[FILME] Ex-Pajé

Ex-Pajé é um filme do cineasta brasileiro Luiz Bolognesi que retrata a ameaça das igrejas evangélicas e da modernização ocidental para a identidade cultural dos povos indígenas contemporâneos. O filme exibe a história de Perpera, um antigo pajé da tribo dos Paiter Suruí obrigado a se converter ao cristianismo após ser acusado de ter ‘vínculos com o diabo’ por uma cruzada evangélica. Até os 20 anos Perpera viveu num grupo isolado na floresta onde se tornou pajé. No entanto, depois que os brancos passaram a explorar o local, ficou difícil para o índio continuar a tradição. Isso porque os pastores evangélicos condenavam os atos e saberes do pajé. Em resumo: diziam que a pajelança era coisa do Diabo. Mesmo que não acreditasse, Perpera se sentiu obrigado a desistir. Viu-se cada vez mais isolado socialmente.

Para o filme um manifesto foi escrito, “os espíritos da floresta estão zangados, chorando por ajuda, como se, para cada árvore derrubada, cada rio poluído, eles se aproximassem da extinção. Um sábio xamã disse uma vez, a floresta é um portal cristalino, e todos nós, os humanos, precisamos disso. Se a floresta partir, nosso espírito partirá também. Os pajés devem existir e, para existir, devem ser respeitados. Antes que seja tarde demais, o mundo seja esvaziado de sua espiritualidade e o Céu pode cair sobre nossas cabeças! Chega de etnocídio! Mais pajés! Menos intolerância”, diz um trecho.

Segundo o cineasta, o papel da evangelização está sendo exercido pelas igrejas evangélicas, que têm correntes “fundamentalistas e muito agressivas” e apresentam grande crescimento no Brasil. Além disso, o trabalho destas igrejas é realizado de modo “muito violento”, em particular, contra os pajés, ao os acusarem de terem ligação com o diabo, o que os leva a serem perseguidos por seu próprio povo.

Algumas lideranças indígenas mostradas no filme afirmaram que a violência contra os pajés e a perseguição da igreja é, precisamente, o maior problema que os povos indígenas enfrentam atualmente no Brasil, por isso decidiram escrever um manifesto, que teria trechos lidos durante a apresentação do filme no festival.

O texto lembra que “em nome de um deus, homens missionários atacaram nos últimos séculos muitas outras formas de vida” e alerta que hoje se observa “o emergir de novas cruzadas de intolerância”, especialmente de missões evangélicas.

Além disso, os indígenas denunciam que os evangelizadores “se aliam aos inimigos dos povos indígenas, com mineradores e lenhadores legais e ilegais, com o objetivo de explorar não apenas os elementos preciosos de suas terras, mas também de suas almas”.

Segundo Bolognesi, “o encontro entre o interesse evangélico e o agrobusiness é estratégico”, pois ambos formam uma rede que “trabalha em conjunto” e que tem como objetivo destruir a dimensão mitológica dos povos indígenas.

“Se acabamos com sua mitologia, a floresta já não tem valor mágico, já não tem valor simbólico, espiritual” e, assim, fica mais fácil convencer os povos indígenas a destruir tudo e a despertar neles o interesse pelo dinheiro, comentou o cineasta.

Para Bolognesi, é precisamente de sua relação mitológica com a floresta e com a terra que os ocidentais brancos têm algo a aprender.

“Falamos muito de sustentabilidade, esta é a palavra do momento, mas ninguém no mundo conhece mais de sustentabilidade que os povos indígenas das Américas”, afirmou o cineasta.

Durante milhares de anos, explicou Bolognesi, os povos indígenas viveram de uma riqueza muito grande de carboidratos e proteínas, “sem destruir a diversidade de DNA que existe no mundo”.

Por meio das imagens, fruto da sensibilidade do diretor, Ex-Pajé deixa clara a intensidade e a gravidade da nova inquisição cristã e também o incômodo de Perpera. As cenas em que ele aparece nos cultos, está sempre de costas para o Pastor, com o olhar voltado para a floresta.

Trailer:

Para assistir o filme você pode descarregá-lo neste link. Lembramos que não hospedamos nesta plataforma qualquer tipo de arquivo ilícito ou não autorizado, e todo o material aqui compartilhado é extraído de fontes públicas na web.

Esta publicação contém trechos extraídos do Portal Geledés.