods, naming the plants: pokeberry, sourwood, rhododendron, dog hobble, tulip poplar, hemlock. The one with orange flowers is a lily that will garnish his dinner tonight. “If you want, I can get some for you,” he offers.

Then he returns to the forbidden topic. “I could never do anything like that,” he says firmly — unless he could, which is also a possibility. “I don’t have any moral qualms with violence,” he says. “I would go to jail, but for what?”

For what? The first time I talked to him, he told me he had dreams of being the leader Kaczynski wanted.

“I am being a little evasive,” he admits. His other reason for going to college, he says, was to plant the anti-civ seed in the future lawyers and scientists gathered there — “people who will defend you, people who have access to computer networks” — and also, speaking purely speculatively, who could serve as “the material for a terrorist criminal network.”

“Did you convince anybody?” I ask.

“I don’t know. I always told them not to tell me.”

“So you wanted to be the Lenin?”

“Yeah, I wanted to be Lenin.”

But let’s face it, he says, the revolution’s never going to happen. Probably. Maybe. That’s why he’s heading into the woods. “I want to come out in a few years and be like Jesus,” he jokes, “working miracles with plants.”

Isn’t he doing exactly what Lenin did during his exile in Europe, though? Honing his message, building a network, weighing tactical options, and creating a mystique. Is he practicing “security culture,” the activist term for covering your tracks? “Are you hiding the truth? Are you secretly plotting with your hard-core cadre?”

He smiles. “I wouldn’t be a very good revolutionary if I told you I was doing that.”

At the last minute, Abe Cabrera changed our rendezvous point from a restaurant in New Orleans to an alligator-filled swamp an hour away. This wasn’t a surprise. Jacobi had given me Cabrera’s email address, identifying him as the North American contact for ITS, which Cabrera immediately denied. His interest in ITS was purely academic, he insisted, an outgrowth of his studies in liberation theology. “However,” he added, “to say that I don’t have any contact with them may or may not be true.”

Now he’s leading me into the swamp, literally, talking about an ITS bomb attack on the head of the Department of Physical and Mathematical Sciences at the University of Chile in 2011. “Is that a fair target?” he asks. “For Uncle Ted, it would have been, so I guess that’s the standard.” He chuckles.

He’s short, round, bald, full of nervous energy, wild theories, and awkward tics — if “Terrorist Spokesman” doesn’t work out for him, he’s a shoo-in for “Mad Scientist in a B-Movie.” Giant ferns and carpets of moss appear and disappear as he leads the way into the swamp, where the elephantine roots of cypress trees stand in the eerie stillness of the water like dinosaurs.

He started checking out ITS after he heard some rumors about a new cell starting up in Torreón, his grandparents’ birthplace in Mexico, he says, but the group didn’t really catch his interest until it changed its name from Individuals Tending Toward the Wild to Wild Reaction. Why? Because healthy animals don’t have “tendencies” when they confront an enemy. As one Wild Reaction member put it in the inevitable postattack communiqué, another example of the purple prose poetry that has become the group’s signature: “I place the device, and it transforms me into a coyote thirsting for revenge.”

Cabrera calls this “radical animism,” a phrase that conjures the specter of nature itself rising up in revolt. Somehow that notion wove together all the dizzying twists his life had taken — the years as the child of migrant laborers in the vegetable fields of California’s Imperial Valley, his flirtation with “super-duper Marxism” at UC Berkeley, the leap of faith that put him in an “ultraconservative, ultra-Catholic” order, and the loss of faith that surprised him at the birth of his child. “Most people say, ‘I held my kid for the first time and I realized God exists.’ I held my kid the first time and I said, ‘You know what? God is bullshit.’ ” People were great in small doses but deadly in large ones, even the beautiful little girl cradled in his arms. There were no fundamental ethical values. It all came down to numbers. If that was God’s plan, the whole thing was about as spiritually “meaningful as a marshmallow,” Cabrera says.

John Jacobi is a big part of this story, he adds. They connected on Facebook after a search for examples of radical animism led him to Hunter/Gatherer. They both contributed to the journal Atassa, which was dedicated on the first page to the premise that “civilization should be fought” and that the example of Ted Kaczynski “is what that fighting looks like.” In the premier edition, Jacobi made the prudent decision to write in a detached tone. Cabrera’s essay bogs down in turgid scholarship before breaking free with a flourish of suspiciously familiar prose poetry: “Ecoextremists believe that this world is garbage. They understand progress as industrial slavery, and they fight like cornered wild animals since they know that there is no escape.”

Cabrera weaves in and out of corners like a prisoner looking for an escape route, so it’s hard to know why he chose a magazine reporter for his most incendiary confession: “Here’s the super-official version I haven’t told anybody — I am the unofficial voice-slash-theoretician of ecoextremism. I translated all 30 communiqués. I translated one last night.”

Abe Cabrera: Abracadabra.

Yes, he knows this puts him dangerously close to violating the laws against material contributions to terrorism. He read the Patriot Act. That’s why he leads a double life, even a triple life. Nobody at work knows, nobody from his past knows, even his wife doesn’t know. He certainly doesn’t want his kids to know. He doesn’t even want to tell them about climate change. Math homework, piano lessons, gymnastics, he’s “knee-deep in all that stuff.” He punches the clock. “What else am I gonna do? I love my kids,” he says. “I hope for their future, even though they have no future.”

His mood sinks, reminding me of Jacobi. Shifts in perspective seem to be part of this world. Puma hunted here before the Europeans came, Cabrera says, staring into the swamp. Bears and alligators, too, things that could kill you. The cypress used to be three times as thick. When you look around, you see how much everything has suffered.

But we’re not in this mess because of greed or nihilism; we’re in it because we love our children so much we made too many of them. And we’re just so good at dominating things, all that is left is to lash out in a “wild reaction,” Cabrera says. That’s why he sympathizes with ITS. “It’s like, ‘Be the psychopathic destruction you want to see in the world’, ” he says, tossing out one last mordant chuckle in place of a good-bye.

Kaczynski is annoyed with me. “Do not write me anything more about ITS,” he said. “You could get me in trouble that way.” He went on: “What is bad about an article like the one I expect you to write is that it may help make the anti-tech movement into another part of the spectacle (along with Trump, the ‘metoo movement,’ neo-Nazis, antifa, etc.) that keeps people entertained and therefore thoughtless.”

ITS, he says, is the very reason he cut Jacobi off. Even after Kaczynski told him the warden was dying for a reason to reduce his contacts with the outside world, the kid kept sending him news about them. He ended his letter to me with a controlled burst of fury. “A hypothesis: ITS is instigated by some country’s security services — probably Mexico. Their real task is to spread hopelessness, because where there is no hope there is no serious resistance.”

Wait … Ted Kaczynski is hopeful? The Ted Kaczynski who wants to destroy civilization? The idea seems ridiculous right up to the moment it spins around and becomes reasonable. What better evidence could you find than the unceasing stream of tactical and strategic advice that he’s sent from his prison cell for almost 20 years, after all. He’s hopeful that civilization can be taken down in time to save some of the planet. I guess I just couldn’t imagine how anyone could ever manage to rally a group of ecorevolutionaries large enough to do the job.

“If you’ve read my Anti-Tech Revolution, then you haven’t understood it,” he scolds. “All you have to do is disable some key components of the system so that the whole thing collapses.” I do remember the “small core of deeply committed people” and “Hit Where It Hurts,” but it’s still hard to fathom. “How long does it take to do that?” Kaczynski demands. “A year? A month? A week?”

On paper, Deep Green Resistance meets most of his requirements. The original core group spent five years holding conferences and private meetings to hone its message and build consensus, then publicized it effectively with its book, which speculates about tactical alternatives to stop the “planet from burning to a cinder”: “If selective disruption doesn’t work soon enough, some resisters may conclude that all-out disruption is needed” and launch “coordinated actions on a large scale” against key targets. DGR now has as many as 200,000 members, according to the group’s co-founder — a soft-spoken 30-year-old named Max Wilbert — who could shave off his Mephistophelian goatee and disappear into any crowd. Two hundred thousand may not sound like much when Beyoncé has 1 million-plus Instagram followers, but it’s not shabby in a world where lovers cry out pseudonyms during sex. And Fidel had only 19 in the jungles of Cuba, as Kaczynski likes to point out.

Jacobi says DGR was hobbled by a doctrinal war over “TERFs,” an acronym I had to look up — it’s short for “trans-exclusionary radical feminists” — so this summer they’re rallying the troops with a crash course in “resistance training” at a private retreat outside Yellowstone National Park in Montana. “This training is aimed at activists who are tired of ineffective actions,” the promotional flyer says. “Topics will include hard and soft blockades, hit-and-run tactics, police interactions, legal repercussions, operational security, terrain advantages and more.”

At the Avis counter at the Bozeman airport, my phone dings. It’s an email from the organizers of the event, saying a guy named Matt needs a ride. I find him standing by the curb. He’s in his early 30s, dressed in conventional clothes, short hair, no visible tattoos, the kind of person you’d send to check out a visitor from the media. When we get on the road and have a chance to talk, he says he’s a middle-school social-studies teacher. He’s sympathetic to the urge to escalate, but he’d prefer to destroy civilization by nonviolent means, possibly by “decoupling” from the modern world, town by town and state by state.

But if that’s true, why is he here?

“See for yourself,” he said.

We reach the camp in the late afternoon and set up our tents next to a big yurt. A mountain rises behind us, another mountain stands ahead; a narrow lake fills the canyon between them as the famous Big Sky, blushing at the advances of the night, justifies its association with the sublime. “Nature is the only place where you feel awe,” Jacobi told me after the leaves rustled at Wild Roots, and right now it feels true.

An hour later, the group gathers in the yurt outfitted with a plywood floor, sofas, and folding chairs: one student activist from UC Irvine, two Native American veterans of the Standing Rock pipeline protests, three radical lawyers, a shy working-class kid from Mississippi, a former abortion-clinic volunteer, and a few people who didn’t want to be identified or quoted in any way. The session starts with a warning about loose lips and a lecture on DGR’s “nonnegotiable guidelines” for men — hold back, listen, agree or disagree respectfully, avoid male-centered words, and follow the lead of women.

By that time, I’d already committed my first microaggression. The cook asked why I was standing in the kitchen doorway, and I answered, “Just supervising.” Her sex had nothing to do with it, I swear — I was waiting to wash my hands and, frankly, her question seemed a bit hostile. But the woman who followed me out the door to dress me down said that refusing to accept her criticism was another microaggression.

The first speaker turns the mood around. His name is Sakej Ward, and he did a tour in Afghanistan with the U.S. Joint Airborne and a few years in the Canadian military. He’s also a full-blooded member of the Wolf Clan of British Columbia and the Mi’kmaq of northern Maine with two degrees in political science, impressive muscles bulging through a T-shirt from some karate club, and one of those flat, wide Mohawks you see on outlaw bikers.
Unfortunately, he put his entire presentation off the record, so all I can tell you is that the theme was Native American warrior societies. Later he tells me the societies died out with the buffalo and the open range. They revived sporadically in the last quarter of the 20th century, but returned in earnest at events like Standing Rock. “It’s a question of ‘Are they there yet?’ We’ve been fighting this war for 500 years. But climate change is creating an atmosphere where it can happen.”

For the next two days, we get training in computer security and old activist techniques like using “lockboxes” to chain yourself to bulldozers and fences — given almost apologetically, like a class in 1950s home cooking. In another session, Ward takes us to a field and lines us up single file. Imagine you’re on a military patrol, he says, turning his back and holding his left hand out to the side, elbow at 90 degrees and palm forward. “Freeze!,” he barks.

We freeze.

“That’s the best way to conceal yourself from the enemy,” he tells us. He runs through basic Army-patrol semiotics. For “enemy,” you make a pistol with your hand and turn it thumbs-down. “Danger area” is a diagonal slash. After showing us a dozen signs, he stops. “Why am I making all the signs with my left hand?”

No one knows.

He turns around to face us with his finger pointed down the barrel of an invisible gun. “Because you always have to have a finger in control of your weapon,” he says.

The trainees are pumped afterward. “You can take out transformers with a .50 caliber,” one man says.

“But you don’t just want to do one,” says another. “You want four-man teams taking out ten transformers. That would bring the whole system to a halt.”

Kaczynski would be fairly pleased with this so far, I think. Ward is certainly a plausible contender for the Lenin role. Wilbert might be too. “We talk about ‘cascading catastrophic effects,’ ” he tells us in one of the last yurt meetings, summing up DGR’s grand strategy. “A large percent of the nation’s oil supply is processed in a facility in Louisiana, for example. If that was taken down, it would have cascading effects all over the world.”

But then the DGR women called us together for a lecture on patriarchy, which has to be destroyed at the same time as civilization. Also, men who voluntarily assume gendered aspects of female identity should never be allowed in female-sovereign spaces — and don’t call them TERFs unless you want a speech on microaggression.

Matt listens from the fringes in a hoodie and mirrored glasses, looking exactly like the famous police sketch of the Unabomber. I’m pretty sure he’s trolling them. Maybe he’s remembering the same Kaczynski quote I am: “Take measures to exclude all leftists, as well as the assorted neurotics, lazies, incompetents, charlatans, and persons deficient in self-control who are drawn to resistance movements in America today.”

At the farewell dinner, one of the more mysterious trainees finally speaks up. With long, wild hair, a floppy wilderness hat, pants tucked into waterproof boots, a wary expression, and an actual hermit’s cabin in Montana, he projects the anti-civ vibe with impressive authenticity. He was involved in some risky stuff during the Cove Mallard logging protests in Idaho in the mid-1990s, he says, but he retreated after the FBI brought him in for questioning. Lately, though, he’s been getting the feeling that things are starting to change, and now he’s sure of it. “I’ve been in a coma for 20 years,” he says. “I want to thank you guys for being here when I woke up.” One of the radical lawyers wraps up with a lyrical tribute to the leaders of Ireland’s legendary 1916 rebellion. He waxes about Thomas MacDonagh, the schoolteacher who led the Dublin brigade and whistled as he was led to the firing squad.

On the drive back to the airport, I ask Matt if he’s really a middle-school teacher. He answers with a question: What is your real interest in this thing?

I mention John Jacobi. “I know him,” he says. “We’ve traded a few emails.”

Of course he does. He’s another serious young man with gears turning behind his eyes.

“Can you imagine actually doing something like that?” I ask.

“Well,” he answers, drawing out the pause, “Thomas MacDonagh was a schoolteacher.”

The next time I talk to John Jacobi, he’s back in Chapel Hill living with a friend and feeling shaky. Things were getting strange at Wild Roots, he says — nobody could cooperate, there were personal conflicts. And, well, there was an incident with molly. It’s been a hard four years. First he lost Jesus and anarchy. Then Kaczynski and Último Reducto dumped him, which was really painful, though he understood why. “I’ve been unreliable,” he says woefully. To make matters worse, an ITS member called Los Hijos del Mencho denounced him by name online: The trouble with Jacobi was his “reluctance to support indiscriminate attacks” because of his sentimental attachment to humanity.

Jacobi is considering the possibility that his troubled past may have affected his judgment. He still believes in the revolution, he says, but he’s not sure what he’d do if somebody gave him a magic bottle of Civ-Away. He’d probably use it. Or maybe not.

I check in a couple of weeks later. He’s working in a fish store and thinking of going back to school. Maybe he can get a job in forest conservation. He’d like to have a kid someday.

He brings up Paul Kingsnorth, the “recovering environmentalist” who got rattled by Kaczynski’s manifesto in 2012. Kingsnorth’s answer to our global existential crisis was mourning, reflection, and the search for “the hope beyond hope.” The group he co-founded to help people with that task, a mixture of therapy group and think tank called Dark Mountain, now has more than 50 chapters worldwide. “I’m coming to terms with the fact that it might very well be true that there’s not much you can do,” Jacobi says, “but I’m having a real hard time just letting go with a hopeless sigh.”

In his Kaczynski essay, Kingsnorth, who has since moved to Ireland to homeschool his kids and write novels, put his finger on the problem. It was the hidden side effect of the Kaczynski Moment: paralysis. “I am still embedded, at least partly because I can’t work out where to jump, or what to land on, or whether you can ever get away by jumping, or simply because I’m frightened to close my eyes and walk over the edge.” To the people who end up in that suspended state now and then, lying in bed at four in the morning imagining the worst, here’s Kingsnorth’s advice: “You can’t think about it every day. I don’t. You’ll go mad!”

It’s winter now and Jacobi’s back on the road, sleeping in bushes and scavenging for food, looking for his place to land. Sometimes I wonder if he makes these journeys into the forest because of the way his mother ended her life — maybe he’s searching for the wild beasts and ministering angels she heard when he fell to his knees and spoke the language of God. Psychologists call that magical thinking. Medication and counseling are more effective treatments for trauma, they say. But maybe the dream of magic is the magic, the dream that makes the dream come true, and maybe grief is a gift too, a check on our human arrogance. Doesn’t every crisis summon the healers it needs?

In the poems Jacobi wrote after his mother hanged herself, she turned into a tree and sprouted leaves.

Fogo Contra Fogo: anarquistas contra eco-extremistas

Tradução de um curto, mas interessante artigo escrito por Eduardo Ortega e Fernanda Robles para o jornal chileno La Tercera, após o ataque de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) na avenida Vicuña Mackena em Santiago do Chile. No texto os autores acertam em um ponto bastante ignorado pela mídia e autoridades, a diferença entre a tendência eco-extremista e a filosofia política anarquista. Em muitas ocasiões ambos os movimentos são assimilados por leitores equivocados, mas cada um busca objetivos díspares e já chegaram a declarar guerra entre sí.

04 de JANEIRO de 2019/SANTIAGO, a Labocar realiza perícias na esquina Vicuña Mackena com Francisco Bilbao, após a detonação de um artefato explosivo em um ponto de ônibus da Transantiago. HANS SCOTT /AGENCIAUNO

Relacionados por suas ações diretas, muitas vezes nem sequer são distinguidos. Mas há diferenças, e nos últimos anos, entre eles mesmos se empenharam em deixá-las em evidência: apesar da origem comum, seus objetivos são díspares. Os anarquistas radicais, contra o sistema; os eco-extremistas, contra o progresso humano. Duas correntes que já declararam guerra entre si.

O primeiro aceno veio em uma noite de novembro de 2016, através de uma carta, diretamente do 25º módulo da prisão Santiago Um. Kevin Garrido, o mesmo que um ano antes explodiu uma bomba nas imediações da Escola de Gendarmería, em San Bernardo, oferecia uma crônica de seus dias atrás das grades: uma história de facas, repressão e assassinatos entre os presos. Mas isso parecia não lhe importar no relato. Pelo contrário, dizia que era um prisioneiro de guerra, que estava preparado, que não se arrependia de suas ações, que havia ganhado respeito, que a prisão não era para sempre. Além disso, talvez o mais importante para esta reportagem, que o tacharam falsamente de anarquista: no final, saudava calorosamente a distintas “células terroristas”, entre elas Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Garrido, de 21 anos, morreu no último 2 de novembro: Lucas Bravo, outro preso, perfurou duas vezes seu tórax com uma faca artesanal que chegava a um metro de comprimento.

Como se tratava de um dos acontecimentos que tendem a ser comentados, cinco dias mais tarte, em 7 de novembro, em um blog que serve como um improvável veículo oficial –Maldición Eco-extremista– emitiu uma declaração dedicada à sua memória: “Para Kevin“, foi intitulada. Seria o primeiro de muitos posts, onde reivindicavam a figura de Garrido e o posicionavam como uma espécie de mártir. O consideram um guerreiro.

Mas a morte do jovem também acendeu os alarmes em outro extremo: grupos anarquistas. Rápidos, optaram por se distanciar da morte. Utilizando a mesma fórmula, os blogs, estavam determinados a demonstrar que Kevin não era um dos seus, que era um eco-extremista. Ou seja: um inimigo.

Um Melodrama Anarquista

Começaram como todos costumam começar: ansiosos, inexperientes, certamente animados, com a convicção de poder mudar a ordem estabelecida. Colheita dos anos 90, escutavam La Polla Records e Los Miserables e se politizaram ao som de Los Fiskales Ad-Hok. Nas mesmas marchas, todos de preto e com bandeiras negras, nos mesmos “okupas”. Alguns até tocaram nas mesmas bandas. Mas o tempo os separou: suas ideias os separaram. Alguns voltaram a suas casas, decepcionados. Outro punhado optou por seguir a luta através da via institucional.

Mas houve uma fração que optou por radicalizar o discurso. Se fizeram chamar, desde 2011, eco-extremistas.

Operando principalmente a partir da deep web, se comunicam através de blogs e se autodefinem Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). Sua luta: a tentativa de uma guerrilha urbana que -do anonimato- busca reivindicar e lutar contra tudo o que atente e domestique a natureza selvagem. Uma luta que se opõe ao progresso humano e tecnológico. Não fazem distinções: para eles, “qualquer humano civilizado merece estar morto”.

—Originalmente, pertenciam a uma linha anarquista insurrecionista. Mas hoje é mais uma corrente niilista que não tem uma lógica política e que concentra seus interesses em um ecologismo radical—explica um investigador especialista no assunto, que prefere ocultar sua identidade diante de possíveis represálias.

O conceito de grupo, esclarece, tampouco serve para definir aqueles que se identificam como ITS: têm o caráter de uma célula que poderia estar constituída por uma só pessoa. Talvez dois ou três indivíduos e, certamente, cada grupo nem sequer se conhece fisicamente.

—Quando a gente pensa em anarquismo, a primeira imagem que vem na cabeça é a dos “okupas” ou ataques com explosivos—reconhece um ex-membro de uma organização anarquista—. Com eles parece ser a mesma coisa, mas há pontos de inflexão que marcam diferenças entre ambas correntes.

Sergio Grez, historiador e autor do livro Los Anarquistas y el Movimiento Obrero (LOM, 2007), explica, neste sentido, que “o anarquismo têm princípios doutrinários claramente definidos: uma sociedade igualitária, sem classes sociais, sem divisão social do trabalho e, acima de tudo, sem Estado. Identificá-los com qualquer forma de violência política é um erro conceitual”.

Os atos de vandalismo, no entanto, parece ser o ponto comum que une as duas correntes. Embora seus objetivos sejam distintos: enquanto os anarquistas insurrecionais apontam para objetos simbólicos, como bancos ou imóveis, gerando danos materiais -considerando também os danos colaterais que podem implicar-, os eco-extremistas planejam ataques indiscriminados contra a “sociedade-rebanho” e o “humano-praga”, como definem.

Os próprios Individualistas Tendendo ao Selvagem do Chile, em seu primeiro comunicado, de fevereiro de 2016, evidenciam o distanciamento: “Já faz um tempo que jogamos no lixo a bíblia do anarquismo e sua igreja, especificamente o slogan de “sem Deus, nem mestres” ou “contra todo Deus”.

A resposta anarquista veio principalmente do exterior. Nos Estados Unidos, conseguiram o que muitos serviços de Inteligência não lograram: detectar alguns dos indivíduos por trás dos eco-extremistas, ou “eco-facistas”, como eles mesmos os apelidam, e difundiram seus dados na internet.

—No Chile, as críticas são duríssimas: os anarquistas os consideram uns imbecis — afirma o investigador.

Ameaças Invisíveis

Foi em 13 de janeiro de 2017, mas dois anos depois o pacote que explodiu nas mãos de Óscar Landerretche segue sendo o maior “orgulho” da curta história de ITS-Chile. Apesar das reivindicações por dezenas de atentados de diversas proporções entre outubro de 2015 e março de 2016, perpetrados pela Célula Karr-Kai, o ataque ao ex-presidente da diretoria da Codelco os colocou em uma discussão.

Regresión, revista que estreou em 2014, se encarregou de compilar e difundir os atentados dos eco-extremistas à nível mundial: na seção “Cronologia Maldita” detalham os ataques, com imagens dos artefatos e de suas consequências. Ali reúnem vários atentados no Chile, como o incêndio ocorrido em 24 de maio de 2016, na praça de alimentação do Mall Vivo, em Santiago.

Sua ação mais recente foi em 4 de janeiro de 2019, quando depositaram um artefato explosivo em um ponto de ônibus da Transantiago, na esquina Francisco Bilbao com Vicuña Mackenna: quatro pessoas ficaram feridas, sem risco de vida: “Nosso envelope-bomba estava composto por um niple de aço artesanal. Lembram deste niple? Foi o mesmo com o qual arrebentamos os dedos do mineiro em 2017. Desta vez, estava cheio com 100 gramas de pólvora negra cuja a ativação era gerada após puxar o explosivo encaixado e uma base.”, explicaram, posteriormente, em um comunicado acompanhado com a imagem de seu “presente”.

Também, através de seu blog, Maldición Eco-extremista, advertem sobre novos ataques: “Nós já estamos longe, ocultos e nos preparando para o próximo ataque, temos mais recipientes e mais vontade. Nossos pequenos artefatos causaram um enorme terror e tiveram uma grande repercussão mediática”. Asseguram, orgulhosos, que com pouco se pode fazer muito: você só precisa do desejo do desastre.

Seus próximos objetivos, aparentemente, estão ligados a Universidades, replicando o modelo mexicano que reivindicou numerosos atentados contra acadêmicos da UNAM desde 2011: “Nosso niple de aço contra a Universidade Católica Silva Henriquez em abril do ano passado e nossa garrafa térmica com lâminas abandonada em um ponto de ônibus em frente a Faculdade de Agronomia em setembro foram o preâmbulo do desastre”, lê-se no comunicado. Na quinta-feira 10 de janeiro, o GOPE desativou uma bomba de características similares a da última do atentado eco-extremista nas imediações da Universidade do Pacífico de Melipilla. O grupo ainda não se pronunciou.

Os anarquistas, entretanto, são acusados de serem os resposáveis pelo Caso Bombas I, que começou a tomar forma com uma série de ataques com artefatos incendiários em 2009. Mauricio Morales, em maio daquele ano, morreu após a explosão de um artefato que pretendia instalar na Escola de Gendarmería. Em 2011, Luciano Pitronello, outro anarquista, esteve próximo de ter o mesmo destino: sobreviveu, mas sofreu ferimentos graves. Em 2014, no chamado Caso Bombas II, foi condenado Juan Flores a 23 anos de prisão, pela detonação de uma bomba na Estação de Metrô da Escola Militar.

Estes ataques parecem ter se tornando uma verdadeira ameaça para o Ministério Público e a polícia: o Caso Bombas I foi considerado um fracasso e as condenações, nos últimos anos, foram apenas cinco: Luciano Pitronello (2012), Hans Niemeyer (2013), Carla Verdugo e Iván Silva (2013), Juan Flores (2018), Joaquín García e Kevin Garrido (2018).

Da Promotoria advertem que os eco-extremista podem chegar a ser ainda mais perigosos. São reconhecidos como grupos pequenos, de não mais que três pessoas, com motivações distintas a dos anarquistas, que estudam minunciosamente os lugares onde instalarão seus explosivos artesanais. As dificuldades para encontrá-los apontam principalmente a sua estrutura difusa: como não reivindicam uma ideologia política tradicional, é mais difícil rastreá-los. Também acrescenta o fato de que dispensam a comunicação formal: não utilizam telefones e se destacam pelo grande conhecimento de segurança informática. Após uma semana desde o último ataque ainda não há suspeitos. A investigação, segundo a Procuradoria, ainda se encontra na etapa de coleta de dados, esperando por informações, revisando câmeras.

Um ex-membro de um movimento que se define como anarco-sindicalista, no entanto, prefere não lhes dar tal importância:

—São uns cuzões que levantam suas cabeças uma vez por ano para dizer que existem. Não são a Al Qaeda ou a Frente Patriótica.

Nanotechnology: Armed resistance

Nanotechnology: Armed Resistance é um artigo publicado pela revista científica Nature que aborda as primeiras ações terroristas do grupo Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) em 2011. Na época a organização eco-terrorista se dedicou a atacar a comunidade científica engajada na exploração da nanotecnologia, especialmente investigadores da Tec de Monterrey no México.

Você pode ler o artigo completo no próprio site ou pode acessá-lo logo abaixo.

DESCARREGUE em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

RUMO À SELVAGERIA: Desenvolvimentos Recentes no pensamento Eco-Extremista no México

Tradução do ensaio Toward Sevagery – recent developments in eco-extremist thought in México, escrito por Abe Cabrera e publicado no espaço virtual da Ritual Magazine, uma revista de política e cultura e uma plataforma crítica para examinar a vida sob o capitalismo contemporâneo.

Introdução

“Isso foi chamado de Guerra Chichimeca e começou perto do momento da morte de Hernan Cortes (1547), simbolicamente fechando a “primeira” conquista do México. A nova guerra, travada na vasta área selvagem que se estende para o norte das terras da vitória de Cortes, ensanguentou quatro décadas, 1550-1590, a mais longa guerra indígena na história norte-americana. Foi a primeira competição plena e constante entre civilização e selvageria do continente.”


Philip Wayne Powell, Soldiers, Indians, & Silver: North America’s First Frontier War, vii

Em 2011, um grupo que se autodenomina “Individualidades Tendendo ao Selvagem” (Individualidades Tendiendo A Lo Salvaje – ITS) iniciou uma série de ataques eco-terroristas no México. Estes ataques variavam de cartas-bombas enviadas para diversas instituições de pesquisa em todo o país até o assassinato de um pesquisador em biotecnologia em Cuernavaca, Morelos. Para cada tentativa de atentado à bomba ou ação, o ITS publicava comunicados explicando os motivos por trás dos ataques, e usavam os ataques como “propaganda pelo ato” para propagar suas idéias. Em 2014, após uma série de polêmicas e auto-críticas, suas forças supostamente se juntaram com outros grupos aliados no México e mudaram seu nome para “Reação Selvagem” (Reacción Salvaje – RS). Este último grupo caracteriza-se como um grupo de “sabotadores niilistas, nômades incendiários, delinquentes individualistas, anarco-terroristas e críticos política e moralmente incorretos” [1], entre outros. Desde sua re-nomeação, o RS assumiu a responsabilidade pelo bombardeio de um Teleton, bem como pela recente agitação durante manifestações contra o governo na Cidade do México.

Não há nenhuma maneira de saber o número ou o tamanho de ITS/RS, as suas origens para o observador externo parecem obscuras e suas influências parecem indefinidas. Em seus comunicados há muitas citações de Theodore Kaczynski (conhecido como “Unabomber” ou “Clube da Liberdade” [Freedom Club]), bem como referências passageiras a Max Stirner e vários pensadores anarco-primitivistas. Seu método de ação e preferência por comunicados também sugerem óbvia influência de Kaczynski. Ao longo de seus escritos, no entanto, os indivíduos do ITS/RS insistem que não representam ninguém além de si mesmos, ética e ideologicamente. Conforme expresso no primeiro comunicado do ITS:

“Se tivéssemos de dar nomes para a guerra contra a civilização como aqueles que defendem a “revolução”, os “revolucionários” ou “pseudo-revolucionários”, estaríamos caindo no mesmo erro que os marxistas quando excluem as pessoas enquanto “contra-revolucionárias”. Além disso, nós estaríamos caindo no mesmo dogmatismo religioso de regimes de esquerda; onde Deus é a natureza selvagem; o Messias é Ted Kaczynski; a Bíblia é o Manifesto Unabomber, os Apóstolos são Zerzan, Feral Faun, Jesus Sepulveda, entre outros; o Paraíso muito aguardado é o colapso da civilização; o iluminado ou pregadores são os “revolucionários”, mantidos pela fé cega de que um dia a “Revolução” virá. Os discípulos serão aqueles que são “potencialmente revolucionários”, as cruzadas ou as missões serão a de levar a palavra aos círculos envolvidos nas lutas ambientalistas ou anarquistas (onde eles podem encontrar “potenciais revolucionários”); e os ateus ou seitas seriam aqueles de nós que não acreditam em seus dogmas, nem aceitamos as suas ideias como coerentes com a realidade presente. [2]

O objetivo deste artigo é analisar a trajetória ideológica do ITS/RS e tentar vinculá-lo a correntes intelectuais e históricas mais amplas. Nesta análise, tenho a intenção de mapear o desenvolvimento deste grupo a nível ideológico, mostrando mudança e continuidade dentro de suas idéias como reflexo da ação militante. Acredito que a história do ITS/RS é mais uma fuga ideológica de tendências anarquistas de esquerda, que inclui retórica tomada do anarquismo insurrecionalista e de lutas pela libertação animal, até de uma crítica aprofundada à ideologia anti-tecnologia de Theodore Kaczynski. Esta fuga incluí uma polêmica intensa em oposição à idéia de Kaczynski de revolução contra o “sistema tecno-industrial”. Em vez disso, o ITS/RS tem favorecido uma crítica egoísta individualista à ação das massas fundamentada por uma visão de suas próprias investigações antropológicas acerca da vida de caçadores-coletores no contexto mexicano. Vou argumentar que eles chegaram a uma abordagem “pós-política” para suas ações terroristas extremas, buscando uma reversão para uma selvageria indígena encontrada na longa história da civilização e resistência do México. Finalmente, vou avaliar as atuais tendências ideológicas do RS contra o registro histórico e pesquisa antropológica. Na minha opinião, o desenvolvimento ideológico do ITS/RS possui uma abordagem inovadora para o pensamento anti-civilização, embora esteja anexado ao romantismo vestigial e retórica exagerada que muitas vezes ofusca sua mensagem.

Para fora do Esquerdismo, Para dentro do Selvagem

O sétimo comunicado do ITS, publicado em 22 de Fevereiro de 2012, estabelece o seguinte:

“Seguindo temas de caráter anarquista, publicamente aceitamos que cometemos o erro em comunicados anteriores (especificamente o primeiro, segundo e quarto) quando nos referimos a assuntos que não conheço pessoalmente à respeito, mas aos quais naquela época nos considerávamos potenciais aliados. Durante esse tempo, o ITS foi muito influenciado pelas correntes de libertação (dos animais e da terra) e por insurrecionalistas, que foram no início uma parte integrante do nosso desenvolvimento ideológico, mas agora nós deixamos isso para trás, e como se pode ler acima, temos nos transformado em algo diferente.”

Uma das organizações mexicanas que popularizou os materiais do ITS/RS é a Ediciones Aborigen. Esta organização tem publicado vários comunicados do ITS/RS, bem como materiais de pesquisa produzidos muitas vezes em colaboração com o ITS/RS.[3] Em uma edição da revista Ediciones Aborigen [4], Palabras Nocivas, Ediciones Aborigen descreve sua própria história; digno de nota é o fato de que esse esforço de publicação saiu da dissolução de uma revista anterior, Rabia y Acción. Esta é uma revista insurrecionalista extinta que já havia coberto lutas de animais e de Libertação da Terra durante todo México e em outros lugares. A décima edição da revista, publicada em 2012, anunciou a sua dissolução, afirmando que os autores agora se opõem a sua antiga orientação voltada a ações pelos direitos dos animais e da terra. Eles vieram a considerar estas ações como “reducionistas”, “uma fuga psicológica” e “sentimentalista”. [5] Os autores também expressaram apoio à contenda de Kaczynski que afirma que a luta contra o “sistema tecno-industrial” é a única que importa . Eles também republicaram um ensaio em meados de 2003, intitulado “Stirner, o Único, o Egoísta e o Selvagem”, onde o autor afirma o seguinte: “O homem de verdade, e não o civilizado, o selvagem, foi sacrificado para o engrandecimento da glória da dominação pela pira civilizatório, juntamente com o resto dos animais selvagens e do próprio planeta”.

Muitos dos temas abordados pelos autores do Rabia y Acción ecoam os do ITS/RS, incluindo a crítica ao esquerdismo, lutas coletivistas e domesticação no coração da civilização. Os primeiros comunicados do ITS também expressam um horizonte expandido de ação de ativismo pela libertação animal e da terra. Seus ataques a nanotecnologia e cientistas trabalhando em diversos empreendimentos tecnológicos foram uma tentativa de atingir um alvo mais amplo do que campanhas contra fazendas industriais e vivissecação de animais que tinham sido os projetos anteriores de grupos eco-anarquistas no México. Considerando que os ataques até então tinham se focado no sofrimento concreto e exploração de determinados animais e extensões de terra, o ITS se focou no “sistema tecno-industrial” como um todo, conforme definido por Kaczynski durante sua suposta campanha contra a infra-estrutura científica durante todo o intervalo entre 1980 e meados de 1990.

A trajetória ideológica do ITS/RS e, portanto, de seus aliados, parece ser uma de purificação sem fim, talvez até mesmo paranóica, da mensagem acerca do ataque à tecnologia e à civilização. Neste processo de auto-crítica, o ITS/RS se desfizeram das suas ligações com o esquerdismo, o anarquismo e o coletivismo objetivando chegar cada vez mais a uma mensagem “mais pura” da guerra absoluta contra a civilização técnico-industrial, bem como a auto-conversão à “selvageria” na medida em que eles são capazes. Como se afirma em seu primeiro comunicado:

Vamos ver a verdade. Vamos plantar nossos pés na terra e parar de voar iludidos dentro da mente esquerdista. A revolução nunca existiu e, portanto, nem há revolucionários. Aqueles que se visualizam como “potencialmente revolucionários”, e que procuram por “mudança radical anti-tecnológica” estão sendo verdadeiramente irracionais e idealistas, porque tudo isso não existe. Tudo o que existe neste mundo moribundo é a autonomia do indivíduo e é para isso que nos esforçamos. E mesmo que tudo isso seja inútil e permaneça estéril em seus resultados, nós preferimos nos levantar em uma guerra contra a dominação do que nos manter inertes, meros observadores, passivos, ou parte de tudo isso. [6]

A crítica do ITS acabaria por afastar qualquer aparência de discurso esquerdista, incluindo a sua identidade anterior de “ecologista radical”. Posteriormente, ele também renunciaram a categorias ideológicas tais como “humanismo”, “igualdade”, “pluralidade”, e assim por diante [7]. No processo, o ITS/RS desenvolveu uma crítica pungente à revolução, ao esquerdismo e até mesmo à própria sociedade, em favor do objetivo singular da desestabilização do sistema tecnológico moderno. A conclusão definitiva do ITS/RS foi posta logo no início: a verdadeira solidariedade e comunidade humana não pode ser alcançada sob a civilização tecno-industrial, e, portanto, todas as idéias e valores que vem atreladas à ela são obsoletas e perniciosas. A ação coletiva é, portanto, fora de questão; somente a resistência de indivíduos que confrontam este sistema é adequada para aqueles que estão voltando à selvageria. A este respeito, nenhum curso de ação ou tática está fora de questão.

O Filho Bastardo de Ted Kackzynski [8]

Em janeiro de 2012, o ITS publicou o seu sexto comunicado que foi uma auto-crítica de várias tendências apresentadas anteriormente em comunicados anteriores. O comunicado começa por criticar o anterior uso ortográfico de colocar um “x” em vez de um “o” ou “a” em certos substantivos pessoais para preservar a neutralidade de gênero. [9] O ITS também clarificou a sua posição em relação ao “esquerdismo”, indicando que deixaria de enviar mensagens de solidariedade à prisioneiros anarquistas como vinha fazendo em comunicados anteriores, e que não iria nem mesmo se referir aos seus atos como parte de um “movimento” ou “revolução” para derrubar ou alterar o “sistema Techno-industrial.” O ITS resumiu a sua crítica ao esquerdismo afirmando:

“Com relação à nossa posição, o que isso tem a ver com a nossa guerra contra o esquerdismo? Temos reavaliado o que dissemos no passado, e concluímos que o esquerdismo é um fator que não merece nada mais do que mera rejeição, crítica e ruptura por parte de todos aqueles que lutam contra o sistema industrial Tecnológico.” [9]

A crítica ao esquerdismo é tomado em grande parte de Theodore Kaczynski. No parágrafo 214 de seu famoso “Sociedade Industrial e o seu Futuro”, Kaczynski afirma:

“Para evitar isso, um movimento que exalta a natureza e se opõe à tecnologia deve assumir uma posição resolutamente anti-esquerdista e deve evitar toda a colaboração com os esquerdistas. O esquerdismo é a longo prazo incompatível com a natureza selvagem, com a liberdade humana e com a eliminação da tecnologia moderna. O esquerdismo é coletivista; que busca unir o mundo inteiro (tanto a natureza quanto a raça humana) em um todo unificado. Mas isto implica gestão da natureza e da vida humana por parte da sociedade organizada, e isso exige tecnologia avançada. Você não pode ter um mundo unido sem transporte veloz e comunicação, você não pode fazer todas as pessoas amarem umas as outras sem técnicas psicológicas sofisticadas, você não pode ter uma “sociedade planejada” sem a base tecnológica necessária. Acima de tudo, o esquerdismo é impulsionado pela necessidade de poder, e o esquerdista procura sua energia numa base coletiva, através da identificação com um movimento de massas ou uma organização. O esquerdismo provavelmente nunca desistirá da tecnologia, porque a tecnologia é uma fonte muito valiosa de poder coletivo.” [11]

No sétimo comunicado, o ITS desenvolve uma crítica à afinidade entre anarquismo e sociedades primitivas. Por exemplo, o ITS defende na discriminação deste comunicado, a autoridade e a hierarquia familiar no contexto da vida de caçadores-coletores. Este também parece ser um reflexo da própria crítica de Kaczynski em seu ensaio, “A verdade sobre a vida primitiva: uma crítica ao anarco-primitivismo”:

“O mito do progresso pode ainda não estar morto, mas ele está morrendo. Em seu lugar um outro mito está crescendo, um mito que tem sido promovido principalmente pelos anarco-primitivistas, embora seja difundido em outros grupos também. De acordo com este mito, antes do advento da civilização ninguém nunca teve de trabalhar, as pessoas simplesmente arrancavam a comida das árvores e colocavam na boca e passavam o resto de seu tempo brincando de joguinhos com as crianças. Homens e mulheres eram iguais, não havia nenhuma doença, nem concorrência, nem racismo, sexismo ou homofobia, as pessoas viviam em harmonia com os animais e tudo era amor, partilha e cooperação.

É certo que o precede é uma caricatura da visão dos anarco-primitivistas. A maioria deles – espero – não estão tão longe do contato com a realidade como fiz parecer. Eles, no entanto, estão bastante longe da realidade, e é tempo de alguém desmascarar seu mito.” [12]

Estas posições, assim como as citações freqüentes de escritos e ações de Kaczynski, indicam claramente uma influência do legado “Unabomber” sobre o grupo mexicano. No entanto, o que eles herdam de suas leituras de Max Stirner e outros teóricos radicais aponta em uma direção bem longe da “revolução” contra a sociedade tecno-industrial de que Kaczynski falou. Na verdade, esta posição foi prevalecente no ITS desde os primeiros comunicados, mesmo que fosse muitas vezes revestida de açúcar ou apenas vagamente reconhecida, como na seguinte passagem do segundo comunicado:

“Recordamos que Kaczynski está em uma prisão de segurança máxima, isolado do mundo que o rodeia, desde 1996; certamente, se ele deixasse a prisão agora, iria perceber que tudo está pior (muito pior) do que estava da última vez que pode o ver no século passado, ele iria perceber o quanto a ciência e a tecnologia têm avançado e quanto elas têm devastado e pervertido. Ele iria perceber que agora as pessoas estão mais alienadas com o uso da tecnologia e que elas têm até mesmo colocado-a em um altar como a sua divindade, seu sustento, a sua própria vida. Como tal, o conceito de “revolução” é completamente antiquado, estéril e fora de contexto com as idéias anti-civilização que se gostaria de expressar. Uma palavra que em si tem sido usado por diferentes grupos e indivíduos na história a fim de chegar ao poder, a fim de mais uma vez dominar e ser o centro do universo. Uma palavra que tem servido como o ansiado sonho de todos os esquerdistas que têm fé de que um dia ela virá para libertá-los de suas cadeias.” [13]

Depois que o ITS se tornou o RS em 2014, começou uma polêmica bastante acentuado contra o Ediciones Isumatag (EI), um site de língua espanhola pró-Kaczynski. Em um comunicado intitulado “Algumas respostas sobre o presente e não sobre o futuro” várias facções do RS deram sua resposta às críticas do EI contra o RS por sua falha em endossar um movimento anti-tecnológico que poderia levar a uma derrubada revolucionária do sistema industrial tecnológico . Na sua resposta, o RS afirma que uma tal revolução teria de ser sustentada por um longo período de tempo em âmbito internacional, um evento que nunca aconteceu anteriormente na história. Na verdade, de acordo com o RS, a única revolução que teve um efeito transformador global foi a Revolução Industrial. [14] Aguardar uma revolução em um futuro indefinido é uma esperança “sem nada de concreto, totalmente no ar”. A “revolução” é, em uma palavra, impossível, e talvez nem mesmo desejável. O RS escolhe assim viver e lutar no presente contra a sua domesticação e subjugação:

“Quando o ITS (em seu momento), ou as facções do RS, declaram que não esperam nada dos ataques que realizamos, estamos nos referindo ao que é estritamente associado com o “revolucionário” ou “o que é transcendental na luta”. Nós não esperamos por uma “revolução”, nem por uma “crise mundial”, nem pelas “condições ideais.” A única coisa que esperamos é que depois de um ataque, nós possamos sair intactos com a nossa vitória individualista, com as mãos cheias de experiências para os próximos passos que serão ainda mais constantes, destrutivos e ameaçadores.” [15]

Assim, o RS classifica a revolução anti-tecnológica de Kaczynski tanto como delirante quanto um impedimento à ação extremista no aqui e agora. O único caminho aceitável de ação para o ITS/RS é um em que apenas o presente importa, um que golpeia a máquina tecnológica com pouca preocupação com efeitos ou consequências de longo prazo. O ITS/RS abdicou assim a sua obrigação para com o futuro em nome de atos individualistas de violência que são uma feroz desconstrução de sua própria domesticação. É claramente observável que o ITS/RS nunca acreditou que qualquer outra coisa fosse possível ou construtiva. O que vou tentar mostrar no restante deste ensaio é como eles chegaram a essas conclusões, e como o seu próprio estudo do passado os levou a rejeitar o futuro em nome de um presente selvagem.

Axcan kema, tehuatl, nehuatl! (Até sua Morte, ou a minha!)

A transição do Individualidades Tendiendo a lo Salvaje à sua nova identidade de Reacción Salvaje em 2014 foi marcada por um enfoque decisivo na história no contexto mexicano. O pensamento anti-civilização no México aborda a longa história de resistência à civilização que já acontecia mesmo antes da chegada dos europeus. Em particular, tribos de caçadores-coletores do norte do México central eram uma ameaça constante para as prósperas civilizações que os europeus encontraram após a sua chegada. Embora esta região do mundo tenha domesticado algumas culturas como o milho, que serviu como a espinha dorsal da agricultura sedentária em todo o continente, a dominância da forma civilizada de vida não alcançava algumas das regiões vizinhas dos impérios da Mesoamérica pré-conquista. Mesmo após a conquista espanhola em 1521, estas tribos do norte, chamado de “Gran Chichimeca” (Grande Chichimeca), travaram uma guerra feroz com o crescente império espanhol. Esta guerra duraria quase quarenta anos. O RS retira substancial inspiração ideológica deste evento histórico, como declarou em uma polêmica recente:

“Ediciones Isumatag escreve em seu texto que o confronto direto constitui, mais cedo ou mais tarde, suicídio, e eles estão certos. Mas decidimos que, para nós mesmos, sabemos que talvez teremos que compartilhar o mesmo destino de prisão ou morte dos selvagens guerreiros Chichimecas Tanamaztli e Maxorro, o mesmo que aconteceu com indomável Chiricahua Mangas Coloradas e Cosiche. Isso nós sabemos bem, nós escolhemos nos engajar em uma luta até a morte com o sistema antes de conformar-nos e aceitar a condição de seres humanos hiper-domesticados que eles querem nos impor. Lembramo-nos de que cada indivíduo é diferente. Para alguns, é bastante reconfortante se enganarem pensando que um dia uma grande crise vai chegar e só então eles vão trabalhar ativamente para o colapso hipotético do sistema. Mas para nós, esse não é o caso. Nós não somos idealistas, vemos as coisas como elas são, e elas nos impelem à confrontação direta, assumindo sobre nós mesmos as últimas conseqüências.” [16]

Outro trabalho que o RS e seus aliados têm realizado é imprimir publicações como o Regresión e o Palabras Nocivas que publicam tanto propaganda do RS quanto matérias informativas sobre a história indígena de luta contra a civilização. Por exemplo, em outubro de 2014, um número do Regresión foi lançado com informações sobre a resistência Chichimeca à colonização espanhola e à Guerra de Mixtón do século 16. [17] A Guerra de Mixtón foi uma revolta, em 1541, dos povos recentemente conquistados contra a dominação espanhola no centro do México. Esses povos indígenas tinham sido agricultores sedentários que “reverteram” para um estilo de vida caçador-coletor nas colinas e montanhas da região central do México para combater os espanhóis. No decorrer do ano, as forças indígenas conquistaram vitórias bastante impressionantes, mas em 1542 eles foram decisivamente derrotados por uma coalizão de espanhóis e seus aliados indígenas. Como o autor do artigo Regresión escreve:

“Cinvestav alterou e modificado geneticamente um grande número de plantas antigas e exóticas. Uma dessas plantas é a chilague, uma de nossas raízes ancestrais. Muitos selvagens foram salvos da morte através do uso desta raiz, e assim eles foram capazes de continuar sua guerra contra a civilização. Pode-se afirmar com firmeza que a Guerra Mixtón (1540-1541), a Guerra Chichimeca (1550-1600) e a Rebelião de Guamares (1563-1568) foram todas autênticas guerras contra a civilização, tecnologia e progresso. Os Chichimecas selvagens não querem um novo ou melhor governo. Eles não desejavam nem defendiam as cidades ou centros das civilizações mesoamericanas derrotadas. Eles não buscavam a vitória. Eles só desejavam atacar aqueles que os atacaram e os ameaçaram. Eles buscavam confronto, e de lá vem a grito de guerra: “Axkan kema, tehualt, nehuatl”. (Até a sua morte, ou a minha)” [18]

O Chichimeca é o “selvagem” arquetípico no pensamento atual do RS, mais do que qualquer outro grupo de caçadores-coletores. Os nômades caçadores-coletores que se encontravam aonorte da civilização mesoamericana foram inimigos ferozes das cidades agrícolas sedentárias da região central do México antes da chegada dos espanhóis. A afinidade recém-descoberta do RS com a história do Gran Chichimeca é a melhor indicação de uma mudança ideológica dentro de suas fileiras. Não só é necessário rejeitar o esquerdismo e a “revolução” contra o sistema tecno-industrial, mas em sua mentalidade, é preciso voltar a “selvageria”, e adotar o ethos dos antigos “selvagens” que lutaram contra a civilização. O RS pretende, assim, ir da crítica ao abandono imediato da mentalidade civilizada, em direção a uma atitude que eles reconhecem como “selvagem” e mais em sintonia com a natureza, que é a única considerada boa.

A tendência intelectual do RS no sentido de uma nova barbárie parece ser um resultado de um envolvimento com fontes acadêmicas disponíveis. Enquanto estas fontes tendem a documentar o Gran Chichimeca como um lugar inóspito e violento, sem dúvida essas calúnias só inspiraram ainda mais o RS na adoção de uma identidade “feroz”. A dureza da vida de caçadores-coletores em uma região árida ainda equivale a liberdade em seus olhos. Um artigo de investigação independente citado no blog El Tlatol é intitulado, “Repensando o Norte: O Grande Chichimeca – Um Diálogo com Andres Fabregas.” [19] Uma passagem deste trabalho cita o imperador asteca pré-colombiano, Montezuma Ilhuicamina, que afirmou o seguinte, relativo à re-escrita da história asteca:

“Temos que reconstruir nossa história, porque ainda somos como os Chichimecas do Vale do México, e isso não pode acontecer. Assim, devemos apagar essa história Chichimeca de nosso passado e construir outra: a história de como nós somos o povo civilizador do México, e como nós somos os construtores da grande Tenochtitlan.”

Fabregas nesta entrevista também resume as atitudes dos astecas e outros índios civilizados como a seguir:

“E, efetivamente, os mexicas renunciaram ao passado, afastaram-se de seu passado, que era um passado Chichimeca, inventaram o termo: mais do que o termo, eles inventaram o conceito, o que torna as pessoas do norte, ao norte do centro do mundo – já que o México é o centro do mundo – povos incivilizados. E eles usaram um argumento que agora parece lunático para nós, mas naquele momento foi crucial. O argumento era: os Chichimecas não sabiam como fazer tamales, para não mencionar como comê-los. Nós achamos isto estranho, mas o fato é que fazer tamales exigia toda uma transformação da natureza. Um conhecimento impressionante da natureza. Era como um resumo da história cultural. Com isto queriam dizer que os Chichimecas não são capazes de criar cultura.” [20]

Outros mexicas prenunciaram preconceitos europeus contra a vida “primitiva” de caçadores-coletores, descrevendo a terra dos Chichimecas aos primeiros cronistas espanhóis sob uma luz muito negativa: “É uma terra de penúria, de dor, de sofrimento, fadiga, pobreza e tormento, é um lugar de aridez pedregosa, de fracasso, um lugar de lamentação; é um lugar de morte, de sede, um lugar de desnutrição. É um lugar de muita fome e muita morte”. [21]

A rejeição à moralidade recebeu das RS até parece, em certa medida, inspirada pelo que eles consideram ser as atitudes dos Chichimecas em relação à sociedade cristã ocidental. Por exemplo, em um comunicado assumindo a responsabilidade por um ataque recente sobre o Teleton Nacional em Novembro de 2014, o “Nocturnal Hunter Faction” do RS declarou: “Sem o recurso a mais explicações, não somos cristãos, e nobreza é algo que não pode ser atribuído a nós! Nós somos selvagens! Nós não desejamos defender ou caridade dos outros e para os outros!” [22] A aparente imoralidade e ardor de luta é uma característica comumente conhecida dos Chichimecas em sua guerra contra os espanhóis e seus aliados indígenas cristianizados. O estudioso norte-americano, Philip Wayne Powell, em seu livro seminal sobre a Guerra Chichimeca, “Soldados, Índios e Prata”, afirma o seguinte sobre o tratamento dos Chichimecas à seus inimigos capturados em batalha:

“A tortura e mutilação de inimigos capturados pelos Chichimecas tomou muitas formas. Às vezes, o peito da vítima era aberto e o coração era removido enquanto ainda estava pulsando, na forma do sacrifício asteca; esta prática era característica das tribos mais próximas dos povos sedentários do sul. O escalpelamento foi amplamente praticado no Gran Chichimeca e, com freqüência, enquanto a vítima ainda vivia… Os guerreiros também cortavam os órgãos genitais e enfiava-os na boca da vítima. Eles empalavam seus cativos, “como os turcos faziam.” Eles removiam várias partes do corpo, perna e braço, ossos e costelas, um por um, até que os prisioneiros morressem; os ossos eram, por vezes, levados como troféus. Algumas vítimas eles jogavam do alto de penhascos; alguns eles enforcavam. Eles também abriam as costas e arrancavam os tendões, que eles usavam para amarrar pontas de seta em flechas. As crianças pequenas, que ainda não caminhavam, eram agarradas pelos pés e as cabeças eram batidas contra rochas até que seus cérebros esguichassem para fora.” [23]

Apesar de sua barbárie, e talvez por causa dela, os Chichimecas foram praticamente invictos militarmente pelos espanhóis e seus aliados indígenas subjugados. Eles eram guerreiros ferozes com “vantagem de jogar em casa” em terreno hostil, e a guerra da Espanha contra eles se arrastou por décadas no final do século XVI. Para o Reacción Salvaje, eles são oponentes arquetípicos contra a civilização no contexto mexicano. Num comunicado recente, alguns membros admitem ter para a região onde estas batalhas ocorreram para interrogar os moradores locais para obter mais detalhes e confirmar o que leram nos livros de história “civilizados”. [24]

Os membros do RS, juntamente com o jornal Regresión e o Ediciones Aborigen, resumiu o que a Chichimeca significava para sua versão de ideologia eco-extremista em sua compilação antropológica, “O Lugar das Sete Cavernas”:

“Nós entendemos Chicomoztok [O Lugar das Sete Cavernas] como aquele lugar isolado da civilização, o local de convergência de várias tribos nômades selvagens, que representa a vida selvagem e plena que nossos ancestrais viviam antes de serem convencidos a adotar a vida sedentária. É uma visão do passado que tende para a regressão e uma lembrança daquilo que temos vindo a perder pouco a pouco. Ele simboliza para nós a clivagem ao nosso passado primitivo e, assim, a defesa extrema da natureza selvagem; o fogo inicial que incita conflito individual e em grupo contra o que representa artificialidade e progresso.” [25]

Os Chichimecas são o símbolo da intransigência do RS ao ponto de morte contra uma força que está destruindo a natureza através da tecnologia e vida civilizada. Note-se também que o símbolo do RS, com a sua representação de um indígena vestido em pele de coiote acendendo um fogo, é tomada a partir de um códice que representa um guerreiro Chichimeca em Chicomoztok. Mesmo a própria idéia de tempo é concebida como sendo “muito civilizada” para o RS e seus aliados e, portanto, o objetivo é concebido em termos os quais apenas um “selvagem” adequado poderia compreendê-los:

“Nós não acreditamos na possibilidade de “revoluções anti-industriais”, nem nos movimentos futuristas que podem trazer (de acordo com aqueles pensadores) a queda deste sistema artificial. Na natureza selvagem, não existe “possivelmente”, nem “talvez”. Não há pontos intermediários, nem neutros. Só existe o concreto: é ou não é. A sobrevivência sempre foi assim, e obedecemos essas leis naturais. O presente é tudo o que há, aqui e agora. Tentar ver o futuro, ou trabalhar para realizar algo no futuro, é um desperdício de tempo. Esse tem sido o verdadeiro erro dos revolucionários.” [26]

Conclusão: o Orgão do Capitão Vancouver, Ou: como o Norte venceu?

Tendo percorrido a trajetória ideológica do ITS/RS, neste momento eu sinto a necessidade de fazer uma avaliação da recente “selvageria” do RS. O aspecto que mais precisa ser interrogado é “anti-hagiografia” que o RS faz dos Chichimecas. Embora seja claro que a guerra terminou com a dominação espanhola, não fica claro, pela narrativa ideológica do RS, como ela terminou. Era realmente um “lutar até a morte”? Foram todos os Chichimecas abatidos? E se não, por que eles finalmente se renderam? Ou, isso poderia mesmo ser chamado de “rendição”?

O que o RS e seus aliados parecem não se importar de falar é que, pelo menos de acordo com o livro inovador de Philip Wayne Powell sobre o assunto, o fim da Guerra Chichimeca foi relativamente pacífica e anti-clímax. Enquanto alguns guerreiros, de fato, “lutaram até a morte”, a grande maioria não o fez. Eles eram militarmente parelhos ou mesmo superiores aos seus adversários espanhóis, mesmo com a ajuda de indígenas “sedentários” aliados. Enquanto muitos Chichimecas foram levados cativos durante a fase da guerra que Powell denomina, “la guerra a fuego y a sangre” (a guerra à fogo e sangue, ou menos figurativamente, a guerra total), o impasse que se seguiu obrigou os espanhóis a adotar outra abordagem para acabar com as hostilidades. Em vez de utilizar um método de pacificação que incentivava a escravização dos índios como forma de pagamento aos soldados mercenários, a Coroa decidiu pegar os fundos para a guerra e usá-los para pagar a lealdade de vários líderes Chichimecas. Em tantas palavras, os espanhóis compraram os Chichimecas:

“A diplomacia de paz tornou-se um pouco menos difícil durante a última década do século [XVI], como as tribos Chichimecas perceberam que poderiam obter vantagens a partir dos tratados de paz e que eles não seriam prejudicados pelos espanhóis. Vez após vez, os próprios índios iniciaram negociações de paz, mostrando vontade real de abandonar a sua vida nômade e se estabelecer nas terras de nível.” [27]

Avançando apenas mais de dois séculos pode-se ver este processo replicado mais ao norte, desta vez na Califórnia colonial tardia. Enquanto este último exemplo se deu com ainda maior tragédia e violência devido a uma mortandade em massa de doença e violência dos colonos, no geral, a subjugação dos índios da Califórnia frente o sistema de missão foi um caso quase voluntário. Como comenta Randall Milliken em seu livro, A Time of Little Choice: The Disintegration of Tribal Culture in the San Francisco Bay Area 1769-1810:

“Os moradores da área da baía foram tentados por produtos materiais e tiveram suas práticas tradicionais denegridas pelos agentes da complexidade tecnológica e organizacional ocidental. As taxas de mortalidade elevadas e a ameaça contínua de violência militar esmagadora contra qualquer grupo que tentasse barrar os proselitistas missioneiros aumentou a pressão. É de se admirar que os povos tribais tenham chegado a duvidar do valor de sua cultura nativa, e começado a aceitar uma definição de si mesmos como ignorantes, não qualificados, e merecedores de uma vida de subordinação na nova estrutura social baseada em castas?” [28 ]

Em alguns casos, não foi necessário muito contato para convencer as tribos indígenas para subjugarem-se ao jugo cristão espanhol. Nos anais da missão de San Juan Bautista, na Califórnia, é contada uma história de um órgão que pertenceu ao capitão britânico George Vancouver:

“Em uma ocasião, esse órgão foi designado para salvar a missão da destruição nas mãos dos bélicos índios Tulare, que atacaram San Juan Bautista, assassinando neófitos e fugindo conduzindo os cavalos. Índios cristãos recuperaram os cavalos, e os Tulares, gritando gritos de guerra, apareceram novamente. Padre de la Cuesta arrastou o órgão apressadamente para fora e começou a acionar a manivela furiosamente. O clangor da música primeiramente deixou os agressores intrigados, e depois os encantou, então pacificamente se renderam à missão que eles tinham a intenção de destruir.” [29]

Dessa forma, o RS cometeu um erro raro, mas ainda assim grave, de considerar certos povos como “selvagens ignóbeis” completamente imunes ao comportamento e consideração “civilizados”. Este, claramente, não foi o caso do registro histórico. Enquanto os Chichimecas empreenderam duras batalhas na fronteira para defender seu modo de vida, uma vez que se tornou claro que o espanhol iria lhes dar presentes e não escravizá-los, em sua maior parte, eles se estabeleceram de bom grado ao lado de seus antigos inimigos indígenas sedentários e fizeram as pazes com a ordem colonial. Em última análise, os chichimecas e outros índios na fronteira não travaram uma guerra de morte contra a civilização. Com efeito, não se pode projetar um discurso anti-civilização da parte deles, porque eles não sabiam o que isso significava. Os povos indígenas não foram nem homogêneos nem aliados uns dos outros de alguma forma coesa. Eles não estavam unidos como uma força contra algo que viríamos chamar de “civilização”. Quando foi dada uma forma de se comprometer, pelo menos na questão da guerra Chichimeca e na Califórnia colonial, os nativos aceitaram o fim de seu modo de vida sem muita resistência.

O ato do ITS/RS de olhar para a sua própria história local buscando fundamentar sua luta em guerras anteriores contra a civilização travadas em solo mexicano é altamente admirável e renovador no contexto de conceitos de esquerda muitas vezes abstratos. No entanto, a sua atitude a respeito da necessidade de um “retorno à selvageria”, uma espécie de purificação da poluição da modernidade e da esquerda, é um enquadramento intelectual mal concebido. A única razão pela qual nós sabemos que a civilização é o mal é porque temos passado por isso e temos vindo a temer o atual Prometeica vontade de poder sobre a natureza. “Purificação” é, portanto, muito mais difícil do que o ITS/RS as vezes deixa transparecer.

No entanto, ainda que os nossos antepassados tenham falhado na luta contra o Leviatã civilizado, eu e outros acreditamos que essa luta deve continuar. A retórica semi-suicida do ITS/RS à respeito do enfrentamento contra a civilização tecno-industrial pode parecer exagerada às vezes, mas, dada a cooptação de todas as lutas anteriores e o verdadeiro beco sem saída que é o esquerdismo, é difícil argumentar contra a adequação de tal militância. Um animal selvagem pode fugir, mas quando encurralado, ele não senta e obedece; ele ataca; mesmo que as probabilidades estejam contra ele, mesmo que a morte seja certa. Um animal selvagem só pode ser morto pela civilização porque não serve a nenhum uso para ela. Aqueles animais que obedecem e encontram uma maneira de se acomodar à seus mestres são a história de sucesso da domesticação. Os animais que se escondem na auto-preservação são o que a civilização precisa. Esquemas e revoluções para “um futuro melhor” podem muito bem ser a armadilha na qual sempre caímos. Esta é a armadilha que leva à domesticação e conformidade, que é uma morte em vida que conduz rapidamente à morte real maciça em uma escala global.

Assim, pode-se criticar as táticas das ITS/RS, a sua falta de empatia para com as vítimas que se tornam “danos colaterais” em seus ataques, sua prosa histriônica, seu romantismo sádico, e assim por diante. Mas quando tudo tiver sido dito e feito, a lápide da Terra dirá que ela morreu por culpa de um modo de vida que procurou trazer paz e prosperidade à custa da escravidão de todas as coisas para os seus fins. Esse tipo de violência generalizada e despretensiosa faz ações como as do ITS/RS parecerem insignificantes, por comparação. Talvez, nesse sentido, nós também devemos evocar a “selvageria”, aquela vida interior ainda não conquistada, que proclama uma firme não-servidão a um sistema que oferece paz ao preço de nossa morte lenta. Talvez seja por isso que está escrito: “E desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência, e os violentos o tomam pela força” (Mateus 11:12).

Notas:

[1] First communiqué of Wild Reaction, 113, found at: https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/11/la-naturaleza-es-el-bien-la-civilizacic3b3n-es-el-mal.pdf. The title of the book containing the communiqués is: La Naturaleza es El Bien, La Civilización es el Mal: Comunicados de Individualidades tendiendo a lo salvaje. Edicions Matar o Morir: Mexico, 2014. All translations are the author’s unless otherwise noted.

[2] Second ITS communiqué, 20.

[3] See for example this link: https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/12/el-lugar-de-las-siete-cuevas.pdf

[4] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/08/palabras-nocivas-5.pdf

[5] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/08/rabia-y-accion-10.pdf

[6] First ITS communiqué, 11.

[7] First communiqué of Wild Reaction, August 2014.

[8] The title is taken from this link: https://eltlatol.wordpress.com/2015/01/12/eco-extremismo/

[9] In Spanish, as in most Romance languages, plural personal nouns where a mixed group of people of both genders are present are made masculine by default, no matter what the makeup of the group. Some radical groups of feminist sensitivities try to get around this by placing a gender neutral “x” instead of an “a” or “o” at the end of plural personal nouns to avoid this grammatical rule, e.g. “compañeros” (comrades) becomes “compañerxs”.

[10] Sixth ITS communiqué, 74.

[11] Technological Slavery, 106.

[12] Technological Slavery, 129.

[13] Second communiqué, 18.

[14] https://eltlatol.wordpress.com/2014/11/24/algunas-respuestas-sobre-el-presente-y-no-del-futuro-2/

[15] Ibid.

[16] https://eltlatol.wordpress.com/2014/11/24/algunas-respuestas-sobre-el-presente-y-no-del-futuro-2/

[17] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/10/regresion2.pdf

[18] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/08/regresic3b3n-1.pdf

[19] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/10/la-gran-chichimeca.pdf

[20] Ibid.

[21] Braniff, 7.

[22] https://eltlatol.wordpress.com/2014/11/18/artefacto-explosivo-detonado-en-fundacion-teleton-mexico/

[23] Powell, 51.

[24] https://eltlatol.wordpress.com/2015/02/27/ya-se-habian-tardado-reaccion-salvaje-en-respuesta-a-destruye-las-prisiones/

[25] https://eltlatol.files.wordpress.com/2014/12/el-lugar-de-las-siete-cuevas.pdf

[26] https://eltlatol.wordpress.com/2014/09/22/algunos-comentarios-criticos-al-articulo-de-john-zerzan-en-vice/

[27] Powell, 207.

[28] Milliken, 226-27.

[29] http://www.sandiegohistory.org/journal/63january/organ.htm

Bibliografia

Braniff, Beatriz, ed. La Gran Chichimeca: El lugar de las rocas secas. México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 2001.

Individualidades Tendiendo a lo Salvaje (ITS). La Naturaleza es El Bien, La Civilización es el Mal: Comunicados de Individualidades tendiendo a lo salvaje. México: Ediciones Matar o Morir, 2014.

Kaczynski, Theodore. Technological Slavery: The Collected Writings of Theodore J. Kaczynski, a.k.a. “The Unabomber.” Port Townsend, WA: Feral House, 2010.

Milliken, Randall, A Time of Little Choice. Menlo Park, CA: Ballena Press, 1995.

Powell, Philip Wayne. Soldiers, Indians, & Silver: North America’s First Frontier War. Tempe: Center for Latin American Studies, 1975.

[ES – PDF] “Nem Insensatos, Nem Dementes” – ¿Qué es el Eco-extremismo?: análisis de “Individualistas Tendiendo a lo Salvaje”

¿Qué es el Eco-extremismo?: análisis de “Individualistas Tendiendo a lo Salvaje é uma assertiva investigação desenvolvida por Bio-Bio Chile após o ataque realizado por um grupo chileno de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) contra Óscar Landerretche no início de 2017, época em que dirigia a empresa estatal de mineração.

Abaixo está a tradução da introdução do artigo.

O que é o Eco-extremismo?

Análise de Individualistas Tendendo ao Selvagem

(…) O que temos exposto -exceto as notas de rodapé e referências da imprensa-, foi tirado diretamente das publicações de ITS. Embora seja um breve resumo, permite realizar a seguinte análise ideológica, e sua correspondente correlação política e factual: O Eco-extremismo que defende ITS, é, em essência, uma nova expressão do Niilismo como fundamento filosófico e do Eco-pessimismo como doutrina base. É um Neo-niilismo. (…)

Entao, como vimos, não se trata de “Anarquistas”: estão muito além da mera abolição do “Princípio”… seu objetivo é “Nada Humano”. E além, parafraseando a Emile Cioran, “se tivessem o poder, destruiriam ao homem e limpariam da Terra as suas pegadas”: são narrativas densas e complexas, com fundamentos consistentes, e até mesmo terrivelmente coerentes em sua absoluta busca do Nada.

Não “carecem de um programa político”, pelo contrário, seu programa é a ação direta, sistemática, sem tréguas nem descanso contra seus alvos, “renunciando até mesmo a pensar no amanhã”. Sua política é agora, sempre, e sua –nas palavras do Subsecretário Aleuy–, “estranha denominação”, reflete exatamente sua ideologia: são, precisamente, “Individualistas Tedendo ao Selvagem”.

São extremamente formais em suas convicções, a ponto de nunca renunciar a sua própria anti-natureza humana, chegando até a postular o suicídio como saída formal final. Em suas concepções, não há nem vítimas nem vitimizadores, nem culpados nem inocentes, nem civilizados nem incivilizados, mas “não-civilizados”.

Portanto, “Indivíduos Tendendo ao Selvagem” não são, como os qualificou o Subsecretário Aleuy, “bárbaros”, conceito que os gregos cunharam para denominar os persas, referindo ironicamente a sua fala: “bar-bar”, um término que posteriormente foi utilizado por alguns antropólogos para denominar como “barbárie” um estado de evolução cultural das sociedades humanas, intermediário entre selvagismo e a civilização.…

Como ITS afirmou em seu comunicado: “Somos uma Horda de selvagens eco-extremistas, niilistas e egoístas, estamos pelo caos total na civilização e pela proliferação da delinquência”.

E, por último, eles NÃO “tem mais aversão à pessoas que eram da Concertação que as mesmas pessoas de direita”: para eles dá exatamente no mesmo se assassinam a alguém de direita, de esquerda, de cima, de baixo, negro, branco, chinês, judeu, palestino, heterossexual, homossexual, homem ou mulher, criança ou idoso, deficiente ou campeão olímpico, pobre ou rico, idiota ou inteligente. Para eles, qualquer Humano civilizado merece estar morto.

Como pontou o presidente da Suprema Corte, Hugo Dolmestch:

“Espera-se que as autoridades competentes façam o máximo esforço para esclarecer este crime, que pode dar início a uma escalada…”, sustentando que o atentado “é de uma gravidade tremenda, que pode mudar a história delitual e política no Chile”.

É provável que a você tudo isso possa soar como uma completa loucura, própria de “insensatos ou dementes”…. Mas eles não são.

Se trata de jovens, de adultos jovens, completamente lúcidos, sensatos e cabais. Não estão nem loucos nem doentes. Não são nem estúpidos nem ignorantes. Pelo contrário. Todos os seus textos e, em particular, seus trabalhos historiográficos, antropológicos e ideológicos, revelam muita formação intelectual e pensamento complexo… mesmo quando se expressam com erros ortográficos óbvios.

E o mais importante: se definem como terroristas –não quanto ao uso do “terror por si mesmo”, mas seu uso como “propaganda pelo ato”–, eles mesmo se consideram extremamente perigosos, e advertem que não vão parar, não vão se arrepender e que nunca, nunca se renderão.

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