A Águia e o Falcão

Conta uma velha lenda Sioux que uma vez chegou à tenda do feiticeiro mais velho da tribo um casal apaixonado de mãos dadas: Touro Bravo, o mais valente e honrado dos jovens guerreiros, e Nuvem Alta, a filha do cacique e uma das mais bonitas mulheres da tribo.

“Nos amamos”, começou o jovem.

“E vamos nos casar”, disse ela.

– “E nos amamos tanto que temos medo”.

– “Queremos um feitiço, uma conjuração, um talismã”.

– “Algo que assegure que estaremos lado a lado até encontrar Manitu no dia da morte”.

– “Por favor”, repetiram. “Há algo que possamos fazer?”.

O velho olhou para eles e ficou emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados…

– “Há algo…”, disse o velho depois de uma longa pausa. “Mas não sei… é uma tarefa muito difícil e sacrificial”.

– “Não importa”, disseram os dois.

– “Pode ser qualquer coisa”, ratificou Toro Bravo.

– “Bem”, disse o feiticeiro. “Nuvem Alta, você vê a montanha ao norte de nossa aldeia? Deverá escalá-la sem nada a mais além de uma rede em suas mãos, e deverá caçar o mais belo e vigoroso falcão da montanha. Então você deverá trazê-lo aqui com vida no terceiro dia após a lua cheia”.

– “E você, Touro Bravo”, continuou o feiticeiro. “Deverá escalar a Montanha do Trovão e, quando chegar ao topo, encontrar a mais valente de todas as águias e, somente com suas mãos e uma rede, pegá-la sem feri-la e trazê-la a mim, viva, no mesmo dia em que virá Nuvem Alta. Compreenderam?”

O casal assentiu e o velho xamã fez um gesto indicando que não tinha mais nada a dizer. Os jovens se entreolharam com ternura e depois de um fugaz sorriso partiram para cumprir a missão que lhes foi confiada, ela ao norte, ele ao sul. No dia estabelecido, diante da tenda do feiticeiro, os dois jovens esperavam com sacos de pano contendo as aves solicitadas.

O velho pediu-lhes que, como muito cuidado, as tirassem dos sacos. Os dois jovens retiraram-nas e expuseram, ante a aprovação do velho, os pássaros caçados. Eram verdadeiramente formosos, sem dúvida os melhores de suas linhagens.

– “Voavam alto?”, perguntou o feiticeiro.

– “Claro, como você pediu… e agora?”, perguntou o jovem.

“Esperamos um sacrifício? Devemos matá-los? O que temos que fazer?”

– “Não”, disse o velho sábio. “Faça o que eu disser: pegue as aves e amarre-as pelas patas com estas tiras de couro. Quando estiverem amarradas, solte-as e as deixe voar livres”.

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi pedido e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram levantar vôo, mas conseguiram apenas chafurdar no chão. Poucos minutos depois, frustradas, se arremeteram uma contra a outra à bicadas, até se lastimarem.

– “Este é o feitiço. Jamais se esqueçam o que viram. Vocês são como uma águia e um falcão: se são atados entre si, mesmo que por amor, não só viverão se rastejando, mas também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se vocês querem que o amor de vocês perdure, voem juntos, mas jamais atados”.

Conto Siux.

Apoie as atividades do blog!

Buscando aperfeiçoar as atividades nós passamos a aceitar criptomoedas. É importante que a postura crítica à civilização esteja atrelada à prática e não seja apenas uma oposição passiva. Nós autores deste blog reconhecemos isso, portanto qualquer apoio será destinado a ampliar ações de oposição à civilização. Com isso não nos posicionamos contra ou a favor de ações ilegais, as contribuições apenas serão utilizadas para ações que julgamos importantes dentro e fora da web.

Aceitamos apoios através de quatro tipos de moedas.

Bitcoin – Endereço da carteira: bc1q8qgftgznf9vxmluv54ym7wl0eg0zze05w5jwa6

[SÉRIE] Nosso Planeta

Com imagens espetaculares e de altíssima qualidade da vida selvagem, o grandioso documentário Nosso Planeta traz a beleza natural de nosso planeta e mostra como as mudanças climáticas e outras ações da espécie humana têm impacto sobre todas as criaturas vivas e sobre a terra.

A série é um projeto ambicioso de oito episódios que ficou em produção durante quatro anos, realizando gravações em dezenas de países com a ajuda de uma equipe de 600 pessoas, com registros surpreendentes, arriscados e talvez nunca antes registrados da vida selvagem. A série Nosso Planeta foca na diversidade de habitats ao redor do mundo, como o remoto Ártico, as profundezas misteriosas dos oceanos, as vastas paisagens da África e as selvas variadas da América do Sul, um verdadeiro paraíso de biodiversidade com registros capazes de causar grande emoção devido à infinidade de beleza.

Em paralelo com toda a beleza selvagem exibida a série mostra também consequências das ações da espécie humana na natureza que está levando todas as outras espécies do mundo a uma extinção massiva e causando diversas alterações climáticas na terra através do aquecimento global e outras atividades destrutivas, registros realmente sensíveis e comoventes.

DOWNLOAD: Episódio 1Episódio 2Episódio 3Episódio 4Episódio 5Episódio 6Episódio 7Episódio 8

ATENÇÃO: abaixo está a senha para desbloquear os arquivos:

ERnWqcWfLkjyrqxyLUGbFqeDtFjtSY

Lembramos que não hospedamos nesta plataforma qualquer tipo de arquivo ilícito ou não autorizado, e todo o material aqui compartilhado é extraído de fontes públicas na web.

Temperatura da Terra já é a maior dos últimos 120 mil anos

A diferença, porém, é que o aquecimento atual não tem nada de natural, sendo resultado das ações da humanidade.

Imagem mostra o efeito do aquecimento nas geleiras do Alasca. (Foto: NASA)

De Revista Galileu:

Os últimos três meses de julho na Terra foram os três mais quentes já registrados pelos cientistas. Mas, esses também podem ser os meses mais quentes que ocorreram em nosso planeta em cerca de 120 mil anos, conforme publicou Mark Kauffman, no site norte-americano Mashable.

Após o anúncio recente da NASA de que julho de 2018 foi o terceiro mês mais quente desde que o registro confiável começou em 1880, o cientista climático Stefan Rahmstorf, chefe da Análise de Sistema Terrestre do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, destacou que em julho passado também foi provavelmente um dos meses mais quentes desde o período geológico chamado de Eemiano.

Escalada das temperaturas globais. (Foto: NASA)

O período, com duração de cerca de 130.000 a cerca de 115.000 anos atrás, foi, em média, cerca de 1 a 2 graus Celsius mais quente do que é hoje.

Os hipopótamos amantes do calor percorriam a Europa atual, e os níveis do mar, devido às camadas de gelo derretido, estavam 6 a 9 metros mais altos do que hoje (grande parte da Flórida estava submersa).

O período Eemiano — e as eras do gelo antes e depois dele — eram processos naturais da Terra, explicáveis ​​através da física simples por nossa orientação ao sol da época, dizem os cientistas.

Esses eventos de aquecimento e resfriamento aconteceram gradualmente ao longo de milhares de anos. Mas o atual aquecimento rápido na Terra nos últimos 150 anos é inquestionavelmente nosso próprio feito, já que os potentes gases de efeito estufa produzidos pela queima de carvão e outros combustíveis se acumulam em nossa atmosfera.

As flutuações entre os períodos quentes e frios da Terra “duram para sempre”, disse Pat Bartlein, um paleoclimatologista da Universidade de Oregon, que pesquisou temperaturas desde a última era glacial, por e-mail ao Mashable.

“Mas o mais importante é que, desde a industrialização, fomos colocados em um cronograma completamente diferente“, disse Bartlein.

Há pouca dúvida entre os cientistas de que estamos provavelmente experimentando o clima mais quente em cerca de 120.000 anos, chegando até acima de um período particularmente quente, cerca de 7.000 anos atrás, durante um período após a era do gelo chamada Holoceno.

“Eu concordo inteiramente que é muito provável que os últimos verões tenham sido os mais quentes nos últimos ~ 100.000-115.000 anos”, David Black, um paleoclimatologista da Universidade Stony Brook, disse por e-mail. “É muito provável que tenhamos começado a exceder a parte mais quente do Holoceno”.

“É seguro dizer que é verdade”, acrescentou Jennifer Marlon, pesquisadora da Escola de Silvicultura e Estudos Ambientais da Universidade de Yale. “Você vai encontrar um consenso científico entre os especialistas, mesmo nesse ponto, agora eu aposto, o que diz muito.”

Marlon notou que durante aquele período mais quente, 7 mil anos atrás, apenas o hemisfério norte experimentou alguns verões bem quentes, “mas agora estamos mais quentes o ano todo”.

Em 2013, Rahmstorf já argumentava que o clima atual já havia ultrapassado esse período mais quente do Holoceno. E nos últimos cinco anos, o caso só ficou mais forte. “Houve mais aquecimento”, disse Rahmstorf ao Mashable. De fato, os três anos mais quentes registrados, 2015, 2016 e 2017, ocorreram desde então.

Além disso, a Terra caiu em sua última era do gelo por cerca de 90.000 anos após o fim do Eemian, uma época em que gatos com dentes de sabre, lobos medonhos e gigantescos mamutes colombianos ainda vagavam pela terra.

Não há evidências de que quaisquer pontos durante esse período mais frio tenham excedido as temperaturas médias que estamos experimentando hoje.

Enquanto a Terra continua seu ritmo acelerado de aquecimento, alguns cientistas, olhando para o que poderíamos esperar no futuro, sugeriram que a Terra pode ver condições similares às do Eemian no futuro, disse Black, o que significaria um clima dramaticamente mais quente.

Mas o Eemiano, como outros climas do passado, pode não ser um bom roteiro para onde estamos indo.

“Os seres humanos estão colocando gases de efeito estufa na atmosfera a uma taxa sem precedentes”, disse Black, acrescentando que “não há um analógico climático ideal no passado que possamos explorar para ver o que poderíamos esperar no futuro”.

A diferença crítica é o carbono

A principal diferença entre o período Eemiano e o presente, no entanto, é a quantidade de dióxido de carbono atualmente presente no ar. Hoje, as concentrações de dióxido de carbono são fenomenais – o mais alto em 800.000 anos.

Durante o Eemian essas concentrações pairavam em torno de 280 partes por milhão, ou ppm. Hoje eles estão em torno de 409 ppm. Os cientistas sabem desde o século XIX que o dióxido de carbono absorve calor, e os níveis históricos de hoje – quando comparados com os aumentos naturais de carbono no passado – estão aumentando vertiginosamente.

“O ritmo não é nem perto – isso não é natural”, Kristopher Karnauskas, um professor do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas do Colorado Boulder. Com todo esse carbono acumulando a atmosfera, o problema iminente não é simplesmente o aquecimento de hoje, mas o quanto mais aquecimento está reservado.

“Colocamos todo esse carbono no ar, agora vai demorar um pouco para que tudo fique em dia”, disse Marlon. “A grande questão é, com que rapidez tudo será recuperado?”

Como o aquecimento no último século, essas mudanças de temperatura em escala global ocorrem ao longo de décadas a séculos, disse Karnauskas. Mas já há carbono suficiente no ar para elevar consideravelmente as temperaturas. “Mesmo sob o melhor cenário, vamos dobrar o aquecimento que já vimos”, afirmou, enfatizando a necessidade de se livrar dos combustíveis fósseis.

Um grau ou dois de aquecimento – se não fizermos a transição para energias mais limpas – nos aproximaria do Eemiano, uma época que não era apenas mais quente – era um período distintamente diferente dos dias atuais. “O mundo será um mundo quente ou um mundo muito diferente?” perguntou Karnauskas.

Aponte Mais Alto

Tradução do escrito Aim Higher, de Abe Cabrera.

Alfredo Bonanno abre sua famosa obra, “O Prazer Armado”, com esta passagem:

“Por que diabos estes benditos meninos atiraram contra Montanelli nas pernas? Não teria sido melhor ter disparado na boca? Claro que sim. Mas, além disso, teria sido mais grave. Mais vingativo e sombrio. Deixar fodida uma besta como esta pode ter um lado mais significativo, mais profundo, que vai além da vingança, do castigo pela responsabilidade de Montanelli, jornalista fascista e servo dos grandes senhores. Aleijá-lo significa forçá-lo a desistir, a lembrar-se. Por outro lado, é uma diversão mais agradável que atirar em sua boca, com pedaços de cérebros saindo de seus olhos.”

Claro, matar alguém é muito mais definitivo que deixá-lo coxo, sem dúvida. E talvez haja também consequências legais envolvidas (peso na consciência?). É como quando algumas pessoas dizem que a vida na prisão é pior que a pena de morte. Há um ponto aí, dependendo da perspectiva do observador. Pessoas inocentes podem ser libertadas, mas não podem ser ressuscitadas. Talvez um fascista coxo possa mudar seus costumes, ou talvez você apenas quer que ele sofra. Talvez você durma melhor à noite sabendo que “só o deixou coxo”. Ler a mente de alguém é um exercício fútil, então pararei por aqui.

Mas por que disparar na cara de um fascista seria mais “grave”, mais “vingativo e sombrio”? (“Ma sarebbe stato anche più pesante. Più vendicativo e più cupo.”) Bonnano passa a falar da piedade dos revolucionários, levando em consideração que a revolução está longe de ser piedosa. Para ele, estão apenas de fofoquinha, para se divertirem contra a máquina cinzenta que busca nos oprimir, e outro monte de blá blá blá insurrecional sobre ter esperança, mas sem realmente ter esperança, lutar, mas se divertir ao mesmo tempo, etc. Tudo se resume em ultrapassar estas dicotomias, e é por isso que a coisa menos grave é mais divertida enquanto que a coisa mais sensível (disparar na cara e eliminá-lo) é de alguma forma a coisa mais moral, o mais “sombrio”, e o menos subversivo.

Mas, de acordo com alguns grandes insurrecionalistas sem insurreição, ainda mais subversivo é não fazer completamente nada e fingir que o mundo “normal”, o mundo em que se vive de fato, o de milhões de pessoas, simplesmente não existe. Veja você, tudo se trata de fugas binárias, bem e mal, revolução e vida real, natureza e civilização, o Eu e Você, o Um e os Muitos, etc., apenas afirmando que não existem. (Isso me lembra a história talvez apócrifa da Rainha Vitória apagando a Bolívia do mapa após o Embaixador de Sua Majestade Real ter sido expulso do país e posto nas ruas montando um burro como forma de humilhação). Veja como tudo se trata da percepção; estar consciente em oposição e ser “inconsciente” (estar acordado* NdT 1, como as crianças dizem nos dias de hoje). E neste sentido, fazer qualquer coisa que se assemelhe remotamente ao terrorismo, violência revolucionária, ou mesmo a violência criminal, é cair nas mãos do Binarismo Opressor. Em sua bolha, se você denuncia o Binário desde o começo, você vencerá e terá transcendido. Sim, eu também sou um bastardo em minha imaginação. Meus amigos imaginários também pensam que sou especial (“Insurrecionalistas sem insurreição” me lembra a caracterização do comunista Bukharin dizendo que o anarquista é um liberal com uma bomba. Você pode fazer a aritmética sozinho). Foi aproximadamente na metade da minha vida, mas ainda posso me lembrar da Ideologia Alemã e processando o jovem Marx, seu ponto principal era que a refutação de algo no abstrato não destrói aquilo no mundo físico. Eu não vou entrar em toda a polêmica do “São Marx”, mas vou tentar citar Teses sobre Feuerbach encima de outra problemática hegeliana que o autor comunista aborda:

“O problema de saber se ao pensamento humano pode ser atribuído uma verdade objetiva não é um problema teórico, mas um problema prático. É na prática que o homem tem que demonstrar a verdade, isto é, a realidade e o poder, a mundanidade de seu pensamento. O litígio sobre a realidade ou irrealidade de um pensamento isolado da prática é um problema puramente escolástico…

A vida social é, em essência, prática. Todos os mistérios que levam a teoria ao misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão desta prática.”

Vamos salvar o leitor de toda a questão de “o ponto está em mudar isso”. Outro marxista (Trotsky?) resumiu o princípio mais sucintamente dizendo algo como (parafraseando): “Quando uma ideia busca o controle das massas, se converte em uma força material.” Não importa se uma ideia é “falsa”, se existe um deus ou não, etc. Deveria importar, mas realmente não é assim. Se as pessoas estão prontas para matar ou morrer por ela, é uma realidade física, pode até ser uma realidade física superior (um deus?). O progresso, por exemplo, pode ser um fantasma sem base na “realidade física”, mas essa ideia criou a Hidrelétrica das Três Gargantas na China: a crença firme na ordem, no futuro, na benevolência da dominação do homem sobre a natureza, νόμος sobre φύσις. Você se negar a lidar com isso e retrair sua própria imaginação e opinião significa simplesmente que você acaba protegido por sua fortaleza de opiniões intransponíveis. Isso parece uma vitória pírrica, se é que alguma vez existiu uma.

Mas vamos voltar ao tiro na perna: não poderíamos dizer que este “prazer” está infectado pela ideologia neo-cristã, como um malware criando um backdoor no software insurrecional? Por que não é divertido ver cérebros escorrendo pelo oco de um olho, mas ver um fascista se contorcendo de dor porque lhe espatifaram a patela é legal? Pode ser que haja medo que te considerem um psicopata por matar alguém, mas regojizar-se por deixar alguém coxo não deveria te catalogar no status de psicopata, é? (explique isso para uma pessoa comum para ver se compram a ideia). Não poderia ter nada a ver com todo o assunto de “Não Matarás”, certo? Ou o monopólio absoluto sobre a vida e a morte que o Rei, o Estado, etc., reivindicaram sobre as pessoas por milênios no contexto europeu? Talvez estas pessoas deveriam começar a ser honestas consigo mesmas, mas provavelmente não o farão. Elas não deveriam se surpreender, em todos os casos, quando algum de seus compas chegue a conclusão de que todo o derramamento de sangue é “fascista”, ou se alguns mais ainda confusos flertam com os “movimentos sociais” que promovem a intervenção do Estado para desarmar todo o mundo.

A moeda humana, mesmo para o mais fervoroso insurrecionalsita, para o traidor da espécie mais entusiasta, é preciosa demais. Não vamos invalidar esta moeda, eles exortam; ao fazê-lo, a pessoa cai no cálculo moral da sociedade. Ao ser imoral, reverencia-se a moralidade, em oposição a ter a atitude correta, a “consciência correta”. Uma percepção tão alta pode tornar a travessia de uma rua um ato revolucionário, pode criar abundância do nada, pode partir o mar. Mas em termos de desafiar o humanismo inerente, o cristianismo inerente a todas as ideologias “radicais”, não podemos fazer isso. Desculpe, não vamos prestar-lhes atenção, e seguiremos com a próxima moda da semana que prometa salvar uma sociedade que não quer ser salva, ou ao menos nosso confortável lugar nela.

Atirar no joelho é atirar nos ramos mais altos. O atacante está claramente perturbado por algo a ponto de usar a violência. Por que você quer ferir essa pessoa? Por que ela tem poder? Quem lhe deu esse poder? Ou quem consente que o tenha? Há mais de “nós” que “deles”, certo? Com quem você realmente está zangado? Você realmente acha que matará a árvore se você podar o suficiente? O que te impede de atirar na raiz? Quando você se vê de frente para o indivíduo e para o coletivo, o que te impede de apontar mais alto, acima dos joelhos, na direção de onde o problema realmente está? Além do bode expiatório para a Massa amorfa que o mantém em sua posição de poder?

Nota do Tradutor:

1. A palavra usada em inglês é “woke”, termo político de origem afro-americana que se refere a uma consciência perceptiva respeito à justiça social e a justiça racial. Nas acepções mais modernas do termo, é usado para falar de consciência social em termos gerais.

Secret Forest Society Plans to Kill Bolsonaro

Extraído do site da organização ecológica Deep Green Resistance.

Jair Bolsonaro, Brazil’s openly fascist President, is loathed by groups who care about preventing climate collapse and protecting the Earth’s last healthy ecosystems. According to the Guardian, Bolsonaro’s policies are now resulting in 3 football fields per minute of rainforest destruction, and scientists fear that the Amazon is reaching a critical tipping point, beyond which it will be impossible to save. If that “point of no return” is breached it will result in massive forest fires, which will release an immense amount of sequested CO2 into the atmosphere, accelerating climate collapse and annihilating one of the Earth’s sources of oxygen. Violence is also increasing and loggers have begun killing indigenous leaders and resistors from the over 400 tribes who call the forest home. Bolsonaro has overseen major funding cuts and firings at the Brazilian indigenous affair agency, which has gutted the few remaining governmental protections for these people.

Presumably this is why the Secret Forest Society (Sociedade Secreta Silvestre) have now targeted Bolsonaro for assassination. Two weeks ago, Veja Magazine interviewed one of the leaders of the Secret Forest Society (SSS), a branch of an international organization called the Individualists Tending Toward the Wild (ITS). The leader, identified as Anhangá, claimed that Bolsonaro was supposed to be executed on the day of his inauguration, but they were temporarily foiled by an unexpected security presence. Since then Bolsonaro has cancelled several key events, including an open car parade. Anhangá stated “We could easily blend in and carry out this attack, but the risk was enormous (…), so it would be suicidal. We didn’t want that.”

It is unclear how or when the Secret Forest Society plans to assassinate Jair Bolsonaro, but their affiliates in the ITS have been linked to letter bombs, University explosions, and the successful assassination of a biotechnology researcher. Their organization claims to stand up against people and systems that lead to environmental destruction, and they advocate for using extreme measures against nature’s enemies.

A Amazônia Queima, e Queima Também a Consciência dos Híper-civilizados

Texto traduzido do blog Maldición Eco-extremista.

A Amazônia arde, já é notícia mundial. O fogo avança e queima tudo, e os híper-civilizados temem… Os alarmes estão ligados e nas redes sociais todos gritam aos céus: por que ninguém faz nada? Nosso planeta está morrendo!

Parece que a consciência mundial sobre o estado catastrófico em que submergimos o mundo está despertando, EM 2019! Lamentamos informar que já é tarde demais para isso, e “nosso planeta” está desgraçadamente condenado, ou melhor, “nosso mundo”, porque o planeta seguirá adiante sem nós.

Mas nós os parabenizamos, já que conseguiram fazer com que a Amazônia se tornasse trending topic no Twitter, certamente os animais mortos estarão agradecidos, e não há dúvidas de que a partir de amanhã começaremos a ver como as árvores se regeneram com base em likes e compartilhamentos. Que piada de merda…

Há algo que não resta dúvidas, a fúria é uma resposta adequada à devastação, mas não a que se indigna, sim a fúria que queima, que detona e que castiga.

Todos os dedos apontam a Bolsonaro como o maior culpado, e embora seja o caminho mais fácil, não se pode negar que o bastardo está particularmente ligado à acelerada destruição ambiental, no entanto, quantos vão além das palavras? Até onde sabemos, apenas um grupo esteve planejando a execução do bastardo. Se perguntam qual é?

Já faz muito tempo que nós vimos a crueza deste mundo, e se alguém precisa que toda a Amazônia seja queimada para se dar conta disso, que assim seja, desde que a resposta seja proporcional. O tempo das lamentações acabou, como os guerreiros da ALF já disseram: se não é você, então quem será? Se não for agora, será quando?

Ataca, queima, assassina!
Que a raiva se traduza em ódio misantrópico!
Morte à humanidade moderna!

Alguns vídeos para entender os últimos acontecimentos na região amazônica.

Sobre o Eco-extremismo

Texto extraído da sexta edição da Revista Ajajema.

Minha relação com o eco-extremismo passou por muitas etapas ao longo dos anos, e recentemente senti uma espécie de necessidade de fazer uma reflexão pessoal sobre a tendência e minha relação com ela. Como uma nota destacada, o eco-extremismo não é um tema monolítico. Foi entendido de diferentes maneiras, até mesmo por aqueles dentro da própria tendência. Consequentemente, não pretendo oferecer nenhum comentário definitivo, apenas reflexões sobre minhas próprias abordagens (teóricas) com o eco-extremismo como uma tendência de ação e pensamento anti-civilização.

Antes de minha mais recente virada rumo à uma perspectiva mais “anti-civ” (um termo que chegou a me desagradar porque é muito amplo e inclui uma bagagem desagradável), minhas raízes se alojavam firmemente nos campos ideológicos do esquerdismo contemporâneo. Eu provavelmente teria me declarado como uma espécie de Marxista Libertário se tivessem me perguntando. Sustentei a doutrina do progresso, acreditava na delicada luta por um amanhã melhor, o futuro utópico. E fui, embora com relutância, um humanista, acreditava em uma espécie de bondade subjacente ao ser humano que poderia ser descoberta ou atualizada se apenas os meios de produção fossem liberados de suas contradições, derrubados, ou alguma outra merda como essa.

Eu encontrei alguns laços com o que agora sei que eram versões do anarco-primitivismo inspiradas por Zerzan, mas geralmente achava ridículo por várias razões. Mas minha primeira introdução ao eco-extremismo veio de uma série de trabalhos teóricos de um escritor eco-extremista sob o nome de Chahta-Ima. Muitos desses textos exploravam as nuances e as bases filosóficas da tendência. Eu encontrei nos escritos de Chahta-Ima e em grande parte do resto do material ligado à tendência (Revista Regresión, os comunicados de ITS e Reacción Salvaje, Atassa, etc.) algo que ressoava profundamente tanto em meus crescentes desacordos com toda a visão do mundo progressista e humanista e com a monstruosidade histórica que ele gerou, como com minha crescente reverência pelo inumano.

Em um nível teórico (e nível prático, no que diz respeito a isso) o eco-extremismo foi e ainda é um punhal frio no coração das estruturas filosóficas e materiais que sustentam o mundo progressista e humanista. Desde as desconstruções da filosofia humanista e progressista até a explosão de cada artefato incendiário, a tendência é uma manifestação visceral do rechaço violento da ordem existente.

Além de sua marca particular de “anti-modernismo violento” (por falta de um termo mais apropriado) os escritos expressam uma bela forma de reverência às raízes do inumano em grande parte por uma tentativa de reivindicar as crenças animistas/pagãs e seus correspondentes laços ancestrais com a terra, bem como um antigo legado de resistência violenta contra o avanço do progresso. Estas questões são amplamente desenvolvidas nas etapas de atividades eco-extremistas definidas pelo desenvolvimento de Reacción Salvaje e o trabalho articulado em vários números da Revista Regresión, e se mantiveram realizadas no ressurgimento de ITS, que ainda se sentia de várias formas em dívida devido suas ligações anteriores com Kaczynski, apesar de seu distanciamento teórico e prático com ele (para uma revisão muito detalhada deste período leiam “Rumo à Selvageria“, de Abe Cabrera).

Em suma, a tendência representou e segue representando uma manifestação ideal e material do ataque implacável contra a ordem da civilização moderna e todas as suas instâncias. Como disse um escritor eco-extremista, e assim os esforços pessimistas, niilistas, inumanistas do eco-extremismo são os pesadelos que atormentam os sonhos que constituem as fundações de todo o ideal humanista e progressista. A criança se contorce diante dos monstros que vêm à noite, subindo nas penumbras de seus sonhos para aterrorizá-la e destroçar suas mais preciosas fantasias. E ela chuta e grita e acorda suando frio de seu sonho, tremendo, por temor aquele mundo sombrio e impiedoso.

Tem sido principalmente estes elementos mencionados anteriormente que me acompanharam por mais tempo ao longo de minha aproximação da tendência, a veemente rejeição dos pilares da sociedade moderna e uma profunda reverência ao inumano. O realismo endurecido do rechaço eco-extremista pelos sonhos vazios do progresso (seu severo rechaço pelo futuro) e pela idolatria em direção ao humanismo (seu abraço à beleza profunda do inumano e seu rechaço aos delírios modernos sobre a superioridade humana) reflete e segue refletindo minha crescente convicção de que uma grande parte do projeto progressista/humanista era baseado em nada mais que escassas abstrações da mente humana. Uma espécie de obsessão com os sonhos nascidos nos sombrios confins da mente humana que jamais poderiam ser alcançados, quer sob a forma de nosso solipsismo moderno que nos cega para a beleza profunda do inumano com mentiras sobre a nossa própria significância ou a luta interminável por aquilo que está sempre no horizonte, o glorioso futuro que nunca haverá porque não existe em nenhum outro lugar a não ser na mente humana.

Certamente, estes pontos não são únicos do eco-extremismo, e eu fui exposto a eles em outro trabalho, mais significativamente no contato com as obras do poeta americano Robinson Jeffers e suas explicações sobre a filosofia do “inumanismo”. Eu também encontrei estes sentimentos incrivelmente poderosos nos escritos de Jeffers e provavelmente devo muito da mudança em minhas visões à perspectiva que me foi aberta por sua poesia. E assim, encontrar os mesmos sentimentos articulados nos escritos eco-extremistas (embora com uma dose mais saudável violência) foi igualmente comovente para mim e certamente me levou a uma ressonância mais profunda com as bases espirituais e filosóficas com eco-extremismo.

Curiosamente (ou talvez pouco surpreendente) é também neste aspecto, a maneira na qual o eco-extremismo se posiciona como uma crítica adequadamente sutil e poderosa às bases do progressismo e do humanismo, que é consistentemente pouco abordado na maioria, senão todas as críticas contra a tendência. A maior “disputa” contra o pensamento eco-extremista no mundo da língua inglesa foi, sem dúvida, devido a publicação da revista Atassa: Readings on Eco-extremism, nos volumes 1 e 2. Enquanto as publicações tem sido experiências diferentes para as distintas partes envolvidas em sua produção, algo que elas experimentaram da mesma forma além daquelas variadas intenções é um encontro violento para a paisagem ideológica contemporânea das políticas “radicais”, volumes que trouxeram à conversa o que o eco-extremismo vem dizendo (e respaldando com a ação) ao sul da fronteira. Bem, um encontro e também uma tempestade de fervorosa merda entre as filas da esquerda, a maior parte sendo só barulho e raiva, significando nada.

Para ser honesto, a estas alturas perdi o rastro de todos os furiosos escritos sórdidos com observações moralistas vazias para denunciar o “mal” que é o eco-extremismo, e ao mesmo tempo redobrando suas apostas contra as mesmas estruturas que o eco-extremismo tenta sangrar. Tudo isso parece ser entendido pelos anarquistas e sua classe como uma “competição” contra a tendência, “lidando com as perguntas difíceis”, ou algo assim. Ou é a verdadeira estupidez ou a conscienciosa ignorância para não ter que enfrentar algo que é verdadeiramente desafiador, em vez de um reforço superficial das fantasias reconfortantes que orientam e dão sentido ao ethos do mundo moderno. Dois volumes de barulho, e em todo caso, ainda não vi realmente nenhuma contestação verdadeiramente crítica aos questionamentos da filosofia humanista e progressista. E não é que o trabalho não esteja lá, há uma cuidadosa articulação realizada por um número de teóricos eco-extremistas para ampliar a plataforma filosófica do eco-extremismo. Mas suponho que não deveria ficar terrivelmente surpreso com a resposta do eco-extremismo. Não é e nunca quis ser uma marca de atração massiva. Não é uma reunião confortável. Encara sem piedade o coração do mundo moderno com uma navalha fria e um sacrifício de sangue para queles deuses sombrios além do reino do ser humano. Com o tempo, aprendi a deixar que essa reação seja o que é, os solavancos e gritos da espécie quando a arrancam de seus confortáveis sonhos e a colocam cara a cara com os poderes sombrios do mundo.

Rememorando o tempo que passei lidando com o eco-extremismo, descobri que é uma tendência para a qual não posso evitar sentir afinidade. Certamente há elementos que não aceito de todo o coração, e como indiquei na introdução, não é e nunca foi um assunto monolítico. À medida que a tendência cresceu ao longo dos anos, desenvolveu numerosas tensões dentro de si mesma. Esta é uma parte inevitável do crescimento, suponho. Versões de um niilismo misantropo mais retumbante, desprovido de uma reverência estilo animista/pagão tem se desenvolvido de uma aceitação mais profunda do niilismo e o egoísmo, uma aceitação do extincionismo e ideias semelhantes foram desenvolvidas na medida em que a tendência foi se expandindo. Eu pessoalmente não acho essas permutações muito interessantes, e eu expressei meus próprios problemas com o niilismo misantrópico, por exemplo, pelo menos no que me diz respeito. Também tenho dúvidas do que considero que são problemas não abordados nas bases filosóficas do extincionismo que provavelmente levariam a uma análise mais longa no futuro. Mas, no entanto, além da minha dúvida pessoal em relação a certos elementos, sempre encontrei nas minhas abordagens das bases filosóficas e espirituais da tendência algo que, além de todos seus elementos “problemáticos”, simboliza algo profundamente belo. No violento rechaço a nosso predicamento moderno e a reviravolta na direção da vasta e incompreensível glória do inumano, algo profundamente comovente é encontrado. Eu não sou um eco-terrorista. Passo meu tempo caminhando pelo bosque, escrevendo e tirando fotografias em vez de fazer bombas. Mas em sentimentos como este, não posso deixar de sentir uma profunda afinidade:

[O Homem Moderno] nunca se ajoelhará diante da imensidão e força da Natureza Selvagem e toda sua beleza, esplendor, sabedoria e riqueza. Sempre buscará manipular e dominar o Desconhecido, nomear o Inominável e desafiar sua fúria. Ele ousará colocar suas mãos sujas em tudo aquilo que é belo e vivente para arrancar as entranhas da Terra e impor seu mundo cinza, barulhento e cheio de fumaça. Nunca será capaz de compreender a beleza das constelações, o sabor das águas naturais, a serenidade dos bosques, o silêncio da noite, o mistério que é o desconhecido, a canção do animal no fundo do bosque, o movimento do vento, os cursos dos rios, a fúria das tempestades, o infinito dos céus, nunca. Enquanto caminhe pela Terra ele sempre trará vergonha para os Espíritos da Terra, pavimentando tudo o que é vital até que não haja nada mais além de suas metrópoles sujas e secas.

Vagabundo

Texto extraído de uma das edições da Revista Ajajema.

Como um egoísta com uma personalidade veementemente antissocial e niilista, deveria ser bastante aparente que meus interesses, paixões e desejos se movem de forma completamente contrária aos interesses, padrões, leis e moralidade de qualquer sociedade ou estado. Sem estar disposto a ceder, retroceder ou comprometer-me por alguém, minha vida de criminalidade e excomunhão se iniciou em minha juventude, quando decidi que não desperdiçaria um segundo sequer de minha vida tentando ganhar aceitação ou aprovação daqueles que me rodeavam.

Por que eu deveria me importar em ser valorizado por outras pessoas que, francamente, me enojam por completo, e que odeio sua asquerosa existência humana tanto quanto a minha? Rechaço essa prática humilhante que constitui a fábrica social em sua totalidade, um tecido vil de fraqueza, imbecilidade, timidez e estupidez. Esta rejeição, em todo caso, não é passiva, é algo que eu sempre abordei com desprezo absoluto, hostilidade e frequentemente com atos de violência contra aqueles que tentaram se impor a mim ou a quaisquer correntes que flutuavam sobre minha florescente individualidade.

Na medida em que eu aprendi a viver por minha própria força de vontade, os muros carcerários da escola já não puderam me conter e nem a imundice pode me alcançar, então passei todo o meu tempo matando aula e inicialmente aproveitei este tempo livre recém-adquirido vagando por florestas e edifícios abandonados, escutando música, desenhando e escrevendo. Quando isso não era particularmente satisfatório, mergulhava mais fundo em artes mais sombrias e secretas. Dia após dia, a prática de furtos, invasão de propriedade privada, roubo e vandalismo se tornou minha vida diária. Uma reação a ser criada nesta desprezível sociedade que eu nunca poderia pertencer, uma sociedade que nunca respeitei ou tolerei nem o mínimo.

Então, quando eu era apenas um adolescente, senti o desejo de “fazer uma declaração” sobre todos estes pensamentos e sentimentos fervendo dentro de mim, então eu fugi de casa uma noite e me dirigi a uma igreja local. Coberto pelas árvores, escalei a cerca ao redor do edifício e ergui uma pesada pedra do chão. Eu a levantei com os dois braços e lancei com toda a minha força, destruindo a cabeça e os braços das estátuas nos jardins da igreja, aquelas mesmas estátuas que eu via ao passar caminhando quase todos os dias, e as mesmas que eu cuspia vis maldições de ódio e nojo. Depois de alguns minutos de uma excitante iconoclastia, percebi que estava fazendo muito barulho, então decidi fugir antes que um potencial herói pudesse intervir. Mais tarde, reconheci que aquela atividade noturna foi meu primeiro ataque direto motivado por razões puramente egoístas contra um símbolo e pilar institucional da civilização.

Soube naquele momento que era apenas o começo. Pouco tempo depois, por várias razões acumuladas em relação à minha hostilidade e à minha personalidade inflexível, abandonei a escola. Rejeitei a ideia de combater a servidão a partir de dentro e, por quase dois anos, mantive um teto sobre minha cabeça graças ao envolvimento em vários golpes pequenos e atos de fraude. Eu enchia meu estômago, juntando uma quantia relativa de dinheiro de tempos em tempos através do meu engenho, habilidades, enganos e com a ajuda de amigos. Mas comecei a ficar cada vez mais insatisfeito com esta miserável existência, jogando videogames, fumando maconha e indo a festas me embebedar. Naquela época também comecei a me identificar como “anarquista” em vez daquele outro rótulo que eu tinha “portado”, de misantropo. (Também acho engraçado ver como como isso fechou o círculo e mais uma vez abraço minhas tendências misantropas e rejeito o altruísmo alardeado pelos numerosos sacerdotes dentro dos tempos ideológicos do “Anarquismo”.)

Continuei buscando a emoção do crime e a aventura da rebelião. Então peguei minha confiável mochila e dei um passo mais adiante. Eu fui para uma floresta onde vivi entre outros “anarquistas” por alguns anos, e lá passei incontáveis horas com zines e literatura eco-anarquista, descobrindo várias habilidades através do autoaprendizado. A fim de reduzir minhas chances de ser pego e acusado mais do que o habitual pela polícia da região, rejeitei por um tempo as artes obscuras do roubo e comecei a me sustentar praticando freeganismo. Também aprendi a fazer fogueiras, construir abrigos e viver com o que a natureza tivesse para me oferecer. Aprendi a identificar e a preparar plantas comestíveis, e também a me mover rapidamente entre as árvores, sem ser visto ou escutado. Havia aprendido muito, e ainda sim queria seguir aprendendo e crescendo.

Então veio a inevitável colisão entre aqueles indivíduos e eu. Numa manhã brilhante e ensolarada, mal consegui conter minha alegria e emoção, me aproximei dos meus “compas” com uma cópia impressa do comunicado recém publicado do Núcleo Olga da Federação Anarquista Informal, reivindicando a responsabilidade pelo disparo no joelho de Roberto Adionfli, um pedaço de merda a serviço da empresa nuclear italiana Ansaldo Nucleare. Apesar de ter sentido que compartilhávamos um desprezo mútuo pela indústria nucelar e pela sociedade em geral, eles ficaram revoltados com aquele corajoso ato de terrorismo e com a sua ousada afirmação, e soube aí que já não podia mais ter a verdadeira afinidade entre aqueles indivíduos e eu, então eu parti e os deixei com seu ativismo idealista e sua covardia anarco-social.

Depois de um particular encontro com os robôs da “lei e da ordem” da qual não darei mais detalhes, tive que fugir e retomar as artes negras mais uma vez, abraçando a vida de vagabundo “ilegalista”. Vivendo em permanente movimento. Já não tinha que me preocupar com a possibilidade dos policiais me reconhecerem, já que viajava de cidade em cidade, de costa a costa, de picos de montanhas até as margens de algum rio. Através do autoaprendizado adquiri mais habilidades vindas de gerações de canalhas e sem vergonhas, como por exemplo, usar disfarces que permitam uma pessoa atravessar cidades sem ser notado, deslocando-me sem deixar nenhuma impressão digital pelo caminho, sempre pedindo carona e utilizando bicicletas do mercado negro ou roubadas. Também comecei a praticar a arte de abrir fechaduras, extrair dinheiro de carteiras e o furto com a utilização de mais ferramentas e meios para alcançar minhas próprias metas e sem jamais submeter-me à ditadura moral-ética alheia e o sufocamento do trabalho.

Sou um marginal arrogante, inóspito e intolerante. Se me faço chamar “ilegalista” não é porque aderi a qualquer doutrina pré-estabelecida de “criminalidade”, não utilizo este termo como uma placa, pois creio que todas as identidades são mantos da civilização que reproduzem intermináveis papéis e ideais que só limitam a autodeterminação de minha individualidade no presente. Se me faço chamar “ilegalista” é porque sinto que viver contra as leis e a moralidade estabelecida por esta repugnante sociedade é a única forma que poderia viver sem sofrer a derrota da humilhação diária e o tédio, que são endêmicos da vida dentro da prisão que são estes sistemas que odeio, e se me faço chamar “ilegalista” é porque sinto muito fortemente que neste termo existe uma expressão muito compreensiva de meu implacável e desavergonhado ego.

“Fazia uma busca existencial eterna que parte desde mim, e nada mais. Devo domar a existência e não deixar que a existência me dome. Sou uma semente da civilização e seu veneno ao mesmo tempo…”

[VÍDEO] Próximo trabalho sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Em breve será disponibilizado na web um trabalho sobre ITS editado por Jake Hanrahan, jornalista e cinegrafista especializado em guerras modernas. Jake dirige a Popupar Front e já realizou diversos documentários e vídeos sobre grupos terroristas e guerrilhas ao redor do mundo. Jake já abordou ITS em outra ocasião durante um podcast com John Jacobi, confira neste link.

Abaixo a prévia do trabalho.

[ES – PDF] Revista Ajajema N° 7 – Contra El Progreso Humano Desde El Sur

Todas as edições neste link.

Editorial

Mais uma vez saímos, novamente nossas letras e nossa propaganda vem à luz. Seguimos incansáveis em nosso caminho de apologia e difusão em nome das siglas do caos; ITS. Das sombras, do mais feroz anonimato, continuamos editando nossas páginas, páginas destinadas e orientadas a aguçar a guerra das tendências eco-extremistas e misantropas/niilistas.

Há seis meses de nosso último número, na época com o sol queimando forte e temperaturas ardentes… Hoje, no inverno de 2019 da era do crucificado, nossa Revista Ajajema aflora mais uma vez. O sul está congelado e seu frio congela os ossos, a chuva transborda rios e converte suas ruas em rios civilizados… Nossa edição responde a esta inclemência, a este processo selvagem, em nome do clima voltamos a surgir como propaganda terrorística, apologizadora de atentados e assassinatos. Oh! Frio majestoso, assassino de homens, em teu nome escrevemos. Oh! Chuva indiscriminada, sabotadora de cidades e inimiga da humanidade moderna, por ti e por tua fúria nós editamos.

Contemplamos a cordilheira mais branca do que nunca, as ânimas da neve embranquecida falam conosco, estão furiosas, nos lembram o nosso caminho e sussurram em nossos olvidos; vingança! Os irmãos já responderam a este chamado… Você o escutou? Aquele sussurro? Tente não ficar sem resposta…
*
Muitas coisas aconteceram desde a nossa última edição, atentados, egos, pólvora, sigilos, amuletos… a Máfia ITS. Os individualistas extremistas ainda estão íntegros e à espera, pacientes e sempre em tocaia, livres e selvagens como o vento que atinge as estruturas civilizadas. Por pouco os irmãos da HMB juntamente com os cúmplices da SVS não matam aquele maldito da Metro de Santiago, por pouco não o desfiguram, por pouco não cravam parafusos no corpo de sua esposa ou filha.

Sabemos que os aparatos de inteligência chilenos e internacionais estão cientes do que dizemos, portanto, ouçam atentamente seus pedaços de merda; no Norte, no Sul e do outro lado do oceano, os irmãos caminham, pensem que paramos, que abandonamos a guerra, mas quando verem e escutarem o estrondo da bomba ou observarem as chamas ardentes do fogo, não se surpreendam… Vocês e todos seus aparatos tecnológicos, seus milhares de peritos especialistas em bombas e seus senis especialistas em terrorismo tenham cuidado conosco.

Porque a Revista Ajajema têm a bênção do antigo, seguimos as ordens do Desconhecido. Ajajema é, e sempre foi, Terror incivilizado, Ajajema é letra e é imagem, Ajajema é guerra, Ajajema é… ITS-Sul.

Sempre em tocaia, reunindo, buscando e analisando, nos espreitamos, aguardamos a ordem do Oculto, seu mandato será obedecido e praticado, esperem, esperem-nos…

Da total impunidade, das sombras praticamos o terror, ocultos sempre, bombas e revistas à civilização!

Morte ao progresso da humanidade!

Morte à sua vida civilizada e a seus habitantes fedorentos!

Viva a guerra dos irmãos de ITS no norte, no sul e no outro lado!

Individualistas Tendendo ao Selvagem – Chile

– Grupo Ajajema: Letras do Caos
_______________
Conteúdo:

Poemas de Shagnessy
-Arboles
-Canción del mundo
-Sobre la tragedia
-Teología I
-Teología II
Moribundo anarquismo verde
Cuentos Kawesqar
-Cuento del Martín pescador
-Cuento del cisne de cuello negro
-Cuento de los sapos
Artículo Sobre Violencia De-colonizadora y Eco-extremismo Para la Conferencia ASN del 2018
Fiera
Theodore Kaczynski Revolución anti-tecnología: por qué y cómo, Una evaluación crítica
El Llamado de las Guerreras
Un Demonio Entre Ustedes
El Terrible Autoritario y la Terrible Union de Los Egoistas
Desvarío Antihumano
Apología del Caos
Hijos de Ted
Cronología Maldita
(Kawesqar) La Jornada de los Nómadas Acuáticos
El Credo Satánico
Paroxismo en el Delirio Nihilista
Los Eclipses en Karukinka

DESCARREGUE em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

[VÍDEO] Bolsonaro na mira de grupo terrorista?

Vídeo pertinente de se assistir. Apesar de se concentrar nas ameaças do grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem – Brasil (ITS-Brasil) a Jair Bolsonaro divulgadas numa reportagem da Revista Veja, os apresentadores conseguem realizar uma interpretação bastante interessante de algumas questões ao redor do grupo e fazem uma análise mais séria do fenômeno eco-terrorista em ascensão. Dentre os destaques está a coesa análise do significado do nome “Anhangá” e suas interpretações. Anhangá é membro proeminente da Sociedade Secreta Silvestre (SSS), facção brasileira de ITS. Os apresentadores fazem uma pequena cronologia dos recentes ataques de ITS-Brasil, suas ameaças que chamaram bastante atenção e suas motivações, estritamente ecológicas e inumanistas.

Grupo ecoextremista reclama do agronegócio em MS e promete ataques neste ano

Replicamos aqui uma entrevista de Individualistas Tendendo ao Selvagem – Brasil (ITS-Brasil) concedida ao jornal eletrônico matrogrossense Mídiamax. A facção brasileira da organização eco-terrorista, a Sociedade Secreta Silvestre (SSS), contestou alguns pontos pertinentes levantados pelo jornal.

Foto encaminhada pelo ITS-Brasil.

Por e-mail criptografado, Anhangá falou com Jornal Midiamax sobre a situação dos agrotóxicos no Estado.

Por uma caixa de e-mail criptografada na Suíça, Anhangá, personagem conhecido nesta semana após relatar à Revista Veja que o grupo terrorista planeja atacar o presidente Jair Bolsonaro (PSL), revelou ao Jornal Midiamax que Mato Grosso do Sul é visto como um ‘inferno do agronegócio’ para a SSS (Sociedade Secreta Silvestre) e garantiu que o grupo planeja ataques para este ano no país.

Integrante de um grupo que se autodenomina eco-extremista, a sociedade faz parte do grupo terrorista internacional ITS (Individualistas que Tendem ao Selvagem), defendendo a natureza, contrária ao modo de vida atual, que prioriza a produção em larga escala em detrimento do meio ambiente. Para combater o modo de vida atual, a SSS quer difundir ‘guerra psicológica’ e afirma já ter sido autora de três ataques a bomba em Brasília.

“Uns danam colossalmente, outros danam pouco, mas todos danam e não fazemos distinções, e toda esta estrutura tecno-industrial só se sustenta porque há civis operando e a defendendo”, relata Anhangá.

Mas apesar de manter 83% da cobertura vegetal nativa, o bioma Pantanal tem apenas 4,6% da área protegidos por unidades de conservação, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Terra da ministra do Agronegócio, Tereza Cristina (DEM), alvo de críticas após a liberação de agrotóxicos neste ano, o Jornal Midiamax conversou com Anhangá, que significa ‘espírito que protege os animais’, em tupi-guarani, sobre as questões que preocupariam o grupo extremista.

Ele seria um dos líderes do grupo e morador de Brasília, procurado pela Polícia Federal desde o vazamento do planejamento dos ataques ao presidente da República. Na troca de mensagens, é possível perceber que a Sociedade é pequena e que teria poucos recursos para planejar grandes ataques, como admitem.

Do contato inicial da reportagem com a organização terrorista internacional ITS no México até a primeira resposta de Anhangá a reportagem, foram dois dias. Por meio do representante, a organização revela se preocupar com a devastação do ecossistema do Pantanal e do Cerrado e afirma não ter lado político, apesar de não reclamar da visibilidade trazida pela reportagem da revista de circulação nacional para o pequeno número de membros no país.

O grupo eco-extremista reencaminhou o contato da equipe de reportagem a Anhangá pelo e-mail criptografado, nos respondendo que a mensagem já havia sido enviada ao representante do ITS no Brasil.

Anhangá, então, entrou em contato da sua caixa de e-mail criptografada com a da reportagem. Ao contrário do processo de produção da matéria da revista, quando ele encaminhou um link para um chat privativo, em que as mensagens eram destruídas após 24 horas.

Em troca de e-mails com a reportagem, Anhangá encaminhou imagens da SSS e de explosivos feitos pelo grupo.

Dois dias antes de a Revista Veja publicar uma possível nova ameaça ao presidente, o site oficial do ITS, Maldición Eco-extremista, divulgou um comunicado enviado pelo braço brasileiro do grupo intitulado Destruindo uma invenção política com o nosso nome”.

O texto tentava desligar qualquer atentado do SSS a ligações com a esquerda ou direita políticas. No entanto, Anhangá não negou em entrevista ao Jornal Midiamax o ódio ao que chama de ‘posturas cínicas’ do governo de Bolsonaro. O grupo também encaminhou fotos de dois explosivos que estariam sendo produzidos para serem utilizados ‘a qualquer momento’.

Ao Jornal Midiamax, Anhangá encaminhou fotos de explosivos feitos pelo ITS.

As mensagens foram reproduzidas na íntegra, mantidos os erros de digitação e de grafia.

Qualquer um pode ser alvo

“Uma coisa que deve ficar clara é que ITS não é um grupo que visa exclusivamente atacar governos, sejam eles quais forem, até porque isso gera um enorme trabalho e custo, algo que ainda não podemos bancar. Uma visão sobre nós está sendo moldada neste sentido, e está equivocada. Nós como eco-terroristas que somos podemos visar uma infinidade de alvos, desde um simples carro até pesquisadores, estudantes ou até civis, dado que desprezamos a vida humana civilizada e consideramos que a humanidade moderna, com o seu estilo de vida, é irreconciliável com a natureza selvagem e intrinsecamente danosa. Portanto, esperem por qualquer alvo. ITS como um grupo eco-extremista internacional já atacou presidentes de megaempresas, mas também atacou civis comuns indiscriminadamente, e todos sob o mesmo impulso. Uns danam colossalmente, outros danam pouco, mas todos danam e não fazemos distinções, e toda esta estrutura tecno-industrial só se sustenta porque há civis operando e a defendendo, conscientemente, por mais que neguem que assim seja, sobretudo os esquerdistas. Então, os alvos são infindos. Governos, sejam eles quais forem, sempre foram danosos, afinal o progressismo sempre foi buscado e ele é alcançado apenas através de danos graves à natureza, como mineração, desmatamento, barramento de rios, monoculturas, etc.. Acontece que o novo governo ressignificou o interesse em danos, nos parece proposital e há muito cinismo. Olhe aquele Salles, como é cínico. Bolsonaro fazendo papel de estúpido quis rebater esta semana dados objetivos do INPE com a intenção de negar o abissal desmatamento que ocorre no país. Então, é custoso visar alvos do governo e raramente o fazemos, mas esse governo tem nos enfurecido de uma maneira bastante particular devido a suas posturas cínicas e explícitas referente a questões ambientais”.

Liberação de agrotóxicos

“Não defendemos qualquer tipo de agronegócio, tampouco agrotóxicos, nossa perspectiva é outra. Mas é odioso o que esta pessoa tem feito, defender e liberar dezenas daqueles produtos químicos, muitos deles periculosíssimos e condenados em outros países. As consequências destes produtos sempre foram drásticas, sendo abruptas ou lentas, por “menos nocivos” que fossem. Sabe-se hoje que o declínio de insetos, especialmente aqueles polimerizadores, tem relação direta com a aplicação de pesticidas. Não é atoa que vulgarmente os chamam de “veneno”. Este país é um dos que mais consomem agrotóxicos no mundo, são toneladas todos os anos, estes produtos contaminam solos, rios, córregos, matam animais e insetos e se impregnam nos alimentos distribuídos. O resultado, além dos danos graves à natureza, são doenças neurológicas, câncer e tantas outras enfermidades. Mato Grosso é um inferno do agronegócio, e o Pantanal é rico e diverso, e como qualquer outro ecossistema neste país, especialmente o Cerrado, está ameaçado pela agropecuária. Tereza Cristina é como uma outra Kátia Abreu, a nova “rainha do motosserra”, e não hesito em dizer que será tão pior quanto.

Para ilustrar melhor o absurdo enquanto terminava minhas respostas, tive que voltar nesta pergunta para atualizá-la, já que hoje, 22 de Julho, acabo de saber que foi aprovado o registro de mais 51 agrotóxicos, totalizando 262, apenas neste ano, incluindo o Sulfoxaflor, inseticida do qual estudos mostram relação com o declínio da população de abelhas. Explosivos que dilaceram membros não são nada se comparados aos danos causados à natureza por nossa espécie’.

Ligações com o Paraguai

“Não existe nenhum membro de ITS no Paraguai. Mas já há algum tempo prestamos atenção no Exército do Povo Paraguaio (EPP), que inclusive realizou um interessante ataque há pouco tempo através de um braço indígena da organização, matando um brasileiro e causando danos materiais. Mas não temos qualquer tipo de contato ou relação com o grupo, há inclusive completa divergência em nossos caminhos, apenas tiramos lições da bela atuação destes insurgentes”.

SSS e PCC

“Não existem membros de ITS por “todo o país”. O grupo não possui esta dimensão. Quando emitimos aquele comunicado [de apoio ao PCC] estávamos apenas nos alinhando às intenções destas facções de atacar e retaliar autoridades e militares, já que um “salve geral” poderia ser dado a qualquer momento devido a transferência de líderes do PCC após planos de fuga frustrados. Se isso ocorresse, mesmo sem nenhuma ligação com o grupo, certamente atacaríamos contribuindo com as intenções caóticas da facção, porque diretamente isso contribuiria também com as nossas, caos e desestabilização da sociedade”.

Ataques planejados?

“Tem algo que sempre levamos em mente quando nos fazem esta pergunta. Em 1970 uma das informações cruciais para os militares alemães elaborarem um plano para aniquilar a organização palestina Setembro Negro na Alemanha, grupo terrorista que sequestrou e matou onze atletas israelenses, foi a quantidade de membros da organização. Durante as negociações na vila olímpica em Munique eles deixaram escapar seu contingente, e isso foi importantíssimo para uma contrainsurgência contra os rebeldes palestinos. Então jamais diremos quantos de nós existem, isso seria um tiro em nosso próprio pé. E sim, existem mais ataques planejados para este ano. Apenas aguardem.”