Um obituário antes da morte de nossos parentes de baleias

Tradução do texto A pre-death obituary for our whale kin, do blog The Cult of Infinity .

“O mundo dos sons das baleias reverbera nas profundezas dos mares, de centenas de metros a centenas de quilômetros. Ele é completamente alheio à paisagem sonora da humanidade, gritando e cantando no ar, onde canções e discursos não sonham em chegar tão longe. Padrões profundos e estrondosos são encontrados abaixo da superfície, e talvez a música possa nos ajudar a encontrar sentido quando as palavras e a lógica falham.” – David Rothenberg

Talvez a razão pela qual as baleias pareçam tão tristes e melancólicas seja porque elas previram o destino de sua espécie. É preciso se perguntar se elas sabiam como seria. A prática generalizada da caça às baleias e sua crueldade visceral pode tê-las levado a crer que esta seria a causa de seu desaparecimento do ecossistema, mas e se elas pudessem ter visto o seu destino, e se de alguma maneira tivessem previsto que não seria a caça, mas sim a morte lenta e dolorosa ao serem preenchidas com detritos humanos? Ou que sua linguagem e senso de direção, fundamentais para sua sobrevivência, seriam profundamente afetados pelo sonar naval? E as provas bem documentadas de armas nucleares?

A Marinha dos Estados Unidos conhecia as canções das baleias jubartes antes do público em geral. Por décadas, eles publicaram guias e treinaram cadetes sobre como reconhecer e diferenciar estes sons de outros sinais subaquáticos, como por exemplo, o ruído do radar inimigo. Claro, a observação das canções das baleias precede qualquer gravação. Elas podem ter sido a inspiração para as sereias encontradas na jornada épica de Odisseu… e é muito bonito pensar que os homens ficaram tão hipnotizados pelos gemidos e lamentos que colidiam contra penhascos e desapareciam.

Em 1585, um viajante holandês chamando Adriaen Coenen escreveu que o som das baleias beluga, também conhecidas como ‘canários marinhos’, ou baleias brancas pelos russos, era como “o canto dos humanos… se uma tempestade é iminente, elas brincam na superfície da água e é dito que elas lamentam quando são pegas… elas gostam de escutar canções tocadas por alaúde, arpa, flauta e instrumentos similares”. Como David Rothenberg observou em seu livro Thousand Mile Song, “por um longo tempo as pessoas sentiram que estes animais estão bastante intrigados com a vida humana para gostar de ouvir nossas canções.”

Elas já não ouvem mais músicas agradáveis, mas um grito tortuoso que sem dúvidas leva muitas ao suicídio. Não é um ruído do qual possam escapar, sim algo imposto, assim como a música e o som que são usados em guerras psicológicas e durante torturas. Para os cadetes da marinha, as canções eram simplesmente “evidências biológicas” que precisavam ser diferenciadas das “não biológicas”.

Embora a Marinha possa ser responsável pela interrupção das migrações devido o sonar, todo tipo de poluição acústica ameaça as baleias, e o oceano não foi menos afetado do que as criaturas terrestres pela incessante perturbação criada pelos seres humanos. As baleias, por exemplo, gravitam naturalmente em direção aos motores dos navios, o que resulta em horríveis e profundas lacerações que geralmente são fatais. Há também o som estridente da exploração sísmica de petróleo e gás.

As baleias são observadas encalhadas há séculos, no entanto não há explicações concretas sobre o porque de centenas encalharem ao mesmo tempo. Alguns especulam que a proliferação de algas vermelhas, que em 2018 devastaram a costa da Flórida, possa desempenhar um papel. Essas “marés vermelhas”, como são chamadas, foram registradas desde os anos 1500 pelos exploradores espanhóis, e são conhecidas por ocorreram após tempestades particularmente fortes. À medida que o oceano se aquece e as tempestades se tornam cada vez mais intensas, estas plantas se tornam cada vez mais tóxicas.

As baleias são frequentemente descritas como “extraterrestres”, o que é adequado. O mar profundo foi a última fronteira para a humanidade aqui na terra. A pressão das profundezas impedia que os humanos descobrissem seus segredos bem guardados. O homo sapiens é uma criatura muito curiosa, e que exige tudo do mundo não-humano. Querem saber o que estes sons significam, ou para onde vão quando desaparecem, para depois se divertir e se acasalar sem serem interrompidos por estas criaturas estranhas que os seguem e observam. As linhas entre os zoológicos e a natureza nunca foram tão porosas, e é sabido que as criaturas do zoológico exibem características ansiosas, se movem de um lado para o outro ou muitas vezes sequer se movem.

Quando as primeiras gravações de canções de baleias foram escutadas por multidões de ambientalistas na época em que o movimento internacional de conservação estava começando com o maciço “Dia da Terra”, elas tiveram um efeito hipnótico. A multidão permaneceu em silêncio enquanto ouvia a triste música que provocou o mesmo efeito de quando as primeiras imagens da própria terra foram mostradas ao mundo, isto é, uma percepção momentânea do quanto podemos perder. Mas esses sentimentos logo desapareceram, já que as pessoas saíram das ruas e começaram a promover a responsabilidade individual como a reciclagem e medidas contra a produção de lixo. O Greenpeace foi encorajado quando as canções das baleias atraíam cada vez mais pessoas a ineficazes organizações sem fins lucrativos que agora nos honram com constantes pedidos de doações ou com assinaturas em uma petição inútil. E enquanto as pessoas se enfurecem com o lixo jogado no quintal, não se importam para onde todo o lixo está indo, desde que esteja fora de vista.

Somente na Tailândia, cerca de 300 mamíferos marinhos morrem por ingestão de plástico a cada ano. Não é preciso ser um cientista para entender o que acontece com estas criaturas que recebem uma dieta constante de lixo. Seus estômagos são bloqueados com tudo o que não pode ser digerido, causando uma morte lenta, certamente agonizante devido à fome. Simplesmente não podem colocar comida de verdade em seus estômagos.

Claro, o plástico não é a única coisa que ameaça a vida dos oceanos; das baleias ao krill, do qual elas dependem, todos vivem em mares cheios de derramamentos venenosos provenientes de fábricas. A única coisa que chama a atenção para esta paródia é o sushi, cada vez mais caro, mas tóxico. A demanda por mariscos, bem como a toxicidade da carne das criaturas, nunca foi tão grande, e isso na medida em que os recursos se escasseiam. Até agora, as pessoas mais afetadas não são as que mais aparecem nos noticiários; sim os indígenas e os pobres que dependem da pesca em pequena escala para manter suas famílias, e ocasionalmente da baleia para alimentar a um povoado inteiro durante bastante tempo. No que diz respeito às práticas indígenas, o respeito dado a seu sustento permitiu uma abordagem sustentável, mas tudo foi arrastado pelas marés do progresso. Assim como nos parques nacionais com a proibição da caça, muitos povos nativos não podem continuar com suas antigas formas de se alimentar, o que por sua vez interrompe outros aspectos da cultura, uma vez que a caça e as festas comunais permitiam a coesão social.

As baleias nos deram de tudo, desde o óleo até o entretenimento, e sustentam uma massiva indústria do turismo, projetada para dar às pessoas uma ideia de sua magnificência. Suas imagens foram usadas para vender produtos e movimentos ecológicos às massas. Orcas, jubartes e golfinhos tem sido particularmente eficazes para abrir carteiras. E como retribuímos a eles? Para início de conversa, todo esse dinheiro movimentado só beneficiou os humanos, responsáveis pela destruição das baleias.

Apesar do otimismo implacável que nos empurram goela abaixo, é cada vez mais óbvio que o tempo está acabando. Não há mais tempo para elas, e não há mais para nós. No mais otimista dos cenários, as reformas podem atrasar um pouco as coisas, enquanto o homo sapiens tenta freneticamente encontrar um novo planeta para destruir. Talvez haja outro planeta com oceanos e mais baleias para se conquistar.

Este é um comprimido amargo de se engolir, mas que a humanidade deve e eventualmente engolirá.

Lamento pelos índios da Terra do Fogo

Texto traduzido da parte final do livro El Fin de un Mundo: Los Selknam de Tierra del Fuego, escrito por Anne Chapman, etnologista franco-americana que registrou as narrações de Lola Kiepja, última xamã selk’nam, e outros descendentes.

“Para onde foram as mulheres que cantavam como os ‘canários’ ”? Havia muitas mulheres. Para onde elas foram?” – Lola Kiepja, 1966

Como falar em poucas palavras de povos poderosos?

Como falar dos Selk’nam, os Aush, os Yaganes, os Alakalufes?

Foram povos poderosos porque não apenas chegaram, mas permaneceram nas terras mais inóspitas do mundo.

Isso foi conseguido graças à sua coragem de arrancar sustento dos mares turbulentos, dos bosques nevados, dos pampas atingidos por ventos gelados.

Mulheres canoeiras, yaganes e alacalufes, desafiavam ondas que vinham da Antártica, remando suas canoas em direção a baleias, enquanto seus homens, de pé na proa, com apenas uma lança em mãos, lutavam para vará-las.

Homens caçadores, selk’nam e aush, apenas com arcos e flechas, perseguiam os guanacos sob a neve e a tempestade, enquanto suas mulheres, com pesadas cargas, corriam para montar um acampamento e fazer uma fogueira no local.

Atiraram suas vidas em guerrilhas e vinganças. Eram corajosos, inimigos difíceis e tenazes.

Mas também se amaram e amaram a suas ilhas, cordilheiras cujos cumes não se afundam nos mares glaciais.

Amaram seus bloques, onde pássaros coloridos faziam os seus ninhos.

Amaram o céu e seus deuses transformados em estrelas, em ventos e mares.

E cantaram. Cantaram esperando curar a seus doentes ou soluços de quando partiram.

Cantaram esperando ir Mais Adiante.

Cantaram à Lua em seu esplendor, ao Sor que nascia, às crianças adormecidas.

Cantaram em seus ritos, solenemente ou entre risos.

Foram. Não há mais do que alguns, cujos pais ou avós foram aqueles que “se foram”.

No final do século XIX da era cristã, homens estranhos desembarcaram em suas ilhas; armados com balas, venenos, desejo de riqueza.

Se apropriaram da terra que depois “limparam” para explorá-las sem amá-las.

Depois se gabaram pagando de pioneiros, civilizadores, servos sacrificados, arquitetos do futuro, de construtores de nações. Os índios se defenderam como puderam, apenas com arcos e flechas. Famílias inteiras fugiram de homens a cavalo, armados, pagos para matá-las, de cachorros treinados para despedaçá-las.

Os índios resistiram como puderam, com angústia, de maneira confusa, com vontade de sobreviver. Mas caíram crivados de balas. As orelhas, às vazes a cabeça, eram arrancadas. Foram desterrados. Pareciam perdidos. Agonizaram com as doenças trazidas e sofreram dores indescritíveis ao ver que seus filhos também sucumbiam.

Aqueles homens estranhos os caluniaram mais tarde.

Disseram, publicaram, que os índios atacaram primeiro, que os índios roubaram suas ovelhas, que os índios matavam gados (gados com o suor de suas armas legitimamente comprados).

Explicaram que os índios se matavam entre si porque eram assim, selvagens indomáveis, inadaptáveis à vida civilizada.

Esclareceram, claro, que os índios não era muitos; que os missionários cuidaram deles, que a história não pode ser parada.

Alguns tentaram salvá-los, mas falharam.

Abaixe a cortina. Em frente à cena são erguidos monumentos ao aborígene. Os nomes indígenas são dados a estâncias, bairros e ruas, a hotéis, clubes e praias.

Bandeiras e estátuas são feitas para vender ao turista uma lembrança do nativo fueguino.

E é comentado “que pena, nosso índio fueguino não nos deixou folclore”.

Mas sim, ele nos deixou o eco de seu canto, lamento por um povo que abatemos e contagiamos, choro por um povo que exterminamos.

Uma Era de Monstros

Tradução do poema An Age of Monsters, de Shaughnessy.

Creio que a guerra da humanidade contra a terra só conseguiu matar os deuses mais gentis
Os deuses que eram amigos dos humanos nas velhas histórias
Mas a arrogância do homem é grande, e seu poder contra a fúria do mundo é limitado
E trará, devido à sua arrogância, uma era de monstros
Os poderes sombrios e ctônicos* NdT1 que emergem das entranhas do mundo
Os monstros que sempre atormentaram o mundo dos homens
Os furiosos deuses das velhas histórias, violentos e cruéis, devoradores de mundos
Inimigos da raça humana, estes serão os deuses do futuro
E quem ame o divino deverá aprender a amar os deuses mais sombrios

Nota do Tradutor:

1: Ctônico se refere às deidades e poderes do submundo.

Greta Thunberg: a favorita dos bilionários

Tradução do texto Greta Thunberg: the billionaires’ favourite, publicado em Winter Oak Press.

“Uau, isso é incrível!”, tuitou Greta Thunberg em resposta à notícia de que havia sido nomeada Pessoa do Ano pela revista Time em 2019.

Só que não era bem isso, já que o dono da Time é um dos empresários ricos que ajudaram e incitaram sua ascensão meteórica à fama.

O que é realmente incrível é que ainda exista gente por aí que não entendeu que a marca Greta (ao invés da própria pessoa) foi cuidadosamente fabricada e explorada para promover um grupo particular de interesses financeiros pré-fabricados. Alguns crentes obstinados nem sequer se deixaram levar pela recente revelação de que seus primeiros protestos foram filmados por uma equipe de documentários que, de alguma forma, percebeu antecipadamente que essa adolescente em particular chegaria à fama mundial em breve.

Mas voltemos à revista Time por um momento. Previsível, o artigo que anunciava o prêmio de Greta se dizia maravilhado com a “pequena voz” e a “indignação penetrante” do “ícone de uma nova geração” que se tornara “a voz de milhões, um símbolo de uma crescente rebelião global”.

Outro dia, outra sessão de fotos.

A revista acrescentou: “Ela conseguiu criar uma mudança global de atitude, transformando milhões de ansiosos vagos no meio da noite em um movimento que exige mudanças urgentes”.

Mas, que tipo de mudança exatamente?

Uma pista apareceu no início de 2019, quando Greta se presentava, junto a Jane Goodall (acima), diante de um estande que promovia a “Quarta Revolução Industrial”.

O termo “Quarta Revolução Industrial” foi utilizado pela primeira vez por Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, e ex-membro do comitê de direção do Grupo Bilderberg.

Schwab escreveu em um artigo chave em 2015: “Estamos à beira de uma revolução tecnológica que alterará fundamentalmente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos interagimos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de tudo o que a humanidade já experimentou antes”.

A Quarta Revolução Industrial, explicou, estaria “caracterizada por uma fusão de tecnologias que está apagando as linhas entre as esferas físicas, digital e biológica”.

Schwab continuou: “As possibilidades de bilhões de pessoas conectadas por dispositivos móveis, com poder de processamento, capacidade de armazenamento e acesso ao conhecimento sem precedentes, são limitadas. E essas possibilidades serão multiplicadas pelos avanços tecnológicos emergentes em áreas como inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação quântica”.

Não é exatamente uma visão do futuro amigável com a natureza!

Outro grande admirador da Quarta Revolução Industrial é Marc Benioff (acima), bilionário americano do Vale do Silício, cujo papel no capitalismo climático foi exposto pelo jornalista investigativo Cory Morningstar.

Benioff faz parte do Conselho de Administração do Fórum Econômico Mundial (sob comando de Schwab) e preside o Centro WEF para a Quarta Revolução Industrial em São Francisco.

Ele ficou empolgado em 2018: “Todos devem se unir para a quarta revolução industrial no capitalismo inclusivo. Os negócios são agora uma plataforma para mudanças”.

A empresa Salesforce de Benioff, gigante da computação em nuvem é, no mínimo, controversa.

Em março de 2019, ele foi processado por 50 mulheres que alegaram ter facilitado o tráfico sexual, das quais eram vítimas. Também foi fortemente criticado e boicotado por ativistas por “ganhar milhões de dólares com o sofrimento de imigrantes detidos na fronteira sul dos Estados Unidos”.

Mas, apesar de Benioff estar contente com o fato de suas tecnologias da “Quarta Revolução Industrial” serem usadas para construir um tenebroso estado policial racista-capitalista, ele gosta de pagar de “filantropo”, um cara bom, um homem que se importa.

Uma das coisas com as quais ele diz que se importa é o meio ambiente. Em uma conversa com Schwab no Fórum Econômico Mundial em Davos em janeiro de 2019, Benioff disse que a Quarta Revolução Industrial havia “introduzido tecnologias que podem ajudar a salvar o planeta”.

Benioff é, como muitos bilionários, um grande admirador de Greta Thunberg e deve ter ficado encantado ao vê-la posar diante do logotipo de sua empresa e do slogam da “Quarta Revolução Industrial”.

E claro, ele também é dono da revista Time.

“Uau, incrível”, como diria Greta.

Marc Benioff (esquerda) com Greta Thunberg na cúpula do Fórum Econômico Mundial em Davos em Janeiro de 2019. À direita está a sinistra Christiana Figueres.

“Somos xs Jovens Guerreirxs que se preparam para iluminar a noite com relâmpagos”

Tradução do texto da Conspiração do Trovão.

“A única forma possível de começar uma declaração deste tipo é dizendo que detesto escrever. O processo por si só resume o conceito de “pensamento legítimo”. O que está escrito tem uma importância que nega a oralidade… É um dos caminhos do mundo branco para a destruição das culturas dos povos não-europeus, a imposição de uma abstração sobre a prática oral de um povo… Na verdade, não me importo se minhas palavras chegam aos brancos ou não, eles já demonstraram, através de sua história que não podem ouvir, nem ver, que sabem apenas ler (claro, há exceções, mas as exceções apenas confirmam a regra). É preciso um grande esforço de cada um dos índios do continente americano para não ser europeizado. A força deste esforço pode vir apenas da tradição, de suas formas e caminhos, dos valores tradicionais que nossos anciãos retém. Deve vir do aro, das quatro direções do vento, das relações: não pode vir das páginas de um livro ou de mil livros… Mas há outro caminho. Há o caminho tradicional dos Lakota e os caminhos dos outros povos indígenas deste continente. É o caminho que sabe que os humanos não têm o direito de degradar a Mãe Terra, que existem forças além de tudo o que as mentes europeias conceberam, que os seres humanos devem estar em harmonia com todas as relações ou tais coisas eliminarão a desarmonia…

A arrogância europeia de atuar como se estivesse acima da natureza de todas as coisas pode apenas resultar em total desarmonia e em um reajuste que corta o tamanho da arrogância do ser humano, que lhe dê um gostinho da realidade que está além do seu alcance ou controle e restaure a harmonia. Não há necessidade de nenhuma teoria revolucionária para isso, está além do controle humano. Os povos naturais deste planeta sabem e não precisam teorizar sobre isso. A teoria é abstrata, nosso conhecimento é real. A racionalidade é uma maldição, pois pode fazer com que os humanos esqueçam a ordem das coisas de maneira que outras criaturas não podem fazer. Um lobo nunca esquece seu lugar na ordem natural.

A Mãe Terra foi abusada, os poderes foram abusados, e isso não pode seguir para sempre. Nenhuma teoria pode alterar essa simples verdade. A Mãe Terra retaliará, todo o ambiente retaliará e os agressores serão eliminados, as coisas completam o círculo de volta ao ponto de partida. Essa é a revolução, e esta é uma profecia do meu povo, do povo Hopi e de outros povos corretos.” – Wanbli Othinka, Para que a América viva a Europa deve morrer.

A questão agora é o que fazer com estas palavras. Apenas guardá-las (como vocês acadêmicxs frequentemente fazem) nos cofres do conhecimento inútil, para depois trazê-las à tona em alguma conversa, escrito ou debate através do qual alimentarão seu ego miserável? Ou realmente levarão a sério pela primeira vez algo que não visa a um benefício egoísta?

Porque, sejamos sincerxs, muitxs de vocês sabem que tanto a antropologia quanto a própria academia são besteiras, mas sabem que através dela podem obter certos benefícios civilizados: conforto, reconhecimento, poder dentro de sua sociedade. Então apenas se desculpam e até mentem para si mesmxs dizendo que daquele lugar darão sua contribuição para melhorar as coisas, mas nós sabemos que não é assim, sabemos que a grande maioria só quer ganhar dinheiro e obter confortavelmente suas possibilidades. Esta sociedade hipocritamente quer o bem para todxs, mas o bom é inimigo do melhor, e o que é bom para vocês, é mau para a terra, para xs indivíduxs que não desejam se submeter a esta ordem mundial doentia. Para nós, o único caminho digno e honrado é a guerra contra esta sociedade civilizada, a essa ordem tecnoindustrial e, sobretudo, à escuridão que prolifera dentro do coração humano e que se materializa diante de nossos olhos nessa grande catástrofe apocalíptica que testemunhamos horrorizadxs, mas que nos alimentamos dia a dia.

Hoje, muitos espíritos de sábixs ancestrais se vendem por qualquer miséria, alienadxs, buscam escapar de seu sofrimento, e tentando fugir dele, ele aumenta cada vez mais, alçando o círculo de autodestruição. Isso que acontece a nível aparentemente pessoal, acontece a nível macro, como espécie completa. Por este motivo, nós deixamos de ignorar a voz dos espíritos, NOSSA PRÓPRIA VOZ, e enfrentar uma guerra espiritual, que é travada em nosso interior, e que ao mesmo tempo se manifesta em nossa vida, atacando também materialmente esta sociedade e cada um de seus bastiões.

12 de Outubro:

Segundo a “história oficial”, há quinhentos e vinte e sete anos uma frota europeia chegou a estas terras em busca das Índias. Foi assim que começou a devastação de nosso mundo sagrado, o mundo de nossos avós.

Com os europeus, uma nova e decadente forma de se compreender a realidade e se relacionar com ela foi trazida aqui (isto é, de se relacionar com o Grande Espírito, o TODO).

O respeito à vida e seus ciclos, a medicina sagrada, a sexualidade e eté a alimentação, a nossa magia e nossas Deidades foram alteradas por uma cosmovisão inferior e medíocre chamada catolicismo, uma religião criada vários séculos antes por outros europeus ambiciosos (romanos) com a intenção de criar súditxs a partir da psiquê, formar escravxs em massa (em todo o império), tentando garantir a perpetuidade de sua tirania.

Isso só poderia ser alcançado cobrindo os olhos e ouvidos espirituais de todos os povos subjugados (poderíamos dizer que a conquista aconteceu primeiro na Europa). A perda das almas ao separar (cada vez mais) x indivídux de seus ciclos, de seus arredores, de seu pai céu, de sua mãe terra e das estrelas irmãs, de sua medicina, das energias e seres vivos, de todo o conhecimento guardado com amor pelos antepassados.

Vocês, antropólogxs, ouviram a voz de nossos povos e deturparam suas palavras por conveniência, acreditam que tudo pode ser traduzido para sua pobre língua ocidental, seu raciocínio medíocre. A antropologia é outra expressão da arrogância ocidental e dos rasteiros e traidores que são xs brancxs. (Lembre-se que a brancura é uma aculturação, um modo de pensar, de ser, se relacionar e assumir um lugar no mundo, e não apenas uma cor de pele específica). Eles se envolvem com uma determinada comunidade, retiram toda a informação que podem, deformam-na com sua interpretação corrupta para compartilhá-la com seu mundo (e claro, exaltar seu próprio nome) e utilizam o conhecimento obtido para seus propósitos egoístas, muitas vezes em detrimento da própria comunidade que lhes abriu as portas. Vocês ocidentais trancadxs em suas academias não fazem nada além de masturbar seus egos e contar mentiras.

O conhecimento que eles obtém quase sempre é usado para manter a ordem macabra (que eles costumam dizer que odeiam), fortalecendo o progresso de sua sociedade degenerada (sociedade da qual somos inimigxs).

São ridículos seus discursos humanistas sobre paz, respeito pela alteridade ou inclusão. Quem disse que queremos ser incluídxs no inferno deles? Não queremos ser escravxs do mundo ocidental, queremos atacá-lo para iluminar sua escuridão.

Há quinhentos e poucos anos seus progresso chegou à nossa mãe, tentando destruir tudo em nome de sua ambição. Vocês foram e são os verdadeiros demônios!

A modernidade e tudo o que agora atormenta a vida no planeta não seriam possíveis sem o cristianismo, sem a razão instrumental, sem o desejo de possuir tudo.

Eles levaram seu germe imundo a cada canto do planeta e se enriqueceram com nosso sofrimento. Mas não é mais tempo para lamentos, são tempos de guerra e fé! É por isso que atacamos este símbolo da arrogância, brancxs “ensinando” sobre nossxs ancestrais, que ofensa asquerosa nos cospem na cara!

Saibam que cada causa tem um efeito, e que cada ação é uma reação. Nós não somos amigxs, vocês não são bem-vindxs nesta Terra. Seu estilo de vida não será mais tolerado por nós. Europeus, gringxs, colizadorxs que traem seu sangue, saibam que o punhal os aguarda ao dobrarem cada esquina. Somos xs Jovens Guerreirxs que se preparam para iluminar a noite com relâmpagos. Sorrimos à morte porque amamos a vida.

Somos filhos do sol e da lua!
Somos Tlahuele Iknoyotl!
Somos a Conspiração do Trovão!

Sobre enfeites e amuletos

Respeitável texto de Anin Urasse.

Tudo na ancestralidade africana tem uma função. Nada é meramente um enfeite. Vou dar exemplos bem simples.

Um anel te protege do que você pega, por exemplo. E ajuda a regular seu ritmo cardíaco e, consequentemente, corporal (faz um exercício de jogar no google “veias da mão” e observe as ramificações das veias basílica e cefálica nos dedos. Tente refletir sobre como um metal circundando essa rede vascular cria um campo magnético ali).

Brincos filtram o que seus ouvidos ouvem e permitem que você ouça o que ninguém ouviu. Colares. Pulseiras. Umbigueiras. Enfeites de cabeça. Tornozeleiras. Até aquela “maquiagem” ao redor dos olhos no antigo Kemet tem uma função. (Aliás, só um adendo, as sacerdotisas de Osogbo são conhecidas por usar tornozeleiras e pintar os calcanhares de vermelho. Repito: não é só enfeite. Tudo tem um porquê.)

Não é a toa que cada objeto desse é, geralmente, CIRCULAR. Seus materiais são/eram detalhadamente escolhidos também. Cada pedra, cada metal, cada cor. Tudo isso confeccionado a partir de um processo iniciático regido por uma sacerdotisa. E é sempre uma mais velha a lhe conceder, ninguém se auto-abençoa. (Nosso aprendizado sempre foi iniciático, lembre-se.) Enfim, num contexto tradicional, todas essas coisas eram/são sacralizadas pra uso.

Atualmente, não funciona mais assim pra maioria das pessoas. Como o Ocidente é a sociedade do enfeite, todas essas coisas são compradas em lojas. Não há muito rigor na sua elaboração, e uma pessoa pode estar completamente arrasada espiritualmente confeccionando algo que você, depois, vai colocar no seu pescoço. O que se há de fazer? A babilônia é isso aí.

Mas eu tô escrevendo esse texto por um motivo. Algumas de nós, sentindo falta/necessidade de um uso tradicional desses “enfeites” (a ancestralidade chama, preta, não tem jeito) têm trocado alho por bugalho. Gente, sendo bem honesta, se você quiser um enfeite, compre. Mas se você quiser um amuleto (afinal é disso que estamos falando, né?) procure uma sacerdotisa. Não é qualquer pessoa que pode confeccionar. Nem tudo todo mundo pode usar. Não é a qualquer tempo, (nem em África, quem dirá aqui) e o uso de qualquer coisa também tem suas consequências.

Repito, aqui na babilônia enfeites são enfeites. E eles servem pra… enfeitar. Por mais que eu tenha a maior crença e boa fé de que aquilo vai funcionar, nossa ancestralidade se faz com ciência. Ademais, o que lhe garante que não será prejudicial? Procure uma sacerdotisa. Gente velha. Sério mesmo. (Sim, num contexto tradicional, teríamos um sacerdócio muito menos institucionalizado, mais acessível e espraiado. Mas o contexto atual não é esse e precisamos lidar com ele.)

Veja, eu não tô falando de nenhuma “religião” especificamente. Eu tô dizendo que quem não tem equilíbrio em sua própria vida não pode querer equilibrar os outros. Preste atenção. Formação sacerdotal demanda TEMPO. Não é um final de semana. Não é um curso. Uma vivência. E ninguém se forma sozinho. Ninguém se auto-abençoa. Demora! (Em Kemet eram 42 anos!) Dá trabalho. E é referendada em comunidade. Tomem cuidado a quem vocês estão entregando suas cabeças, corpo e ventre.

Enfeites são enfeites. Amuletos são outra coisa. Cuidado pra não confundir.

Posturas acadêmicas antagônicas contra o Eco-extremismo

Opiniões da Dra. Gabriela Muñoz Meléndez, diretora do Departamento de Estudos Urbanos e do Meio Ambiente do Colegio de la Frontera Norte, prestigiado instituto científico mexicano. Neste registro a cientista faz um rápido repasso sobre o eco-terrorismo, com menções à Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). A catedrática diz entender parte de suas motivações, mas se coloca contra o uso da violência e evoca outras conhecidas críticas humanistas.

SISBIN debate eco-extremismo

Em um evento sediado na ABIN em Brasília, a atuação de grupos extremistas foi debatida por profissionais de órgãos integrantes do Sistema Brasileira de Inteligência (SISBIN), na semana passada.

O evento foi marcado pela interação entre os mais de 40 integrantes de núcleos de Inteligência governamentais do Centro-oeste.

Com ênfase nas ações do Estado Islâmico, o extremismo violento em geral, as ações de ecoextremistas e os processos de radicalização online também foram abordados.

Você pode conferir neste link, mas recomendamos utilizar o Tor ou uma VPN para acessá-lo.

[PT – DOCUMENTÁRIO] A Evolução do Eco-extremismo no México

BAIXAR

Disponibilizamos legendado em português o documentário A Evolução do Eco-extremismo no México, uma produção publicada na web que mostra as origens, etapas e ações de grupos eco-radicais e de libertação animal que levaram ao surgimento espontâneo da tendência do eco-extremismo, e em seguida de grupos como Reação Selvagem (RS) e pouco depois Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), o mais expressivo que abdica pela tendência do eco-extremismo. O registro não trata de sua internacionalização que ocorreu em meados de 2016, já que a cobertura vai até o final de 2015.

O texto abaixo foi resgatado do já encerrado blog Tierra Maldita. O documentário e o texto ajudam a entender suas origens e alguns aspectos da tendência.

A tradução ao português é um esforço da Revista Anhangá em conjunto com a Revista Regresión.

Para maior entendimento do que é o eco-extremismo nos dias de hoje recomendamos o texto O que é o Eco-extremismo? – A flor que cresce no submundo: Uma introdução ao eco-extremismo.

Apresentação:

“A Evolução do Eco-extremismo no México” é um esforço audiovisual realizado por “Espírito Tanu da Terra Maldita” e a “Revista Regresión”. Nele se reflete o desenvolvimento tanto teórico como prático que tiveram certos grupos que colocaram em sua mira o progresso da civilização, a ciência e a tecnologia.

Desde o ano de 2007 até agora (2016), foi desencadeada uma série de ataques que foram se aperfeiçoando ao passar dos anos.

A princípio estes ataques visaram atacar a indústria da exploração animal, depois passaram a atacar a indústria da destruição dos ecossistemas, então foram se refinando, implementando atentados contra pessoas específicas relacionadas com as ciências avançadas. Depois desta fase, os grupos que participaram nestas etapas se uniram em um grupo denominado “Reação Selvagem”, de modo que após sua dissolução, estes grupos já refinados em suas críticas e melhorados na prática, seguiram a guerra separadamente, como até agora tem sido mantida.

Os individualistas que fazem parte da tendência do Eco-extremismo se unem em várias qualidades que serão mencionadas neste texto. Com isso não estamos dizendo que as pessoas que realizam atos extremos contra o sistema tecnológico TEM QUE ser assim, mas é necessário tê-los em conta.

O Eco-extremismo foi formado por seus próprios propulsores, se consolidou sob a espontaneidade, na solidificação do ataque e na variabilidade dos objetivos, abrangendo vários fatores, tais como:

– Defesa extrema da Natureza Selvagem e uma guerra até a morte contra a civilização:

“(…) observando a realidade vislumbramos que a maioria das críticas que fazem à tecnologia tem um fundo reformista, dizem “a tecnologia está nos levando à falta de interação pessoal, é melhor que a eliminemos”, “a vida em sedentarismo nesta civilização causa problemas de saúde, é melhor nos exercitarmos frequentemente”, “o artificial nos consome, não suporto a vida na cidade, vamos um dia ao campo”, “o lixo inunda os mares, há que comprar produtos amigáveis com o meio ambiente”, “a tecnologia não é o problema, o problema é o uso que lhe é dado”, etc. Estas supostas críticas são as que são negociáveis, e podem até serem propostas para que o sistema continue a crescer, se reformando e sendo fortalecido.

Mas, que tal se dissermos; “a tecnologia é o problema, incendiemos esta ou aquela empresa de inovação tecnológica com todos dentro”, “a civilização se expande perigosamente acabando com a natureza que resta, assassinemos o engenheiro de tal mega projeto”, “a sociedade estúpida só segue as regras fazendo com que a máquina siga avançando, são parte do problema, detonemos um explosivo em um local público com um papel simbólico importante”, etc. Este tipo de crítica extremista são as que não são negociáveis e as que defendemos (…)” – Entrevista a Reação Selvagem.

– Apego e respeito à Natureza Selvagem:

Existe uma relação muito íntima de caráter simbiótico entre a natureza e a nossa espécie. Perdemos bastante desta relação após a passagem das gerações, mas é possível nos reconectarmos outra vez, voltar a recuperar a nossa natureza selvagem (embora não em sua totalidade, é claro).

Apreciamos grandiosamente a natureza, dela viemos e a ela regressaremos. Defendê-la e defender nossas raízes mais profundas, as que nos unem a ela, é apenas uma consequência de ainda sermos humanos e não humanoides. As habilidades de sobrevivência, o reconhecimento da flora e fauna silvestre, a caça, a coleta, a imaginação que dá lugar a uma vida o mais longe da civilização, são ferramentas que complementam o individualista e a seus grupos de afinidades.

“Para muitos de nós é bastante viável ter uma horta orgânica de onde possamos tirar a comida em tempos de escassez ou a medicina em tempos de enfermidade. Não caímos em contradições, o importante é desenvolver estilos de vida que se distanciem o máximo que se possa da dependência artificial do sistema.

Embora alguns membros do RS estejam mais atraídos pela vida de caçadores-coletores, não descartam a opção das hortas.” – Entrevista a Reação Selvagem.

– Rejeição total ao cristianismo, e enaltecimento de crenças individuais pagãs ligadas à natureza, tanto no cotidiano como nos atos extremistas.

“Continuamos ao lado da natureza selvagem, seguimos venerando o sol, a lua, o vento, os rios, o coiote e ao veado, continuamos rejeitando o cristianismo com ritualismos na escuridão dos espessos bosques, continuamos sendo os guardiões do fogo, continuamos dançando ao redor da fogueira. Embora seres civilizados, ainda temos o instinto característico do ataque.” – Artigo “A Guerra Chichimeca” (segunda parte). Revista Regresión N° 4

“(…) pulamos os arames farpados que protegiam o canal de esgoto e atrás de uma grande árvore de Pirúl que ainda está de pé, realizamos vários disparos de arma de fogo contra as máquinas, estruturas e paredes de tal construção. Os disparos diretos danificaram e aterrorizaram aqueles que estavam no local. Com o trovão das balas detonando iam os sons dos animais mortos para a construção da obra, ia o violento zumbido do vento que move as folhas das árvores derrubadas e o imperceptível cantar da água do rio enegrecido pelo artificial. Também iam os gritos de guerra de nossos antepassados: ¡Axcan Kema Tehuatl Nehuatl!” – Ação armada contra o Túnel Emissor Oriente (TEO). Grupúsculo do Oculto/Reação Selvagem.

– Terrorismo:

“Porque no ataque terrorista não há considerações por ninguém, nem sequer por nós mesmos. Nos atiramos ao nada porque a única certeza é a incerteza.”

Independentemente de ferir civis, atacamos, assim, com este ato, o coração da “moral do ataque”, porque na Guerra contra a Civilização e seu Progresso não existem ataques nem “bons” nem “maus”, porque esta Guerra se não é extremista e indiscriminada, não é uma guerra.” – Morte à “moral do ataque” (Explosivo na Sanborns). Ouroboros Niilista.

– Determinação: a coragem é uma das coisas que caracteriza os grupúsculos. Atuar friamente e sem contemplação alguma com estranhos durante um atentado, sabotagem ou assalto, é necessário.

Se há dúvidas ou não está completamente seguro em defender-se (em matar ou morrer), daquela pessoa que tenta detê-lo (seja um civil ou um policial), melhor que nem tente. Em outras palavras, seja indiscriminado.

“(…) nossa intenção era que explodisse causando a maior destruição possível sem importar que nesta ação morressem ou fossem mutiladas algumas pessoas. Queremos deixar claro também que, em nossas ações contra a civilização não consideraremos a vida das ovelhas que cegamente aceitam o desenvolvimento e o progresso para levar uma vida mais confortável, por isso que decidimos atacar este meio de transporte. Embora não tenha causado a magnitude que esperávamos, criou-se uma grande tensão entre usuários e autoridades.” – Ataque explosivo frustrado no Metrô. Grupúsculo Indiscriminado.

– Austeridade: as necessidades artificiais são um problema para os membros desta decadente sociedade, embora alguns não as vislumbrem e se sintam felizes celebrando a vida de escravo que levam. A maioria das pessoas está sempre tentando pertencer a certos círculos sociais acomodados, sonham com luxos, com confortos, etc., e para nós isso é uma aberração. A simplicidade, manejá-la com o que se tenha em mãos, e afastar-se dos vícios civilizados, recusando o desnecessário, são características muito notórias em individualistas do tipo Eco-extremista.

– Apego e prática de atividades delinquenciais:

“Na Regresión enfatizamos como parte de nossa essência, o extremismo individualista, que o crime é a consequente postura diante da civilização moderna difusora de valores humanistas que tendem ao progresso, e que estão nos levando ao desfiladeiro tecnológico.

As dinâmicas sociais as quais estamos submetidos dentro deste complexo sistema muitas vezes nos absorvem como indivíduos, nos fazem participantes da massa, do devastador consumismo e da rotineira vida de escravos nas urbes, mas decidimos resistir a esses ataques, resistir a partir da clandestinidade e aceitar no cotidiano as nossas contradições das quais nos retroalimentamos e nos formamos como verdadeiros indivíduos, sujeitos únicos.

Resistir e negar a vida que nos é imposta desde pequenos, para que busquemos uma vida simples e, tanto quanto possível, distante dos alinhamentos e esquemas culturais modernos, é um dos propósitos a serem concretados no presente. Mas para formar esta vida que queremos, longe das grandes cidades e na natureza, às vezes requer dinheiro, dinheiro que preferimos roubar de qualquer lugar ou obtê-lo através das centenas de formas criminais que existem. Preferimos isso do que levar uma vida subordinada de escravos que a maioria das pessoas levam. Claro, é por isso que o grupo editorial desta revista sente simpatia pela reapropriação do dinheiro para fins específicos que levam a uma vida digna de ser vivida, não se importando com quem seja baleado se o dinheiro não é entregue, porque quando um funcionário não entrega o dinheiro do empregador ele não merece seguir vivendo, já que defende como um cão obediente as migalhas do seu amo; portanto, merece punhaladas ou uma bala em seu corpo. O mesmo para quando um empresário, proprietário ou executivo de uma empresa não cumpre as exigências do ladrão, também merece o mesmo ou algo pior.

Nestes atos não há misericórdia, é tudo ou nada, é do extremismo que falamos sem escrúpulos. Se este dinheiro será necessário para algum propósito do extremista individualista ele deve ser alcançado aconteça o que acontecer. Aqui cabe ser mencionado que para nós o dinheiro não é tudo, dizemos isso de maneira realista. Neste mundo governado por grandes corporações econômicas, às vezes é necessário obter dinheiro para cobrir certos fins e/ou meios, e para nós obtê-lo trabalhando não é uma opção, obtê-lo por fraude, assaltos ou golpes, sim.

Aqueles antepassados que viram seus modos de vida afetados pela expansão das civilizações tanto mesoamericana como ocidental, tiveram que agir dessa maneira (predação, ataques, roubo, engano, assassinato, etc.). Nós apenas cumprimos nosso papel histórico como herdeiros desta ferocidade selvagem.

Pela proliferação da delinquência e o terrorismo que satisfaça os instintos dos individualistas!” – Texto editorial. Regresión N° 3

– Sobriedade: Ficar sóbrio e rejeitar todas as drogas legais e ilegais é muito importante dentro desta tendência, é preciso sempre estar alerta para qualquer eventualidade. Cair bêbado, fumar cigarro ou maconha, injetar drogas, inalar solventes, tentar se “curar” com medicina alopática, ou seja, violar o corpo com estas substâncias nocivas apenas os tolos fazem, aqueles que não respeitam a si mesmos, os carentes de controle, os fracos e os inconsequentes. Então, nós rejeitamos totalmente as drogas.

“Os integrantes de RS não se deixariam morrer por essa ou aquela “doença” que seu próprio corpo não possa resistir e, para dizer a verdade, acreditamos que ninguém em sã consciência. É claro que poderíamos ignorar os antibióticos farmacêuticos. Todos os membros de RS se curam com os remédios da terra e rejeitam totalmente os medicamentos alopáticos. Para aqueles que adotaram a cultura da medicina moderna e nociva, é quase impossível viver sem aspirinas, ranitidinas, paracetamol, etc., mas antibióticos com aditivos químicos realmente não são necessários. Existem antibióticos naturais muito efetivos, como o própolis. Para quem conhece a cura por ervas é fácil aliviar-se ou se curar das doenças das cidades com infusões, cataplasmas, vaporizações, extratos, etc.” Comunicado: Já era hora… Resposta de RS a “Destrua as Prisões”.

– Paciência: Esta é uma das virtudes mais respeitáveis, já que o desespero é uma doença da civilização. Nela vemos que tudo corre a uma velocidade frenética, todos andam de um lado para o outro sem nenhum controle e deixando que suas rotinas os envolvam nisso, no desespero. Ter paciência e ser cuidadoso, tanto em atos contra o sistema quanto na própria vida, te distancia de problemas que muitos já sofreram (prisão, acidentes, morte, etc.) Repetimos, te afasta, mas não te isenta.

– Rejeição total (tanto em ideias como em atos) ao progressismo:

“Decidimos atentar contra esta instituição porque ela simboliza o humanismo e o progressismo. Repudiamos todos aqueles que, gritando, acabam neste tipo de comissão, exigindo garantias por seus “direitos humanos”, “respeito” a suas decisões grupais e o “cesse” da repressão. É absurdo que esta multidão espere que este tipo de organização precária resolva a seus problemas, os ampare e defenda, um exemplo claro de como o ser humano moderno deixou sua própria segurança na mão de estranhos, em vez de tomar a justiça em suas próprias mãos e defender-se como faziam os antepassados. Estes tipos de instituições são uma banalidade, não passam de uma fachada simples para ocultar a incapacidade que tem o sistema de lidar com os problemas internos de uma sociedade decadente, por isso a atacamos.” Pacotes-Incendiários contra a Comissão de Direitos Humanos, subestação elétrica CFE e Universidade Lucerna. Grupúsculo Trovão de Mixtón e Grupúsculo Senhor do Fogo Verde de Reação Selvagem.

– Constância: Dar seguimento a um projeto como este não tem sido fácil, sempre há problemas que não se espera que ocorra e, embora você não os espere, é preciso estar sempre preparado.

Se empenhar duramente e dar continuidade à finalidade imediata criam motivações reais que levam um individualista eco-extremista a ser constante. Isso pode nos levar a alcançar metas mais diretas. A meta que nós de Regresión temos ao publicar esta revista é acompanhar esta tendência. Se muda algo em alguém e esta pessoa decida empreender desde sua individualidade a guerra herdada por nossos ancestrais, adiante, embora esse não seja o nosso propósito (mudar as pessoas). Se isso acontece, é apenas obra do acaso.

– Rechaço às lutas seletivas: é necessário focar na guerra TOTAL contra o sistema tecnológico e contra a civilização, as demais lutas são reducionistas e são apenas uma pequena parte do problema real, lutas como “direitos humanos” (deficientes, negros, mulheres agredidas, imigrantes, homossexuais, etc.), “direitos dos animais”, “direitos trabalhistas”, “anti-racismo”, “anti-fascismo”, “anti-militarismo”, “feminismo”, “veganismo”, “abolicionismo carcerário”, “anarquismo social”, “comunismo”, “patriotismo”, etc.

“(…) Se colocamos em uma sala um homem comum, um negro, uma mulher, uma pessoa com deficiência, um gay e um defensor dos direitos dos animais, poderá ver que todos são diferentes em termos de caráter, pensamentos, regras morais, habilidades, etc., mais algo os une, todos e cada um deles tem um papel a desempenhar na sociedade, e esse papel é que estabilidade do sistema siga de pé. Para nós há diferença, mas ao mesmo tempo não, porque vemos um padrão, ou seja, o HUMANO (como tal) contribui expressamente para a destruição da natureza selvagem, sua civilização destrói tudo em seu caminho, sua tecnologia torna tudo mais mecânico e sua ciência subjuga o natural e o transforma em artificial. Não focamos nos problemas das pessoas ou problemas de um setor específico.

Penso que as pessoas que veem, se preocupam e “lutam” pelas causas menores, como a obtenção de “direitos”, novas leis, reformas, apoio a grupos vulneráveis, etc., estão se especializando nestas problemáticas e nós nos centramos no sistema tecnológico e na civilização, porque são as raízes de todos os males que nos afligem como espécie, o resto é apenas um efeito do problema real.” Entrevista a RS.

– Repúdio total (tanto em ideias como em atos) ao progressismo:

“Certamente muitos se perguntarão: E o que há de errado que exista este tipo de caridade com pessoas vulneráveis? Talvez, os especuladores não se deram conta de que o sistema sempre se veste de “monge bem-intencionado” para continuar se perpetuando. A alta tecnologia sempre terá o mesmo fim em qualquer uma de suas formas, seja terapêutica ou armamentista, educacional ou de destruição massiva, medicinal ou venenosa. E esse fim é continuar existindo sobre a natureza selvagem, por isso atacamos. Sem mais explicações: Não somos cristãos, não somos nobres, nós somos selvagens e não buscamos nem defendemos a caridade de nada com ninguém!”. Ataque explosivo à sede da Fundação Teletón México. Grupúsculo Caçador Noturno de RS.

– Assumir a responsabilidade: tomar em suas mãos as consequências de seus atos, reconhecer que causaram o impacto que causaram, muitas vezes enfrentando contradições, sendo a mais comum quando os tolos questionam: Se você luta contra o sistema tecnológico, por que usa computadores? Abaixo resgatamos uma nota esclarecedora e sarcástica de um grupo eco-extremista sobre a questão.

“Vivemos nas cavernas, sem eletricidade, sem celulares, sem INTERNET, e sem comunicação além dos sinais de fumaça, sendo testemunhos passivamente de como a artificialidade corrói qualquer rastro de natureza selvagem, a manipula, modifica, e com um tom suculento e brilhante, a apresenta ante uma disposição total, aguardando com calma a aceitação da população humana, sem nenhuma confusão ou contratempo. Gentis ante qualquer mudança biológica espúria, entregando o curso de nossas vidas a estranhos infortúnios.

Isso seria menos incoerente, né? Menos que publicar reivindicações, atentados e ameaças por internet, que preocupam tanto e são tão criticados por espectadores, internautas, leitores, etc… Porque, claro, as críticas contra o progresso científico-tecnológico moderno impedem que utilizemos certas tecnologias, porque aí seria armadilha ou trapaça! Raciocínio estúpido.

Não nos importa suas críticas a nossa suposta “incoerência”, não só não importa a nós, mas nos provoca risos a medíocre obediência e cumplicidade ao defender e proteger o boom científico-tecnológico, gastando apenas suas vidas… deixando apenas um rastro do que algum dia foi a natureza selvagem.” Atentados contra a Aliança Pró-Transgênicos. Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem.

“A luta contra o Sistema Tecnoindustrial não é um jogo do qual devemos vencer ou perder, vencer ou ser vencidos, é o que muitos ainda não entenderam e parece que muitos ainda estão esperando ser “recompensados” no futuro por pagarem de “revolucionários” no agora. É preciso aceitar que muitas coisas na vida não são recompensadas, que muitas tarefas e/ou finalidades nem mesmo são alcançadas (incluindo a autonomia), e a destruição do tecnosistema por obra dos “revolucionários” é uma delas. Agora não é hora de esperar pelo “colapso iminente”, para aqueles que querem ter tempo, como se o progresso tecnológico não crescesse aos trancos e barrancos e devorasse a nossa esfera de liberdade individual aos poucos.

Somos a geração que viu crescer ante seus olhos o progresso tecnológico, a especialização da nanobiotecnologia em vários campos da não-vida civilizada, criação e comercialização do grafeno, desastres nucleares como Fukushima, deterioração ambiental acelerada, o crescimento da biomimética, a expansão qualitativa e quantitativa da inteligência artificial, bioinformática, neuroeconomia, etc. É por isso que ITS vê o que é tangível, palpável e imediato, e esse imediato é o ataque com todos os recursos, tempo e inteligência necessários contra este sistema. Somos individualidades em processo de alcançar a nossa liberdade e autonomia dentro de um ambiente ideal, e junto com ele obedecendo a nossos instintos humanos selvagens atacamos o sistema que claramente nos quer em jaulas. Com isso nos esforçamos como indivíduos afins para tentar ficar o mais longe possível de conceitos, práticas e ideologizações civilizadas.” Sexto comunicado de Individualidades Tendendo ao Selvagem.

O Eco-extremismo é uma tendência, não é uma teoria nem regra, todos aqueles que se sentem realmente comprometidos com a natureza selvagem o entendem, e os que não, já sabem.

Fogo, explosivos e balas contra o sistema tecnológico e a civilização!
Em defesa extrema da natureza selvagem!
Axkan Kema, Tehuatl, Nehuatl!
Adiante com a Guerra!
– Espírito Tanu da Terra Maldita
-Revista Regresión


Terra Maldita e, especialmente o “Espírito Tanu”, ficam muito satisfeitos por terem participado na edição desde trabalho audiovisual em conjunto com a “Revista Regresión”. Deste intercâmbio de cumplicidades e materiais audiovisuais saímos com aprendizagens tanto técnicas como práticas. Esperamos que este trabalho contribua e seja um pequeno gesto para o avanço da guerra contra o sistema tecnoindustrial, chegando a olhos e mentes radicais.

Sudamos a cada um dos integrantes da Revista Regresión por confiar em nós. A Xale por sua paciência e esforço, a Espírito Tanu pelas horas de edição, possibilitando a publicação deste trabalho. CUSTOU, MAS SAIU!

Vida longa aos indivíduos eco-extremistas!
Em guerra selvagem contra a civilização!

[ES/EN – PDF] Chichimecas de Guerra/Chichimecas of War

Este trabajo es una recopilación del estudio sobre los mas fieros y salvajes nativos de la Mesoamérica Septentrional. Los antiguos grupos cazadores-recolectores nómadas, llamados “Chichimecas” fueron quienes resistieron y defendieron con gran arrojo sus sencillos modos de vida, sus creencias y sus entornos, quienes decidieron matar y morir por aquello que consideraban como parte de ellos mismos en guerra declarada contra todo lo ajeno.

Recordarlos en esta era moderna no es solo por tener un referente histórico de su conflictividad, sino que, evidencía que por el simple hecho de criticar a la tecnología, afilar las garras para atacar este sistema y querer volver a nuestras raíces, estamos reviviendo esa guerra, estamos avivando el fuego interno que nos impulsa a defendernos y defender todo lo Salvaje, así como lo hicieron nuestros ancestros.

De este estudio se pueden sacar muchas conclusiones, pero una de vital importancia, es darle continuidad a la guerra contra la artificialidad de esta civilización, en contra del sistema tecnológico rechazando sus valores y sus vicios, y sobre todo, por la defensa extremista de la naturaleza salvaje.

!Axkankema, tehuatl, nehuatl!

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This compilation is a study concerning the fiercest and most savage natives of Northern Mesoamerica. The ancient hunter-gatherer nomads, called “Chichimecas,” resisted and defended with great daring their simple ways of life, their beliefs, and their environment,. They decided to kill or die for that which they considered part of themselves, in a war declared against all that was alien to them.

We remember them in this modern epoch not only in order to have a historical reference of their conflict, but also as evidence of how, due to the simple fact of our criticism of technology, sharpening our claws to attack this system and willing to return to our roots, we are reliving this war. Just like our ancestors, we are reviving this internal fire that compels us to defend ourselves and defend all that is Wild.

Many conclusions can be taken from this study. The most important of these is to continue the war against the artificiality of this civilization, a war against the technological system that rejects its values and vices. Above all, it is a war for the extremist defense of wild nature.

Axkankema, tehuatl, nehuatl!

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