[EN – PDF] African Medicine – A Complete Guide to Yoruba Healing Science

A combination of West African Healing Wisdom, spirituality, and modern science, presents a self-care healing guide in which Concepts such as Orisha Energies form the basis for diagnosis and treatment of chronic illnesses that most frequently threatened balanced health. The Yoruba people, a tribe in West Africa, are considered to be the oldest herbalists on the planet. After living in ancient benin for a time, they settle in Egypt , bringing with them an herbal, dietary, and healing drum system dating back 75,000 Years BC. Dr. Tariq Sawandi presents Yoruba medicine as a comprehensive system of healthcare that heals the whole person, mind, body, and spirit. Chapters include the history, philosophy, methodology, and medicinal usage of African and Caribbean herbs, Roots, gemstones, and sound to heal cancer, sickle cell anemia, high blood pressure, diabetes, HIV/AIDS, and other chronic diseases. This empowering book gives you many approaches to balanced health with easy-to-use charts, diagrams, and tables.

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Artigo Sobre Violência Descolonializadora e Eco-extremismo Para a Conferência da ASN em 2018

Interessante texto de autoria de Julian Langer, do blog Eco-revolt, que fala sobre moralidade e territorialização política moralizadora, especialmente pelos esquerdistas (incluindo os anarquistas).

Este texto de Langer foi publicado em seu blog e rapidamente apagado devido às reações que provocou, já que o que ele mesmo discute em seu ensaio graciosamente ocorreu com ele próprio, foi instantaneamente atacado pelas freiras da igreja da anarquia. A sua versão íntegra foi publicada pelo grupo eco-extremista brasileiro Sociedade Secreta Silvestre, que afirmou possuir a versão original do texto e o divulgou no comunicado 63 do grupo ITS. Tal comunicado tem haver com uma briga que se iniciou com o IGD (It’s Going Down), mencionado no texto de Langer, e se estendeu envolvendo outros personagens, como os “anarcaguetas” do 325 a quem o grupo brasileiro direcionou o comunicado. Talvez a maior resposta por parte dos eco-extremistas a todo este pleito foi o texto Against the World-Builders: Eco-extremists respond to critics. Também há outra resposta mais curta chamada Tendências Cristãs Pseudo-humanistas.

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Em 13 de setembro, apresentei este artigo na conferência da Rede de Estudos Anarquistas, na Universidade de Loughborough. Isso foi escrito para ser falado e não foi editado para que sua leitura fosse simplificada.

*
O teórico político pessimista Jacques Camatte, cujos escritos após seus anos como teórico marxista influenciaram o discurso ana
rquista de sua época —em particular a ala anarco-primitivista— declarou em seu trabalho Contra a Domesticação que; “Há outros que acreditam que podem combater a violência propondo remédios contra a agressividade e coisas do tipo. Todas essas pessoas geralmente concordam com a preposição de que cada problema pressupõe sua própria solução científica específica. São, portanto, essencialmente passivos, pois consideram que o ser humano é um simples objeto a ser manipulado. Eles, por sua vez, são completamente desprovidos do que é necessário para se criar relações interpessoais (algo que eles têm em comum com os adversários da ciência); eles são incapazes de ver que uma solução científica é uma solução capitalista, porque elimina os humanos e coloca a perspectiva de uma sociedade totalmente controlada”.

Parece mais do que óbvio que vivemos entre grandes quantidades de violência e que a violência e a necessidade de acabar com ela é o assunto dominante dentro da narrativa em que nos encontramos. A violência da cultura do estupro; a violência da opressão racial e colonial; a violência do ISIS, os islamitas e as forças internacionais contra eles; a violência da Rússia, Coreia do Norte e Estados Unidos; a violência dos tiroteios nas escolas da América; a violência dos apunhalamentos em massa pelas gangues em Londres; de bombas, carros, armas, facas e pênis. Muitos atos de violência são pouco comentados; a violência das armadilhas para animais; a violência das motosserras; a violência da desocupação de uma área para reutilizá-la para construções ou plantações de monocultivos industriais para alimentar uma população em crescimento.

No discurso radical, particularmente no da tradição anarquista, geralmente temos um tipo de relacionamento distorcido com a violência. Meu desejo aqui é identificar um tópico em nossas discussões que muitas vezes é negligenciado —esse tópico tem a ver com a interiorização e exteriorização —, sob o olhar do grande Outro. Neste assunto, me concentrarei no discurso contemporâneo sobre as atividades descoloniais, anticoloniais e eco-extremistas. Isso também envolverá, na parte final deste artigo, uma declaração ontológica sobre o que a violência realmente é.

No ano passado, a organização anticolonial chilena Luta do Território Rebelde (Weichan Auka Mapu), em uma única ação, incendiou 29 veículos usados em atividades de extração de madeira. Entre janeiro e maio de 2016, o grupo cometeu 30 atos semelhantes de danos à propriedade, em defesa do território em que vivem, das florestas e a vida selvagem. Da mesma forma, o MEND, Movimento Para a Emancipação do Delta do Níger, uma organização combativa armada composta por células independentes envolvidas em uma guerra de guerrilhas contra as empresas de petróleo, explodiram oleodutos, atacaram campos de petróleo e sequestraram petroleiros como parte de suas atividades anticoloniais.

Como porta-vozes dos âmbitos de ambientalistas radicais e anticoloniais de fala inglesa, grupos como Earth First! e Deep Green Resistance lançaram seus apoios a esses grupos e a outros como eles, buscando legitimá-los, dentro do contexto do discurso radical. Isso envolve experimentar o processo que Deleuze e Guattari denominaram territorialização, no qual um processo de interiorização associa esses grupos à estrutura de um mecanismo particular. Isso leva esses grupos a um lugar de aceitação moral, dentro do marco moral com orientações de esquerda. A partir disso, essas ações, as atividades desses grupos, e outros similares, passam a fazer parte da narrativa da política radical de esquerda, referente ao processo de civilização e história. Eles se convertem em personagens nos capítulos que precedem a “revolução” e, semelhante ao descrito por Camatte na citação que mencionei anteriormente, são vistos como objetos passivos a serem cientificamente manipulados. Como personagens do meta-drama em que residem, eles recebem uma identidade que funciona plenamente como um significante simbólico para um Outro, que se posiciona como o superego paterno, legitimando suas lutas, como Deus ao determinar quem vai para o céu, ou melhor, quem não será jogado no gulag, mesmo o anarquista, depois da revolução —interiorizada— e quem será jogado no inferno, ou no gulag, novamente, até o gulag construído por anarquistas — exteriorizado.

Esse também é o caso em lutas descoloniais que não estão necessariamente ligadas a lutas eco-radicais, como a luta palestina contra as violências de Israel, na qual manifestantes desarmados são pintados como “inocentes” pelas organizações pacifistas de esquerda que usam a luta destes indivíduos como uma plataforma própria, com a implicação de que palestinos armados, como o Hamas, são alvos legítimos da violência colonial estatista.

Enquanto os líderes das organizações, que podem ser educados nas filosofias ocidentais do marxismo, anarquistas etc., podem abraçar essa trajetória ideológica, acho que, na verdade, fora dessa interiorização, aqueles indivíduos que estão ativamente engajados nas ações desses organizações e similares; eles não se importam com progresso, história, capitalismo ou nada disso. Eles se preocupam com as florestas, terras, vida selvagem, rios e mundo em que estão imersos e vivem como Extensões.

Essas funções de enquadramento mecânico, da maneira que Heidegger descreve em relação à tecnologia e enquadramento, onde, como objetos, símbolos e personagens de uma descrição tecnológica, se encaixam no modo da existência humana previamente descrita, aquela da narrativa ideológica de esquerda, desumanizada, inanimada e não animal.

E agora quero avançar para algo que poderia parecer de muitas maneiras como totalmente o oposto, mas argumento que se enraíza na mesma narrativa que descrevi aqui. De qualquer forma, para isso, vou me dedicar um pouco à história. Pode-se dizer que a campanha de ataques de Kaczynski, que durou 17 anos, foi a de maior sucesso do seu tipo. Como Unabomber, Kaczynski enviou 16 bombas a vários locais nos Estados Unidos. Foi somente após a publicação de seu manifesto, A Sociedade Industrial e Seu Futuro, que suas motivações foram esclarecidas e ele foi capturado. O trabalho é uma crítica brilhantemente articulada sobre a sociedade industrial, que inclui uma crítica ao esquerdismo, que não irei me aprofundar aqui, uma vez que não é tão necessário e isso ocuparia muito espaço. Menciono apenas por sua relevância e pelo que estou prestes a desenvolver.

A influência de Kaczynski, com relação ao espaço anticolonial, é particularmente notável em relação ao movimento pós-anarquista niilista-terrorista chamado Eco-extremismo. Surgido das profundezas das discussões niilistas-anarquistas e anticiv, e quase inteiramente situado na América do Sul e Centro, composto por indivíduos indígenas e anticivilização, com apenas algumas células na Europa, esse movimento tem buscado ativamente se exteriorizar da maquinaria e da narrativa esquerdista.

Em suas atividades anti-progressitas e anti-melioristas, o grupo que é o defensor mais conhecido do Eco-extremismo, Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), centrou suas atividades, assim como Kaczynski, em plantar bombas em instituições universitárias, como laboratários nano-tecnológicos; antes de avançar com seus famosos, devido ao rechaço à moralidade, assassinatos indiscriminados, em nome da Natureza Selvagem.

Caso você não esteja familiarizado com o grupo, gostaria de resgatar aqui algumas citações de seus primeiros comunicados:

1. “A civilização entrará em colapso e um novo mundo nascerá devido aos esforços dxs guerreirxs anticivilização? Ah, por favor! Sejamos realistas, plantemos os pés no chão e deixemos de voar dentro da mente delirante e esquerdista. A revolução nunca existiu e, portanto, tampouco xs revolucionárixs. Aquelxs que se vêem como “potencialmente revolucionárixs” e que buscam uma “mudança radical anti-tecnológica”, estão sendo verdadeiramente idealistas e irracionais, porque tudo isso não existe. Neste mundo moribundo existe apenas a Autonomia do Indivíduo, e é por ela que lutamos.”

2. “Um mundo sem domesticação, com um sistema derrotado através do trabalho dxs “revolucionárixs”, com a Natureza Selvagem nascendo das cinzas do antigo regime tecnológico e a espécie humana (o que restaria) de volta à natureza, é completamente ilusório e sonhador.”

3. “Its mostra a sua verdadeira face, vamos ao ponto central, a feroz defesa da Natureza Selvagem (inclusive humana) não se negocia, é executada com os materiais necessários, sem compaixão e assumindo a responsabilidade pelo ato. Nossos instintos nos marcam, porque (como dissemos anteriormente) somos a favor da violência natural e contra a destrutividade civilizada.”

A resposta que ITS recebeu foi de exteriorização ativa por parte dos esquerdistas e anarquistas-morais. A publicação anarquista de esquerda Its Going Down particularmente se pronunciou contra ITS, especialmente após o comunicado 29, no qual reivindicavam a responsabilidade pelo assassinato de uma mulher em uma floresta, e também demonizaram anarquistas e ocidentais que incluem o Eco-extremismo em suas discussões. Its Going Down os classificou como Eco-fascistas em uma de suas condenações contra o grupo, numa tentativa óbvia de demonizá-los moralmente, excluindo-os da comunidade de grupos e organizações consideradas aceitáveis dentro da moralidade anarquista. Isto é, assim como o MEND e a Luta Pelo Território Rebelde (Weichan Auka Mapu), realizado sob o olhar do Outro superego paternal, reprimindo aquilo que é moralmente inaceitável, desde uma posição de autoridade moral, como Deus. Este é um exemplo do que Camatte descreve, onde os esquerdistas condenando ITS e o Eco-extremismo tratam os Eco-extremistas, aqueles interessados no Eco-extremismo e seus próprios simpatizantes e partidários, como objetos para a manipulação científica, em um movimento capitalista por controlar, territorializar.

A revista Eco-extremista Regresión faz uma tentativa notável de se exteriorizar, tanto em seu nome quanto em seu conteúdo. Ela se descreve como o antônimo do progresso, como uma força regressiva antiética, marcando sua estratégia em um estilo marxista ativo da dupla dialética. A Revista proclama ativamente que não deseja ser lida por muitas pessoas e que não busca atrair leitores, mas está disponível na web para ler lida por quem quiser. Está dizendo ativamente que “não somos um de vocês” e “não formamos parte disso”, de maneira muito semelhante a como os esquerdistas buscam exteriorizar o Eco-extremismo. A partir desses exemplos que apresentei, tentei identificar que, tanto em enquadramentos morais positivos e negativos, através de interiorização ou exteriorização dentro da narrativa do progresso, revolução e história, a relação esquerdista com relação aos projetos extremistas e radicais anticoloniais e descoloniais é aquela cuja estrutura mecanicista é ideológica e funcionalmente colonialista e racista. A esquerda não aceita nem condena as ações de grupos indígenas e anticoloniais simplesmente sob seus próprios termos, mas os associa ao simbolismo de seu próprio desenho ideológico. Ao mesmo tempo, o movimento descolonial tornou-se tão incorporado à maquinaria esquerdista que, no caso dos Eco-extremistas, os povos indígenas estão se afastando da luta.

Aqui, sinto a necessidade de ir a outro ponto ligeiramente diferente daquele de onde estivemos durante a maior parte disso, mas sem nos afastarmos muito. Enquadro isso em um lugar geográfico, mais que em um tempo histórico, pois a onde quero chegar não é nem historicamente progressivo nem reacionário, ou regressivo, seja qual for o termo que você prefira, mas metafisicamente presentista, em um sentido imediatista egoísta e fenomenológico. Karl Popper declarou em seu trabalho A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, onde critica o historicismo teleológico de Hegel, Marxs e pensadores semelhantes por ser fundamentalmente totalitários, que a “História não tem significado” —uma preposição sem dúvida desagradável para qualquer pessoa que tenha uma postura política esquerdista, mas é neste sentimento a qual quero chegar. Esta é a questão da destruição, que mais tarde diferenciarei da violência. Agora, quando olho para fora de mim rumo ao que o discurso e ação pós-anarquista significam hoje em dia, no tempo presente, quando nos encontramos em uma crise sistemática, colapso ecológico e em meio a tanta violência, me parece que realmente podemos apenas falar sobre ontologia. Não estou querendo dizer que estamos falando e que só podemos falar sobre conceitos vagos e abstratos, mas que, na raiz de nossos discursos e, se formos honestos em nossas discussões, estamos falando de psico-ônticos, socio-ôticos, eco-ônticos, sobre Realidades e sobre o Real. Estou indagando aqui, ao incorporar o ôntico junto com a ontologia, dentro do mundo das Coisas (C maiúscula) e a reificação (usando o termo no sentido exposto pelo velho e confiável comunista Marx e no sentido da falácia do concretismo, também conhecido como hipostatização). Essas discussões ontológicas podem frequentemente ser enquadradas nos teatros simbólicos das ideologias, interiorizando e exteriorizando, em processos de territorialização. Mas abaixo destas vestimentas, na carne nua de nosso discurso, é ontológico. Somos, de muitas maneiras, todos anarquistas ontológicos de práxis.

Com base nisso, farei uma afirmação de que o projeto anarquista ontológico é de destruição ativa, no sentido Heideggeriano. Eu gostaria de pegar emprestado o termo da guerrilha ontológica de Robert Anton Wilson para isso. Como Heidegger observou, a destruição é uma tarefa presentista que não se enquadra nas categorias normais de positivo-negativo, sendo niilisticamente amoral e não posicionada no passado. Sem ser dualisticamente positiva nem negativa, a destruição aqui é uma força radical monística, no sentido que sugere o anarquista-coletivista Bakunin quando declarou que “a paixão pela destruição é também uma paixão criativa” imediata; ao contrário das tradições gnósticas da ideologia revolucionária de esquerda, nas quais tanto a teoria como a prática mantêm um dualismo esotérico, em relação a objetos que podem ser manipulados cientificamente.

Mais do que como uma prática antropológica, afirmo que a verdadeira destruição-criativa sem objetivos de Ser é o processo de transformação que está acontecendo constantemente. A civilização e a história, nesse sentido, são tentativas de interromper esse processo e criar, através da reificação simbólica, uma ontologia social de um estruturado-espaço absoluto —a construção de territórios, de objetos com interiores e exteriores, da natureza e do espaço que está fora da natureza (civilização), de grupos e categorias; um teatro de fantasmas, tecnologicamente inautênticos, no sentido em que Heidegger expõe, tentando reprimir a relacionabilidade do Ser, na forma de desenvolvimentos prolongados no tempo, ou melhor, como a passagem da vida vista como o espaço aberto da possibilidade. A civilização, a fim de manter o maquinário de seu funcionamento, deve restringir, através da colonização, a moralidade, etc., o espaço aberto da possibilidade, através da interiorização e a exteriorização voltadas para uma narrativa totalitária, com um caminho direcionado.

Agora, de certa forma, o que eu, como alguém do mundo anti-civ, estou dizendo com isso é que deveríamos nos livrar dos grupos, categorias, territórios, interiores, exteriores, inclusão, exclusão, objetos, símbolos e outros fantasmas tecnológicos, mas isso dificilmente chegará a algum lugar no tempo presente. Assim, junto com isso, desejo fazer outra afirmação para nós, como indivíduos, ou melhor, como singularidades, envolvidas em projetos descoloniais e anticoloniais de desterritorialização; que abracemos radicalmente a noção de monismo-como-pluralismo; não para interiorizar o mapeamento do espaço radical de uma nova maneira em relação àquela em que o fazemos atualmente. Se não, deixar a situação o mais desordenada possível e não julgar a desordem através da condenação moral, e não encaixar os eventos dentro das estruturas de ideologias de esquerda, mas deixar tudo no espaço da possibilidade. Talvez isso possa ser considerado o equivalente eco-anarquista da noção liberal de Bergson da sociedade aberta —embora também, talvez não. Se, no entanto, estamos lidando com processos ontológicos, sugiro que consideremos nossas percepções da realidade, como espaço e tempo, da maneira que o matemático Poincaré indica com sua filosofia da geometria; como se tivéssemos nascidos sem intuições, que se tornaram mais convenções normativas do que fatos.

Essa ideia que estou propondo é obviamente bastante incômoda, pois deixa quase tudo em aberto, mas se vamos descolonizar o espaço físico estruturalmente racista das políticas anticoloniais, então nos resta este lugar de incomodidade, no qual devemos reconhecer sem categorizar moralmente, em um sentido anti-político.

Finalmente, também desejo fazer uma declaração ontológica aqui, para os propósitos do discurso, de que muito do que é categorizado como violência por grupos eco-radicais e anticoloniais não é violência, sendo a violência um objeto reificado da civilização, significando violação. Em vez disso, o que geralmente é categorizado como violência, neste sentido, é realmente uma aceitação da destruição-criativa não-ôntica acósmica ontológica selvagem.

Violação, dessa maneira, parece ser o funcionamento mecanicista básico da civilização —invertendo a afirmação de ITS de que a natureza é violenta e a civilização é destrutiva. O propósito da civilização é o propósito da violência. Isso não é para legitimar estas ações que estou descrevendo como destrutivas ao invés de violentas, mas para diferenciá-las para os propósitos da práxis pós-anarquista.

Violar é interromper o fluxo de um espaço e criar uma obstrução, como uma represa em um rio, como um militar chegando para interromper o cotidiano da comunidade, como um pênis forçando sua entrada no corpo por estupro. A destruição é um aspecto criativo dos atuais processos temporais do espaço que é o Ser. Destruição é a abertura do espaço. Descolonizar é destruir a narrativa de produção que é essa cultura. Desterritorializar, sem reterritorializar, e sem julgar o que cresce no espaço aberto. Deixemos as coisas abertas e não tratemos o mundo como um objeto para nossa manipulação. Deixemos de tentar ser Deus e destruamos o totalitarismo. Vivamos livres de interiores e exteriores, de inclusão e exclusão. Tornemos real o sem fronteiras nem limites, e sejamos anarquistas abraçando a anarquia. Poincaré disse que “A Geometria não é verdadeira, é vantajosa”, mas isso não vai longe o suficiente. A geometria não é verdade, mas pode ser uma aventura!

Obviamente, isso vai além do espaço descolonial, pois inclui os espaços de teoria e práxis antipatriarcais, de ambientalismo radical e antiestatismo, uma vez que a estes também seria importante desconstruírem seus territórios e abraçar a noção ontológica do monismo = pluralismo —mas não há espaço neste ensaio para incluir estas lutas.

Gostaria de terminar com esta frase do filósofo marxista-autônomo Agamben; “O que teve de perdurar no inconsciente coletivo como um híbrido monstruoso de humano e animal, dividido entre o bosque e a cidade —o lobisomem— é, portanto, originalmente a figura do homem que foi expulso da cidade. Que esse homem seja definido como um lobisomem e não simplesmente como um lobo…é decisivo aqui. A vida do bandido, como a do homem sagrado, não é um pedaço de natureza humana sem relação alguma com a lei e a cidade. É, em vez disso, um umbral de indistinção e de passagem entre animal e homem, Physis e Nomos, exclusão e inclusão: a vida do bandido é a vida de Loup Garou, o lobisomem, que não é exatamente nem homem nem besta, e que habita paradoxalmente dentro de ambos sem pertencer a nenhum”.

Anarquismo Verde Murcho

Texto extraído de La Mauvaise Herbe vol.17 no.2.

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Ninguém mais se importa com eles por aqui, por que você simplesmente não os deixa murchar em impertinência?”, perguntou um bom amigo que se identifica como anarco-primitivista.

Curioso, talvez, mas não poderia deixar de lembrar de um evento de ecologia radical de muito sucesso que participei há pouco tempo. Era uma conferência bem preparada, por um anarquista que dominava o seu “nicho”. A conferência foi proferida em uma sala cheia de estudantes radicais entusiasmados, durante um seguimento dedicado ao anarco-primitivismo. Todo aquele discurso sobre igualdade, democracia direta e até as 15-horas-de-trabalho-semanal-que-é-como-se-fosse-um-jogo foi servido de forma conveniente. [1] Pelo menos ele não começou a falar sobre telepatia ou visão telescópica. Lembro que o evento gerou uma impressão tão boa que uma coordenadora da Universidade onde a conferência estava ocorrendo se aproximou de Mauvaise Herbe, que estava no local distribuindo publicações, para saber se eventualmente eles iriam também compartilhar suas mensagens positivas com as juventudes. Então deram algumas Mauvaise Herbe para que ela pudesse ler e creio que mudou de opinião.

Mas é verdade que não ouvimos muito sobre os Anarquistas Verdes por aqui. Ainda sim, em minhas conversas e no que frequentemente escuto do discurso “anti-civ”, tanto aqui como em qualquer lugar, são sempre as mesmas reflexões comumente conhecidas, as mesmas referências, as mesmas premissas e os mesmos fins. O discurso humanista-hedonista sobre a vida primitiva tornou-se mainstream. Aos poucos, as especulações de alguns tornaram-se fatos para outros. Os anarquistas em geral nunca se posicionaram muito longe do progressismo, se sentem em casa, em paz com ele. Aqueles que escolheram se distanciar através de suas palavras e ações sempre se levantaram contra as igrejas que guiam o caminho desta “luta”. Praticamente chegaram a um ponto em que se deve professorar a fé em cada declaração, em cada ação.

Para muitos agora, em momentos de choque, questionar a retórica da coesão social é revelar “fascismo”. Enquanto os anarco-policiais insurrecionalmente corretos pedem caça às bruxas, é contra toda a sua Inquisição que dedico estas provocações.

O Verde é o novo vermelho

“Esta visão ideológica do passado foi radicalmente revertida nas últimas décadas, através do trabalho de acadêmicos como Richard Lee e Marshall Sahlins. Surgiu uma reviravolta quase completa na ortodoxia antropológica, com importantes implicações. Agora podemos ver que a vida antes da domesticação/agricultura era, na verdade, uma vida de recreação, intimidade com a natureza, sabedoria sensorial, igualdade sexual e saúde. Esta era a nossa natureza humana, durante alguns milhões de anos, antes da escravidão por sacerdotes, reis e chefes”. – John Zerzan, Futuro Primitivo

Pertencemos a uma era desiludida com as promessas do progresso. Ele não trouxe a utopia prometida. Os progressistas já não são necessariamente aqueles que haviam prometido que “a máquina trabalharia para o homem”, aqueles que, há mais de um século, já haviam anunciado a mesma “recreação, intimidade com a natureza, sabedoria sensorial, igualdade sexual e saúde” graças ao desenvolvimento humano e tecnológico… agora os progressistas são aqueles que se preocupam com as crises que foram geradas, aqueles que acompanham constantemente o apocalipse que está se desenrolando – o desastre ecológico e a civilização planetária em total decadência. Mas alguns ainda não perderam a esperança na humanidade, e a possibilidade de prover uma nova consciência universal. Ela pode impulsionar uma cultura de resistência de caçadores-coletores nômades que levarão todo o humanismo herdado pelo anarquismo do século XX!

E é nesse sentido que um trabalho essencial do cânone anarco-primitivista como Futuro Primitivo é um exercício de sedução, com sua crítica à civilização e seus louvores à vida primitiva, a fim de satisfazer essas sensibilidades humanistas decepcionadas com as consequências da modernidade. Portanto, deriva mais abundantemente do trabalho antropológico de um certo período em que foram feitas tentativas de romper com o mito da vida primitiva brutal com declarações ousadas sobre lazer e aspectos igualitários, mais atraentes para o civilizado moderno – trabalhos de antropólogos que queriam que seu campo alimentasse debates sociais.

Em um ensaio abordando o legado do trabalho aclamado por Zerzan de Marshall Sahlins, “A Primeira Sociedade da Afluência”, o antropólogo Nurit Bird-David nos lembra que “Todo o interesse que atraiu sem dúvidas reflete nossas necessidades simbólicas e ideológicas em nossa (Ocidental) construção do passado pré-histórico. (…) Com a intenção de provocar tanto quanto documentar, o ensaio se eleva acima do discurso científico convencional, apelando diretamente às fantasias ocidentais sobre trabalho, felicidade e liberdade”. [2]

Para muitos daqueles que se identificam com o anarco-primitivismo ou com uma espécie de Anarquismo Verde, a vida dos caçadores-coletores nômades do paleolítico representam o anarquismo como foi vivido pelos humanos por séculos. Alguns até chamam de Anarquia Primitiva. Nesta utopia original, no Jardim do Éden anarquista, eles veem nossa “natureza humana”. Assim, em sua propaganda, para uma plateia inclinada ao anarquismo, com seus valores progressistas, eles louvam a vida primitiva de acordo com o quão anarquista ela possa parecer.

Esta leitura seletiva da antropologia tornou-se comum entre os anarco-primitivistas e influenciou muitos outros anarquistas (incluindo stirnerianos e niilistas). Reduz a vida primitiva a generalizações sobre atributos essenciais presumidos – atributos igualitários, coletivistas, anti-opressivos, hedonistas, ecologistas e anarquistas. A relevância da vida primitiva deriva da representação destes valores.

Comportamentos selvagens que não se encaixam são descartados como sem importância quando não são simplesmente ignorados ou são abordados com muita suspeita, assimilados aos efeitos e as consequências da civilização (sincretismo, usurpação ou má interpretação por parte dos civilizados, etc.), enquanto comportamentos que combinam bem com os valores progressistas nunca recebem o mesmo questionamento ou suspeita. O resultado é a interpretação do estilo de vida caçador-coletor como um modelo de sociedade progressista por excelência, com o imediatamente-regressado caçador-coletor como seu representante mais puro.

Na tradição socialista, as culturas indígenas não tem importância além da recuperação do folclore, pois são reduzidas a seus aspectos proletários: as aventuras socialistas na América Latina nos deixaram um claro testemunho sobre isso. Onde faltava a experiência proletária, era introduzida ao ritmo do progresso, em nome do humanismo, aniquilando culturas indígenas já dizimadas para integrá-las à grande irmandade do homem. Não é de alguma forma nessa tradição que hoje muitos anarquistas projetam sua ideologia sobre os costumes dos antigos, apresentando-os como anarquistas, como praticantes ou exemplos de anarquismo? Podemos escolher o que se encaixa com a narrativa e o rolo compressor anarquista pode esmagar o resto. Nada mais civilizado que isso.

O que podemos aprender através da antropologia e arqueologia sobre a vida de grupos nômades caçadores-coletores ao longo do tempo é que eles parecem estar longe de serem homogêneos. Se queremos encontrar condutas progressistas, como aquelas que eu nomeei, nós as encontraremos. Se alguém deseja procurar condutas de um espectro totalmente oposto, também as encontrará: as ideologias encontrarão o que buscam. Mas é precisamente essa variabilidade que me parece importante. O selvagem questiona toda a narrativa do progresso humano, toda nossa domesticação. Isso inclui mais que tudo nossas inclinações humanistas essenciais na hora de incitar o progresso social necessário para o desenvolvimento contínuo. Os humanos se relacionam com uma infinidade de fatores e tangentes, ao longo de milhares de anos – uma infinidade de situações vividas e, portanto, uma diversidade de reações, adaptações, formas de conceber e agir. Estas características dificultam a simples transposição dos costumes de um grupo sobre outro. Para que uma maneira de ser seja reproduzível de um grupo a outro, é melhor substituir as variáveis por um ambiente homogêneo e controlado, e é isso que faz o progresso.

Se na vida primitiva gostamos de ver o reflexo dos valores que nos são familiares, tais como a cooperação, coletivismo, igualdade, amor ao próximo, compartilhar e tolerar, valores que nos ensinaram desde a infância, não deveríamos nos perguntar para onde eles estão nos levando em nossa situação atual? O contexto muda tudo. A representação idílica da vida primitiva é especialmente enganosa já que o colapso de nossa civilização está longe de ser igual ao do paleolítico. A terra já não é aquela onde os nômades caçadores-coletores floresceram, e quem sabe em que estado desumano poderia se transformar durante um colapso da civilização e seus eventos sucessores.

Mesmo com a isca da utopia, até que ponto aqueles que desejam o bem da tal humanidade poderão desejar e agir sobre o colapso da civilização que possivelmente precipitará a humanidade ao abismo? “Vimos o mundo em que queremos viver, e vale a pena lutar por ele”. [3]

“O anarco-primitivismo é uma lealdade a uma adaptação humana específica à vida neste planeta, uma forma de vida a partir da qual todas as evidências conhecidas nos mostram que ela durou de forma sustentável e em estreita relação com a ecologia selvagem por eras mais que qualquer outra. Com esse conhecimento objetivo em mãos, os anarco-primitivistas manterão nossa agência humana e a usarão para tomar os tipos de ação que consideramos mais eficazes e para criar simultaneamente os tipos de sociedades que NÓS QUEREMOS criar. Esta é nossa prerrogativa”. – Choloa Tlacotin, Uma Carta a: Halputta Hadjo

Acima de todas as coisas, é a prerrogativa do híper-civiliziado. Na verdade, é profundamente civilizado aquele que, a partir do conforto da abstração, pode, num piscar de olhos, inspirar-se nos princípios de James Woodburn sobre os caçadores-coletores igualitários como regra de vida e, logo depois admirar os povos guerreiros que lutaram contra os civilizados na América do Norte; e finalmente, maravilhar-se com a resistência que os humanos foram capazes de desenvolver em condições difíceis, “como os Ona [Selk’nam]” na Terra do Fogo. [4] São agentes do progresso aqueles que pensam que podem isolar o que lhes convém no banco de dados para construir seu mundo ideal pelo qual vale a pena lutar. Não venha me apresentar isso como des-domesticação ou alguma merda do tipo.

O Homem dedicou todo o poder do progresso para tentar controlar seu destino, e ainda sim falhou. Os anarquistas, sendo os civilizados teimosos que são, acreditam que podem controlar o resultado de suas ações de acordo com a intenção com que as realizam. Embora muitos deles saibam bem que as coisas nem sempre saem conforme o planejado (greves sociais que resultam em eleições gerais, artefatos que explodem na hora errada, etc.) Ao longo da história, todos aqueles que tentaram criar a sociedade que queriam falharam, mas os super-anarquistas certamente terão êxito…

Mas, depois de todos os esforços, seria possível, por exemplo, que algumas gerações depois os descendentes dos anarco-primitivistas – crianças re-selvagizadas, caçadores-coletores enraizados nos duros cenários da prognosticada queda da civilização – também resultem tão resolutamente patriarcais como os Selk’nam, cuja cosmovisão estabelecia de maneira muito explícita uma divisão entre os sexos e a dominação espiritual e social das mulheres pelos homens? [5] (esse pequeno detalhe que os Anarquistas Verdes omitiram em suas publicações, de pessoas pelas quais expressaram admiração e cujas perdas lamentaram, provavelmente teria caído mal na Feira do Livro Anarquista).

De qualquer forma, quem tem filhos deve saber que não há garantias de que eles ouvirão nossas advertências. Em qualquer caso, tenho a impressão de que as hipotéticas crianças selvagens do futuro primitivo provavelmente não dariam a mínima para a retórica moralizante de um velho ideólogo civilizado que sabe absolutamente tudo sobre suas vidas cotidianas.

A esperança é melhor que nada?

A esperança se converteu em um conceito bastante popular entre os Anarquistas Verdes nos últimos anos. Zerzan até dedicou um de seus últimos livros, Por que Esperança? A Postura Contra a Civilização, e junto com seus discípulos e colaboradores, em sua publicação da Black and Green Review, dedicaram atenção constante à oposição de sua esperança contra o que consideram o niilismo endêmico que contamina os anarquistas.

Em seu editorial da Black and Green Review Nº 4, Kevin Tucker nos fala com seriedade de como a ausência de uma Revista publicada pelos Anarquistas Verdes “levou os anarquistas ao beco sem saída do terrorismo niilista e à busca espiritual egoísta. Nessa trajetória, o anarco-primitivismo é um para-raios, pois tem a audácia de se posicionar para algo: ter apostado nossa reivindicação em ver um mundo que vale a pena lutar e defender. Para querer construir comunidades de resistência, apoiar aqueles que estão e têm resistido aos avanços da civilização e recusam o processo de domesticação, pois ele procura nos afastar da natureza selvagem que atravessa toda a vida.”

Para eles, jovem Padawan, a desesperança que fomentam estes niilistas leva à postura conformista de olhar para o umbigo, ou para criticar e atacar a qualquer pessoa e qualquer coisa: suas palavras e ações não levam a nada… E a esperança é melhor do que nada! Certo?

Se funcionou bem para os cristãos, a Obama e aos rebeldes em Star Wars, por que não funcionaria também para os anarco-primitivistas de Oregon?

Ainda não está convencido de votar pela esperança? No final de uma entrevista ao The Telegraph, orgulhosamente publicada em seu site durante a promoção de Por que Esperança?, Zerzan compartilha conosco o que tanto o inspira:

“Estranhamente, são tempos bons para ser um anarco-primitivista”, disse Zerzan. “Nunca tivemos tanta tecnologia como agora, e estão sendo lançadas cada vez mais rápido. Mas é exatamente por isso que acho que as pessoas começarão a mostrar resistência. Estão começando a ver que a tecnologia não está cumprindo com suas promessas. Por isso tenho esperança. Tenho muita esperança”.

Para o qual o entrevistador concede:

“Em algumas ocasiões também não gosto da tecnologia. Como quando minha internet não carrega rápido o suficiente. E geralmente estou convencido de que seria mais feliz sem estar constantemente conectado, embora nunca faça muito a respeito”. [6]

Certamente é porque ele ainda não leu a última Black and Green Review.

Ao longo do livro Por que Esperança?, sempre há a mesma resposta: é no advento de um movimento de massa de re-selvagização, preparado para a iminente queda da civilização do qual participará, que é preciso ter esperança e se comprometer junto com outros.

“Não será fácil, mas se um número crescente de pessoas estiverem envolvidas nesse movimento os meios podem ser encontrados. Penso que cada vez mais pessoas podem estar sentido a necessidade de uma nova direção como essa. Decifraremos nosso caminho assim que nossas metas possam ser vistas e discutidas. À medida que nos encontrarmos, o debate público necessário começará e o esforço de avançar em conjunto pode dar bons resultados. Não há garantias, mas vale a pena a jornada libertadora!” – John Zerzan, Por que Esperança?

Essa é uma boa quantidade de merda. Alguém está disposto a derrubar toda a rede de dominação porque Zerzan teve uma espécie de “sensação boa”, e depois veremos o que acontece?

É isso mesmo? Um movimento carregado pelo senso comum e pela esperança de ser o futuro da humanidade libertada? Que original! Nada com o qual o Leviatã possa ser reinventado…

E se a civilização não cair? Digamos que uma transição para um estilo de vida primitivo nunca ocorra, nem voluntariamente nem pela força das circunstâncias, que a civilização sobreviva ao que nós consideramos insuperável e transcendente. Existem empresas, laboratórios, universidades e legiões de nerds ambiciosos ao redor do mundo trabalhando em descobertas experimentais para superar os desafios do progresso em nome da humanidade. Sim, o triunfo do progresso é hipotético, assim como o futuro primitivo também é… e a esperança nada mais é do que uma questão de fé.

“Mas se estamos dispostos a fazer essa mudança em nossa percepção, a aprender a abraçar a nova era de nomadismo, a enxergar além de nós mesmos e empoderarmo-nos fazendo parte de algo muito maior e mais magnífico que nossas próprias vidas, então temos o mundo a ganhar com isso”. – Kevin Tucker, Meios e Fins, Black and Green Review Nº 4

É a sobrevivência da humanidade ou de toda a vida na terra o que gera e motiva meu desejo de ver a civilização sendo aniquilada (mesmo que, entre cenários hipotéticos, seja possível que a civilização destrua toda a biosfera em sua queda)? Por acaso meu desagrado pela civilização depende de um futuro hipotético? É a vida cotidiana, a abrumadora e sufocante presença de um mundo humanizado, que me desagrada e pesa sobre mim, e não sinto nenhuma necessidade de justificar este sentimento com teorias catastróficas ou interesses superiores. Pode me chamar de niilista podre, se quiser!

O mundo não necessita de uma nova ideologia libertadora tanto quanto precisa se livrar do que torna possível transmitir uma ideologia em larga escala… a menos que seja uma que corrompa as mentes dos civilizados, levando-os a decair em tal perturbação, tal desordem antissocial, tal autodestrutividade, que a estabilidade global e, finalmente, o próprio funcionamento da sociedade seja seriamente comprometido.

Morte à civilização e a todo o progresso humano!

– Lyokha

Notas:

[1] Este número referenciado de horas de trabalho se originou de estudos especulativos nos primeiros trabalhos antropológicos de Richard Lee e Marshall Sahlins. Desde então, os dados desses estudos receberam muitas respostas em seu campo, e o próprio Richard Lee reconheceu amplamente algumas de suas falhas. O atual consenso sobre os caçadores-coletores é de uma média de 30 a 40 horas de trabalhos semanais, mas ainda há muito debate sobre o que deveria ser considerado como trabalho.

Ver: Elizabeth Cashdan, Hunters and Gatherers: Economic Behavior in Bands; Richard Lee, The Dobe !Kung; David Kaplan, The Darker Side of the “Original Affluent Society”.

[2] Nurit Bird-David, Beyond “The Original Affluent Society.” Current Anthropology 33:25-47

[3] Uma frase que os Anarquistas Verdes gostam de usar em seus escritos. Por mais que lutem pelo seu mundo contra a civilização, se alguém se machuca, não era a intenção deles, tá bom?

[4] Humano de Quatro Patas, A Mercantilização do Selvagem e suas Consequências, Black and Green Review n.1, Humanos de Quatro Patas, O Vento Ruge Ferozmente, Fundações Selvagens e a Necessidade de uma Resistência Selvagem, Black and Green Review n.4

Os Anarquistas Verdes denunciam sem hesitação aqueles que são inspirados em sociedades não-igualitárias em sua confrontação contra a civilização se não juraram lealdade à sua ideologia. Veja Choloa Tlacotin, Uma Carta a: “Halputta Hadjo”. Mas um Anarquista Verde, graças ao seu conhecimento superior e melhores intenções, pode escolher o que quiser do banco de dados antropológico.

[5] Anne Chapman, Estrutura Social e Econômica da Sociedade Selk’nam – Anne Chapman, A Mulher-Lua na Sociedade Selk’nam

[6] À medida que a tecnologia escurece nossas vidas, os próximos Unabombers aguardam seu momento – Jamie Bartlett, The Telegraph, 13 de Maio, 2014