[VÍDEO] Entrevista do sociólogo Rodrigo Larraín sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem

Interessante entrevista de um sociólogo a um jornal chileno sobre ITS. Em seguida um texto analisando o que foi dito.

Entrevista da televisão chilena. O sociólogo entrevistado apresenta um interessante ponto de vista sobre o que representa o grupo Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

A fim de esclarecer algumas coisas ditas no programa e de uma maneira puramente pessoal, darei meu ponto de vista, tentando responder algumas questões. Embora eu deva dizer que, devido à profunda estupidez, insensatez e imbecilidade máxima do entrevistador, nenhum de meus esclarecimentos poderá fazê-lo entender qual é o real pensamento de ITS.

A entrevista é do dia 07 de Janeiro de 2019, e foi transmitida no jornal matinal Chilevision Noticias.

Sobre o Sociólogo

O acadêmico, de uma maneira bem-sucedida, consegue acertar algumas coisas e, em geral, creio que graças a seu conhecimento, ele consegue nos dar uma boa interpretação do significado das siglas. Mas, aparentemente, não tem conhecimento de um ponto crucial da guerra de ITS-Chile, dizendo que ITS concentrou seus atentados nos “setores populares”. Não é esse o caso, e para isso basta apenas lembrar das cicatrizes deixadas no corpo do endinheirado e elitista Oscar Landerretche, essas marcas provam que ITS também executou atentados contra os ricos e burgueses. É de conhecimento público que ITS não crê na guerra de classes nem em nenhuma destas supérfluas bobagens, o grupo não está contra a classe trabalhadora nem contra a dos poderosos, mas contra a humanidade moderna, portanto estas analogias não vêm ao caso.

Ele diz que os grupos de ITS-Chile não têm muitos recursos, e talvez esteja certo, este é um ponto que eu desconheço. Eu me questiono humildemente neste caso, se com os poucos recursos que têm os terroristas do sul conseguiram causar desastres contundentes, nem quero imaginar o que fariam quando consigam seus AK-47 e TNT.

Esclarecido isso, é extremamente interessante a visão do acadêmico de que o ITS funciona como uma seita que recebe ordens “a mando do sobrenatural”. Algo que chamou minha atenção foi como o professor, em seu entendimento, faz uma espécie de “defesa” das ideias do grupo contra a absoluta tolice do jornalista que não capta a essência do discurso dos terroristas.

Sobre o Jornalista

Este profissional meia boca em sua estreita mente e com base em seu humanismo enraizado se contorce de incompreensão ao ouvir as contradições dos terroristas de ITS. A preocupação deste espécime é que ele não consegue entender um grupo que critique a tecnologia e ao mesmo tempo a utilize. É importante dizer que ele não é o único com esta visão.

Eu aceito minha falta de lógica ou minha incoerência, ou como queiram chamar, não tenho nenhum problema moral em me contradizer. Diante deste questionamento eu não tenho a resposta iluminada que me dá a razão, é mais duvidoso que exista uma resposta. Mas vamos supor que eu consiga responder a sua pergunta; “porque usam a tecnologia se a criticam?”. A resposta poderia ser, “bem, porque é a única maneira de encarar sua civilização de maneira equitativa”. Essa é uma resposta possível, mas eu não busco a coerência em meu discurso, porque a verdade é que não quero encontrar uma resposta coerente. Os grupos de ITS entenderam que a única forma de avançar e conseguir travar sua guerra extremista é aceitando esta contradição, torná-la parte de seu caminho de terror e ponto. Deixando de lado laços morais que apenas atrapalham a sua guerra.

Este sujeito fica muito zangado e dá ênfases ao dizer “eles são completamente contra a tecnologia, mas suas mensagens eles mandam pelas redes sociais”. O cara acusa os terroristas de pouco sérios e de ilógicos. O engraçado aqui é que ele acha que a maior contradição é usar a internet, ignorando que a contradição não está apenas em usar a internet, assim como diz as partes mais importantes da entrevista, mas em muitas outras coisas.

Seguindo a lógica da coerência e a lógica que este sujeito aconselha, os terroristas não poderiam usar pólvora, nem tubos de aço, cabos, ou qualquer outra coisa para fazer seus artefatos. Deveriam ir morar no topo de uma colina, e sequer deveriam usar roupas e então andar nus pela rua, o que é algo impossível e estúpido. O cara pensa que ITS deveria utilizar flechas para atacar as máquinas do progresso e esculpir seus comunicados em pedra.

Então, por falta desta coerência, os terroristas não deveriam realizar atentados? Deveriam primeiro encontrar uma ideologia coerente e com isso ficaria justificado o método do terrorismo? Deveriam se render, abandonar sua guerra e deixar tudo como está? Deveriam eles fugirem para a natureza selvagem e se esquecer das vexações da humanidade contra a terra? Estúpido.

Como eu disse, “o ilógico” por utilizar a internet é minúsculo ao lado de outras contradições, como a adoção da misantropia. O mesmo acontece aqui. “Se odeiam a raça humana, porque não se matam primeiro?”. Aparentemente, esta “incoerência” que é mais profunda passa batido pelo sujeito. Talvez alguns terroristas realmente desejem se matar. Mas e se antes de se suicidarem preferissem seguir atentando contra a civilização? E se os terroristas desejem levar a cabo sua misantropia, se matando como os kamikazes e levar com eles a vida de vários humanos? Isso só eles sabem.

Mas isso das contradições não é um problema exclusivo de ITS, os grupos terroristas ao longo da história evidenciaram sua incoerência em alguns pontos. Não sei, penso nos terroristas islâmicos que odeiam tudo o que é ocidental, mas não tem escrúpulos na hora de utilizar a internet ou uma infinidade de produtos de seus inimigos. Os grupos anarquistas antiautoritarios que matam exercendo com isso a autoridade sobre a pessoa morta, ou o terrorista primitivista Unabomber que vivia sem eletricidade no bosque, mas usava materiais tecnológicos da civilização para seus atentados. Bem tudo se repete novamente, as mesmas críticas. Isso parece ser um problema histórico da qual ITS não se isenta.

Como podem ver, se os extremistas de ITS buscassem a coerência, a única coisa que lhes restaria seria dar um tiro na própria cabeça ou se atirar de um prédio. Mas não, desgraçadamente para a ordem social os terroristas não são simplesmente suicidas. A complexidade da mente dos eco-extremistas escapa ao raciocínio humanista. Somos loucos? Pode ser que sim, se a sanidade é a humanidade moderna e seu progresso implacável, então estamos loucos, fodidamente loucos.

Nascemos nesta era, a era da híper-tecnologia, não utilizá-la a nosso favor seria algo idiota, infantil e orgulhoso da nossa parte. Os povos selvagens ancestrais ao longo da história enfrentaram os invasores que buscavam conquistá-los, inicialmente utilizando ferramentas primitivas, mas logo entenderam que não era viável essa confrontação. O que fizeram? Se renderam? Deixaram que os invadissem sem mais nem menos? Claro que não. Em vez disso, se apoderaram das armas modernas de seus inimigos (armas de fogo, cavalos e táticas de guerra) e com isso travaram uma guerra sangrenta. O mesmo faz os terroristas modernos ao utilizar as tecnologias modernas, seja a internet, eletricidade, pólvora, vestimentas, comidas, etc.

Sem dúvida, poucos serão capazes de entender isso, já que é necessário um nível superior de inteligência para chegar à compreensão. Portanto, toda essa ninhada de jornalistas de quinta categoria, reportuchos de jornais ou simples cidadãos nunca entenderão. Em seus pequenos cérebros humanistas, onde tudo tem que ser razoável e coerente nossos postulados arrancam a sua lógica.

É por isso que pessoas intelectualmente superiores, como o acadêmico entrevistado, conseguem entender melhor a situação do terrorismo moderno.

-Malviviente

Eco-terrorismo, Eco-fascismo, Eco-extremismo, Eco-anarquia e a Floresta Białowieża

Esta é a tradução de Eco-terrorism, Eco-fascism, Eco-extremism, Eco-anarchism and the Bialowieza Forest, respeitável opinião de Julian Langer, eco-radical radicado no Reino Unido responsável pelos blogs Eco-Revolt e Feral Culture. Na ocasião Langer se manifesta sobre as críticas de alguns anarquistas nos Estados Unidos em relação às ações dos eco-extremistas.

A última floresta primaveril da Europa é bela floresta Białowieża, lar de bisontes, raposas e uma infinidade de outras criaturas vivas, os últimos remanescentes de uma Europa selvagem agora lembrada apenas em mitos e lendas, que é situada na região da atual Polônia, e atualmente está sob ataque de madeireiros.

Como indicado no vídeo acima, o mais alto tribunal da União Europeia ordenou que o governo polonês parasse de entrar na área (1). O movimento nacionalista de extrema direita em ascensão na Polônia levou isso para sua pauta (2), (desta forma, a UE) chama os ambientalistas que buscam defender e apoiar a floresta de “terroristas verdes”.

Esta não é a primeira vez que os ecologistas e os anarquistas foram taxados de terroristas, houveram eventos como o de Langnau na Suíça em 2010 (3) que puseram o eco-anarquismo na imprensa britânica, sendo rotulados como terroristas. O FBI (4) lista grupos eco-anarquistas como Earth First!, ALF e ELF como grupos terroristas. Mas isso é completamente estranho por rotular grupos que na maioria dos casos causam danos à propriedade como grupos terroristas.

É terrorismo sabotar equipamentos madeireiros, escalar e sitiar árvores, e não danar pessoas, não infligir violência a ninguém e, em geral, fazer todo o possível para evitar ferir pessoas? É terrorismo cortar e destruir um dos ecossistemas vivos mais antigos do planeta, lar de mais vida silvestre do que se pode imaginar, uma fonte de cura para nossa atmosfera, um modo de vida em si, de uma maneira brutal? Um me parece terrorismo, e o outro não. No entanto, e quanto ao rótulo que os ecologistas muitas vezes chamam de “eco-fascismo”: tem algum peso nisso?

Em reação à ascensão do Trumpismo e aos crescentes movimentos de direita nos Estados Unidos e Europa, os antifas e o antifascismo tornaram-se mais visualmente ativos e cada vez mais fazem parte da política cotidiana. Os grupos anarco-comunistas, ligados aos antifas, realizaram recentemente entrevistas com a Fox News (5) sobre o tema do racismo e o autoritarismo na era política de Trump. Mas e os eco-anarquistas?

O Earth First! tem falado durante muito tempo contra o fascismo e a xenofobia, e apoiou ações que se opuseram diretamente a Trump antes de sua presidência. (6) O ambientalismo como movimento apoiou durante muito tempo as lutas anticolonialistas (7), e pode-se argumentar que o ambientalismo não pode ser separado do anticolonialismo, já que o fascismo italiano-imperialista têm laços inegáveis e relações amistosas com o colonialismo. (8)

O escritor ambientalista radical Derrick Jensen escreveu sobre, em oposição aos laços e a influência do fascismo nas indústrias e negócios hoje em dia. (9)

Muitos daqueles que querem vincular o ecologismo com o fascismo buscam inspiração na simpatia nazi pela natureza (10), extraindo o sangue e as narrativas do solo ligadas ao nazismo verde (11). Este é obviamente um argumento bastante pobre para o homem de palha, mas frequentemente é popularizado, e apela a argumentos baratos do tipo Reductio ad Hitlerum.

Então, qualquer tentativa de vincular os eco-radicais com o fascismo parece muito fraca, se é que isso pode ser feito, com eco-radicais e eco-anarquistas que têm vínculos mais estreitos com os antifascistas que com a extrema-direita. Mas quais são os sentimentos entre os grupos radicais?

O grupo anarquista-comunista It’s Going Down recentemente (12) criticou o grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) através de uma rodada de artigos sobre o eco-extremismo e sua relação com o anarquismo. Em geral, as críticas foram direcionadas às táticas mais violentas deste grupo no México, que abraça a categoria do terrorismo e pretende criar terror para os civilizados.

It’s Going Down acusou este grupo eco-extremista de ser “eco-fascista”, e tentou manchar nomes de projetos anarquistas que têm algum tipo de ligação ou que estão em discussão com o eco-extremismo.

O eco-extremismo é um movimento que se separou do anarco-primitivismo e de Kaczynski, seguindo um viés ecologista radical em favor de uma abordagem do tipo niilista-pagã para o discurso e a prática eco-radical. Pessoalmente, não estou convencido de tudo o que vi emergir das escrituras eco-extremistas nem encontro o amor de ITS à violência aleatória completamente vulgar e indesejável, mas simpatizo com uma grande parte da crítica do argumento eco-extremista, particularmente suas críticas aos anarquistas e ecologistas de esquerda.

E simpatizo também com esta crítica aos anarquistas por parte deste escritor eco-extremista (13), sobre a fraqueza dos argumentos anarquistas, onde os anarcos simplesmente chamam “fascista” tudo o que não gostam, algo que parece estar acontecendo. Algo que me encanta no discurso eco-extremista é sua oposição ao antropocentrismo e o abraço à natureza selvagem, que definem como:

Natureza Selvagem: “A Natureza Selvagem é o principal agente da guerra eco-extremista. Os filisteus se opõem à invocação da “Natureza Selvagem” taxando isso de atavismo ou “superstição”, mas o fazem apenas por causa da sua própria domesticação e idiotice. “Natureza Selvagem” é tudo o que cresce e se manifesta no planeta em objetos animados e inanimados, de pedras a oceanos, de microrganismos a toda a flora e fauna que se desenvolveram na Terra. Mais especificamente, “Natureza Selvagem” é o reconhecimento de que a humanidade não é a fonte e o fim da realidade física e espiritual, mas apenas uma parte dela, e talvez nem mesmo uma parte importante.”, extraído de Atassa: Reading in Eco-Extremism. (14)

Este abraço ao selvagem é algo que grande parte do ecologismo e a maioria dos anarquistas perderam, já que ambos se fundiram cada vez mais à civilização e a suas narrativas.

Voltando à floresta Białowieża, um dos últimos lugares que encarna completamente o selvagem, se você olhar para ela desde um olhar do tipo pagão eco-extremista ou desde um olhar eco-anarquista ou eco-radical, é um lugar de óbvia beleza e valor.

Não podemos dizer se a proteção da UE fará muito ou não, especialmente com a crescente onda de nacionalismo dentro da Polônia e a quantidade de extração ilegal de madeira que não é controlada em todo o mundo. O que podemos fazer é sermos aliados do selvagem, viver vidas selvagens e sermos iconoclastas em relação a esta cultura/civilização/Leviatã que está destruindo antropocentricamente a biosfera, cuja beleza selvagem nós amamos.

Não somos fascistas nem terroristas, mas utilizaremos os meios que temos disponíveis e lutaremos pelo que amamos. Este site recentemente reeditou este o artigo sobre o Chamado Internacional de Mobilização Para a Defesa da Floresta Hambacher (15), como parte da resposta para defender esta floresta na Europa.

Necessitamos retornar ao bosque e defendê-los por todos os meios à nossa disposição.

Para terminar, algumas citações:

“O caminho mais claro ao Universo é através de uma floresta selvagem.” – John Muir

 

“A cultura nos levou a trair nosso próprio espírito e integridade aborígene, rumo a um reino cada vez pior de alienação sintética, isolante e empobrecedora. O que não quer dizer que não haja mais prazeres cotidianos, sem os quais perderíamos nossa humanidade. Mas à medida que nossa situação se agrava, vislumbramos o quanto deve ser apagado para a nossa redenção.” – John Zerzan

 

“Precisamos da tônica da loucura … Ao mesmo tempo em que somos sinceros para explorar e aprender todas as coisas, exigimos que todas as coisas sejam misteriosas e inexploráveis, que a terra e o mar sejam indefinidamente selvagens, sem serem inspecionados e não sondados por nós porque são insondáveis. Nunca podemos ter o suficiente da natureza.” – Thoreau

 

“O Selvagem ainda permanece nele, e o lobo nele simplesmente dormia.” – Jack London

Notas:

1) https://www.theguardian.com/environment/2017/jul/28/eu-court-orders-poland-to-stop-logging-in-bialowieza-forest
2) https://www.ft.com/content/67618b9e-8893-11e5-90de-f44762bf9896
3) http://www.independent.co.uk/environment/eco-anarchists-a-new-breed-of-terrorist-1975559.html
4) https://archives.fbi.gov/archives/news/testimony/the-threat-of-eco-terrorism
5) http://video.foxnews.com/v/5509083595001/?#sp=show-clips
6) http://www.earthfirst.org.uk/actionreports/node/23958
7) https://www.opendemocracy.net/uk/anna-lau/climate-stories-environment-colonial-legacies-and-systemic-change
8) https://medium.com/@malorynye/the-brutal-friendship-between-colonialism-and-fascism-some-thoughts-from-aim%C3%A9-c%C3%A9saire-on-9224e90550b5
9) http://www.derrickjensen.org/culture-of-make-believe/lamont-and-mussolini/
10) http://theunion4ever.com/general/environmentalism-new-fascism/
11) http://www.spunk.org/texts/places/germany/sp001630/peter.html
12) https://itsgoingdown.org/nothing-anarchist-eco-fascism-condemnation/
13) https://youtu.be/708mjaHTwKc
14) https://ia801606.us.archive.org/32/items/AtassaReadingsInEcoExtremism/Atassa%20-%20Readings%20in%20Eco-Extremism.pdf
15) https://feralculture.blog/2017/07/23/international-mobilisation-call-for-the-defence-of-hambacher-forest-2/

[ES – EN – IT] (PDF) ¡MALDITOS!: Nuestra Respuesta Es Como El Terremoto… Tarde o Temprano Llega

¡MALDITOS!: Nuestra Respuesta Es Como El Terremoto… Tarde o Temprano Llega é uma publicação compartilhada na web que compreende a resposta do blog Maldición Eco-extremista às difamações e ataques por parte do espectro anárquico no ano de 2016. Publicação em espanhol, inglês e italiano.

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