[PT – VÍDEO] Catarse – Dias Melhores Nunca Virão II

E sai a segunda edição do projeto Catarse, elaborado por Erva Daninha. A primeira parte pode ser conferida neste link. Esta nova edição aparece em um momento drástico para o cenário mundial, marcado pelo agravamento da crise ecológica, surgimento de convulsões sociais, derrocadas econômicas e uma pandemia que castiga a vários países. Esta compilação confirma de maneira amarga os prognósticos para os próximos anos, dias melhores não virão.

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Este projeto é sobre o agora, o mesmo agora de há cinco anos quando ele foi iniciado. Esta edição é sobre os gritos de dor de um planeta que morre pelas mãos de um animal chamado humano e indiferente com a natureza selvagem ao redor do mundo. Nesta segunda edição há compilações das piores notícias sobre o agravamento da crise mundial, com ênfase na crise climática, onde houve alguns dos piores incêndios da era moderna em importantes florestas ao redor do mundo, como na Amazônia, África Central e Austrália. Também abarca notícias sobre o severo derretimento de gelo nos polos extremos da terra, onde o aquecimento provocou colossais 20º graus na Antártida, a maior temperatura já registrada no século. Relata o culmine do simbólico Relógio do Apocalipse, um projeto elaborado por cientistas de diversas áreas que “prevê” o fim do mundo analisando as diversas crises que o mundo atravessa, o relógio nunca esteve tão perto da meia-noite, que simbolizaria a nossa extinção. Abarca as bárbaras convulsões sociais ao redor do mundo, como as de caráter niilista que houve no Chile e que causaram destruições bilionárias sem precedentes e danaram a infraestrutura chilena em muitas escalas, bem como repressões que custaram milhares de prisões e sangrentas mortes. Há quase dois centenares de recortes de notícias nesta segunda edição do projeto, incluindo a discussão do momento, a pandemia da COVID-19 que mata a milhares de pessoas e colapsa o mundo em diferentes frentes, com ênfase no cenário econômico.

Juntei todas as minhas forças para reunir o que encontrei de mais grave e pessimista sobre a situação da grande civilização mundial, recortes que apenas afirmam que já acabou para o humano e a civilização, não há mais volta e ele será punido com uma catástrofe extintiva que o varrerá deste planeta. As águas, os solos, as florestas, os outros animais, todas estas coisas sagradas significam nada para o humano civilizado adorador da modernidade. Coisa alguma poderá mudar o curso que a nossa espécie traçou para si mesma. Não há esperanças nem revoluções, tampouco messias que poderá deter a catarse da natureza selvagem. Merecemos o nosso próprio extermínio porque miseravelmente brincamos de deuses sem possuir grandeza para isto. Os dias por virem são pessimistas porque nós fizemos do agora o fim. Não haverão dias melhores.

Erva Daninha.

Orangotango luta contra uma escavadeira que destrói seu habitat em Bornéu

Um vídeo captado em 2013 mostra um orangotango sobre uma das últimas árvores de sua floresta que ainda não tinham sido derrubadas por homens e máquinas. O animal corre sobre o tronco e parece tentar parar a escavadeira com as próprias mãos.

De Público:

O corte massivo de árvores em Bornéu para a extração do questionado óleo de palma é um problema ecológico descomunal. Os Orangotangos são alguns dos animais mais prejudicados pela ação do ser humano nesta ilha do sudeste asiático. Entre 1999 e 2015 sua população caiu 50%.

A organização International Animal Rescue difundiu um vídeo de 2013 em que um Orangotango ataca a uma escavadora que está devastando seu habitat, uma reação desesperadora de um animal que parece apenas querer proteger seu território e seu lar.

O desmatamento não é a única ameaça que sofrem estes animais. Se calcula que cerca de 70% da queda da população destes animais se deve a assassinatos cometidos pelos humanos. Isso significa que, em números estimados, 100.000 Orangotangos foram assassinados em áreas florestais pelas mãos do homem.

Os Orangotangos habitam as florestas das terras baixas de Bornéu, uma ilha compartilhada pela Indonésia, Malásia, Brunei e a ilha indonésia de Sumatra, comendo normalmente frutas silvestres, insetos, cascas, flores e folhas.

Temperatura da Terra já é a maior dos últimos 120 mil anos

A diferença, porém, é que o aquecimento atual não tem nada de natural, sendo resultado das ações da humanidade.

Imagem mostra o efeito do aquecimento nas geleiras do Alasca. (Foto: NASA)

De Revista Galileu:

Os últimos três meses de julho na Terra foram os três mais quentes já registrados pelos cientistas. Mas, esses também podem ser os meses mais quentes que ocorreram em nosso planeta em cerca de 120 mil anos, conforme publicou Mark Kauffman, no site norte-americano Mashable.

Após o anúncio recente da NASA de que julho de 2018 foi o terceiro mês mais quente desde que o registro confiável começou em 1880, o cientista climático Stefan Rahmstorf, chefe da Análise de Sistema Terrestre do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, destacou que em julho passado também foi provavelmente um dos meses mais quentes desde o período geológico chamado de Eemiano.

Escalada das temperaturas globais. (Foto: NASA)

O período, com duração de cerca de 130.000 a cerca de 115.000 anos atrás, foi, em média, cerca de 1 a 2 graus Celsius mais quente do que é hoje.

Os hipopótamos amantes do calor percorriam a Europa atual, e os níveis do mar, devido às camadas de gelo derretido, estavam 6 a 9 metros mais altos do que hoje (grande parte da Flórida estava submersa).

O período Eemiano — e as eras do gelo antes e depois dele — eram processos naturais da Terra, explicáveis ​​através da física simples por nossa orientação ao sol da época, dizem os cientistas.

Esses eventos de aquecimento e resfriamento aconteceram gradualmente ao longo de milhares de anos. Mas o atual aquecimento rápido na Terra nos últimos 150 anos é inquestionavelmente nosso próprio feito, já que os potentes gases de efeito estufa produzidos pela queima de carvão e outros combustíveis se acumulam em nossa atmosfera.

As flutuações entre os períodos quentes e frios da Terra “duram para sempre”, disse Pat Bartlein, um paleoclimatologista da Universidade de Oregon, que pesquisou temperaturas desde a última era glacial, por e-mail ao Mashable.

“Mas o mais importante é que, desde a industrialização, fomos colocados em um cronograma completamente diferente“, disse Bartlein.

Há pouca dúvida entre os cientistas de que estamos provavelmente experimentando o clima mais quente em cerca de 120.000 anos, chegando até acima de um período particularmente quente, cerca de 7.000 anos atrás, durante um período após a era do gelo chamada Holoceno.

“Eu concordo inteiramente que é muito provável que os últimos verões tenham sido os mais quentes nos últimos ~ 100.000-115.000 anos”, David Black, um paleoclimatologista da Universidade Stony Brook, disse por e-mail. “É muito provável que tenhamos começado a exceder a parte mais quente do Holoceno”.

“É seguro dizer que é verdade”, acrescentou Jennifer Marlon, pesquisadora da Escola de Silvicultura e Estudos Ambientais da Universidade de Yale. “Você vai encontrar um consenso científico entre os especialistas, mesmo nesse ponto, agora eu aposto, o que diz muito.”

Marlon notou que durante aquele período mais quente, 7 mil anos atrás, apenas o hemisfério norte experimentou alguns verões bem quentes, “mas agora estamos mais quentes o ano todo”.

Em 2013, Rahmstorf já argumentava que o clima atual já havia ultrapassado esse período mais quente do Holoceno. E nos últimos cinco anos, o caso só ficou mais forte. “Houve mais aquecimento”, disse Rahmstorf ao Mashable. De fato, os três anos mais quentes registrados, 2015, 2016 e 2017, ocorreram desde então.

Além disso, a Terra caiu em sua última era do gelo por cerca de 90.000 anos após o fim do Eemian, uma época em que gatos com dentes de sabre, lobos medonhos e gigantescos mamutes colombianos ainda vagavam pela terra.

Não há evidências de que quaisquer pontos durante esse período mais frio tenham excedido as temperaturas médias que estamos experimentando hoje.

Enquanto a Terra continua seu ritmo acelerado de aquecimento, alguns cientistas, olhando para o que poderíamos esperar no futuro, sugeriram que a Terra pode ver condições similares às do Eemian no futuro, disse Black, o que significaria um clima dramaticamente mais quente.

Mas o Eemiano, como outros climas do passado, pode não ser um bom roteiro para onde estamos indo.

“Os seres humanos estão colocando gases de efeito estufa na atmosfera a uma taxa sem precedentes”, disse Black, acrescentando que “não há um analógico climático ideal no passado que possamos explorar para ver o que poderíamos esperar no futuro”.

A diferença crítica é o carbono

A principal diferença entre o período Eemiano e o presente, no entanto, é a quantidade de dióxido de carbono atualmente presente no ar. Hoje, as concentrações de dióxido de carbono são fenomenais – o mais alto em 800.000 anos.

Durante o Eemian essas concentrações pairavam em torno de 280 partes por milhão, ou ppm. Hoje eles estão em torno de 409 ppm. Os cientistas sabem desde o século XIX que o dióxido de carbono absorve calor, e os níveis históricos de hoje – quando comparados com os aumentos naturais de carbono no passado – estão aumentando vertiginosamente.

“O ritmo não é nem perto – isso não é natural”, Kristopher Karnauskas, um professor do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas do Colorado Boulder. Com todo esse carbono acumulando a atmosfera, o problema iminente não é simplesmente o aquecimento de hoje, mas o quanto mais aquecimento está reservado.

“Colocamos todo esse carbono no ar, agora vai demorar um pouco para que tudo fique em dia”, disse Marlon. “A grande questão é, com que rapidez tudo será recuperado?”

Como o aquecimento no último século, essas mudanças de temperatura em escala global ocorrem ao longo de décadas a séculos, disse Karnauskas. Mas já há carbono suficiente no ar para elevar consideravelmente as temperaturas. “Mesmo sob o melhor cenário, vamos dobrar o aquecimento que já vimos”, afirmou, enfatizando a necessidade de se livrar dos combustíveis fósseis.

Um grau ou dois de aquecimento – se não fizermos a transição para energias mais limpas – nos aproximaria do Eemiano, uma época que não era apenas mais quente – era um período distintamente diferente dos dias atuais. “O mundo será um mundo quente ou um mundo muito diferente?” perguntou Karnauskas.

A Amazônia Queima, e Queima Também a Consciência dos Híper-civilizados

Texto traduzido do blog Maldición Eco-extremista.

A Amazônia arde, já é notícia mundial. O fogo avança e queima tudo, e os híper-civilizados temem… Os alarmes estão ligados e nas redes sociais todos gritam aos céus: por que ninguém faz nada? Nosso planeta está morrendo!

Parece que a consciência mundial sobre o estado catastrófico em que submergimos o mundo está despertando, EM 2019! Lamentamos informar que já é tarde demais para isso, e “nosso planeta” está desgraçadamente condenado, ou melhor, “nosso mundo”, porque o planeta seguirá adiante sem nós.

Mas nós os parabenizamos, já que conseguiram fazer com que a Amazônia se tornasse trending topic no Twitter, certamente os animais mortos estarão agradecidos, e não há dúvidas de que a partir de amanhã começaremos a ver como as árvores se regeneram com base em likes e compartilhamentos. Que piada de merda…

Há algo que não resta dúvidas, a fúria é uma resposta adequada à devastação, mas não a que se indigna, sim a fúria que queima, que detona e que castiga.

Todos os dedos apontam a Bolsonaro como o maior culpado, e embora seja o caminho mais fácil, não se pode negar que o bastardo está particularmente ligado à acelerada destruição ambiental, no entanto, quantos vão além das palavras? Até onde sabemos, apenas um grupo esteve planejando a execução do bastardo. Se perguntam qual é?

Já faz muito tempo que nós vimos a crueza deste mundo, e se alguém precisa que toda a Amazônia seja queimada para se dar conta disso, que assim seja, desde que a resposta seja proporcional. O tempo das lamentações acabou, como os guerreiros da ALF já disseram: se não é você, então quem será? Se não for agora, será quando?

Ataca, queima, assassina!
Que a raiva se traduza em ódio misantrópico!
Morte à humanidade moderna!

Alguns vídeos para entender os últimos acontecimentos na região amazônica.

Índice atual de CO2 na atmosfera é o maior de todos os tempos

De acordo com análise realizada em laboratório nos Estados Unidos, esse é o maior nível de dióxido de carbono dos últimos 800 mil anos.

De Revista Galileu:

O Observatório Mauna Loa, no estado norte-americano do Havaí, detectou um índice de dióxido de carbono atmosférico de 415 partes por milhão (ppm). De acordo com os especialistas, esse nível é o maior dos últimos 800 mil anos — ou seja, é o mais alto da história da humanidade.

O meteorologista Eric Holthaus escreveu em seu Twitter, sobre a detecção: “[É a maior] Não apenas na história registrada, não apenas desde a invenção da agricultura, há 10.000 anos. [É a maior] Desde antes dos humanos modernos existirem milhões de anos atrás. Não conhecemos uma situação como essa.”

Cientistas do observatório têm medido os níveis de dióxido de carbono atmosférico desde 1958. Mas graças a outros tipos de análise, como as realizadas em bolhas de ar presas em núcleos de gelo, eles conseguiram reunir dados sobre níveis que remontam há mais de 800 mil anos. De acordo com a NASA, durante as eras glaciais, os níveis de CO2 na atmosfera estavam em torno de 200 ppm, enquanto durante os períodos interglaciais (como o que estamos vivendo neste momento) os níveis ficam em torno de 280 ppm.

Os especialistas afirmam que o ser humano é o principal culpado pela situação. Michael Mann, professor de meteorologia da Penn State University, avalia que os níveis de CO2 na atmosfera da Terra cresçam mais ou menos 3 ppm por ano: “Se você fizer as contas, bem, é bastante sério. Vamos cruzar 450 ppm em pouco mais de uma década”, disse o estudioso, de acordo com o Live Science.

Se a poluição por carbono continuar aumentando, mais calor ficará preso na Terra, o que resultará em um planeta ainda mais quente — a última vez que o planeta esteve aquecido dessa forma existiam árvores no Polo Sul, segundo pesquisadores.

Ação humana pode exterminar um milhão de espécies, segundo estudos

O impacto dos seres humanos na natureza é devastador – seja em terra, nos mares ou no céu. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Muitas espécies de animais no mar estão em declínio devido à pesca indiscriminada, diz o estudo.

De BBC:

Segundo a organização, 1 milhão de espécies de animais e vegetais estão ameaçados de extinção.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Elaborada nos últimos três anos, essa avaliação do ecossistema mundial é baseada na análise de 15 mil materiais de referência e foi compilada pela Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês). São 1.800 páginas no total.

O resumo de 40 páginas, publicado nesta segunda-feira (6), talvez seja a mais forte denúncia de como os homens trataram seu único lar.

O documento afirma que, embora a Terra tenha sofrido sempre com as ações dos seres humanos ao longo da história, nos últimos 50 anos esses arranhões se tornaram cicatrizes profundas.

A biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%.

Expansão humana

A população mundial dobrou desde 1970, a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior.

Para alimentar, vestir e fornecer energia a este mundo em expansão, florestas foram derrubadas num ritmo surpreendente, especialmente em áreas tropicais.

Entre 1980 e 2000, 100 milhões de hectares de floresta tropical foram perdidos, principalmente por causa da pecuária na América do Sul e plantações de palmeira de dendê no sudeste da Ásia.

A situação dos pântanos é ainda pior – apenas 13% dos que existiam em 1700 estavam conservados no ano 2000.

Nossas cidades se expandiram rapidamente; as áreas urbanas dobraram desde 1992.

Toda essa atividade humana está matando mais espécies do que nunca.

De acordo com a avaliação global, uma média de cerca de 25% dos animais e plantas se encontram agora ameaçados.

As tendências globais em relação às populações de insetos não são conhecidas, mas foram registrados declínios acelerados em algumas regiões.

Tudo isso sugere que cerca de 1 milhão de espécies estão à beira da extinção nas próximas décadas, um ritmo de destruição de dezenas a centenas de vezes maior do que a média dos últimos 10 milhões de anos.

“Nós documentamos um declínio realmente sem precedentes na biodiversidade e na natureza, isso é completamente diferente de qualquer coisa que tenhamos visto na história da humanidade em termos de taxa de declínio e escala da ameaça”, afirma Kate Brauman, da Universidade de Minnesota, nos EUA, uma das principais autoras e coordenadoras do estudo.

Aproximadamente 25% das espécies já estão ameaçadas de extinção.

A avaliação também revela que os solos estão sendo degradados como nunca, o que reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre do planeta.

Nosso apetite insaciável ​​está produzindo, por sua vez, uma montanha de lixo.

A poluição causada por plástico aumentou dez vezes desde 1980.

Todos os anos despejamos de 300 milhões a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos nas águas do planeta.

O que há por trás da crise?

Os autores do relatório dizem que há uma série de fatores que levaram a este cenário, apontando como principal a mudança no uso do solo.

Isso significa essencialmente a substituição de prados pela agricultura intensiva, a substituição de florestas antigas por plantações florestais ou o desmatamento de florestas para cultivar alimentos. Isso está acontecendo em muitas partes do mundo, especialmente nos trópicos.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

No mar, a situação é semelhante.

Apenas 3% dos oceanos foram descritos como livres da pressão humana em 2014.

Os peixes estão sendo explorados como nunca. Em 2015, 33% das populações de peixe foram capturadas de forma insustentável.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

A cobertura de corais vivos nos recifes caiu quase pela metade nos últimos 150 anos.

No entanto, impulsionando tudo isso, há uma demanda crescente por alimentos da população mundial em expansão e, especificamente, nosso apetite cada vez maior por carne e peixe.

“O uso da terra aparece agora como o principal fator do colapso da biodiversidade, com 70% da agropecuária relacionada à produção de carne”, diz Yann Laurans, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri, na sigla em francês).

“É hora de reconsiderar a participação da carne industrial e laticínios na nossa alimentação.”

Os outros fatores-chave são a caça e a exploração direta de animais, assim como as mudanças climáticas, a poluição e espécies invasoras.

O relatório conclui que muitos desses fatores atuam juntos para agravar a situação.

Tartaruga Marinha com um canudo de plástico dentro do nariz.

O declínio em números

Risco de extinção de espécies: aproximadamente 25% delas já estão ameaçadas de extinção na maioria dos grupos de animais e plantas analisados.

Ecossistemas naturais: diminuíram em média 47%.

Biomassa e abundância de espécies: a biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%. E os indicadores de abundância de vertebrados recuaram rapidamente desde 1970.

Natureza para os povos indígenas: 72% dos indicadores desenvolvidos pelas comunidades locais mostram uma deterioração contínua dos elementos da natureza importantes para eles.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Isso é pior que a mudança climática?

A mudança climática é um fator subjacente crucial que está ajudando a impulsionar a destruição em todo o mundo.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980 e as temperaturas subiram 0,7°C como resultado. Isso teve um grande impacto em algumas espécies, tornando sua extinção mais provável.

A avaliação global conclui que se as temperaturas subirem 2°C, então 5% das espécies estarão correndo o risco de extinção por causa do clima. Este percentual sobe para 16% se o mundo ficar 4,3°C mais quente.

Impactos são devastadores.

“Da lista dos principais fatores determinantes do declínio da biodiversidade, a mudança climática é apenas a de número três”, afirmou o professor John Spicer, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

“A mudança climática é certamente uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta em um futuro próximo – então o que isso nos diz sobre o primeiro e o segundo (fator), alterações no uso da terra/mar, e a exploração direta? A situação atual é desesperadora e há algum tempo.”

Os autores do estudo esperam que sua avaliação se torne tão decisiva para o debate sobre a perda de biodiversidade quanto o relatório do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 °C foi para a discussão sobre a mudança climática.

Baleia é encontrada morta com 40 quilos de plástico no estômago

Carcaça foi encontrada nas Filipinas. Biólogo diz que animal morreu de fome e desidratação.

Plástico é retirado do estômago de baleia morta encontrada nas Filipinas — Foto: D’Bone Collector/Facebook

De G1:

Uma baleia da espécie bicuda de Cuvier foi encontrada em Mabini, na costa das Filipinas, morta com 40 quilos de plástico em seu estômago. A informação foi divulgada pelos cientistas do grupo D’Bone Collector Museum, organização que visa educar as pessoas sobre a preservação do meio ambiente.

O biólogo marino Darrell Blatchley, fundador da organização, disse em entrevista à rede americana “CNN” que a baleia morreu de desidratação e inanição e vomitou sangue antes de morrer.

“Eu não estava preparado para a quantidade de plástico”, disse Blatchley. “Cerca de 40 quilos de sacas de arroz, sacolas de supermercado, sacolas de plantação de banana e sacolas plásticas em geral. Dezesseis sacas de arroz no total.”

Biólogo retira plásticos do estômago de baleia — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Ele ressaltou que havia tantos sacos plásticos no estômago do animal que alguns começaram a se calcificar.

Blatchley explicou que os cetáceos – uma família de mamíferos aquáticos que inclui baleias e golfinhos – não bebem água do oceano, mas obtêm a água dos alimentos que comem. Como a baleia não era mais capaz de consumir grandes quantidades de comida devido ao plástico ingerido, ela morreu de desidratação e fome.

Baleia encontrada morta nas Filipinas tinha plástico no estômago — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Em um comunicado no Facebook, a organização declarou que foi a maior quantidade de plástico que já registrou em uma baleia: “Uma lista completa dos itens de plástico seguirá nos próximos dias. Esta baleia tinha a maior quantidade de plástico que já vimos em uma baleia. É nojento. A ação deve ser tomada pelo governo contra aqueles que continuam a tratar os rios e oceanos como lixeiras”.

Urso polar faminto viaja 700 km e chega em vila na Rússia

O derretimento das geleiras impede que os ursos polares encontrem comida: cientistas afirmam que cada vez mais animais podem morrer de fome.

De Revista Galileu:

Um urso polar foi visto a 700 quilômetros de distância de seu habitat, extremamente exausto e procurando por comida, em uma vila na península russa de Kamtchatka. A aparição do animal, registrada na última quinta-feira (18) surpreendeu os moradores locais: eles o alimentaram com peixes.

A imprensa russa reportou que o animal teria viajado de Chukotka, região no extremo leste da Rússia, até a vila onde foi encontrado. Um vídeo flagrou o aparecimento do urso:

No ano passado, um estudo publicado na revista Science revelou que ursos polares estão morrendo de fome devido ao geletimento de geleiras, utilizada como uma plataforma para caçar focas. Para não morrer de fome, a única saída para os animais é procurar por alimentos em terra firme.

“Devido a mudanças climáticas, o Ártico está ficando mais quente e o ambiente se torna cada vez menor e conveniente. O gelo está derretendo e os ursos polares procuram por meios de sobrevivência. E pela melhor maneira de chegar até às pessoas”, contou o chefe do programa ártico do Greenpeace Rússia, Vladimir Chuprov.

Autoridades russas de Kamtchatka estão formulando um plano para resgatar o urso utilizando sedativos para desacordá-lo e levá-lo de helicóptero até seu habitat natural.

Tartaruga Marinha Emerge do Mar Para Desovar e Encontra Praia Transformada em Aeroporto

O réptil à beira de extinção teve que optar por esse lugar estranho devido às mudanças provocadas pela atividade dos seres humanos nas ilhas Maldivas.

De Sputnik News:

Uma tartaruga verde surpreendeu realmente muitos moradores de Mandhoo, uma das ilhas Maldivas, tentando depositar seus ovos no meio da pista do aeroporto de Maafaru, segundo o jornal local The Edition.

Segundo uma fonte citada pela edição, o animal tentou encontrar um ninho apropriado para desovar e, sem encontrá-lo, depositou seus ovos no asfalto, onde ficaram sem qualquer proteção. Depois de terminar o processo, a tartaruga voltou para o oceano.

Na imagem, publicada por uma das testemunhas, o réptil foi fotografado ao lado de três ovos que estão na pista, enquanto um homem, aparentemente empregado do aeroporto, está observando a cena.

Segundo explica o jornal, o incidente demonstra mais uma vez as consequências devastadoras da intervenção humana na fauna oceânica. O crescimento econômico que as Maldivas estão sofrendo afeta a natureza do arquipélago, alertam os ecologistas locais.

As tartarugas verdes são uma espécie em vias de extinção que está distribuída pelos oceanos tropicais e subtropicais. Uma de suas particularidades é que as fêmeas sempre desovam no mesmo lugar em que nasceram. E um dos locais de nidificação mais comuns para elas é a ilha de Mandhoo.

Encontrado o Selo de Uma Marca de Cigarros Dentro de Uma Medusa

O selo impresso numa tira de celofane e perfeitamente legível é um alerta de que o plástico está em toda a parte.

Ainda é possível observar o selo, impresso numa tira de celofane, da empresa tabaqueira Philip Morris no interior do corpo de uma medusa. – Fotografia por Alexander Semenov.

De National Geographic:

Se observar de perto com atenção, poderá identificar facilmente as palavras Philip Morris International. O nome da empresa tabaqueira pode ser visto na tira translúcida de celofane, que envolve a embalagem de um maço de cigarros, e que foi fotografada no interior do corpo de uma medusa-luminescente, Pelagia noctiluca, encontrada nas águas do mar Mediterrâneo.

Os animais marinhos navegam num campo minado ao tentar evitar o plástico no oceano. Mais de oito milhões de toneladas de lixo plástico acabam anualmente nas águas oceânicas, sendo difícil às criaturas marinhas, como a medusa, evitá-lo.

Em abril último, um estudo publicado na revista Scientific Reports divulgou a primeira evidência de plástico no corpo de uma medusa.

A medusa foi encontrada nas águas do Mediterrâneo em 2016 por um grupo de cientistas que participava na expedição Aquatilis, uma viagem de pesquisa, com a duração de três anos, levada a cabo com o propósito de explorar os oceanos do planeta. No estudo, os investigadores referiram ter encontrado várias medusas-luminescentes, Pelagia noctiluca, com vários tipos de plástico presos no interior da umbela – parte superior do corpo em forma de campânula – ou nos tentáculos ao longo do corpo.

A análise dos 20 espécimes capturados ao abrigo da pesquisa permitiu observar que quatro medusas apresentavam lixo plástico no sistema digestivo, levando os cientistas a supor que as medusas tenham confundido o plástico com alimento.

“Pelo que parece, as medusas adoram o plástico”, afirma um dos autores do estudo, Armando Macali, um ecologista da Universidade de Tuscia, em Itália. Macali afirma que ele e os seus colegas estão convencidos de que a medusa não largou o plástico, porque estava a tentar comê-lo.

Estudos anteriores revelaram que são comuns os casos de animais marinhos que consomem lixo plástico. Os cientistas acreditam que os animais consomem detritos plásticos, porque algumas das formas e dimensões desses detritos partilham semelhanças com as suas presas: as tartarugas ingerem sacos de plástico semelhantes a medusas, e os peixes comem plásticos do tamanho de um bago de arroz semelhantes às pequenas presas de que se alimentam.

O plástico do oceano também tem um odor apetitoso para algumas criaturas marinhas. Em 2016, um estudo da revista Science Advances revelou que algumas algas crescem com facilidade no plástico do oceano, e a decomposição deste material liberta um odor designado por dimetilsulfureto que atrai os animais famintos.

Não é clara a razão da atração das medusas pelo plástico, afirma Macali. Ao fim de algum tempo a flutuar nas águas do oceano, o plástico começa a acusar desgaste, e finas películas microbianas tendem a revestir a sua superfície. Macali acredita que estas películas microbianas ou algumas moléculas presentes no processo de decomposição do plástico possam atrair as medusas.

Macali tenciona expor as medusas a vários tipos de lixo plástico em condições laboratoriais, no âmbito de novas experiências. O ecologista acredita que, se os cientistas conseguirem identificar especificamente os elementos presentes no plástico que atraem os animais, talvez seja possível trabalhar em parceria com os fabricantes para que produzam plástico menos atrativo para os organismos marinhos.

Os cientistas realçam que é um mau sinal para a saúde da medusa a ingestão de uma tira de celofane. As medusas-luminescentes podem consumir 50 por cento do seu peso corporal, e está provado que a ingestão de plástico em excesso pode conduzir à morte lenta de muitos animais por subalimentação.

Dado que as medusas servem de alimento a muitas outras espécies de animais de maior porte, que navegam nas águas do Mediterrâneo, a presença de lixo plástico nos seus corpos pode ter impactos semelhantes na saúde dos seus predadores. O atum-rabilho, um dos maiores predadores da medusa-luminescente, é capturado com frequência, servindo de alimento a pessoas e animais, o que significa que os fragmentos microscópicos ingeridos pelas medusas podem acabar nos estômagos de espécies de maior porte, incluindo nós, humanos.

É um problema complexo, cuja escala os investigadores ainda tentam perceber, afirma Macali. Compreender a forma como as medusas interagem com o plástico que navega em águas oceânicas será apenas uma peça de um puzzle maior, acrescenta.

“Se queremos entender o destino do plástico no oceano, temos de começar pela base da cadeia alimentar.”

A Terra Inóspita

Artigo do site Eco-debate de autoria de José Eustáquio Diniz Alves que por sua vez comenta outro artigo publicado na New York Magazine, o The Uninhabitable Earth.

A revista New York Magazine (NYMag) publicou, no dia 09/07/2017, uma matéria denominada “The Uninhabitable Earth” – pintando no pior cenário, um Armagedon climático – que se tornou viral e foi comentada amplamente em diversos países e passou a ser o artigo mais lido da revista (ver o link no final desse artigo). Infelizmente, pouco se falou sobre o assunto no Brasil. A matéria, com chamada de capa, feita a partir de entrevistas com cientistas renomados, traz uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. A repercussão foi enorme. Houve muita comoção pelo tom apocalíptico, reproduzido por uma grande revista que tem respeitabilidade e repercussão imediata.

O texto começa assim: “It is, I promise, worse than you think” (Prometo, é pior do que você pensa). O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.

Desta forma, o jornalista David Wallace-Wells realmente conseguiu assustar. A seguir segue uma tentativa de resumir alguns dos principais pontos da matéria.

Na primeira parte, denominada “Apocalipse, espiando além da reticência científica” o autor explica que a ansiedade sobre os efeitos do aquecimento global em relação à elevação do nível do mar, é justificável, mas apenas arranha a superfície dos horrores que podem acontecer no espaço de tempo da vida de um adolescente de hoje. A elevação do nível dos oceanos é ruim, muito ruim, mas fugir do litoral é um problema menor. Na ausência de um ajuste significativo de como bilhões de seres humanos produzem e consomem, partes da Terra provavelmente se tornarão inabitáveis ​​e outras partes ficarão terrivelmente inóspitas, antes do final deste século.

David Wallace-Wells diz que até mesmo pessoas que reconhecem as mudanças climáticas são incapazes de compreender seu alcance. No inverno passado, em diversos dias, a temperatura do Polo Norte ficou 60 a 70 graus mais quentes do que o normal, derretendo o PERMAFROST. Até recentemente, o permafrost não era uma grande preocupação dos cientistas, porque, como o nome sugere, era um solo permanentemente congelado. Mas o permafrost do Ártico contém 1,8 trilhão de toneladas de carbono, mais do dobro do que atualmente está suspenso na atmosfera terrestre. Quando se descongela e é liberado, esse carbono pode evaporar-se como o metano, que é 34 vezes mais poderoso do que o CO2. Ou seja, mesmo que a humanidade pare de emitir gases de efeito estufa nas atividades industriais e nos automóveis, o efeito feedback do metano do permafrost pode elevar a temperatura a níveis infernais. Na Antártica não é diferente. O “parto” da Plataforma Larsen C é mais um dos sinais de alarme.

A ocupação, dominação e exploração humana sobre os ecossistemas, juntamente com efeito estufa e a acidificação dos solos e das águas está provocando a 6ª extinção em massa das espécies. O Antropoceno é como uma “máquina de guerra”, todos os dias, o ser humano coloca mais munição. Atualmente, estamos adicionando carbono na atmosfera a uma taxa extremamente elevada. Isto é o que Stephen Hawking tinha em mente quando disse que a nossa espécie precisa colonizar outros planetas no próximo século para sobreviver e o que levou Elon Musk a anunciar seus planos para a colonização do planeta Marte.

Na segunda parte da matéria da NYMag, “O calor mortal, transformando Nova Iorque em Bahrain”, David Wallace-Wells mostra que os seres humanos, como todos os mamíferos, são motores de calor. Sobreviver significa ter que esfriar continuamente, como cães ofegantes. Para isso, a temperatura precisa ser suficientemente baixa para que o ar atue como uma espécie de refrigerador, extraindo calor da pele para que o motor possa continuar bombeando. Mas as ondas mortais de calor estão tornando a vida impossível em algumas regiões, pois em temperaturas muito altas, dentro de horas, um corpo humano seria cozido até a morte por dentro e por fora.

O autor reporta que na região açucareira de El Salvador, cerca de um quinto da população tem doença renal crônica, o resultado presumido da desidratação de trabalhar nos campos. Desde 1980, o planeta experimentou um aumento de 50 vezes no número de locais com calor perigoso ou extremo. Um aumento maior virá em breve. Os cinco verões mais quentes da Europa desde 1500 ocorreram desde 2002 e, em breve, simplesmente estar ao ar livre, nessa época do ano será insalubre para grande parte do globo. A quatro graus, a onda mortal de calor europeia de 2003, matou 2.000 pessoas por dia. Mesmo que atingindo os objetivos de Paris de dois graus de aquecimento, cidades como Karachi e Calcutá se tornarão próximas a inabitáveis. A crise será mais dramática no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, onde, em 2015, o índice de calor registrou temperaturas tão altas que a sensação térmica chegou a 163 graus Fahrenheit (72º C). Assim, num futuro próximo, o Hajj se tornará fisicamente impossível para os 2 milhões de muçulmanos que fazem a peregrinação a cada ano a Meca.

Na terceira parte da matéria da NYMag, “O fim da comida, rezando por campos de milho na tundra”, David Wallace-Wells diz que nas culturas de cereais os rendimentos da colheita diminuem 10% para cada grau de aquecimento. O que significa que, para uma população de 11 bilhões de habitantes, poderemos ter 50% menos de grãos para oferecer. E o efeito do aquecimento global sobre as proteínas animais serão pior. A perda de solos será dramática, especialmente nos trópicos. A seca pode ser um problema ainda maior do que o calor, com algumas das terras mais aráveis ​​do mundo passando rapidamente para o deserto. O quadro já é preocupante hoje, com a ONU alertando de que 20 milhões de pessoas podem morrer de fome na Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Nigéria.

Na quarta parte da matéria da NYMag, “Pragas climáticas, o que acontece quando o gelo bubônico derrete”, David Wallace-Wells relata que o gelo funciona como um livro do clima, mas também é uma história congelada, com pragas armazenadas que podem ser reanimados quando descongelados. Atualmente, estão presos no gelo do Ártico, doenças que não circularam no ar há milhões de anos. O que significa que nosso sistema imunológico não teria ideia de como lutar quando essas pragas pré-históricas emergem do gelo. O Ártico também armazena insetos aterrorizantes nos tempos mais recentes. Já no Alasca, pesquisadores descobriram os restos da gripe de 1918 que infectaram até 500 milhões e mataram cerca de 100 milhões de pessoas – cerca de 5% da população mundial e quase seis vezes mais do que morreram na Primeira Guerra Mundial.

Na quinta parte da matéria da NYMag, “Ar irrespirável, uma poluição (smog) mortal que atinge milhões de pessoas”, David Wallace-Wells considera que até o final do século, os meses mais legais da América do Sul tropical, da África e do Pacífico provavelmente serão mais quentes do que os meses mais quentes no final do século XX. Nossos pulmões precisam de oxigênio, mas isso é apenas uma fração do que respiramos. Com o aumento da concentração de CO2, em comparação com o ar que respiramos agora, a capacidade cognitiva humana diminui em 21%. Em 2090, cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão respirando um ar poluído, acima do nível “seguro” definido pela OMS. Documentos mostram que, entre outros efeitos, a exposição da mãe grávida ao ozônio aumenta o risco de autismo da criança. Já morrem cada dia mais de 10 mil pessoas das pequenas partículas emitidas pela queima de combustível fóssil. A cada ano, 339 mil pessoas morrem de fumaça de incêndios, em parte porque a mudança climática prolongou a temporada de fogo florestal. O que preocupa ainda mais as pessoas é o efeito que teria sobre as emissões, especialmente quando os incêndios provocam uma queda nas florestas decorrentes da turfa. Os incêndios são especialmente ruins na Amazônia que sozinha fornece 20% do nosso oxigênio. O “airpocalypse” chinês de 2013 tem afetado as atividades econômicas do país e foi responsável por um terço de todas as mortes na China.

Na sexta parte da matéria da NYMag, “Guerra perpétua, a violência cozida no calor”, David Wallace-Wells relata que os climatologistas são muito cuidadosos ao falar sobre a Síria e querem crer que, embora a mudança climática tenha produzido uma seca que contribuiu para a guerra civil, não é justo dizer que o conflito é o resultado do aquecimento. Mas há pesquisadores que conseguiram quantificar algumas das relações não óbvias entre temperatura e violência: para cada meio grau de aquecimento, eles dizem, as sociedades verão entre um aumento de 10 e 20% na probabilidade de conflitos armados.

Na sétima parte da matéria da NYMag, “Colapso Econômico Permanente, tenebroso capitalismo em um mundo meio pobre”, David Wallace-Wells ridiculariza o mantra do neoliberalismo de que “o crescimento econômico nos salvaria de todos e de tudo”. Mas no rescaldo da crise financeira de 2008, um crescente número de historiadores que estudam o que chamam de “capitalismo fóssil” começaram a sugerir que toda a história do rápido crescimento econômico, que começou um pouco antes do século 18, não é o resultado da inovação, mas simplesmente da descoberta dos combustíveis fósseis e todo o seu poder energético. Com o pico do petróleo, voltaremos a uma economia do “estado estacionário”. Além do mais, cada grau Celsius de aquecimento custa, em média, 1,2% do PIB. Os limites ambientais devem levar a economia global à estagnação secular.

Na oitava parte da matéria da NYMag, “Oceanos Envenenados, Sulfeto de hidrogênio e o esqueleto”, David Wallace-Wells declara que o mar se tornará um assassino. O nível do mar vai subir no mínimo um metro. Um terço das principais cidades do mundo estão na costa, para não mencionar suas usinas de energia, portos, bases da marinha, terras agrícolas, pescas, deltas de rios, pântanos e plantações de arroz. O naufrágio das benfeitorias é apenas o começo. No momento, mais de um terço do carbono do mundo é absorvido pelos oceanos – ainda bem, ou então teríamos muito mais aquecimento. Mas o resultado é o que se denomina “acidificação do oceano”, que, por si só, pode aumentar meio grau de aquecimento neste século. Há também o “branqueamento de corais” – isto é, morte de corais – que é uma notícia muito ruim, porque os recifes suportam tanto quanto um quarto de toda a vida marinha e fornecem alimentos para meio bilhão de pessoas. Acidificação dos oceanos frita as populações de peixes. Nas águas ácidas, as ostras e os mexilhões terão dificuldade em cultivar suas conchas. Quando o pH do sangue humano cai tanto quanto o pH dos oceanos, induz convulsões, comas e morte súbita. A absorção de carbono pode iniciar um ciclo de feedback em que as águas sub-oxigenadas produzem diferentes tipos de micróbios que tornam a água ainda mais “anóxica”, primeiro em “zonas mortas” do oceano profundo, depois gradualmente em direção à superfície.

Na nona parte da matéria da NYMag, “O Grande Filtro, nossa curiosidade atual não pode durar”, David Wallace-Wells pondera que não existe uma vontade de esclarecer os efeitos da mudança climática. Certamente essa cegueira não durará, pois, o mundo que estamos prestes a habitar não o permitirá. Em um mundo de seis graus mais quente, o ecossistema terrestre vai ferver com tantos desastres naturais. Os furacões mais fortes virão com mais frequência, e teremos de inventar novas categorias para descrevê-los.

Em síntese, o autor considera que é preciso avaliar melhor os danos já causados ​​ao planeta. A Terra pode ficar inabitável, pois são muitos os processos que estão afetando a capacidade de sobrevivência da humanidade. Provavelmente, a Terra não ficará desabitada, mas a qualidade de vida da população mundial poderá reduzir bastante em um Planeta degradado. O Holoceno garantiu 10 mil anos de estabilidade climática. O Antropoceno e a grande aceleração das atividades antrópicas estão desequilibrando o clima e transformando a biosfera em um habitat inóspito e inabitável.

Indubitavelmente, David Wallace-Wells conseguiu assustar muita gente. Mas, principalmente, conseguiu fazer as pessoas discutirem os cenários negativos para os quais o mundo está caminhando na medida que mantém o atual modelo de produção e consumo, sem respeitar o fluxo metabólico entrópico e os limites do meio ambiente.

Creio que vale a pena ler o artigo “The Uninhabitable Earth” e as centenas de respostas que foram publicadas logo a seguir. Para contribuir com a discussão indico abaixo algumas referências das pessoas que concordaram, aquelas que discordaram do tom, mas concordam com os perigos potenciais do aquecimento global e aquelas que discordam:

Artigos que defendem o uso de uma linguagem catastrófica como forma de alerta:

JOE ROMM. We aren’t doomed by climate change. Right now we are choosing to be doomed, 11/07/2017 https://thinkprogress.org/climate-change-doomsday-scenario-80d28affef2e

KEVIN DRUM. Our Approach to Climate Change Isn’t Working. Let’s Try Something Else. 10/07/20017

http://www.motherjones.com/kevin-drum/2017/07/our-approach-to-climate-change-isnt-working-lets-try-something-else/

Steve Rousseau. Did New York Magazine Make Its Climate Change Story Too Scary? 10/07/2017

http://digg.com/2017/nymag-climate-change-david-wallace-wlls

SUSAN MATTHEWS. Alarmism Is the Argument We Need to Fight Climate Change. New York magazine’s global-warming horror story isn’t too scary. It’s not scary enough, 10/07/2017

http://www.slate.com/articles/health_and_science/science/2017/07/we_are_not_alarmed_enough_about_climate_change.html

ROBERT HUNZIKER. Uninhabitable Earth? 14/07/2017

https://www.counterpunch.org/2017/07/14/uninhabitable-earth/

Ian Johnston. Earth could become ‘practically ungovernable’ if sea levels keep rising, says former Nasa climate chief, 14/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/earth-sea-levels-rising-nasa-climatechange-chief-jim-hansen-global-warming-melting-ice-antarctica-a7841026.html

Artigos que consideram sérias as ameaças, mas não defendem o uso de uma linguagem catastrófica:

ROBINSON MEYER. Are We as Doomed as That New York Magazine Article Says? Why it’s so hard to talk about the worst problem in the world, JUL 10, 2017

https://www.theatlantic.com/science/archive/2017/07/is-the-earth-really-that-doomed/533112/

Eric Holthaus. Stop scaring people about climate change. It doesn’t work. Jul 10, 2017

http://grist.org/climate-energy/stop-scaring-people-about-climate-change-it-doesnt-work/

Michael E. Mann, Susan Joy Hassol and Tom Toles. Doomsday scenarios are as harmful as climate change denial, 12/07/2017

https://www.washingtonpost.com/opinions/doomsday-scenarios-are-as-harmful-as-climate-change-denial/2017/07/12/880ed002-6714-11e7-a1d7-9a32c91c6f40_story.html?utm_term=.bbe40a9986d6

Michael Le Page. Uninhabitable Earth? In fact, it’s really hard to fry the planet. A controversial article says we’re heading for the worst-case warming scenarios. But while we can’t rule out extreme warming, it’s not our most likely future, 12 July 2017

https://www.newscientist.com/article/2140496-uninhabitable-earth-in-fact-its-really-hard-to-fry-the-planet/

JOHN TIMMER Climate scientists push back against catastrophic scenarios. In both the popular and academic press, scientists argue against worst cases. 12/07/2017

https://arstechnica.com/science/2017/07/climate-scientists-push-back-against-catastrophic-scenarios/

Ian Johnston. Climate change doomsday warning of ‘rolling death smog’ and ‘perpetual war’ criticised by scientists, Independent, 13/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/climate-change-doomsday-scenario-new-york-magazine-perpetual-war-rollnig-death-smog-critics-a7838991.html

David Roberts. magazine climate story freak you out? Good. It’s okay to talk about how scary climate change is. Really, 11/07/2017

https://www.vox.com/energy-and-environment/2017/7/11/15950966/climate-change-doom-journalism

Judith Curry. Alarm about alarmism, July 15, 2017

https://judithcurry.com/2017/07/15/alarm-about-alarmism/

Artigos contra o tom catastrófico e que acreditam que ainda há esperança

EMILY ATKIN. The Power and Peril of “Climate Disaster Porn”. Climate scientists say New York magazine’s cover story about global warming is unnecessarily apocalyptic. But can fear help the planet? July 10, 2017

https://newrepublic.com/article/143788/power-peril-climate-disaster-porn

Warner Todd Huston. NY Magazine Claims Planet Earth Will Soon Become Uninhabitable, Turns Into Giant Mess, 11/07/2017

https://www.youngcons.com/ny-magazine-fires-back-at-claims-its-global-warming-article-lacks-scientific-basis/?ref=FacebookPost

Rachel Becker. Why scare tactics won’t stop climate change. Doomsday scenarios don’t inspire action, 11/07/2017

https://www.theverge.com/2017/7/11/15954106/doomsday-climate-science-apocalypse-new-york-magazine-response

Oren Cass. Truth Is Just a Detail. Pundits invested in climate-change alarmism praise even shoddy work—as long as it comes to the right conclusions. July 11, 2017

https://www.city-journal.org/html/truth-just-detail-15316.html

ANDREW FREEDMAN. No, New York Mag: Climate change won’t make the Earth uninhabitable by 2100, 11/07/2017

http://mashable.com/2017/07/10/new-york-mag-climate-story-inaccurate-doomsday-scenario/#Wbc4Dd3xwPqz

Climatefeedback. Scientists explain what New York Magazine article on “The Uninhabitable Earth” gets wrong, 12/07/2017

https://climatefeedback.org/evaluation/scientists-explain-what-new-york-magazine-article-on-the-uninhabitable-earth-gets-wrong-david-wallace-wells/

Mark Tercek. Don’t Panic, Do Act: A Climate Resource With Real Solutions, 14/07/2017

http://www.huffingtonpost.com/entry/dont-panic-do-act-a-climate-resource-with-real-solutions_us_5968c5dde4b06a2c8edb45d6

Entrevista com David Wallace-Wells sobre o artigo “The Uninhabitable Earth”

REBECCA FISHBEIN Are Humans Doomed? A Q&A With The Author Of NY Mag’s Terrifying Climate Change Story`, 10/07/2017

http://gothamist.com/2017/07/10/climate_change_ny_mag.php

Wikipedia. The Uninhabitable Earth, 11/07/2017

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Uninhabitable_Earth

Referências:

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth. Famine, economic collapse, a sun that cooks us: What climate change could wreak — sooner than you think. NYMag, 09/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans.html

Versão revisada e comentada do artigo pelo próprio autor

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth, Annotated Edition. The facts, research, and science behind the climate-change article that explored our planet’s worst-case scenarios, 14/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans-annotated.html

Mundo perdeu 60% dos animais selvagens em 40 anos, alerta estudo

Relatório da WWF apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais sobre os ecossistemas e a biodiversidade da Terra.

De Exame:

São Paulo – A biodiversidade planetária está ameaçada. Populações globais de animais selvagens diminuíram em média 60% em pouco mais de 40 anos, de acordo com o relatório “Planeta Vivo 2018”, da organização não governamental WWF (World Wildlife Fund).

O relatório apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais na vida selvagem, florestas, oceanos, rios e clima. Ao mesmo tempo, chama atenção para a curta janela de tempo para ação e a necessidade urgente de adoção em larga escala de novas abordagens para a valorização, proteção e restauração da natureza.

O estudo reitera a ameaça já sublinhada no recente relatório do Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC): estamos no meio de uma crise planetária causada por atividades humanas e estamos fazendo pouco para mudar a rota.

O que está causando a perda global de espécies?

A degradação ambiental e perda de habitat devido à agropecuária e à superexploração de espécies continuam sendo as maiores ameaças à biodiversidade e ecossistemas terrestres e marinhos em todo o mundo. Segundo o estudo, apenas um quarto das terras do Planeta estão livres dos impactos das atividades humanas e esse número deverá cair para apenas um décimo até 2050.

Essas ameaças são particularmente evidentes nos trópicos, resultando em uma perda mais significativa da vida selvagem nessas áreas, principalmente nas Américas Central e do Sul, onde a redução chega a 89% desde 1970. No caso do Brasil, ainda somos a maior fronteira de desmatamento do mundo — perdemos 1,4 milhão de hectares de vegetação natural por ano.

Nos últimos 50 anos, 20% da vegetação da Amazônia já desapareceu. Especialistas indicam que se o desmatamento total alcançar 25%, esse bioma chegará ao “ponto de não retorno”, podendo entrar em colapso.

O relatório aponta também a região do Cerrado como uma das maiores frentes de desmatamento no mundo. Além das perdas para a biodiversidade, o desmatamento no bioma põe em risco a segurança hídrica do país, uma vez que as águas que nascem no Cerrado alimentam seis das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras e alguns dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo.

Outra ameaça crescente é a mudança climática, que afeta ecossistemas e espécies, e que pode dobrar a curva da perda de biodiversidade até o final do século. A mudança de uso do solo, principalmente o desmatamento, é o maior fator de emissão de gases de efeito estufa do Brasil, contribuindo assim para o aquecimento global. Entre 1990 e 2013, a mudança de uso do solo foi responsável por 62,1% do total de emissões do país, segundo o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

[DOCUMENTÁRIO] Terra

Terra é um deslumbrante documentário que relata a rica diversidade da vida na natureza selvagem em suas mais diversas manifestações desde os primórdios. A produção que faz um paralelo entre passado e presente narra e ilustra a evolução da espécie humana junto a outras e como nossa espécie chegou ao atual estado de inconsciência capaz de atirar ao abismo toda a vida na Terra através civilização e do progresso.

Antes o que era só mais uma espécie dentre milhões acabou por fazer com que o mundo girasse em torno de si em detrimento de todas as outras, ela se alienou de seu ambiente natural e criou para si um terreno estranho e doente, capaz de contaminar e adoecer a todo o resto. Terra é sobre isso, sobre as características deslumbrantes da natureza selvagem e a capacidade catastrófica da espécie humana para destruir a sua existência e a de outras espécies engolidas por um extincionismo abismal.

Por mais que o final do documentário advogue por um otimismo tolo com a mensagem barata de “vamos nos juntar para fazer algo e mudar o rumo da civilização”, como se não fosse a própria civilização e o seu progresso o problema, a produção narra e cobre belos momentos no mundo selvagem, ela é capaz de despertar ira. Tola em alguns, extremista a outros.

Você pode assistir o documentário dublado em português logo abaixo, mas se quiser, pode também baixá-lo neste link.

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Animais estão se tornando mais noturnos para evitar os humanos

Espécies diurnas de todo o planeta aumentaram sua atividade durante a noite, quando há menos presença humana.

Um grupo de javalis procura comida numa rua de Barcelona. Laurent Geslin

De El País:

Animais que há milhões de anos exercem hábitos diurnos estão trocando o dia pela noite. Sejam grandes ou pequenos, de floresta ou de savana, predadores ou presas, em todo o planeta as espécies estão transferindo a maior parte da sua atividade para o horário noturno. Um amplo estudo aponta a expansiva presença humana como a causa de dessas mudanças que podem transtornar a dinâmica de ecossistemas inteiros.

O impacto dos humanos sobre a vida selvagem tem muitas arestas. A mais evidente é a redução do espaço disponível para os animais à medida que a espécie humana foi se expandindo pelo globo. Além disso, esses espaços naturais são cada vez mais reduzidos e esquartejados, e sua qualidade se reduz a cada nova infraestrutura que os cerca. Uma das consequências de tudo isto é que os animais se movem cada vez menos nas zonas com presença humana e se refugiam em áreas cada vez mais diminutas. Mas há outra forma de se esconder das pessoas: só sair quando elas vão dormir.

Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos comprovou o caráter global dessa translação da vida animal para os horários em que o grande predador diurno descansa. Reunindo os resultados de dezenas de estudos sobre os movimentos de 60 espécies de mamíferos nos cinco continentes, os cientistas comprovaram que onde há uma perturbação humana os mamíferos têm 1,36 vez mais atividade noturna, em média. Isto significa que um animal que, sem perturbações, distribuiria em partes iguais suas atividades entre o dia e a noite aumentaria sua atividade noturna em até 68%.

“Há indícios de que animais de todas as partes estão ajustando seus patrões de atividade diária para evitar os humanos no tempo, já que é cada vez mais difícil para eles nos evitar no espaço”, diz a autora principal do estudo, Kaitlyn Gaynor, da Universidade de Califórnia em Berkeley (EUA). “Como as pessoas são mais ativas durante o dia, os animais estão passando para a noite”, acrescenta. Essa mudança se produz seja no caso de herbívoros ou grandes carnívoros, como o tigre. O padrão se repete tanto nos mamíferos menores, como o saruê, como em alguns que chegam a pesar mais de 3,5 toneladas, como o elefante africano.

O mais chamativo dessa análise, publicada na revista Science, talvez seja que os animais estão se tornando mais noturnos independentemente do nível de perigo que os humanos representam. “Esperávamos encontrar uma tendência de aumento da atividade noturna nas proximidades dos humanos, mas nos surpreendeu a consistência dos resultados. Os animais respondem a todos os tipos de perturbação humana, sem importar se realmente representam uma ameaça direta”, acrescenta.

O trabalho de Gaynor se baseia em dezenas de estudos que usaram diversas técnicas de rastreamento dos movimentos dos animais (balizas, colares com emissores de rádio, GPS, armadilhas fotográficas e observação direta) diante de um leque de presenças humanas, de excursionistas a caçadores, passando por campos de cultivo e estradas. Um desses estudos rastreou uma espécie oportunista, a raposa, pelas terras de Castela-La Mancha (centro-sul da Espanha), numa série de entornos de menor (parque nacional de Cabañeros) ou maior presença humana (arredores de Ciudad Real).

“Embora seja um animal crepuscular, quanto mais perturbação humana havia, mais a raposa tendia a reduzir sua atividade diurna”, diz o biólogo Francisco Díaz, da Universidade de Málaga, e coautor daquele estudo. Para as raposas mais noturnas, produzia-se um desajuste temporal com sua principal presa, o coelho, eminentemente diurno. Por sorte delas, as raposas estão entre os animais que melhor se adaptam ao meio. “Mas há outras espécies com milhões de anos de adaptação a uma conduta diurna que não são tão plásticos”, recorda Díaz.

As consequências dessa mudança de tantas espécies para a noite ainda são incertas. Em princípio, pareceria que deixar o dia para os humanos facilitaria a coexistência deles com os animais. Mas uma mudança tão generalizada e rápida de padrões de atividade moldados durante milênios pode alterar todo um ecossistema. “No caso dos predadores não adaptados a caçar de noite, poderia ocorrer um aumento da população dos ungulados que eram suas presas, o que afetaria a disponibilidade de cobertura vegetal, produzindo um efeito em cascata”, comenta a pesquisadora Ana Benítez, da Universidade Radboud, da Nijmegen, nos Países Baixos.

Para a ecóloga espanhola, que também investigou os diferentes impactos humanos sobre a vida animal, o mais relevante desta pesquisa é que ela confirma uma hipótese exposta nos anos 1960 pelo biólogo Fritz R. Walther: “Os animais respondem igualmente perante os humanos, sempre nos veem como predadores”, comenta. Isso leva a questionar se o impacto de um caçador pode ser o mesmo que o de um excursionista amante da natureza. Para Gaynor, sua pesquisa “sugere que basta a nossa mera presença para interferir nos padrões naturais de conduta”.

Um quarto dos vertebrados do mundo morrem por interferência humana

Pesquisadores descobriram que a humanidade é responsável por 28% de todos os vertebrados terrestres que morrem.

De Revista Galileu:

Efeito desproporcional: foi assim que uma equipe de cientistas da Faculdade SUNY de Ciências Ambientais e Florestais (FSE), em Nova York, e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos descreveu a influência dos seres humanos nas mais 35 mil espécies de vertebrados existentes.

Em estudo publicado no periódico Global Ecology and Biogeography os cientistas explicam que analisaram as mortes de 42.755 animais relatadas em 1.114 estudos publicados e, a partir disso, descobriram que 28% delas foram diretamente causadas ​​por seres humanos.

”Todos sabemos que os humanos podem ter um efeito substancial na vida selvagem”, disse um dos autores, Jerrold L. Belant. “Somos apenas uma entre as 35 mil espécies de vertebrados terrestres no mundo, mas responsáveis ​​por mais de um quarto de suas mortes. Isso fornece uma perspectiva de quão grande o nosso efeito realmente é.”

Ele continua: “E isso é apenas causas diretas. Quando você também considera o crescimento urbano e outras mudanças no uso da terra que reduzem o habitat, fica claro que os humanos têm um efeito desproporcional sobre outros vertebrados terrestres”.

Os pesquisadores concluíram que os seres humanos são um dos principais contribuintes para a mortalidade de vertebrados terrestres. Quanto maior e mais velho o animal, maior a probabilidade de ser morto por humanos.

Segundo eles, 75% da superfície terrestre é afetada pela atividade humana. “É um alerta”, disse Belant. “Considere as taxas de desmatamento e o branqueamento dos recifes de coral devido ao aumento da temperatura do mar. Esta é mais uma evidência a ser acrescentada à lista. Mais um exemplo do impacto que estamos impondo ao planeta.”

Especialista em sons da natureza adverte: o mundo animal está cada vez mais silencioso

Segundo ele, a orquestra da natureza é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber.

De Revista Galileu:

O músico americano Bernie Krause já gravou com lendas como Bob Dylan, George Harrison e Stevie Wonder. Nos últimos 47 anos, porém, dedica-se a outro tipo de música: a orquestra da natureza. Krause se especializou em bioacústica e grava os sons de animais em florestas, mares, pântanos e desertos em várias partes do mundo. Hoje, ele possui um centro de pesquisa dos sons do mundo animal, com mais de quatro mil horas de gravações e 15 mil espécies em seu habitat natural.

O trabalho de Krause tem um valor inestimável já que, à medida que florestas são desmatadas e o clima se transforma, boa parte de seu trabalho é composto de sons que não existem mais. “Tudo está mudando por causa do aquecimento global, o nível dos mares e o desmatamento em geral. Metade dos meus arquivos vêm de habitats que ou foram radicalmente transformados pela ação do homem ou já estão em silêncio. Metade desses arquivos você já não pode ouvir de outra forma”, diz. Em entrevista a GALILEU, Krause explicou por que ele acredita que o mundo natural é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber. Confira:

GALILEU: Antes de se dedicar à “orquestra da natureza” você era músico. O que o fez mudar de carreira?

Eu até conheci Tom Jobim e tivemos muitas discussões sobre isso também. Eu entrei nessa área porque como um músico eu sempre trabalhava em ambientes fechados e eu queria trabalhar ao ar livre. Em 1967, desisti da música de vez e fiz minha especialização em bioacústica, o estudo do som de animais vivos, e desde então trabalho na área. O que eu descobri no ramo dos animais foi a origem da vida, algo que o Tom fez, na verdade. Boa parte de suas músicas se baseiam nos sons da Mata Atlântica que ele ouviu ao crescer no Rio de Janeiro.

Você acha que nosso conceito de música é inspirado na natureza?

Toda nossa música é inspirada pelos sons da natureza porque somos mímicos. Nós aprendemos a imitar o que ouvimos no mundo ao nosso redor. Quando vivemos mais perto do mundo natural, organizamos os sons como os animais o fazem, imitamos o som solo de animais como pássaros e mamíferos e tiramos música daí. Quando começamos, éramos uma parte pequena da orquestra animal, porque precisávamos organizar esses sons para mostrar que fazíamos parte do mesmo grupo, para sobreviver.

Você tem experiência gravando os sons da natureza brasileira?

Eu gravei os sons de muitos lugares no Brasil, como Minas Gerais, Amazônia, a Mata Atlântica, eu fui ao Brasil muitas vezes e graveis em vários locais diferentes. Meu lugar preferido é a Amazônia porque lá o som é muito mais rico. É verdadeiramente mágico. Na Mata Atlântica, o problema é que o habitat foi tão prejudicado que é muito complicado gravar lá, você simplesmente não encontra mais muita diversidade.

Estamos enfrentando um sério problema de desmatamento na Amazônia agora também. Você tem uma comparação entre os sons da Amazônia ao longo de alguns anos?

Faz muito tempo que eu não vou ao Brasil, quero voltar à Amazônia, mas ainda não consegui financiamento para isso. O que sabemos é que, ao gravar sons naturais, você pode interpretar muito rapidamente as consequências da atividade humana, e as pessoas têm muito medo disso. Muitas indústrias não querem isso, então é muito difícil de conseguir financiamento. Porque mostra muito rapidamente os resultados do desmatamento, realmente mostra o antes e o depois das atividades do homem.

Por que usar gravadores e não câmeras para arquivar os sons da natureza?

Com uma câmera, é muito fácil enquadrar uma imagem que faz com que um habitat pareça saudável, mesmo quando ele não está. Já os microfones gravam em 360 graus, o habitat completo, e o som mostra uma perspectiva completa. O que eu falo aos meus alunos é que uma foto pode valer mil palavras, mas um som vale mais que mil imagens, porque o som nos fala a verdade, quantas espécies de pássaros, mamíferos, insetos e répteis estão ativos no lugar.

O silêncio é o som da extinção?

Nos anos 1960, uma mulher chamada Rachel Carson escreveu um livro chamado “A Primavera Silenciosa”, no qual ela explica o que vai acontecer se o mundo natural ficar silencioso por causa do homem. O que eu vejo é que estamos nos aproximando não só de uma primavera silenciosa, mas inverno, outono e verão silenciosos.

Mesmo em uma floresta densa como a da Amazônia, se você cortar apenas algumas árvores ali, as consequências serão sentidas em grande escala pelos animais que ocupam esse lugar há muito tempo. Ou seja, um efeito profundo no som que será sentido muito rapidamente. Nós temos que pensar nas formas como estamos afetando esses lugares e perguntar a nós mesmos se é isso o que queremos, o silêncio do mundo natural. São organismos vivos, essa é a vida de onde viemos, se a aniquilarmos, estaremos destruindo a vida à nossa volta. Essa é a voz divina, as pessoas falam em religiões, mas essa é a voz divina que está implorando por proteção. As nossas vidas dependem dela.

Confira, abaixo, a comparação de sons gravados por Bernie Krause em áreas que tiveram algumas áreas derrubadas:

Insetos enfrentam extinção em massa — e vão trazer tudo abaixo consigo

Pequeninos e muitas vezes ignorados, os insetos são as pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres. Se sumirem, fique certo: eles não vão sozinhos.

Ameaça: uso desmedido de agroquímicos é uma das razões para declínio. (Florian Gaertner/Getty Images)

De EXAME:

São Paulo – Mais de 40% das espécies de insetos do mundo podem ser extintas nas próximas décadas, com consequências “catastróficas” para o meio ambiente e a manutenção da própria vida na Terra.

O alerta vem de um estudo publicado na revista Biological Conservation e que fez uma revisão de 73 pesquisas globais sobre o declínio de insetos.

A lista de populações mais afetadas é liderada por borboletas, abelhas, mariposas, vespas, formigas e besouros escaravelhos, insetos essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, preenchendo funções críticas como a predação e a polinização.

Há uma série de razões pelas quais esses animais estão em apuros. O estudo cita a perda de habitat devido à conversão de terra para a “agricultura intensiva”, poluição agroquímica e mudança climática como as principais razões para o rápido declínio.

“As repercussões que isso terá para o meio ambiente do Planeta são, no mínimo, catastróficas, já que os insetos estão na base estrutural e funcional de muitos dos ecossistemas do mundo”, diz um trecho do estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, Universidade de Queensland e a Academia Chinesa de Ciências Agrárias.

Há mais de um milhão de espécies de insetos no mundo, em comparação com pouco mais de 5 mil mamíferos, e essas espécies funcionam como pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres.

Sem os insetos, tudo viria a baixo, o que os cientistas chamam de “cascata trófica de baixo para cima”, levando ao colapso da cadeia alimentar, que se espalharia pelos ecossistemas em   uma espiral que atingiria desde predadores até plantas. Em outras palavras: não sobraria nada para sustentar a vida como a conhecemos.

Segundo o estudo, metade das espécies de mariposas e borboletas estudadas está em declínio, com um terço delas ameaçadas de extinção. Enquanto isso, quase metade das abelhas e formigas pesquisadas estão ameaçadas

O estudo recomenda várias mudanças para retardar ou interromper o declínio de insetos, incluindo uma drástica redução no uso de produtos químicos nos campos, como herbicidas, fungicidas e pesticidas, que quando aplicados atingem espécies não-alvo, e os neonicotinóides, que têm sido associados ao declínio mundial das abelhas.

Combater a mudança climática também é vital. Quase invisíveis no debate climático, os insetos são as criaturas que mais sofreriam perdas na sua distribuição no globo em um mundo mais quente. Um aumento de 3,2 graus Celsius no termômetro até o final do século poderia reduzir em 49% o alcance geográfico dos insetos, em 44% das plantas e 26% dos vertebrados, alerta um estudo publicado em 2018 na revista Science.

A vulnerabilidade dos insetos se soma à série de desventuras do processo que os cientistas caracterizam como a sexta extinção em massa na Terra.

Nos 500 milhões de anos de existência do Planeta, houve cinco extinções em massa, que levaram ao desaparecimento de 75% das espécies.

A mais famosa de todas, segundo a hipótese mais proeminente, ocorreu a 65 milhões de anos, com o impacto de um asteroide que teria destruído a vida por aqui.

Na sexta edição do cataclisma, porém, o algoz é o próprio ser humano e suas atividades nocivas ao meio ambiente.

Desde o alvorecer da civilização, a humanidade causou a perda de 83% de todos os mamíferos selvagens. Nos últimos 50 anos, as populações de todos os mamíferos selvagens, aves, répteis e peixes caíram em média 60%.

Nesse contexto, o declínio dos insetos é um golpe fatal no complexo elo de sustentação da vida. O alerta já está dado: se eles sumirem, vai todo mundo junto.

O apetite humano ameaça a megafauna que resta

Cerca de 150 espécies de grandes animais estão em risco de extinção por sua carne, barbatanas, chifres ou ovos.

Secagem de barbatanas de tubarão no telhado de uma edificação na China. Sam Tsang/South China Morning Post via Getty Images

De El País:

Para os imperadores chineses da dinastia Song (960-1279 desta era) a sopa de barbatana de tubarão já era uma iguaria. Na qualidade de um prato influía a dificuldade de obter seus ingredientes, e capturar um esqualo perigoso devia ser uma grande oferenda ao imperador. Além disso, acreditava-se em uma espécie de transmutação, pela qual a força e a ferocidade do animal passavam para quem comia sua carne. Tais atavismos transformaram este prato em um símbolo de status. Até recentemente, na China, todos os casamentos, jantares de negócios ou banquetes oficiais que se prezassem deveriam incluir sopa de barbatanas de tubarão. E mesmo considerando que esses adendos têm pouco sabor e o principal ingrediente do caldo é o frango.

Cerca de trinta espécies de tubarões, peixes-serra, tubarões-martelo e outros peixes cartilaginosos estão ameaçados de extinção por causa do desejo de muitos chineses de agradar a seus hóspedes. De acordo com um estudo recente sobre ameaças à megafauna, eles fazem parte do grupo dos grandes vertebrados mais perseguidos. Existem cerca de 200 espécies de animais de grande porte que estão perdendo população e 150 delas estão em risco de extinção por culpa de vários apetites humanos.

“Nosso estudo mostra que, além da perda ou degradação do habitat, a caça direta por humanos é a maior ameaça para os maiores animais do mundo”, diz o professor de ecologia da Universidade do Estado do Oregon (EUA) e principal autor do estudo, William Ripple. “Há muitas causas pelas quais os humanos estão matando a megafauna.” Às vezes, é para subsistência, às vezes para interesses comerciais, em outras, para fins medicinais ou simples hobby, às vezes a morte é intencional e às vezes não intencional, por captura acidental”, acrescenta.

A investigação, publicada na Conservation Letters, catalogou como megafauna os mamíferos e peixes de mais de 100 quilogramas e os anfíbios, répteis e pássaros que excedem 40 quilos. Encontraram um total de 292 espécies com dados suficientes sobre o seu estado de conservação e seus riscos principais. Seus resultados mostram que 70% das espécies de megafauna estão perdendo população e 59% estão ameaçadas de extinção, com algumas em risco crítico. Dois dados confirmam que os seres humanos se nutrem dos maiores animais: entre as espécies de todos os tamanhos, metade perde população e um quinto está ameaçada.

Entre a dezena de ameaças, além da perda de habitat, os pesquisadores analisaram o impacto de espécies invasoras, poluição, desmatamento, avanço da agricultura, mudanças climáticas … Embora muitas espécies sofram impactos de várias frentes, a caça está presente em 98% das ameaçadas. O item caça também inclui pesca.

“O consumo é muito grave. Inclui um enorme tráfico ilegal de subsistência e comercial para os mercados legais e ilegais”, diz o pesquisador Gerardo Ceballos, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México e coautor do estudo. “É parte do que chamamos de ‘aniquilação da natureza’. A maior parte deste consumo se deve a dois fatores: a miséria em que vive um grande número de pessoas no planeta e a ganância das máfias, principalmente asiáticas (chinesas), que dominam o mercado negro.”

Exemplar da salamandra-gigante-da-China no zoológico de Londres. Se sua captura não cessar, peritos avaliam que somente a criação fora de seu entorno original garantirá a sobrevivência da espécie. Luke Harding ZSL

Há espécies caçadas por sua carne, pele, penas e até mesmo os ovos, como o avestruz somali, colocado em extremo perigo pela caça de subsistência. Em outras, a condenação está em seus ornamentos, e isso vem de longe, como acontece com elefantes e rinocerontes. Mas é a comida, geralmente de pratos supostamente requintados, que está matando muitos dos poucos animais de grande porte que restam. Entre essas iguarias está a carne da salamandra-gigante-da-China, o único anfíbio da lista, o único grande anfíbio que resta.

“A situação das populações da salamandra-gigante-da-China é absolutamente crítica”, diz Samuel Turvey, pesquisador do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres. Autor de vários livros sobre extinções causados por humanos, Turvey participou entre 2013 e 2016 de uma extensa campanha para conhecer o status desse anfíbio. Foram realizados estudos de campo em 97 condados da China e entrevistados cerca de 3.000 moradores. “Não encontramos nenhuma salamandra gigante na natureza”, diz o zoólogo britânico, que não tomou parte do estudo da megafauna. As únicas que eles viram foram espécimes fugidos de fazendas onde são criadas como gado.

Embora este animal esteja há muito tempo sob risco de extinção, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, as autoridades chinesas ainda não proibiram sua captura (fora das áreas protegidas) e seu consumo. Talvez o caso dos tubarões possa servir como referência: com eles a pressão sobre a oferta parece não funcionar, mas, sim, as ações para reduzir sua demanda.

Na maioria dos países, e também na China, a pesca de algumas espécies é proibida, mas não a de outras, e as barbatanas dos tubarões são muito parecidas com as de outros animais. Uma pesquisa recente da Universidade de Hong Kong, principal porto e mercado desses apêndices, mostrou que pelo menos um terço das barbatanas pertencia a espécies que aparecem ameaçadas na Lista Vermelha.

“Os dados apontam que as capturas mundiais de tubarões superaram um milhão de toneladas por ano, mais do que o dobro de seis décadas atrás. Esta superexploração ameaça hoje quase 60% das espécies de tubarões, a maior proporção entre todos os vertebrados”, disse em uma nota a bióloga Yvonne Sadovy, da universidade da ex-colônia britânica.

“A exclusividade de um produto natural combinada com a sua reduzida disponibilidade em liberdade aumenta seu preço e o torna um produto atraente para as redes de negócios, incluindo o extenso tráfego ilegal, que se mostrou muito difícil de ser controlado pelas autoridades”, acrescentou.

No entanto, de acordo com estatísticas oficiais, o consumo de barbatanas de tubarão na China caiu 80% nos últimos anos. De acordo com um relatório da organização ambientalista e ativista WildAid, a importação dessas partes do animal teve redução similar. Em um contexto em que tanto a Europa quanto os Estados Unidos perseguem esse comércio, a pressão das organizações conservacionistas levou o Governo chinês a retirar a sopa de tubarão de seus banquetes oficiais. As campanhas contra este prato por parte de organizações como a WildAid decolaram com os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Hoje as principais redes hoteleiras o tiraram de seus cardápios e começa a ser malvisto festejar o casamento com este caldo.

A solução, portanto, poderia estar no combate à demanda com a arma da educação. Peter Knights, CEO da WildAid, explica: “Nossas campanhas, apoiadas pelas mídias governamentais e lideradas por ícones como Yao Ming [ex-jogador da NBA] e outras celebridades chinesas mudaram as atitudes do público em relação às barbatanas de tubarão. Quando as pessoas estão informadas sobre o declínio das populações de tubarões e seu impacto sobre a saúde dos ecossistemas marinhos, e descobrem a crueldade na forma de capturá-los, a sopa dá mais vergonha do que prestígio.”

Humanos representam 0,01% dos seres vivos e mataram 83% dos mamíferos

Estudo revela que plantas são principal forma de vida da Terra e que humanos foram responsáveis pelo fim de diversas espécies.

De Revista Galileu:

Apesar de representarem apenas 0,01% dos seres vivos do planeta, os humanos são responsáveis pela destruição de muitas espécies. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, revela, inclusive, que a espécie humana acabou com 83% dos mamíferos selvagens da Terra.

Publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa compila os tipos de biomassa — matéria orgânica — dos reinos animais. “A análise revela uma visão holística da composição da biosfera e nos permite observar padrões de categorias taxonômicas e locais geográficos”, escrevem os cientistas.

Esse é o primeiro relatório a estimar a quantidade de todos os tipos de criaturas vivas. “Eu fiquei surpreso em descobrir que não ainda não existia uma estimativa compreensiva e holística de todos os componentes da biomassa”, disse o pesquisador Ron Milo, do Instituto de Ciência Wrizmann, em entrevista ao jornal The Guardian.

Milo e sua equipe compilaram dados de diversas fontes, como da Organização Internacional de Comida e Agricultura, por exemplo, para estimar a biomassa de cada país e como a industrialização, o êxodo rural e o uso de novas tecnologias pelos humanos colaborou para o fim de outras espécies animais.

Os cientistas concluiram que os 7,6 bilhões de pessoas representam somente 0,01% dos seres vivos, as bactérias, 13% e o restante das criaturas, como insetos, fungos e outros animais equivalem a 5% da biomassa do planeta. O que sobra é das plantas: segundo o estudo, elas representam 82% da matéria viva.

Atualmente, 70% das aves e 60% dos mamíferos do planeta foram criados em cativeiro, enquanto 30% dos pássaros são selvagens, 36% dos mamíferos são humanos e os 4% restantes são selvagens. Ainda de acordo com o relatório, 86% das espécies se encontram em terra, 13% abaixo de superfícies (como bactérias, por exemplo) e somente 1% nos oceanos.

[VÍDEO] ¿Cómo No?

¿Cómo No? é um vídeo publicado na web que compila um punhado de danos provocados pela civilização e o ser humano moderno à natureza selvagem. O texto adjunto ao vídeo foi também extraído da web.

Como não odiar as petroleiras? Como não desejar a sua destruição? Como não sentir raiva diante dos atentados contra a Terra? Como não querer atacar a desprezível mineração? Como não sentir asco pela devastação nuclear? Como não amaldiçoar a sua prática? Como não rechaçar o cristianismo? Como não continuar com a Guerra Ancestral? Como não clamar por vingança? Como não querer ver mortos os religiosos? Como não incendiar seus malditos templos e suas putas imagens? Como esquecer o que fez o invasor? JAMAIS! Como não vomitar com as inovações tecnológicas? Como não odiar a alienação moderna? Como não ver a loucura civilizada nisso tudo? Como não querer esfaquear a todos os híper-civilizados? Robôs miseráveis! Como não sentir asco dos estereótipos?

O ser humano moderno é um lixo, não tem salvação nem solução alguma. Está destinado a sua lenta artificialização. O ser humano moderno esqueceu que é um animal… Foi seduzido pela não-violência progressista. Os eco-extremistas reconhecem que são animais domésticos ainda com instintos assassinos, como todos os exemplos no vídeo.

[PT – VÍDEO] Catarse – Dias Melhores Nunca Virão

Este projeto foi publicado na web por Erva Daninha juntamente com o texto adjunto. Encontramos valor nas palavras e no texto que têm poder reflexivo e de alerta. Confira abaixo.

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Este projeto é sobre o agora, o mesmo agora de há três anos atrás quando ele foi produzido e esquecido. Esta edição é sobre os gritos de dor de um planeta que morre pelas mãos de um animal chamado humano e indiferente com a beleza do mundo. Juntei todas as minhas forças naquele momento para reunir o que encontrei de mais grave e pessimista sobre a situação ecológica da terra, recortes que apenas afirmam que já acabou para o humano e a civilização, não há mais volta e ele será punido com uma catástrofe extintiva que o varrerá deste planeta. As águas, os solos, as florestas, os outros animais, todas estas coisas sagradas significam nada para o humano civilizado adorador da tecnologia moderna. Coisa alguma poderá mudar o curso que a nossa espécie traçou para si mesma. Não há esperanças nem revoluções, tampouco messias que poderá deter a catarse da natureza selvagem. Merecemos o nosso próprio extermínio porque miseravelmente brincamos de deuses sem possuir grandeza para isto. Os dias por virem são pessimistas porque nós fizemos do agora o fim. Não haverão dias melhores.

Erva Daninha.