Orangotango luta contra uma escavadeira que destrói seu habitat em Bornéu

Um vídeo captado em 2013 mostra um orangotango sobre uma das últimas árvores de sua floresta que ainda não tinham sido derrubadas por homens e máquinas. O animal corre sobre o tronco e parece tentar parar a escavadeira com as próprias mãos.

De Público:

O corte massivo de árvores em Bornéu para a extração do questionado óleo de palma é um problema ecológico descomunal. Os Orangotangos são alguns dos animais mais prejudicados pela ação do ser humano nesta ilha do sudeste asiático. Entre 1999 e 2015 sua população caiu 50%.

A organização International Animal Rescue difundiu um vídeo de 2013 em que um Orangotango ataca a uma escavadora que está devastando seu habitat, uma reação desesperadora de um animal que parece apenas querer proteger seu território e seu lar.

O desmatamento não é a única ameaça que sofrem estes animais. Se calcula que cerca de 70% da queda da população destes animais se deve a assassinatos cometidos pelos humanos. Isso significa que, em números estimados, 100.000 Orangotangos foram assassinados em áreas florestais pelas mãos do homem.

Os Orangotangos habitam as florestas das terras baixas de Bornéu, uma ilha compartilhada pela Indonésia, Malásia, Brunei e a ilha indonésia de Sumatra, comendo normalmente frutas silvestres, insetos, cascas, flores e folhas.

[VÍDEO] Entrevista do sociólogo Rodrigo Larraín sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem

Interessante entrevista de um sociólogo a um jornal chileno sobre ITS. Em seguida um texto analisando o que foi dito.

Entrevista da televisão chilena. O sociólogo entrevistado apresenta um interessante ponto de vista sobre o que representa o grupo Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

A fim de esclarecer algumas coisas ditas no programa e de uma maneira puramente pessoal, darei meu ponto de vista, tentando responder algumas questões. Embora eu deva dizer que, devido à profunda estupidez, insensatez e imbecilidade máxima do entrevistador, nenhum de meus esclarecimentos poderá fazê-lo entender qual é o real pensamento de ITS.

A entrevista é do dia 07 de Janeiro de 2019, e foi transmitida no jornal matinal Chilevision Noticias.

Sobre o Sociólogo

O acadêmico, de uma maneira bem-sucedida, consegue acertar algumas coisas e, em geral, creio que graças a seu conhecimento, ele consegue nos dar uma boa interpretação do significado das siglas. Mas, aparentemente, não tem conhecimento de um ponto crucial da guerra de ITS-Chile, dizendo que ITS concentrou seus atentados nos “setores populares”. Não é esse o caso, e para isso basta apenas lembrar das cicatrizes deixadas no corpo do endinheirado e elitista Oscar Landerretche, essas marcas provam que ITS também executou atentados contra os ricos e burgueses. É de conhecimento público que ITS não crê na guerra de classes nem em nenhuma destas supérfluas bobagens, o grupo não está contra a classe trabalhadora nem contra a dos poderosos, mas contra a humanidade moderna, portanto estas analogias não vêm ao caso.

Ele diz que os grupos de ITS-Chile não têm muitos recursos, e talvez esteja certo, este é um ponto que eu desconheço. Eu me questiono humildemente neste caso, se com os poucos recursos que têm os terroristas do sul conseguiram causar desastres contundentes, nem quero imaginar o que fariam quando consigam seus AK-47 e TNT.

Esclarecido isso, é extremamente interessante a visão do acadêmico de que o ITS funciona como uma seita que recebe ordens “a mando do sobrenatural”. Algo que chamou minha atenção foi como o professor, em seu entendimento, faz uma espécie de “defesa” das ideias do grupo contra a absoluta tolice do jornalista que não capta a essência do discurso dos terroristas.

Sobre o Jornalista

Este profissional meia boca em sua estreita mente e com base em seu humanismo enraizado se contorce de incompreensão ao ouvir as contradições dos terroristas de ITS. A preocupação deste espécime é que ele não consegue entender um grupo que critique a tecnologia e ao mesmo tempo a utilize. É importante dizer que ele não é o único com esta visão.

Eu aceito minha falta de lógica ou minha incoerência, ou como queiram chamar, não tenho nenhum problema moral em me contradizer. Diante deste questionamento eu não tenho a resposta iluminada que me dá a razão, é mais duvidoso que exista uma resposta. Mas vamos supor que eu consiga responder a sua pergunta; “porque usam a tecnologia se a criticam?”. A resposta poderia ser, “bem, porque é a única maneira de encarar sua civilização de maneira equitativa”. Essa é uma resposta possível, mas eu não busco a coerência em meu discurso, porque a verdade é que não quero encontrar uma resposta coerente. Os grupos de ITS entenderam que a única forma de avançar e conseguir travar sua guerra extremista é aceitando esta contradição, torná-la parte de seu caminho de terror e ponto. Deixando de lado laços morais que apenas atrapalham a sua guerra.

Este sujeito fica muito zangado e dá ênfases ao dizer “eles são completamente contra a tecnologia, mas suas mensagens eles mandam pelas redes sociais”. O cara acusa os terroristas de pouco sérios e de ilógicos. O engraçado aqui é que ele acha que a maior contradição é usar a internet, ignorando que a contradição não está apenas em usar a internet, assim como diz as partes mais importantes da entrevista, mas em muitas outras coisas.

Seguindo a lógica da coerência e a lógica que este sujeito aconselha, os terroristas não poderiam usar pólvora, nem tubos de aço, cabos, ou qualquer outra coisa para fazer seus artefatos. Deveriam ir morar no topo de uma colina, e sequer deveriam usar roupas e então andar nus pela rua, o que é algo impossível e estúpido. O cara pensa que ITS deveria utilizar flechas para atacar as máquinas do progresso e esculpir seus comunicados em pedra.

Então, por falta desta coerência, os terroristas não deveriam realizar atentados? Deveriam primeiro encontrar uma ideologia coerente e com isso ficaria justificado o método do terrorismo? Deveriam se render, abandonar sua guerra e deixar tudo como está? Deveriam eles fugirem para a natureza selvagem e se esquecer das vexações da humanidade contra a terra? Estúpido.

Como eu disse, “o ilógico” por utilizar a internet é minúsculo ao lado de outras contradições, como a adoção da misantropia. O mesmo acontece aqui. “Se odeiam a raça humana, porque não se matam primeiro?”. Aparentemente, esta “incoerência” que é mais profunda passa batido pelo sujeito. Talvez alguns terroristas realmente desejem se matar. Mas e se antes de se suicidarem preferissem seguir atentando contra a civilização? E se os terroristas desejem levar a cabo sua misantropia, se matando como os kamikazes e levar com eles a vida de vários humanos? Isso só eles sabem.

Mas isso das contradições não é um problema exclusivo de ITS, os grupos terroristas ao longo da história evidenciaram sua incoerência em alguns pontos. Não sei, penso nos terroristas islâmicos que odeiam tudo o que é ocidental, mas não tem escrúpulos na hora de utilizar a internet ou uma infinidade de produtos de seus inimigos. Os grupos anarquistas antiautoritarios que matam exercendo com isso a autoridade sobre a pessoa morta, ou o terrorista primitivista Unabomber que vivia sem eletricidade no bosque, mas usava materiais tecnológicos da civilização para seus atentados. Bem tudo se repete novamente, as mesmas críticas. Isso parece ser um problema histórico da qual ITS não se isenta.

Como podem ver, se os extremistas de ITS buscassem a coerência, a única coisa que lhes restaria seria dar um tiro na própria cabeça ou se atirar de um prédio. Mas não, desgraçadamente para a ordem social os terroristas não são simplesmente suicidas. A complexidade da mente dos eco-extremistas escapa ao raciocínio humanista. Somos loucos? Pode ser que sim, se a sanidade é a humanidade moderna e seu progresso implacável, então estamos loucos, fodidamente loucos.

Nascemos nesta era, a era da híper-tecnologia, não utilizá-la a nosso favor seria algo idiota, infantil e orgulhoso da nossa parte. Os povos selvagens ancestrais ao longo da história enfrentaram os invasores que buscavam conquistá-los, inicialmente utilizando ferramentas primitivas, mas logo entenderam que não era viável essa confrontação. O que fizeram? Se renderam? Deixaram que os invadissem sem mais nem menos? Claro que não. Em vez disso, se apoderaram das armas modernas de seus inimigos (armas de fogo, cavalos e táticas de guerra) e com isso travaram uma guerra sangrenta. O mesmo faz os terroristas modernos ao utilizar as tecnologias modernas, seja a internet, eletricidade, pólvora, vestimentas, comidas, etc.

Sem dúvida, poucos serão capazes de entender isso, já que é necessário um nível superior de inteligência para chegar à compreensão. Portanto, toda essa ninhada de jornalistas de quinta categoria, reportuchos de jornais ou simples cidadãos nunca entenderão. Em seus pequenos cérebros humanistas, onde tudo tem que ser razoável e coerente nossos postulados arrancam a sua lógica.

É por isso que pessoas intelectualmente superiores, como o acadêmico entrevistado, conseguem entender melhor a situação do terrorismo moderno.

-Malviviente

Excursionismo

Tradução do texto Hiking, escrito por Abe Cabrera.

Cenas de uma vida dupla.

“Só queremos deixar claro que nenhum ser humano estará tranquilo na natureza, nós não acreditamos ser coiotes, lobos, ou qualquer coisa assim, mas nós somos aqueles que não hesitarão em disparar uma arma para que nenhum ser humano pise na pouca natureza semivirgem que ainda existe, então a partir daqui advertimos que nenhum eventinho desses como a “montanha fantasma” que organizam, as visitas à “floresta dos vagalumes”, passeios pelos bosques, eventos humanistas e estúpidos de “sobrevivência primitivista”, nenhuma pessoa é bem-vinda na natureza, será melhor que se abstenham de querer entrar e é melhor que fiquem em suas malditas cidades”.

– Vigésimo Nono Comunicado de ITS/GITS

“Quero viver nas florestas com predadores. Não quero ser o animal mais perigoso nas matas quando entro nelas. Eu gosto de saber que existe um predador maior por aí, um que pertence e se encaixa em um ecossistema saudável. Odeio a ideia da natureza como um espaço rural, livre de todas as ameaças. Essa é a visão do invasor, não a minha.”

– Rod Coronado, “A Resiliência do Selvagem: Lobos Falando e Espreitando com Rod Coronado.”

Black and Green Review Nº 1 (primavera de 2015), página 108.

Quando ando pela floresta, tento estar o mais atento possível. Mas no fundo da minha mente, eu sei que estou em um lugar seguro. De fato, até digo a minhas filhas que o lugar que fico mais nervoso é o estacionamento subterrâneo do shopping. Este é o lugar mais antinatural que um humano poderia conceber, razão pela qual é um dos mais provocadores de ansiedade que alguém possa imaginar. De qualquer forma, o problema real são os carros dando ré, que é uma das situações mais notáveis para acidentes de carros. As crianças, sendo pequenas, poderiam facilmente serem atropeladas por um condutor que não presta atenção ao que está atrás dele. Em comparação com a floresta aqui, o máximo que poderia ser encontrado seria uma serpente ou parar sobre um formigueiro. Com muita sorte se poderia encontrar um lagarto tomando sol, ao lado de um pântano ou uma lagoa. Mas os lagartos são muito tímidos, e fugiriam para a água se alguém os encontrasse.

Ironicamente, em locais selvagens no Oeste, mesmo em lugares que parecem muito mais desenvolvidos, caminhar na natureza poderia ser potencialmente uma proposta muito mais perigosa. Quando eu morava nas montanhas da Califórnia Central, sempre tive medo de me encontrar com um leão da montanha, especialmente quando alguém dizia que havia visto um em alguma montanha, fora do local onde eu estava me hospedando. Lembro-me de ter ficado em outro lugar, e tive que sair para caminhar muito cedo pela manhã, no escuro, e estava desesperadamente com medo de me encontrar com um leão da montanha ou um urso. Os porcos selvagens eram também uma preocupação. No deserto eram os cães errantes que eu mais temia, e levava inclusive uma vara. Uma serpente cascavel poderia ser facilmente evitada: ao contrário das pantanosas florestas de pinheiros, há pouca grama no deserto para que se escondam. O máximo que eu vi foi um pequeno lince ou um coiote meio emaciado. Ao me verem sequer mudaram seus cursos, seguiram vagando.

Também vi coisas menos ameaçantes. Os cervos são abundantes a oeste, já que a caça é estritamente proibida. Caminhando nas terras de Robinsón Jeffers, especificamente em Wolf Point, cheguei a dois metros de um cervo, e fiquei diante dele. Ele me olhou e não tinha medo. Durante semanas em um dos lugares em que eu estava hospedado, mencionado acima, uma família de cervos passava todas as tardes, perto das cinco horas em ponto: uma cerva e cerca de cinco filhotes. Certa manhã, acordei para encontrar com um lindo cervo de cifres predominantes que havia sido atropelado campina abaixo. Essa visão partiu meu coração.

Houve outros encontros, e haverá mais sem dúvidas. Mas estou começando a perceber que estas epifanias do Deus Selvagem do mundo, se manifestam dentro do cativeiro Babilônico, uma curta, mas trágica época em que um animal decidiu que dominará tudo, e que tudo que restar o servirá enquanto sua existência puder se beneficiar disso. Por exemplo, os lagartos nesta área quase foram extintos no início do século passado. Ursos, lobos, panteras e martas vagavam por estas florestas. Sem dúvida, o grande coro dos pássaros foi uma grande orquestra até não muito tempo atrás. A floresta abre de tempos em tempos mausoléus a céu aberto, e inconfundivelmente silenciosos em comparação a quando uma sinfonia total de animais acrescentava suas medidas musicais. E elas (as florestas atuais) *¹ foram feitas desta maneira por e para o homem. Eu já comentei como minha área nativa na Califórnia foi alterada além do reconhecível.

Declaro tudo isso porque recentemente me pediram para refletir sobre o selvagem *². Para mim, não existe tal coisa. A “natureza” existe completamente a critério do homem. Leia um livro como A Terra dos Cervos: A Caça na América Para o Equilíbrio Ecológico e a Essência da Vida Selvagem, e você percebe que mesmo os selvagens e impressionantes cervos são meramente um produto da civilização: uma população que é permitida vagar e que são extraídos de acordo com cotas muito estritas do governo. De fato, a forma pela qual algumas pessoas caçam cervos, usando milho para atraí-los e ficando a postos para disparar contra eles, já que o cervo não consegue levantar seu olhar, está mais para um massacre que para uma caçada. Existe até um procedimento que a pessoa deve seguir se ela atropela um cervo (que é um acidente muito comum em algumas partes dos Estados Unidos). Em algumas partes do sul, enquanto se está transbordando de árvores, elas são colhidas de acordo com uma determinada agenda. Há a temporada dos lagartos, dos patos, etc., etc. Considerando o número de armas nesta parte do mundo, e o entusiasmo de alguns em usá-las contra animais comparativamente indefesos, a única coisa que impede estas criaturas de serem extintas é o Estado. Muitos animais foram extintos apoiando esta hipótese, uma vez que o governo foi menos entusiasta para protegê-los.

Então enquanto as pessoas pensam que o Estado está contra a “Natureza”, eu estou um pouco relutante em concordar. Se o Estado e a sociedade tecnoindustrial entrassem em colapso amanhã, os primeiros a morrerem seriam todos os animais. Todos os cervos: mortos. Tartarugas: mortas. Lagoas e rios: saturados pela pesca. As pessoas até mesmo começariam a matar os guaxinins e gambás (que eu ouvi dizer que caem bem se vão acompanhados com batatas). Talvez comecem a comer tatus, que dizem que carregam lepra, e depois cães e gatos, e assim por diante. Muitos romances distópicos foram escritos sobre isso. Se a sociedade tecnoindustrial entrasse em colapso amanhã, o leve, mas entusiasta coro da floresta, cairia em silêncio total, enquanto milhões de humanos vagariam pelos espaços silvestres a procura de carne para se alimentar. A descrição de Paul Theroux do silencioso campo da Angola destruído pela guerra, em seu livro The Last Train to Zona Verde, vem à mente.

Claro, agora é muito mais perigoso andar pelos bairros mais distantes, Eu sei, tendo sido assaltado uma vez, tarde da noite, na Califórnia (não levaram nada, e descobri que eu poderia aguentar um soco). Os tiroteios geralmente ocorrem à noite, assim como todos os tipos de assassinatos, roubos de veículos, violações, assaltos, etc. Homo homini lupus*³, especialmente quando todos os lupis reais, foram massacrados pelas mãos do homo sapiens. Ou talvez não seja tão sábio ao tentar criar um mundo em que ele é o único predador a ser temido. É verdade, talvez, que a única Natureza Selvagem que resta está no coração do homem: em seu coração mortal, frio, onde apenas outros homens são presas. No final, este é o mundo que criamos. Um em que a única forma de replicar a sensação do homem primitivo, caminhando pelo bosque primaveril, é afrontando outro homem na floresta artificial de concreto, concebida fora de sua mente limitada. Lá pelo menos deve permanecer alerta e consciente de sua própria mortalidade. Na floresta real, a reserva que sobrou da civilização, é como um claustro monástico em comparação.

De qualquer forma, penso eu, que posso entrar na floresta, no pântano, e nas águas para expressar minha dor. Talvez algum dia, outro homem possa sentir a plenitude de viver entre as árvores, rochas e águas, onde ele é meramente outro animal, a potencial comida de algum animal, e somente outra voz na grande Roda Cósmica. Isso e nada mais. Talvez isso aconteça novamente no sonho do Mundo, talvez não, mas não voltarei a cometer o erro de acreditar que sou eu quem está sonhando.

1. * Esclarecimento do tradutor.
2. * Referindo neste caso a áreas selvagens, geograficamente.
3. * (O homem é o lobo do homem)

Minha Autoridade

Texto extraído da terceira edição da Revista Ajajema.

É um pouco difícil para mim começar a escrever algumas palavras, posto que os teóricos da tendência se lançaram no abismo das reflexões. Tanto que muitas vezes sinto que logo ficaremos sem mais nada para dizer. Muitas coisas já foram ditas, cada uma igualmente interessante. Reflexões muito letradas, especialmente a dos manos dos EUA. Às vezes invejo a capacidade reflexiva e intelectual dos compas. Ler cada palavra dos irmãos e irmãs de tantos lugares é uma alegria e um tremendo impulso anímico para o espírito. Cada uma de suas contribuições para a guerra, cada texto encorajando a Máfia, cada escrito resgatando as vidas dos povos primitivos, as reflexões enaltecendo o Oculto e o Desconhecido, e suas bocas lançando maldições pagãs em detrimento da civilização e a humanidade. Tudo isso é uma lufada de ar fresco para os individualistas que lhes custa tirar dentro de si as palavras, como é o meu caso.

Sabendo disso, atrevo-me a escrever algumas palavras sobre a autoridade da Natureza Selvagem, de suas indiscriminadas manifestações, de seus massacres contra a humanidade, do chamado que fizeram alguns compas para alegrarmo-nos com cada tragédia caótica da Terra sobre a civilização.

Os irmãos do grupo editorial da Revista Ajajema fizera-me o convite para eu somar com alguma contribuição para a sua terceira edição, e com prazer me animo e escrevo estas palavras soltas. Reflexões caóticas a quem interesse. Aí vou eu…

Comecemos com uma pergunta bastante básica, o que é autoridade? Ou, pelo menos, o que eu entendo por ela. A autoridade vem sendo uma figura (mística ou real) a qual você deve respeito e/ou obediência. A autoridade hoje em dia é vista como algo bastante ruim, repressiva, abusadora, tanto que há radicais que visam eliminá-la e, de certa forma eu encontro uma afinidade aí. Sem dúvida a autoridade civilizada é uma verdadeira merda, mas, ao contrário destes radicais, não me esforço para erradicá-la. Acredito que tudo dentro da vida civilizada é repugnante, então por que tenho que parar e me concentrar em apenas um aspecto dela? É uma pergunta muito boa. Eu não rechaço a autoridade humana como instinto, aquela ancestral que sempre esteve presente. Os compas escreveram bastante a respeito do termo autoridade “inócua” e “iníqua”.

A primeira coisa que tenho que dizer é que não tenho problemas com a “autoridade humana”, não tenho problemas com alguém que me diga o que eu tenha que fazer. Não sou um “anti-autoritário”, porque ao contrário deles, eu acredito na autoridade, creio ser capaz de dar ou receber uma ordem, e aqui não vejo nenhuma relação de submissão. Obviamente, aqui me refiro claramente àquela autoridade inócua que pode exercer, por exemplo, um compa quando estamos em uma ação, quando ele é o encarregado a me dar a ordem para que eu possa me aproximar do alvo para atacar, ou quando este mesmo cúmplice tem que me chamar a atenção quando estou cometendo um erro que pode colocar em risco o plano, ou quando eu devo ser o encarregado de decidir quais serão as rotas de fuga e então guiar os outros, e mais um monte de exemplos do exercício da autoridade. Eu poderia dizer da mesma forma que, em alguns casos, a “autoridade biológica” (os irmãos, os pais, os avós, etc.) podem ser também um exemplo de autoridade inócua. E mesmo sabendo o quão desgraçados podem ser os familiares biológicos em algumas ocasiões, ninguém pode negar o quão vital e necessária é a autoridade, por exemplo, de uma mãe a seus filhos pequenos.

Nem preciso falar sobre isso, que “sinto certo rechaço” pela autoridade humana civilizada, e aqui me refiro a todos estes seres que em sua maioria estão por trás de um uniforme dentro das grandes cidades. E quando digo que “sinto certo rechaço”, quero dizer que realmente não tenho um sério conflito com ela. Entendo e sou consciente de que as cidades e a civilização enquanto existam estão e estarão controladas pela autoridade, não há dúvidas quanto a isso, então, estar em “guerra contra a autoridade” pelo menos eu não vejo como algo para concentrar minhas energias e minha vingança.

Bem, isso é o que posso dizer sobre o que penso da “autoridade real”. Acredito que seja necessário dizer algo da autoridade ancestral e onipotente que é a Natureza Selvagem, daquela “autoridade mística” representada por todo o desconhecido da Terra, aquela que se manifesta com a chuva e o raio, com os tsunamis e as erupções, nas luzes do céu escuro após um terremoto e no som dos rios, evitando os séculos de intelectualidade e raciocínio científico do porque que as coisas acontecem, e jogando fora todo o lixo da teoria humanoide que se atreve a explicar o inexplicável. Para todos estes eu digo: humanos modernos híper-civilizados, me deixem com minha essência primitiva, essa que tinham os antigos humanos que sim sabiam de algo.

Eu digo isso com o maior orgulho, a Natureza Selvagem é minha autoridade, e por quê? Porque ela está acima de Mim, acima de tudo e todos, ela é quem me rege, a ela devo obediência e respeito, ponto. Seus ciclos naturais são os que me ditam as normas que devo seguir. Assim como a porra do motorista de um carro segue as leis do trânsito, eu sigo as leis a Terra. As nuvens negras me indicam chuva, a chuva me indica refúgio, e logo me sugere para me preparar para o frio posterior. Os rios tem a força ancestral e eterna da Terra, eu me aproximo deles quando estou perdido, sei que me guiarão em meu caminho. Os demais animais são capazes de seguir as leis da Terra, sabem onde e quando dormir, onde e quando acordar, onde e quando se esconder, onde e quando se alimentar ou procriar.

A espécie humana perdeu todo o contato com a maravilha da Terra. Ela se tornou incapaz de combater um resfriado, agora curam-no abruptamente com químicos nocivos. Como alguns irmãos disseram, “quem não tem dinheiro fica gripado”, pura verdade!

Muito tem sido dito sobre os desastres naturais, eles inclusive são festejados por alguns compas que fizeram um chamado para se alegrar com a desgraça humana, chamado ao qual, sem dúvida, me somo. Eu li que algumas pessoas por aí são contra a comemoração de desgraças como estas, já que em alguns casos as vítimas são pessoas extremamente pobres, elas ficam indignadas por nos alegrarmos com os mortos, especialmente quando são crianças, nos chamam de monstros perversos por essa e outras coisas mais.

O que me ocorre com estas posturas classistas é um tremendo asco, isto é, se o furacão destrói um bairro burguês cheio de milionários e mata a todos, que bonito! Mas se a chuva inunda algum povoado de algum país asiático bastante pobre, que pena. Como se as manifestações da Terra se importassem quão rica ou pobre uma pessoa é. Ou celebramos o Caos sem nenhum problema e sem a mínima culpa ou calamos a nossa boca de merda. Esses aí que andam se alegrando quando morrem policiais ou os filhos dos ricos empresários e que entram em choque quando nós nos regozijamos com a morte humana indiscriminada são uns hipócritas moralistas.

Devo o respeito e a obediência a todas as belezas e a violência da Terra, a cada um de seus ciclos primordiais. À garoa de manhãzinha em pleno verão que encharca os campos e montanhas. Aos insetos que se escondem embaixo da terra no inverno, e que saem em massa para estocar alimento no verão. Às chuvas de inverno que inundam toda a cidade, a que torpemente amaldiçoa o humano híper-civilizado. Ao verão infernal que esquenta a terra e propaga incêndios ferozes. Ao canto dos grilos e o voo do pássaro. Ao grito da raposa. Ao por do sol que nos mostra a maravilha do céu. À lua cheia que aparece quando tudo está escuro e que brilha como o dia. À precaução e o sigilo dos coelhos que esperam que as montanhas cubram a lua antes de saírem para comer. Ao medo que senti quando dormi em meio ao selvagem e que me paralisava ao escutar o som de algum animal, às pisadas de algum ser entre as árvores que fazem com que meu ser se angustie, à este maravilhoso pavor que só algumas pessoas experimentaram. Às profundidades dos oceanos. Aos abismos infinitos das montanhas. À cordilheira que mantém o gelo para sempre. À erva e as flores que persistem em pleno deserto. Às mariposas, borboletas e vespas que aparecem em meu caminho.

Eu rezo a todo o oculto e desconhecido da Terra, me curvo e me entrego. Decidi confiar-me aos espíritos dos antigos sempre que deixo o meu refúgio, lhes agradeço por terem cuidado de mim em minhas andanças terroristas até meu retorno. Eu toquei as terras com meus pés e mãos em um ato de conexão suprema com a Terra e toda a beleza dela. Me olharam com desgosto por falar com as plantas e saudar os animais de rua. Porque sempre peço permissão à árvore quando vou arrancar alguma de suas folhas, peço permissão e agradeço. Tudo isso faz parte de meus processos individuais e únicos que não se encontram regidos por nenhuma ideologia, é uma conduta caótica e selvagem que adora e enaltece o Selvagem e o esquecido pelo ser humano moderno híper-civilizado.

Pela autoridade da Terra sobre Meu ser!

Amém…

Espírito Tanu