Especialista em sons da natureza adverte: o mundo animal está cada vez mais silencioso

Segundo ele, a orquestra da natureza é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber.

De Revista Galileu:

O músico americano Bernie Krause já gravou com lendas como Bob Dylan, George Harrison e Stevie Wonder. Nos últimos 47 anos, porém, dedica-se a outro tipo de música: a orquestra da natureza. Krause se especializou em bioacústica e grava os sons de animais em florestas, mares, pântanos e desertos em várias partes do mundo. Hoje, ele possui um centro de pesquisa dos sons do mundo animal, com mais de quatro mil horas de gravações e 15 mil espécies em seu habitat natural.

O trabalho de Krause tem um valor inestimável já que, à medida que florestas são desmatadas e o clima se transforma, boa parte de seu trabalho é composto de sons que não existem mais. “Tudo está mudando por causa do aquecimento global, o nível dos mares e o desmatamento em geral. Metade dos meus arquivos vêm de habitats que ou foram radicalmente transformados pela ação do homem ou já estão em silêncio. Metade desses arquivos você já não pode ouvir de outra forma”, diz. Em entrevista a GALILEU, Krause explicou por que ele acredita que o mundo natural é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber. Confira:

GALILEU: Antes de se dedicar à “orquestra da natureza” você era músico. O que o fez mudar de carreira?

Eu até conheci Tom Jobim e tivemos muitas discussões sobre isso também. Eu entrei nessa área porque como um músico eu sempre trabalhava em ambientes fechados e eu queria trabalhar ao ar livre. Em 1967, desisti da música de vez e fiz minha especialização em bioacústica, o estudo do som de animais vivos, e desde então trabalho na área. O que eu descobri no ramo dos animais foi a origem da vida, algo que o Tom fez, na verdade. Boa parte de suas músicas se baseiam nos sons da Mata Atlântica que ele ouviu ao crescer no Rio de Janeiro.

Você acha que nosso conceito de música é inspirado na natureza?

Toda nossa música é inspirada pelos sons da natureza porque somos mímicos. Nós aprendemos a imitar o que ouvimos no mundo ao nosso redor. Quando vivemos mais perto do mundo natural, organizamos os sons como os animais o fazem, imitamos o som solo de animais como pássaros e mamíferos e tiramos música daí. Quando começamos, éramos uma parte pequena da orquestra animal, porque precisávamos organizar esses sons para mostrar que fazíamos parte do mesmo grupo, para sobreviver.

Você tem experiência gravando os sons da natureza brasileira?

Eu gravei os sons de muitos lugares no Brasil, como Minas Gerais, Amazônia, a Mata Atlântica, eu fui ao Brasil muitas vezes e graveis em vários locais diferentes. Meu lugar preferido é a Amazônia porque lá o som é muito mais rico. É verdadeiramente mágico. Na Mata Atlântica, o problema é que o habitat foi tão prejudicado que é muito complicado gravar lá, você simplesmente não encontra mais muita diversidade.

Estamos enfrentando um sério problema de desmatamento na Amazônia agora também. Você tem uma comparação entre os sons da Amazônia ao longo de alguns anos?

Faz muito tempo que eu não vou ao Brasil, quero voltar à Amazônia, mas ainda não consegui financiamento para isso. O que sabemos é que, ao gravar sons naturais, você pode interpretar muito rapidamente as consequências da atividade humana, e as pessoas têm muito medo disso. Muitas indústrias não querem isso, então é muito difícil de conseguir financiamento. Porque mostra muito rapidamente os resultados do desmatamento, realmente mostra o antes e o depois das atividades do homem.

Por que usar gravadores e não câmeras para arquivar os sons da natureza?

Com uma câmera, é muito fácil enquadrar uma imagem que faz com que um habitat pareça saudável, mesmo quando ele não está. Já os microfones gravam em 360 graus, o habitat completo, e o som mostra uma perspectiva completa. O que eu falo aos meus alunos é que uma foto pode valer mil palavras, mas um som vale mais que mil imagens, porque o som nos fala a verdade, quantas espécies de pássaros, mamíferos, insetos e répteis estão ativos no lugar.

O silêncio é o som da extinção?

Nos anos 1960, uma mulher chamada Rachel Carson escreveu um livro chamado “A Primavera Silenciosa”, no qual ela explica o que vai acontecer se o mundo natural ficar silencioso por causa do homem. O que eu vejo é que estamos nos aproximando não só de uma primavera silenciosa, mas inverno, outono e verão silenciosos.

Mesmo em uma floresta densa como a da Amazônia, se você cortar apenas algumas árvores ali, as consequências serão sentidas em grande escala pelos animais que ocupam esse lugar há muito tempo. Ou seja, um efeito profundo no som que será sentido muito rapidamente. Nós temos que pensar nas formas como estamos afetando esses lugares e perguntar a nós mesmos se é isso o que queremos, o silêncio do mundo natural. São organismos vivos, essa é a vida de onde viemos, se a aniquilarmos, estaremos destruindo a vida à nossa volta. Essa é a voz divina, as pessoas falam em religiões, mas essa é a voz divina que está implorando por proteção. As nossas vidas dependem dela.

Confira, abaixo, a comparação de sons gravados por Bernie Krause em áreas que tiveram algumas áreas derrubadas:

[AUDIO – EN] The Brilliant Podcast On Atassa

Podcast número 41 do projeto The Brilliant sobre a Revista Atassa e as desafiantes postulações do eco-extremismo que põe em xeque as velhas teorias e alimenta a coragem da confrontação terrorista contra a civilização.


Episode 41: Atassa

Download file | Play in new window | Duration: 50:59

This episode of the Brilliant is an active discussion between Bellamy, Aragorn!, and Wil about the new LBC journal project Atassa. It is worth checking out as an introduction to the journal and an exercise about how to think about revolutionary (or not) practice in a world where terrorism no longer has any meaning. Eco-extremism isn’t a solution that would work in the US but it does raise challenging questions about violence, the planet, and the spirit that inspires all of our actions.

Tick Tock

Introductions to Wil and Bellamy
1:34 Atassa introduction
2:00 Wil: Attitude. ITS.
6:00 Market anarchism & Technophilia
7:30 Strong introduction. Defines terms. Bel: This is something you have to deal with (Why?)
9:45 Origin story of eco-extremism. Revolution. Kacynski. Ancestral Beliefs.
13:20 Shocking bits wrt Mafia style violence, appearance, adopt an accent, espouse a strong moral character. sXe. Necheav.
15:30 Return of the warrior. Clastres. What is the relationship between violence and the State? Monopoly of violence has unforseen consequence. Becoming.
29:00 More origin of EE. Solid piece from Jacobi. Notes on wildism vs EE vs AP.
34:30 Creek War. Market economy as invasion. Old ways. Brutal.
39:00 Indiscriminate anarchists. Today there is reaction by @ against indiscriminate attacks. There is a history here. This is another way to talk about social vs anti-social @.
41:40 Is this an anarchist journal? No! But @ should be engaged with it anyway.
45:30 Are you a pacifist? Kudos for your consistency. Otherwise you have to (internally) confront the questions of Atassa.

Insetos enfrentam extinção em massa — e vão trazer tudo abaixo consigo

Pequeninos e muitas vezes ignorados, os insetos são as pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres. Se sumirem, fique certo: eles não vão sozinhos.

Ameaça: uso desmedido de agroquímicos é uma das razões para declínio. (Florian Gaertner/Getty Images)

De EXAME:

São Paulo – Mais de 40% das espécies de insetos do mundo podem ser extintas nas próximas décadas, com consequências “catastróficas” para o meio ambiente e a manutenção da própria vida na Terra.

O alerta vem de um estudo publicado na revista Biological Conservation e que fez uma revisão de 73 pesquisas globais sobre o declínio de insetos.

A lista de populações mais afetadas é liderada por borboletas, abelhas, mariposas, vespas, formigas e besouros escaravelhos, insetos essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, preenchendo funções críticas como a predação e a polinização.

Há uma série de razões pelas quais esses animais estão em apuros. O estudo cita a perda de habitat devido à conversão de terra para a “agricultura intensiva”, poluição agroquímica e mudança climática como as principais razões para o rápido declínio.

“As repercussões que isso terá para o meio ambiente do Planeta são, no mínimo, catastróficas, já que os insetos estão na base estrutural e funcional de muitos dos ecossistemas do mundo”, diz um trecho do estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, Universidade de Queensland e a Academia Chinesa de Ciências Agrárias.

Há mais de um milhão de espécies de insetos no mundo, em comparação com pouco mais de 5 mil mamíferos, e essas espécies funcionam como pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres.

Sem os insetos, tudo viria a baixo, o que os cientistas chamam de “cascata trófica de baixo para cima”, levando ao colapso da cadeia alimentar, que se espalharia pelos ecossistemas em   uma espiral que atingiria desde predadores até plantas. Em outras palavras: não sobraria nada para sustentar a vida como a conhecemos.

Segundo o estudo, metade das espécies de mariposas e borboletas estudadas está em declínio, com um terço delas ameaçadas de extinção. Enquanto isso, quase metade das abelhas e formigas pesquisadas estão ameaçadas

O estudo recomenda várias mudanças para retardar ou interromper o declínio de insetos, incluindo uma drástica redução no uso de produtos químicos nos campos, como herbicidas, fungicidas e pesticidas, que quando aplicados atingem espécies não-alvo, e os neonicotinóides, que têm sido associados ao declínio mundial das abelhas.

Combater a mudança climática também é vital. Quase invisíveis no debate climático, os insetos são as criaturas que mais sofreriam perdas na sua distribuição no globo em um mundo mais quente. Um aumento de 3,2 graus Celsius no termômetro até o final do século poderia reduzir em 49% o alcance geográfico dos insetos, em 44% das plantas e 26% dos vertebrados, alerta um estudo publicado em 2018 na revista Science.

A vulnerabilidade dos insetos se soma à série de desventuras do processo que os cientistas caracterizam como a sexta extinção em massa na Terra.

Nos 500 milhões de anos de existência do Planeta, houve cinco extinções em massa, que levaram ao desaparecimento de 75% das espécies.

A mais famosa de todas, segundo a hipótese mais proeminente, ocorreu a 65 milhões de anos, com o impacto de um asteroide que teria destruído a vida por aqui.

Na sexta edição do cataclisma, porém, o algoz é o próprio ser humano e suas atividades nocivas ao meio ambiente.

Desde o alvorecer da civilização, a humanidade causou a perda de 83% de todos os mamíferos selvagens. Nos últimos 50 anos, as populações de todos os mamíferos selvagens, aves, répteis e peixes caíram em média 60%.

Nesse contexto, o declínio dos insetos é um golpe fatal no complexo elo de sustentação da vida. O alerta já está dado: se eles sumirem, vai todo mundo junto.

Fogo Contra Fogo: anarquistas contra eco-extremistas

Tradução de um curto, mas interessante artigo escrito por Eduardo Ortega e Fernanda Robles para o jornal chileno La Tercera, após o ataque de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) na avenida Vicuña Mackena em Santiago do Chile. No texto os autores acertam em um ponto bastante ignorado pela mídia e autoridades, a diferença entre a tendência eco-extremista e a filosofia política anarquista. Em muitas ocasiões ambos os movimentos são assimilados por leitores equivocados, mas cada um busca objetivos díspares e já chegaram a declarar guerra entre sí.

04 de JANEIRO de 2019/SANTIAGO, a Labocar realiza perícias na esquina Vicuña Mackena com Francisco Bilbao, após a detonação de um artefato explosivo em um ponto de ônibus da Transantiago. HANS SCOTT /AGENCIAUNO

Relacionados por suas ações diretas, muitas vezes nem sequer são distinguidos. Mas há diferenças, e nos últimos anos, entre eles mesmos se empenharam em deixá-las em evidência: apesar da origem comum, seus objetivos são díspares. Os anarquistas radicais, contra o sistema; os eco-extremistas, contra o progresso humano. Duas correntes que já declararam guerra entre si.

O primeiro aceno veio em uma noite de novembro de 2016, através de uma carta, diretamente do 25º módulo da prisão Santiago Um. Kevin Garrido, o mesmo que um ano antes explodiu uma bomba nas imediações da Escola de Gendarmería, em San Bernardo, oferecia uma crônica de seus dias atrás das grades: uma história de facas, repressão e assassinatos entre os presos. Mas isso parecia não lhe importar no relato. Pelo contrário, dizia que era um prisioneiro de guerra, que estava preparado, que não se arrependia de suas ações, que havia ganhado respeito, que a prisão não era para sempre. Além disso, talvez o mais importante para esta reportagem, que o tacharam falsamente de anarquista: no final, saudava calorosamente a distintas “células terroristas”, entre elas Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Garrido, de 21 anos, morreu no último 2 de novembro: Lucas Bravo, outro preso, perfurou duas vezes seu tórax com uma faca artesanal que chegava a um metro de comprimento.

Como se tratava de um dos acontecimentos que tendem a ser comentados, cinco dias mais tarte, em 7 de novembro, em um blog que serve como um improvável veículo oficial –Maldición Eco-extremista– emitiu uma declaração dedicada à sua memória: “Para Kevin“, foi intitulada. Seria o primeiro de muitos posts, onde reivindicavam a figura de Garrido e o posicionavam como uma espécie de mártir. O consideram um guerreiro.

Mas a morte do jovem também acendeu os alarmes em outro extremo: grupos anarquistas. Rápidos, optaram por se distanciar da morte. Utilizando a mesma fórmula, os blogs, estavam determinados a demonstrar que Kevin não era um dos seus, que era um eco-extremista. Ou seja: um inimigo.

Um Melodrama Anarquista

Começaram como todos costumam começar: ansiosos, inexperientes, certamente animados, com a convicção de poder mudar a ordem estabelecida. Colheita dos anos 90, escutavam La Polla Records e Los Miserables e se politizaram ao som de Los Fiskales Ad-Hok. Nas mesmas marchas, todos de preto e com bandeiras negras, nos mesmos “okupas”. Alguns até tocaram nas mesmas bandas. Mas o tempo os separou: suas ideias os separaram. Alguns voltaram a suas casas, decepcionados. Outro punhado optou por seguir a luta através da via institucional.

Mas houve uma fração que optou por radicalizar o discurso. Se fizeram chamar, desde 2011, eco-extremistas.

Operando principalmente a partir da deep web, se comunicam através de blogs e se autodefinem Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). Sua luta: a tentativa de uma guerrilha urbana que -do anonimato- busca reivindicar e lutar contra tudo o que atente e domestique a natureza selvagem. Uma luta que se opõe ao progresso humano e tecnológico. Não fazem distinções: para eles, “qualquer humano civilizado merece estar morto”.

—Originalmente, pertenciam a uma linha anarquista insurrecionista. Mas hoje é mais uma corrente niilista que não tem uma lógica política e que concentra seus interesses em um ecologismo radical—explica um investigador especialista no assunto, que prefere ocultar sua identidade diante de possíveis represálias.

O conceito de grupo, esclarece, tampouco serve para definir aqueles que se identificam como ITS: têm o caráter de uma célula que poderia estar constituída por uma só pessoa. Talvez dois ou três indivíduos e, certamente, cada grupo nem sequer se conhece fisicamente.

—Quando a gente pensa em anarquismo, a primeira imagem que vem na cabeça é a dos “okupas” ou ataques com explosivos—reconhece um ex-membro de uma organização anarquista—. Com eles parece ser a mesma coisa, mas há pontos de inflexão que marcam diferenças entre ambas correntes.

Sergio Grez, historiador e autor do livro Los Anarquistas y el Movimiento Obrero (LOM, 2007), explica, neste sentido, que “o anarquismo têm princípios doutrinários claramente definidos: uma sociedade igualitária, sem classes sociais, sem divisão social do trabalho e, acima de tudo, sem Estado. Identificá-los com qualquer forma de violência política é um erro conceitual”.

Os atos de vandalismo, no entanto, parece ser o ponto comum que une as duas correntes. Embora seus objetivos sejam distintos: enquanto os anarquistas insurrecionais apontam para objetos simbólicos, como bancos ou imóveis, gerando danos materiais -considerando também os danos colaterais que podem implicar-, os eco-extremistas planejam ataques indiscriminados contra a “sociedade-rebanho” e o “humano-praga”, como definem.

Os próprios Individualistas Tendendo ao Selvagem do Chile, em seu primeiro comunicado, de fevereiro de 2016, evidenciam o distanciamento: “Já faz um tempo que jogamos no lixo a bíblia do anarquismo e sua igreja, especificamente o slogan de “sem Deus, nem mestres” ou “contra todo Deus”.

A resposta anarquista veio principalmente do exterior. Nos Estados Unidos, conseguiram o que muitos serviços de Inteligência não lograram: detectar alguns dos indivíduos por trás dos eco-extremistas, ou “eco-facistas”, como eles mesmos os apelidam, e difundiram seus dados na internet.

—No Chile, as críticas são duríssimas: os anarquistas os consideram uns imbecis — afirma o investigador.

Ameaças Invisíveis

Foi em 13 de janeiro de 2017, mas dois anos depois o pacote que explodiu nas mãos de Óscar Landerretche segue sendo o maior “orgulho” da curta história de ITS-Chile. Apesar das reivindicações por dezenas de atentados de diversas proporções entre outubro de 2015 e março de 2016, perpetrados pela Célula Karr-Kai, o ataque ao ex-presidente da diretoria da Codelco os colocou em uma discussão.

Regresión, revista que estreou em 2014, se encarregou de compilar e difundir os atentados dos eco-extremistas à nível mundial: na seção “Cronologia Maldita” detalham os ataques, com imagens dos artefatos e de suas consequências. Ali reúnem vários atentados no Chile, como o incêndio ocorrido em 24 de maio de 2016, na praça de alimentação do Mall Vivo, em Santiago.

Sua ação mais recente foi em 4 de janeiro de 2019, quando depositaram um artefato explosivo em um ponto de ônibus da Transantiago, na esquina Francisco Bilbao com Vicuña Mackenna: quatro pessoas ficaram feridas, sem risco de vida: “Nosso envelope-bomba estava composto por um niple de aço artesanal. Lembram deste niple? Foi o mesmo com o qual arrebentamos os dedos do mineiro em 2017. Desta vez, estava cheio com 100 gramas de pólvora negra cuja a ativação era gerada após puxar o explosivo encaixado e uma base.”, explicaram, posteriormente, em um comunicado acompanhado com a imagem de seu “presente”.

Também, através de seu blog, Maldición Eco-extremista, advertem sobre novos ataques: “Nós já estamos longe, ocultos e nos preparando para o próximo ataque, temos mais recipientes e mais vontade. Nossos pequenos artefatos causaram um enorme terror e tiveram uma grande repercussão mediática”. Asseguram, orgulhosos, que com pouco se pode fazer muito: você só precisa do desejo do desastre.

Seus próximos objetivos, aparentemente, estão ligados a Universidades, replicando o modelo mexicano que reivindicou numerosos atentados contra acadêmicos da UNAM desde 2011: “Nosso niple de aço contra a Universidade Católica Silva Henriquez em abril do ano passado e nossa garrafa térmica com lâminas abandonada em um ponto de ônibus em frente a Faculdade de Agronomia em setembro foram o preâmbulo do desastre”, lê-se no comunicado. Na quinta-feira 10 de janeiro, o GOPE desativou uma bomba de características similares a da última do atentado eco-extremista nas imediações da Universidade do Pacífico de Melipilla. O grupo ainda não se pronunciou.

Os anarquistas, entretanto, são acusados de serem os resposáveis pelo Caso Bombas I, que começou a tomar forma com uma série de ataques com artefatos incendiários em 2009. Mauricio Morales, em maio daquele ano, morreu após a explosão de um artefato que pretendia instalar na Escola de Gendarmería. Em 2011, Luciano Pitronello, outro anarquista, esteve próximo de ter o mesmo destino: sobreviveu, mas sofreu ferimentos graves. Em 2014, no chamado Caso Bombas II, foi condenado Juan Flores a 23 anos de prisão, pela detonação de uma bomba na Estação de Metrô da Escola Militar.

Estes ataques parecem ter se tornando uma verdadeira ameaça para o Ministério Público e a polícia: o Caso Bombas I foi considerado um fracasso e as condenações, nos últimos anos, foram apenas cinco: Luciano Pitronello (2012), Hans Niemeyer (2013), Carla Verdugo e Iván Silva (2013), Juan Flores (2018), Joaquín García e Kevin Garrido (2018).

Da Promotoria advertem que os eco-extremista podem chegar a ser ainda mais perigosos. São reconhecidos como grupos pequenos, de não mais que três pessoas, com motivações distintas a dos anarquistas, que estudam minunciosamente os lugares onde instalarão seus explosivos artesanais. As dificuldades para encontrá-los apontam principalmente a sua estrutura difusa: como não reivindicam uma ideologia política tradicional, é mais difícil rastreá-los. Também acrescenta o fato de que dispensam a comunicação formal: não utilizam telefones e se destacam pelo grande conhecimento de segurança informática. Após uma semana desde o último ataque ainda não há suspeitos. A investigação, segundo a Procuradoria, ainda se encontra na etapa de coleta de dados, esperando por informações, revisando câmeras.

Um ex-membro de um movimento que se define como anarco-sindicalista, no entanto, prefere não lhes dar tal importância:

—São uns cuzões que levantam suas cabeças uma vez por ano para dizer que existem. Não são a Al Qaeda ou a Frente Patriótica.

O apetite humano ameaça a megafauna que resta

Cerca de 150 espécies de grandes animais estão em risco de extinção por sua carne, barbatanas, chifres ou ovos.

Secagem de barbatanas de tubarão no telhado de uma edificação na China. Sam Tsang/South China Morning Post via Getty Images

De El País:

Para os imperadores chineses da dinastia Song (960-1279 desta era) a sopa de barbatana de tubarão já era uma iguaria. Na qualidade de um prato influía a dificuldade de obter seus ingredientes, e capturar um esqualo perigoso devia ser uma grande oferenda ao imperador. Além disso, acreditava-se em uma espécie de transmutação, pela qual a força e a ferocidade do animal passavam para quem comia sua carne. Tais atavismos transformaram este prato em um símbolo de status. Até recentemente, na China, todos os casamentos, jantares de negócios ou banquetes oficiais que se prezassem deveriam incluir sopa de barbatanas de tubarão. E mesmo considerando que esses adendos têm pouco sabor e o principal ingrediente do caldo é o frango.

Cerca de trinta espécies de tubarões, peixes-serra, tubarões-martelo e outros peixes cartilaginosos estão ameaçados de extinção por causa do desejo de muitos chineses de agradar a seus hóspedes. De acordo com um estudo recente sobre ameaças à megafauna, eles fazem parte do grupo dos grandes vertebrados mais perseguidos. Existem cerca de 200 espécies de animais de grande porte que estão perdendo população e 150 delas estão em risco de extinção por culpa de vários apetites humanos.

“Nosso estudo mostra que, além da perda ou degradação do habitat, a caça direta por humanos é a maior ameaça para os maiores animais do mundo”, diz o professor de ecologia da Universidade do Estado do Oregon (EUA) e principal autor do estudo, William Ripple. “Há muitas causas pelas quais os humanos estão matando a megafauna.” Às vezes, é para subsistência, às vezes para interesses comerciais, em outras, para fins medicinais ou simples hobby, às vezes a morte é intencional e às vezes não intencional, por captura acidental”, acrescenta.

A investigação, publicada na Conservation Letters, catalogou como megafauna os mamíferos e peixes de mais de 100 quilogramas e os anfíbios, répteis e pássaros que excedem 40 quilos. Encontraram um total de 292 espécies com dados suficientes sobre o seu estado de conservação e seus riscos principais. Seus resultados mostram que 70% das espécies de megafauna estão perdendo população e 59% estão ameaçadas de extinção, com algumas em risco crítico. Dois dados confirmam que os seres humanos se nutrem dos maiores animais: entre as espécies de todos os tamanhos, metade perde população e um quinto está ameaçada.

Entre a dezena de ameaças, além da perda de habitat, os pesquisadores analisaram o impacto de espécies invasoras, poluição, desmatamento, avanço da agricultura, mudanças climáticas … Embora muitas espécies sofram impactos de várias frentes, a caça está presente em 98% das ameaçadas. O item caça também inclui pesca.

“O consumo é muito grave. Inclui um enorme tráfico ilegal de subsistência e comercial para os mercados legais e ilegais”, diz o pesquisador Gerardo Ceballos, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México e coautor do estudo. “É parte do que chamamos de ‘aniquilação da natureza’. A maior parte deste consumo se deve a dois fatores: a miséria em que vive um grande número de pessoas no planeta e a ganância das máfias, principalmente asiáticas (chinesas), que dominam o mercado negro.”

Exemplar da salamandra-gigante-da-China no zoológico de Londres. Se sua captura não cessar, peritos avaliam que somente a criação fora de seu entorno original garantirá a sobrevivência da espécie. Luke Harding ZSL

Há espécies caçadas por sua carne, pele, penas e até mesmo os ovos, como o avestruz somali, colocado em extremo perigo pela caça de subsistência. Em outras, a condenação está em seus ornamentos, e isso vem de longe, como acontece com elefantes e rinocerontes. Mas é a comida, geralmente de pratos supostamente requintados, que está matando muitos dos poucos animais de grande porte que restam. Entre essas iguarias está a carne da salamandra-gigante-da-China, o único anfíbio da lista, o único grande anfíbio que resta.

“A situação das populações da salamandra-gigante-da-China é absolutamente crítica”, diz Samuel Turvey, pesquisador do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres. Autor de vários livros sobre extinções causados por humanos, Turvey participou entre 2013 e 2016 de uma extensa campanha para conhecer o status desse anfíbio. Foram realizados estudos de campo em 97 condados da China e entrevistados cerca de 3.000 moradores. “Não encontramos nenhuma salamandra gigante na natureza”, diz o zoólogo britânico, que não tomou parte do estudo da megafauna. As únicas que eles viram foram espécimes fugidos de fazendas onde são criadas como gado.

Embora este animal esteja há muito tempo sob risco de extinção, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, as autoridades chinesas ainda não proibiram sua captura (fora das áreas protegidas) e seu consumo. Talvez o caso dos tubarões possa servir como referência: com eles a pressão sobre a oferta parece não funcionar, mas, sim, as ações para reduzir sua demanda.

Na maioria dos países, e também na China, a pesca de algumas espécies é proibida, mas não a de outras, e as barbatanas dos tubarões são muito parecidas com as de outros animais. Uma pesquisa recente da Universidade de Hong Kong, principal porto e mercado desses apêndices, mostrou que pelo menos um terço das barbatanas pertencia a espécies que aparecem ameaçadas na Lista Vermelha.

“Os dados apontam que as capturas mundiais de tubarões superaram um milhão de toneladas por ano, mais do que o dobro de seis décadas atrás. Esta superexploração ameaça hoje quase 60% das espécies de tubarões, a maior proporção entre todos os vertebrados”, disse em uma nota a bióloga Yvonne Sadovy, da universidade da ex-colônia britânica.

“A exclusividade de um produto natural combinada com a sua reduzida disponibilidade em liberdade aumenta seu preço e o torna um produto atraente para as redes de negócios, incluindo o extenso tráfego ilegal, que se mostrou muito difícil de ser controlado pelas autoridades”, acrescentou.

No entanto, de acordo com estatísticas oficiais, o consumo de barbatanas de tubarão na China caiu 80% nos últimos anos. De acordo com um relatório da organização ambientalista e ativista WildAid, a importação dessas partes do animal teve redução similar. Em um contexto em que tanto a Europa quanto os Estados Unidos perseguem esse comércio, a pressão das organizações conservacionistas levou o Governo chinês a retirar a sopa de tubarão de seus banquetes oficiais. As campanhas contra este prato por parte de organizações como a WildAid decolaram com os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Hoje as principais redes hoteleiras o tiraram de seus cardápios e começa a ser malvisto festejar o casamento com este caldo.

A solução, portanto, poderia estar no combate à demanda com a arma da educação. Peter Knights, CEO da WildAid, explica: “Nossas campanhas, apoiadas pelas mídias governamentais e lideradas por ícones como Yao Ming [ex-jogador da NBA] e outras celebridades chinesas mudaram as atitudes do público em relação às barbatanas de tubarão. Quando as pessoas estão informadas sobre o declínio das populações de tubarões e seu impacto sobre a saúde dos ecossistemas marinhos, e descobrem a crueldade na forma de capturá-los, a sopa dá mais vergonha do que prestígio.”

[FILME] Ex-Pajé

Ex-Pajé é um filme do cineasta brasileiro Luiz Bolognesi que retrata a ameaça das igrejas evangélicas e da modernização ocidental para a identidade cultural dos povos indígenas contemporâneos. O filme exibe a história de Perpera, um antigo pajé da tribo dos Paiter Suruí obrigado a se converter ao cristianismo após ser acusado de ter ‘vínculos com o diabo’ por uma cruzada evangélica. Até os 20 anos Perpera viveu num grupo isolado na floresta onde se tornou pajé. No entanto, depois que os brancos passaram a explorar o local, ficou difícil para o índio continuar a tradição. Isso porque os pastores evangélicos condenavam os atos e saberes do pajé. Em resumo: diziam que a pajelança era coisa do Diabo. Mesmo que não acreditasse, Perpera se sentiu obrigado a desistir. Viu-se cada vez mais isolado socialmente.

Para o filme um manifesto foi escrito, “os espíritos da floresta estão zangados, chorando por ajuda, como se, para cada árvore derrubada, cada rio poluído, eles se aproximassem da extinção. Um sábio xamã disse uma vez, a floresta é um portal cristalino, e todos nós, os humanos, precisamos disso. Se a floresta partir, nosso espírito partirá também. Os pajés devem existir e, para existir, devem ser respeitados. Antes que seja tarde demais, o mundo seja esvaziado de sua espiritualidade e o Céu pode cair sobre nossas cabeças! Chega de etnocídio! Mais pajés! Menos intolerância”, diz um trecho.

Segundo o cineasta, o papel da evangelização está sendo exercido pelas igrejas evangélicas, que têm correntes “fundamentalistas e muito agressivas” e apresentam grande crescimento no Brasil. Além disso, o trabalho destas igrejas é realizado de modo “muito violento”, em particular, contra os pajés, ao os acusarem de terem ligação com o diabo, o que os leva a serem perseguidos por seu próprio povo.

Algumas lideranças indígenas mostradas no filme afirmaram que a violência contra os pajés e a perseguição da igreja é, precisamente, o maior problema que os povos indígenas enfrentam atualmente no Brasil, por isso decidiram escrever um manifesto, que teria trechos lidos durante a apresentação do filme no festival.

O texto lembra que “em nome de um deus, homens missionários atacaram nos últimos séculos muitas outras formas de vida” e alerta que hoje se observa “o emergir de novas cruzadas de intolerância”, especialmente de missões evangélicas.

Além disso, os indígenas denunciam que os evangelizadores “se aliam aos inimigos dos povos indígenas, com mineradores e lenhadores legais e ilegais, com o objetivo de explorar não apenas os elementos preciosos de suas terras, mas também de suas almas”.

Segundo Bolognesi, “o encontro entre o interesse evangélico e o agrobusiness é estratégico”, pois ambos formam uma rede que “trabalha em conjunto” e que tem como objetivo destruir a dimensão mitológica dos povos indígenas.

“Se acabamos com sua mitologia, a floresta já não tem valor mágico, já não tem valor simbólico, espiritual” e, assim, fica mais fácil convencer os povos indígenas a destruir tudo e a despertar neles o interesse pelo dinheiro, comentou o cineasta.

Para Bolognesi, é precisamente de sua relação mitológica com a floresta e com a terra que os ocidentais brancos têm algo a aprender.

“Falamos muito de sustentabilidade, esta é a palavra do momento, mas ninguém no mundo conhece mais de sustentabilidade que os povos indígenas das Américas”, afirmou o cineasta.

Durante milhares de anos, explicou Bolognesi, os povos indígenas viveram de uma riqueza muito grande de carboidratos e proteínas, “sem destruir a diversidade de DNA que existe no mundo”.

Por meio das imagens, fruto da sensibilidade do diretor, Ex-Pajé deixa clara a intensidade e a gravidade da nova inquisição cristã e também o incômodo de Perpera. As cenas em que ele aparece nos cultos, está sempre de costas para o Pastor, com o olhar voltado para a floresta.

Trailer:

Para assistir o filme você pode descarregá-lo neste link. Lembramos que não hospedamos nesta plataforma qualquer tipo de arquivo ilícito ou não autorizado, e todo o material aqui compartilhado é extraído de fontes públicas na web.

Esta publicação contém trechos extraídos do Portal Geledés.

A Comunicação Entre as Árvores

Este interessante vídeo mostra como a natureza selvagem é interdependente e se comunica entre si de diversos modos para assegurar a sobrevivência de espécies e a expansão da vida silvestre. No ambiente selvagem não existe organismo solitário em funcionamento, tudo se interdepende em cadeia para formar um grande organismo vivo, especialmente as plantas e árvores.

Humanos representam 0,01% dos seres vivos e mataram 83% dos mamíferos

Estudo revela que plantas são principal forma de vida da Terra e que humanos foram responsáveis pelo fim de diversas espécies.

De Revista Galileu:

Apesar de representarem apenas 0,01% dos seres vivos do planeta, os humanos são responsáveis pela destruição de muitas espécies. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, revela, inclusive, que a espécie humana acabou com 83% dos mamíferos selvagens da Terra.

Publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa compila os tipos de biomassa — matéria orgânica — dos reinos animais. “A análise revela uma visão holística da composição da biosfera e nos permite observar padrões de categorias taxonômicas e locais geográficos”, escrevem os cientistas.

Esse é o primeiro relatório a estimar a quantidade de todos os tipos de criaturas vivas. “Eu fiquei surpreso em descobrir que não ainda não existia uma estimativa compreensiva e holística de todos os componentes da biomassa”, disse o pesquisador Ron Milo, do Instituto de Ciência Wrizmann, em entrevista ao jornal The Guardian.

Milo e sua equipe compilaram dados de diversas fontes, como da Organização Internacional de Comida e Agricultura, por exemplo, para estimar a biomassa de cada país e como a industrialização, o êxodo rural e o uso de novas tecnologias pelos humanos colaborou para o fim de outras espécies animais.

Os cientistas concluiram que os 7,6 bilhões de pessoas representam somente 0,01% dos seres vivos, as bactérias, 13% e o restante das criaturas, como insetos, fungos e outros animais equivalem a 5% da biomassa do planeta. O que sobra é das plantas: segundo o estudo, elas representam 82% da matéria viva.

Atualmente, 70% das aves e 60% dos mamíferos do planeta foram criados em cativeiro, enquanto 30% dos pássaros são selvagens, 36% dos mamíferos são humanos e os 4% restantes são selvagens. Ainda de acordo com o relatório, 86% das espécies se encontram em terra, 13% abaixo de superfícies (como bactérias, por exemplo) e somente 1% nos oceanos.

[ES – PDF] Revista Extinción – En Contra Del Imperio De La Humanidad, Su Civilización Y Su Progreso (Todas as Edições – All Editions)

A Revista Extinción – En Contra Del Imperio De La Humanidad, Su Civilización Y Su Progreso é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Sul dedicada a estudar o eco-extremismo e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e o progresso.

Atualmente está em sua primeira edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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Eco-extremismo, a nova face do terror no México

Artigo de 2016 extraído da imprensa mexicana. É importante ressaltar que desde a data da publicação Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) se expandiu a vários países e causou grandes danos e deixou feridos e mortos com as suas atividades terroristas.

“Os pensamentos surgidos em um momento de terror tem o mistério e os olhos petrificados de ícones bizantinos.”
-E.M. Cioran, O Crepúsculo do Pensamento

Em 11 de Setembro de 2001 nossa visão de mundo mudou enquanto as torres do World Trade Center, localizadas no coração de Manhattan, Nueva York, caíam aos pedaços após serem impactadas por dois aviões comerciais sequestrados por integrantes do grupo jihadista Al Qaeda no mesmo momento em que um ato similar atingia o edifício do Pentágono e deixava-o seriamente danificado.

A partir deste momento, extremismo ou “terrorismo” deixou de ser apenas uma palavra e se converteu numa sombra sinistra disposta a atacar no momento menos esperado, causando o maior dano possível e deixando a sociedade mergulhada no caos. No entanto, o mais preocupante é a frequência com que estes ataques estão sendo realizados, pois condicionam o imaginário coletivo e o levam a um estado de paranóia, e simplesmente na medida em que o ano passa se pode contabilizar inúmeros ataques, sendo os mais destacados os ocorridos em Paris, Bruxelas e Orlando, mas sem contar os eventos quase diários que são realizados no Oriente Médio.

O Eco-extremismo

Menos visíveis e comentados foram os atos de extremismo cometidos nos últimos dias no México por um grupo radical conhecido como “Individualistas Tendendo ao Selvagem” que buscam desequilibrar o desenvolvimento tecnológico da sociedade através de ataques bem planejados aos pilares deste crescimento como é o caso dos centros educativos e científicos. Os chamados “eco-extremistas” argumentam que estão “contra o progresso humano, que corrompe e degrada toda a beleza que há neste mundo”.

Este grupo, que também tem presença na Argentina, Chile [e Brasil], afirma que não reconhecem nenhuma autoridade a não ser a da “Natureza Selvagem”, em suas próprias palavras: “matamos porque rechaçamos qualquer moral que nos queiram impor, porque não consideramos nem “ruim” nem “bom”, mas sim uma resposta de nossa individualidade a toda a destruição que gera o progresso humano”.

Não é um grupo novo, vem operando desde 2011 e, na verdade, tem se multiplicado em diferentes células que estão presentes no centro do país. Os métodos vão desde cartas bombas até ataques frontais. Assumiram ao menos meia dúzia destes acontecimentos até agora neste ano, sendo o mais recente o assassinato do chefe de serviços da faculdade de Química, José Jaime Barrera Moreno, que na segunda-feira, 27 de junho, foi encontrado morto com um ferimento causado no peito provocado por uma arma afiada, mas não é o primeiro e asseguram que não será o último.

Em uma entrevista concedida a Ciro Gómez Leyva na Rádio Fórmula, datada de 1 de julho de 2016, anunciaram que foram os responsáveis por 8 ataques realizados durante o mês de abril, embora não tenham tido cobertura mediática apesar de terem sido concretizados tal e como haviam planejado.

Nesta mesma entrevista revelaram que apesar dos ataques e assassinatos perpetrados no México até agora não foi detido nenhum integrante do grupo e que segundo eles se deve ao que, em suas próprias palavras, são as instituições de segurança do país, “uma PIADA”.

No entanto, apesar de ser um grupo ativo em constante expansão asseguram que sua única finalidade é a destruição, “porque nos encontramos em um ponto onde nenhuma mudança e nenhuma revolução serão suficientes para realizar uma transformação social, pois tudo está corrompido de maneira irreversível”. Neste sentido, também dizem que não apostam pela “caída da civilização, nem temos como finalidade a destruição desta”, o que alguns poderiam ver como uma contradição, mas no aspecto mais básico da existência, na Natureza Selvagem, é o que acontece quando um animal ferido se encontra encurralado, ele ataca até que não possa mais, “os eco-extremistas são como as abelhas, as quais enfiam seu ferrão para ferir a seu oponente (a civilização) lutando sabendo que morrerão tentando, já que está claro que nesta guerra não sairemos vitoriosos.”

O mundo está mudando diante de nossos olhos e a maioria destas mudanças estão baseadas no terror nascido do sistema no qual estamos imersos, pelo que a informação poderia significar a diferença, não se trata de saber tudo, mas de estar ciente destas alterações para fluir em consequência, seja para nos reencontrarmos como sujeitos sociais ou para seguir nos destruindo.

“Não podemos caminhar com eco-extremistas”, dizem anarquistas mexicanos

O texto abaixo é o fragmento de um artigo da imprensa publicado em 2016 onde é possível ver a opinião geral que tem os anarquistas mexicanos sobre os eco-extremistas.

Em um ponto o autor do texto foi equivocado ao mesclar ou relacionar as “libertações” de animais com os atos terroristas de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). É uma afirmação que não procede já que ITS não advoga pela “libertação animal”, embora a prática tenha feito parte das etapas anteriores de suas raízes.

À caça de anarquistas

18 de Outubro de 2016

“Salvajes” y ecoterroristas, contra universidades y trabajadores

Grupos como Individualistas Tendendo ao Selvagem, Seita Pagã da Montanha, entre outros, tem sido marcados como “anarquistas” sem que sejam.

Publicam suas “libertações” de animais (como coelhos de granja e galinhas de fazendas) em bosques descampados, e também seus atentados contra institutos de investigação e reivindicam explosões que colocam em risco a vida das pessoas.

Eu seus comunicados estas organizações repudiam o anarquismo e qualquer tipo de esperança em construir um novo tipo de sociedade ou fazer a revolução. Sobre o fato de que tenham sido relacionados com o anarquismo, Individualistas Tendendo ao Selvagem disse, por meio de seus comunicados, que isso se deve provavelmente a porque começaram enviando seus comunicados a portais de informação anarquista.

Todos os anarquistas entrevistados concordaram que os eco-terroristas e eco-extremistas –que atentaram contra a vida de trabalhadores, universitários e cientistas– não são anarquistas. “Estes grupos fazem parte daqueles que não podemos caminhar junto”.

Um Falso Escape

Tradução do escrito de Huehuecoyotl que faz duras críticas a uma das práticas mais comuns na vida civilizada, o vício.

Diferindo das críticas tradicionais o autor não apenas critica o vício em substâncias psicotrópicas que dissociam a realidade e projetam o viciado a um cenário surreal, mas se refere também ao vício em ideologias transformadoras e utopistas que colocam de lado o aqui e o agora pessimista e criam um delirante mundo fantástico que é ansiado pelos seus adictos.

A mentira chamada civilização é uma hidra; cada uma de suas cabeças busca a hora certa para morder, para matar nossos instintos selvagens e nos transformar em robôs que caminham em condição de cúmplices. Desta condição ninguém está livre de se encontrar dentro desta sociedade. Para nós eco-extremistas tudo isso é uma constante guerra interna e contínua, onde há tentativas de viver longe das práticas e dos valores sociais. Várias destas práticas são, para muitos sujeitos -até mesmo os que chamam a si mesmos de “anti-sistema”- libertadoras, quando na verdade são práticas impostas pela civilização. Neste trabalho irei me referir a uma prática social na qual um grande número de hiper-civilizados e sujeitos com “posturas anti-sistêmicas” estão imersos: a vida dentro de um vício. Estas pessoas encontram muitas razões e justificativas para levar esta vida cíclica: a diversão, uma medida contra a tristeza, a decepção, “abrir a mente”, e a que para mim é a mais desprezível; a busca pela fuga da realidade.

A realidade nos golpeia constantemente, vivemos dentro de um mundo no qual o caminho em direção à morte vai se tornando mais e mais curto de maneira rápida. Esta é a cotidianidade chata e depressiva a que uma grande parte da cidadania está presa: estresse, trabalho, família, escola, rotina, transporte, tráfego, etc. Ante todas estas dores “escapes” são buscados, algo que dê um fôlego e faça esquecer estes maus momentos. Seria um erro pensar que ditas fugas que se tornam parte de uma vida cíclica são apenas substâncias ingeridas.

A grande dominação tecnológica é um forte pilar da vida cíclica, tornou-se “normal” ver jovens que na maior parte de sua vida vão com o celular em mãos -isso literalmente-, escravos e aprisionados, fundidos a um “mundinho” virtual com amigos igualmente virtuais e uma forte dependência das redes sociais, as quais não passam nem uns minutos sequer sem revisá-las. Estes são dependentes totais dos celulares e das redes sociais -dentro disso tudo a morbidez e a opulência ditam o dia a dia-, assim caminha grande parte da sociedade, em especial, a juventude, em direção a uma vida de progresso e tecnologia. Anseiam dentro de seus aparatos celulares a “vida ideal” que querem alcançar enquanto ao redor tudo o que é vivo segue desaparecendo. Sua vida ideal se resume no consumismo desenfreado, em relações banais, uma existência onde tudo é assumido como verdade e nada é submetido a críticas. A juventude segue já perdida, são tão dependentes tanto do celular como do álcool. Não vejo nenhuma esperança no futuro. Alguns ilusoriamente pensariam que as gerações futuras ao verem a grande destruição da Natureza Selvagem refletiriam e optariam por uma vida antagônica à estabelecida dentro da civilização tecno-industrial. Eu acho isso incrível. Os “jovens” que para os estúpidos esquerdistas são biologicamente revolucionários se encontram também na condição de hiper-civilizados, levando a cabo as mesmas ações dos adultos, envolvidos em seus estudos, deixando toda sua vitalidade para o “grande” progresso da humanidade, um progresso que está a poucos passos do precipício. Se os jovens são “nossos” próximos revolucionários, a onde iria sua revolução? Ainda que os modos de produção fossem alterados a produção continuaria a durar. E esta revolução… Que revolução poderia fazer um jovem que na maioria de sua existência se encontra ligado a um aparato tecnológico? Como teria vigência a ideia do “povo organizado” se este “povo” segue acorrentado à tecnologias, e segue perpetuando o estilo de vida dentro dos cânones da tecno-indústria? Que isso não seja uma confusão, como eco-extremista não tento estabelecer uma revolução que derrube a civilização tecno-industrial como uma “resposta” ou uma “melhor” revolução. Então, por que criticar a ideia de uma revolução? Ou por que criticar os jovens que se sentem revolucionários?

Penso que em alguns jovens existe um sentimento de culpabilidade ou indignação diante das situações que eles consideram como injustiça. Então, optam por se apropriar de ideologias que propõem uma mudança…, enchem suas cabeça com ideias revolucionárias, e vivem com base em utopias, meros anseios. Isto não deixa de ser um escape da realidade, ignorando a decadente realidade presente e esperando a revolução que chegará. Vivem em seu eterno sonho. Não vejo diferenças de uma pessoa presa a algum videogame com uma outra presa à ideia da revolução. Ambas ignoram o aqui e o agora. Porque o ato de pensar em seu mundo virtual bem como em seu mundo mais justo que algum dia chegará mantém a cabeça ocupada, e no segundo caso, os “revolucionários”, cura-os do profundo sentimento de culpabilidade. Para muitos esta afirmação que aqui faço será incômoda, alarmante e indignante. Responderão eufóricos que ao contrário daqueles que se mantém dentro da realidade virtual, eles como revolucionários realmente analisam a realidade e enfrentam-na. Será isso verdade? Quão real será seu enfrentamento contra a realidade se em suas redes sociais ante os olhos de todos difundem o que fazem sem medo de serem presos? Um enfrentamento “real” contra a realidade dá possibilidades de expressar seus posicionamentos aos quatro cantos? Alguns até mesmo se põem a encher a cara enquanto permanecem “de pé em luta”. Que engraçada é a forma de enfrentar a realidade destes “revolucionários”. Nós eco-extremistas sabemos que estamos diante de um risco constante, que nossas palavras e ações são incômodas para cidadãos e autoridades. Sabemos que as forças de segurança que operam nos distintos territórios onde atentam os selvagens eco-extremistas estão atrás de nós, é por isso que nós seguimos sempre despertos, por isso que rejeitamos tudo aquilo que distorça nossa realidade, porque a aceitamos e a enfrentamos por mais deprimente que seja, é por isso que vários individualistas se propuseram a difundir seus conhecimentos sobre como sobreviver dentro da civilização. Seguimos nos mantendo fora das grades, seguimos conspirando dentro de suas urbes.

Romper com a ilusão revolucionária não é fácil, mas enquanto se vive nela se ignora a realidade presente, tudo se torna tão utópico que se esquece do agora. A revolução que promulgam jamais chegará, o humano perdeu sua condição natural e se transformou em um robô que trabalha à serviço do progresso destruidor da Natureza. Quando será que esses jovens se darão conta da ilusão em que vivem? Eu não sei, talvez seguirão toda a vida perseguindo o fantasma da revolução, porque não é nada mais que isso: uma ideia morta.

Falei daqueles acorrentados tanto ao mundo virtual como dos que se encontram arrastando as correntes do anseio. Ambos desprezíveis para mim, ambos buscando falsas saídas para a realidade existente. Outros, os que há de monte em todas as cidades, tem caído na hipocrisia de falar de posturas antagônicas à realidade com uma garrafa na mão e seu corpo infestado de substâncias psicotrópicas. Abundam, há em todas as partes, suas razões? Muitas: para escapar das dores da vida, para agigantar a felicidade, felicidade que como já disseram em diversos comunicados eco-extremistas, é totalmente falsa. Em sua condição total de hiper-civilizados, não são capazes de levar a cabo convivência alguma a não ser por meio de uma substância que altere sua percepção da realidade, uma fuga nauseante e falsa onde apenas perpetuam os modos de “diversão” que impõe a civilização. Tristes são aqueles que tentam sanar suas dores sedando-se desenfreadamente. Parece que a hidra tecno-industrial fala e de sua boca sangrando sai as palavras que ordena a seu escravo: se está triste, drogue-se! Se deseja estar feliz, drogue-se! A toda dor ou a todo desejo insaciável de diversão a civilização oferece uma grande quantidade de substâncias psicotrópicas. O triunfo total: se você quer ser rebelde, igualmente drogue-se, e com isso o feroz guerreiro que poderia se lançar a uma guerra contra a realidade terminará transformado em um escravo dócil. A hidra rindo pronuncia sua sentença: a civilização triunfou, o guerreiro já está sedado! Não há “liberdade” alguma em uma vida cíclica. Muitos ignorantes catalogarão estas palavras de moralismo, mas cairiam em um erro pensar que como eco-extremista rejeito essas substâncias por considerar que é “mal” ingeri-las. Tentarão justificar de milhões de formas, justificando suas cadeias. Estas palavras não são uma questão de moral, já que me posiciono como um ser amoral. Estas palavras nascem de um desprezo, um desprezo à vida cíclica, às substâncias e às práticas que levam a essa vida. Se sentem tão vivos quando estão tão mortos, tão dependentes de uma substância ou de uma prática que sem isso o viver se tornaria algo impossível. Não é questão de moral nem muito menos que nos espantemos e cataloguemos essas práticas como “más”, é mero desprezo a suas atividades “libertadoras” que mais são um atalho à vida cíclica. No momento, até aqui chegarão estas palavras, haverá mais tempo para ir mais a fundo na crítica à vida cíclica e as distintas formas que ela se apresenta.

Adiante críticos terroristas!

Longa vida à guerra amoral eco-extremista!

Morte à vida cíclica dos hiper-civilizados!

Huehuecoyotl

Outono de 2016

A Ovelha Negra e o Lobo

Tradução de um texto extraído do trabalho editorial espanhol Contos do Lado Negro.

Na história várias questões são tratadas, incluindo predominantemente críticas às posturas de alguns anarquistas que acreditam ser rebeldes, mas que permanecem sendo parte do rebanho. Trata sobre individualismo, Natureza Selvagem, etc…

Libertária era uma jovem ovelha negra, mas, ao contrário das outras ovelhas do rebanho, ela havia nascido de cor negra. E a cor era apenas uma de suas peculiaridades. Seu caráter também se diferenciava do caráter das ovelhas brancas. Não era tão dócil como suas companheiras. Não abaixava a cabeça e se apertava contra as demais na hora do descanso. Ela preferia ir dar caminhadas nas proximidades em vez de ficar sonolenta. E na hora de se deslocar com o rebanho ela saía à frente, já outras vezes caminhava devagarzinho ou até mesmo saía fora da trilha, fazendo com que o pastor e os cachorros se irritassem e tivessem sempre que estar correndo atrás dela para devolvê-la ao grupo. E ao retornar para o rebanho quando anoitecia ela sempre era a última a chegar e se fazia a durona vindo com má vontade, de tal modo que o pastor costumava ter de ameaçá-la a gritos brandindo por um porrete e fazendo Libertária entrar à base de empurrões e pontapés. Às vezes, se contorcia contra o pastor ou os cachorros e os ameaçava de dar-lhes uma cabeçada. Ela inclusive já havia feito isso uma vez. Outras vezes quando o pastor ficava desatento Libertária cagava e mijava encima do seu cobertor e da sua mochila, pensava sobre as coisas, e tratava de explicar às outras ovelhas que era uma injustiça o pastor não tratá-las bem como os outros animais; não acariciá-las como fazia com os cachorros, não dar a elas outra coisa para comer além de ervas que encontravam no campo ao contrário do que fazia o pastor com o gado bovino que recebia feno e cevada, não levá-las para passear ao povoado como era feito com o burro… e ao ouvi-la as outras ovelhas deixavam de pastar por um momento, levantavam a cabeça, olhavam inexpressivamente para ela e logo após voltavam a pastar, assim como faziam quando durante uma tempestade o monótono som da chuva era interrompido por um trovão distante.

Devido a todas estas características tão atípicas em uma ovelha, Libertária via a si mesma como uma rebelde e se sentia afortunada porque pensava que ela havia se libertado dos preconceitos que as demais ovelhas não podiam ver. Pensava ela ser totalmente livre.

E assim foi até que um dia quando o rebanho estava nas pastagens de verão nas terras finais de julho, Libertária, que estava andando por aí como era de costume, deu de cara com um estranho animal que estava deitado na extremidade de um grande carvalho. No começo ela o identificou como um cachorro, pois seu aspecto era como tal, e tranquilamente logo trocaram saudações entre si.

– Olá!

– E aí!

– Você está vigiando algum rebanho aqui pelos arredores? – perguntou Libertária.

– No momento não. A propósito, ovelha, você não acha que está um pouco longe do seu rebanho? Poderia se perder.

– Não pense assim – disse a ovelha se gabando – eu não sou uma ovelha convencional, sou uma ovelha negra, ando por aí livremente.

Ao ouvir isso o desconhecido soltou uma gargalhada que deixou à mostra uma boca cheia de dentes afiados e dois pares de presas. Libertária ao vê-los se assustou e, de repente, se deu conta de que aquele animal parecido com um cachorro era o que as ovelhas mais velhas e os cães do pastor chamavam de “lobo”. Ela ia sair correndo quando o lobo lhe disse com um sorriso:

– Não fuja, eu não vou te machucar, acabo de comer uma igual a você agorinha do outro lado das montanhas. Não tenho fome pelo momento.

Gostei de ti e por isso vou te ensinar algumas coisas sobre você mesma que você não sabe.

Libertária ao ver que o lobo não se movia e que realmente parecia não ter a intenção de atacá-la, relaxou um pouco e expressou interesse.

– O que você pode me ensinar que eu não saiba? – lhe contestou.

– Sou um lobo velho, não se esqueça, e se tem algo que eu sei bastante é de ovelhas, porque matei e devorei muitas em toda a minha vida.

– Certo, mas eu não sou uma ovelha normal, sou uma ovelha negra.

– Negra ou branca, não importa, no fundo ainda segue sendo ovelha. Você se orgulha de ser independente, livre… mas não é capaz de ficar muito longe do rebanho, de abandoná-lo realmente, estou errado? Você já passou algum tempo do rebanho apenas com você? Você ao menos tentou? Por que não? Nem sequer passou pela sua cabeça – olhava a Libertária com seus olhos puxados de lobo e um olhar severo, e ela se calava e abaixava o olhar em um silêncio mais do que eloquente.

– Para você é suficiente passear na hora do descanso, mas claro, sem perder as demais ovelhas nem o pastor e seus cachorros de vista, acha suficiente sair da trilha quando o rebanho se movimenta, mas sem nunca deixar de acabar indo a onde vão todas as demais ovelhas. E, em geral, você só faz isso para gerar um pouco mais de confusão e para dar trabalho aos cães e a seu mestre. Com isso você se acha livre e rebelde, mas na realidade, segue sendo escrava, segue formando parte deste rebanho cujo não pode nem quer escapar, segue sendo ovelha, rara e negra, mas ovelha no fim das contas.

Você não é nem um muflão, nem um veado, nem um cervo, nem um javali, nem uma cabra da montanha, nem uma raposa, nem um urso, nem qualquer um dos outros animais selvagens que habitam estas montanhas e que são realmente livres. Nós desprezamos os cuidados e o afeto dos mestres e a comodidade de uma vida de escravos e prisioneiros, e o que realmente apreciamos é a vida livre e selvagem que temos aqui.

Já você, no entanto, não sabe nem pode saber o que é a liberdade, e se inveja da alimentação que o teu mestre dá a suas vacas e das carícias e o apreço que dá a seus cães, porque você é tão escrava quanto eles, e sempre será, porque não é mais que uma ovelha que não quer deixar de ser ovelha e crê que é o suficiente ser negra.

Você tem de saber que, se o pastor ainda não se desfez de ti e suporta tuas extravagâncias é porque você é útil para ele. Os rebanhos de ovelhas negras e brancas são mais resistentes a doenças do que os rebanhos compostos apenas por ovelhas brancas. Este último, com o tempo, tende a se degenerar e posteriormente se extinguir. Na verdade, no outro lado das montanhas, onde a pecuária está muito mais avançada do que aqui, os rebanhos estão compostos em sua maioria por ovelhas negras e cinza porque a mescla de ovelhas de distintas cores para escurecer a pelagem de seus descendentes garante a saúde futura, a resistência e a produção do rebanho, apesar de ser menos fácil de se manejar.

E agora, volte para teus semelhantes antes que eu tenha fome novamente e me arrependa de não haver te degolado.

E Libertária de cabeça baixa retornou ao rebanho. E seguiu sendo negra, é claro; e tampouco deixou de atuar de forma excêntrica de vez em quando (ao fim das contas era uma ovelha negra e não poderia deixar de ser um pouco peculiar), mas nunca se esqueceu da verdade das palavras do lobo: as ovelhas negras seguem sem ser mais que meras ovelhas, membros do rebanho.

E=mc2

Eu e Depois Eu

Tradução de um relato de um individualista em guerra contra a civilização. Nele se fala de coletivismo, drogas, terrorismo e Natureza Selvagem. É assinado por alguém das Individualidades Antissociais Pela Queda da Civilização.

Afastei-me do rebanho, escapei de falsas amizades, de relações hipócritas de companheirismo. Cansei-me das reuniões de convivência do modo correto e normal que impõe a civilização, convivências baseadas no consumo de álcool, drogas, conversas decadentes e repetitivas, apenas para quê? Simples… Para continuar com uma relação vazia. Como individualista com tendências eco-extremistas declaro-me inimigo de qualquer droga (legal ou ilegal) que domestique meus instintos selvagens e violentos. Devo estar atento e preparado para qualquer coisa, a vida é caótica e uma vida imersa no ataque a esta civilização tecno-industrial é ainda mais caótica.

Lanço-me a uma guerra contra o meu eu, o eu de alguns anos atrás, aquele que ainda acreditava na farsa da esperança revolucionária, que depositava seu esforço físico e psicológico no despertar do povo, cansei-me de esperar a revolução, abandonei esta ideia que agora me causa náuseas. As palavras revolucionárias apenas servem para encher a boca de esquerdistas ou de algum outro anarquista faminto de atenção. Quando falo de revolução não apenas me refiro a proposta por comunistas ou anarquistas que buscam a expropriação das fábricas, das coletividades, o assembleísmo etc., também refiro-me a ideia ilusória do primitivismo. Neste ponto da história isso é apenas um sonho, algo tão utópico. Estamos em uma civilização dependente das tecnologias até mesmo para a mínima ação onde os instintos selvagens desapareceram quase por completo. Para esta civilização alheia a natureza é impossível obter esta regressão às mais primitivas formas de vida. Quando as novas tendências são o altruísmo, o apoio mútuo, o humanismo, eu cada vez me afasto do humano. Seu altruísmo hipócrita que apenas se baseia em buscar a aceitação da sociedade na qual vive “o altruísta” ou na forma mais repugnante; o altruísmo por troca de “likes”, são o pão de cada dia neste terreno. O domínio total triunfou, adolescentes destruindo seus corpos a cada dia com dezenas de vícios, com aspirações tão decadentes como ter o melhor celular, o melhor carro, o par com o melhor físico. Este é o grande progresso humano?

Amargurado? Pessimista? Sim! Impossível ser feliz neste mundo cinzento que asfixia, que mata desenfreadamente a Natureza Selvagem. “Que siga o extermínio do natural!”, gritam ferozmente os hiper-civilizados agitando a bandeira do progresso com cada uma de suas nefastas ações.

Eu e depois eu!, grito tentando acabar com minha domesticação rompendo laços de relacionamentos inúteis, lançando-me a uma guerra contra a civilização e seus escravos, contra seu coletivismo, seu altruísmo e humanismo. Morte às relações baseadas na hipocrisia, vida longa para as afinidades sinceras. Meus afins que acompanham-me nesta guerra já perdida sabem; para mim sempre será eu antes deles, e vice-versa: seus eus antes do meu eu. Assim continuaremos porque somos indivíduos amorais e egoístas.

Opinião breve de Individualidades Antissociais Pela Queda da Civilização:

Nos enteramos que na madrugada de quarta-feira, 10 de agosto, algum grupo ou indivíduo colocou um artefato incendiário na sede do Partido Revolucionário Institucional (PRI) localizado em Torreón, Coahuila. Para ser honesto, ficamos surpresos com o dito ato, já que esta cidade é um ninho de hiper-civilizados e fábrica de dominação e artificialidade, onde não são comuns os atentados desta índole.

Também na mesma quarta-feira um guarda de um carro-forte foi assassinato a tiros após uma assalto. Esse ato foi realizado pela delinquêncoa comum e de igual maneira incentivamos esses tipos de atos terroristas que implantam o pânico e a tensão na sociedade. Um ser que se preocupa mais com o dinheiro (em muitos casos, alheio) que sua própria vida, apenas merece morrer.

Pela defesa extrema da Natureza Selvagem!

Adiante pessimistas e niilistas terroristas, eco-extremistas e anarquistas anti-civilização!

Pelo ataque indiscriminado e seletivo!

Manter viva a crítica e a ação contra a civilização tecno-industrial!

Com a Natureza do nosso lado!

-Algum individualista –

-Individualidades Antissociais Pela Queda da Civilização-

Torreón, verão de 2016

Halputta

Tradução do texto do autor Bowlegs que aborda o “ataque indiscriminado” defendido pelos eco-extremistas. O contexto deste escrito é o ataque de um caiman contra uma criança de 2 anos na Disney, em 2016.

O caiman é um caçador noturno. Durante o dia, na maioria das vezes ele é visto com apenas a cabeça acima da água, descansando. Mas quando o sol se põe, ele começa a caçar. Caça indiscriminadamente, quase como uma “máquina”, dirão alguns tolos. Mas estão errados, as mandíbulas podem facilmente quebrar uma perna, ou um braço ou algo mais. Sua cauda se move rapidamente na água à procura de presas, suas poderosas garras se movem na terra, tudo isso é a força da Natureza. Caso percebe algo se movendo na costa, o espreita, o ataca, o morde, o leva abruptamente para a água, o afoga, e, finalmente, o devora. Sem se importar com o que seja. Talvez, se percebe que não é algo tão saboroso, o deixa, mas sempre ataca primeiro, morde primeiro, e então decide se consumirá ou não. O caiman faz o que caimans fazem, não pode fazer nada a mais. Todo o raciocínio do mundo não pode mudá-lo.

As aldeias que se formaram em torno das águas dos caimans sabiam muito bem como eram. Os reverenciavam, como um dos donos das águas. Os hiper-civilizados, com sua arrogância e sua ignorância, anseiam que a Natureza se curve à sua vontade. Mas são descuidados, se sentem seguros, e a Natureza outra vez ataca.

Isso ocorreu no “Reino Mágico”, no que hoje é conhecido como o estado da Flórida, nos Estados Unidos. Uma família de Nebraska, estado do interior e sem litoral, pensava em deixar seu bebê de 2 anos brincar na margem de um lago próximo a seu hotel, em torno das 21 horas. Claro, os caimans estavam caçando, e o bebê se converteu em uma presa. O pai viu o caiman agarrar o seu filho, lutou com ele, mas nada pode fazer. O caiman levou o menino, mas não o comeu. O deixou na água, afogado e morto, uma tragédia para a família jovem do interior que estava de férias na Disneylândia com o seu bebê. Os civilizados, por pura vingança travestida de “segurança” mataram o caiman, depois outro e outro, procurando o culpado, o criminoso, o animal delinquente que se atreveu a seguir com sua natureza feroz, aconteça o que acontecer. Ainda não estão seguros se pegaram o malfeitor.

Cada selvagem nestas terras sabe que não se deve estar próximo a margem a esta hora da noite, pois é o momento de se respeitar a hora do caiman, da puma, do urso, das serpentes, e outros animais que são manifestação da força e esplendor da Natureza, a Vida e a Morte. Todo o Selvagem. Mas a família “inocente” não, a família “inocente” pensava que seu filho estava em uma “banheira”, brincando em sua casa com seus bonecos. Foi um momento de alegria e relaxamento que se converteu na vingança pela escravidão da Natureza. Assim, o pai pagou o preço mais alto:

“No meio da noite, Deus matou a todos os primogênitos da Terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que se assenta sobre o seu trono, até o primogênito do prisioneiro na cadeia…”

O eco-extremista é uma manifestação da Natureza, não tão perfeito como o caiman, é claro. É um ser rejeitado, um produto defeituoso e mal feito da sociedade tecno-industrial. Por isso não respeita suas leis, seu horário, sua ordem. Ataca como o caiman e depois se esconde na escuridão das podres urbes como um caiman se esconde na água pantanosa, sempre observando. E acima de tudo, é indiscriminado. Quando lhe aparece a presa, já era, não há remédio. Não é que não tenha “livre arbítrio”, o que francamente é uma piada. A civilização não nos dá escolha, é uma questão que ou você aceita completamente ou te classificam como um delinquente, um criminoso, um perverso. Bem, o eco-extremismo rejeita a falsa escolha do sistema tecno-industrial. A única escolha que será oferecida é o ataque, o fogo, a morte, até mesmo de “inocentes”.

Que os hiper-civilizados, até mesmo os mais progressistas ou também os “anti-autoritários”, morram de asco pensando nos atos indiscriminados dos eco-extremistas. Como os caimans, não é possível mudá-los. É uma questão de caçar ou ser presa, às vezes acontece de você ser uma, outras vezes não.

Ânimo, sempre foi assim.

Boa sorte.

-Bowlegs

kvco-hvse (junho), ano do crucificado, 2016.

O Espírito do Mundo

Trudução do escrito The World Spirit, de Shaughnessy.

Montanha, pico, beleza, himalaia, nuvens, sol, divindade, deuses, deus, luz, foto,

O Espírito do Mundo

O espírito antigo do mundo não é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó

É o silencioso esplendor do sol dourado

E a violência dos céus naquelas velhas tempestades sobre as colinas onduladas

É o jovem crescimento da primavera, um festejo para o cervo do inverno

E as ensanguentadas mandíbulas do lobo feroz

Formoso e selvagem

A glória divina do mundo, o fluxo de seu poder sublime

 

Carta de Uma Anarquista Decepcionada

Esta é a tradução de uma carta enviada por uma anônima ao blog Maldición Eco-extremista. Nela há a reflexão sobre o sentimento de frustração que muitos anarquistas tem com seus costumes políticos, e como o eco-extremismo é a faca que hoje corta o humanismo destas ideologias do passado.

Olá, Individualista.

Várias pessoas se impressionam com as maneiras sofisticadas com as quais tu se comunica e transmite os teus pensamentos, sem uma gota de hipocrisia moral.

As letras que tu consegue por no papel –já há quase 5 anos– abriram a minha consciência para o conceito real de liberdade. É por isso que sou profundamente e sinceramente agradecida.

Minha mente, na distância e na proximidade, sabe saborear apenas uma só luta. Uma luta que busca derrotar a civilização, a enorme prisão do gênero humano com todos os seus aspectos já tão manuseados: educação, gênero, tecnologia, prisão e fábricas. Essa tem sido a minha luta por muitas luas. Se ela não for derrotada, o que nunca acontecerá, eu gostaria de daná-la profundamente.

Mas como se pode conceber laços capazes de unir o pensamento-ação anticivilização, com a prisão, a Máfia, os niilistas terroristas, com a realidade das diferenças de gênero? Existe realmente um espaço para que a ação furiosa dos espíritos femininos possam finalmente ser uma realidade?

Individualista, eu li uma vez e outra o que escreveste e, em tuas palavras não apenas percebo uma crítica à FAI, mas também –algo, talvez um pouco– gratidão. Eles se levantaram em seu momento com o ataque indiscriminado e amoral. Eu fui inspirada por estas sensações de cumplicidade, as mesmas que sinto agora com a Máfia.

No meio de toda esta merda, Individualista, sinto que temos algo em comum. Eu vejo que nós crescemos do mesmo substrato.

Quanto se perdeu em palavras inúteis, pensamentos indefinidos e nada concretos!

A querida e mudada FAI. Era algo tão diferente se olharmos o que ela se tornou. Por quê vemos uma ação real? Por que estamos todos tão cheios de vento? Críticas, ideais, moral, grandes palavras e intermináveis discursos. Onde está a exaltante violência que carrega dentro de si o gesto do assalto? Claudia López tantas vezes lembrada por morrer combatendo e tantas mais esquecida em slogans estéreis? Talvez perderam o gosto excitante de se lançar à garganta do inimigo?

O comunicado número 26 me fez pensar e pensar. Um prazer e culpa ao mesmo tempo, ler sobre o ataque à Teleton no México e ao escritório de direitos humanos.

Fiquei impactada ao ver o que fez RS em seus tempos.

Por aqui odiamos tanto a Teleton… Mas nós nunca faríamos algo assim, exceto com aqueles que –pessimamente– colocam advogados as manas e manos na prisão.

Mas nasce em mim a força que faz parir o seguinte: a guerra contra a civilização é total… E o ódio é total!

Sinto que nós, anarquistas decepcionados, estamos diante de um paradoxo… Uma contradição entre o que dizemos e fazemos, entre o que escrevemos e somos… Há pessoas que já começaram a perceber tal coisa e chegou a hora de acabar com tudo isso. É o fim dos tempos daqueles que sabem apenas reclamar e estar em desacordo. É o fim das ovelhas negras e sua mutação para uma matilha de lobos.

Toda vez que converso com ex-afins, eles não sabem, mas cada vez mais um mar de distância nos separa. Sinto que a anarquia morreu e eles sequer se deram conta disso. A anarquia é prisioneira de seus próprios prisioneiros. A triste e grande prisão da ideologia fracassada e moribunda das ovelhas negras do rebanho humanista e civilizado.

É uma exaustão constante ter de conter o ódio e a raiva. Mas ali eles devem permanecer, escondidos da vista de familiares e amigos, ocultos diante da podre sociedade. Já não posso mais com esse ódio… Apenas agir selvagemente e sem alma, sem moldes antropocêntricos e com a vingativa violência. Então assim te quero ver, Individualista, vivendo apenas com o instinto livre e incontrolável, imprevisível e funesto. Ser uma loba sedenta de sangue, mas inteligente e com estratégia. Se eu devo me passar como branca no rebanho, que assim seja porque a Terra saberá, compreenderá que é a melhor forma de vingá-la.

[ARGENTINA] A Presença de ITS Ameaça a Segurança do G20


Neste vídeo exibido em uma reportagem na TV argentina o grupo eco-terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) é tido como uma das ameaças ao G20 que foi realizado naquele país. A reportagem exibida no programa  “Periodismo Para Todos” aborda ITS a partir do minuto 14 do vídeo. Nela mencionam que tiveram contato com o grupo e em um áudio enviado pelos integrantes da organização Constelaciones Salvajes é feito um repasse geral dos pensamentos da tendência. Para conferir o vídeo no site da emissora de TV, acesse este link. Se deseja conferir apenas a mensagem na íntegra que foi enviada para a reportagem você pode conferir o vídeo abaixo que foi disponibilizado na web.

[VÍDEO] ¿Cómo No?

¿Cómo No? é um vídeo publicado na web que compila um punhado de danos provocados pela civilização e o ser humano moderno à natureza selvagem. O texto adjunto ao vídeo foi também extraído da web.

Como não odiar as petroleiras? Como não desejar a sua destruição? Como não sentir raiva diante dos atentados contra a Terra? Como não querer atacar a desprezível mineração? Como não sentir asco pela devastação nuclear? Como não amaldiçoar a sua prática? Como não rechaçar o cristianismo? Como não continuar com a Guerra Ancestral? Como não clamar por vingança? Como não querer ver mortos os religiosos? Como não incendiar seus malditos templos e suas putas imagens? Como esquecer o que fez o invasor? JAMAIS! Como não vomitar com as inovações tecnológicas? Como não odiar a alienação moderna? Como não ver a loucura civilizada nisso tudo? Como não querer esfaquear a todos os híper-civilizados? Robôs miseráveis! Como não sentir asco dos estereótipos?

O ser humano moderno é um lixo, não tem salvação nem solução alguma. Está destinado a sua lenta artificialização. O ser humano moderno esqueceu que é um animal… Foi seduzido pela não-violência progressista. Os eco-extremistas reconhecem que são animais domésticos ainda com instintos assassinos, como todos os exemplos no vídeo.

A Divindade dos Falcões

Tradução do escrito The divinity of hawks de Shaugnessy.

O orgulhoso falcão sobre os ramos torcidos do velho álamo
Forma escura contra o céu da primavera
A violência do céu em seu olhar implacável
Desdobrando suas grandes velas
Saindo de sua posição elevada
A sombra turva sobre as pastagens iluminadas pelo sol
Uma morte brilhante sob as grandes asas
O afiado bico avermelhado com o jovem sol
Estas notas nas grandes sinfonias da terra se sustentam com ritos de sangue

Réquiem

Tradução do escrito Requiem de Shaugnessy.

A velha canção do coiote nos campos distantes parece sombria em meu coração

O som dos pássaros desce das escassas árvores jovens

Notas roucas de sinfonias quebradas soando pela tarde

A luz tardia do sol dourado ainda cai sobre os destroços do mundo

Talvez para beijar o cadáver retorcido uma última vez

Tal é o triunfo comovente da modernidade

Para trocar a glória completa e incompreensível do mundo

Pelos sonhos vazios dos homens

[ES – PDF] Revista Ajajema: Contra el Progreso Humano Desde el Sur (Todas as Edições – All Editions)

A Revista Ajajema – Contra el Progreso Humano Desde el Sur é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Sul dedicada a estudar o eco-extremismo e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e o progresso.

Atualmente está em sua sexta edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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SEGUNDA EDIÇÃO

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TERCEIRA EDIÇÃO

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QUARTA EDIÇÃO

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QUINTA EDIÇÃO

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SEXTA EDIÇÃO

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SÉTIMA EDIÇÃO

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OITAVA EDIÇÃO

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[EN – PDF] Atassa: Readings in Eco-Extremism (Todas as Edições – All Editions)

Revista Atassa – Readings in Eco-Extremism é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Norte dedicada a estudar o eco-extremismo e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e o progresso.

Atualmente está em sua segunda edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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SEGUNDA EDIÇÃO

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[ES – VÍDEO] Paquete-Bomba: ITS-Chile

Este vídeo foi compartilhado publicamente na web e se trata das reações, análises, equívocos e espanto dos meios de comunicação à respeito do atentado de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) no Chile contra o então presidente na época da mineradora de cobre Codelco, Óscar Landerretche.

[Vídeo – ES] Chile: ITS nos preocupa, pois busca alvos terroristas que danam a Terra: Capitão de Carabineros aposentado

Nesta entrevista concedida ao canal de televisão NTN24, Jorge Valdés, um especialista em segurança e ex-capitão da força militar chilena, analisa o grupo eco-terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) após o ataque perpetrado contra o então presidente na época da empresa de mineração Codelco, Óscar Landerretche. O áudio está em espanhol.

Vídeo – [Sub. ES-PT] Entrevista con experto en seguridad: sobre el atentado de ITS-Brasil

Entrevista com o especialista em segurança pública Newton de Oliveira concedida à Rádio EBC sobre o primeiro ataque reivindicado por Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) no Brasil em agosto de 2016, há poucos dias dos Jogos Olímpicos daquele ano. O comentarista foi pouco assertivo em suas análises.

O vídeo disponibilizado foi extraído da web.

As Bestas Devem Permanecer Unidas

Tradução de Beast must stick together, escrito por Ramon Elani.

—Para Bec

“Se os viajantes incansáveis não fossem em si a causa, então, como a fragrância e a cor da lótus no céu, não haveria percepção do universo”.
—Nagarjuna

A besta jovem disse à velha: Como posso viver neste mundo?

Este mundo dilacerado, quebrado.

A besta velha respondeu à jovem: Siga o teu alento. Fale com os espíritos nas poças.

Estas coisas acontecerão.

A besta jovem disse à velha: Tudo o que vejo é asqueroso e indescritivelmente feio.

Um mundo que é rasgado e eu igualmente rasgado dentro dele.

A besta velha respondeu à jovem: Vá a floresta, faça tortas e lenços.

Escuta as vozes da tempestade sobre as falésias.

A besta jovem disse à velha: Oh, velha bruxa! Busco o profundo poço nas florestas escuras.

Não consigo encontrá-lo.

A besta velha respondeu à jovem: Tu apenas o encontrarás nas profundezas escuras do silêncio.

O que tu procurarás que não poderás encontrar em teu interior?

A besta jovem disse à velha: Mas eu fervo em ira! Anseio sangue e vingança!

Os deuses deverão presenciar o terror que desatarei sobre este mundo maligno.

A besta velha respondeu à jovem: A menos que você faça um buraco em ti mesmo, não haverá lugar para que os deuses habitem em teu interior.

A besta jovem disse à velha: Meu coração é negro e não posso deixar a minha amargura.

Cuspo na paz e na gentileza do sono.

A besta velha respondeu à jovem: Quando estiver sozinha no gelo, cercada por demônios, haverá apenas a voz de tua verdadeira alma para guiar-te.

A besta jovem disse à velha: Tempestade antiga, me carregue na corrente, estou flutuando, atormentada pelos olhos sempre observadores da escuridão.

A besta velha respondeu à jovem: Olha para os cortes sobre meu peito, eu tirei a minha carne com cortes irregulares de uma faca esfoladora.

A besta jovem disse à velha: Te prepararei um festejo e uma reluzente carne vermelha que te dará água na boca.

A besta velha respondeu à jovem. Olha esta lança na qual eu me empalei.

Olha para as tranças de cabelo com as quais eu me estrangulei.

A besta jovem disse à velha: Te vi na casa escura que estava afogada em fumaça. Te vi caminhar com a lua.

A besta velha respondeu à jovem: Eu matei a meu irmão com suas escuras mãos aquela noite.

Eu matei a todos eles por seu silêncio.

A besta jovem disse à velha: O que viste caminhando entre as estrelas?

O que escutaste nos sussurros da neve?

A besta velha respondeu à jovem: O demônio azul se levanta das profundezas glaciais.

Ele infinca as suas afiadas garras nas entranhas do mundo.

A besta jovem disse à velha: Te afogarás em lágrimas? Um mar de óxido.

Despedaçado em fragmentos pelas ondas de ferro.

A besta velha respondeu à jovem: Submerja-te profundamente no abismo do oceano e não temas.

Depois de tudo, as bestas devem permanecer unidas.

ITS: uma das ameaças para a América Latina, segundo “Intercec Mag”

A Intercec, revista de segurança internacional que é responsável por publicar análises sobre ameaças para a segurança nacional, terrorismo e crime, publicou em outubro de 2016 o seguinte artigo intitulado Latin America Threatwatch: Terrorist groups and countries facing threat, onde expõe os países e os grupos que representam uma ameaça para a segurança tanto de suas fronteiras como fora delas.

O artigo menciona zonas como Venezuela, Colômbia, México, América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala).

Ademais, entre os grupos que para o analista representam uma ameaça estão as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ambos da Colômbia e o primeiro praticamente empurrado ao desarmamento; o Exército do Povo Paraguaio (EPP), e também Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Abaixo está traduzida a informação que nos interessa. Devemos destacar que o analista olha os atos de ITS desde o ângulo de sua profissão, e não a partir de outra perspectiva mais profunda. É também importante ressaltar que a capacidade de ataque do grupo eco-terrorista se elevou desde então, bem como se expandiu para outros países da Europa.

“Individualistas Tendendo ao Selvagem” é caracterizado como um grupo pan-latinoamericano onde seus militantes operam em grupos independentes. Surgido em agosto de 2011 o grupo defende uma corrente abertamente niilista, anticivilização e “eco-extremista”, chamando à destruição da propriedade, assassinato de cientistas e de qualquer indivíduo que apoie o que ITS vê como domínio da sociedade sobre a natureza, e justificam os danos, inclusive até mesmo a morte de espectadores inocentes. As proclamações e modos de ataque do grupo são inspirados, em parte, no Unabomber.

Embora originalmente estivesse ativo apenas no México, o grupo também reivindicou ataques no Chile e Argentina. Mais recentemente, no início de agosto, em uma publicação de um site afiliado a ITS, o grupo se atribuiu da responsabilidade de um artefato explosivo improvisado detonado em um centro comercial da capital do Brasil, Brasília, pouco antes do início dos Jogos Olímpicos.

A aparente expansão das operações de ITS para o Brasil após ter se estendido para a Argentina e Chile no início deste ano, marcou o maior aumento do alcance de sua “máfia”, em vez de qualquer mudança substancial de sua capacidade.

No caso dos outros países onde ITS opera, com exceção do México, as habilidades de fabricar suas bombas são limitadas, com operações típicas onde houve apenas poucos ataques de pequena escala com artefatos explosivos improvisados ou incendiários que, muitas vezes, falham em detonar adequadamente, salvo exceções. As vezes seus ataques consistem apenas no abandono de bombas falsas ao invés de deixarem explosivos viáveis.

A existência do grupo fez-se evidente em 9 de agosto de 2011 quando se atribuiu da responsabilidade de um ataque com pacote-bomba que feriu a dois professores do Instituto Tecnológico de Estudos Superiores de Monterrey, no Estado do México no dia seguinte. Em seu extenso comunicado reclamando sua responsabilidade, que foi publicado no blog Liberación Total, o grupo realizou críticas específicas consistentes com a investigação em nanotecnologia, citando preocupações sobre esta ciência contra o meio ambiente.

Nesse mesmo dia em que foi emitido o comunicado um segundo pacote-bomba foi desativado pela polícia no Instituto Politécnico Nacional (um artefato com livros), na Cidade do México. (…) Além destes atos, em outro comunicado o grupo se responsabilizou por outros dois pacotes-bombas a um professor em nanotecnologia da Universidade Politécnica do Valle do México, em Tultitlan, Estado do México, em abril e maio. O primeiro acabou ferindo um trabalhador que mexia com manutenção. (…)

[PT – PDF] Eco-extremistas: Sobrevivendo à civilização – Experiências da dupla vida eco-extremista

Eco-extremistas: Sobrevivendo à civilização – Experiências da dupla vida eco-extremista é uma publicação extraída da web, nela é possível entender mais sobre o método eco-extremista no que chamam de “vida dupla”.

Como forma de apresentação…

A guerra eco-extremista/niilista contra a civilização tecno-industrial está tendo uma expansão sem precedentes; clãs individualistas que atacam de maneira indiscriminada e/ou seletiva estão aparecendo na América e na Europa. Apesar das tentativas das forças da lei para capturar os guerreiros eco-extremistas… A tendência segue se expandindo sem freio com novas formas de ataque e com novas experiências para “se infiltrar” nas decadentes urbes da civilização.

Este trabalho é realizado pela vontade de vários eco-extremistas que aprenderam a se infiltrar na civilização, atacar e a escapar sem levantar suspeitas. O que menos desejamos é que este texto seja tomado como uma “Bíblia do Eco-extremista”, apenas expomos as lições obtidas através de nossas vivências e temos o sincero desejo de compartilhá-las a todos os individualistas que perpetuam atos criminais contra a civilização, e que estas lhes sirva para algo.

O chamado da Natureza ruge com força, as montanhas se quebram pelo horizonte cinzento da urbe, em nosso coração uivos ressoam. Decidimos nos armar, aprender com a Natureza Selvagem, adquirir experiências na fabricação de artefatos explosivos e incendiários para atacar a realidade artificial, e nos esconder e fingir para não levantarmos nenhuma suspeita. Se você, assim como nós, sente o chamado da Natureza Selvagem, se sente que esta civilização te asfixia….Arma-se!, e lembre-se: Na guerra contra a civilização TUDO é válido.

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[ES – EN – IT] (PDF) ¡MALDITOS!: Nuestra Respuesta Es Como El Terremoto… Tarde o Temprano Llega

¡MALDITOS!: Nuestra Respuesta Es Como El Terremoto… Tarde o Temprano Llega é uma publicação compartilhada na web que compreende a resposta do blog Maldición Eco-extremista às difamações e ataques por parte do espectro anárquico no ano de 2016. Publicação em espanhol, inglês e italiano.

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Delações em cadeia… Sim, claro, na Cidade do México!

Tradução da carta pública compartilhada na web pelo ex-anarquista Mario Lopez Tripa refletindo e fazendo duras críticas à “cena” anarquista mexicana.

Carta Pública de Mario Lopez Tripa

“O que se interponha em nosso caminho, derrotaremos”.

Antes de mais nada, uma enorme e cordial saudação.

Faz pouco mais de cinco anos e meio que acidentalmente me explodiu uma das bombas que eu portava. Felizmente era a bomba menos poderosa e que seria destinada aos escritórios do partido político PRD (a outra seria para uma das sedes do PRI. Naquele momento não me importava merda alguma qual partido político fosse, se tivesse existido o Morena igualmente eu teria atacado sua sede). Foi na noite de 26 de Junho do ano de 2012, apenas um dia depois do meu aniversário. Os policiais investigativos que me custodiavam no hospital diziam que o melhor presente que eu pude me dar foi o acidente.

A razão pela qual me explodiu a bomba, motivo que até agora havia sido um mistério e uma fofoca no interior do movimento anarquista e do espectro insurrecionalista que, segundo a vox populi, oscilava entre “ter feito uma bomba ruim ou sob pressão ou que a pessoa de nome Felicity Ryder e eu fazíamos competições sobre quem colocava mais bombas e por isso me explodiu (fofoca que até os dias de hoje circula nos círculos anarquistas do D.F., e que unicamente trouxe coisas prejudiciais a mim), que explodi a bomba intencionalmente, etc.”… não foi outro motivo a não ser o seguinte: que acionei a bomba em um lugar inadequado, ou seja, que a acionei próxima a um transformador elétrico, portanto, ao passar por debaixo deste o campo eletromagnético que emerge foi suficiente para esquentar o filamento da lâmpada de 1,5 volts e isso detonou a dinamite em pó. A segunda bomba não explodiu porque naquele momento eu ainda não havia conectado o interruptor-circuito. Mas este erro foi devido a uma distração que eu tive, uma distração que jamais perdoarei ou ignorarei.

Agora sim vocês podem dormir tranquilos, o dilema está resolvido, não há mais nada que dizer a respeito.

No entanto, esta carta não é apenas para esclarecer porque me explodiu a bomba, mas também para notificar a audiência de telespectadores anarquistas sobre uma situação que tem acontecido ao longo destes anos que tenho estado fora do alcance da justiça do Estado. Sem mais delongas, trata-se de uma delação, uma de muitas, usando o exemplo que irei expor para arrancar a reflexão ou a ação energética sobre aqueles que não precisam ser minimamente torturados para delatar a companheiros anarquistas ou fofocar sobre eles para assim colocá-los em um risco latente.

Há duas coisas que discutirei nesta carta, comunicado público, choro ou o que você quiser chamar. Desculpe se parecerei arrogante, duro ou agressivo, mas literalmente estou cagando para o que pensa a respeito; estes qualificadores serão atribuídos dependendo de seu estado de humor, de seus sentimentos de inferioridade, de sua baixa auto-estima, de seus preconceitos, de sua ideologia de merda ou de sua maneira de ver as coisas que irei expor, de sua perspectiva ou sua crítica concentrada. O que passará é que pouparei conversa fiada e irei direto ao assunto.

Delações em Cadeia

Bem, já faz mais de um ano que um indivíduo anarquista que durante os últimos anos da época dos anos 90’s até a metade do ano 2000 esteve preso por causa de um “crime comum”, em um par de assembleias abertas (pelo que eu sei, realizadas no interior da Biblioteca Social Reconstruid), afirmou que a Cruz Negra do Distrito Federal disse que “os compas que estavam em fuga (referindo-se a Chivo e a mim) estávamos apenas passeando de (disse o lugar) a (disse o outro lugar) com o dinheiro que nos era dado em apoio, para que com isso pagássemos nossas viagenzinhas do México a países da América Central, ida e volta.

Antes de mais nada quero deixar claro que NÃO me consta que a CNA emitiu tal afirmação delatora, mas SIM me consta que estas palavras saíram da boca deste indivíduo que é amigo e companheiro da CNA-DF e me consta não por uma, mas por várias versões de diversas pessoas que nem se conheciam entre si, mas que estavam presentes naquelas assembleias abertas. E eu sei disso porque o conheço e sei que tipo de pessoa ele é.

Antes disso, tenho algumas coisas a dizer, sempre assumindo o risco existente ao fazer este tipo de esclarecimento de maneira pública. Embora no fim das contas um companheiro preso ou em fuga tenha que dizer coisas que de alguma maneira possam prejudicar nem sempre é sua culpa como muitos querem ver, mas é uma responsabilidade coletiva que cabe ao movimento anarquista, já que graças a alguns bocudos, muitos compas se sentem e nos sentimos pressionados a emitir tais respostas -especialmente quando os que compõem o “movimento” anarquista e pior, o espectro insurrecionalista, não fazem nada em relação a este tipo de infâmias e este tipo de indivíduos. A maioria dos insurrecionalistas passam o tempo escrevendo slogans em seus comunicados pomposos e realizando ações para não perder seus postos na cena-espetáculo, mas quando se trata de usar armas para dar uma lição nos delatores e faladores ninguém faz nada, ninguém faz nada pelo simples fato de que todos são uns acomodados, de que lhes importa muito suas imagens, status, a imagem de seus grupos anarco-punks de música revolucionária e coisas do tipo. Então, onde fica a chamada Solidariedade Revolucionária da qual tanto falam os insurrecionalistas? A Solidariedade Revolucionária se reduz unicamente a comunicados, explosões de bombas e expropriações ou ações chamativas para tornar visível o micro-mundinho irreal anarquista?

Aqui está o que tenho que dizer:

Primeiro. Dinheiro de quem que andamos gastando? De seus amigos da CNA-DF que te protegem? Quando diabos você me deu algum dinheiro para que eu colocasse algum alimento em minha boca? Você sabe o que disse? Se tinha essa dúvida, porque você nunca me enviou uma carta pessoal, covarde de merda!!!!!??? Covarde de merda que nunca disse nada na minha cara e fica falando merda de mim quando sabe que não me é tão fácil te colocar no seu lugar? Por que quando soube que eu sabia ao invés de botar a cara você foi para Guadalajara fingindo estar em Tijuana e vice-versa e com certeza seus guarda-costas te ajudaram a ir aos EUA. Saiu correndo com medo de quê? Além do mais, por muito tempo eu (não sei o Chivo) não recebi nada do movimento anarquista a não ser pura merda, muito menos dinheiro.

Segundo. Este tipo de papinho só põem em perigo os compas em fuga ou na prisão, porque independente do que seja verdade ou não, as informações passadas sempre criam uma reação de delação em cadeia, já que uns falam e outros reproduzem, mas no final tudo se deforma e cai em informações que podem unicamente ajudar a polícia a localizar os companheiros em fuga ou engordar os registros e investigações contra companheiros na prisão.

Não satisfeito em dizer estas coisas sobre nós dois (sobre Chivo e eu) este cara fala sobre alguns indivíduos que no passado, isto é, na minha vida “legal”, foram meus companheiros de luta (entendendo isso como uma diversidade de maneiras de intervir) e vida. Este cara os acusa de “pegar dinheiro do grupo (xs compas) para nossas viagenzinhas”. Esquecendo que a fuga é sempre um movimento constante -mesmo que seja para ir às compras em Chiapas para depois vender algumas roupas usadas- Tais declarações obviamente colocam em risco aqueles indivíduos que desde que eu parti nunca mais voltei a vê-los e muito menos soube deles. Os põem em risco uma vez que essas falações e “indiretas” podem produzir uma investigação contra estas pessoas por obstrução de justiça, uma investigação que, embora parta de uma investigação própria do Estado, eles a poderiam assumir como uma consequência da luta, mas uma investigação assim não poderia ser assumida como tal quando esta tem como raiz a jactância de um indivíduo que quer se destacar entre os demais jovens e impressionar as garotas.

O que fazer com indivíduos como o deste caso? Como lidar com eles ou fazê-los refletir? Teremos que retornar aos velhos códigos revolucionários ou a reflexão é suficiente?

Felizmente, hoje, tenho ânimo apenas para descrever esta situação, no entanto, há muitas, mas muitas situações e muitos indivíduos e indivíduas que ao longo destes anos, desde que me explodiu a bomba e desde que eu fugi, não fizeram mais nada a não ser falar coisas que colocaram eu e a outras pessoas em risco, não fizeram nada além de inventar fofocas, falar merda…. mas não me desanimo muito porque a cada problema uma solução e pouco a pouco as coisas vão brotando.

Por último uma anedota, espero que lembrem-se

Poucos dias antes de eu partir de minha cidade encontrei a uma de minhas advogadas (neste momento eu ainda estava em uma situação “legal”, isto é, não estava em fuga da justiça do Estado, esclareço!!!). Ela me disse que dias antes foi ao Tribunal Federal (que ordenou minha segunda prisão no dia 20 de Janeiro de 2014) para solicitar uma prorrogação de mais alguns dias para que eu comparecesse para assinar. Durante essa visita, a juíza, além de cordialmente me convidar a comparecer por vontade própria disse-lhe que eu já estava bem fodido (ela utilizou esta palavra) já que após a minha detenção duas mulheres de nacionalidade espanhola tinham ido falar com ela e haviam dito tudo sobre mim, haviam falado tudo (eu realmente não sei o que é “tudo”) e tinha me “afundado”. Em um primeiro momento nós duvidamos já que esta “info” vinha de uma servidora do Estado. Posteriormente, na paranoia, pensamos que foram as compas Amellie e Fallon que no meio do que aconteceu, que foi muito forte, disseram coisas (que na verdade eu não sei o que poderiam realmente dizer), mas, finalmente, depois de dar muitas voltas sobre o assunto, buscar informações, analisar, recordar, comunicarmo-nos com estas compas e pedir-lhes honestidade, mas acima de tudo, ver as coisas com claridade após o que me sucedeu desde que fugi e a merda que por três anos certas pessoas fizeram da minha vida em fuga, fomos certeiros e hoje posso afirmar com toda certeza que não há mais a menor dúvida de quem foram essas caguetas, de quem se trataram, quem queria que eu me fodesse… quero dizer, no caso de que a senhora juíza não estivesse mentindo para minha advogada, bem… no fim das contas qual é a diferença na hora de tentar descobrir quem está mentindo, se é um juiz ou um anarquista?

Tomem esta anedota como um prelúdio para minha próxima carta na qual farei uma humilde reflexão individual sobre minha militância, mas acima de tudo, uma crítica da luta anarquista insurrecional na intensa época em que vivi.

“Quando a neve cai e os ventos brancos sopram o lobo solitário morre, mas a manada sobrevive”

Atenciosamente:

Mario Lopez “Tripa”.

Desde algum lugar neste mundo doente. Misantropia e natureza para sempre!

10 de Fevereiro do ano de 2018

Tocaia

Poema Tocaia pertencente à Revista Anhangá 2.

Tocaia

De Tocaia, silenciosos como a Lambú por entre os galhos;

De Tocaia, observadores como o Jacurutu estático;

De Tocaia, caçadores como a Sussuarana pronta para o ataque;

De Tocaia, contundentes como a Sucuri finalizando o abate;

De Tocaia, pacientes desde o alto como o Carcará;

De Tocaia, distantes como o Gavião-Pombo pairando no ar;

De Tocaia, escondidos em grutas como os Morcegos;

De Tocaia, vagantes das Chapadas como os Cervos;

De Tocaia, farejando a presa como o Teiú pela vegetação rasteira;

De Tocaia, subestimados, mas homicidas como o Tamanduá-Bandeira;

De Tocaia, entocados por aí como o Tatu em seu abrigo;

De Tocaia, agouros do Terror como o chocalho da Cascavél anunciando o perigo;

De Tocaia, inesperados como a Jararaca atacando;

De Tocaia, estratégicos como a Jaguatirica se rastejando;

De Tocaia, atentos como a Pega de olho na ameaça;

De Tocaia, sempre despertos como a Paca;

De Tocaia, ariscos como a Raposa em sua trajetória;

De Tocaia, desde o Nada e Fatal como o ataque do Caipora;

De Tocaia, vigiando a tudo como o Tetéu;

De Tocaia, analisando a podridão como o Urubu desde os céus,

De Tocaia, preparados sempre como a Aranha-Armadeira;

De Tocaia, guerreando mortalmente como as Abelhas;

De Tocaia, destrutivos como uma manada de Catitu passando;

De Tocaia, ágeis como a Cutia se deslocando;

De Tocaia, cuidadosos como a Lebre por entre os campos;

De Tocaia, sedentos por sangue como a Piranha em um ataque relâmpago;

De Tocaia, caminhantes como o Aguaraçu mata à dentro;

De Tocaia, florescendo no submundo como sementes levadas ao Vento;

De Tocaia, ferozes como o Jaguar abocanhando o pescoço;

De Tocaia, ameaça noturna e implacável como o Lobo;

De Tocaia, assassinos como o Jacaré estraçalhando a carne;

De Tocaia, invisíveis como o Urutau por entre as árvores;

De Tocaia, certeiros como a Surucucu cravando suas presas;

De Tocaia, rasgando o humano como um Tubarão desde as profundezas;

De Tocaia, migratórios como a Andorinha em sua viagem;

De Tocaia, Indiscriminados como a Natureza Selvagem!

-Urucun

Não Somos Estudantes, Somos Criminosos

Tradução de No Somos Estudiantes, Somos criminales.

Estudar?..…

Para quê?

Eu não desejo me especializar em alguma profissão, não desejo ser uma futura peça da grande e moderna Sociedade Tecno-industrial.

Pelo conhecimento?

As instituições educacionais da Sociedade Tecno-industrial não tem como objetivo induzir o conhecimento a seus estudantes, nem a razão ou a verdade. Seu verdadeiro e único objetivo é induzir, continuar e melhorar um sutil e oculto complexo processo de Domesticação.

Quando criança nos é ensinado como funciona o Sistema, quando jovens é ensinado a como melhorá-lo (Esquerdismo), e por último, quando adultos, o Sistema é herdado, perpetuando assim esta forma anti-natural de viver.

Eu não desejo ter um diploma ou me especializar em alguma área específica. O conhecimento é tão diverso e extenso, e minha curiosidade também. É assim que irei aprender, quando o meu interesse cobiçar o conhecimento que eu desejo, e o aprenderei por mim mesmo, é claro, pois sou autodidata.

Eu estudo para amenizar a ignorância, estudo para conhecer, entender, questionar, criticar e tentar explicar a complexa realidade que me rodeia. Estudo para esclarecer, fortalecer, descartar, ampliar, criticar e verificar minhas próprias razões. E para realizar tudo isso eu não necessito me trancar em uma sala de aula, interagir com desconhecidos, moldar meu tempo a seus horários, aceitar suas formas e programas de ensino ou aceitar suas tarefas, provas e notas.

Estudo para aprender e conhecer e não por um estúpido cargo que me garantirá uma boa posição dentro desta sociedade doente.

O indivíduo livre não necessita que o obriguem a estudar, pois se o seu interesse é real ele mesmo dará consistência ao conhecimento desejado. O indivíduo anti-sistema cria e gere sua própria forma de viver, e também é capaz de gerir suas próprias formas de aprendizagem.

Para ser alguém na vida?

Antes de qualquer coisa, eu já sou alguém. Sou eu mesmo, o único. E a cada dia me descubro e me construo como indivíduo. Lástima por aqueles que se sentem um nada e anseiam ser alguém dentro desta Sociedade (uma futura peça do progresso da Sociedade Tecnológica).

Eu não desejo ser alguém dentro desta decadente sociedade. Eu sou algo contrário a ela, sou seu inimigo.

Sou um animal humano domesticado que luta para ser livre, um animal que escapa e incendeia sua própria jaula.

“A rebeldia contra a Tecnologia e a Civilização é uma rebeldia real, um ataque aos valores do sistema atual.” – F.C

Para ter meu futuro assegurado?

O futuro e a segurança não existem, tudo que existe é o presente, este único e irrepetível instante, no qual o meu coração está batendo. Deste modo que vivo e desfruto minha única e irrepetível vida, aqui e agora, porque talvez amanhã já possa ser tarde demais.

Para ter uma boa posição econômica e social?

Eu não desejo ter uma boa posição econômica e social dentro desta maldita Sociedade porque a forma de viver nela atenta cada vez mais contra a minha Liberdade Individual e está sistematicamente devastando, domesticando e artificializando todos os aspectos da Natureza Selvagem, do planeta em que vivo. Eu não desejo possuir, ostentar e acumular inúteis objetos materiais em excesso. Não desejo ganhar rios de dinheiro ao custo de viver minha vida (me prostituir = trabalhar) legalmente diante de uma empresa. Eu não necessito de seu reconhecimento social nem da aceitação de uma grande Sociedade de desconhecidos. Desejo apenas ter o poder de eu mesmo dirigir a minha própria vida, desejo ser verdadeiramente livre, como o animal humano selvagem deveria ser. Desejo voltar à incessante luta por minha sobrevivência, desejo uma vida livre, uma vida com sentido, desejo viver realmente. Desejo poder adquirir da forma mais autônoma e autossuficiente, com o esforço do meu corpo e mente, dia-a-dia, o necessário para poder satisfazer todas as minhas necessidades. Desejo uma vida livre, simples e natural, com estreita relação com meu meio natural-selvagem, e com meu pequeno grupo de afins próximos.

Para poder me realizar ou obter o ansiado sucesso?

A realização, o tão falado êxito na vida que a Sociedade Tecno-industrial deseja para os indivíduos é o que culmina no seu processo de educação (domesticação), como boas e eficientes peças de sua dinâmica social. É por essa grande razão que desde pequeno te arrancam obrigatoriamente de sua casa para poder te domesticar (educar). São 3 anos de jardim de infância, 6 anos de ensino fundamental, 3 anos de ensino médio, 3 anos de preparatório, e anos e anos de universidade, mestrado e doutorado.

Este Sistema rouba a tua vida, condiciona tua maneira de viver e de se comportar, controla sutilmente tua vivência, e teu destino eles já escreveram: estude, trabalhe, consuma e morra. Não é? Talvez não está tu destinado a ser uma futura peça do Sistema? Talvez neste momento já não seja?

Dizem que um cachorro está bem treinado ou adestrado quando é submisso, obediente e fiel a seu dono. Da mesma forma é dito que um indivíduo é bem sucedido ou está “realizado” quando cumpre os objetivos que o Sistema social lhe impôs, quando é submisso, obediente e fiel ao Progresso de sua Sociedade, um bom cidadão, um bom animal domesticado.

As estruturas e mecanismos de controle e domesticação são tão sutis que a maioria das pessoas acreditam que o cachorro treinado-adestrado é livre. Da mesma forma eles se crêem livres neste grande zoológico humano. Nossas casas são nossas jaulas e cada vez mais vivemos arrebanhados como galinhas de uma granja industrial. A educação é uma cadeia psicológica tão forte que nos liga a todos, é um valor do Sistema tão arraigado que existem pessoas inteligentes e reais que odeiam esta forma de vida, que estão edificando suas próprias ideias e valores, que realmente amam sua Liberdade Individual e a Natureza Selvagem, mas que custam renunciar ao estudo escolarizado. Para estes, força e valentia!

O conhecimento os fará livres?

Sim, mas apenas o conhecimento que nos guie à razão e a verdade. São muitos os que ingenuamente acreditam que o conhecimento que oferece o Sistema os fará livres. O conhecimento sempre foi sutilmente utilizado pelo Sistema para seus próprios fins, ele sempre o utilizou e o manipulou para o seu auto-sustento.

Criminoso-Livre e Selvagem

Facas nas Sombras

Tradução de Cuchillos en Las Sombras, poema da Revista Regresión N° 6, compartilhada publicamente na web.

Facas nas Sombras

Oh, carne que se despedaça!
Sangue chove sobre o asfalto,
O grito implora, quase chora,
Um corpo se desvanece no alto.

Corpo falecido por um rugir,
Um uivo e um sagaz miado,
Disfarçados de facas destinadas a ferir,
Apagar o brilho para o civilizado.

A sombra esconde o ato,
Os rostos tingidos das meninas selvagens;
Compartilham destruições e toques,
Apenas as estrelas acareciam os pesares.

Pesares, dores, tragédias….,
As quais fomos condenados, acorrentados.
Bosques indômitos, apenas na memória,
Facas na escuridão, por cada selvagem assassinado.

-Luas de Abril-

(Roma Infernetto – “Mundo Merda”) – Profanação e Devoração

Tradução do texto Profanazione e Divorazione.

Fragmento niilista que dedico a um “defunto” inimigo meu.

Por mim.

Ajoelhe-se diante de mim.

Tu te estiras e te alargas em uma posição raquítica.

Cuspo sangue negro, bílis da efusão.

Cuspo meu líquido venenoso contra meu inimigo.

Estás preso.

Capturado vivo, respira morto.

Morto estavas antes, com sua vida inútil, na necessidade de Minha paixão.

Aprisionado por uma armadilha que entreguei a ele.

Como uma aranha que tece sua teia para capturar a sua presa.

A fria nacessidade estratégica e a ardente Paixão para avançar neste “mundo morto”.

União de elementos, partículas venenosas de Egolatria, que se juntam e se chocam entre si, formando-se e destruindo-se.

O Criminoso Niilista é um animal feroz em uma sombria metrópoli.

Empobrecida carne viva e apodrecido interior.

Ele recebe horror pela humanidade decadente e sente Terror.

Está de frente e de joelhos: aflito desde o nascimento de seu atributo de limitação à sociedade honesta e correta.

Estavas equivocado.

O que pensava, que pensavas, viu-o como um absoluto no absoluto de tua condição.

Estás confundido, o que pensava, o pensavas, falsificaste tua vida e tua vitória de maneira geométricamente perfeita.

Precipitado em minha cova clandestina:

Agora és um morto errante.

Queria, já sabes, não duvidar… de ti mesmo.

Pensar e sentir, cheirar como um animal selvagem, em meio a espelhos simulados do ser humano mortal.

Não espelho nem reflito o sentido dado às coisas, mas romperei e esmagarei a certeza absoluta.

Me afundo com o veneno abismal, na profundidade solipsista de Meu inferno exclusivo.

Abro o abismo, hermético e infinito, e vejo uma parte superior, vertigem que suga aspectos infinistesimais da vida e da morte, o desejo do sentido morre a partir de uma esplêndida vida linear.

Não há um bocejo “comum”, aqui, em Minha cova clandestina, está o desejo de aniquilar a vida que capturei.

Cérbero está a meu lado.

O cachorro infernal de três cabeças.

Uma invocação caótica a suas bocas infernais.

Elementos unindo-se e encontrando-se, se liquifazem e misturam-se com a forma da sombra maléfica que persegue a meu corpo.

Tenebrosidade da noite que obscurece o conhecimento do raio limpo da paz.

É uma oração esquizofrênica, e uma petição de prazer e dor, sublime agonia pela morte de meu Objetivo Egóico.

“O cão do inferno expulsa seu esperma venenoso sobre meu inimigo, desejo o mal que aniquila a moral, teu julgamento para um ser humano infeliz que Agora está de frente para mim”.

Profanação de um corpo.

Devorando seu “sopro de vida”.

Um membro da Seita do Niilístico Momento Mori

Roma Infernetto – “Mundo Merda”

[AUDIO – ES] Todas as Emissões da Rádio Primate

Radio Primate é um podcast em espanhol publicado na web que analisa a tendência eco-extremista e o grupo mais expressivo que advoga por este pensamento radical, Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

*Recomenda-se escutar o áudio com fones de ouvido, isso devido ao som grave da voz no podcast.

PRIMEIRA EDIÇÃO

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GUIA:

0:00 – 4:03: Apresentação

4:04 – 7:19: Música

7:23 – 20:12: Sobre as Últimas Manifestações Selvagens

20:13 – 22:37: Música

22:38 – 51:30: A Caça às Bruxas Contra Atassa nos Estados Unidos

51:31 – 54:19: Música

54:21 – 1:19:39: A Persistente Presença de ITS

1:19:41 – 1:24:05: Música

SEGUNDA EDIÇÃO


OBS: este podcast é todo sobre o grupo terrorista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). A partir de 32 minutos e 57 segundos se aborda o tópico ITS-Brasil.

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Terceira Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem: A Mentira Sempre Tem Pernas Curtas

Traduzimos a terceira entrevista realizada com Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), desta vez concedida à revista política Siempre!.

A entrevista foi publicada na revista impressa e no site da empresa jornalística mencionada, embora não de forma completa. Um blog atribuído ao grupo terrorista a publicou sem cortes.

É válido mencionar que desde a publicação da entrevista (2017) ITS se expandiu ainda mais pelas Américas e inclusive pela Europa, com o surgimento de grupos na Grécia, Reino Unido e Espanha.

1. – Desde quando o grupo existe e em quais outros países operam?

Em 2011 “Individualidades tendendo ao selvagem” (Its) começou a operar, levando a cabo ataques contra centros de pesquisa científica, universidades, entre outros, nos municípios do Estado do México, nas delegações da Cidade do México, em Hidalgo, Morelos, Guanajuato, Veracruz e Coahuila.

Cabe destacar aqui que desde o ano de 2011 até então nós passamos por várias fases, por exemplo, em 2014 formamos um grupo chamado “Reação Selvagem” (RS) junto com uma dúzia de grupos que aderiram ao projeto, operando no Estado do México, Cidade do México e Tlaxcala, deixando de lado o nome “Its”. Já em 2015 RS foi dissolvido para que cada grupo continuasse o seu caminho sem estarem necessariamente unidos.

Em 2016 renasce “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (ITS), e até agora temos presença na Cidade do México, Estado do México, Coahuila, Chihuahua e Jalisco. Este novo ITS tem como um de seus objetivos a expansão internacional desta tendência, portanto, em fevereiro deste mesmo ano, grupos de ITS surgiram no Chile e Argentina. Em Santiago, capital chilena, um grupo de ITS incendiou uma máquina do tipo “Metrobus” em plena luz do dia e com passageiros ainda dentro, e embora não houveram feridos, o ataque foi o terrorístico sinal da chegada do eco-extremismo ao sul do continente. Neste mesmo mês, mas em Buenos Aires, capital argentina, um grupo de ITS detonou um artefato explosivo nas imediações da Fundação Argentina de Nanotecnologia, realizou várias ameaças a cientistas e abandonou um pacote-bomba em uma estação de ônibus. Em agosto de 2016 o eco-extremismo chegou ao Brasil, um grupo de ITS detonou uma panela de pressão cheia de pólvora negra no estacionamento do centro comercial Conjunto Nacional, em Brasília.

Devemos reconhecer que nestes anos de atividade o Eco-extremismo teve cúmplices, afins de sangue aderidos à tendência do Terrorismo Niilista, defendida e representada pelas Seitas Egoarcas na Itália. Também surgiram vários grupos na Alemanha, França, Finlândia, etc., que embora não se digam eco-extremistas, compartilham o discurso visceral contra a civilização e o progresso humano, melhorando com isso a “bandeira” do individualismo.

Como é possível ver, não somos um grupo novo que saiu do nada, temos um histórico e as autoridades federais sabem disso, só que nunca nos reconheceram de maneira direta porque não lhes convém e, claro, a grande maioria dos meios de comunicação dissemina a verdade “oficial”, embora esta sempre feda.

2. – Qual é o objetivo de vocês para formar um grupo desse tipo e o que realmente estão buscando?

Individualistas Tendendo ao Selvagem é um grupo de pessoas anônimas com conexões internacionais unidas para fins criminosos, ou seja, somos uma Máfia.

ITS é um grupo com vistas à destruição e ao caos na civilização, detestamos e rechaçamos cada aspecto da vida civilizada, artificial e industrializada que é imposta à Natureza Selvagem. ITS é a vingança esquecida que nossos antepassados nos deixaram. Há séculos atrás os antigos reagiram violentamente contra a chegada dos ocidentais, mas também reagiram da mesma forma contra a chegada das civilizações mesoamericanas. Os nativos caçadores-coletores nômades destas terras nunca se renderam e muitos preferiram morrer ao invés de se submeter a modos de vida alheios às suas culturas. Na ITS nós resgatamos essa resistência selvagem, agora nós reagimos violentamente contra qualquer indício de civilização como fizeram os nossos antepassados mais antigos. ITS é apenas a expressão de algo maior, ITS é também a chuva que inunda cidades, é a avalanche que soterra vilas inteiras, são os raios que acertam infraestruturas alheias ao ambiente, é o terremoto que inesperadamente põe tudo abaixo, é o ataque da onça contra a sua presa, é o belo canto do faisão, o vôo do condor, o nado das tartarugas marinhas, as ervas que saem do pavimento rachado das pestilentas cidades. Todos nós temos um assassino primitivo no fundo de nosso ser, e nós o deixamos sair e isso surgiu e não iremos parar, porque o eco-extremismo é apenas uma expressão do Selvagem, ITS é um grupo de indivíduos com um objetivo comum mas, por si só, o Selvagem sempre prevalecerá.

Cabe ressaltar que nós não queremos voltar para as cavernas, não queremos voltar a ser primitivos como o homo sapiens, e qualquer um que diga isso é um idiota e não leu nada do que nós escrevemos. Isso é ITS, e nós realmente não esperamos que muitos entendam isto, poucos o fazem.

3. – Por que utilizar o crime como um meio para resolver conflitos? Por que ir ao extremo de atentar contra a vida das pessoas? Não há outra saída?

Para nós não há saída pacífica a isto, não há ofertas com ninguém, não há acordos nem negociações, o que estamos vivenciando é uma Guerra entre o civilizado e a Natureza Selvagem. Por acaso há outra saída para as milhares de árvores que são cortadas diariamente pelas mãos humanas? Por acaso houve outra saída para os animais selvagens marinhos presos nas redes dos pescadores legais e ilegais? Por acaso houve outra saída para os nossos ancestrais que foram expulsos de seus territórios e massacrados séculos atrás pelos ocidentais que vieram para “nos conquistar”? Por acaso houve outra saída para a Terra devastada pela extração de minérios das grandes indústrias? Por acaso há outra saída a toda esta loucura civilizada? CLARO QUE NÃO. O humano moderno segue crendo que é o umbigo do universo, segue se sentindo deus e dono de tudo ao seu redor, embora a sua existência signifique para o universo uma total insignificância. Nós, ITS, aceitamos que somos parte do ser humano moderno, só que nós nos demos conta de que ainda somos parte da Natureza Selvagem, porque quando vemos um rio contaminado sentimos raiva, quando vemos máquinas perfurando a Terra nos gera tristeza, quando vemos milhares de carros indo e vindo nas fedorentas cidades sentimos ódio, quando vemos o avanço da mancha urbana sepultando ambientes inteiros sentimos repúdio, quando lembramos que os antigos morreram lutando contra os civilizados a única coisa que sentimos é o desejo de reivindicar a sua vingança e continuar com a sua guerra, e o crime é o punho com o qual batemos. Dizem por aí que em um país cheio de ladrões ser um criminoso é motivo de orgulho, por isso tomamos para nós estas palavras.

Deve-se notar que a nossa causa não é nobre, não é de justiceiros se acaso pensaram isso em algum momento, ITS é um grupo politicamente incorreto de criminosos, defensores amorais do Selvagem, assassinos do que é ocidental e não lamentamos dizer isso porque aprendemos com isso, com o Selvagem. Somos indiscriminados como os terremotos e as inundações, somos bestiais como as onças atacando e discretos como as raposas espreitando.

4. – Existe alguma pessoa ou grupo que patrocine vocês ou algum grupo que esteja com vocês?

Dentro do que chamamos de Máfia Eco-extremista existem vários grupos que, certamente, não são parte de ITS e não tem relação conosco, mas que lideram diferentes projetos de propaganda teórica, porém não há patrocínio de ninguém. São vários os grupos que editam as revistas, escrevem textos com bases filosóficas e antropológicas (principalmente), criam blogs, traduzem artigos, estão a par do que acontece, e mantém isso em um constante fluxo de atividade. Por exemplo, os nossos comunicados estão traduzidos ao inglês, italiano, português, tcheco, polaco, alemão, francês, turco, romeno, grego, galês e até mesmo em hebraico. Isso é a prova de que nossas palavras e atos têm se estendido também graças a todos aqueles e aquelas que simpatizam com a nossa tendência, mas, novamente, estes grupos NÃO tem nada a ver com as atividades de ITS.

5. – O que vocês se consideram? São anarquistas? Qual é a filosofia de vocês?

Não, nós não somos anarquistas. O anarquismo é bastante recente em comparação com o que defendemos. Te digo que naquela época do Iluminismo muitas das ideias liberais começaram a florescer na Europa, houve uma em particular que aquelas velhas massas proletárias se apegaram muito (além do Marxismo), especialmente por suas demandas idealistas, foi assim como o anarquismo teve seu auge no século XIX. Naquela época as pessoas sonhavam com um amanhã melhor, devaneavam em trabalhar no hoje para a “revolução” futura, algo que nunca chegou a ser plenamente realizado devido aos “obstáculos” que os estados colocavam no caminho ácrata. E se esta “revolução” por acaso tiver chegado ela se transformou em algo completamente diferente das ideias originais. É engraçado porque os anarquistas quase sempre eram tão estupidamente nobres que até mesmo deixavam o caminho livre para os comunistas, e então eles se apoderavam de suas realizações e se atribuíam de seus trabalhos, assim aconteceu na Ucrânia, Rússia, Cuba, Espanha e até mesmo aqui, em Veracruz, durante o movimento arrendatário, mas estas são outras histórias.

Voltando ao assunto, o anarquismo é uma daquelas ideias nascidas das demandas progressistas de “liberdade, igualdade e fraternidade”, demandas que nós desprezamos completamente, uma vez que a “liberdade” já não existe nesta era, é uma palavra e prática morta, alguns tolos quiseram se apegar a seu cadáver, mas cedo ou tarde acabam fedendo junto aos restos podres da história. A “igualdade” é um mito, tampouco existe, nada é igualitário, e se alguma vez fosse, o mundo seria uma cópia fiel do romance de Orwell ou pior ainda, do de Huxley. A “fraternidade” é uma questão relativa, mas quando os progressistas a invocam quase sempre se referem a uma fraternidade ou solidariedade com o “próximo”, o que é asqueroso. Como você pode ser fraterno com alguém que você não conhece? A solidariedade promiscua é o que o sistema quer que pratiquemos para que ele siga adiante, porque quanto menos problemas sociais existirem tudo irá segundo o planejado. O sistema precisa de menos crimes, menos corrupção, menos discriminação, menos discussões entre diferentes grupos sociais para que a civilização siga de pé, é por isso que a mídia dissemina tanto esse mito da igualdade, da não-violência e contra a divisão, e é por isso que nós repudiamos a igualdade e somos violentos, porque somos desses humanos que resistem em ser ovelhas do rebanho, somos a contrapartida deste sistema, nossos instintos assassinos voltaram dos lugares mais hostis habitados pelos selvagens. Então, com os nossos ataques estamos honrando a memória de Guerra dos antigos, estamos levando o caos e a destruição a uma civilização que declarou guerra não só a nós, mas a toda a Natureza Selvagem. O vírus do humano moderno se estende, eles destroem bosques, contaminam rios, envenenam a Terra, roubam minerais, vagueiam sem rumo, invadem ambientes, modificam sementes, etc. Eles têm visto a devastação que causaram na Terra e buscam por novos planetas para habitá-los no futuro; o sistema tecno-industrial tornou-se extremista, então por que não reagir da mesma maneira contra todo este lixo? ITS faz isso, reagimos na forma de atentados porque isso é uma Guerra, porque embora aceitemos que somos humanos modernos temos dentro de nós a chama da confrontação selvagem.

ITS não se define ideologicamente, nós representamos uma tendência chamada “Eco-extremismo”, que é anti-política, amoral, suicida, indiscriminada e seletivamente terrorista, pessimista, anti-revolucionária, que realça as crenças pagãs ancestrais anti-cristãs, levanta o nome da Natureza Selvagem, ridiculariza até não poder mais a demência dos valores humanistas, rechaça categoricamente o progresso humano, e não tem problemas em cair em supostas “contradições” no discurso, por exemplo, no uso da internet para realizar propagandas. Tudo está justificado, nesta guerra se vale de tudo.

6. – Como operam? Realizam algum tipo de atividade para conscientizar as pessoas sobre cuidados com o meio ambiente ou seus atos são destinados unicamente, como afirmado à imprensa, a aterrorizar, ferir ou assassinar?

A verdade é que não nos interessa “conscientizar” as pessoas, não somos revolucionários nem nos interessa que as pessoas “despertem” de seu sono letárgico. A massa gosta de viver entre seus próprios excrementos e bem, você perguntaria, e porque então publicar comunicados, propagandas e responder a entrevistas se não querem conscientizar os outros? E a resposta é fácil. Sabemos que há individualistas como nós em alguma parte desta bonita Terra, e sabemos que são muito poucos, estes atos são um eco que chegam a eles, que talvez os inspirem a realizar atentados como nós. Os comunicados nós publicamos não para ganhar adeptos ou para chamar a atenção para a contaminação (por exemplo), mas para reivindicar egoisticamente os atos que são nossos, ITS não permitirá que outros se responsabilizem pelo que temos feito ou que as autoridades afirmem que foi a delinquência comum, NÃO, os atos que fazemos são unicamente nossos e escolhemos um acrônimo na União de Egoístas para gerar uma ferida em nossas vítimas, queremos aterrorizar porque isso não responde a nenhuma demanda política, é apenas por seguir o impulso animal-primitivo e impô-lo sobre o civilizado.

7. – Como vocês escolhem as suas vítimas? Vocês tem contato com elas antecipadamente ou simplesmente as escolhem aleatoriamente?

Depende, o especialista em biotecnologia Ernesto Méndez Salinas assassinado em Cuernavaca, nós o seguimos durante semanas, até que metemos uma bala em sua cabeça em 8 de Novembro de 2011, enquanto ele dirigia a sua camionete por uma das vias mais famosas da cidade.

Com o vice-reitor da Tec de Monterrey aconteceu o mesmo, alguém nos disse que ele viajaria de Monterrey a Chihuahua para um assunto de família, e quando ele saía de uma igreja nós o caçamos e o matamos em Fevereiro deste ano, embora devamos dizer que por uma falha na pistola utilizada não pudemos disparar contra a sua esposa, então decidimos apenas tomar a sua bolsa para que ela não chamasse a polícia, mas se não fosse por isso a sua esposa teria tido o mesmo destino que o seu marido. Foi por isso que as autoridades de Chihuahua disseram que havia se tratado de um roubo, mas eles sabem que não foi apenas isso.

Já o casal que matamos no Monte Tlaloc nós os matamos apenas porque se encontravam no caminho. Originalmente íamos pelos madeireiros, os quais nunca apareceram, apenas estes dois transeuntes “amantes da natureza”. Nós não queremos ver humanos nos ambientes ameaçados por eles mesmos, então os madeireiros, campistas, exploradores e assim por diante também estão na lista. O mesmo aconteceu com a mulher assassinada na Cidade Universitária, já dissemos na entrevista com a Rádio Fórmula porque a matamos, não precisamos dizer mais nada a respeito.

O que queremos deixar claro é que nós não temos uma maneira específica de atacar, da mesma forma que podemos colocar uma bomba em um shopping para que fira a todos aqueles e aquelas que estejam perto do artefato, nós podemos também matar a um cientista especializado e podemos atacar por todas as partes, desenvolvendo-nos prazerosamente no ato de atentar, desfrutando do momento e gerando nervosismo, Caos e desestabilização.

8. – Por que agir dentro da UNAM? Há alguma conexão com algum outro grupo, por exemplo, com o que tem ocupado o auditório Che Guevara?

A UNAM é o berço do progresso, a partir dali são concebidas as mentes do futuro, que estão sempre pensando em melhorar o lixo que está deixando a espécie. A UNAM, a Tec de Monterrey, qualquer universidade pública ou privada, qualquer centro educativo, todos tendem à artificialidade, é por isso que merecem pacotes-bomba, incêndios, balas, terror e morte.

E sobre o auditório Che Guevara, queremos deixar bem claro que nós desprezamos esse lugar tanto quanto nós desprezamos o progressismo. Dentro deste okupa se escondem um bando de hippies fedorentos revolucionários que enchem as suas sifilíticas bocas com álcool, inalam e fumam drogas enquanto dizem que são “livres”, enquanto pagam de fodões, sempre se esquivando da ideia de que também são fantoches; este tipo de gente é o pior lixo. São estas pessoas que estão a favor do progresso humano, mas de uma maneira diferente, não se dão conta de que estão iludidos, mas ainda sim se sentem os mais radicais. Há tempos a comunidade universitária tem os “convidado” para que abandonem a CU, os estudantes bunda mole fazem marchas e entre todas as suas razões para expulsá-los dali dizem que é porque dão “má imagem à UNAM”, que “quando passam fedem à maconha”, rá! Sabem o que vemos aí? Primeiramente, vemos a eterna luta entre “moderados” ou “ultras” da greve de 99 (com muitas nuances claras), e segundamente, vemos a hipocrisia feita realidade, de um lado os “okupantes” se fazendo de coitadinhos, e do outro os estudantes julgando a seu próprio reflexo, como se eles fossem abstinentes. Enfim… Nós não tememos a relação com eles nem com nenhum okupa, organização, nem grupo anarquista, marxista, nacionalista ou de qualquer tipo, pois o que defendemos vai contra o que eles acreditam.

9. – Estamos inevitavelmente em um ano eleitoral, e há quase um ano uma mudança no comando presidencial, há alguma conexão entre suas ações e isso?

Repito, nós não temos ideologias políticas, o que defendemos vai além da política, então pensar que o que fazemos tem um fundo político é repetir o mesmo coro conspiracionista de 50 anos atrás.

10. – Há algo a mais que vocês crêem importante destacar na entrevista?

Nada. Apenas acrescentamos que seguiremos com o que fazemos, nada disso acabou, as autoridades e certos meios de comunicação podem até se fazer de desentendidos e dizer que o que fazemos é falso ou que não fomos nós quem fizemos, não nos importamos, há apenas que enfatizar uma coisa, a mentira tem pernas curtas…

-Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

[PT – VÍDEO] Catarse – Dias Melhores Nunca Virão

Este projeto foi publicado na web por Erva Daninha juntamente com o texto adjunto. Encontramos valor nas palavras e no texto que têm poder reflexivo e de alerta. Confira abaixo.

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Este projeto é sobre o agora, o mesmo agora de há três anos atrás quando ele foi produzido e esquecido. Esta edição é sobre os gritos de dor de um planeta que morre pelas mãos de um animal chamado humano e indiferente com a beleza do mundo. Juntei todas as minhas forças naquele momento para reunir o que encontrei de mais grave e pessimista sobre a situação ecológica da terra, recortes que apenas afirmam que já acabou para o humano e a civilização, não há mais volta e ele será punido com uma catástrofe extintiva que o varrerá deste planeta. As águas, os solos, as florestas, os outros animais, todas estas coisas sagradas significam nada para o humano civilizado adorador da tecnologia moderna. Coisa alguma poderá mudar o curso que a nossa espécie traçou para si mesma. Não há esperanças nem revoluções, tampouco messias que poderá deter a catarse da natureza selvagem. Merecemos o nosso próprio extermínio porque miseravelmente brincamos de deuses sem possuir grandeza para isto. Os dias por virem são pessimistas porque nós fizemos do agora o fim. Não haverão dias melhores.

Erva Daninha.

Tribo Isolada Assassina Missionário Cristão a Flechadas

Segundo noticiado o missionário queria evangelizar os selvagens, mas foi recebido por uma saraivada de flechas e teve seu pescoço amarrado por uma corda.

O norte-americano John Allen Chau, de 27 anos, foi assassinado por membros de uma tribo isolada que vive em uma ilha na Baía de Bengala, localizada entre a Índia e Myanmar. De acordo com informações das agências de notícias Reuters e AFP, a vítima viajoude modo ilegal para o local onde viviam os habitantes da comunidade tradicional — conhecida como Ilha Sentinela Norte, a região é protegida pelas autoridades indianas para preservar o modo de vida local e proteger seus membros de possíveis doenças trazidas por visitantes.

Chau conseguiu realizar a viagem após pagar pescadores da região para que o levasse até um local próximo da ilha. Ele então utilizou uma canoa para completar o trajeto, mas foi atacado pelos membros da tribo, que estavam armados de arcos e flechas. De acordo com relatórios divulgados, o caso aconteceu no último dia 16 de novembro (sexta-feira).

Segundo informações da imprensa local indiana, Chau seria um missionário que teria o objetivo de pregar o cristianismo ao povo que vive na ilha. Testemunhas que estavam em barcos afirmaram que os membros da tribo atiraram flechas e amararam uma corda no pescoço do norte-americano, que foi encontrado morto na areia da praia.

Sete pescadores que estariam envolvidos no transporte ilegal do homem foram presos pela polícia indiana — a Ilha Sentinela Norte, apesar de estar a centenas de quilômetros distante do continente, pertence ao país asiático.

Os habitantes da Ilha Sentinela Norte vivem de maneira isolada há pelo menos 55 mil anos: de acordo com membros de organizações que realizam o monitoramento à distância dessa comunidade, ao menos 100 pessoas vivem no local, que possui uma floresta e tem área de aproximadamente 60 quilômetros quadrados.

Em 2004, após um terremoto que aconteceu na região do Oceano Índico, helicópteros enviados pela Índia tentaram manter uma comunicação com os habitantes em busca de oferecer assistência. Ao se aproximarem, entretanto, um dos membros atirou flechas em direção ao veículo aéreo. Em 2006, dois pescadores foram mortos após o barco onde eles estavam se aproximar demais da Ilha Sentinela Norte.

A organização Survival International, que defende os direitos das comunidades tradicionais de diferentes partes do planeta, afirmou em comunicado que a tragédia deve servir como alerta para que as autoridades indianas protejam de maneira adequada as terras dos povos que vivem na Ilha Sentinela Norte.

O Último dos Tanaru

Recentemente foram divulgados registros do que parece ser o último dos Tanaru. O homem primitivo é o único sobrevivente de sua tribo que foi massacrada há mais de vinte anos atrás por fazendeiros. Desde então há duas décadas habita sozinho algumas florestas do estado de Rondônia. Os registros mostram que “índio do buraco” vive da caça e da coleta, além de praticar também a agricultura, cultivando alimentos como milho, banana, mamão e batata.

Mesmo após a sua tribo ser dizimada o Tanaru seguiu distante da civilização, sempre se esquivando e desprezando tentativas de contato. É assim que o último dos Tanaru vive, sozinho e primitivamente há mais de duas décadas em meio as florestas após o seu povo ser massacrado por civilizados, tal como uma vez fez Ishi.

 

Porque o Fogo Também é Natureza Selvagem

Tradução das reflexões do blog Nomen Nescio a respeito do “Fogo”. O contexto destas palavras foi o gigantesco incêndio que atingiu o Chile em fevereiro de 2017.

É desta forma que vemos uma vez mais como o Selvagem se impõe, desta vez foi com a fúria e violência do indômito Fogo.

Este contundente atentado do Selvagem contra a vida civilizada particularmente me enche de alegria. Me enche de alegria apreciar a desgraça que deixou em seu rastro. Me alegra ver as milhares de casas incineradas. Me alegra ver o terror dos humanos. Me alegra vê-los correndo apavorados diante da imensidão do Fogo. E me alegra saber sobre as mortes humanas.

Eu lamento pelos bosques nativos que sucumbiram à força esmagadora das chamas. Lamento a morte dos animais, de todos os pássaros e insetos selvagens. Sei que seus corpos se unirão à Terra, fertilizando-a para a próxima geração de árvores. Tudo isso eu lamento. Saibam que morreram por algo que é muito maior e mais poderoso que qualquer ser na Terra.

Saber que nem toda a sua mega-maquinária de aviões gigantescos foi capaz de apaziguar as furiosas chamas me alegra a alma. Saber que a única coisa que foi capaz de apagar o Fogo foi a própria Natureza Selvagem: através da Chuva. Com apenas alguns momentos de queda de água o Selvagem fez o que nenhum mega-avião pode fazer. Isso apenas reafirma a majestuosidade da Terra, de como os seus ciclos são onipotentes e impossíveis de evitar. Nada nunca será mais grandioso que a sabedoria eterna da Terra Selvagem. Porque somos regidos e estamos à sua mercê, ela sempre estará acima de nós. Nossa única e verdadeira autoridade é a Natureza Selvagem!

Que os humanistas sigam condenando e demonizando o maravilhoso Fogo. Que sigam se comovendo pela desgraça alheia. Que continuem a lutar sem sucesso contra o Fogo que ainda resta. Talvez o apaguem (provavelmente), mas saibam que o dano já está feito. Diante de tudo isso há apenas uma frase que vem à minha memória e que uma vez uma pessoa anciã me disse: “QUE O SELVAGEM SE ENCARREGUE DO SELVAGEM“.

Que assim seja, porque as montanhas têm a capacidade de se auto-regenerar, nascendo ainda mais belas que antes. Porque os insetos e outras espécies dos bosques voltarão a habitá-los. O que são para a Terra e o Selvagem algumas décadas? NADA.

Que arda tudo o que tenha que arder! Até mesmo o Selvagem!

Que os humanistas percam a vida ajudando a desconhecidos!

Eu rio de seu altruísmo hediondo e sua solidariedade promiscua…

Busca o Teu EU Espiritual

Tradução do texto Busca Tu YO Espiritual, da Revista Ajajema 3, compartilhada publicamente na web.

Desde pequeno eu tive um sonho frequente, e não sei bem se é um sonho ou um pesadelo, mas isso pouco importa. Nele eu sinto que sou uma pequeníssima parte de um todo e que este todo me absorve, e então me sinto impotente, sinto que caio por uma das bordas deste todo e que nunca chego a um final, e logo me afundo em desespero e as ânsias me consomem até que acordo. Este sonho eu tive desde muito pequeno. Já em minha adolescência foi frequente a chamada “paralisia do sono”. A ciência a explica como o momento em que o seu cérebro se “apaga” ao dormir, mas o seu corpo segue com algumas funções como a visão e o olfato, só que é impossível se mover. Associam isso ao cansaço excessivo, etc. Se você nunca passou por isso, deixe-me lhe dizer que no início é uma experiência assustadora, perceber que você pode mover os seus olhos, mas é incapaz de poder mover um só dedo ou de gritar, realmente é algo bastante perturbador. Minha família sempre viu isso como algo do diabo. Vindo de uma família religiosa, é natural que associem estas coisas com um castigo de Deus por eu ter me distanciado de seus mandamentos, etc. As etapas que tive em minha vida me deixaram valiosos ensinos que formaram as crenças pessoais que defendo agora na atualidade. Desde que eu me lembro sempre fui uma pessoa espiritual, sempre à procura de algo mais além, tentando me preencher com a sabedoria dos mais velhos ou de outras maneiras, através do que dizem os livros sobre crenças animistas ancestrais, tanto que cheguei a viver com pessoas que me abriram a visão a respeito disso.

Confesso que quando eu era mais jovem e me declarava anarquista, negava com todas as minhas mais fracas forças a espiritualidade, confundia a religião com as crenças, e ao mesmo tempo em que levantava a bandeira do ateísmo racional e irracional que alça a ciência moderna, em algum momento me dei conta de que tudo isso era um lixo, e que enquanto eu reivindicava estas posturas distantes eu estava negando a mim mesmo, estava negando a minha curiosidade, a minha vontade de experimentar e de explorar caminhos insuspeitados em companhia do Inominável. Então me distanciei destas posturas puritanas e me pus a conhecer mais, a deixar de lado o vício civilizado que dita que porque estamos nesta era “híper-moderna” nós “transcendemos” a crença nas forças da natureza. No começo era difícil para mim a ideia de que a chuva é algo mais que um processo hidrológico, que o fogo não é apenas parte de uma mistura de condições que fazem com que a chama seja produzida, ou que a escuridão é “simplesmente” escuridão. Mas com o decorrer dos ciclos eu aprendi a ver tudo isso e mais através de uma visão espiritualizada, embora não totalmente, eu devo esclarecer.

Foi há muito tempo atrás durante estes episódios de paralisia do sono que, enquanto eu me encontrava sem mobilidade, senti claramente a presença de um ser que me pegava pelas costas e me apertava com bastante força. Vi que tinha a pele escura e percebi que os seus braços estavam cobertos por cicatrizes. Logo sucumbi à situação e simplesmente me deixei levar. No começo senti medo, mas depois a paz me invadiu, então a partir daquele momento estes episódios pararam de me causar medo.

Anos mais tarde, em uma sessão com pessoas que levam a sério a prática da Santeria, tive a oportunidade de realizar um ritual enquanto um jovem era possuído por um guia (como eles dizem). O guia naquele momento era um ancião que formava parte de uma tribo de nativos amazônicos massacrados por europeus. Ele me convidou a fumar um tabaco natural com ele. O guia não falava espanhol, era uma especie de português arcaico misturado com ruídos parecidos aos chamados “clicks” dos Bosquímanos. Lembro-me que o quarto estava coberto por fumaça de tabaco, um silêncio intrigante reinava ali, algumas pessoas borrifavam água em torno de nós, uns mantinham a cabeça baixa, já outros viam expectantes o panorama, e eu, inexplicavelmente entendia o idioma do guia. Ele me disse muitas coisas, das quais eu não posso falar, mas me surpreendeu como ele sabia de algumas coisas que apenas eu sabia, como aquele episódio em minha adolescência com a presença noturna que eu mencionei acima. O guia me deu o seu nome, me disse que era um antepassado meu da África, me disse que as suas cicatrizes eram porque havia sido um bravo guerreiro, que eu era o seu reflexo e que não deveria rejeitá-lo. O jovem possuído despertou e pediu água…

Uma anciã apontou para o céu e disse: “Há aqueles que tentam ir mais além, uma maldição recairá sobre as suas cabeças”. Estas palavras à primeira vista não me pareceram muito contundentes, era apenas um comentário de uma curandeira com quem eu estava aprendendo a arte da cura por meio de ervas ancestrais, mas neste mesmo dia cheguei eu em casa e fui ver algumas notícias, foi quando vi que um astronauta (creio que era italiano) da Estação Espacial Internacional havia sido afetado pelo Desconhecido. Em um caminhada rotineira o capacete do astronauta começou a se encher de água, água que saía do Nada, então ele teve que ser atendido medicamente já que quase se afogou. Os engenheiros especializados, os físicos, etc., não puderam dar uma explicação concreta sobre o ocorrido (até agora). Foi então que as palavras da anciã ressoaram em minha cabeça, validando o que foi dito. Os humanos modernos desafiam o Selvagem e pensam que todos os caminhos são permitidos para eles, se aventuram naquilo que pensam conhecer, mas na verdade não conhecem uma única parte. A imensidão do Desconhecido é algo inexplicável, as suas obras são indizíveis, é incompreensível para quase todos os humanos modernos, apenas alguns poucos compreendem que não somos o centro do universo, mas uma parte dele.

“Há pessoas que tem mais trevas que luz em seu interior, mas você tem os dois quase no mesmo nível”, estas palavras foram as que uma vez me disse um ocultista durante uma conversa à meia noite em uma Lua Nova. Velas negras iluminavam símbolos estranhos, havia cheiro de enxofre e um som de metais se chocando nos acompanhava. Dentro da cabana era possível sentir uma atmosfera pesada, densa como névoa. Lá fora, a floresta estava em silêncio, cheirando a puro gelo, símbolos foram acesos com álcool. Você alguma vez já caminhou sozinho no bosque pela noite? Você já sentiu alguém ou algo te observando naquele momento? Tive esta sensação aquela vez, não sentia medo, mas um pouco de ansiedade que lentamente foi desaparecendo. Esta noite era muito escura, nem sequer podia ver as minhas próprias mãos. Estávamos sentados com os olhos fechados enquanto ele falava em línguas estranhas e às vezes gritava, as mãos suavam, os ouvidos estavam atentos, havia um frio nos ossos. O ser humano moderno está muito ocidentalizado, pensa que estes tipos de experiências são “ruins”, temem ao Desconhecido. Eu não o temo, aprendi a não temê-lo, eu o respeito. “Todos temos um Abismo, é necessário mergulhar-nos nele, e quando o fizermos, poderemos observá-lo e, ao mesmo tempo, saber que o Abismo também nos “vê”.”

As vivências e experiências que um individualista chega a ter centrando-se na espiritualidade são, muitas das vezes, resultado do risco de saber algo além, de sair do cofre em que nos metemos, de romper as crenças cotidianas impostas culturalmente. No começo, parece ser um mundo bastante hostil, mas quando você interage de maneira mais íntima com tudo isso a recompensa é grandiosa. Atreva-se, busque o seu Eu espiritual.

XL.

Você não tem que gostar de nós, mas tem que lidar conosco (ou porque seus anarco-pedaços são uma merda)

Tradução do texto You don’t have to like us, but you do have to deal with us (or why your anarco-stinkpieces are shit), de Sokaksin.

NOTA: apenas alguns pensamentos enojados, nada de espetacular. Eu estava pensando outro dia sobre todos os trabalhos escritos contra o eco-extremismo e decidi lançar alguns pensamentos rápidos a respeito.

Tenho estado envolvido com tendência já há algum tempo e tenho dedicado muito tempo a isso, então acabei vendo uma boa dose da indignação moral que rodeia o eco-extremismo. Toda a merda orquestrada pelos anarco-coletivos são tão velhas quanto o próprio eco-extremismo. A libertação coletiva das transgressões de assuntos tão santificados como os ataques a “inocentes”, a depravação da violência, o rechaço à gloriosa revolução, a solidariedade com as classes eleitas de oprimidos, blá, fodidamente, blá. O editor da Atassa, geralmente reservado a seu trabalho como mestre de memes e teórico de assuntos mais dignos que o chiado dos anarquistas, chegou a publicar recentemente um artigo que aborda algumas das questões mais comuns e inertes que surgiram em torno das atividades de ITS e do eco-extremismo nos últimos tempos, é possível ler aqui. Maldición Eco-extremista também foi suficientemente amável para oferecer mais esclarecimentos aqui.

Mas de certa forma a refutação de Atassa bem como as inumeráveis outras que ITS e companhia tem tido a paciência de produzir foram postas de lado e é bem verdade que todo o chiado e a fúria dos anarquistas vomitando continuou através da interwebs de seus virtuosos ajustes de vitríolo nos últimos dois anos de atividade eco-extremista, e isso invariavelmente representa pilhas de merda moralista. É um chiado chato, cansativo e vazio que apesar de seu grande showzinho, não diz nada. Pessoalmente, quero dizer que isso seria um pouco mais interessante se houvesse ao menos um fragmento de engajamento crítico com o que o eco-extremismo realmente pede para que considerem. Mas não, pelo contrário, temos a velha tática esquerdista de se dobrar frente a oposição. O progressismo, o humanismo e sua turma são como uma criança estúpida com as mãos sobre os ouvidos gritando para manter o som distante, apenas para gritar mais alto contra cada contradição de seus delírios. E assim temos as mesmas repetições das mesmas desesperadas fantasias progressistas humanistas de esquerda que não foram cumpridas agora por mais de cem anos.

Mas eu poderia perguntar, sejam honestos com vocês mesmos por um momento. O projeto progressista vive ou morre nestas esperanças e sonhos. Vive desta rejeição sempre tão humana da beleza do mundo que já está diante dela. Em vez da grande beleza do todo, se vê apenas um mundo que de alguma maneira tem caído fundamental e irremediavelmente. E deste mundo decaído evocam histórias de uma salvação em um mundo de sonhos além do imanente. Um mundo de florescimento humano, igualdade, paz, amor, etc. E eu não posso permitir que estes sonhos desapareçam por medo de desmoronar completamente. Mas estes sonhos progressistas e seus contos (isso vale para os anarquistas, os comunistas, etc.) não podem sobreviver em um coração que se abriu para a vida além dos mundos oníricos dos homens e que viu o vazio e a vaidade do “progresso”. Ele abriu os seus olhos para mostrar que os contos desmoronaram e que um mundo melhor para além deste é apenas uma mentira. Vê que “o bem” já está diante de nós na terra, nesta realidade final e indomável, em toda a sua graça, mas também em toda a sua terrível ferocidade, porque a luz e as trevas são uma só com a vida do todo. Como disse Jeffers: “O Deus do mundo é um traidor e está cheio de injustiça, Um torturador, mas também/ A única fundação e a única fonte”.

E assim as tensões pessimistas, niilistas e inumanistas do eco-extremismo são os pesadelos que atormentam os sonhos que constituem as fundações de todo o ideal humanista e progressista. A criança se contorce diante dos monstros que vêm à noite, se rastejando nas sombras de seus sonhos para aterrorizá-la e derrubar as suas fantasias mais queridas. E ela chuta, grita e acorda de seu sonho, se tremendo, neste mundo escuro e impiedoso, suando frio.

Eu diria apenas que você não precisa gostar do eco-extremismo. Te entendo. É chato ter alguém que mergulhe uma hora de aço frio no coração de seus sonhos. Mas, deixando um pouco de lado os seus pequenos aborrecimentos com o eco-extremismo, lamento dizer, mas você de qualquer forma terá que lidar conosco. Não iremos nos retirar. Isso porque não somos um simples bando de criminosos violentos que destroem e matam em nome da terra ou simplesmente um coletivo de escritores nervosos na Internet. Para além de nossas próprias individualidades, o que representamos, o que se manifesta através desta tendência, é tão atemporal como o próprio mundo. Esta escuridão eterna, o inefável e distorcido caos que trabalha no coração do mundo. Os homens, quando não haviam se esquecido dos caminhos da terra, haviam falado de nós desde quando falaram pela primeira vez do mundo em suas histórias. Nos relatos dos deuses mais sombrios. Porque nós somos um junto aos deuses que trazem os fogos que devoram casas na Colúmbia Britânica, porque também somos um junto deuses que trazem um oceano que se arrasta para devorar as casas dos homens arrogantemente construídas sobre pântanos antigos, porque também somos um junto aos deuses que trazem ventos furiosos que descem do céu para rasgar as casas dos homens através de grandes tornados.

Como individualistas neste repugnante Leviatã somos os das velhas histórias que falam que fizeram pactos com os deuses das trevas. Vendo a profanação de tudo o que é belo para nós decidimos ficar do lado de tudo o que devora este atual mundo cinza, ao invés das vazias promessas do homem e de suas obras. E assim, o eco-extremismo é mais que uma espinha em seus estúpidos projetos políticos ou um grupo de psicopatas “problemáticos”. É uma mensagem da escuridão, manifestação daquelas energias sinistras e primordiais do mundo que são mais velhas que o próprio homem. E assim, o som da última bomba eco-extremista se quietará, e se as últimas palavras pronunciadas contra a tendência forem esquecidas, ainda sim terão que lidar conosco. Todas as mais nobres proclamações de seus coletivos anarquistas do mundo inteiro não os salvarão.

-Sokaksin

O Eco-extremismo e a Mulher (Primeira Parte)

Texto traduzido da Revista Extinción N° 1, compartilhada publicamente na web.

Introdução:

Este artigo que será dividido em duas ou três partes (a próxima parte será publicada em nossa segunda revista), é destinado a abordar um assunto que até agora não se foi dada muita atenção dentro da tendência, pelo menos não publicamente, que é a relação do eco-extremismo com as mulheres.

Consideramos importante destacar o papel das mulheres eco-extremistas, uma vez que elas têm um papel primordial nesta guerra. Tanto por herança ancestral como por instintiva, as guerreiras têm uma enorme conexão com o mundo espiritual, com as forças da terra, com as propriedades das plantas, com a saúde corporal e mental, etc.

No artigo serão abordadas visões do que implica ser uma mulher eco-extremista neste ambiente, também incluirá uma conversa entre cumplicidades sobre esta questão, que sairá na segunda parte, e algumas outras surpresas. Nós expomos o primeiro texto abaixo:

Olá, mulher eco-extremista. São muitas as coisas que eu gostaria de lhe dizer, algumas até “proibidas”. Por não ter um afim físico próximo às vezes eu me sinto como se a realidade me sufocasse e a qualquer momento eu fosse explodir, mas ainda sim me mantenho firme como uma loba feroz que se passa por uma ovelha branca no asqueroso rebanho da massa.

Te comento algo sobre mim, há alguns anos eu renegava o meu gênero, como uma boa anarquista eu rechaçava o conceito e cheguei até mesmo a me considerar “assexuada” ou “queer”. Hoje este passado me entristece, mas o reconheci como um ciclo, parte integrante do que eu era antes para me tornar o que sou agora. Estas reivindicações feministas ficaram no passado porque eu me dei conta de que a Natureza me fez mulher e, orgulhosamente, não por uma questão de gênero, mas por uma questão muito maior e mais forte, que eu não me esforço para compreender, e sabe por quê? O humano está sempre buscando uma maneira de encontrar a explicação para tudo, qualquer ciência lida com isso, acham que têm explicações “razoáveis” para tudo, mas o que sabem é NADA. O que sabem são apenas esquemas antropomórficos fracos, explicáveis apenas para os humanos. É por isso que eu não me foco em compreender o “porquê” de eu ser uma mulher, simplesmente vim assim ao mundo e embora a realidade seja muito mais dura com nós (em algumas ocasiões), serve para endurecer o nosso caráter e nos fazer crescer como guerreiras.

Como bem sabem, neste momento o feminismo é um modismo pegajoso e, embora eu ache difícil aceitá-lo, se esta moda tivesse chegado antes quando eu ainda tinha estas ideias, haveria aceitado e estaria por aí renegando os “machos” e denunciando assédios inexistentes. Mas por “sorte” me afastei desta armadilha do sistema há várias luas.

E o fato é que, o olhar ocidental faz com que você se veja como uma vítima praticamente de tudo e de todos, te faz com que você concentre os seus esforços em lutas estúpidas que apenas te distraem do verdadeiro problema, a Civilização. Ao sistema lhe convém que busquemos culpados entre nós e que dirijamos o nosso nojo contra os homens, os imigrantes, a justiça penal, o Estado, os especialistas, etc. Então, seguir todas estas lutas efêmeras nos fazem parte de um rebanho, mas de um rebanho negro, supostamente “rebelde”, mas depois você percebe que não é nada disso.

Eu não quis permanecer assim, aceitei a minha existência como mulher e declarei guerra contra a civilização, e não a um modelo de sistema de dominação determinado chamado “patriarcado”. O eco-extremismo que defendo não se concentra em gêneros. Eu feri em atentados tanto a homens como mulheres por igual, porque esta guerra é contra a civilização como um todo, e embora não me importe o gênero do alvo, ao mesmo tempo reforço como individualista a minha condição de mulher no que fiz. Talvez não o reconheça publicamente, por estratégia, mas sim entre os meus.

Eu curei as feridas de meu homem com as ervas coletadas, chorei em sua ausência e o recebi com o coração aberto quando voltou de seu ataque. Contei o dinheiro que ele roubou dos bancos que assaltou, estive segurando a sua mão fugindo dos incêndios que provocamos zombando da polícia, eu guardei a pistola homicida após um ataque. Nos aproveitamos disso, de minha condição de mulher, porque este ingênuo sistema dita que uma mulher não pode ser a responsável por um homicídio, algo tão terrível para a sociedade, ou pela detonação de uma bomba, por exemplo. Realço as minhas características femininas porque a Natureza me fez assim, sou indivídua, mas ao mesmo tempo faço parte do meu complemento homem e nisso eu não encontro “subjugação” nem “relações de poder”, tal como fazem as politicamente corretas que tanto me dão nojo. Pelo contrário, eu vejo isso como um casal de lêmures, juntos, brincalhões, unidos, selvagens.

Na cultura de meus antepassados a mulher é a sábia, até mesmo mais que o Xamã, a que guarda o fogo da guerra e só quando as condições são favoráveis, fornece o fogo aos guerreiros para que saiam e arrebatem a vida dos inimigos, é a mulher quem guarda cuidadosamente a palavra e a sabedoria dos espíritos. Algumas se perguntam se realmente existe um espaço para que a ação furiosa dos espíritos femininos possa finalmente ser uma realidade. Este espaço está dentro de nós mesmas, nas palavras e nos atos, sozinha ou com o seu clã. Eu, como te disse, o guardei cuidadosamente para o próximo ataque, mas que o espaço está no atentar selvagem de nossas ancestrais femininas isso é fato, e não restam dúvidas.

Sem mais, mulher eco-extremista, me despido entonando cantos à lua, em uma mão há ramos de plantas medicinais e na outra uma faca empunhada que vai na jugular do inimigo.

Meztli
Lua cheia de Abril, 2017
Chikomoztoc

Segunda Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem

Tradução da segunda entrevista de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) concedida à Radio Fórmula em 12 de Maio de 2017, a qual se centra no escandaloso assassinato de uma mulher na Cidade Universitária pelas mãos do Grupo Indiscriminado Tendendo ao Selvagem (GITS).

Por quê mataram-na?

A pergunta pode ter várias respostas, mas vamos direto ao ponto, o assassinato da mulher na Cidade Universitária foi uma brutal e sufocante reação de repulsa ao ser humano moderno. Por acaso você acha que uma pessoa vagando na madrugada cambaleando devido as drogas químicas ingeridas é digna de seguir vivendo? Nós pensamos que NÃO, é por isso que ela recebeu o que queria, o que ansiava profundamente, a morte.

Todos os membros de ITS repudiam completamente os vícios do ser humano moderno, rechaçamos nitidamente a sua diversão asquerosa, nós odiamos aqueles que com pouco ou muito dinheiro que tem vivem alterando os seus sentidos, estes e estas que apenas removem oxigênio do mundo, são um desperdício, um lixo de pessoas, sejam homens ou mulheres, são o mesmo vírus que infecta esta bela Terra e é por isso que merecem a sua extinção.

A mulher assassinada na CU é o reflexo fiel de uma sociedade decadente que vive com pesar, pessoas fracas que não podem enfrentar a vida com toda e sua crueza, e decidem se drogar com substâncias estranhas, covardes que estão no mundo epenas vegetando inutilmente.

É engraçado que a reação por ter assassinado uma mulher dentro da CU seja tanta, e embora não seja estranho, é certeza que o mesmo teria acorrido se uma mulher tivesse sido morta na Cineteca Nacional, no Politécnico, ou em qualquer outra área onde as feministas operam. A CU, como já dissemos, é um dos berços do progresso, ali é onde o humanismo pestilento é escondido e ensinado sob o enganoso manto do “pensamento próprio e crítico”. Já vimos as amostras de repúdio e ficamos com um sorriso derramando bile. Todas estas feministas são umas idiotas que com estas demonstrações banais sabem apenas se ver como indefesas, se veem como umas “vítimas revitimizadas”, algo completamente contrário ao que quiseram demonstrar. Para todas as feministas e “feministos”, ou seja, para todos os progressistas, a nossa mais hedionda e execrável cuspida. O novo e mais escandaloso atentado realizado em seu berço é a prova de que isso não é um jogo e de que estamos falando sério. Chamem-nos de assassinos, covardes, pós-modernistas e toda a sua besteira, nenhum de seus insultos através de um computador, nem suas marchas, nem suas assembleias esquerdozas, nem o repúdio podem apagar o que fizemos.

Ah! E é claro, sim, estamos contra o progresso, odiamos a sociedade tecnológica, e não nos importa merda alguma se nos chamem de “incongruentes” com este discurso, isto é, quando usamos computadores para lançar nossas as mensagens misantropas contra as massas.

Como podem provar que foi vocês?

Lembram da vez que o grupo de ITS “Máfia Eco-extremista/Niilista (ME/N) disse em Junho do ano passado que haveria mais derramamentos de sangue? Não era uma piada e olha, aí está a prova. Vale ressaltar que ITS tem vários grupos operando no México e fora deste território, ME/N disse que em seu próximo assassinato removeriam o couro cabeludo de suas vítimas, e respeitamos a sua decisão. Nós somos outro grupo que nos distinguem os assassinatos sem nenhum modus operandi específico, então não esperem provas de nada, apenas a reivindicação surpresa como agora.

Quais outros homicídios e ações realizaram nos últimos meses?

Em Janeiro vários grupos de ITS participaram de saqueios, roubos e uma grande variedade de atividades delinquenciais após o gasolinaço no Estado do México e Cidade do México.

Neste mesmo mês ITS do Brasil abandonou uma carga explosiva numa rodoviária em Brasília, assim como ITS do Chile enviou um pacote-bomba à casa do presidente da diretoria da mineradora multinacional Codelco, Óscar Landerretche, em Santiago. O pacote detonou exitosamente ferindo tanto o alvo como a sua filha e a empregada.

Em Fevereiro grupos de ITS da cidade de Torreón, Coahuila, reivindicaram o abandono de dois artefatos incendiários em igrejas da região, bem como abandonaram um pacote-bomba em uma loja pertencente a uma empresa de biotecnologia (Sanki).

Um grupo de ITS no município de Tlalnepantla incendiou um ônibus com passageiros dentro, embora não houve feridos.

No último dia de Fevereiro um grupo de ITS na cidade de Chihuahua assassinou com um tiro na cabeça o vice-reitor da Tec de Monterrey quando este saía de uma igreja.

Em Março um grupo de ITS realizou um ataque armado contra um prédio de propriedade da ICA/CARSO no município de Zumpango, Estado do México.

Em Abril um grupo de ITS em Torreón, Coahuila, abandonou de maneira indiscriminada um pacote-bomba em um dos bancos de La Alameda, resultando em uma adolescente com queimaduras.

Muitos já sabem o que aconteceu em 30 de Abril quando matamos a uma dupla de caminhantes no Monte Tlaloc em Texcoco, Estado do México, e em 3 de Maio, a tal Lesby.

Estamos apenas começando, a Máfia de ITS se estende pelo México, Chile, Brasil e Argentina e não há indícios de que possam nos deter.

Quais serão as suas próximas ações?

Apenas nós e o Oculto sabemos dos nossos próximos atentados, não há garantia em nada, não há avisos de advertências assim como o Jaguar em seu ataque, como a repentina tempestade que cai do céu, como os terremotos que sacodem e deixam destruição…

Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Grupo Indiscriminado Tendendo ao Selvagem (GITS)

Ataques Indiscriminados? Mas que diabos passa com eles!!

Tradução de um texto do editor-chefe da Revista Regresión publicado na web. Nele se abordam dois tópicos defendidos por eco-extremistas, “debate amoral” e “ataque indiscriminado”. Trata também de indiretas de anarquistas e algumas coisas mais.

“Assim, porque és morno, e não frio nem quente, te vomitarei de Minha boca.” – A.

Já faz algum tempo que tenho escrito sobre o posicionamento a respeito dos ataques indiscriminados de parte dos grupos eco-extremistas que já se espalharam do Norte da América até o Sul, e que tem causado muito incômodo em setores anarquistas radicais e não é preciso nem dizer nos círculos da esquerda moderna…

O discurso de desconforto destes grupos tem sua origem nos comunicados do projeto iniciado por ITS em 2011, onde se mostravam a favor da violência terrorista contra aqueles que tendem ao progresso tecno-industrial, sem se importar em causar danos a terceiros.

Isso ficou claro após o primeiro atentado do grupo, onde um trabalhador da UPVM não entregou ao alvo o pacote-bomba abandonado no campus, e decidiu o abrir. Suas feridas foram o começo de uma história de ataques que até hoje prevalece.

Desde o começo, ITS, sem dúvida alguma, foi um grupo sui generis, que chegou com força derrubando, com suas críticas, posicionamentos vitimistas, civilizados, progressistas, humanistas, etc., e se embrionando em vários círculos (eco) anarquistas daquela época.

Um pouco de história

No México houve incômodos e vários se escandalizaram pelas palavras e atos do grupo em questão, sendo alguns deles; coletivos, organizações e sujeitos que defendem ideologias tradicionais de esquerda (comunistas ou anarquistas), que são antagônicas ao Estado, às instituições, partidos políticos, etc., e que não compreendiam a emergente tendência do eco-extremismo (e, aparentemente, ainda não entendem).

O que foi toda aquela onda de comunicados e atentados contra cientistas em 2011? Alguns eunucos berravam que ITS era obra de um plano macabro para justificar a repressão contra os movimentos sociais e/ou anarquistas daqueles anos.

De onde veio um grupo tão incorreto na hora de atacar? O que significam essas reivindicações a favor da Natureza Selvagem? Mas o México não era “terra” de Zapatistas, vermelhos e anarquistas cagões que enxiam a boca com discursos autonomistas-populistas? Por acaso são uma nova cisão de algum grupo armado comunista? São realmente ecologistas radicais como dizem ser ou são uma estratégia militar para prender os gritalhões de sempre que clamam por justiça? Por acaso eles são punks fazendo uma piada de mal gosto?

NÃO, ITS é um grupo de individualistas provenientes do eco-anarquismo que se distanciaram de tantas ideias utópicas e irreais, que criticaram e se auto-criticaram, que avançaram entre as sombras e que planificaram o ataque aqui e agora.

ITS rosna ferozmente dizendo que: não há NADA a mudar na sociedade, MUITO MENOS há um “paraíso primitivista” pelo qual lutar, a revolução NÃO existe, NÃO somos anarquistas, comunistas, feministas, punks, nem nenhum outro esteriótipo “radical”, estamos em GUERRA contra a civilização, contra o sistema tecnológico, contra a ciência e contra tudo o que queira domesticar a Natureza Selvagem e queira nos artificializar como humanos agarrados à nossas raízes mais profundas. Não negamos NOSSAS contradições e pouco nos importa sermos vistos como “incoerentes” por aqueles que nos criticam estupidamente dizendo: “se se opõem à tecnologia por que usam internet!”. Frente a essas críticas vagas e sem base alguma nosso escarro cuspido em suas patéticas caras.

Após a primeira fase de ITS em 2011; chegou a segunda marcada após publicar o seu sexto comunicado em janeiro de 2012, no qual comentava várias auto-críticas que fizeram com que ITS se desprendesse quase por completo de sua herança anarquista e sua discursiva “kaczynskiana”.

Sua terceira fase em 2014 com “Reacción Salvaje” foi mais que clara em seu discurso, mantendo sua atitude indiscriminada nos ataques que levaram a cabo seus diferentes grupúsculos. Dos 25 comunicados que emitiram em um ano, 15 foram reivindicações.

ITS não mentia quando escrevia tranquilamente em seus comunicados que não lhe interessava os feridos que deixavam em seus ataques, que eram indiscriminados em seu atuar e isso era verdade.

Em abril de 2011, ITS deixou ferido gravemente um trabalhador da UPVM no Estado do México. Em agosto um pacote-bomba deixava feridos a dois importantes professores da Tec de Monterrey no mesmo estado. Em novembro assassinaram com um tiro na cabeça um renomado pesquisador de biotecnologia em Morelos. Em dezembro um envelope-bomba feriu mais um professor da UPP em Hidalgo. Em 2013, um funcionário dos correios resultava ferido após roubar um pacote-bomba de uma caixa de correios da Cidade do México. Ou seja, no período de 2011-2013, ITS deixou 5 feridos e um morto, sendo 4 em gravidade e 2 não tinham haver com as pessoas-alvos.

Os feridos também se repetiram com RS. Em julho de 2015 um funcionário público membro da Comissão de Direitos Humanos teve queimaduras após abrir um pacote encontrado na garagem de seu edifício-sede no Estado do México. Em 14 de agosto uma secretária do Grupo Cuevas (engenheiros ligados a ICA) foi ferida da mesma forma após abrir um pacote abandonado em seus escritórios no mesmo estado.

Após a morte de RS, os grupos eco-extremistas que o presidiram já contam com seu histórico de feridos após seus ataques. Em outubro de 2015 nove bombas-relógio em nove ônibus da Mexibús foram detonadas, e embora o ataque tenha sido contra o transporte público, não houve mais que um ferido apenas. Na ação havia o risco de mais de uma pessoa sair com severos danos físicos, mas para a “Seita Pagã das Montanhas e Grupos Afins” isso pouco importava.

Em novembro daquele mesmo ano um pacote-bomba aberto dentro do Conselho Nacional Agropecuário na Cidade do México feriu o vice-presidente da Aliança Pró-Transgênicos e também sua secretária e dois civis que se encontravam próximos. O “Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem” se responsabilizou pelo atendado.

Mais dois grupos provenientes da morte de RS, o “Grupúsculo Indiscriminado” e “Ouroboros Niilista” (agora Ouroboros Silvestre), tentaram detonar seus explosivos sem se importar com terceiros feridos, e, embora aparentemente seus ataques tenham sido frustrados, a intenção segue.

Em janeiro deste ano (2016) ITS voltou a aparecer publicamente com seu primeiro comunicado, e o que parecia mais uma etapa “das de sempre” dentro desta guerra se converteu em surpresa para muitos. Quinze dias depois da publicação de seu primeiro texto, ITS havia realizado seis ataques com explosivos em três diferentes estados do país. Sua capacidade operacional deu muito o que falar. Uma semana depois de seu segundo comunicado reivindicando esses ataques de janeiro e fevereiro, um ônibus Transantiago era reduzido a sucada queimada na capital chilena em plena luz do dia. O nome assinante que se responsabilizava pelo ataque era: “Individualistas Tendendo ao Selvagem-Chile“.

Com este terceiro comunicado do grupo a internacionalização do eco-extremismo indiscriminado era evidente. Uma semana após a queima do ônibus era publicado o quarto comunicado assinado por “Individualistas Tendendo ao Selvagem-Argentina“, onde se responsabilizavam por um artefato explosivo na Fundação de Nanotecnologia e também por várias mensagens de ameaças contra cientistas e contra a imprensa. Também haviam deixado um pacote com pólvora negra e uma mensagem em uma estação de ônibus em Buenos Aires.

Embora ITS em fevereiro tenha atuado em três países diferentes sob suas próprias pautas, totalizando 10 diferentes atos e alguns deles sendo em plena luz do dia, a onda de atentados feriu a apenas dois civis.

Em março o quinto comunicado de ITS-América (México, Chile e Argentina), defendeu e sublinhou o posicionamento que teve desde 2011: NÃO importa se civis sejam feridos, isso é uma GUERRA, o ataque é indiscriminado. ITS NÃO reconhece moralismo no ataque.

Após estas incômodas palavras, houve reações…

“Debates”, notas e indiretas

Após a difusão dos ataques de grupos eco-extremistas no México em diferentes blogs de “contrainformação” anarquista, muitos deles expressaram seu desacordo através de notas no rodapé da página ao publicar estes comunicados. Alguns se limitaram a apenas publicá-los sem qualquer aponte ou opinião e já outros simplesmente não publicam nada referente a nossas posturas, e é compreensível, NEM todos os blogs, revistas e demais projetos de tendência anárquica tem a obrigação de publicar o que os grupos eco-extremistas dizem ou fazem, sempre haverá diferenças, algumas positivas e outras mais negativas. O que quer enfatizar o Grupo Editorial da Revista Regresión (que é parte de ITS-México), é o seguinte:

– NÃO queremos que os demais aceitem nossos “términos e condições”, NÃO tentamos ser agradáveis ou amigáveis com estranhos, ou queremos que certos grupos ou indivíduos “tornem-se” como nós. NÃO nos interessa “converter” a ninguém do eco-anarquismo ao eco-extremismo. Os poucos que decidiram adotar esta postura estão convencidos de que um projeto como este deve ser defendido com unhas e dentes, pensado e planificado para dar golpes mais certeiros.

– Alguns anarcos tem dito que somos uma “Máfia”. Para estes criticões e bocas grandes que andam difamando nosso projeto tanto no México como em outros países onde o eco-extremismo já tem presença, nós vamos tomar isso como um elogio.

Nós somos um tipo especial de crime, delinquentes que se aglomeraram em um grupo para atacar em diferentes lugares tanto no México quanto no Chile, Argentina e outros países. Não pensem duas vezes ao tentar “nos insultar” dizendo que somos terroristas ou uma nova classe de máfia, porque isso não nos insulta e porque nós SOMOS!

– Todos podem expressar sua raiva ao ler nossas linhas, muitos gringos “anarco-zerzianos” às escondidas fizeram isso. Para citar um exemplo, no portal “Anarchist News” os comunicado de ITS foram censurados por sermos consideramos “reacionários”, e não dizemos isso com uma atitude vitimista, dizemos para que os blogs que não estejam de acordo com nosso discurso deixem de se comportar de forma tão pluralista e se realmente lhes causam incômodo nossas incorretas, terroristas e mafiosas palavras, deixe-as de publicar, afinal nos fariam um favor.

– Como decidimos, todos podem expressar sua incompatibilidade com o eco-extremismo indiscriminado que defendemos, isso também fizeram os auto-denominados “Célula Revolucionária Paulino Scarfó” (CRPS) em seu comunicado de fevereiro deste ano, no qual fazem alusões indiretas ao atentado de ITS no Chile. Repetimos, é saudável criticar e expressar desacordos, MAS lançar indiretas NÃO, filhos da mãe! Melhor se tivessem assinado como “Célula Anarco-cristã León Tolstói”. Parece que estes anarquistas não tem memória histórica ou que sofrem de uma amnésia terrível ao mencionar aquele que foi companheiro do TERRORISTA Severino Di Giovanni, o anarquista que fez voar pelos ares o consulado italiano em Buenos Aires, matando a vários fascistas, mas também ferido a civis, aquele que matou a um anarquista que lhe marcava como “fascista”.

Scarfó acompanhou a Di Giovanni na fase mais violenta de sua Guerra Individualista contra alvos móveis e simbólicos, ele foi um INDISCRIMINADO, de fato foi condenado pelos mesmos anarquistas de sua época, pois seus métodos de luta foram considerados “inapropriados”.

É verdade CRPS, os grupos eco-extremistas, ITS e muito menos nós somos revolucionários, também não compartilhamos seu discurso tão repetitivo e chato, só que nós ao contrário de vocês, somos diretos e não andamos com putas insinuações e rodeios imbecis!

Alguns posicionamentos nossos para “Nigra Truo” (NT)

Há alguns dias um integrante do blog “Por la Anarquía” publicou um texto onde é possível ler a sua posição a favor e contra do eco-extremismo. Até agora é a única crítica mais sincera, pois ele não se concentra APENAS em criticar o que defendemos, mas também faz algumas críticas aos ambientes anarquistas.

Embora isso, NT não se salva de nossa resposta à suas críticas, por isso temos que esclarecer o seguinte:

– Aparentemente, NT confundiu a informação que tem de ITS e escreveu que é uma contradição empurrar o Debate Amoral que propuseram os niilistas da Casa Editorial “Nechayevshchina” (Nechayevshchina Ed.) e ao mesmo tempo ter a regra moral de: “A Natureza é o bem, a Civilização é o mal”. A NT recordamos que ITS tem diferentes fases, e embora o grupo defendesse muito esse lema Naturien desde 2011, os ITS de hoje são diferentes, faz anos que ITS não havia empregado essa frase, por isso, caro NT, lamento sarcasticamente dizer-lhe que, sua crítica referente a este ponto cai por seu próprio peso, posto que, ITS já não defende esse lema, pois a Natureza Selvagem está em um plano “extra-moral”.

Ao ler a crítica de NT parece ser que ele tem se confundido com o que nós, os que defendem a tendência do eco-extremismo, entendemos por Ataques Indiscriminados. Um ataque desses não é colocar uma bomba na casa de papelão de um mendigo, não é incendiar uma barraca de um vendedor ambulante, NÃO, quando nos referimos a Ataques Indiscriminados é que vamos colocar uma bomba em algum lugar específico, empresa, universidade, casa particular, automóvel, instituição, etc., onde esteja nosso alvo-humano a ser atacado, sem se importar que o explosivo alcance a civis. Ataque Indiscriminado é incendiar algum lugar simbólico sem se importar que haja “gente inocente”, sempre acertando o Progresso Humano. Ataque Indiscriminado é o que tem feito ITS desde 2011, e que foi abordado no início deste texto, é enviar pacotes-bombas sem se importar que terceiros sejam afetados, sempre tendo como objetivo desestabilizar, aterrorizar e implantar o caos em uma sociedade carente de pensamentos próprios.

– Seguimos festejando os “desastres naturais”, os quais podem ser vistos como atos de vingança ou como reações violentas da Natureza Selvagem (dependendo da auto-cosmovisão individualista que se distancia daquela que defende a cultura civilizada), derivadas da destruição ambiental que por sua vez é provocada por mãos humanas, tanto de gigantescas multinacionais como por seus peões “proletários”.

Conclusão

Uma maneira de finalizar este texto é somente dizendo que os ataques de grupos eco-extremistas irão continuar assim como seu incômodo discurso. Sempre haverá pontos em acordo-desacordo, convites para debates, indiretas, e merda derramada da boca de alguns, mas que se saiba bem o que haverá enquanto sigamos existindo, é uma resposta de nós, os terroristas, os incorretos, os que não se calam do que pensam ,os que aclaram antes de mais nada, os da Máfia Eco-extremista!!

Com a fúria desconhecida da Natureza Selvagem!

Com Chahta-Ima, Nechayevshchina e Maldición Eco-extremista!

Com ITS-México, Chile e Argentina!

Adiante com a Guerra!

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Xale: Editor-chefe da Revista Regresión

México, inverno de 2016

Duras Palavras: uma conversa Eco-extremista

Esta é a tradução de uma extensa discussão de natureza jornalística divulgada na web através da publicação Atltlachinolli: Conversaciones Eco-Extremistas, onde Xale, editor-chefe da Revista Regressión, responde às questões postas por HH. No texto eles passam por assuntos como a etapa de ITS iniciada em 2016 juntamente com sua internacionalização e evolução, abordam o paganismo, a importância da atividade delinquencial para a tendência discutida, niilismo e a relação da tendência com os niilistas terroristas da Itália, eco-extremismo nos EUA, “reselvagização”, problemáticas com os anarquistas e vários outros temas que compõem a tendência eco-extremista.

“Duras são estas palavras! Quem pode ouvi-las?”

– (João 6:60)

Como leitor nunca estive muito satisfeito com todas as entrevistas que foram feitas com vários eco-extremistas durante alguns anos. Os interlocutores sempre foram mal informados, de má fé, não dispostos a aprender algo novo ou simplesmente não são muito inteligentes. De todos os modos, como um leitor um pouco mais informado queria fazer umas perguntas que realmente vão ao fundo do eco-extremismo, suas origens e sua evolução recente. Neste sentido, Xale, editor-chefe da Revista Regresión e membro de ITS-México, um especialista sobre estas questões, foi bastante generoso com seu tempo para responder às seguintes perguntas ou/e pensamentos.

Há de notar que tivemos esta conversa num espírito jornalístico. Fizemos e respondemos as perguntas para informar e não exortar neste documento. O interlocutor principal se declara independente de ITS ou do eco-extremismo, e apenas faz a entrevista para informar ou “entreter”.

Comecemos:

HH: Desde o início da nova fase de ITS e sua internacionalização, quais são as lições que você crê que aprenderam os eco-extremistas? Como crê você que o eco-extremismo evoluiu desde o início deste ano?

Xale: Este ano gregoriano tem sido bastante movimentado, cheio de novas notícias, novas cumplicidades e novas tonalidades nos atos e discursos dos eco-extremistas.

Como individualista partidário desta tendência penso que as lições deixadas durante a expansão do eco-extremismo são diversas e variam dependendo do individualista que as experimenta, mas pessoalmente falando penso que tem havido um avanço qualitativo referente a atos extremos contra o objetivo que o leitor inteligente conhece, a civilização e seu progresso.

Os eco-extremistas no Chile que aderiram a ITS ensinaram que se pode gerar um dano impressionante com apenas 1 litro ou menos de líquido inflamável, como fizeram com o ônibus Transantiago e com o centro comercial Mall Vivo, em fevereiro e maio, respectivamente. Também nos ensinaram que, embora em alguns casos os dispositivos não funcionem, a ameaça prevalece, os ânimos não se deterioram e a guerra de nervos prossegue.

Os eco-extremistas que se encontram na Argentina igualmente aderidos ao projeto de ITS ensinaram uma muito particular atitude terrorista e indiscriminada, as recentes ameaças de bomba em colégios, universidades e estações de metrô em maio e junho. É possível ver um rastro evidente do desprezo à vida civilizada em todas as suas variantes e em todos seus cantos. Isso também é evidenciado após ler seu comunicado emitido neste mês de agosto no qual se fazem responsáveis por envenenar dezenas de garrafas de Coca-Cola que foram distribuídas em um par de supermercados de Buenos Aires, ameaçando de maneira formidável a estabilidade social e física dos hiper-civilizados.

Os eco-extremistas no Brasil que também se uniram recentemente a ITS mostraram o fator surpresa, atacaram ferozmente e ensinaram que a ameaça de ITS é imprescindível. Sua sagaz atitude materializada em três quilos de pólvora negra detonada em um centro comercial de Brasília deixa desmoralizada as autoridades que mexem e remexem tentando encontrar os responsáveis por esta tendência que está presente em quatro países e que segue com suas ameaças.

Os eco-extremistas no México, lugar onde se forjou o projeto internacional de ITS, também ensinaram várias lições. Seu atentado homicida contra o chefe de serviços da faculdade de química na UNAM quis demonstrar a facilidade de atacar a qualquer momento os hiper-civilizados com apenas uma faca e alcançar o objetivo, demonstrou que é possível atacar o mais elevado local de aprendizagem dentro de suas próprias instalações, escarmentando as autoridades (com a morte de um homem no campus) por ocultar seus atentados passados na CU.

Seus constantes ataques com explosivos também evidenciam sua capacidade de ataque, sua diversidade no modus operandi e sua imparável atividade, embora seus atentados sejam censurados.

O antigo ITS em 2011 se concentrou em expandir à nível nacional e daquele ano até 2013 teve presença na Cidade do México, Estado do México, Morelos, Hidalgo, Coahuila, Veracruz e Guanajuato. Nos anos sucedidos esta expansão parou um pouco, e agora ITS-México, regionalmente falando, tem presença apenas na Cidade do México, Estado do México, Michoacán, Jalisco e Coahuila, embora tenha se internacionalizado, o que ensina a perseverança e a continuidade deste projeto.

Agora entrando no âmbito da teoria, o eco-extremismo também tem crescido nisso. No ciclo de RS (Reação Selvagem), ao menos eu considero que os editores da Revista Regresión juntamente com os grupúsculos do RS deram as bases teóricas para a tendência, as quais concentraram-se no estudo de grupos caçadores-coletores nômades da região, resgatando sua atitude hostil frente ao alheio e seu animismo pagão. Terminado este ciclo com RS, considero que “deixamos em paz” estas questões e nos concentramos na prática até que outros teóricos colocaram o dedo mais uma vez no assunto. Chahta-Ima, considero que é o mais importante teórico eco-extremista no decorrer deste novo ciclo, seus ensaios e investigações tem sido fundamentais para que outros individualistas cresçam e tenham fundamentações históricas para atacar ou seguir atacando.

O eco-extremista necessita de prática e teoria, necessita saber e fazer, necessita conhecer, aprender e ao mesmo tempo ensinar com atos e palavras a seus irmãos de guerra.

Em geral, o eco-extremismo não tem “planos futuros”, não atua sob um “programa” específico, não se alinha a procedimentos de luta pré-determinados, não possui uma estratégia a seguir, nós eco-extremistas atuamos sob a espontaneidade, fazemos coisas que consideramos oportunas ou não, para gerar uma reação, seguimos nossos instintos animais e prosseguimos com a herança de Guerra até que, como um pombo migratório, desapareçamos.

HH: Creio que as pessoas que leem a literatura eco-extremista não entendem o papel da “guerra de nervos”. Sei que foi explicado, mas ainda sim há críticas às ações eco-extremistas onde estipulam que devem ter um foco em atacar a infraestrutura elétrica ou o que quer que seja. Dizem que as ações dos eco-extremistas variam entre piadas de mal gosto (com bomba) ou assassinato psicopata (como houve na UNAM). As pessoas não sabem muito bem que tudo isso é parte de uma tática que é a “guerra dos nervos”. A clandestinidade, a decepção, o ataque indiscriminado, etc…, não funcionam apenas para golpear as estruturas da civilização (as quais, claramente falando, são difíceis de se atacar, e ao serem destruídas, são reconstruídas, dando assim mais trabalho “útil” para a massa), mas também para que o eco-extremista se converta no “monstro debaixo da cama”, uma ameaça a mais que a civilização criou. Ao menos para mim esta etapa do eco-extremismo sublinha este aspecto de ITS e os demais grupos.

Xale: Sim, as pessoas que tem dito que os atos de ITS e de outros grupos são “piadas de mau gosto” ou atos realizados por “assassinos psicopatas” talvez pensem que a guerra contra a civilização é apenas um jogo, talvez pensem que é apenas atacar centrais elétricas ou objetivos semelhantes. Nós e os demais eco-extremistas deixamos de pensar isso e tomamos a Guerra contra a civilização como um todo, como uma guerra REAL e não a entendemos como um fato onde se deva realizar atos “aceitáveis” para os demais radicais ou que midiaticamente sejam vistos como “espetaculares”. Embora os atos de ITS resultem incorretos para algumas pessoas, incômodos e insuportáveis, é exatamente o que deseja o eco-extremismo, demonstrar que a Guerra contra a Civilização tem que ser levada à sério e apenas deve ser travada por individualistas que realmente desprezam a morte e todo o progresso humano, há de haver sangue derramado, há de se ter feridas, mortes, uma vez que esta é a Guerra e nós que a levamos a cabo não hesitamos em aceitá-la.

Ultimamente o mundo ocidental tem andado catalogando as pessoas que realizam qualquer ato de violência extrema como “psicopatas”, “mercenários”, etc., e isso podemos ver nos atos terroristas do Estado Islâmico, e de fato é uma estratégia dos governos e seus meios de comunicação para desacreditar as causas maiores “rebaixando-as” a uma desordem mental ou o que seja. Não é surpreendente que as pessoas que portam os valores ocidentais sigam a mesma linha estratégica para também desacreditar os eco-extremistas.

HH: Qual é a relação entre o eco-extremismo e o niilismo? Pergunto porque aparenta que o terrorismo niilista é como “a rama” do eco-extremismo na Itália e, talvez, em alguns outros lugares.

Xale: Há pouco tempo se vem somando e desenvolvendo em conjunto com o eco-extremismo a tendência terrorista-niilista, aquela que não é passiva e que renega todos os valores morais fundamentais da civilização. O niilismo-terrorista e, em especial, o que tem defendido alguns grupos de individualistas na Itália, é a filosofia na qual encontramos a verdadeira afinidade, uma vez que é totalmente contrária ao humanismo e ao progressismo que os eco-extremistas tanto criticam.

Penso que os individualistas da América (de qualquer país) sintam simpatia com o eco-extremismo e isso pode ser visto na expansão do ITS e no fato de que certos grupos tem adotado pequenas, mas importantes, características desta tendência. Mas tenho notado que os “latino americanos”, em particular, sentem-se mais atraídos que os europeus que acabam se inclinando mais pelo niilismo, embora a esta altura o eco-extremismo e o niilismo-terrorista andem de mãos dadas.

Não é de se admirar que aqueles que habitam as terras deste lado do mundo se sintam atraídos por esta tendência já que o eco-extremismo é o chamado de nossos ancestrais. Não é uma guerra pelo separatismo nativo, pela identidade indígena ou para dar um sentido político a tudo isso, não, é uma guerra que herdamos de nossos ancestrais, invocamos os mortos de nossos avós e eles nos possuíram. Qualquer individualista que tenha no sangue a ferocidade dos antigos, diga-se teochichimecas, yahis, selknam, a grande variedade de tribos amazônicas, etc., é claro que se voltará para ver o que fazemos e o que dizemos. Penso que é uma questão até mesmo genética (isso, cientificamente explicando), muitos de nós eco-extremistas viemos de famílias nativas, isso nos faz continuar o conflito por aqueles que deram suas vidas, isto é, não somos estranhos, ainda testemunhamos a esse chamamento selvagem para nos defendermos por todos os meios necessários.

Historicamente a América foi invadida pelos brancos lá pelo século XVI, e com eles chegou a destruição, chegaram as epidemias e as desgraças. Violaram nossos terrenos sagrados, profanaram as tumbas de nossos mortos, mataram nossos sábios anciãos, escravizaram nossas mulheres, venderam nossos filhos, queimaram nossas casas, saquearam a Terra extraindo minerais praticando mineração das formas mais desrespeitosas, mataram as presas que caçávamos com veneração, escarneceram nossas deidades e crenças, exterminaram nossa língua, nossa cultura, jogaram-na ao esquecimento, e tudo isso e mais aconteceu em mais ou menos 500 anos, relativamente faz pouco tempo. Hoje a situação já não é racial, já não é o homem branco que faz estas atrocidades, é a civilização em seu conjunto. Já não temos nada pelo que lutar, já não temos terras ancestrais, já não temos uma comunidade com a qual compartilhar a língua, tradições, ambientes, já não há anciões sábios que nos presenteiem o conhecimento ancestral. Temos sido domesticados por anos, nos fizeram viver em grandes cidades, nos obrigaram a necessitar de dinheiro para sobreviver nas urbes e trabalhar como escravos para obtê-lo, nos fizeram crer que a ciência a tudo explicaria ou que a religião é a salvação eterna, nos aprisionaram em escolas onde nos “educaram”, tentaram arrancar nosso espírito guerreiro ofuscando-o com a modernidade e a religião, progresso e monotonia, drogas e diversão ambígua, humanismo e não-violência, tentaram enterrar na cova mais profunda a história maldita de nossos antepassados que emboscaram a seus inimigos, os flecharam, arrancaram seus coros cabeludos, cortaram seus tendões para servir de suporte para suas flechas, conspiraram e lutaram entregando suas vidas. Xale, o tlatoani (1) teochichimeca vive em mim, fala comigo através do vento das tempestades, nos trovões que caem indiscriminadamente sobre a cidade, me sussurra pelo musgo do rio, no Sangue de Grado (2) que se levanta em direção ao sol, na sombra da algaroba, me acorda no serpentear do fogo na fogueira, nos olhos do coiote noturno, no frio gélido da montanha, nas pegadas de veado no monte, me fala e sussurra a mim, me ensina e me guia, me ensinou a me transformar em um animal selvagem quando executo atentados sozinho ou com minha manada, me disse que todos os eco-extremistas tem um espírito que também os acompanha, me disse que com o simples fato de que tenhamos este tipo de pensamento nós somos um perigo para nossos inimigos, e uma das coisas mais importantes que me disse é que a vingança será terrível…

HH: Sim, me parece que os niilistas-terroristas na Europa tem seu modo muito particular de se comunicar. Mas acima de tudo a afinidade vem da ação. Alguns niilistas em outros lugares pensam que o eco-extremismo está tentando envergonhar os niilistas que pensam que fazer algo é “moralismo”. Sei que não é o seu caso nem de seus afins na Europa mas, em sua opinião, há como ser niilista sem atacar fisicamente esta sociedade? Alguns niilistas dizem que “seu Ego” não inclina ao ataque, e melhor fazem o que lhes dá vontade.

Xale: Esta é uma atitude própria de um niilista passivo que diz que o ataque não é parte essencial de seu pensamento. É entendível que o niilismo tenha esse tipo de variante e deturpações nesta era moderna, mas isso não se alinha ao pensamento original. É bem sabido por muitos que antes da Revolução de Outubro na Rússia existiam uma grande quantidade de homens, mulheres e sociedades secretas que com seus atentados indiscriminados e seletivos empurraram ao abismo a Rússia Czarista, e estes foram os fundadores do terrível niilismo, o original. Estas mulheres e homens causaram feridas na sociedade, foram os que empurraram o enfrentamento contra as guardas do regime, os que confeccionavam bombas para lançá-las contra os responsáveis por seus problemas sociais e econômicos, os que apunhalaram e encheram suas mãos de sangue. Para sua época estavam bastante avançados, hoje em dia como muitos aspectos “relaxaram” os novos niilistas se dedicam a criticar sem fazer nada, relaxam-se e se afundam em sua imobilidade, até mesmo há uma variante filosófica niilista que se baseia mais na arte (?), e desgraçadamente isso também é “niilismo”. O que eu resgataria sobre isso é que mesmo nesta era de adoçamento existem os verdadeiros niilistas que enfrentam ferozmente a sociedade assim como os pensadores originais fizeram, e a exemplo disso temos na Itália a “Seita Niilista da Livre Morte”, a “Seita do Niilístico Momento Mori” e o “Clã Terrorista Niilista Cenaze”, aqueles que com suas palavras e atos demonstraram que o ataque, o atentado, é uma parte importante para ser um niilista verdadeiro.

HH: Com relação a esta pergunta parece que a diferença entre a primeira etapa de ITS e a etapa de Reação Selvagem foi um retorno às fontes indígenas-selvagens-pagãs em RS. Certamente ainda há referências a “Chicomoztoc”, etc. Mas percebi uma redução deste aspecto e uma abertura a outras ideias e maneiras de se compreender as coisas. É correta tal percepção? É uma parte necessária para a expansão do eco-extremismo?

Xale: Sim, como eu havia respondido acima na primeira pergunta, nesta nova etapa do eco-extremismo temos deixado de lado o tema dos povos nativos, mas apenas um pouco, já que ultimamente temos abraçado completamente o estudo da questão sobre o paganismo.

Esta “redução” na temática nativa pode ser vista nos comunicados emitidos ultimamente e no conteúdo da Revista Regresión, e como efetivamente você disse, houve uma abertura a outras questões que tem haver com o niilismo e a atividade delinquencial, embora eu deva esclarecer que não é porque nós consideramos mais importante falar destas questões do que se aprofundar nos estudos da guerra nativa. NÃO, é o momento de cobrir mais variantes que compõem a tendência eco-extremista.

Com RS houve um estudo concreto e focado na guerra nativa, de fato a maioria dos comunicados dos grupúsculos que o integraram faziam referência à herança de guerra de nossos antepassados, mas passado este ciclo e tendo maior presença e mais indivíduos que participam da prática e teoria, é necessário fazer uma abertura de temas para solidificar esta tendência.

HH: É interessante porque ser nativo em lugares como Canadá e Estados Unidos não significa nem ilegalidade nem a guerra contra a civilização. As tribos modernas às vezes funcionam como empresas, tem cassinos ou vendem suas terras para a exploração de petróleo. No entanto, alguns críticos tem dito que o eco-extremismo explora a memória de “indígenas mortos” para suas doentes causas antissociais. Como você caracterizaria a relação do eco-extremismo com os indígenas de hoje em dia tão distantes (e às vezes aliados) com a civilização?

Xale: Essa crítica sempre me faz rir muito. Dizer que estamos explorando as “memórias” de “indígenas mortos” é apenas alongar a lista de desculpas que tem esse tipo de críticos. Os eco-extremistas não exploram as memórias de ninguém, seríamos “antissociais doentes” se justificássemos com este mesmo discurso a violação e prostituição de crianças, o tráfico de órgãos, o sexo com cadáveres e outras doenças derivadas da atrofiada mente dos hiper-civilizados, mas como apenas justificamos os atos incorretos contra a civilização, atos que levaram a cabo nossos antepassados e que inclusive algumas tribos selvagens ainda praticam, esta crítica está completamente equivocada.

Não vou negar que muitos grupos indígenas e nativos de várias partes do mundo são cúmplices das grandes empresas que devastam seus territórios, muito menos vou negar que muitos indígenas aqui no México, inclusive, se afastaram de suas tradições e adotaram as práticas ocidentais, gerando um dano em seus ambientes controlados por grandes corporações. Grupos de nativos que não estão absorvidos pela cultura dominante podem ser contados nos dedos, são muito poucos. Embora eu deva dizer que em muitos dos casos em que os indígenas se afastam de suas origens é por vontade própria, uma vez que eles decidem se adaptar ao modo de vida dos outros, em outros casos os indígenas são manipulados e postos em condições que os forçam a abandonar as montanhas e se unir aos não-vivos das cidades. Por aqui é bem sabido de que empresas chegam até as aldeias remotas e para conseguir mão de obra barata convencem os indígenas a trabalharem nas cidades com a promessa de que terão dinheiro e comodidades, algo completamente falso, já que quando não necessitam mais deles os abandonam e os deixam a mercê. Sobreviver em uma cidade tão monstruosa como a capital mexicana e sua área metropolitana é muito difícil para pessoas que são de fora, então estes indígenas terminam como vagabundos viciados, na prisão ou mortos. A situação é lastimável, claro, mas é parte da realidade.

HH: O eco-extremismo tem uma relação bastante complicada com o anarquismo, mas às vezes também se refere “à Anarquia, mas não o anarquismo”. É possível ser anarquista e estar aliado ao eco-extremismo? Como seria isso?

Xale: Recentemente escrevi para a próxima edição da Revista Regresión (N°6) um texto intitulado “Anarquistas Indiscriminados“, onde exponho os terríveis atos terroristas que realizaram alguns anarquistas na história sepultada no panteão do esquecimento. No texto eu menciono a constante briga entre os anarco-bandidos e os anarquistas humanistas a partir de suas perspectivas da época porque os primeiros atentavam contra seus objetivos sem se importar em ferir civis ou inocentes, atos que correspondem à terminologia do Ataque Indiscriminado, prática que tem sido um ponto de debate para muitos anarquistas da atualidade.

Com este texto público em breve eu me emprego a evidenciar que alguns anarquistas do século XIX atuavam indiscriminadamente, violando os códigos morais e políticos próprios do anarquismo e como os entendia a grande maioria do movimento anárquico tradicional.

Com o texto pretendo também “puxar” (mesmo que por um momento) estes anarcos das tumbas onde a história oficial e não oficial pretendia deixá-los.

É engraçado ler como lá por meados do século XX os atos terroristas de Di Giovanni (por exemplo) assustavam os anarco-sociais, e ler como é que se assustam alguns anarquistas de hoje em dia quando se inteiram de nossos atentados. É praticamente a mesma acusação histórica, “bandidos”, “desumanos”, “esses não são companheiros”, “excluamos eles do nosso movimento”, “são covardes que atacam ao acaso”, etc.

Respondendo à sua pergunta, penso que SE pode haver anarquistas aliados com os eco-extremistas desde que estes anarquistas respondam firmemente às características de seus antepassados demoníacos e terroristas. Contrariamente, um anarquista humanista que se preocupa com a sociedade e que sonha com um “mundo melhor” NÃO pode ser aliado dos eco-extremistas.

HH: Qual seria a diferença entre um anarquista que simpatiza com o eco-extremismo e um que severamente o rechaça?

Xale: A diferença teria que ser um tanto abismal. De fato um anarquista que simpatiza com o eco-extremismo teria que subverter com o que foi dito por pensadores anárquicos tradicionais e com isso abalar seu humanismo e seu progressismo úteis para alcançar um mundo sem “estado-capital”, teria que deixar de lado as utopias e se concentrar no presente decadente e pessimista no qual nos encontramos, assumindo seu papel como indivíduo dentro desta época e atuando em consequência, teria que desprezar tudo o que é humano (em termos filosóficos), teria que fazer as coisas que se tem que fazer respondendo friamente e inteligentemente sem importar que terceiros sejam afetados. Teria que ser como Di Giovanni, como Mario Buda, como Santiago Salvador, como os anarquistas galeanistas.

HH: Me parece que o anarquismo “social” é um vestígio da antiga política das massas. Não posso comentar muito já que nunca fui anarquista e não conheço muito bem a história. No entanto, suspeito que grande parte da atividade individualista que você menciona ocorreu antes da “época moderna das Revoluções”, como na Rússia em 1917, Espanha nos anos 30, etc. O anarquista social moderno tem muita dificuldade em terminar este capítulo, embora o resto mo mundo (político ou não) já tenha renunciado a toda essa coisa das massas lutando nas ruas ou o que seja. Contudo, no extremismo islâmico quando não é uma questão de guerra convencional muitas de suas ações são individualistas e indiscriminadas, mas o anarquista social não pode se separar da atitude de “despertar as massas” para forjar um “novo amanhecer” uma vez que não pode renunciar à velha análise e fazer isso retiraria toda sua esperança e o converteria em um eco-extremista niilista asqueroso, ou algo do tipo.

Xale: O contexto histórico em que se desataram os demônios da anarquia maldita foi antes e depois da Revolução Bolchevique e antes da Guerra Civil espanhola de 1936.

Por exemplo, Santiago Salvador atuou sozinho em novembro de 1893. O homem escolheu como objetivo o Grande Teatro de Liceu em Barcelona, isso em vingança pelo fuzilamento de seu amigo Paulino Pallás (outro anarquista terrorista que em setembro daquele mesmo ano atentou contra o general Martínez Campos em pleno desfile militar em Barcelona. O terrorista lançou um par de bombas contra sua carruagem, o general atentado ficou ferido, assim como outros dois generais e houve a morte de um guarda civil, além de deixar dezenas de civis feridos). Salvador escondeu entre suas roupas duas bombas Orsini, um explosivo muito popular entre os anarquistas daquela época que detonava ao se chocar fortemente contra o solo ou qualquer superfície sólida. O terrorista esperou até que a ópera estivesse na metade para que o teatro estivesse cheio, e quando percebeu o momento oportuno lançou indiscriminadamente desde um balcão as duas bombas contra o público. A primeira causou um ruído infernal e ensurdecedor arremessando pedaços de corpos, sangue e estilhaços por todas as partes, a segunda caiu no voluptuoso vestido de uma mulher que havia sido ferida após a primeira explosão, mas não detonou já que seu vestido amorteceu a queda. Este atentado anarquista deixou um saldo de 22 mortos e 35 feridos em gravidade.

Talvez muitos anarquistas de agora não recordem que o autor deste ataque foi um de seus antepassados políticos. É uma pena que um personagem tão emblemático que na sua época foi um terrível inimigo da sociedade e do sistema seja condenado ao esquecimento (como muitos outros), só que não totalmente, pois ainda existem alguns poucos que se lembram deles.

HH: Há certa ambiguidade em termos de “reselvagear-se” (“re-wilding”, em inglês). Às vezes diz-se que o eco-extremista tem que fazer o possível para não estar dependente da civilização, mas ainda voltando-se para o “não há futuro”. Há uma posição sobre a “reselvagização” ou é algo que depende de cada eco-extremista?

Xale: a reselvagização como nós a entendemos talvez difira um pouco do que entendem os ianques eco-radicais com seu “rewilding”, que creio que foram os primeiros a empregar o término. Desde o início eles o empregaram para designar uma ação a favor da natureza selvagem sempre relacionada com a preservação de entornos e o florescimento da natureza em certos espaços urbanizados que pouco a pouco vão se tornando feral.

Eu pessoalmente conheço alguns eco-extremistas que não nasceram na cidade e que neste exato momento estão levando uma vida de nômades em algum lugar da geografia “mexicana”. Eles saem por um tempo, regressam a seus lugares e então decidem atacar a civilização. É uma estratégia muito adequada.

Este tipo de eco-extremistas decidiram se reselvagear na natureza selvagem, andar como nômades, saber caçar, fazer fogo por fricção, usar peles, coletar sua comida, etc., eu pessoalmente respeito muito seu modo de vida e acho que se isso é o que eles querem fazer, adiante. De qualquer forma estar em contato com a natureza selvagem sempre te cria algo belo, você dá um valor muito mais especial às coisas. Este tipo de eco-extemistas também entendem que não há futuro, por isso vão às montanhas antes que estes entornos sejam devastados por completo. Felizmente aqui no México ainda temos lugares selvagens se comparado a outras partes do mundo onde quase não há mais nada ou os entornos viraram reservas.

Por outro lado os eco-extremistas da cidade também se reselvageiam individualmente a sua maneira. Muitos de nós sabemos fazer algo do que sabem fazer os eco-extremistas nômades para enfrentar qualquer situação que apareça em nosso caminho, mas na cidade é preciso saber se deslocar, há que ser um lobo vestido de ovelha. Os eco-extremistas da cidade se empregam à guerra, a saber atacar, emboscar, enganar as autoridades, assaltar, utilizar armas, provar o último suspiro após tirar a vida do inimigo, e tudo isso e mais também é reselvagear-se, é regressar ao primitivo em um conflito herdado por nossos ancestrais colocando em prática as táticas que usaram os antigos, só que dentro de outras condições. De fato o homicídio que levou a cabo ITS se apresenta como uma “reselvagização individualista”. Assassinando o empregando da UNAM ITS não SÓ pretendia eliminá-lo e criar reações, mas também com o mesmo ato os membros de ITS assassinaram o seu civilizado interior, onde matam à punhaladas pouco a pouco os valores ocidentais que são empurrados a eles desde pequenos.

Para mim e para os meus, os eco-extremistas da cidade e fora dela, não há futuro, apenas há o presente. Não temos nada pelo que lutar, exceto por nós mesmos. Reselvagear-nos é saber se mover como os caçadores, convertendo-nos em animais, é aprender a atacar o inimigo, odiá-lo, derramar seu sangue, cortar sua cabeleira e oferecê-la aos mortos. Igualmente também é conhecer a natureza selvagem, perder-se nos ambientes, estar em contato com seus ciclos, apreciá-la, respirá-la e amá-la.

HH: Algumas pessoas acusam o eco-extremismo de estar a favor da autoridade, uma vez que rechaça o anarquismo. O eco-extremismo possui uma posição abstrata sobre a “autoridade” ou é uma pergunta meramente escolástica na atualidade?

Xale: Não há como negar, a autoridade teve um papel importante nas sociedades humanas. Em cada grupo étnico antigo sempre houve um líder tanto de guerra como espiritual. A mulher coletora que fornecia a comida quando a caça escasseava também poderia ser considerada uma espécie de autoridade, a “cabeça” da tribo em tempos difíceis. Só há algum tempo tem sido visto apenas o lado negativo da autoridade com os autoritarismos, tem sido traduzido como uma figura concreta que “querem nos impor algo pela força”, e isso devemos à cultura ocidental que temos impregnada na cabeça. A educação forçada acompanhada de uma figura de autoridade que nos diz o que fazer e o que dizer é o modelo no qual fomos criados, e até certo ponto é compreensivo que muitos considerem a autoridade como algo prejudicial e invasivo.

É necessário se livrar da cultura ocidental para ver a autoridade com outros olhos, sabendo diferenciar entre uma figura de autoridade que a todo custo quer impor algo e uma figura de autoridade que dado o seu conhecimento nos compartilha lições valiosas.

Assim, sem meias palavras, posso dizer que o eco-extremismo não demoniza a autoridade, não a rejeita categoricamente como fazem os anarquistas, por exemplo, uma vez que não vemos apenas as partes negativas visualizadas da maneira ocidental, mas também as partes positivas visualizadas da forma nativa. De fato, ao contrário do que dizem os anarquistas, muitos grupos anarquistas tiveram líderes e figuras de autoridade, agora se estes eram chamados de maneira diferente a como “um exemplo a ser seguido”, etc., isso aí já é outra história. Dito isso podemos ver que na história dos anarco-bandidos, por exemplo, sempre houve um anarquista dentro destes grupos que teve maior presença, que incitava, que tinha mais iniciativa que os demais, que tinha um conhecimento mais elaborado, e para esclarecer com exemplos há Di Giovanni, aquele que foi o líder de seu bando dada a sua dedicação a tudo o que fazia, desde atentados à bomba, edição de jornais e livros, escrita de cartas onde ele sempre se defendia das calúnias dos anarco-franciscanos, até a execução de pessoas indesejáveis, assaltos, etc. Num outro exemplo Bonnot foi quem liderava seu grupo de assaltantes na França dado ao fato de que ele tinha maior conhecimento nos assaltos. Miguel Arcángel Rosigna foi quem liderava seu grupo de assaltantes no Uruguai dada a sua inteligência e sua metodologia quase perfeita para cometer roubos e realizar fugas da prisão.

Até mesmo Bakunin pode ser considerado como uma figura de autoridade, mas não faça o sinal da cruz diante disso leitor anarquista. De fato ele é um exemplo de uma figura de autoridade não nociva que com suas teorias ensinou coisas valiosas a muitos e devido a isso o movimento anarquista tornou-se uma ameaça para seus inimigos.

Então, resumindo um pouco tudo isso e respondendo à sua pergunta, penso que a autoridade para os eco-extremistas é um tema abstrato no qual não colocamos uma ênfase especial já que não há nenhum problema em aceitar isso.

HH: É verdade que o esquerdismo e o anarquismo (em geral) trata a autoridade como uma categoria metafísica absoluta quando tradicionalmente nunca foi assim. Eu culpo o fato de que o homem moderno não pode fazer nada, é completamente domesticado, e por isso se obceca pela questão da autoridade. Em outras sociedades a autoridade era, em especial, carismática, mas nos bandos mais primitivos houve leis e códigos sociais que ou alguém seguia ou seguia. Recentemente li sobre alguém que disse que o anarquista moderno não aguentaria viver em um bando primitivo uma vez que todos tinham seus papeis definidos dentro do bando e sua obrigação não poderia ser variada. E atenção, tudo isso sem estado ou polícia. Por outro lado o anarquista social parece completamente obrigado por sua solidariedade e reciprocidade entre “companheiros” ou o que quer que seja, mas nunca se questiona sobre esta moral…

Xale: Concordo com você, um anarco-primitivista certamente seria chutado como um cão num bando primitivo se algum dia tentasse se encaixar em um. Certamente estaria reprovando coisas e incitando os demais a se “rebelarem” contra o xamã ou algo assim.

HH: Creio que há muitos leitores interessados, especialmente nos Estados Unidos, que pensam que o eco-extremismo não é para eles, uma vez que lá o estado é bastante poderoso e as ações eco-extremistas não parecem possíveis. Existe alguma maneira de “ser eco-extremista” ianque sem ser jogado imediatamente na prisão ou morto pela polícia?

Xale: Sinceramente, penso que as pessoas que creem que o eco-extremismo não possa ser possível porque tem “em casa” as maiores agências de segurança do mundo, são pessoas medrosas que não conseguem pensar em formas convincentes de levar a cabo atentados nos Estados Unidos sem serem detidas. É bem verdade que a NSA espia a maioria dos radicais e de fato o FBI tem uma lista daqueles que podem gerar problemas, é verdade também que a polícia possui infiltrados muito bem preparados para desarticular grupos extremistas, isso eu não vou negar, mas penso que o problema aqui reside nas pessoas que são buscadas, que são marcadas em uma lista e que sua foto está no sistema, são pessoas que se relacionam com certos movimentos e que as agências de segurança já tem certa suspeita deles. As pessoas destes movimentos gostam de ser protagonistas, de serem reconhecidas como as “mais radicais”, gostam dos holofotes e da algazarra dentro de sua cena. Agora pensemos em um eco-extremista que não se importe com isso, que atue só ou com um cúmplice, que tenha um perfil discreto, que nunca assista nem frequente lugares onde haja pessoas que pertençam a movimentos radicais (anarquistas, ambientalistas, ecologistas, okupas, etc.), e pensemos que este eco-extremista saiba ocultar (o máximo possível) seu rastro na web, pensemos que seja extremamente cuidadoso, desconfiado e inteligente. Sob certas condições penso que este eco-extremista possa executar atentados sem ser detido ou morto pela polícia. Embora pareça fácil eu sei que não é, o eco-extremista deve ter convicção, dedicação, paciência e ser comprometido.

Um eco-extremista é bastante capaz de executar atentados nos Estados Unidos, sair ileso e continuar com a guerra, disso estou seguro. Talvez o tempo provará que estou certo, ou talvez não…

HH: Esta é uma questão muito sensível, e aqui não estou sugerindo nada específico, claro. Estou apenas observando. Mas parece que o ataque individualista e às vezes indiscriminado é um tema abordado ultimamente pelos gringos, ou pelo menos é algo que obceca a mentalidade ianque. John Zerzan, por exemplo, é obcecado pela questão do “mass shooter”, o atirador que mata pessoas inocentes em clubes, escolas ou qualquer lugar público sem razão alguma aparente ou por razões “doentes”. Como você sabe, todo o mundo na Ianquelândia tem armas, e muitas armas, de todos os calibres, etc. O atirador sempre se suicida no fim do ataque ou é preso pela polícia, mas nunca há maneiras de impedir estes “lobos solitários” até que seja tarde demais. Menciono isso porque pode explicar a reação dos bons anarcos sobre os ataques dos eco-extremistas: não é uma questão de estar distante da vida rotineira deles, mas é parte da vida cotidiana dos ianques: um “louco” com uma pistola mata pessoas por frustração e nada mais.

Xale: Me parece que o que você menciona é até uma questão cultural, embora no México não há muitos casos conhecidos de uma pessoa que se põe a disparar em quantas pessoas conseguir. As pessoas que tem armas por aqui é porque usam elas para proteção, para vingança ou para algum trabalho (assassinato por aluguel, assalto, sequestro, etc.). Quando uma pessoa é encontrada assassinada as pessoas ao invés de dizerem que foi por frustração ou resultado de uma pessoa com desordem mental, dizem: “talvez ele merecia” , ou “para que resistir ao assalto?!”.

Recordo de algo parecido que aconteceu por aqui e que é próximo ao termo “mass shooter”, quando em 2009 um homem estava pintando slogans na estação Balderas de metrô da Cidade do México, slogans sobre o aquecimento global, a responsabilidade dos governos, etc., um policial tentou detê-lo (saibamos que o que ocorreu foi num horário de pico quando havia uma maior quantidade de pessoas no metrô), o homem lutou com o policial e do meio dos seus pertences sacou um revólver e o matou. Muitos passageiros se assustaram e fugiram apavorados ou trataram de se esconder dentro dos vagões, alguns cidadãos heróis tentaram desarmar o homem que sem nenhum remorso igualmente atirou contra eles, deixando alguns feridos e um outro morto na rinha. Por fim a arma ficou sem balas, ele foi encurralado, quase linchado e foi preso. Depois a imprensa publicou que o homem sofria de esquizofrenia devido a tratamentos que teve numa clínica psiquiátrica e que por isso sua reação foi tão violenta. Como esperado, o homem foi condenado a passar alguns anos em uma clínica de “saúde mental” e depois saiu livre. Talvez neste caso em particular as pessoas daqui tacharam o homem como um “porra louca”, mas o contexto é muito diferente do que se passa lá pelos Estados Unidos, embora as causas centrais sigam sendo as mesmas. Nesta caso, os medicamentos que fizeram com que o homem sofresse esquizofrenia, estes medicamentos e tratamentos médicos são derivados do grande problema, a civilização.

Agora falando do contexto gringo, em minha perspectiva penso que os “mass shooters” tem verdadeiras razões para realizar estes tipos de atos indiscriminados, não fazem simplesmente porque sim, ou do nada, não disparam apenas por disparar, houve algo que os empurrou a fazer isso, a planificar. Assassinar a uma grande quantidade de pessoas utilizando este modus operandi pode ser resultado de uma grande matiz de causas e efeitos como por exemplo, religiosos e sociais, clínicos e culturais, econômicos e políticos, etc. É bem sabido que pessoas devido o assédio escolar um dia decidem chegar ao colégio com rifles de assalto e matar aos que os molestavam, já outros, por injustiças raciais contra os afroamericanos, outros por razões religiosas atentam contra a sociedade gringa por considerá-la inimiga de Alá, outros por suposta “supremacia branca”, outros por ter a mente atrofiada devido a medicamentos psiquiátricos. No caso de um eco-extremista estadunidense, se algum dia houver alguém que realize um ato deste tipo, certamente as razões pelas quais atuará seriam atacadas, mas nós, seus afins, saberíamos que era a única opção e a reconheceríamos completamente. Com isso chegamos à conclusão de que a civilização é o problema e a atacamos sem contemplações, ou seja, todas essas causas e razões, ações e consequências, são derivadas por toda uma rede de condições variadas, e penso eu que uma análise mais profunda é merecida antes de haver a condenação destes atos. Embora esses e outros casos sejam, para mim, apenas uma reação dos instintos animais humanos que tentam se desenvolver na civilização e que ao não poder se desenvolver como antes, encontram uma saída sob estas condições, há que se aceitar, todos nós na civilização estamos em certo grau “frustrados” por uma ou por outra razão, então dizer que estes fatos são derivados da frustração não é um julgamento TÃO equivocado afinal.

HH: Penso que “a obra teórica” na fase atual é encontrar uma maneira de restabelecer o paganismo/animismo além da mente secular do esquerdismo e o monoteísmo ocidental. Para mim, isso significa um conhecimento profundo do seu lugar. Você acha que uma mudança de percepção, longe do humanismo e do antropocentrismo, mudaria a retórica “pessimista” do eco-extremismo? Ou seja, se a Natureza vence no fim da história, e o homem civilizado é o “vilão derrotado”, isso significaria que os “verdadeiros niilistas” são os que defendem a civilização, e, (por que não?) a sociedade e a humanidade propriamente dita. O que você acha desta análise?

Xale: A mudança de percepção da qual você fala teria que ser radical, teríamos que passar de pessimistas a otimistas, e de niilistas a positivistas.

Talvez haja por aí algum eco-extremista ou não propriamente dito que, dado o seu desenvolvimento cultural, suas condições sociais, tenha uma percepção distinta de tudo isso e que, como você menciona, considera a humanidade moderna como os verdadeiros niilistas, embora se tivesse tal percepção, penso que isso não mudaria a ideia central da defesa individualista da natureza selvagem e o reconhecimento encarnado de deidades antigas ligadas a essa natureza que penso que são as bases fundamentais da tendência.

Mas a realidade dita este cenário pessimista e é nele em que nos desenvolvemos, não temos outra escolha a optar e agir em conformidade.

HH: Qual é o papel da delinquência no eco-extremismo? Parece que ele tem surgido como um tema significante nos blogs, na Revista Regresión, etc. O que você diria para as pessoas que se opõem à delinquência dizendo que ela também é parte da civilização e não merece ser idealizada?

Xale: As atividades delinquenciais são uma parte fundamental da tendência do eco-extremismo. É delinquência roubar, plantar bombas, incendiar coisas, ameaçar pessoas, adquirir os ingredientes para a fabricação de mesclas explosivas, transportar explosivos e armas, armazená-los, conspirar com individualistas de outras partes do mundo para executar atentados, assassinar pessoas; inclusive é um delito grave (dependendo do país onde você esteja) difundir, traduzir e editar este tipo de mensagem incitando direta ou indiretamente a cometer crimes, etc. Nós eco-extremistas somos delinquentes, criminais, assaltantes, assassinos e atentadores, essa é a essência desta tendência, a sua natureza. Nisto não há uma idealização, há uma prática herdada dos selvagens nus que roubavam gado dos espanhóis, dos que os emboscavam e assaltavam suas caravanas, daqueles que assassinavam o inimigo, dos que invadiam povoados inteiros reduzindo-os à cinzas, dos que afiavam as pontas de suas flechas embebecidas de veneno, etc., uma prática que seguimos, só que em um contexto e época diferente, mas que no fim das contas a mesma guerra é levada a cabo. Essa coisa referente à prática da delinquência, mas como termo, temos cunhado como retórica. Se a sociedade e as autoridades dizem que somos delinquentes isso nós somos, se dizem que somos terroristas isso também somos, esses rótulos não nos assustam, não vamos nos defender dizendo que não somos criminosos porque dentro de seus términos jurídicos nós somos, não vamos nos indignar como a maioria dos “revolucionários” e radicais fazem quando nos chamam destas formas, os eco-extremistas não defendem causas “justas”, não representam sua “compaixão” e seu “humanismo”, pelo contrário, representam a violência e o desprezo pela vida civilizada.

É verdade que muitas pessoas veem a delinquência como parte da civilização, muitos talvez pensem que é produto das condições sociais na qual estão submetidas as pessoas dentro da civilização, e em parte isso é verdade. Evidentemente, se a civilização não existisse a delinquência dentro do aspecto jurídico muito menos, mas repito, apenas dentro do aspecto jurídico, uma vez que os “crimes” contra alguém existiriam sem civilização. Mas mesmo sem civilização os atos delinquenciais seriam classificados como crimes? Ou seriam classificados como retribuições? Nesta era moderna dá no mesmo qualquer uma das duas categorizações? É a delinquência uma atividade que surge dos problemas de uma civilização ou pode ser considerada como uma consequência sem que esteja estritamente relacionada com as condições civilizadas? Devemos recordar que tudo neste mundo e fora dele é regido por ciclos, tudo é um constante movimento onde cada ação contribui uma reação.

Sobre isso colocarei um exemplo. Os astecas consideravam bárbaros e incivilizados os teochichimecas e não se atreviam a explorar a Grande Chichimeca, e quando fizeram isso deram de cara com selvagens hostis que os expulsaram violentamente. Os astecas não consideravam esses nativos criminosos ou delinquentes, mas simplesmente “não civilizados”, gente sem cultura, etc. Sob esta lógica os astecas se concentraram então em erguer sua civilização sem se meter em territórios da Teotlalpan Tlacochcalco Mictlampa (“lugar do norte onde se esconde a morte”, em nahuatl), talvez suas deidades lhes recomendassem a não se meter com os teochichimecas e essa recomendação eles houvessem escutado e a respeitaram. Após isso se dedicaram a conquistar e expandir seu primeiro império sob outras tribos que eram mais fáceis de dominar. Os chichimecas de guerra ao verem que os civilizados pré-hispânicos não entravam em seus territórios não viram a necessidade de causar um conflito generalizado contra estes.

Quando os espanhóis chegaram na Grande Chichimeca empreenderam uma campanha à sangue e fogo contra esses incivilizados malditos, e eles responderam com uma fúria semelhante à do branco, inclusive pior. Com isso foram então considerados criminosos pelas leis da coroa espanhola e foram presos, escravizados, domesticados ou exterminados. Ou seja, a ação dos espanhóis que se meteram com os teochichimecas provocou uma reação destes.

Mesmo se os ocidentais não tivessem chegado com essa insaciável atitude de subjugar a tudo e a todos, penso que os teochichimecas tivessem seguido com suas vidas simples e às vezes guerreando com tribos vizinhas como era há séculos tradição dada sua natureza conflituosa.

O mesmo se passa com os eco-extremistas dado que a civilização quer nos artificializar, nos mecanizar e nos domesticar completamente. Frente a isso nós respondemos violentamente como fizeram nossos ancestrais, e é deste modo que a delinquência não é completamente um produto da civilização moderna como tal, não surge com ela, é dado o nome de “crime” pelas leis dela, mas na verdade é uma consequência geral da ação dependendo do sistema estabelecido; chama-se civilização, sistema de dominação, etc. Todo este raciocínio baseia-se apenas no aspecto jurídico-histórico, penal-oficialista, mas se destroçarmos o termo da “delinquência” um pouco mais veremos que é muito relativo e que se apoia em uma posição moral fixa assim como exemplifico a seguir:

– Um homem assalta um banco à mão armada, ameaça explodir os miolos da cabeça do caixa se este não lhe der todo o dinheiro. Neste caso, o assaltante talvez considere que neste momento esteja cometendo um crime ou talvez não, talvez considere que esteja fazendo algo “ruim” ou talvez não, talvez como muitos assaltantes da Cidade do México considere o assalto à mão armada apenas como mais um “trabalho” onde se consegue dinheiro se arriscando, empregando força e inteligência assim como faz um mineiro, um limpador de vidros de grandes edifícios ou um trabalhador metalúrgico. Mas para o caixa, para o gerente da agência bancária e para a polícia, esse homem é um delinquente e está trabalhando “mal”.

– Um trabalhador de um matadouro mata dezenas de cabeças de gado diariamente. Ele corta a garganta com uma faca bastante afiada para que sangrem até a morte e sua carne possa ser processada. É um trabalho sujo, mas no fim das contas é um trabalho que o empregado considera “bom”, pois no fim de semana consegue uma remuneração para sustentar sua família e como um adicional contribui com a indústria alimentícia. Cortar gargantas de gados não é considerado “ruim” e muito menos um crime, mas para muitos veganos radicais o que este senhor que trabalha no matadouro faz é “ruim”, e é um delinquente por assassinar animais para que os outros comam, e por isso os veganos decidem incendiar seu carro.

– Um estudante de direito tem vontade de “triunfar” na vida, para isso durante sua vida acadêmica ele não se importa de passar por cima dos outros para alcançar ser alguém reconhecido dentro da advocacia. Ele utiliza artimanhas para conseguir seus títulos e, finalmente, torna-se um advogado importante. Em sua carreira se encarrega de por na cadeia pessoas acusadas falsamente e beneficiar seus clientes que sempre são ricos. Para o advogado isso não é “ruim” e muito menos ele se considera um delinquente por prender pessoas por meio de provas falsas enquanto recebia uma grande quantidade de dinheiro por cada caso ganho ao mesmo tempo que seus clientes endinheirados ficavam satisfeitos. Mas os familiares das pessoas que foram presas não pensam como ele, para eles não é “bom” o que faz o advogado, e um deles, em especial, o considera um delinquente, um criminoso, e sabendo que para este tipo de pessoa não há juiz que julgue, o familiar decide segui-lo e lhe mete um tiro na cabeça.

Como é possível ver nestes exemplos e como eu disse acima, se analisarmos o término “delinquência” em muitos casos veremos que é relativo. Claro, os eco-extremistas não veem a atividade delinquencial como algo “ruim” nem como algo “bom”, mas sim como uma consequência, empregando e defendendo o termo dentro da retórica que nos caracteriza.

HH: O que você diria da turma de Zerzan que acredita que os eco-extremistas deveriam fugir para a serra para lutar contra os cartéis para libertar os terrenos selvagens?

Xale: Caramba! Outra vez Zerzan e seus apóstolos. Cada vez mais me surpreende sua imbecilidade e a falta de coerência em suas críticas. Ha-ha, nota-se que acabaram suas críticas e agora seguem vomitando barbaridades como essas. Dizer isso é como se um ignorante perguntasse a estes anarco-primitivistas zerzianos, “por quê criticam tanto a tecnologia e possuem um programa de rádio na internet?”. Foram estúpidos ao dizer que temos que combater os cartéis para que deixem em paz as zonas montanhosas onde têm presença.

Para responder à sua pergunta eu perguntaria a Zerzan e a seus discípulos, porque teríamos que fugir para as montanhas e lutar com assassinos deste ou daquele cartel? Isso teríamos que fazer se nossa meta fosse “libertar a terra”, se nossa meta fosse “reselvagear” ao estilo gringo, mas como não temos essas finalidades, dane-se. Não resta dúvidas que o chefe Zerzan e seus subordinados apenas pensam dentro de seus termos, não podem fazer uma crítica sincera ou certeira porque não conseguem sair da sua mentalidade quadrada ondem pensam que tem a razão em tudo que pregam. Que lástima. Esperávamos que com tudo o que foi escrito contra o seu (anarco) primitivismo fosse sacada uma crítica adequada, mas nos equivocamos, talvez seja para uma outra vida…

HH: Com esta pergunta termina nossa conversa. A verdade é que poucos que leem este texto estarão de acordo com todo seu conteúdo, mas a verdade é que parece que o eco-extremismo não tem um caminho fixo previsível. É verdade que, como tendência definida, é muito jovem. Tem apenas cinco anos, e mudou bastante em muitos de seus aspectos. Mas nós estamos vivendo nas ruínas das utopias fracassadas, sejam socialistas, capitalistas ou religiosas, e o eco-extremismo seguirá sendo uma opção dentro deste âmbito. As pessoas odeiam o eco-extremismo não apenas porque ele se opõe à sociedade, mas também porque a reflete sem as ilusões dos civilizados, reflete o desgosto e a frustração do que os hiper-civilizados sentem, porém não podem mudar. É um ataque contra todas as mentiras de um mundo domesticado. Nem os próprios idealistas engolem a pílula do otimismo e do humanismo. O mundo está no precipício e não há como regressar. Alea iacta est.

Uma guerra sem baixas civis: uma defesa eco-extremista da violência indiscriminada

Escrito do autor Chahta-Ima em torno do tópico “violência indiscriminada” defendida por Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). Este texto foi extraído da web.

Sendo um propagandista eco-extremista, percebo as reações dos leitores anarquistas e esquerdistas ao ler sobre as ações de ITS e outros grupos eco-extremistas. A primeira reação geralmente é de repulsão. Como pode ser que os eco-extremistas executem atentados contra as pessoas e a propriedade, como incendiar ônibus ou enviar pacotes-bombas que podem causar danos a “civis inocentes”? E se uma criança estiver perto do explosivo? Ou se a secretária do cientista, também uma mãe e uma esposa, abre o pacote e morre ao invés do cientista? De onde vem esta obsessão com a violência niilista onde inocentes são mortos? Isso não ajuda a “causa” pela destruição da civilização? Não é um sinal de que os eco-extremistas estão mentalmente perturbados, talvez irritados com seus pais, precisam tomar seus medicamentos, são uns excluídos, etc.?

Em realidade, a oposição dos esquerdistas, anarquistas, anarco-primitivistas, e vários outros tipos de pessoas que se opõem à violência eco-extremista, é hipócrita, é hipocrisia à nível de que Nietzsche e qualquer outro pensador adepto poderia refutar. Posto que a civilização, assim como qualquer ideologia, se baseia na violência indiscriminada, e no esforço de esconder esta violência à luz do dia.

Vamos fazer os cálculos: a oposição à violência eco-extremista pode ser considerada desde o ponto de vista da regra de ouro cristã: “trate os demais como você gostaria que fosse tratado”, “você não iria gostar que alguém explodisse uma bomba no ônibus em que estivesse viajando”, “você não quer perder os dedos em uma explosão, ou que alguém dê tiros em sua cabeça quando você apenas está trabalhando para triunfar”, “todos temos o direito de trabalharmos e ganhar a vida honestamente”, certo? Mas a probabilidade de estar próximo a uma explosão eco-extremista é mínima, você tem mais probabilidade de ganhar na loteria. Em comparação, a probabilidade de morrer em um acidente de carro é muito mais alta, e a probabilidade de morrer por uma doença causada por comer comida processada, como câncer ou cardiopatia, é ainda mais alta. Costumam dizer, em último caso, alguém morreu de “causas naturais”, mas, por outro lado, se alguém morre em um ataque — “baixa civil” — na guerra eco-extremista é uma tragédia. Isso é um absurdo.

Claro, uma condenação da violência eco-extremista neste caso, é uma aprovação tácita da violência do Estado ou da civilização. Para o liberal burguês, “a violência terrorista” é horrível, uma vez que somente o Estado pode determinar quem deve perder a vida (por exemplo: se alguém vive no Iêmen ou Afeganistão teria mais a temer do que apenas acidentes de carros, pois há “drones” que lançam morte diariamente, porém não há nenhum inconveniente porque tudo foi aprovado pela democracia yanqui). Por outro lado, parece que a esquerda e os anarquistas tem mais direto a criticar a violência, posto que se opõem ao Estado e ao capitalismo. De qualquer forma ainda inventam fantasias onde tomam o poder e executam aos parasitas ricos que foram julgados e sentenciados à morte em suas reuniões, e os matam de maneira cruel e sem piedade, não considerando que os burgueses também são pais, filhos, cônjuges, etc. E obviamente, a violência na dita Revolução será a menor possível, uma vez que, poucos inocentes morreram desnecessariamente em uma revolta popular.

Colidimos com a Grande Ilusão da Civilização, que nos obriga a nos preocupar com pessoas que nunca vamos conhecer, a ter empatia com o cidadão abstrato, o companheiro, e um filho de Deus. Devemos nos preocupar vendo um ônibus queimado, ou um escritório destruído, ou os vestígios de um artefato explosivo deixado do lado de fora de um ministério do governo. Nós somos obrigados a nos perguntar coisas como: o que aconteceria se minha filha estivesse em frente a este edifício? E se minha mulher estivesse neste escritório? Se eu fosse este cientista morto e coberto de sangue no estacionamento? Bom, se assim fosse, o que mudaria? Mas, na realidade, você não estava ali, então, porque está fazendo este filme?

Não é esta a grande narrativa da civilização, que todos nós estamos envolvidos nesta questão? É mentira, porque não estamos. Você é um elo a mais na cadeia, e se a Grande Máquina da civilização escolhe te rejeitar, você será jogado ao lixo. Você não tem nenhuma agenda pessoal, a moralidade é uma ilusão. Somente cobre a violência e morte necessária para produzir a comida que você come e a roupa que veste. É perfeitamente aceitável que numerosos animais morram, que queimem os bosques, que pavimentem os campos, que milhões sejam feitos escravos em fábricas, que sejam erguidos monumentos para as pessoas que destruíram o mundo dos selvagens, que sacrifiquem os sonhos e a sanidade mental dos que vivem hoje para obter um “amanhã melhor”, mas pela amor de Deus, não deixem uma bomba em frente a um ministério do governo, isso não aguentamos!

Aqui te apresento a chave para tua libertação: você não deve nada à sociedade, e não tem que fazer o que te pedem. Essas pessoas que são assassinadas no outro lado do mundo não se preocupam com você, e nunca se preocuparão. Você é uma pessoa a mais nos números de Dunbar: será uma notícia no jornal e será esquecido. Se identificar com a morte de um cidadão ou um “filho de Deus” a milhares de quilômetros de você, é a maneira em que a sociedade te manipula para que faça o que te é ordenado: é uma ferramenta para tua domesticação e nada mais.

O poeta estadunidense Robinson Jeffers escreveu que, a crueldade é algo muito natural, mas o homem civilizado acredita que é contrária à natureza. Os europeus observaram que alguns grupos indígenas do norte da Alta Califórnia, eram os mais pacíficos e ao mesmo tempo os mais violentos: pacíficos porque não tiveram guerras organizadas, violentos porque usaram a violência para solucionar problemas interpessoais. Os que se opõem com mais fervor à violência eco-extremista, estão defendendo o direito exclusivo do Estado e a civilização de determinar quais, entre os seres humanos, devem viver ou morrer. As pessoas com esta atitude são propriedade exclusiva do Estado, então como se atrevem os eco-extremistas, a desafiar este direito absoluto que existe há mais de dez mil anos, as leis que determinam a vida e a morte?

Termino este discurso com duas citações (apócrifos?) de Joseph Stalin, a primeira é: ” não se pode fazer omelete sem quebrar alguns ovos”. Os que se opõem ao eco-extremismo dirão que estamos sacrificando a vida de inocentes para estabelecer nosso Paraíso na terra. Qualquer pessoa com a mínima inteligência para ler um pouco, perceberá que isso é uma mentira. O eco-extremismo não busca quebrar alguns ovos para fazer um omelete, pelo contrário, ele quer destruir a caixa inteira, e se alguns ovos se quebrem neste acontecimento, de qualquer forma, quantos ovos são quebrados em uma propriedade industrial a cada dia?

A segunda citação é: “uma única morte é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística”. Não é esta a lógica da civilização, do esquerdista e do anarquista? Pretendem ignorar que o mundo está sendo destruído pela civilização, se perturbam um pouco pelos selvagens que morreram defendendo a terra de seus ancestrais, fazem um videogame em sua imaginação onde estrangulam os capitalistas dormindo em suas camas, mas se veem um ônibus queimado ou um laboratório destruído, gritam, “Meu Deus, que barbaridade!”.

Talvez você acredite que estes atos são poucos efetivos, talvez acredite que são atos de sociopatas, ou o que quer que seja. Não queremos mudar o mundo, preferimos vê-lo consumido em chamas. E se você não vê a destruição da Terra, dos rios, montanhas, florestas e oceanos, esta é a verdadeira loucura, não podemos te ajudar, e não queremos te ajudar. Apenas se agache quando ver-nos chegar.

– Chahta-Ima

Ódio Misantrópico

Tradução do texto Misanthropic Hate publicado no blog Abisso Nichilista.

Misantropo não se nasce, se faz.

A receita para um misantropo genuíno começa sempre com uma pessoa transbordante de amor ao próximo, e a isso se acrescenta uma pitada de desencanto misturada com uma saudável dose de cinismo e de amargo ressentimento, então é deixado descansar para que os ingredientes se assentem até ficarem totalmente submersos. Finalizado, sirva-o sobre um mundo ocupado com outras pessoas.

Por trás de cada personalidade misantrópica é possível encontrar os restos em decomposição de um antigo filantropo.

Tudo isso é evidente apenas se considerarmos a intensidade da apaixonada crítica do misantropo. O grau de seu desprezo e desdém pela humanidade é sempre precedido por uma abundância de amor apaixonado, porque é impossível para alguém odiar apaixonadamente se não se sabe amar apaixonadamente.

Que muitos misantropos foram uma vez, na ingenuidade de sua juventude, idealistas ou românticos, isso não deveria surpreender a ninguém.

O que distingue o ódio misantrópico é a sua amplitude e universalidade. O ódio misantrópico é geral, porque o misantropo detesta a todos os homens, seu ódio abarca a tudo, porque despreza com cada fibra de seu ser a multidão e seus imbecis costumes e gestos, ele acumula desprezo por aquilo que é popular e cotidiano para as impensadas e amorfas massas, tem bastante experiência nos costumes dos homens para não aceitar qualquer coisa pelo seu valor aparente, e seu ceticismo em relação às supostas intenções dos outros não conhece limites.

O misantropo genuíno e verdadeiro não deveria ser confundido com uma indiferença distante, como é o caso do egoísta. O egoísta subordina os interesses dos outros aos seus e com isso é relativamente apático com as massas. Como tal, é geralmente alheio. Pelo contrário, o misantropo é bastante reflexivo e muito consciente para ser um simples egoísta, porque a misantropia nunca é uma indiferença passiva, mas sempre se manifesta em um aborrecimento e ódio ativo.