O que é o ITS, grupo eco-extremista que o governo do Chile acusa de atos terroristas

Publicação extraída da BBC.

Símbolo do grupo ITS no Chile.

Era meia-noite de terça-feira, 7 de maio, quando o presidente da Metro do Chile, Louis de Grange, recebeu um pacote em sua casa, no bairro de Las Condes, em Santiago.

O que parecia ser uma encomenda despertou suspeita, e ele decidiu chamar a polícia.

Quando o grupo especializado da OS9 dos Carabineros chegou à sua casa, o temor de De Grange foi confirmado: o pacote continha um dispositivo explosivo dentro.

O ataque frustrado ao presidente da Metro não foi um caso isolado. Em janeiro de 2017, um pacote semelhante foi enviado para o endereço do então presidente da Corporação Estadual do Cobre (Codelco), Óscar Landerretche, que não alertou a polícia.

A bomba explodiu e o gerente acabou com ferimentos no braço, antebraço e abdômen.

Em janeiro a detonação de um artefato deixou vários feridos.

Outro ataque aconteceu no dia 4 de janeiro em um ponto de ônibus da rede de transporte Transantiago, no centro da capital chilena, quando explodiu um artefato que deixou cinco feridos.

Quem reivindica a autoria desta série de ataques é o auto-intitulado grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

O ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick, chamou o ataque a De Grange de “ato terrorista”.

Mas de onde vem este grupo e no que acreditam?

Como afirmado em seu site, a organização é contra a “civilização moderna e o progresso humano, científico e tecnológico”.

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, com o presidente da Metro, Louis de Grange (à direita), para quem o explosivo foi enviado.

Para eles, estes são os “maiores responsáveis ​​pela devastação dos ecossistemas”, por isso são necessárias “respostas decisivas e extremas contra os responsáveis, isto é, contra a própria humanidade”.

Por meio de uma declaração pública, o grupo indicou que tinha escolhido De Grange para receber o explosivo por ele estar “no controle de corporações que destroem a Terra”.

Onde nasceu o grupo

O ITS nasceu no México em 2011, mas afirma ter presença não apenas no Chile, mas também na Argentina, no Brasil e em alguns lugares da Europa, como Espanha, Escócia e Grécia.

Em um comunicado publicado após o ataque frustrado contra o presidente da Metro, a organização afirmou que tinha laços com facções anarquistas argentinas e seria naquele país que vivia o “arquiteto da bomba”.

No México, foram atribuídos ao grupo ataques contra professores universitários que ensinam nanotecnologia e outras ciências relacionadas com o avanço tecnológico.

Os extremistas acrescentam, no comunicado, que não se limitaram a atacar apenas os responsáveis ​​pelo progresso tecnológico, mas também “meios de transporte público, profissionais, empresários, seguidores do catolicismo, veículos, máquinas, prédios, bancos, shopping centers, torres de telecomunicação, igrejas e grupos ambientais” que não compartilham de suas posições.

O Metrô de Santiago está entre os alvos de ITS.

“Esses grupos que não são sistêmicos e que são pequenos são muito difíceis de neutralizar porque a infiltração é quase impossível, então, é difícil saber o que eles pensam, qual é a sua ideologia e o que querem”, diz Hugo Frühling, diretor do Instituto de Relações Públicas da Universidade do Chile.

O grupo, além disso, teria relação com outros grupos anarquistas chilenos.

Preocupação

Há uma preocupação crescente entre as autoridades chilenas, já que o ITS fez um chamado para que sejam instalados explosivos em diferentes partes de Santiago durante o mês de maio.

Neste mês, completam-se dez anos da morte de Mauricio Andrés Morales Duarte, conhecido como “Punky Mauri”, um jovem anarquista que morreu depois que um explosivo detonou em sua mochila.

Até agora não há detidos pelo atentado a Landerretche, nem pela bomba colocada no ponto de ônibus da Transantiago e nem pelo frustrado ataque a De Grange.

Segundo Frühling, é muito difícil encontrar o perfil e saber como os membros desses grupos anarquistas operam.

ITS é um grupo radical que procura proteger o meio ambiente.

O acadêmico acredita que, sendo um grupo que opera além do Chile, a realização de uma colaboração policial internacional poderia ser “frutífera”.

Frühling diz que não está claro se esses grupos extremistas aumentaram no Chile.

“Ao ITS são atribuídas três ações em dois anos e meio, então, você não pode dizer que há um crescimento exponencial, embora o grupo possa estar participando de outras ações menos diretas ou visíveis, como ameaças ou estímulo a outras ações.”

“Então, sim, estamos enfrentando um perigo porque eles tentam causar danos por meio de atos que são claramente terroristas e isso é extremamente preocupante”, diz ele.

Alarme

No Chile, há preocupação especialmente sobre duas cúpulas importantes a serem realizadas no país no final do ano: a reunião mundial sobre mudança climática (COP25), que reunirá cerca de 22 mil pessoas, e o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que reunirá mais 15 mil.

Frühling diz que, embora ele não acredite que haja perigo para as autoridades que comparecerão a essas reuniões, é preciso ter cautela.

“As autoridades têm seus próprios serviços de segurança e filtrarão a entrega de pacotes ou elementos desse tipo, mas o que poderia acontecer, talvez, seria que outros participantes pudessem estar sujeitos a ações desse tipo”, diz ele.

O ministro do interior do Chile, Andrés Chadwick, condenou o ato e chamou-o de ‘terrorista’ .

Para dar mais ferramentas às equipes de investigação desse tipo de evento, o ministro do Interior anunciou que nesta semana o governo promoverá no Parlamento chileno uma emenda à lei antiterrorista que já existe.

“Condenamos veementemente esses atos, e os chamamos diretamente pelo nome: atos terroristas, que são atribuídos a grupos de natureza anárquica”, disse Chadwick após o ataque fracassado contra De Grange.

Desmembrados e comidos: aborígenes do México sacrificaram a aliados dos conquistadores espanhóis

Em 1520, cerca de 350 pessoas foram capturadas e, nos meses seguintes, homens, mulheres grávidas e crianças foram submetidos a distintos rituais.

Esqueletos de espanhóis sacrificados no museu de Zultépec-Tecoaque, no México, em 8 de outubro de 2015.

De RT:

Investigadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México revelaram as práticas que os Acolhuas, uma das comunidades originárias daquele país, submeteram a uma caravana de aliados do conquistador espanhol Hernán Cortés, cujo integrantes, tanto homens como mulheres grávidas e crianças, foram sacrificados, desmembrados e comidos em diferentes rituais.

Quatro anos após restos ósseos terem sido descobertos em Zultépec-Tocoaque, onde havia cerca de 36 mil peças arqueológicas, os especialistas obtiveram provas de que foi o que ocorreu com as cerca de 350 pessoas capturadas em junho de 1520. Nos seis meses seguintes, os Acolhuas fizeram cuidadosas seleções para o sacrifício e chegaram a comer alguns dos prisioneiros. Por essa razão, explicaram a partir do Instituto, Zultépec seria conhecido mais tarde como Tecoaque, nome que significa “onde foram comidos”.

“Os habitantes de Zultépec vão recriando os mitos de criação”, explicou o arqueólogo Enrique Martínez Vargas no colóquio “500 anos do desembarque de Hernán Cortés”, que foi celebrado nesta semana no México. Lá, ele acrescentou que um “exemplo” dessa prática aparece em “um enterro que representa o mito de Cihuateteo”.

INAH.

“Na oferenda temos um guerreiro, uma mulher cujo corpo foi cortado em dois, uma criança de três ou quatro anos desmembrada; e aos pés do guerreiro estavam localizados “troféus ósseos” pertencentes a quatro pessoas: fêmures, tíbias, fíbulas. Os restos ósseos da mulher, da criança e os “troféus ósseos” tiveram um tratamento cultural”, detalhou.

Um grupo multiétnico

A caravana capturada pelos Acolhuas tinha um caráter multiétnico, já que havia homens e mulheres europeus, indígenas de distintas regiões, mestiços, mulatos e zambos. Também levavam animais, como cavalos, vacas (ambos foram comidos), burros, cachorros e cabras. Os porcos foram sacrificados e oferecidos em um algibe.

Quanto aos cativos mortos, os arqueólogos revelaram que tanto as espanholas como uma mulata estavam grávidas. Para os Acolhuas, as mulheres que morriam no parto eram consideradas guerreiras, então acompanhavam o Sol em sua viagem através do submundo.

Por último, detalharam que a posição em que um guerreiro foi enterrado parecia recriar o mito do Quinto Sol, já que a ele foi ofertado um espanhol, que foi queimado e desmembrado.

Mauricio Morales é Caos e Misantropia

Reflexões do misantropo anarquista antissocial Mauricio Morales. Neste maio completou 10 anos de sua morte. O texto foi retirado do livro em seu nome.

A cidade é uma asquerosa sucessão de edifícios, bancos, quartéis, gente sem sangue nas veias, e para dizer a verdade, tudo isso me esgota bastante, já não quero manter minha vida no ritmo condensado desta estúpida ordem alheia a minha vontade, portanto estou planejando sair desta cidade em um futuro não muito distante. No entanto ainda me restam muitas pequenas e grandes “coisas” para terminar… o desejo de estar entre árvores centenárias me agrada muito, honestamente eu preferiria estar rodeado por uma floresta densa do que por tanto seres humanos fedidos e imundos, com exceção de alguns poucos irmãos. Para mim a raça humana deveria ser aniquilada, e pra dizer a verdade, até nós mesmos, já que considero que o ser humano é o maior inimigo da natureza, como agente destrutivo é o mais nocivo para o planeta e, portanto, merecemos o nosso próprio extermínio.

Aqui fora a coisa não é muito distinta, a maioria das pessoas se movem porque recebem ordens, não possuem vontades próprias, todos são robôs de carne, então a coisa não mudou muito, a prisões mentais são cada vez mais fortes e são poucos os que geralmente ultrapassam seus muros, o resto vive, cochila e morre, no entanto ainda há quem sonhe e ria.

– Mauricio Morales.

Ação humana pode exterminar um milhão de espécies, segundo estudos

O impacto dos seres humanos na natureza é devastador – seja em terra, nos mares ou no céu. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Muitas espécies de animais no mar estão em declínio devido à pesca indiscriminada, diz o estudo.

De BBC:

Segundo a organização, 1 milhão de espécies de animais e vegetais estão ameaçados de extinção.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Elaborada nos últimos três anos, essa avaliação do ecossistema mundial é baseada na análise de 15 mil materiais de referência e foi compilada pela Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês). São 1.800 páginas no total.

O resumo de 40 páginas, publicado nesta segunda-feira (6), talvez seja a mais forte denúncia de como os homens trataram seu único lar.

O documento afirma que, embora a Terra tenha sofrido sempre com as ações dos seres humanos ao longo da história, nos últimos 50 anos esses arranhões se tornaram cicatrizes profundas.

A biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%.

Expansão humana

A população mundial dobrou desde 1970, a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior.

Para alimentar, vestir e fornecer energia a este mundo em expansão, florestas foram derrubadas num ritmo surpreendente, especialmente em áreas tropicais.

Entre 1980 e 2000, 100 milhões de hectares de floresta tropical foram perdidos, principalmente por causa da pecuária na América do Sul e plantações de palmeira de dendê no sudeste da Ásia.

A situação dos pântanos é ainda pior – apenas 13% dos que existiam em 1700 estavam conservados no ano 2000.

Nossas cidades se expandiram rapidamente; as áreas urbanas dobraram desde 1992.

Toda essa atividade humana está matando mais espécies do que nunca.

De acordo com a avaliação global, uma média de cerca de 25% dos animais e plantas se encontram agora ameaçados.

As tendências globais em relação às populações de insetos não são conhecidas, mas foram registrados declínios acelerados em algumas regiões.

Tudo isso sugere que cerca de 1 milhão de espécies estão à beira da extinção nas próximas décadas, um ritmo de destruição de dezenas a centenas de vezes maior do que a média dos últimos 10 milhões de anos.

“Nós documentamos um declínio realmente sem precedentes na biodiversidade e na natureza, isso é completamente diferente de qualquer coisa que tenhamos visto na história da humanidade em termos de taxa de declínio e escala da ameaça”, afirma Kate Brauman, da Universidade de Minnesota, nos EUA, uma das principais autoras e coordenadoras do estudo.

Aproximadamente 25% das espécies já estão ameaçadas de extinção.

A avaliação também revela que os solos estão sendo degradados como nunca, o que reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre do planeta.

Nosso apetite insaciável ​​está produzindo, por sua vez, uma montanha de lixo.

A poluição causada por plástico aumentou dez vezes desde 1980.

Todos os anos despejamos de 300 milhões a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos nas águas do planeta.

O que há por trás da crise?

Os autores do relatório dizem que há uma série de fatores que levaram a este cenário, apontando como principal a mudança no uso do solo.

Isso significa essencialmente a substituição de prados pela agricultura intensiva, a substituição de florestas antigas por plantações florestais ou o desmatamento de florestas para cultivar alimentos. Isso está acontecendo em muitas partes do mundo, especialmente nos trópicos.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

No mar, a situação é semelhante.

Apenas 3% dos oceanos foram descritos como livres da pressão humana em 2014.

Os peixes estão sendo explorados como nunca. Em 2015, 33% das populações de peixe foram capturadas de forma insustentável.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

A cobertura de corais vivos nos recifes caiu quase pela metade nos últimos 150 anos.

No entanto, impulsionando tudo isso, há uma demanda crescente por alimentos da população mundial em expansão e, especificamente, nosso apetite cada vez maior por carne e peixe.

“O uso da terra aparece agora como o principal fator do colapso da biodiversidade, com 70% da agropecuária relacionada à produção de carne”, diz Yann Laurans, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri, na sigla em francês).

“É hora de reconsiderar a participação da carne industrial e laticínios na nossa alimentação.”

Os outros fatores-chave são a caça e a exploração direta de animais, assim como as mudanças climáticas, a poluição e espécies invasoras.

O relatório conclui que muitos desses fatores atuam juntos para agravar a situação.

Tartaruga Marinha com um canudo de plástico dentro do nariz.

O declínio em números

Risco de extinção de espécies: aproximadamente 25% delas já estão ameaçadas de extinção na maioria dos grupos de animais e plantas analisados.

Ecossistemas naturais: diminuíram em média 47%.

Biomassa e abundância de espécies: a biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%. E os indicadores de abundância de vertebrados recuaram rapidamente desde 1970.

Natureza para os povos indígenas: 72% dos indicadores desenvolvidos pelas comunidades locais mostram uma deterioração contínua dos elementos da natureza importantes para eles.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Isso é pior que a mudança climática?

A mudança climática é um fator subjacente crucial que está ajudando a impulsionar a destruição em todo o mundo.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980 e as temperaturas subiram 0,7°C como resultado. Isso teve um grande impacto em algumas espécies, tornando sua extinção mais provável.

A avaliação global conclui que se as temperaturas subirem 2°C, então 5% das espécies estarão correndo o risco de extinção por causa do clima. Este percentual sobe para 16% se o mundo ficar 4,3°C mais quente.

Impactos são devastadores.

“Da lista dos principais fatores determinantes do declínio da biodiversidade, a mudança climática é apenas a de número três”, afirmou o professor John Spicer, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

“A mudança climática é certamente uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta em um futuro próximo – então o que isso nos diz sobre o primeiro e o segundo (fator), alterações no uso da terra/mar, e a exploração direta? A situação atual é desesperadora e há algum tempo.”

Os autores do estudo esperam que sua avaliação se torne tão decisiva para o debate sobre a perda de biodiversidade quanto o relatório do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 °C foi para a discussão sobre a mudança climática.

O Eco-terrorismo e o Paradoxo da Loucura Total

Tradução de El Ecoterrorismo y la Paradoja de la Locura Total, escrito por Jorge Andrés Cash, advogado e magistrado em direito ambiental pela Universidade do Chile. Alguns tópicos planteados por Jorge já foram discutidos em outros textos como o “Salvar o Mundo” como a maior forma de Domesticação, de Chahta-Ima. Notas Sobre a Extinção de Abe Cabrera também levanta uma questão de destaque no texto. A primeira entrevista de ITS e o vigésimo nono comunicado também contribuem. O autor menciona sobre a necessidade de um diálogo e discussão do problema. ITS faz isso a seu modo bastante particular, suas entrevistas, textos e propagandas demonstram isso, e em um passado distante foi mais aberto ao diálogo, mas isso só provou o quão tola é a outra via. Não se pode esperar que o grupo se dobre a propostas otimistas e reformistas vindas dos civilizados, já que tem bem claro consigo de que não há alternativas nem saídas a não ser a oposição extremista a todo o progresso humano, e ele não carece de dados, toda a sua literatura mostra isso, chegando a rejeitar até as mais radicais propostas como mostra a análise “Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica.

Não é possível recorrer a qualquer definição que permita explicar e, portanto, entender, o que é “eco-terrorismo” ou o que ele representa. É antes um neologismo tão amplo que pode incluir um tipo de terrorismo cujo propósito em relação ao meio ambiente pode ser tanto a proteção do “todo” e ao mesmo tempo do “nada”.

Este conceito que não tem uma definição oficial e só foi confusamente descrito pelo FBI como “o uso ou ameaça de uso da violência de natureza criminal contra vítimas inocentes de uma propriedade por grupos subnacionais com orientações ecologistas a favor do meio ambiente ou por razões políticas, ou destinada a um público além do alvo, frequentemente de caráter simbólico”, não fornece suficiência conceitual para compreendê-lo desde sua denominação.

Consequentemente, uma estrutura lógica de pensamento nos obriga a ponderar adequadamente a necessidade de levar a sério o conceito de “eco-terrorismo”, primeiro para entender do que estamos falando, e depois para decidir a relevância que é dada à conclusão que se obtenha. Assim, dada a ausência de uma fonte normativa para o “eco-terrorismo” e a confusa definição do FBI, é preciso subtrair as ideias que poderiam estar subjacentes ao conceito, de modo que emerjam para uma análise mais aprofundada, de maneira individual ou ideológica, a mais pura possível.

Sem o dito anteriormente, todas as agências de inteligência, por mais profundo que cavem, não poderão encontrar nenhuma pista, simplesmente porque não saberão o que estão buscando.

Para ilustrar o contexto geral da análise, é necessário remontar os anos de 1976 e 1992. Estas datas correspondem ao nascimento dos grupos mundialmente conhecidos como “eco-terroristas”. A Frente de Libertação Animal (F.L.A.) e a Frente de Libertação da Terra (F.L.T.), respectivamente, ambos originários do Reino Unido. A F.L.A. foi descrita como uma ameaça terrorista interna na Grã-Bretanha e foi declarada pelo FBI como uma das 10 principais organizações terroristas do país.

Por sua parte, a F.L.T. foi classificada como a maior ameaça terrorista nos Estados Unidos pelo FBI em março de 2001, e realizou ataques em mais de uma dúzia de países. Ambas as organizações estão categorizadas como “eco-terroristas”. No entanto, a atividade terrorista que estas organizações desenvolveram, e que exorbitam intensamente fins protetores com relação ao meio ambiente, são insuficientes para se chegar a uma ideia ou conjunto de ideias que permita cristalizar um conceito complexo e altamente desafiador para as agências de inteligência moderna.

Da mesma forma, não só a falta de uma “fonte oficial” para o “eco-terrorismo” complica a tarefa de entender o conceito e abordá-lo , mas também, e talvez o mais complexo, a relativização que foi feita de sua existência, em que muitos atribuem os ataques realizados em seu nome a conspirações próprias de ficção científica.

Uma destas teorias diz que o “eco-terrorismo” surgiu no âmbito da elaboração do Relatório Brundtland em 1987, que deu origem ao conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. Este conceito que tem permitido ancorar universalmente a necessidade de equilibrar o crescimento econômico, a igualdade social e a proteção ambiental, teria tido como base uma deliberada pesquisa sobre a pobreza, através da diminuição do consumo de recursos e do controle dos níveis de mortalidade.

Esta ideia conspirativa teria começado a tomar forma nos anos 70, a partir do “Relatório Kissinger”, que advertia sobre o perigo do crescimento da população mundial e como afetaria negativamente os EUA o consumo dos recursos do planeta que o país estima como “suas” reservas. Portanto, em nosso país devemos ser claros, como o primeiro elemento de análise, que os atentados perpetrados pelo grupo “eco-terrorista” denominado “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (I.T.S.), cuja origem remonta a 2011 e possui presença no Chile, México, Argentina, Brasil, Grécia, Reino Unido, Espanha, entre outros países, tiveram como objetivo matar pessoas, circunstância que acelera imperativamente a necessidade de se compreender do que falamos quando nos referimos a “eco-terrorismo”.

Neste sentido, a organização mencionada, de acordo com seus próprios manifestos, afirma que a destruição da espécie humana, irremediavelmente alienada, constitui a única possibilidade para salvar o planeta. Isso, porque quando exterminada a espécie, um novo ser humano nascerá e o planeta terá sobrevivido. Expressam esta ideia, entre outras formas, da seguinte maneira: “… quando não restar mais água potável e estiver ela toda contaminada, quando todas as florestas morrerem, e os mares e rios secarem, saberão que a loucura não estava em se opor a esta forma de vida, mas em perpetuá-la”.

Ante o fundamentalismo irredutível do qual se planteiam, o que toca então, consiste em entender que o “eco-terrorismo” não responde a uma concepção niilista nem anárquica, mas sim, o contrário, a um método extremo de salvação do habitat de nossa espécie, cuja arquitetura ideológica, parece obedecer a perda total da esperança, da fé e do amor, no entanto, paradoxalmente, ancorada em uma valorização purista do natural, que deixou o desenvolvimento material e espiritual do individuo como fins circunstanciais à sua existência.

Desta forma, diante dos insondáveis fins que podem ser encontrados na exegese do “eco-terrorismo” como uma necessidade de política pública, e ante a improvável circunstância de se chegar a um conceito suficiente, é necessário concordar que, ao menos no Chile, a ameaça é clara: se trata de um grupo terrorista, altamente ideológico, intelectualmente superior, de alta capacidade e conhecimento informático e em uma guerra declarada contra uma espécie humana, cuja alienação mental impossibilita o diálogo.

Diante do exposto, se cai no absurdo trágico, que a “organização sistemática” e “o civilizado” os qualifique como personagens anárquicos e alienados, cuja batalha carece de total sentido. E, inversamente, este grupo terrorista perdeu a esperança no “organizado” e estima que o razoável é exterminá-lo. Se o paradoxo é tão absurdo, devemos concluir que a única forma de encontrar a “verdade” na salvação de nosso habitat e do natural, exige uma nitidez total das contradições, propósito que só é possível através do diálogo.

A renúncia ao diálogo, por ambas os lados, não só deixaria em evidência uma alienação total dos intelectuais do “organizado” e das células intelectuais “eco-terroristas”, mas também uma extinção parcial de nossa espécie: dos líderes. Das pessoas que, apesar do extremo, dos dogmas, da negação total do possível e da posição social que tenham, são capazes de persuadir com a entidade moral e ética de suas ideias, para aqueles que teoricamente se encontram em rota de colisão com o “correto”.

A carga moral do que dizem defender os obriga a elevar o diálogo ao mais alto nível de importância. Caso contrário, permanecerão na história como terroristas comuns que, diante da negação do diálogo, desacreditarão e contaminarão os esforços daqueles que realmente se importam pelo cuidado do meio ambiente e que combatem a brutal predação da natureza.

Portanto, diante do absurdo paradoxo da alienação total compartilhada entre o “organizado” e os “eco-terroristas”, isso só pode unicamente ligar o “eco-terrorismo” a um conceito taticamente ambíguo, para abrigar fins obscuros e estranhos à causa ambiental.

Baleia é encontrada morta com 40 quilos de plástico no estômago

Carcaça foi encontrada nas Filipinas. Biólogo diz que animal morreu de fome e desidratação.

Plástico é retirado do estômago de baleia morta encontrada nas Filipinas — Foto: D’Bone Collector/Facebook

De G1:

Uma baleia da espécie bicuda de Cuvier foi encontrada em Mabini, na costa das Filipinas, morta com 40 quilos de plástico em seu estômago. A informação foi divulgada pelos cientistas do grupo D’Bone Collector Museum, organização que visa educar as pessoas sobre a preservação do meio ambiente.

O biólogo marino Darrell Blatchley, fundador da organização, disse em entrevista à rede americana “CNN” que a baleia morreu de desidratação e inanição e vomitou sangue antes de morrer.

“Eu não estava preparado para a quantidade de plástico”, disse Blatchley. “Cerca de 40 quilos de sacas de arroz, sacolas de supermercado, sacolas de plantação de banana e sacolas plásticas em geral. Dezesseis sacas de arroz no total.”

Biólogo retira plásticos do estômago de baleia — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Ele ressaltou que havia tantos sacos plásticos no estômago do animal que alguns começaram a se calcificar.

Blatchley explicou que os cetáceos – uma família de mamíferos aquáticos que inclui baleias e golfinhos – não bebem água do oceano, mas obtêm a água dos alimentos que comem. Como a baleia não era mais capaz de consumir grandes quantidades de comida devido ao plástico ingerido, ela morreu de desidratação e fome.

Baleia encontrada morta nas Filipinas tinha plástico no estômago — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Em um comunicado no Facebook, a organização declarou que foi a maior quantidade de plástico que já registrou em uma baleia: “Uma lista completa dos itens de plástico seguirá nos próximos dias. Esta baleia tinha a maior quantidade de plástico que já vimos em uma baleia. É nojento. A ação deve ser tomada pelo governo contra aqueles que continuam a tratar os rios e oceanos como lixeiras”.

Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?

Esta é a tradução de Terroristes, écologistes: qui se cache derrière le groupe ITS?, uma reportagem do veículo francês TV5MONDE. Peca nas declarações do “investigador” frustado academicamente que faz afirmações tolas em torno de ITS. Suas declarações contrariam as de outros investigadores que definem Individualistas Tendendo ao Selvagem como um grupo lúcido, sensato, cabal e intelectualmente superior, com bastante formação intelectual e pensamento complexo. Para citar alguns exemplos temos a investigação da Bio-Bio Chile, o texto do El Mostrador El ecoterrorismo y la paradoja de la locura total, escrito pelo magistrado em direito ambiental Jorge Andrés Cash, e a entrevista do sociólogo e acadêmico da Universidade Central do Chile Rodrigo Larraín ao canal chileno Chilevisión Noticias. Talvez este “investigador” frustrado seja algum policial mal pago disfarçado para desacreditar ITS. Abaixo a reportagem.

Os eco-terroristas de ITS (Individualistas Tendendo ao Selvagem) são extremistas ecológicos para quem “todos os seres civilizados merecem morrer”. Desde dezembro de 2018 pelo menos cinco ataques foram reivindicamos em quatro países, incluindo a Grécia. Seu credo? Niilismo. Sua luta? O retorno à natureza, convencidos da inescapável destruição do mundo. Apresentamos uma entrevista exclusiva com um membro desta célula terrorista, presente na América Latina e na Europa.

Quando se fala em terrorismo se imagina os jihadistas da Al-Qaeda ou do ISIS, mas não se pensa em pessoas que podem colocar bombas em nome da ecologia. Esta é uma prática de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), um grupo eco-terrorista criado em 2011 no México, e que propagou novamente o terror no Chile em 4 de janeiro de 2019, depois de detonar uma bomba em uma parada de ônibus, no centro da capital, deixando cinco feridos. Seus membros parecem ter saído de um romance de ficção científica. Eles se movem clandestinamente na internet, e no vídeo enviado a TV5MONDE aparecem encapuzados e vestidos de preto. O membro da organização que fala neste vídeo se descreve como o “chefe de ITS no México”.

A TV5MONDE conseguiu entrar em contato com este grupo através de um blog conduzido por outro grupo eco-extremista de língua espanhola, “Maldición Eco-extremista“. Este blog está alojado no servidor italiano Altervista, que funciona como a “mídia oficial” de ITS. Todos os comunicados do grupo (75 até agora, sendo o último publicado em 22 de fevereiro de 2019), são publicados ali. O conteúdo do blog está em sete idiomas – Turco, inglês, italiano, português, grego, tcheco e romeno. “Nenhum membro de ITS fala francês”, indica um membro do “Maldición Eco-extremista” durante nossa investigação.

Para uma entrevista com um membro de ITS, trocamos emails com o “Maldición Eco-extremista” que nos pediu para criar uma conta em um serviço seguro de mensagens, com sede na Suíça. A entrevista resultante é a sexta desde a criação de ITS, e a primeira dada a um meio de comunicação em língua francesa. Três entrevistas de ITS foram dadas à mídia mexicana, depois à imprensa argentina, e por último a chilena.

TV5MONDE enviou a ITS perguntas por email. Xale, pseudônimo por trás do qual se esconde um dos membros fundadores de ITS e a cabeça da organização no México, respondeu algumas de nossas perguntas em um vídeo de sete minutos, posto a disposição através de um servidor baseado na Nova Zelândia.

Nada Nem Ninguém

“ITS foi criado espontaneamente”, diz Xale no vídeo que recebemos. “Em abril de 2011”, continua ele, “cometemos nosso primeiro ataque a bomba, que feriu gravemente um funcionário universitário no México. Queríamos parar por ali, mas vendo que poderíamos usar esse modus operandi, começamos a fazer dezenas de ataques com pacotes-bomba”.

Para ITS, um slogam resume tudo: “todos os seres humanos civilizados merecem morrer.” Em janeiro de 2019, enquanto ITS colocava um artefato explosivo em frente a uma universidade de Santiago, a capital do país, o grupo disse “se arrepender” de que o engenho não tenha explodido e matado alguém. “Qualquer um”, disseram no comunicado.

Ataques, mas com qual propósito? Nenhum. O grupo afirmou em 2016 a um jornal mexicano:não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém. Um niilismo em seu aspecto mais puro, é com esta nuance que Xale traz no vídeo: “Queremos participar da desestabilização da ordem estabelecida e, na paranoia coletiva, para aterrorizar os bons hábitos de uma sociedade corrompida por sua hipocrisia”.

“Todos os seres humanos civilizados merecem morrer.”
Trecho de um comunicado de ITS.

Além da desestabilização da ordem estabelecida, os niilistas do ITS desejam ferozmente um retorno à natureza. Uma visão como a de Rousseau, com frequentes referências aos povos indígenas da América Latina, tanto em revistas digitais, quanto no cenário do vídeo, com uma jarra utilizada pelo povo chichimeca (cabaça). A cena é adornada com um crânio de ovelha e raízes de uma planta mexicana: a mesquite, toda iluminada com “a cera de uma vela natural”, nos conta Xale.

Misticismo e Eco-terrorismo

Os nomes dos diferentes ramos de ITS também fazem referência a sua proximidade com a natureza: a “Horda Mística do Bosque” no Chile, as “Constelações Selvagens” na Argentina ou a “Seita Pagã da Montanha” no México. Seus membros não creem e nada, só em si mesmos, em sua “natureza selvagem” e suas “raízes primitivas”. “A esperança está morta aqui. Não existe. Não haverá mudanças nem revolução que transforme merda em ouro. Estamos perdidos e aceitamos nosso declínio enquanto olhamos o problema real: o progresso humano e a civilização moderna.”, disse Xale, membro fundador de ITS.

“Não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém”.
Trecho de uma entrevista de ITS dada a um jornal mexicano em 2016.

No entanto, ITS quer se livrar das fronteiras de qualquer ideologia e indicou, em 2016, na revista digitalRegresión – Cuadernos contra el progreso: “não somos revolucionários nem anarquistas, não representamos a esquerda radical. NÃO somos primitivistas. O romântico e ingênuo Zerzan (nota do editor da redação: filósofo primitivista) NÃO NOS REPRESENTA, tampouco o ingênuo radical Kaczynski (nota do editor da redação: eco-terrorista estadunidense) nem nenhum outro teórico grego, espanhol, italiano, brasileiro, nem ninguém”.

De acordo com um pesquisador latino-americano que prefere permanecer em anonimato por razões de segurança, ITS é um “grupo de pessoas jovens, mal preparadas, tanto intelectualmente quanto materialmente. O grupo se baseia em argumentos fracos”. Continua o investigador, “o que os faz ainda mais perigosos é que seu discurso evolui com o tempo”. Para o investigador, os membros de ITS tem mais “problemas mentais que crenças políticas”, o que é um “duplo perigo”.

Indivíduos tendentes ao selvagem, anticivilização

ITS está presente em sete países: três na Europa (Espanha, Grécia e Reino Unido (Escócia)) e quatro na América Latina: Argentina, Brasil, Chile e México.

Em 27 de junho de 2016 o grupo reivindicou o assassinato de Jaime Barrera Moreno, empregado da Faculdade de Química da Universidade do México, UNAM.

No blog Maldición Eco-extremista, haviam reivindicado outros assassinatos desde 2011, também relacionados com centros de investigação científica. Para ITS, “a humanidade está perdida”. Não é hostil à classe trabalhadora em particular, nem aos poderosos, o grupo se declara contra a “humanidade moderna”. Guerra de classes? “É uma estupidez desnecessária”.

“Por que atacar os oprimidos?”, se pergunta em uma declaração em janeiro de 2019. “Porque não nos importa o status social. Rico, pobre, carente. Qualquer ser humano merece morrer”, disse o grupo com um cinismo que não oculta depois de um ataque cometido na capital chilena.

Bombas em Nome da Ecologia

Em 4 de janeiro de 2019, uma bomba explode em uma parada de ônibus no centro de Santiago. O saldo: 5 feridos. Os santiaguinos ficaram com medo ao ver qualquer bolsa ou pacote esquecido na cidade nos dias após o ataque, a mídia ficou perplexa.

“Chile não está acostumado a este tipo de ações, e ainda menos quando não há uma ideologia forte por trás dele”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Mas, acrescentou, “como em qualquer sociedade ocidental com um ritmo de vida agitado, este último ataque é quase esquecido por todos”.

Uma bomba em uma parada de ônibus e uma tentativa de incendiar um ônibus foi o que aconteceu no Chile em dezembro de 2018. Deixaram também explosivos na frente de igrejas no México e na Grécia na véspera de Natal do ano passado, ferindo a algumas pessoas. Bombas também foram abandonadas em frente a uma igreja no Brasil de Jair Bolsonaro, presidente de extrema direita recentemente eleito.

Os ataques de ITS, grupo oposto ao catolicismo, se dão em lugares “pequenos, isolados e fáceis de atacar”, analisa o investigador latino-americano. “Longe de um ataque em um shopping center, cercado por câmeras de segurança, onde aumentaria a pressão social para encontrar os perpetradores”, observa o investigador.

Por falta de evidências, as absolvições de ITS estão erigidas em vitórias. Após o ataque no Chile em 4 de janeiro de 2019, ninguém foi preso até agora.

Segundo uma fonte próxima à investigação a polícia chilena tem “poucas pistas”, e nenhuma delas “é clara”. Deve-se dizer que os serviços de inteligência chilenos foram desmantelados após a ditadura de Pinochet (1973 – 1990) e “não são efetivos”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Isto explica sua “falta de jeito”, acrescenta, e explica em parte “os principais problemas no Chile para enfrentar e antecipar os casos de terrorismo”.

Em uma entrevista ao jornal andino La Tercera em janeiro de 2019, Raúl Guzmán, promotor encarregado da investigação do ataque de 4 de janeiro de 2019 em Santiago, segue na mesma direção: “Eu gostaria que a Agência Nacional de Inteligência do Chile (ANI) desempenhasse um papel mais operacional na descoberta de informações.” Em outras palavras, o promotor pede uma maior eficiência desta agência. Este promotor chileno agrega que estas ações terroristas “não obedecem a nenhuma ideologia política”. O niilismo, portanto, ligado ao desejo de liberdade dos animais.

Guerrilheiros da Causa Animal

ITS se opõe à domesticação de animais. Com os escândalos de carne polaca estragada, ou lasanha com carne de cavalo (*), podia-se crer que estes eco-terroristas são parte da linha anti-especista como a associação L214, mas não é bem assim.

Em um texto intitulado “O Mito do Veganismo“, criticam a “irracionalidade das ideias e valores da filosofia vegana”, denominada por eles “regime civilizado moderno que alimenta os sonhos progressistas dos humanistas de merda”. O eco-terrorismo não tem fé no homem, nem em seu futuro.

“A longo prazo, tudo o que queremos é sobreviver, continuar travando a nossa guerra, nos expandir a outras nações e ter êxito em todos os nossos ataques”, disse Xale no vídeo enviado a TV5MONDE.

Com respeito ao risco de ataques na França, de acordo com nossas fontes, ITS “não se constitui como uma ameaça imediata e prioritária no território nacional e não se considera suficientemente capaz para atacar os interesses fundamentais da Nação.”

*Se refere a escândalos relacionados com a indústria agroalimentar na França, como a carne polaca encontrada em mal estado e a venda fraudulenta de lasanha de cavalo.

Naghol: o salto ritualístio ao vazio

Naghol, que quando traduzido significa “salto ao vazio”, este é o nome de um ritual anual de iniciação praticado por jovens rapazes da Ilha de Pentecostes, em Vanuatu. O rito é um verdadeiro “mergulho na terra”. Preparados desde a adolescência para o ritual, os melanésios se jogam do alto de uma torre de madeira de 30 metros, semelhante a um andaime, amarrados pelos tornozelos a um tipo especial de cipó – talvez por influência da umidade maior nessa época do ano, a planta se torna elástica. Ao pular, seus cabelos devem “varrer” o chão (que é revolvido para suavizar o impacto) para garantir a fertilidade do solo.

Origem

A origem do Naghol é descrita em uma lenda de uma mulher que estava insatisfeita com seu marido, chamado Tamalie, que era muito vigoroso em seu ato sexual, e por isso ela fugiu para a floresta. O marido seguiu-a, então ela subiu em uma figueira. Tamalie subiu a árvore atras dela, e para fugir, ela amarrou cipós nos seus tornozelos e pulou. Seu marido saltou atrás dela, mas por não ter amarrado cipós em seus pés, seu salto foi mortal.

Assim, desde então os homens desta ilha realizam o mergulho anualmente como um ritual para não serem enganados novamente. Embora não seja obrigado a mergulhar, aqueles que fazem o salto são reverenciados na comunidade e vistos como verdadeiros guerreiros. Afinal, mergulhar significa sacrificar sua vida para a tribo. Meninos em torno de sete e oito saltam, passam a ser considerados homens depois que sobrevivem à queda.

Além disso, acredita-se que um salto bem feito garante que a safra do ano de inhame será bem sucedida: quanto maior o mergulho, melhor será a colheita. Um bom mergulho não só demonstra a masculinidade e a coragem do mergulhador, mas também garante uma colheita de inhame abundante para o ano, e remove as doenças associadas com a estação chuvosa.

Com informações de Magnus Mundi e Wikipédia.

Breves palavras a respeito da violência do Céu

Tradução do texto Brief words on the violence of heaven, de Sokaksin.

A violência no núcleo do mundo é parte integrante da beleza e da vida do tudo. Assim são as coisas. O mundo não pode se sustentar sem a escuridão, e não poderia ficar sem luz, ou o jogo sem fim de sua interpretação e determinação mútua. Esta é a verdade do mundo. Em tal mundo a graça inefável que traz as bagas da primavera ao urso também escreve o drama eterno do alce e dos lobos. Uma vida de morte, uma morte de vida. Na teia de uma incontável quantidade de seres, em seu sofrimento e sua fortuna, na forma da terra e a integridade do todo. É simples ver o surgimento mútuo do todo na floração da primavera e a atividade das abelhas, mas mesmo o corpo falador da lebre no ajustado aperto das mandíbulas do coiote reflete a beleza do todo. Como Jeffers observava em seu poema Fogo nas Colinas, “a beleza nem sempre é amorosa…”. O sangue nas rochas, os ossos dos cervos branqueados pelo sol, as poderosas mandíbulas do grande leão da montanha, perfeitas para matar, o uivo do coiote e o grito da morte do alce. A ferocidade e a violência indiscriminada do eco-extremismo é a representação deste fundamento, a violência divina que trabalha e sempre trabalhou no coração do mundo.

O eco-extremismo é continuamente assediado pelas fileiras dos fracos híper-civilizados, por sua aparente “psicopatia”, porque se atreve a materializar esta violência primordial contra a ordem artificial do Leviatã. No altar da lei e da ordem, o eco-extremismo oferece a profanação e um sacrifício de sangue para a terra selvagem. Ao se negar ter um contato mínimo com a linha do humanismo e do progressismo, ele se situa em oposição a tudo o que a civilização tecno-industrial (e isso também se refere ao próprio Homem em si) representa. Está oposto em sua essência a toda a infraestrutura podre, desde a “rede” a qualquer cidadão híper-civilizado que igualmente é a manifestação da civilização, tal como a represa da hidroelétrica que afeta a vida do rio. Ele se recusa a por a vazia abstração do “Homem” no topo do ser e ataca com selvageria tudo aquilo que canibaliza a beleza do todo pelo desolado aterro da modernidade. O eco-extremismo é o ataque do lobo feroz, olhando contra o gado domesticado. É a fúria do urso pardo contra aquele que vagueia de forma insolente dentro de seus domínios. É a força do búfalo e as janelas quebradas ao lado do metal dobrado contra os híper-civilizados que esqueceram a força e a fúria desta escuridão primitiva e seu lugar nas grandes redes do mundo, redes dentro dais quais elas permanecem impotentes apesar do engrandecimento de suas próprias abstrações.

A ordem da terra foi forjada sobre aeons através desta violência divina. Este é o caminho. Daí surgiu a beleza implacável daquele mundo trans-humano que o homem e sua sociedade tecno-industrial busca profanar para si mesmo. Cada explosão de uma bomba, cada jorro de sangue derramado é um golpe a partir daquele núcleo primitivo de selvageria, que permanece contra as ilusões e pretensões do homem moderno, sua civilização e tudo o que ele representa.

-Sokaksin

[MÚSICA] Niñx Debacle, Anónimx Sabotaje & Ignición, Cautela – Eco-extremismo

DOWNLOAD | SOUNDCLOUD DE NIÑX DEBACLE

Canção de Vento

Tradução de Wind Song, escrito de Shaugnessy.

Eu ouvi a tempestade cantar canções elogiando a violência do mundo
Na grande voz cacofônica do vento e da chuva
Os escuros céus ferventes que empretecem o Céu (NdT)
A jovem bétula se inclina diante do poder dos ventos
Dez mil folhas douradas reluzentes caindo ante as correntes de ar
As margens do grande rio engolem as chuvas que caem
Não mais para conter a fúria
Eu ouvi a tempestade cantar canções elogiando a violência do mundo
Um tipo de beleza que te faz humilde
Uma severa recordação do lugar final da humanidade frente a glória da terra.

Nota do Tradutor:

Na oração a primeira ocasião em que se usa a palavra “céu” é para se referir ao local físico, e na segunda se refere ao céu de forma figurativa.