[VÍDEO] Próximo trabalho sobre Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Em breve será disponibilizado na web um trabalho sobre ITS editado por Jake Hanrahan, jornalista e cinegrafista especializado em guerras modernas. Jake dirige a Popupar Front e já realizou diversos documentários e vídeos sobre grupos terroristas e guerrilhas ao redor do mundo. Jake já abordou ITS em outra ocasião durante um podcast com John Jacobi, confira neste link.

Abaixo a prévia do trabalho.

[ES – PDF] Revista Ajajema N° 7 – Contra El Progreso Humano Desde El Sur

Todas as edições neste link.

Editorial

Mais uma vez saímos, novamente nossas letras e nossa propaganda vem à luz. Seguimos incansáveis em nosso caminho de apologia e difusão em nome das siglas do caos; ITS. Das sombras, do mais feroz anonimato, continuamos editando nossas páginas, páginas destinadas e orientadas a aguçar a guerra das tendências eco-extremistas e misantropas/niilistas.

Há seis meses de nosso último número, na época com o sol queimando forte e temperaturas ardentes… Hoje, no inverno de 2019 da era do crucificado, nossa Revista Ajajema aflora mais uma vez. O sul está congelado e seu frio congela os ossos, a chuva transborda rios e converte suas ruas em rios civilizados… Nossa edição responde a esta inclemência, a este processo selvagem, em nome do clima voltamos a surgir como propaganda terrorística, apologizadora de atentados e assassinatos. Oh! Frio majestoso, assassino de homens, em teu nome escrevemos. Oh! Chuva indiscriminada, sabotadora de cidades e inimiga da humanidade moderna, por ti e por tua fúria nós editamos.

Contemplamos a cordilheira mais branca do que nunca, as ânimas da neve embranquecida falam conosco, estão furiosas, nos lembram o nosso caminho e sussurram em nossos olvidos; vingança! Os irmãos já responderam a este chamado… Você o escutou? Aquele sussurro? Tente não ficar sem resposta…
*
Muitas coisas aconteceram desde a nossa última edição, atentados, egos, pólvora, sigilos, amuletos… a Máfia ITS. Os individualistas extremistas ainda estão íntegros e à espera, pacientes e sempre em tocaia, livres e selvagens como o vento que atinge as estruturas civilizadas. Por pouco os irmãos da HMB juntamente com os cúmplices da SVS não matam aquele maldito da Metro de Santiago, por pouco não o desfiguram, por pouco não cravam parafusos no corpo de sua esposa ou filha.

Sabemos que os aparatos de inteligência chilenos e internacionais estão cientes do que dizemos, portanto, ouçam atentamente seus pedaços de merda; no Norte, no Sul e do outro lado do oceano, os irmãos caminham, pensem que paramos, que abandonamos a guerra, mas quando verem e escutarem o estrondo da bomba ou observarem as chamas ardentes do fogo, não se surpreendam… Vocês e todos seus aparatos tecnológicos, seus milhares de peritos especialistas em bombas e seus senis especialistas em terrorismo tenham cuidado conosco.

Porque a Revista Ajajema têm a bênção do antigo, seguimos as ordens do Desconhecido. Ajajema é, e sempre foi, Terror incivilizado, Ajajema é letra e é imagem, Ajajema é guerra, Ajajema é… ITS-Sul.

Sempre em tocaia, reunindo, buscando e analisando, nos espreitamos, aguardamos a ordem do Oculto, seu mandato será obedecido e praticado, esperem, esperem-nos…

Da total impunidade, das sombras praticamos o terror, ocultos sempre, bombas e revistas à civilização!

Morte ao progresso da humanidade!

Morte à sua vida civilizada e a seus habitantes fedorentos!

Viva a guerra dos irmãos de ITS no norte, no sul e no outro lado!

Individualistas Tendendo ao Selvagem – Chile

– Grupo Ajajema: Letras do Caos
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Conteúdo:

Poemas de Shagnessy
-Arboles
-Canción del mundo
-Sobre la tragedia
-Teología I
-Teología II
Moribundo anarquismo verde
Cuentos Kawesqar
-Cuento del Martín pescador
-Cuento del cisne de cuello negro
-Cuento de los sapos
Artículo Sobre Violencia De-colonizadora y Eco-extremismo Para la Conferencia ASN del 2018
Fiera
Theodore Kaczynski Revolución anti-tecnología: por qué y cómo, Una evaluación crítica
El Llamado de las Guerreras
Un Demonio Entre Ustedes
El Terrible Autoritario y la Terrible Union de Los Egoistas
Desvarío Antihumano
Apología del Caos
Hijos de Ted
Cronología Maldita
(Kawesqar) La Jornada de los Nómadas Acuáticos
El Credo Satánico
Paroxismo en el Delirio Nihilista
Los Eclipses en Karukinka

DESCARREGUE em PDF: Link 1Link 2Link 3 (via onion).

[VÍDEO] Bolsonaro na mira de grupo terrorista?

Vídeo pertinente de se assistir. Apesar de se concentrar nas ameaças do grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem – Brasil (ITS-Brasil) a Jair Bolsonaro divulgadas numa reportagem da Revista Veja, os apresentadores conseguem realizar uma interpretação bastante interessante de algumas questões ao redor do grupo e fazem uma análise mais séria do fenômeno eco-terrorista em ascensão. Dentre os destaques está a coesa análise do significado do nome “Anhangá” e suas interpretações. Anhangá é membro proeminente da Sociedade Secreta Silvestre (SSS), facção brasileira de ITS. Os apresentadores fazem uma pequena cronologia dos recentes ataques de ITS-Brasil, suas ameaças que chamaram bastante atenção e suas motivações, estritamente ecológicas e inumanistas.

Grupo ecoextremista reclama do agronegócio em MS e promete ataques neste ano

Replicamos aqui uma entrevista de Individualistas Tendendo ao Selvagem – Brasil (ITS-Brasil) concedida ao jornal eletrônico matrogrossense Mídiamax. A facção brasileira da organização eco-terrorista, a Sociedade Secreta Silvestre (SSS), contestou alguns pontos pertinentes levantados pelo jornal.

Foto encaminhada pelo ITS-Brasil.

Por e-mail criptografado, Anhangá falou com Jornal Midiamax sobre a situação dos agrotóxicos no Estado.

Por uma caixa de e-mail criptografada na Suíça, Anhangá, personagem conhecido nesta semana após relatar à Revista Veja que o grupo terrorista planeja atacar o presidente Jair Bolsonaro (PSL), revelou ao Jornal Midiamax que Mato Grosso do Sul é visto como um ‘inferno do agronegócio’ para a SSS (Sociedade Secreta Silvestre) e garantiu que o grupo planeja ataques para este ano no país.

Integrante de um grupo que se autodenomina eco-extremista, a sociedade faz parte do grupo terrorista internacional ITS (Individualistas que Tendem ao Selvagem), defendendo a natureza, contrária ao modo de vida atual, que prioriza a produção em larga escala em detrimento do meio ambiente. Para combater o modo de vida atual, a SSS quer difundir ‘guerra psicológica’ e afirma já ter sido autora de três ataques a bomba em Brasília.

“Uns danam colossalmente, outros danam pouco, mas todos danam e não fazemos distinções, e toda esta estrutura tecno-industrial só se sustenta porque há civis operando e a defendendo”, relata Anhangá.

Mas apesar de manter 83% da cobertura vegetal nativa, o bioma Pantanal tem apenas 4,6% da área protegidos por unidades de conservação, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Terra da ministra do Agronegócio, Tereza Cristina (DEM), alvo de críticas após a liberação de agrotóxicos neste ano, o Jornal Midiamax conversou com Anhangá, que significa ‘espírito que protege os animais’, em tupi-guarani, sobre as questões que preocupariam o grupo extremista.

Ele seria um dos líderes do grupo e morador de Brasília, procurado pela Polícia Federal desde o vazamento do planejamento dos ataques ao presidente da República. Na troca de mensagens, é possível perceber que a Sociedade é pequena e que teria poucos recursos para planejar grandes ataques, como admitem.

Do contato inicial da reportagem com a organização terrorista internacional ITS no México até a primeira resposta de Anhangá a reportagem, foram dois dias. Por meio do representante, a organização revela se preocupar com a devastação do ecossistema do Pantanal e do Cerrado e afirma não ter lado político, apesar de não reclamar da visibilidade trazida pela reportagem da revista de circulação nacional para o pequeno número de membros no país.

O grupo eco-extremista reencaminhou o contato da equipe de reportagem a Anhangá pelo e-mail criptografado, nos respondendo que a mensagem já havia sido enviada ao representante do ITS no Brasil.

Anhangá, então, entrou em contato da sua caixa de e-mail criptografada com a da reportagem. Ao contrário do processo de produção da matéria da revista, quando ele encaminhou um link para um chat privativo, em que as mensagens eram destruídas após 24 horas.

Em troca de e-mails com a reportagem, Anhangá encaminhou imagens da SSS e de explosivos feitos pelo grupo.

Dois dias antes de a Revista Veja publicar uma possível nova ameaça ao presidente, o site oficial do ITS, Maldición Eco-extremista, divulgou um comunicado enviado pelo braço brasileiro do grupo intitulado Destruindo uma invenção política com o nosso nome”.

O texto tentava desligar qualquer atentado do SSS a ligações com a esquerda ou direita políticas. No entanto, Anhangá não negou em entrevista ao Jornal Midiamax o ódio ao que chama de ‘posturas cínicas’ do governo de Bolsonaro. O grupo também encaminhou fotos de dois explosivos que estariam sendo produzidos para serem utilizados ‘a qualquer momento’.

Ao Jornal Midiamax, Anhangá encaminhou fotos de explosivos feitos pelo ITS.

As mensagens foram reproduzidas na íntegra, mantidos os erros de digitação e de grafia.

Qualquer um pode ser alvo

“Uma coisa que deve ficar clara é que ITS não é um grupo que visa exclusivamente atacar governos, sejam eles quais forem, até porque isso gera um enorme trabalho e custo, algo que ainda não podemos bancar. Uma visão sobre nós está sendo moldada neste sentido, e está equivocada. Nós como eco-terroristas que somos podemos visar uma infinidade de alvos, desde um simples carro até pesquisadores, estudantes ou até civis, dado que desprezamos a vida humana civilizada e consideramos que a humanidade moderna, com o seu estilo de vida, é irreconciliável com a natureza selvagem e intrinsecamente danosa. Portanto, esperem por qualquer alvo. ITS como um grupo eco-extremista internacional já atacou presidentes de megaempresas, mas também atacou civis comuns indiscriminadamente, e todos sob o mesmo impulso. Uns danam colossalmente, outros danam pouco, mas todos danam e não fazemos distinções, e toda esta estrutura tecno-industrial só se sustenta porque há civis operando e a defendendo, conscientemente, por mais que neguem que assim seja, sobretudo os esquerdistas. Então, os alvos são infindos. Governos, sejam eles quais forem, sempre foram danosos, afinal o progressismo sempre foi buscado e ele é alcançado apenas através de danos graves à natureza, como mineração, desmatamento, barramento de rios, monoculturas, etc.. Acontece que o novo governo ressignificou o interesse em danos, nos parece proposital e há muito cinismo. Olhe aquele Salles, como é cínico. Bolsonaro fazendo papel de estúpido quis rebater esta semana dados objetivos do INPE com a intenção de negar o abissal desmatamento que ocorre no país. Então, é custoso visar alvos do governo e raramente o fazemos, mas esse governo tem nos enfurecido de uma maneira bastante particular devido a suas posturas cínicas e explícitas referente a questões ambientais”.

Liberação de agrotóxicos

“Não defendemos qualquer tipo de agronegócio, tampouco agrotóxicos, nossa perspectiva é outra. Mas é odioso o que esta pessoa tem feito, defender e liberar dezenas daqueles produtos químicos, muitos deles periculosíssimos e condenados em outros países. As consequências destes produtos sempre foram drásticas, sendo abruptas ou lentas, por “menos nocivos” que fossem. Sabe-se hoje que o declínio de insetos, especialmente aqueles polimerizadores, tem relação direta com a aplicação de pesticidas. Não é atoa que vulgarmente os chamam de “veneno”. Este país é um dos que mais consomem agrotóxicos no mundo, são toneladas todos os anos, estes produtos contaminam solos, rios, córregos, matam animais e insetos e se impregnam nos alimentos distribuídos. O resultado, além dos danos graves à natureza, são doenças neurológicas, câncer e tantas outras enfermidades. Mato Grosso é um inferno do agronegócio, e o Pantanal é rico e diverso, e como qualquer outro ecossistema neste país, especialmente o Cerrado, está ameaçado pela agropecuária. Tereza Cristina é como uma outra Kátia Abreu, a nova “rainha do motosserra”, e não hesito em dizer que será tão pior quanto.

Para ilustrar melhor o absurdo enquanto terminava minhas respostas, tive que voltar nesta pergunta para atualizá-la, já que hoje, 22 de Julho, acabo de saber que foi aprovado o registro de mais 51 agrotóxicos, totalizando 262, apenas neste ano, incluindo o Sulfoxaflor, inseticida do qual estudos mostram relação com o declínio da população de abelhas. Explosivos que dilaceram membros não são nada se comparados aos danos causados à natureza por nossa espécie’.

Ligações com o Paraguai

“Não existe nenhum membro de ITS no Paraguai. Mas já há algum tempo prestamos atenção no Exército do Povo Paraguaio (EPP), que inclusive realizou um interessante ataque há pouco tempo através de um braço indígena da organização, matando um brasileiro e causando danos materiais. Mas não temos qualquer tipo de contato ou relação com o grupo, há inclusive completa divergência em nossos caminhos, apenas tiramos lições da bela atuação destes insurgentes”.

SSS e PCC

“Não existem membros de ITS por “todo o país”. O grupo não possui esta dimensão. Quando emitimos aquele comunicado [de apoio ao PCC] estávamos apenas nos alinhando às intenções destas facções de atacar e retaliar autoridades e militares, já que um “salve geral” poderia ser dado a qualquer momento devido a transferência de líderes do PCC após planos de fuga frustrados. Se isso ocorresse, mesmo sem nenhuma ligação com o grupo, certamente atacaríamos contribuindo com as intenções caóticas da facção, porque diretamente isso contribuiria também com as nossas, caos e desestabilização da sociedade”.

Ataques planejados?

“Tem algo que sempre levamos em mente quando nos fazem esta pergunta. Em 1970 uma das informações cruciais para os militares alemães elaborarem um plano para aniquilar a organização palestina Setembro Negro na Alemanha, grupo terrorista que sequestrou e matou onze atletas israelenses, foi a quantidade de membros da organização. Durante as negociações na vila olímpica em Munique eles deixaram escapar seu contingente, e isso foi importantíssimo para uma contrainsurgência contra os rebeldes palestinos. Então jamais diremos quantos de nós existem, isso seria um tiro em nosso próprio pé. E sim, existem mais ataques planejados para este ano. Apenas aguardem.”

Índios Isolados

Este belo escrito nos foi enviado ao email.

Com tamanha valentia
disse com alegria
nossos índios irão acabar.

Com enorme desprezo
falou que nossos primogênitos
irão se globalizar,
dizendo com a mão no peito
essa nação irei salvar.

Com minha voz bem singela
digo que a flor amarela não irei mais entregar
se na paz não teve jeito
por causa do seu despeito
agora vou atacar.

Com a força do meu coração
Coloco-me a disposição
para junto dos meus irmãos
o nosso verde poder salvar.

I MOMYI-PYRA’ANGA RATÃ RESÉ.

[MATÉRIA]: Líder de grupo terrorista revela plano para matar Bolsonaro

A edição edição nº 2644 da revista VEJA trouxe uma interessante matéria sobre ITS-Brasil. Na ocasião foi entrevistado Anhangá, membro proeminente da Sociedade Secreta Silvestre, a “ala” brasileira do grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS). Abaixo a reportagem na íntegra que esteve a cargo dos jornalistas Thiago Bronzatto e Laryssa Borges.

Em entrevista a VEJA, representante do SSS ameaça presidente, seus familiares e dois ministros.

Imagem enviada a VEJA por um dos membros da SSS: os terroristas já praticaram três atentados a bomba em Brasília (./.)

Em 1º setembro do ano passado, ninguém deu atenção a uma mensagem no Facebook que trazia uma ameaça ao então deputado Jair Bolsonaro. O autor escreveu que testaria “a valentia” do então candidato do PSL à Presidência da República quando os dois se encontrassem e que ele “merecia” levar um tiro na cabeça. Ninguém deu atenção à postagem porque ameaças assim quase sempre não passam de bravatas. Ninguém deu atenção porque o autor, um garçom desempregado, também costumava publicar em sua página na rede social textos desconexos e teorias conspiratórias absolutamente sem sentido. Parecia coisa de maluco. Cinco dias depois, no entanto, Adélio Bispo de Oliveira, o autor da mensagem, esfaqueou Bolsonaro em uma passeata em Juiz de Fora (MG). O agressor de fato era um desequilibrado mental, mas o atentado ensinou que ameaças não devem ser subestimadas, por mais improváveis que pareçam.

ALERTA -Jair Bolsonaro: alvo da SSS, organização que se diz ecoextremista (Ueslei Marcelino/Reuters)

Há seis meses a Polícia Federal caça, ainda sem sucesso, os integrantes de um grupo terrorista que já praticou pelo menos três atentados a bomba em Brasília e anuncia como seu objetivo mais audacioso matar o presidente da República. Nas duas últimas semanas, VEJA entrevistou um dos líderes da Sociedade Secreta Silvestre (SSS), que se apresenta como braço brasileiro do Individualistas que Tendem ao Selvagem (ITS), uma organização internacional que se diz ecoextremista e é investigada por promover ataques a políticos e empresários em vários países. O terrorista identifica-se como “Anhangá”. Por orientação do grupo, o contato foi feito pela deep web, uma espécie de área clandestina da internet que, irrastreável, é utilizada como meio de comunicação por criminosos de várias modalidades.

Anhangá garante que o plano para matar Bolsonaro é real e começou a ser elaborado desde o instante em que o presidente foi eleito. Era para ter sido executado no dia da posse, mas o forte esquema de segurança montado pela polícia e pelo Exército acabou fazendo com que o grupo adiasse a ação. “Vistoriamos a área antes. Mas ainda estava imprevisível. Não tínhamos certeza de como funcionaria”, afirma o terrorista. Dias antes da posse, a SSS colocou uma bomba em frente a uma igreja católica distante 50 quilômetros do Palácio do Planalto. O artefato não explodiu por uma falha do detonador. No mesmo dia, a SSS postou um vídeo na internet reivindicando o ataque e revelando detalhes da bomba que só quem a construiu poderia conhecer. Nessa postagem, o grupo também anunciou que o próximo alvo seria o presidente eleito, o que levou as autoridades a sugerir o cancelamento do desfile em carro aberto. “Facilmente poderíamos nos misturar e executar este ataque, mas o risco era enorme (…) então seria suicida. Não queríamos isso.” Na ação seriam usados explosivos e armas. “A finalidade máxima seriam disparos contra Bolsonaro ou sua família, seus filhos, sua esposa.”

EM VÍDEO – Incêndio de carros do Ibama em Brasília: o grupo gravou as cenas (CBMDF/Divulgação)

Depois disso, em abril, dois carros do Ibama foram incendiados em um posto do órgão em Brasília. Em meio aos escombros, encontraram-se palitos de fósforo, restos de fita adesiva e vestígios de um líquido inflamável. No local, havia pichações com ameaças de morte ao ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente. De novo, num vídeo postado na internet clandestina, o grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado e exibiu o material utilizado durante o ataque, oferecendo provas de que era mesmo o autor do crime. De acordo com Anhangá, foi mais um aviso, dessa vez endereçado diretamente a Ricardo Salles. “Salles é um cínico, e não descansará em paz, quando menos esperar, mesmo que saia do ministério que ocupa, a vez dele chegará. (…) É um lobo cuidando de um galinheiro”, diz o extremista, que alerta para a existência de um terceiro alvo no governo: Damares Alves, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. “(Ela) se tornou a cristã branca evangelizadora que prega o progresso e condena toda a ancestralidade. O eco-extremismo é extremamente incompatível com o que prega o seu ministério”, diz.

Espécie de holding internacional dos chamados ecorradicais, o ITS foi fundado em 2011 no México e afirma ter representantes também na Argentina, Chile, Espanha e Grécia. A organização se diz contra tudo o que leva à devastação do meio ambiente e defende o uso de medidas extremas e atos violentos contra os inimigos da natureza (evidentemente tal discurso não tem coerência alguma). Em maio passado, os ecoterroristas do Chile assumiram a autoria de uma carta-­bomba enviada a um empresário. Dois anos antes, em 2017, um artefato similar foi endereçado ao presidente de uma mineradora, que ficou ferido. No México, o ITS reivindicou a autoria de várias explosões em universidades. Uma delas resultou, em 2016, na morte de um pesquisador. No fim do ano passado, o grupo também se responsabilizou por uma bomba deixada próximo a uma igreja ortodoxa em Atenas.

RECADO – Bomba em frente a uma igreja de Brasília: o primeiro recado da SSS (./Reprodução)

Os terroristas brasileiros vêm sendo monitorados pelas autoridades há algum tempo. Um relatório elaborado pela diretoria de inteligência da PF intitulado “Informações sobre Sociedade Secreta Silvestre” descreve que, em 2017, uma bomba foi deixada na rodoviária de Brasília. O documento, obtido por VEJA, ressalta que a imprensa não noticiou o atentado, mas, mesmo assim, os detalhes foram divulgados num site do grupo chamado Sociedade Secreta Silvestre, traduzidos para diversos idiomas e assinados por uma pessoa identificada como “Anhangá”. Em dezembro, depois da ameaça ao presidente Bolsonaro, a Polícia Federal decidiu pôr no caso os melhores agentes da seção antiterrorismo. Os policiais já seguiram várias pistas. Três suspeitos chegaram a ser presos. Mas os integrantes do grupo ainda não foram identificados. Anhangá provoca: “(Eles) são incompetentes (…). Não somos meros amadores, dominamos técnicas de segurança, de engenharia, de comportamento social. (…) Discutimos internamente com membros de outros países”.

Assim como para outros grupos, a internet exerce um papel importante na organização e divulgação de ideias. Os comunicados e vídeos do grupo terrorista ITS são postados num site chamado Maldición Eco-­extremista, traduzido para diversos idiomas. Foi por meio desse canal que VEJA solicitou uma entrevista com um integrante do ITS-Brasil. Um e-mail criptografado, de um servidor localizado na Suíça, indicou um endereço eletrônico para o qual deveriam ser enviadas as perguntas. Pouco tempo depois, Anhangá apareceu e disse que estava à disposição para esclarecer as dúvidas da reportagem. A partir daí, foi mandado um link de um chat privado, em que as mensagens eram destruídas após 24 horas. Nesse canal, foram feitas três entrevistas, reproduzidas ao longo destas páginas. Em fevereiro de 2019, a rede de televisão francesa TV5Monde utilizou o mesmo caminho para entrevistar o fundador do ITS, que se apresentou como “Xale”. A reportagem informava que o grupo tinha ramificação no Brasil.

EMBOSCADA – Aeroporto de Congonhas: o grupo planejou metralhar um ministro do STF na área de desembarque (Alf Ribeiro/Folhapress)

O máximo que Anhangá (que quer dizer espírito que protege os animais, em tupi-guarani) revela sobre si é que é do sexo masculino, tem entre 20 e 30 anos, está em Brasília e é um radical defensor da natureza. Com as vidas humanas, já não demonstra a mesma preocupação. Segundo ele, o presidente é um “estúpido populista” que “falha com sua segurança” e anda “sem uma proteção adequada”, o que facilita o atentado. Quando isso pode acontecer? “Um ataque a Jair Bolsonaro será sempre uma possibilidade latente.” Por quê? “Bolsonaro e sua administração tem declarado guerra ao meio ambiente.” Já há alguma preparação? “Tentamos sempre adquirir explosivos e armas mais potentes.” Onde? “Estudamos semanalmente nossos alvos.” Pode ser tudo bravata? Até pode, mas as evidências que se tem até agora apontam para o sentido contrário. Num inquérito sigiloso obtido por VEJA, a própria PF destaca que o grupo continua praticando atos criminosos com “extrema gravidade” e mostrando “profusão de ideias violentas e extremistas, além de divulgar ameaças contra a vida do Bolsonaro”. Isso, por si só, já se enquadra em crime de terror (leia mais nesta reportagem).

As ameaças contra autoridades de Brasília não envolvem apenas o Executivo. Em março, por determinação do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), foi instaurado um inquérito para apurar a origem de ataques a magistrados nas redes sociais. Numa primeira fase, os investigadores identificaram pessoas que usavam a internet para difundir notícias falsas e pregar agressões contra os ministros. Foi o caso de um advogado alagoano que publicou uma mensagem em que falava da necessidade de “matar aquele débil mental do irmão mongol do ministro Toffoli”. O irmão do ministro é portador de síndrome de Down. Identificado, o advogado prestou depoimento e disse que tudo não passava de bravata.

DO VIRTUAL PARA O REAL – Suzano: o massacre começou em fórum da internet (./Reprodução)

Mas não foi apenas isso. VEJA apurou que o inquérito do STF também reuniu evidências de um plano real de ataque contra um ministro da Corte. Os investigadores descobriram que um grupo havia monitorado durante algum tempo a rotina de um dos magistrados, cujo nome é mantido em sigilo, e de sua família, que mora em São Paulo. O objetivo era definir o melhor lugar para uma emboscada, e o local escolhido foi o Aeroporto de Congonhas. Por questões de segurança, autoridades e políticos têm acesso a salas vip em aeroportos. A ideia dos criminosos era cercar o carro do ministro na saída do terminal e metralhá-lo. “Eles diziam que ‘iam abrir fogo’”, revela um magistrado que teve acesso à investigação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes.

Curiosamente, o plano foi discutido em um chat da deep web também frequentado pelos estudantes Guilherme Monteiro e Luiz Henrique de Castro. Para quem não lembra, em março esses dois rapazes invadiram uma escola em Suzano, no interior de São Paulo, executaram cinco alunos e duas funcionárias e depois se mataram. No chat, o grupo que planejava o ataque ao ministro do STF trocava informações com os assassinos da escola. Por orientação da Polícia Federal, os juízes mudaram sua rotina e ampliaram o esquema de segurança. “Esse caso é diferente dos que já encontramos. Não se trata de alguém fazendo um desagravo ou uma bravata pela internet. Eram dois grupos distintos tramando dois ataques. O primeiro aconteceu. Não era brincadeira”, diz o mesmo magistrado. Infelizmente, o terrorismo, que durante tanto tempo não figurou entre as preocupações brasileiras, agora precisa ser levado a sério. Que os responsáveis sejam presos e punidos — antes que cometam as tais atrocidades que prometem.

INVESTIGAÇÃO - Alexandre de Moraes: ameaças não eram bravatas (Marcelo Chello/CJPress/.)

POSSIBILIDADE LATENTE

A conversa com o representante da SSS foi realizada através de um chat* na deep web. “Anhangá” confirma que o objetivo do grupo é matar o presidente

VEJA: O presidente da República, Jair Bolsonaro, é um dos alvos? Por quê?

Anhangá: Bem, ser um alvo ele é, só é bastante difícil às vezes de elaborar algo para alcançá-lo. Como ele é um estúpido populista às vezes falha com sua segurança e sai aqui em Brasília aleatoriamente sem uma proteção adequada. Ou em outros lugares como no Rio de Janeiro. As motivações carecem de justificativas porque são óbvias. Bolsonaro e sua administração tem declarado guerra ao meio ambiente, a Amazônia especialmente, tem feito de órgãos que teoricamente deveriam proteger a natureza catapultas para negócios danosos, facilitadores de exploração mineira, madeireira, caças, agropecuária, etc.

E isso de maneira intensa e explícita.

Proposital.

É um negacionista da catástrofe climática.

VEJA: Mas vocês ainda avaliam fazer um ataque ao presidente da República?

Anhangá: Um ataque a Jair Bolsonaro será sempre uma possibilidade latente. ITS-México feriu uma senadora mexicana com um livro-bomba, se não estou equivocado. ITS-Chile por pouco não mata o presidente de uma das maiores estatais do país com um pacote-bomba há dois meses, mais ou menos. Estas pessoas do alto escalão não são intocáveis, só é preciso saber das vulnerabilidades. As pessoas pensam que estamos parados, mas estudamos semanalmente nossos alvos, e tentamos sempre adquirir explosivos e armas mais potentes. Se a oportunidade bate em nossa porta Bolsonaro acabará como Luis Donaldo Colosio (político mexicano, morto em atentado em 1994).

*Foi mantida a grafia normal

NA CERIMÔNIA DE POSSE

“Conseguiríamos se tivéssemos tentado”

RECUO – Posse de Bolsonaro: um forte esquema de segurança impediu o ataque (Andre Penner/AP)

VEJA: Em relação à posse presidencial, qual era o plano de atentado?

Anhangá: Dificilmente conseguiríamos acessar a área restrita, havia barreiras e detectores de metal. Não era certo uma vista de longe para disparos, e mesmo que fosse, a área estava bastante vigiada por câmeras e atiradores, seriam deixadas sacolas com explosivos, na verdade iria atingir público, essa é a verdade.

Isso era viável.

Foi um público considerável, e facilmente poderíamos nos misturar e executar este ataque, mas o risco era enorme, e era previsível um ataque, então seria suicida.

Não queríamos isso.

E pensamos bem, outros membros de fora aconselharam também.

VEJA: Vocês desistiram, então, por causa da estrutura de segurança do evento?

Anhangá: De certo modo sim.

O risco era grande.

Mas conseguiríamos se tivéssemos tentado.

Só não é certo se sairíamos vivos.

VEJA: O que estava preparado?

Anhangá: Como mencionei, explosivos de extintores de incêndio e uma arma.

VEJA: Qual seria a finalidade da arma?

Anhangá: A finalidade máxima seriam disparos contra Bolsonaro ou sua família que desfilaria, seus filhos, sua esposa, o núcleo, mas sabemos que isso dificilmente aconteceria, mas essa era a finalidade. Não sabíamos se teríamos campo de visão para isso.

O MINISTRO DO MEIO AMBIENTE É ALVO

“Um lobo cuidando de um galinheiro”

INIMIGO – Salles e a “destruição” (Ueslei Marcelino/Reuters)

VEJA: Vocês também ameaçaram de morte o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Qual a razão disso?

Anhangá: Salles é um cínico, e não descansará em paz, quando menos esperar, mesmo que saia do ministério que ocupa, a vez dele chegará. Aquele sujeito já chegou a adulterar documentos para beneficiar mineradoras. Tudo o que faz e declara é antagônico ao cargo que ocupa. É um lobo cuidando de um galinheiro.

Ele foi condenado por isso.

É um aliado de empresas, mineradoras e ruralistas.

E não por acaso foi escolhido por Bolsonaro.

A MINISTRA NA MIRA

“A cristã branca que prega o progresso”

INIMIGA – Damares e o “progresso” Alves (Jorge William/Agência O Globo)

VEJA: Por que, além de Bolsonaro, vocês ameaçaram a ministra Damares Alves?

Anhangá Pelo símbolo que ela se tornou, a cristã branca evangelizadora que prega o progresso e condena toda a ancestralidade. Outro motivo é que o eco-extremismo é extremamente incompatível com o que prega o seu ministério, é um choque filosófico.

AS INVESTIGAÇÕES DA PF

“Não somos meros amadores”

(./.)

PREVENÇÃO – A Polícia Federal prendeu, em 2016, dez suspeitos de terrorismo. O documento acima mostra que a PF agora está no encalço da SSS (Ed Ferreira/Brazil Photo Press/)

VEJA: Por que até hoje a Polícia Federal não descobriu a identidade de vocês?

Anhangá: Porque são incompetentes e porque não somos meros amadores. Aqueles idiotas da Operação Hashtag foram presos enquanto preparávamos quase 10 quilos de explosivo. Não somos meros amadores, dominamos técnicas de segurança, de engenharia, de comportamento social. Pra falar a verdade discutimos internamente com membros de outros países e chegamos a conclusão que das polícias de cada país onde opera ITS a do Brasil é a mais avançada, mas ainda sim não foi capaz.

*de que

Como costumamos dizer, caminhamos com uma lebre, silenciosamente.

Uma Abordagem Extra-moral à Artificialidade

Tradução da reflexão Extramoral Approach Artificiality, extraída do blog Antisocial Evolution.

As leis sociais são um sistema de regras impostas à maioria das pessoas civilizadas desde o nascimento. Elas são um conjunto de regras que governam como você deve viver para fazer a sociedade funcionar: não roube, seja uma boa pessoa, trate os outros como você gostaria de ser tratado, somos todos iguais e se pudéssemos deixar de lado nossas diferenças e trabalhar juntos nós viveríamos em uma utopia de ouro. Estas leis são uma mistura da espuma borbulhante da doutrina judaico-cristã tradicional e o humanismo liberal moderno. É a maior fraude de todos os tempos, o engano mestre, um sistema de mentiras envolvidas em um lindo pacote e chamadas de civilização. É como ser fodido por um porco vestido de freira.

Logo está a lei natural, a lei real, a natureza primitiva do homem, a parte de nosso cérebro que se desenvolveu ao longo dos últimos milhares de anos, sobrevivendo às eras glaciais, secas, em florestas, desertos, à pragas e guerras. É o cérebro do lagarto, o cérebro animal, a parte de nós que impulsiona instintos e comportamentos nos níveis mais profundos.

Em nossa ignorância pensamos que somos removidos a um nível de distância das bestas da terra. Qualquer um que tenha animais de estimação ou que tenha estado no meio da natureza sabe que existe uma lei selvagem que reina acima de tudo: a sobrevivência do mais apto, afunda-se ou nada, aprende a voar ou morre tentando. “Vitória ou Valhala.”

Isso não quer dizer que o altruísmo em certo ponto não exista. Experimentos mostraram que os ratos arriscam suas vidas para libertar seus amigos do cativeiro. Os bonobos nas tribos compartilham a comida entre si. Um cachorro poderia adotar um gatinho órfão como se fosse seu e cuidar dele.

Não estou dizendo que a “bondade” não exista em nossa natureza primitiva. Mesmo assim, as leis da sociedade civilizada são uma farsa. As regras escritas em tábuas de pedra e assinadas por “deus” eram, obviamente, dirigidas a pessoas nos escalões mais baixos da sociedade – não para os ricos e poderosos.

Se você olha a demografia de hoje, são os pobres que são os mais religiosos e os ricos os menos. Os ricos mentirão, roubarão e serão opressivos contra qualquer um que cruze em seu caminho – isso se chama viver sob as leis naturais.

A lei natural é viciosa. Ela é a mãe que insiste e critica, que aponta suas maiores inseguranças com risadas em um sorriso maligno. Ela não é a pequena amorosa Terra, mãe das flores, doces e abraços. Ela é Kali em um embate, incendiando florestas no chão. É a furiosa e ciumenta Hera, atormentando e destruindo aqueles que se opõem a ela. Sua compaixão é grande para aqueles que a respeitam, mas sua ira é a morte experimentada milhares de vezes em um tsunami, por isso andamos em nossas vidas diárias, falando, atuando e respirando sob as leis sociais – quando no fundo de nosso subconsciente – estamos vivendo sob a lei natural. Por que o homem estabelecido com uma esposa e uma família arrisca tudo por uma noite de paixão com uma mulher jovem e bonita, mesmo quando ele sabe que as repercussões poderiam ser a solidão, o divórcio, e intermináveis pagamentos de pensão alimentícia? Por que os líderes de países levam seu próprio povo à ruína com dívidas intermináveis e guerras em busca de riqueza – mesmo quando estão em risco?

Os tolos e os idiotas quebram a cabeça e ficam com suas mandíbulas abertas, estáticos por aí, como se fossem uma horda de vaginas arregaçadas. Um ponto de interrogação que paira no ar como um fedor estagnado.

No início de nossas vidas, estamos posicionados em um tabuleiro de xadrez, mas nos dizem que é um tabuleiro de damas. Como peões obedientes, nos concentramos em avançar um quadrado de cada vez – apenas para nos vermos surpreendidos e espancados quando a torre captura nossas vidas com uma varredura limpa. Como ela pode fazer isso? É justo? Como ela pode simplesmente atravessar todo o tabuleiro? Claro que ela pode, quando você percebe o jogo que está jogando.

Assim que acorda, você está na selva, bebê. Como primatas, é onde começamos e nunca saímos realmente. É claro, talvez sejamos astutos o bastante para criar pequenas casas e estradas ou cercar subúrbios que podem dividir nossas falsas vidas acomodadas.

Mas a civilização, como a conhecemos, tem apenas 5.000 anos de idade. A moderna sociedade industrial tem apenas 200 anos de idade. As leis reais dos homens foram estabelecidas ao longo dos 40.000 anos de nossa existência como bestas, e até mesmo as leis de outros primatas antes disso sequer acontecer.

Poderia a psique humana mudar tão rápido para se adaptar às leis humanitárias, liberais e cristãs? Talvez quando se corte as genitais e lobotomize a mente. Por que você acha que os antidepressivos prevalecem tanto na sociedade de hoje? Por que você acha que as pessoas vão a caras terapias por causa de seus flácidos casamentos e vida sexual?

Então acorde da ilusão. Tudo o que foi dito a você é uma mentira. Perceba o jogo que você está jogando e jogue-o bem. Não há equivalentes. Apenas ganhadores e perdedores. Você é o lobo ou a presa?

Fortes, livres e suicidas: Sebastião Salgado fotografa os Suruwaha na Amazônia

Expedição do fotógrafo brasileiro documenta os índios suruwahas, que vivem sem cacique ou qualquer outra hierarquia em uma pequena comunidade isolada no sul do Amazonas, onde produzem toda sua comida, cultivam o vigor físico e preservam tradições –como a de usar poções venenosas para caçar, pescar e morrer jovem.

Kwakway leva cesto cheio de massa de mandioca ao igarapé Pretão, ajudado por Baxihywy e Warubi

De Amazônia.org:

Eles são 154 pessoas e sua população segue crescendo (eram cem nos anos 1980). Com a saúde exuberante, produzem todos os alimentos que consomem e têm grande orgulho de suas técnicas de agricultura, particularmente apuradas. Para caçar, usam armas tradicionais, o arco e a zarabatana, com que atiram setas de ponta envenenada. São mestres no uso de poções. Não têm caciques, mas os grandes caçadores, sempre reconhecidos pelo número de antas que mataram, são prestigiados, considerados “madi iri karuji”, ou “pessoas de valor”.

“Os suruwahas representam para mim aquilo de mais próximo ao que Pedro Cabral deve ter visto ao chegar ao Brasil.” Assim Sebastião Salgado define sua impressão após a expedição fotográfica de 25 dias que realizou à terra indígena.

A comunidade está localizada no sul do estado do Amazonas, entre igarapés da bacia do rio Purus. A área fica a cinco dias de barco da cidade de Lábrea (850 quilômetros a sudoeste de Manaus).

“Eles escolheram viver em estado de quase total isolamento e mantêm suas práticas e a expressão visual de sua tradição cultural muito preservadas. É muito impactante. Vê-los, ao chegar, me causou uma emoção muito grande”, acrescenta o fotógrafo, que ao longo das últimas décadas visitou alguns dos lugares e povos mais isolados da face da Terra.

Após contatos trágicos com outros índios e brancos na segunda metade do século 19, os suruwahas (pronuncia-se “suru-uarrás”) se retiraram para o fundo da floresta e lá ficaram isolados até o início dos anos 1980. Na época, pescadores, caçadores e seringueiros ameaçavam a área onde havia sinais da presença de índios.

Indigenistas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário, ligado à Igreja Católica) fizeram contato com os suruwahas e, então, iniciou-se o processo oficial de reconhecimento da terra indígena, que foi homologada pela União em 1991.

Depois de um breve período de convivência com duas instituições religiosas -o Cimi e a evangélica Jocum (Jovens com uma Missão)-, desde o início dos anos 2000 os índios passaram a se beneficiar da chamada política do não contato.

A Coordenadoria de Índios Isolados ou de Recente Contato da Funai (Fundação Nacional do Índio) mantém apenas um posto que fica a mais de sete horas de viagem, por barco, da aldeia. Quando autorizado pela Funai, um visitante precisa, antes de ir até lá, fazer uma quarentena de 12 dias no posto da entidade para comprovar que não possui doença que possa contaminar os índios.

Apesar da distância, esse grupo frequenta o noticiário e é alvo de estudos acadêmicos por uma característica cultural geralmente chocante para um não suruwaha: a ocorrência frequente de suicídios, provocados com o uso do timbó, veneno usado por outros povos apenas para pesca. Essa tem sido a principal causa de mortes entre eles. A fama dessa ocorrência os levou a serem chamados de “os índios do veneno”.

A jovem Hatiri se banha no rio. Foto: Sebastião Salgado

Antropólogos, indigenistas e missionários se debruçaram sobre o tema sem uma conclusão sobre as causas desse comportamento e sem conseguir eliminar os casos – que, no entanto, têm diminuído.

A maior parte dos suicídios ocorre entre pessoas na faixa de 14 a 28 anos, em pleno vigor físico.

Contribui para isso sua mitologia. Os suruwahas acreditam na existência de três céus ou planos para os quais a pessoa ruma após a morte.

“Desses céus, aquele onde a vida é mais favorável é o que reúne os que morrem fortes e saudáveis, em vez dos dois outros: o que reúne os picados por cobra e aquele para onde vão os que morrem depois de velhos”, conta Salgado.

Os suruwahas são também uma sociedade anárquica. Não têm líderes, não têm chefia. ”Kwakway é o mais respeitado, dono da maior maloca, parte de uma família numerosa. Mas isso não dá a ele um papel de ‘chefe’”, explica.

O igualitarismo radical faz com que não haja entre os índios autoridade com mandato para cercear ou censurar alguém. As decisões de interesse comum são tomadas à noite, depois da comida, em conversas abertas. Atitudes pessoais são responsabilidade dos indivíduos: o grupo pode criticar alguma ação isolando seu autor, deixando de falar com ele. Mas não há punições.

Índios suruwahas participam de pescaria coletiva no igarapé Pretão, durante verão amazônico, quando as águas dos rios baixam. Foto: Sebastião Salgado

Comunidade atual é resultado da mistura de grupos sobreviventes

A imagem de isolamento que tanto impactou o fotógrafo Sebastião Salgado ao encontrar os suruwahas é consequência da história intensa e trágica que esse grupo viveu a partir da segunda metade do século 19.

Após meio século de epidemias e de um massacre, que quase os exterminou completamente, os suruwahas fugiram para o fundo da floresta, no início do século 20, onde vivem isolados nas terras altas até hoje.

A jovem Juwawi, com pintura de onça no rosto, carrega seu bebê em uma tipoia sobre a cabeça. Foto: Sebastião Salgado

A partir de relatos de memórias que foram passados de geração a geração ao longo dos últimos 150 anos, é possível saber que, por volta de 1880, eles mantiveram intercâmbio de produtos com outros índios ou com brancos, de quem adquiriam utensílios industrializados.

As ferramentas de metal, como machados e facões, tinham se tornado habituais entre os índios. Esses instrumentos causaram verdadeira revolução em suas técnicas.

A antropóloga Adriana Huber Azevedo, que trabalhou com os suruwahas entre 2006 e 2011, explica que os instrumentos transformaram a agricultura deles, como na abertura de roças, e que os índios passaram a depender dessas ferramentas.

Naquele fim de século 19, o modo de vida era bastante diferente. Divididos em vários grupos de língua semelhante (chamados ”dawas”), os indígenas viviam espalhados em um vasto território, do qual a terra atual é só uma pequena fração.

Eram ao menos 11 grupos originais, que habitavam em torno dos rios Cuniuá, Tapauá e Purus. Cada um era identificado pelo lugar em que morava: jokihidawas (que já viviam onde todos estão hoje), tabosorodawas, adamidawas, nakydanidawas, sarakoadawas, yjanamymadys, korobidawas, masanidawas, ydahidawas, zamadawas e um grupo chamado suruwaha.

Esses antigos suruwahas e os masanidawas se relacionavam com seringueiros.

Na proa da canoa, Bahahai pesca, à frente dos irmãos, Tiau (também com um peixe) e Hugi, da mãe, Xiriaki, e do pai, Ikiji. Foto: Sebastião Salgado

Segundo contam, esse tempo de contato com outros povos trouxe grandes epidemias de gripe. Os diversos grupos se afastaram das margens dos grandes rios, como o Purus, subindo por seus afluentes para tentar evitar as doenças. “É provável que eles participassem de festas e de encontros com outros povos, quando buscavam obter ferramentas de metal. Mas pegavam gripe e morriam. Podemos relacionar isso ao início do ciclo da borracha, na segunda metade do século 19”, afirma a antropóloga Adriana.

A população de muitos grupos indígenas foi drasticamente reduzida nesse período. Os suruwahas originais desapareceram. As epidemias, porém, não abateram tanto a população dos jokihidawas, que viviam às margens do igarapé Pretão.

Os sobreviventes de outros grupos indígenas buscaram como refúgio aquela região do igarapé Pretão, chamado de Jokihi (o nome jokihidawa quer dizer “povo do Jokihi”) e que integra a bacia do rio Purus.

No auge desse processo de epidemias, ocorreu um grande massacre, por volta de 1920, quando mais um grupo de índios foi dizimado.

Em suas narrativas, os suruwahas atribuem essa violência a um povo que eles chamam de jakimiadi e descrevem como canibais que usavam roupas e atacavam com armas.

“É muito difícil saber quem os massacrou. Mas não eram pessoas de sua etnia, porque tinham nomes estrangeiros”, diz a antropóloga.

Quando isso aconteceu, os suruwahas, destruídos pelas epidemias, somavam poucos indivíduos. Os sobreviventes foram encontrados por remanescentes dos outros grupos, que já viviam juntos como forma de sobreviver à dramática redução populacional. Assim, no começo dos anos 1930, os índios dos vários grupos de língua arawá da região se refugiaram no território dos jokihis, onde estão até hoje.

No kunaha, acampamento de pesca, Bambuhwa segura folha de caranaí e moqueia peixes, ao lado de Xamuwa. Foto: Sebastião Salgado

Ali, numa área de floresta densa, distante de todos os grandes rios da região, conseguiram viver em isolamento quase completo por cerca de 60 anos, às margens de igarapés como Riozinho e Pretão. Perderam o acesso a instrumentos de metal, mas deixaram de contrair doenças.

Recuperaram a saúde, constituíram um modo de vida ao mesmo tempo tradicional e novo e formaram uma só comunidade a partir da mistura de várias etnias, uma federação dos antigos dawas.

Eles passaram a viver juntos, mas não adotaram um nome comum, cada um se identificava como membro de seu grupo original.

No início dos anos 1980, surgiram novas ameaças de presença de não índios, que poderiam levar doenças à comunidade. Indigenistas do Cimi fizeram então o contato. Quando os primeiros integrantes do conselho chegaram, dois jovens disseram: “Somos suruwahas”, referindo-se ao dawa já dizimado. Embora fosse brincadeira, o nome colou.

Segundo o antropólogo Miguel Aparício Suárez, em sua dissertação de mestrado “Presas do Timbó” (2014), o fato de o nome ser de um grupo inexistente facilitou a sua adoção como denominação comum.

Alguns indivíduos ainda se identificam pelo nome de origem. Mas indigenistas, Funai e outros índios passaram a chamá-los de suruwahas.

A referência precisa a datas é uma característica peculiar dos suruwahas. Nem todos os povos indígenas lidam do mesmo jeito com a história. É graças a essa memória prodigiosa que sua trajetória pôde ser remontada a partir do século 19. “Os ianomâmis não usam os nomes dos mortos, o que torna mais difícil entender o passado e reconstituir a ordem dos fatos”, compara Adriana.

Os índios Uhwi, Niaxixibu, Bibi, Giani e Hymanai, do grupo suruwaha, na beira do igarapé Pretão, que banha sua terra, localizada no sul do Amazonas. Foto: Sebastião Salgado

“No caso dos suruwahas, sua memória é bastante precisa até 1880”, diz ela, que é autora da tese de doutorado “Pessoas Falantes, Espíritos Cantores, Almas-Trovões”, sobre os suruwahas. Daquele momento para trás, as narrativas parecem se misturar com um tempo mítico.

O relacionamento dos suruwahas com a sociedade é marcado por ambiguidade, ao mesmo tempo há atração e repugnância, como fica claro no depoimento de Adriana Huber Azevedo: “Se a palavra tradição é sinônimo de autonomia econômica, eles são muito tradicionais, porque nunca foram monetarizados”.

Até hoje, eles produzem toda a sua alimentação e grande parte dos utensílios que usam. “Não passa pela cabeça dos suruwahas viver como nós, mas querem ter coisas nossas. E o sentido que veem em se relacionar com a nossa sociedade está em que podemos lhes fornecer facas, machados, lanternas, roupas para caçar em meio aos piuns e linha para fazer tangas”, diz a especialista.

Quase todos os membros do grupo já passaram meses em cidades como Lábrea ou Manaus, no estado do Amazonas, para fazer tratamento de saúde, segundo Adriana. “Todos dizem que odeiam cidades e jamais viveriam nelas.”

Eles tomam seu veneno no rio e correm para morrer em casa

Uma das marcas culturais mais impactantes dos índios suruwahas é o suicídio. Pessoas saudáveis e fortes provocam a própria morte ingerindo timbó, o veneno que outros povos só usam para capturar grandes quantidades de peixe. Ocorrem dois a três casos por ano, em média, tanto de homens como de mulheres, a maioria entre jovens de 14 a 28 anos. A prática reduz a taxa de crescimento do grupo a 1,9% ao ano, apesar da alta taxa de natalidade (4% ao ano). O autoenvenenamento é a causa de 60% dos óbitos.

Quando os índios percebem que um indivíduo tomou a poção, tentam fazê-lo vomitar, mas, frequentemente, a salvação já não é possível. O líquido tóxico é ingerido na floresta, longe dos olhos da comunidade. O índio se envenena e espera antes de voltar para casa – correndo, já que tem que morrer na maloca.

“Se a pessoa toma veneno, vai para casa e morre no caminho, ela não vai para a casa dos valentes no outro mundo, o céu que eles querem atingir. Então, tem que ter um cálculo preciso de quando tomar o timbó e quando ir para casa, para não morrer antes nem chegar quando ainda dá para evitar a morte pelo vômito”, comenta Sebastião Salgado.

O menino Huwaxi entre dois fardos de casca de árvore usada para fazer redes, cordas e tipoias nas quais as índias carregam os filhos. Foto: Sebastião Salgado

Embora frequente, a perda de um membro da comunidade é sofrida, provoca nos outros a sensação de ter falhado no salvamento. Ainda mais quando se trata de pessoa influente, um caçador de sucesso.

“Não aconteceu nenhum caso enquanto eu estava lá. Eu deveria ter ido no ano anterior, mas houve o suicídio de alguém muito querido. Como eles ficam muito chateados nessas situações, não seria boa época para irmos”, conta o fotógrafo.

O suicídio pode ocorrer porque a pessoa está deprimida, por uma morte em família, porque algo deu errado. A pessoa, triste ou envergonhada em consequência de um desentendimento, se mata. “Mas pode acontecer também porque está muito feliz, como se quisesse congelar esse sentimento”, conta Salgado.

O suicídio está imbricado na cultura dos suruwahas desde antes da fase mais recente de contato, nos anos 1980. Os próprios indígenas descrevem o momento em que eles passaram a adotar a prática do autoenvenenamento, segundo a antropóloga Adriana Huber Azevedo.

“Eles contam que a primeira pessoa que tomou o timbó foi um homem chamado Dawari, bisavô de uma mulher da comunidade atual. Isso aconteceu em torno de 1930, quando já estavam todos vivendo na área de isolamento.”

Segundo a estudiosa, a técnica de ingestão do timbó já era conhecida pelos suruwahas desde o século 19, quando eles tinham contato intenso com outro grupo da região, os katukinas. Mas eles só começaram a praticar o ato quando remanescentes dos diferentes grupos (”dawa”) passaram a viver juntos, no século 20.

Com o corpo pintado de urucum, Gianzubuni segura as armas de caça dos suruwaha: na mão e no ombro direitos, uma zarabatana e a aljava com os dardos de ponta envenenados; na mão esquerda, um arco. Foto: Sebastião Salgado

Antes da fusão, os conflitos eram resolvidos no universo simbólico, pela intervenção de xamãs. Eles atribuíam os problemas de uma pessoa a feitiços feitos por alguém de outro grupo. Uma pessoa que se achava vítima de feitiçaria apelaria a seu pajé para devolver o ataque. Vivendo juntos em uma mesma maloca, esses atritos passaram a ser represados, o xamanismo perdeu a função de mediação, as relações interpessoais se tornaram diretas.

A partir desse momento, acredita a antropóloga, as pessoas passaram a manifestar a reação a conflitos pela ingestão de timbó. Sua interpretação é que o objetivo não é a morte, mas a resolução do conflito: “Cerca de 80% dos casos são resolvidos pela intervenção da comunidade, evitando a morte”, explica.

Os suruwahas são conhecidos pela habilidade de manipular poções. São apelidados “índios do veneno”, o que desperta temor em outros grupos e mesmo entre indigenistas. As principais poções que usam na pesca e na caça são o timbó e o curare.

O timbó é usado por diversas etnias para a pesca na época da seca, quando os rios baixam e ficam empoçados. Os suruwahas o extraem da raiz de uma planta (Lonchocarpus nicou) que produz um líquido leitoso. Jogado na água, ele atordoa os peixes deixando-os paralisados, na superfície. O efeito desaparece em minutos e não afeta o alimento.

O curare, conhecido como “veneno de flecha”, é usado para caça, na ponta de setas grandes, disparadas com arco, ou pequenas, sopradas com zarabatana. É produzido a partir de cipós que precisam ser cozidos. O efeito dessa poção também é paralisante e o animal atingido perde a capacidade de fugir.

Os suruwahas caçam macacos e aves com zarabatana e outros animais, maiores, com arco.

No princípio, Aji Marihi (deus ou herói criador) criou um povo de homens poderosos, chamados saramadys. São os ancestrais dos suruwahas, segundo sua mitologia. Eles aprenderam todas as habilidades necessárias para a vida: caçar, pescar, construir casas, produzir venenos, fazer a roça, plantar. As mulheres aprenderam como fazer a cerâmica, as roupas e tudo. Nessa época, todos os seres vivos eram humanos. Ao longo do tempo, alguns homens foram se transformando em outros bichos ou plantas, e assim se formaram todas as coisas.

Todo mundo tem uma alma, que habita o coração. Dali, ela comanda a memória e as emoções. O homem pode mentir, mas sua alma é sincera. Quando um suruwaha morre, conta a mitologia, a alma abandona seu corpo e vai para o igarapé Pretão, onde eles moram. Ali, no fundo escuro das águas, espera a época das chuvas para seguir viagem rumo aos grandes rios, até um momento em que consegue pular para o céu.

Ao saltar para o céu, cada alma se projeta para um dos três céus em que se divide o mundo segundo a cosmogonia dos suruwahas: as casas do Sol e da Lua, que se localizam em um plano superior; e o arco-íris, em um espaço intermediário entre os dois. Em cada um desses planos os mortos se concentram conforme seu destino específico. Embora não explique os suicídios, é possível relacionar a prática a essa crença.

A jovem Hahani e seu pai, Ania, que segura um arco e flechas. Foto: Sebastião Salgado

No caminho da cobra, que coincide com o traçado do arco-íris, ficam os mortos por picadas de serpentes. O arco-íris, que outros povos cultuam como linda expressão da natureza, é sinal de má sorte para os suruwahas: quando aparece, alguém vai ser mordido por uma cobra.

No caminho do Sol vão aqueles que morrem na velhice, por acidentes ou doenças, todas as pessoas que não foram picadas por cobra e nem provocaram a própria morte. O destino desses índios que morrem velhos é penoso, as almas vagam sem sossego até achar uma comida celeste que as faça renascer e conquistar a juventude eterna.

Por fim, para o “caminho do timbó”, que corresponde à trajetória da Lua, vão os que se autoenvenenam.

O melhor céu, portanto, é dos que morrem jovens e fortes. Eles vivem a verdadeira existência pregada nos cantos e mitos: um mundo embaixo das águas, onde as almas se tornam peixes (como aqueles que os suruwahas costumam pescar, atordoados pelo timbó). Esse é seu destino final. De certa forma, o lugar que concentra os suicidas é o mais parecido com o paraíso após a morte da cosmogonia cristã.

O mito suruwaha conta que o herói Aji Marihi era ao mesmo tempo homem e onça, tinha poderes de um grande xamã, capaz de transformar todas as coisas. Para criar a humanidade, esfregava entre as mãos as sementes de diversas plantas e as jogava no chão. Todas se transformavam em gente, índios e não índios.

Os primeiros homens a sair das mãos do criador foram os jaras, os civilizados ou não índios, feitos com a semente da sorveira (uma árvore alta, comum na região). Depois, com sementes de breu, foram feitos os samaradys, ancestrais dos suruwahas; e com envira, seus inimigos míticos, os jomas. E assim, um a um, foram sendo criados os povos.

Musy molda na argila um jawari (pote de água). Foto: Sebastião Salgado

GRUPO GANHOU FAMA AO VIRAR ALVO DE CAMPANHA CONTRA INFANTICÍDIO

Apesar do isolamento, os suruwahas ganharam exposição pública nos últimos anos devido a outro tabu: o infanticídio em grupos indígenas.

Usando principalmente a internet, a entidade evangélica Jocum (Jovens com uma Missão) incluiu o grupo entre os alvos de uma campanha contra morte de recém-nascidos.

Por considerar que a Jocum fazia proselitismo que prejudicava os índios, o Ministério Público Federal exigiu que a Funai descredenciasse a entidade, proibindo que ela trabalhasse com os suruwahas, a partir de 2004.

Com apoio da bancada evangélica, o deputado Henrique Afonso (PT-AC) apresentou, em 2007, um projeto de lei que obriga o poder público (Funai ou Sesai) a intervir em caso de risco, para evitar o infanticídio em famílias indígenas.

Aprovado na Câmara em 2015, o texto está parado na Comissão de Direitos Humanos do Senado, onde enfrenta reação contrária de entidades de direitos humanos e do presidente da comissão, Paulo Paim (RS), do mesmo PT.

“O infanticídio tem adquirido proporções insignificantes entre os suruwaha. Eles têm sido vítimas de uma campanha de criminalização e ‘animalização’”, diz o antropólogo Miguel Aparicio Sua´rez, autor da dissertação de mestrado “Presas do Timbó” (Ufam, 2014).

O índio Kwakway trabalha na construção de sua maloca, que será usada por toda a comunidade; as casas coletivas têm cerca de 20 metros de altura e trazem prestígio ao dono. Foto: Sebastião Salgado

Malocas de até 20 metros de altura podem abrigar toda a tribo

Os suruwahas vivem em grandes malocas, construídas em forma cônica, com até 20 metros de altura -equivalentes a um prédio de seis ou sete andares. Há cerca de dez malocas espalhadas pela terra indígena, aptas a receber toda a população, se necessário. Mas, em geral, apenas três ou quatro estão ocupadas a cada momento, porque os índios mudam em função de conveniências, como a disponibilidade de água (quando o igarapé junto a uma casa fica mais seco, por exemplo) ou a colheita de roças com mais alimentos.

Em razão de festas, caçadas ou pescarias coletivas, todos podem se juntar em uma mesma casa por um certo período.

Até recentemente, os suruwahas estavam distribuídos em cinco malocas, duas mais próximas entre si e as outras três mais distantes das primeiras. Para chegar a elas, o fotógrafo Sebastião Salgado teve que marchar por cerca de quatro horas. Já no domingo passado (26/8), toda a população estava concentrada em uma só moradia.

Há sempre uma casa em reforma ou em construção na aldeia, para que o grupo possa ficar mais próximo de uma roça recém-aberta.

Construir uma casa é uma decisão individual. No início, o trabalho é coletivo: muitos homens auxiliam na instalação das colunas principais, grandes troncos de madeira.

A cobertura será feita praticamente por uma só pessoa, o “dono” da casa, e esse é um dos elementos que o caracterizam como um homem generoso, provedor, que dá abrigo aos outros. Essa segunda parte leva mais de um ano.

Kwakway trabalha na construção de sua maloca; a obra das casas coletivas pode levar até um ano e costuma ser feita apenas pelo seu dono. Foto: Sebastião Salgado

A estrutura interna da maloca é composta por troncos longos, grossos e pesados e por outros mais finos, alternados. O dono escolhe as árvores na floresta, que serão cortadas e limpas. Para o transporte da madeira, ele conta com a ajuda de oito a dez índios.

Também é o dono quem determina as dimensões e a posição da construção – é ele quem abre os buracos no chão que receberão os troncos.

O processo de levantamento das colunas é quase uma festa. Vários homens iniciam a tarefa. Depois largam o tronco estrondosamente no chão, retomam o esforço e sobem um pouco mais, até que, para colocá-lo na posição final, usam forquilhas de outras madeiras. Isso é repetido várias vezes.

Por último, eles amarram aros feitos de madeira mais maleável às colunas, com diâmetros que vão ficando menores em direção ao topo, o que dá a forma cônica do edifício.

Os homens convocados ajudam ainda a montar os andaimes internos em que o construtor vai se equilibrar na longa jornada de instalação da cobertura de palha.

Nesse período, o dono da casa vai colher sozinho (ou apenas com um parente próximo) as folhas de uma palmeira baixa chamada caranaí; vai secá-las e desfiar suas fibras com faca, para produzir as peças que serão assentadas sobre a estrutura de madeira do telhado, como se fossem telhas de tecido vegetal. Na hora da chuva, a palha desfiada vai cumprir o papel de vedar a entrada da água.

A maloca dá a seu dono certa proeminência, porque os outros serão sempre recebidos como hóspedes, mesmo que por longos períodos ou toda a vida em comum. Embarcar na construção de uma casa é sinal de coragem já que depois, ele trabalhará muito para alimentar os visitantes.

O construtor então vira um líder, um ”madi iri karuji”, “pessoa inspiradora”. Essa influência não se traduz em um poder executivo, de decidir pelos demais ou mandar nos outros. O que diz respeito ao direito pessoal é decidido pelo indivíduo. “Por isso, às vezes uma pessoa combina uma coisa com outra e depois, quando isso envolve uma terceira, que pensa diferente, tudo é cancelado”, conta Salgado.

Dentro das malocas, as famílias se organizam em núcleos com cerca de quatro metros quadrados cada um, entre as colunas de sustentação e a parede de palha, formando um círculo em torno da praça central, reservada às atividades coletivas.

Os suruwahas preparam na maloca o agassi, o grande cesto feito de cipó e casca de árvore, usado para transportar de 600 a 800 quilos de mandioca ralada até o rio. Foto: Sebastião Salgado

Festa da mandioca é olimpíada de levantamento de peso

Um dos principais pratos da culinária dos suruwahas é o grolado, espécie de bolinho assado feito de massa de mandioca fermentada, ou puba. Depois da colheita, uma grande quantidade de mandioca brava é reservada para ser deixada a fermentar dentro da água do igarapé mais próximo. É assim o preparo da puba, que tem sabor mais acentuado do que a feita com a mandioca fresca.

Na água, ela será preservada como se estivesse em uma geladeira, para ser usada quando necessário, na falta da raiz fresca ou em viagens, para acampamentos de caça ou pesca. Como uma espécie de subproduto ritual, o preparo da puba resulta em uma verdadeira olimpíada de carregamento de peso, quando os homens levam para o igarapé os grandes cestos (chamados ”agassi”) onde acumulam a mandioca ralada.

O agassi é feito com cipó e casca de uma árvore. Tem cerca de dois metros de altura e 80 centímetros de diâmetro. É forrado com folhas largas, de forma a impedir que seu conteúdo seja levado pela água do rio.

Kwakway se prepara para carregar o cesto de cerca de dois metros de altura, cheio de mandioca ralada a ser fermentada no rio. Foto: Sebastião Salgado

Depois de ralada, a mandioca brava é espremida, para soltar parte do caldo venenoso, e colocada no cesto. Cheio, o agassi pesa cerca de 400 quilos. Depois de imerso no igarapé, com o acúmulo de água, pode pesar 700 ou 800 quilos.

O rito de levar o cesto para o rio é uma festa. “Eles juntam os homens mais fortes para levantar aquele enorme balaio. É uma prova de força que exige grande sofrimento e contenção. Vão trocando de lugar, quando as forças de uma pessoa se esgotam”, conta Salgado, que fotografou detalhadamente todo o processo.

“Senti que eles fizeram aquele ritual coincidir com a nossa visita, porque começaram a fazer o balaio quando nós chegamos e nos chamaram para ver o ritual”.

Mas também, como é típico da imprevisibilidade da alma suruwaha, após um longo período sendo retratados, os índios mudaram de ideia. “Depois de um bom tempo, disseram que eu precisava ir embora. Eles são muito interessantes, bem peculiares”, diverte-se o fotógrafo.

O esforço para carregar o peso imenso leva todos ao limite de suas forças. Os músculos são amarrados com fibras para não se rasgarem.

Baxihywy ajuda a carregar o agassi, cesto usado para transportar a mandioca ralada até o rio. Foto: Sebastião Salgado

Os homens trocam de posição, em um rodízio em que um deles, a todo momento, recebe a maior parte do peso em suas costas. “Evidentemente ele se destaca como o mais valente, um guerreiro mais forte.”

A mandioca é levada para o igarapé, que está a cerca de 500 metros, e será consumida aos poucos, ao longo de meses. Ou tudo de uma vez, se houver uma grande festa.

A puba também tem papel importante na caça, o melhor atalho para conquistar prestígio na comunidade.

O grupo faz grandes caçadas coletivas no “inverno” (a época da chuva, que corresponde ao verão do Sudeste), que sempre são organizadas e comandadas por um dos homens de prestígio.

A credencial para organizar uma caçada é ter um estoque de puba armazenado no igarapé, que irá servir de alimento a todos que vão participar do evento.

Os suruwahas dividem os animais em três tipos, em uma classificação que nada tem a ver com a taxonomia proposta pela ciência moderna: ”zamatemyro” são todas as caças que andam no chão, abatidas preferencialmente com flecha; ”igiaty” são animais que vivem nas árvores, como macacos e aves; e ”igiatykyry” são os bichos pequenos, como os ratos e os passarinhos, caçados com zarabatana.

Liderados por Kwakway, os índios mais fortes da aldeia carregam cesto de mandioca ralada, num misto de festa e prova de força. Foto: Sebastião Salgado

Se o inverno é da caça, o verão é o tempo das grandes pescarias coletivas, quando os suruwahas usam o timbó, forma tradicional de pesca. O convívio com outros povos deu a eles novas técnicas -linha e anzol, zagaia e arpão–, o que permite a pesca em rios maiores.

Os peixes são parte fundamental da dieta suruwaha, e estão tão imbricados na sua cultura que os homens imaginam que, após a morte, viram peixes, “presas do timbó”.

RITUAL DA PUBERDADE É MARCADO POR CABEÇA RASPADA E SURRA DE VARA

Quando ficam menstruadas pela primeira vez, as meninas suruwahas entram em um rito de iniciação, para se tornarem moças.

A garota deve ficar recolhida, sem se banhar, com o rosto coberto e os olhos vendados. Ela fica de cama e só se levanta para fazer suas necessidades, quando é conduzida por outra mulher.

Ao final do ciclo menstrual, vai ser banhada, ganha uma tanga nova e é surrada com vara pela mãe ou pela avó (trata-se de uma surra ritualizada). Seu cabelo é todo raspado.

Depois de se tornar mulher, há uma série de tabus relacionados ao ciclo menstrual que envolvem normas de comportamento (como a que proíbe que homens usem sua rede nesse período) e alimentares (não podem comer certos alimentos, como caça abatida com veneno, o que traria azar ao caçador).

Jovem toca o instrumento huriatini, uma trombeta feita de casca de envira, que serve para dar avisos. Foto: Sebastião Salgado

Os meninos se tornam homens em torno dos 15 anos. O rito de passagem envolve uma caçada ou pescaria coletiva. Ao voltar para casa, o jovem deverá ajudar a carregar os grandes cestos de alimentos, para mostrar que já é forte, e também o agassi, que é a maior oportunidade de exposição de força individual. À noite, haverá uma grande festa.

Ao amanhecer do dia seguinte, um homem entre seus parentes vai colocar o suspensório no pênis do jovem. Chamado de ”sokoady”, ele fecha o prepúcio sobre a glande e é sustentado por uma espécie de cinto.

O suspensório caracteriza o decoro masculino em diversas culturas indígenas. Para eles, a nudez (ou a “vergonha”) ocorre apenas quando o acessório está aberto. Entre os suruwahas, um homem confecciona o ”sokoady” e outro o coloca no jovem iniciado. Depois que ele é atado, os outros homens surram o jovem.

Quando volta para casa, ele vai armar sua rede bem no meio da maloca, deixando o espaço destinado a seus pais, como se “saísse de casa”.

O índio Miniari, filho de Giani e Buti, deitado em canoa durante pescaria no igarapé Pretão. Foto: Sebastião Salgado

Os suruwahas se casam preferencialmente com primos cruzados (os meninos se casam com filhas das irmãs do pai; as meninas, com filhos dos irmãos da mãe). Com a redução populacional, essa prática é difícil.

Hoje em dia, os jovens adotam a monogamia, mas a poligamia é admitida, ocorrendo tradicionalmente com homens casando com suas primas cruzadas.

A cerimônia é realizada por ação de um outro homem qualquer da casa coletiva, que leva a rede onde a moça dorme para perto da rede do possível noivo. Todos agem como se fosse uma surpresa. O rapaz, no primeiro momento, nega o desejo, mas depois cede. Pode acontecer de o jovem recusar a noiva.

Após o casamento, há uma espécie de lua de mel. No período de um ano ou um pouco mais, os jovens vivem com comida dada por suas famílias. Só depois, frequentemente quando têm o primeiro filho, eles vão começar a produzir seus próprios alimentos e se tornam realmente independentes.

Uma das duas índias suruwahas operadas de catarata pela ONG Expedicionários da Saúde, Wixikiwa segura macaquinho de estimação ao lado da neta. Foto: Sebastião Salgado

Cirurgia de catarata devolve o mundo a anciãs

Há cerca de 20 anos, a escuridão da floresta alta se tornou ainda mais escura para Xamã e Wixikiwa: as duas mulheres perderam a visão, com catarata. Seu mundo se fechou.

A vida cotidiana na selva exige o uso intenso dos olhos: nas grandes caminhadas para mudanças de maloca, para abrir novas roças ou para os acampamentos de caça e pesca ou mesmo o cuidado com as cobras em volta de casa. Tudo pede uma vista aguçada.

Seu sofrimento calado é narrado por histórias que os outros contam, como quando Xamã parou numa trilha para um acampamento de pesca, não conhecia o caminho de cor e não via os vultos de outros para seguir.

As duas mulheres suruwahas já estavam desacorçoadas com a longa cegueira quando, em maio deste ano, foram operadas.

Foi como um milagre. A uma antropóloga que trabalha com a comunidade, as índias disseram que “voltaram a viver” e “ganharam vida nova”.

As operações foram realizadas pelo médico Mauro Campos, chefe do departamento de oftalmologia da Escola Paulista de Medicina (da Unifesp), como parte do atendimento dado aos índios durante a passagem da ONG Expedicionários da Saúde (patrocinada por empresas) pela região do médio rio Purus, onde moram os suruwahas e outros grupos. Na aldeia, os cirurgiões da entidade trataram três pessoas com catarata e quatro com hérnia.

Segundo o censo feito durante a viagem, o grupo indígena tem poucos casos de doença. “Eu examinei todos eles e vi poucas pessoas com problemas de saúde. Eles são muito saudáveis e fortes”, diz Campos.

O médico conta que, além das duas mulheres idosas, operou um jovem, de 27 anos, que desenvolveu um tipo menos comum da doença, a catarata traumática, causada por contusões no olho (batidas, perfurações) que não cegam, mas ferem o cristalino e ele fica opaco.

Ao descrever suas impressões sobre os índios, ele repete a sensação de Sebastião Salgado: “Os suruwahas foram uma novidade para nós. Fiquei emocionado, eles não têm celular, não têm roupas, não têm escolas. A presença do Estado se dá apenas pela casinha da Sesai”, diz, referindo-se ao pequeno polo de saúde.

“Os índios com mais contato normalmente mudam algumas coisas, culturalmente, mas eles não. Eles parecem ser muito tradicionais. Me senti realmente cuidando de índios isolados”, diz o professor da Unifesp.

“Ao longo do período em que estivemos lá, pudemos vê-los caçando com zarabatana. É impressionante a habilidade deles. Pegaram um tucano. Acertam as aves voando.” Outra cena ficou em sua memória: “Eles comem de tudo, inclusive urubus”.

O médico conta que chegou a ouvir de trabalhadores da região que os vizinhos temem o contato com os suruwahas porque eles conhecem muitos venenos. Mas Campos diz que não teve problemas em obter ajuda de agentes para tratá-los.

Também marcaram a lembrança do médico a arquitetura das casas, com mais de 20 metros de altura, a abundância de serpentes na aldeia e o fascínio dos índios por fotos. “Eles ficam o tempo todo olhando as fotografias que fazemos, sempre muito impressionados”, conta Campos.

Acidente com cipó na aldeia dos suruwahas machuca olho de fotógrafo

A ponta de um cipó espetou o canto interno do olho de Sebastião Salgado quando ele andava por uma trilha: “Uns poucos milímetros ao lado e eu estaria cego. Só para ir a um hospital levaria de três a quatro dias”.

Na selva, Salgado seguia um índio que abria caminho com facão. “Eu olhava para baixo, para ver onde pisar. Nisso, a ponta de um cipó que ele havia cortado, pontiaguda, entrou por baixo de meu chapéu e espetou o cantinho do olho.” Sangrou um pouco. Seu assistente, Jacques Barthélemy, fez a foto. “Tive muita sorte.”

A expedição aos suruwahas é parte do projeto “Amazônia”, que documenta o habitat e comunidades indígenas da maior floresta do planeta. Conhecido por reportagens de documentação como “Trabalhadores”, ”Êxodos” e “Gênesis”, Salgado prevê lançar livro e exposições sobre “Amazônia” a partir de 2021.

A Folha já publicou seus trabalhos sobre os índios korubos (5.dez.2017) e ashaninkas (20.mai.2018). Radicado na França desde a ditadura, Salgado começou a carreira de fotógrafo nos anos 1970. Trabalhou em agências internacionais, como a Magnum, fundada por Robert Capa e Cartier-Bresson em 1947. Desde os anos 1990, mantém sua própria agência, a Amazonas Images, com sede em Paris.

Edição: Heloísa Helvécia / Textos: Leão Serva / Fotos: Sebastião Salgado / Edição de fotos: Thea Severino / Coordenação de Arte: Thea Severino / Infografia: Marcelo Pliger / Design e desenvolvimento: Thiago Almeida, Pilker, Rubens Alencar e Angelo Dias

Índice atual de CO2 na atmosfera é o maior de todos os tempos

De acordo com análise realizada em laboratório nos Estados Unidos, esse é o maior nível de dióxido de carbono dos últimos 800 mil anos.

De Revista Galileu:

O Observatório Mauna Loa, no estado norte-americano do Havaí, detectou um índice de dióxido de carbono atmosférico de 415 partes por milhão (ppm). De acordo com os especialistas, esse nível é o maior dos últimos 800 mil anos — ou seja, é o mais alto da história da humanidade.

O meteorologista Eric Holthaus escreveu em seu Twitter, sobre a detecção: “[É a maior] Não apenas na história registrada, não apenas desde a invenção da agricultura, há 10.000 anos. [É a maior] Desde antes dos humanos modernos existirem milhões de anos atrás. Não conhecemos uma situação como essa.”

Cientistas do observatório têm medido os níveis de dióxido de carbono atmosférico desde 1958. Mas graças a outros tipos de análise, como as realizadas em bolhas de ar presas em núcleos de gelo, eles conseguiram reunir dados sobre níveis que remontam há mais de 800 mil anos. De acordo com a NASA, durante as eras glaciais, os níveis de CO2 na atmosfera estavam em torno de 200 ppm, enquanto durante os períodos interglaciais (como o que estamos vivendo neste momento) os níveis ficam em torno de 280 ppm.

Os especialistas afirmam que o ser humano é o principal culpado pela situação. Michael Mann, professor de meteorologia da Penn State University, avalia que os níveis de CO2 na atmosfera da Terra cresçam mais ou menos 3 ppm por ano: “Se você fizer as contas, bem, é bastante sério. Vamos cruzar 450 ppm em pouco mais de uma década”, disse o estudioso, de acordo com o Live Science.

Se a poluição por carbono continuar aumentando, mais calor ficará preso na Terra, o que resultará em um planeta ainda mais quente — a última vez que o planeta esteve aquecido dessa forma existiam árvores no Polo Sul, segundo pesquisadores.

[FILME] Princesa Mononoke

Princesa Mononoke é uma animação de Hayao Miyazaki.

A história se passa numa época onde as pessoas ainda conviviam com feras e deuses, e um jovem chamado Ashitaka é atacado por um deus-javali amaldiçoado enquanto tentava proteger sua aldeia de um vingativo ataque do animal. Ashitaka contrai uma maldição na batalha e decide deixar seu povo e segue para o oeste, em busca da cura para o seu problema. Sem que ele soubesse, no oeste, mineradores de ferro e os deuses-animais travam uma grande batalha. Do lado dos deuses-animais se encontra San (a princesa Mononoke), uma jovem garota que foi adotada e criada por uma tribo de deuses-lobo. Seu ódio pelos humanos que querem destruir a floresta dos deuses é tão grande, que ela acaba esquecendo-se de sua própria humanidade. Os mineradores são liderados por Lady Eboshi, que busca construir uma grande civilização avançada para época, e seria da floresta que eles retirariam as riquezas minerais, nem que para isso animais fossem mortos e árvores fossem derrubadas.

Ashitaka acaba tendo que ajudar San e os deuses-animais contra as intenções destrutivas do homem contra a natureza e uma grande guerra é iniciada.

Para baixar o filme dublado (e com legendas) acesse este link.

Eco-terrorismo, Eco-fascismo, Eco-extremismo, Eco-anarquia e a Floresta Białowieża

Esta é a tradução de Eco-terrorism, Eco-fascism, Eco-extremism, Eco-anarchism and the Bialowieza Forest, respeitável opinião de Julian Langer, eco-radical radicado no Reino Unido responsável pelos blogs Eco-Revolt e Feral Culture. Na ocasião Langer se manifesta sobre as críticas de alguns anarquistas nos Estados Unidos em relação às ações dos eco-extremistas.

A última floresta primaveril da Europa é bela floresta Białowieża, lar de bisontes, raposas e uma infinidade de outras criaturas vivas, os últimos remanescentes de uma Europa selvagem agora lembrada apenas em mitos e lendas, que é situada na região da atual Polônia, e atualmente está sob ataque de madeireiros.

Como indicado no vídeo acima, o mais alto tribunal da União Europeia ordenou que o governo polonês parasse de entrar na área (1). O movimento nacionalista de extrema direita em ascensão na Polônia levou isso para sua pauta (2), (desta forma, a UE) chama os ambientalistas que buscam defender e apoiar a floresta de “terroristas verdes”.

Esta não é a primeira vez que os ecologistas e os anarquistas foram taxados de terroristas, houveram eventos como o de Langnau na Suíça em 2010 (3) que puseram o eco-anarquismo na imprensa britânica, sendo rotulados como terroristas. O FBI (4) lista grupos eco-anarquistas como Earth First!, ALF e ELF como grupos terroristas. Mas isso é completamente estranho por rotular grupos que na maioria dos casos causam danos à propriedade como grupos terroristas.

É terrorismo sabotar equipamentos madeireiros, escalar e sitiar árvores, e não danar pessoas, não infligir violência a ninguém e, em geral, fazer todo o possível para evitar ferir pessoas? É terrorismo cortar e destruir um dos ecossistemas vivos mais antigos do planeta, lar de mais vida silvestre do que se pode imaginar, uma fonte de cura para nossa atmosfera, um modo de vida em si, de uma maneira brutal? Um me parece terrorismo, e o outro não. No entanto, e quanto ao rótulo que os ecologistas muitas vezes chamam de “eco-fascismo”: tem algum peso nisso?

Em reação à ascensão do Trumpismo e aos crescentes movimentos de direita nos Estados Unidos e Europa, os antifas e o antifascismo tornaram-se mais visualmente ativos e cada vez mais fazem parte da política cotidiana. Os grupos anarco-comunistas, ligados aos antifas, realizaram recentemente entrevistas com a Fox News (5) sobre o tema do racismo e o autoritarismo na era política de Trump. Mas e os eco-anarquistas?

O Earth First! tem falado durante muito tempo contra o fascismo e a xenofobia, e apoiou ações que se opuseram diretamente a Trump antes de sua presidência. (6) O ambientalismo como movimento apoiou durante muito tempo as lutas anticolonialistas (7), e pode-se argumentar que o ambientalismo não pode ser separado do anticolonialismo, já que o fascismo italiano-imperialista têm laços inegáveis e relações amistosas com o colonialismo. (8)

O escritor ambientalista radical Derrick Jensen escreveu sobre, em oposição aos laços e a influência do fascismo nas indústrias e negócios hoje em dia. (9)

Muitos daqueles que querem vincular o ecologismo com o fascismo buscam inspiração na simpatia nazi pela natureza (10), extraindo o sangue e as narrativas do solo ligadas ao nazismo verde (11). Este é obviamente um argumento bastante pobre para o homem de palha, mas frequentemente é popularizado, e apela a argumentos baratos do tipo Reductio ad Hitlerum.

Então, qualquer tentativa de vincular os eco-radicais com o fascismo parece muito fraca, se é que isso pode ser feito, com eco-radicais e eco-anarquistas que têm vínculos mais estreitos com os antifascistas que com a extrema-direita. Mas quais são os sentimentos entre os grupos radicais?

O grupo anarquista-comunista It’s Going Down recentemente (12) criticou o grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) através de uma rodada de artigos sobre o eco-extremismo e sua relação com o anarquismo. Em geral, as críticas foram direcionadas às táticas mais violentas deste grupo no México, que abraça a categoria do terrorismo e pretende criar terror para os civilizados.

It’s Going Down acusou este grupo eco-extremista de ser “eco-fascista”, e tentou manchar nomes de projetos anarquistas que têm algum tipo de ligação ou que estão em discussão com o eco-extremismo.

O eco-extremismo é um movimento que se separou do anarco-primitivismo e de Kaczynski, seguindo um viés ecologista radical em favor de uma abordagem do tipo niilista-pagã para o discurso e a prática eco-radical. Pessoalmente, não estou convencido de tudo o que vi emergir das escrituras eco-extremistas nem encontro o amor de ITS à violência aleatória completamente vulgar e indesejável, mas simpatizo com uma grande parte da crítica do argumento eco-extremista, particularmente suas críticas aos anarquistas e ecologistas de esquerda.

E simpatizo também com esta crítica aos anarquistas por parte deste escritor eco-extremista (13), sobre a fraqueza dos argumentos anarquistas, onde os anarcos simplesmente chamam “fascista” tudo o que não gostam, algo que parece estar acontecendo. Algo que me encanta no discurso eco-extremista é sua oposição ao antropocentrismo e o abraço à natureza selvagem, que definem como:

Natureza Selvagem: “A Natureza Selvagem é o principal agente da guerra eco-extremista. Os filisteus se opõem à invocação da “Natureza Selvagem” taxando isso de atavismo ou “superstição”, mas o fazem apenas por causa da sua própria domesticação e idiotice. “Natureza Selvagem” é tudo o que cresce e se manifesta no planeta em objetos animados e inanimados, de pedras a oceanos, de microrganismos a toda a flora e fauna que se desenvolveram na Terra. Mais especificamente, “Natureza Selvagem” é o reconhecimento de que a humanidade não é a fonte e o fim da realidade física e espiritual, mas apenas uma parte dela, e talvez nem mesmo uma parte importante.”, extraído de Atassa: Reading in Eco-Extremism. (14)

Este abraço ao selvagem é algo que grande parte do ecologismo e a maioria dos anarquistas perderam, já que ambos se fundiram cada vez mais à civilização e a suas narrativas.

Voltando à floresta Białowieża, um dos últimos lugares que encarna completamente o selvagem, se você olhar para ela desde um olhar do tipo pagão eco-extremista ou desde um olhar eco-anarquista ou eco-radical, é um lugar de óbvia beleza e valor.

Não podemos dizer se a proteção da UE fará muito ou não, especialmente com a crescente onda de nacionalismo dentro da Polônia e a quantidade de extração ilegal de madeira que não é controlada em todo o mundo. O que podemos fazer é sermos aliados do selvagem, viver vidas selvagens e sermos iconoclastas em relação a esta cultura/civilização/Leviatã que está destruindo antropocentricamente a biosfera, cuja beleza selvagem nós amamos.

Não somos fascistas nem terroristas, mas utilizaremos os meios que temos disponíveis e lutaremos pelo que amamos. Este site recentemente reeditou este o artigo sobre o Chamado Internacional de Mobilização Para a Defesa da Floresta Hambacher (15), como parte da resposta para defender esta floresta na Europa.

Necessitamos retornar ao bosque e defendê-los por todos os meios à nossa disposição.

Para terminar, algumas citações:

“O caminho mais claro ao Universo é através de uma floresta selvagem.” – John Muir

“A cultura nos levou a trair nosso próprio espírito e integridade aborígene, rumo a um reino cada vez pior de alienação sintética, isolante e empobrecedora. O que não quer dizer que não haja mais prazeres cotidianos, sem os quais perderíamos nossa humanidade. Mas à medida que nossa situação se agrava, vislumbramos o quanto deve ser apagado para a nossa redenção.” – John Zerzan

“Precisamos da tônica da loucura … Ao mesmo tempo em que somos sinceros para explorar e aprender todas as coisas, exigimos que todas as coisas sejam misteriosas e inexploráveis, que a terra e o mar sejam indefinidamente selvagens, sem serem inspecionados e não sondados por nós porque são insondáveis. Nunca podemos ter o suficiente da natureza.” – Thoreau

“O Selvagem ainda permanece nele, e o lobo nele simplesmente dormia.” – Jack London

Notas:

1) https://www.theguardian.com/environment/2017/jul/28/eu-court-orders-poland-to-stop-logging-in-bialowieza-forest
2) https://www.ft.com/content/67618b9e-8893-11e5-90de-f44762bf9896
3) http://www.independent.co.uk/environment/eco-anarchists-a-new-breed-of-terrorist-1975559.html
4) https://archives.fbi.gov/archives/news/testimony/the-threat-of-eco-terrorism
5) http://video.foxnews.com/v/5509083595001/?#sp=show-clips
6) http://www.earthfirst.org.uk/actionreports/node/23958
7) https://www.opendemocracy.net/uk/anna-lau/climate-stories-environment-colonial-legacies-and-systemic-change
8) https://medium.com/@malorynye/the-brutal-friendship-between-colonialism-and-fascism-some-thoughts-from-aim%C3%A9-c%C3%A9saire-on-9224e90550b5
9) http://www.derrickjensen.org/culture-of-make-believe/lamont-and-mussolini/
10) http://theunion4ever.com/general/environmentalism-new-fascism/
11) http://www.spunk.org/texts/places/germany/sp001630/peter.html
12) https://itsgoingdown.org/nothing-anarchist-eco-fascism-condemnation/
13) https://youtu.be/708mjaHTwKc
14) https://ia801606.us.archive.org/32/items/AtassaReadingsInEcoExtremism/Atassa%20-%20Readings%20in%20Eco-Extremism.pdf
15) https://feralculture.blog/2017/07/23/international-mobilisation-call-for-the-defence-of-hambacher-forest-2/

O que é o ITS, grupo eco-extremista que o governo do Chile acusa de atos terroristas

Publicação extraída da BBC.

Símbolo do grupo ITS no Chile.

Era meia-noite de terça-feira, 7 de maio, quando o presidente da Metro do Chile, Louis de Grange, recebeu um pacote em sua casa, no bairro de Las Condes, em Santiago.

O que parecia ser uma encomenda despertou suspeita, e ele decidiu chamar a polícia.

Quando o grupo especializado da OS9 dos Carabineros chegou à sua casa, o temor de De Grange foi confirmado: o pacote continha um dispositivo explosivo dentro.

O ataque frustrado ao presidente da Metro não foi um caso isolado. Em janeiro de 2017, um pacote semelhante foi enviado para o endereço do então presidente da Corporação Estadual do Cobre (Codelco), Óscar Landerretche, que não alertou a polícia.

A bomba explodiu e o gerente acabou com ferimentos no braço, antebraço e abdômen.

Em janeiro a detonação de um artefato deixou vários feridos.

Outro ataque aconteceu no dia 4 de janeiro em um ponto de ônibus da rede de transporte Transantiago, no centro da capital chilena, quando explodiu um artefato que deixou cinco feridos.

Quem reivindica a autoria desta série de ataques é o auto-intitulado grupo eco-extremista Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

O ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick, chamou o ataque a De Grange de “ato terrorista”.

Mas de onde vem este grupo e no que acreditam?

Como afirmado em seu site, a organização é contra a “civilização moderna e o progresso humano, científico e tecnológico”.

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, com o presidente da Metro, Louis de Grange (à direita), para quem o explosivo foi enviado.

Para eles, estes são os “maiores responsáveis ​​pela devastação dos ecossistemas”, por isso são necessárias “respostas decisivas e extremas contra os responsáveis, isto é, contra a própria humanidade”.

Por meio de uma declaração pública, o grupo indicou que tinha escolhido De Grange para receber o explosivo por ele estar “no controle de corporações que destroem a Terra”.

Onde nasceu o grupo

O ITS nasceu no México em 2011, mas afirma ter presença não apenas no Chile, mas também na Argentina, no Brasil e em alguns lugares da Europa, como Espanha, Escócia e Grécia.

Em um comunicado publicado após o ataque frustrado contra o presidente da Metro, a organização afirmou que tinha laços com facções anarquistas argentinas e seria naquele país que vivia o “arquiteto da bomba”.

No México, foram atribuídos ao grupo ataques contra professores universitários que ensinam nanotecnologia e outras ciências relacionadas com o avanço tecnológico.

Os extremistas acrescentam, no comunicado, que não se limitaram a atacar apenas os responsáveis ​​pelo progresso tecnológico, mas também “meios de transporte público, profissionais, empresários, seguidores do catolicismo, veículos, máquinas, prédios, bancos, shopping centers, torres de telecomunicação, igrejas e grupos ambientais” que não compartilham de suas posições.

O Metrô de Santiago está entre os alvos de ITS.

“Esses grupos que não são sistêmicos e que são pequenos são muito difíceis de neutralizar porque a infiltração é quase impossível, então, é difícil saber o que eles pensam, qual é a sua ideologia e o que querem”, diz Hugo Frühling, diretor do Instituto de Relações Públicas da Universidade do Chile.

O grupo, além disso, teria relação com outros grupos anarquistas chilenos.

Preocupação

Há uma preocupação crescente entre as autoridades chilenas, já que o ITS fez um chamado para que sejam instalados explosivos em diferentes partes de Santiago durante o mês de maio.

Neste mês, completam-se dez anos da morte de Mauricio Andrés Morales Duarte, conhecido como “Punky Mauri”, um jovem anarquista que morreu depois que um explosivo detonou em sua mochila.

Até agora não há detidos pelo atentado a Landerretche, nem pela bomba colocada no ponto de ônibus da Transantiago e nem pelo frustrado ataque a De Grange.

Segundo Frühling, é muito difícil encontrar o perfil e saber como os membros desses grupos anarquistas operam.

ITS é um grupo radical que procura proteger o meio ambiente.

O acadêmico acredita que, sendo um grupo que opera além do Chile, a realização de uma colaboração policial internacional poderia ser “frutífera”.

Frühling diz que não está claro se esses grupos extremistas aumentaram no Chile.

“Ao ITS são atribuídas três ações em dois anos e meio, então, você não pode dizer que há um crescimento exponencial, embora o grupo possa estar participando de outras ações menos diretas ou visíveis, como ameaças ou estímulo a outras ações.”

“Então, sim, estamos enfrentando um perigo porque eles tentam causar danos por meio de atos que são claramente terroristas e isso é extremamente preocupante”, diz ele.

Alarme

No Chile, há preocupação especialmente sobre duas cúpulas importantes a serem realizadas no país no final do ano: a reunião mundial sobre mudança climática (COP25), que reunirá cerca de 22 mil pessoas, e o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que reunirá mais 15 mil.

Frühling diz que, embora ele não acredite que haja perigo para as autoridades que comparecerão a essas reuniões, é preciso ter cautela.

“As autoridades têm seus próprios serviços de segurança e filtrarão a entrega de pacotes ou elementos desse tipo, mas o que poderia acontecer, talvez, seria que outros participantes pudessem estar sujeitos a ações desse tipo”, diz ele.

O ministro do interior do Chile, Andrés Chadwick, condenou o ato e chamou-o de ‘terrorista’ .

Para dar mais ferramentas às equipes de investigação desse tipo de evento, o ministro do Interior anunciou que nesta semana o governo promoverá no Parlamento chileno uma emenda à lei antiterrorista que já existe.

“Condenamos veementemente esses atos, e os chamamos diretamente pelo nome: atos terroristas, que são atribuídos a grupos de natureza anárquica”, disse Chadwick após o ataque fracassado contra De Grange.

Desmembrados e comidos: aborígenes do México sacrificaram a aliados dos conquistadores espanhóis

Em 1520, cerca de 350 pessoas foram capturadas e, nos meses seguintes, homens, mulheres grávidas e crianças foram submetidos a distintos rituais.

Esqueletos de espanhóis sacrificados no museu de Zultépec-Tecoaque, no México, em 8 de outubro de 2015.

De RT:

Investigadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México revelaram as práticas que os Acolhuas, uma das comunidades originárias daquele país, submeteram a uma caravana de aliados do conquistador espanhol Hernán Cortés, cujo integrantes, tanto homens como mulheres grávidas e crianças, foram sacrificados, desmembrados e comidos em diferentes rituais.

Quatro anos após restos ósseos terem sido descobertos em Zultépec-Tocoaque, onde havia cerca de 36 mil peças arqueológicas, os especialistas obtiveram provas de que foi o que ocorreu com as cerca de 350 pessoas capturadas em junho de 1520. Nos seis meses seguintes, os Acolhuas fizeram cuidadosas seleções para o sacrifício e chegaram a comer alguns dos prisioneiros. Por essa razão, explicaram a partir do Instituto, Zultépec seria conhecido mais tarde como Tecoaque, nome que significa “onde foram comidos”.

“Os habitantes de Zultépec vão recriando os mitos de criação”, explicou o arqueólogo Enrique Martínez Vargas no colóquio “500 anos do desembarque de Hernán Cortés”, que foi celebrado nesta semana no México. Lá, ele acrescentou que um “exemplo” dessa prática aparece em “um enterro que representa o mito de Cihuateteo”.

INAH.

“Na oferenda temos um guerreiro, uma mulher cujo corpo foi cortado em dois, uma criança de três ou quatro anos desmembrada; e aos pés do guerreiro estavam localizados “troféus ósseos” pertencentes a quatro pessoas: fêmures, tíbias, fíbulas. Os restos ósseos da mulher, da criança e os “troféus ósseos” tiveram um tratamento cultural”, detalhou.

Um grupo multiétnico

A caravana capturada pelos Acolhuas tinha um caráter multiétnico, já que havia homens e mulheres europeus, indígenas de distintas regiões, mestiços, mulatos e zambos. Também levavam animais, como cavalos, vacas (ambos foram comidos), burros, cachorros e cabras. Os porcos foram sacrificados e oferecidos em um algibe.

Quanto aos cativos mortos, os arqueólogos revelaram que tanto as espanholas como uma mulata estavam grávidas. Para os Acolhuas, as mulheres que morriam no parto eram consideradas guerreiras, então acompanhavam o Sol em sua viagem através do submundo.

Por último, detalharam que a posição em que um guerreiro foi enterrado parecia recriar o mito do Quinto Sol, já que a ele foi ofertado um espanhol, que foi queimado e desmembrado.

Mauricio Morales é Caos e Misantropia

Reflexões do misantropo anarquista antissocial Mauricio Morales. Neste maio completou 10 anos de sua morte. O texto foi retirado do livro em seu nome.

A cidade é uma asquerosa sucessão de edifícios, bancos, quartéis, gente sem sangue nas veias, e para dizer a verdade, tudo isso me esgota bastante, já não quero manter minha vida no ritmo condensado desta estúpida ordem alheia a minha vontade, portanto estou planejando sair desta cidade em um futuro não muito distante. No entanto ainda me restam muitas pequenas e grandes “coisas” para terminar… o desejo de estar entre árvores centenárias me agrada muito, honestamente eu preferiria estar rodeado por uma floresta densa do que por tanto seres humanos fedidos e imundos, com exceção de alguns poucos irmãos. Para mim a raça humana deveria ser aniquilada, e pra dizer a verdade, até nós mesmos, já que considero que o ser humano é o maior inimigo da natureza, como agente destrutivo é o mais nocivo para o planeta e, portanto, merecemos o nosso próprio extermínio.

Aqui fora a coisa não é muito distinta, a maioria das pessoas se movem porque recebem ordens, não possuem vontades próprias, todos são robôs de carne, então a coisa não mudou muito, a prisões mentais são cada vez mais fortes e são poucos os que geralmente ultrapassam seus muros, o resto vive, cochila e morre, no entanto ainda há quem sonhe e ria.

– Mauricio Morales.

Ação humana pode exterminar um milhão de espécies, segundo estudos

O impacto dos seres humanos na natureza é devastador – seja em terra, nos mares ou no céu. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Muitas espécies de animais no mar estão em declínio devido à pesca indiscriminada, diz o estudo.

De BBC:

Segundo a organização, 1 milhão de espécies de animais e vegetais estão ameaçados de extinção.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Elaborada nos últimos três anos, essa avaliação do ecossistema mundial é baseada na análise de 15 mil materiais de referência e foi compilada pela Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês). São 1.800 páginas no total.

O resumo de 40 páginas, publicado nesta segunda-feira (6), talvez seja a mais forte denúncia de como os homens trataram seu único lar.

O documento afirma que, embora a Terra tenha sofrido sempre com as ações dos seres humanos ao longo da história, nos últimos 50 anos esses arranhões se tornaram cicatrizes profundas.

A biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%.

Expansão humana

A população mundial dobrou desde 1970, a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior.

Para alimentar, vestir e fornecer energia a este mundo em expansão, florestas foram derrubadas num ritmo surpreendente, especialmente em áreas tropicais.

Entre 1980 e 2000, 100 milhões de hectares de floresta tropical foram perdidos, principalmente por causa da pecuária na América do Sul e plantações de palmeira de dendê no sudeste da Ásia.

A situação dos pântanos é ainda pior – apenas 13% dos que existiam em 1700 estavam conservados no ano 2000.

Nossas cidades se expandiram rapidamente; as áreas urbanas dobraram desde 1992.

Toda essa atividade humana está matando mais espécies do que nunca.

De acordo com a avaliação global, uma média de cerca de 25% dos animais e plantas se encontram agora ameaçados.

As tendências globais em relação às populações de insetos não são conhecidas, mas foram registrados declínios acelerados em algumas regiões.

Tudo isso sugere que cerca de 1 milhão de espécies estão à beira da extinção nas próximas décadas, um ritmo de destruição de dezenas a centenas de vezes maior do que a média dos últimos 10 milhões de anos.

“Nós documentamos um declínio realmente sem precedentes na biodiversidade e na natureza, isso é completamente diferente de qualquer coisa que tenhamos visto na história da humanidade em termos de taxa de declínio e escala da ameaça”, afirma Kate Brauman, da Universidade de Minnesota, nos EUA, uma das principais autoras e coordenadoras do estudo.

Aproximadamente 25% das espécies já estão ameaçadas de extinção.

A avaliação também revela que os solos estão sendo degradados como nunca, o que reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre do planeta.

Nosso apetite insaciável ​​está produzindo, por sua vez, uma montanha de lixo.

A poluição causada por plástico aumentou dez vezes desde 1980.

Todos os anos despejamos de 300 milhões a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos nas águas do planeta.

O que há por trás da crise?

Os autores do relatório dizem que há uma série de fatores que levaram a este cenário, apontando como principal a mudança no uso do solo.

Isso significa essencialmente a substituição de prados pela agricultura intensiva, a substituição de florestas antigas por plantações florestais ou o desmatamento de florestas para cultivar alimentos. Isso está acontecendo em muitas partes do mundo, especialmente nos trópicos.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

No mar, a situação é semelhante.

Apenas 3% dos oceanos foram descritos como livres da pressão humana em 2014.

Os peixes estão sendo explorados como nunca. Em 2015, 33% das populações de peixe foram capturadas de forma insustentável.

Desde 1980, mais da metade do avanço na agricultura se deu à custa de florestas intactas.

A cobertura de corais vivos nos recifes caiu quase pela metade nos últimos 150 anos.

No entanto, impulsionando tudo isso, há uma demanda crescente por alimentos da população mundial em expansão e, especificamente, nosso apetite cada vez maior por carne e peixe.

“O uso da terra aparece agora como o principal fator do colapso da biodiversidade, com 70% da agropecuária relacionada à produção de carne”, diz Yann Laurans, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (Iddri, na sigla em francês).

“É hora de reconsiderar a participação da carne industrial e laticínios na nossa alimentação.”

Os outros fatores-chave são a caça e a exploração direta de animais, assim como as mudanças climáticas, a poluição e espécies invasoras.

O relatório conclui que muitos desses fatores atuam juntos para agravar a situação.

Tartaruga Marinha com um canudo de plástico dentro do nariz.

O declínio em números

Risco de extinção de espécies: aproximadamente 25% delas já estão ameaçadas de extinção na maioria dos grupos de animais e plantas analisados.

Ecossistemas naturais: diminuíram em média 47%.

Biomassa e abundância de espécies: a biomassa global de mamíferos selvagens caiu 82%. E os indicadores de abundância de vertebrados recuaram rapidamente desde 1970.

Natureza para os povos indígenas: 72% dos indicadores desenvolvidos pelas comunidades locais mostram uma deterioração contínua dos elementos da natureza importantes para eles.

O meio ambiente está sendo degradado em toda parte a uma velocidade sem precedentes, e um dos fatores determinantes é a nossa necessidade por cada vez mais alimentos e energia.

Isso é pior que a mudança climática?

A mudança climática é um fator subjacente crucial que está ajudando a impulsionar a destruição em todo o mundo.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980 e as temperaturas subiram 0,7°C como resultado. Isso teve um grande impacto em algumas espécies, tornando sua extinção mais provável.

A avaliação global conclui que se as temperaturas subirem 2°C, então 5% das espécies estarão correndo o risco de extinção por causa do clima. Este percentual sobe para 16% se o mundo ficar 4,3°C mais quente.

Impactos são devastadores.

“Da lista dos principais fatores determinantes do declínio da biodiversidade, a mudança climática é apenas a de número três”, afirmou o professor John Spicer, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

“A mudança climática é certamente uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta em um futuro próximo – então o que isso nos diz sobre o primeiro e o segundo (fator), alterações no uso da terra/mar, e a exploração direta? A situação atual é desesperadora e há algum tempo.”

Os autores do estudo esperam que sua avaliação se torne tão decisiva para o debate sobre a perda de biodiversidade quanto o relatório do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 °C foi para a discussão sobre a mudança climática.

O Eco-terrorismo e o Paradoxo da Loucura Total

Tradução de El Ecoterrorismo y la Paradoja de la Locura Total, escrito por Jorge Andrés Cash, advogado e magistrado em direito ambiental pela Universidade do Chile. Alguns tópicos planteados por Jorge já foram discutidos em outros textos como o “Salvar o Mundo” como a maior forma de Domesticação, de Chahta-Ima. Notas Sobre a Extinção de Abe Cabrera também levanta uma questão de destaque no texto. A primeira entrevista de ITS e o vigésimo nono comunicado também contribuem. O autor menciona sobre a necessidade de um diálogo e discussão do problema. ITS faz isso a seu modo bastante particular, suas entrevistas, textos e propagandas demonstram isso, e em um passado distante foi mais aberto ao diálogo, mas isso só provou o quão tola é a outra via. Não se pode esperar que o grupo se dobre a propostas otimistas e reformistas vindas dos civilizados, já que tem bem claro consigo de que não há alternativas nem saídas a não ser a oposição extremista a todo o progresso humano, e ele não carece de dados, toda a sua literatura mostra isso, chegando a rejeitar até as mais radicais propostas como mostra a análise “Revolução Antitecnológica: Por Que e Como”, de Theodore Kaczynski: Uma Análise Crítica.

Não é possível recorrer a qualquer definição que permita explicar e, portanto, entender, o que é “eco-terrorismo” ou o que ele representa. É antes um neologismo tão amplo que pode incluir um tipo de terrorismo cujo propósito em relação ao meio ambiente pode ser tanto a proteção do “todo” e ao mesmo tempo do “nada”.

Este conceito que não tem uma definição oficial e só foi confusamente descrito pelo FBI como “o uso ou ameaça de uso da violência de natureza criminal contra vítimas inocentes de uma propriedade por grupos subnacionais com orientações ecologistas a favor do meio ambiente ou por razões políticas, ou destinada a um público além do alvo, frequentemente de caráter simbólico”, não fornece suficiência conceitual para compreendê-lo desde sua denominação.

Consequentemente, uma estrutura lógica de pensamento nos obriga a ponderar adequadamente a necessidade de levar a sério o conceito de “eco-terrorismo”, primeiro para entender do que estamos falando, e depois para decidir a relevância que é dada à conclusão que se obtenha. Assim, dada a ausência de uma fonte normativa para o “eco-terrorismo” e a confusa definição do FBI, é preciso subtrair as ideias que poderiam estar subjacentes ao conceito, de modo que emerjam para uma análise mais aprofundada, de maneira individual ou ideológica, a mais pura possível.

Sem o dito anteriormente, todas as agências de inteligência, por mais profundo que cavem, não poderão encontrar nenhuma pista, simplesmente porque não saberão o que estão buscando.

Para ilustrar o contexto geral da análise, é necessário remontar os anos de 1976 e 1992. Estas datas correspondem ao nascimento dos grupos mundialmente conhecidos como “eco-terroristas”. A Frente de Libertação Animal (F.L.A.) e a Frente de Libertação da Terra (F.L.T.), respectivamente, ambos originários do Reino Unido. A F.L.A. foi descrita como uma ameaça terrorista interna na Grã-Bretanha e foi declarada pelo FBI como uma das 10 principais organizações terroristas do país.

Por sua parte, a F.L.T. foi classificada como a maior ameaça terrorista nos Estados Unidos pelo FBI em março de 2001, e realizou ataques em mais de uma dúzia de países. Ambas as organizações estão categorizadas como “eco-terroristas”. No entanto, a atividade terrorista que estas organizações desenvolveram, e que exorbitam intensamente fins protetores com relação ao meio ambiente, são insuficientes para se chegar a uma ideia ou conjunto de ideias que permita cristalizar um conceito complexo e altamente desafiador para as agências de inteligência moderna.

Da mesma forma, não só a falta de uma “fonte oficial” para o “eco-terrorismo” complica a tarefa de entender o conceito e abordá-lo , mas também, e talvez o mais complexo, a relativização que foi feita de sua existência, em que muitos atribuem os ataques realizados em seu nome a conspirações próprias de ficção científica.

Uma destas teorias diz que o “eco-terrorismo” surgiu no âmbito da elaboração do Relatório Brundtland em 1987, que deu origem ao conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. Este conceito que tem permitido ancorar universalmente a necessidade de equilibrar o crescimento econômico, a igualdade social e a proteção ambiental, teria tido como base uma deliberada pesquisa sobre a pobreza, através da diminuição do consumo de recursos e do controle dos níveis de mortalidade.

Esta ideia conspirativa teria começado a tomar forma nos anos 70, a partir do “Relatório Kissinger”, que advertia sobre o perigo do crescimento da população mundial e como afetaria negativamente os EUA o consumo dos recursos do planeta que o país estima como “suas” reservas. Portanto, em nosso país devemos ser claros, como o primeiro elemento de análise, que os atentados perpetrados pelo grupo “eco-terrorista” denominado “Individualistas Tendendo ao Selvagem” (I.T.S.), cuja origem remonta a 2011 e possui presença no Chile, México, Argentina, Brasil, Grécia, Reino Unido, Espanha, entre outros países, tiveram como objetivo matar pessoas, circunstância que acelera imperativamente a necessidade de se compreender do que falamos quando nos referimos a “eco-terrorismo”.

Neste sentido, a organização mencionada, de acordo com seus próprios manifestos, afirma que a destruição da espécie humana, irremediavelmente alienada, constitui a única possibilidade para salvar o planeta. Isso, porque quando exterminada a espécie, um novo ser humano nascerá e o planeta terá sobrevivido. Expressam esta ideia, entre outras formas, da seguinte maneira: “… quando não restar mais água potável e estiver ela toda contaminada, quando todas as florestas morrerem, e os mares e rios secarem, saberão que a loucura não estava em se opor a esta forma de vida, mas em perpetuá-la”.

Ante o fundamentalismo irredutível do qual se planteiam, o que toca então, consiste em entender que o “eco-terrorismo” não responde a uma concepção niilista nem anárquica, mas sim, o contrário, a um método extremo de salvação do habitat de nossa espécie, cuja arquitetura ideológica, parece obedecer a perda total da esperança, da fé e do amor, no entanto, paradoxalmente, ancorada em uma valorização purista do natural, que deixou o desenvolvimento material e espiritual do individuo como fins circunstanciais à sua existência.

Desta forma, diante dos insondáveis fins que podem ser encontrados na exegese do “eco-terrorismo” como uma necessidade de política pública, e ante a improvável circunstância de se chegar a um conceito suficiente, é necessário concordar que, ao menos no Chile, a ameaça é clara: se trata de um grupo terrorista, altamente ideológico, intelectualmente superior, de alta capacidade e conhecimento informático e em uma guerra declarada contra uma espécie humana, cuja alienação mental impossibilita o diálogo.

Diante do exposto, se cai no absurdo trágico, que a “organização sistemática” e “o civilizado” os qualifique como personagens anárquicos e alienados, cuja batalha carece de total sentido. E, inversamente, este grupo terrorista perdeu a esperança no “organizado” e estima que o razoável é exterminá-lo. Se o paradoxo é tão absurdo, devemos concluir que a única forma de encontrar a “verdade” na salvação de nosso habitat e do natural, exige uma nitidez total das contradições, propósito que só é possível através do diálogo.

A renúncia ao diálogo, por ambas os lados, não só deixaria em evidência uma alienação total dos intelectuais do “organizado” e das células intelectuais “eco-terroristas”, mas também uma extinção parcial de nossa espécie: dos líderes. Das pessoas que, apesar do extremo, dos dogmas, da negação total do possível e da posição social que tenham, são capazes de persuadir com a entidade moral e ética de suas ideias, para aqueles que teoricamente se encontram em rota de colisão com o “correto”.

A carga moral do que dizem defender os obriga a elevar o diálogo ao mais alto nível de importância. Caso contrário, permanecerão na história como terroristas comuns que, diante da negação do diálogo, desacreditarão e contaminarão os esforços daqueles que realmente se importam pelo cuidado do meio ambiente e que combatem a brutal predação da natureza.

Portanto, diante do absurdo paradoxo da alienação total compartilhada entre o “organizado” e os “eco-terroristas”, isso só pode unicamente ligar o “eco-terrorismo” a um conceito taticamente ambíguo, para abrigar fins obscuros e estranhos à causa ambiental.

Baleia é encontrada morta com 40 quilos de plástico no estômago

Carcaça foi encontrada nas Filipinas. Biólogo diz que animal morreu de fome e desidratação.

Plástico é retirado do estômago de baleia morta encontrada nas Filipinas — Foto: D’Bone Collector/Facebook

De G1:

Uma baleia da espécie bicuda de Cuvier foi encontrada em Mabini, na costa das Filipinas, morta com 40 quilos de plástico em seu estômago. A informação foi divulgada pelos cientistas do grupo D’Bone Collector Museum, organização que visa educar as pessoas sobre a preservação do meio ambiente.

O biólogo marino Darrell Blatchley, fundador da organização, disse em entrevista à rede americana “CNN” que a baleia morreu de desidratação e inanição e vomitou sangue antes de morrer.

“Eu não estava preparado para a quantidade de plástico”, disse Blatchley. “Cerca de 40 quilos de sacas de arroz, sacolas de supermercado, sacolas de plantação de banana e sacolas plásticas em geral. Dezesseis sacas de arroz no total.”

Biólogo retira plásticos do estômago de baleia — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Ele ressaltou que havia tantos sacos plásticos no estômago do animal que alguns começaram a se calcificar.

Blatchley explicou que os cetáceos – uma família de mamíferos aquáticos que inclui baleias e golfinhos – não bebem água do oceano, mas obtêm a água dos alimentos que comem. Como a baleia não era mais capaz de consumir grandes quantidades de comida devido ao plástico ingerido, ela morreu de desidratação e fome.

Baleia encontrada morta nas Filipinas tinha plástico no estômago — Foto: D’Bone Museum/Facebook

Em um comunicado no Facebook, a organização declarou que foi a maior quantidade de plástico que já registrou em uma baleia: “Uma lista completa dos itens de plástico seguirá nos próximos dias. Esta baleia tinha a maior quantidade de plástico que já vimos em uma baleia. É nojento. A ação deve ser tomada pelo governo contra aqueles que continuam a tratar os rios e oceanos como lixeiras”.

Terroristas, Ecologistas: Quem está por trás do grupo ITS, os Individualistas Tendendo ao Selvagem?

Esta é a tradução de Terroristes, écologistes: qui se cache derrière le groupe ITS?, uma reportagem do veículo francês TV5MONDE. Peca nas declarações do “investigador” frustado academicamente que faz afirmações tolas em torno de ITS. Suas declarações contrariam as de outros investigadores que definem Individualistas Tendendo ao Selvagem como um grupo lúcido, sensato, cabal e intelectualmente superior, com bastante formação intelectual e pensamento complexo. Para citar alguns exemplos temos a investigação da Bio-Bio Chile, o texto do El Mostrador El ecoterrorismo y la paradoja de la locura total, escrito pelo magistrado em direito ambiental Jorge Andrés Cash, e a entrevista do sociólogo e acadêmico da Universidade Central do Chile Rodrigo Larraín ao canal chileno Chilevisión Noticias. Talvez este “investigador” frustrado seja algum policial mal pago disfarçado para desacreditar ITS. Abaixo a reportagem.

Os eco-terroristas de ITS (Individualistas Tendendo ao Selvagem) são extremistas ecológicos para quem “todos os seres civilizados merecem morrer”. Desde dezembro de 2018 pelo menos cinco ataques foram reivindicamos em quatro países, incluindo a Grécia. Seu credo? Niilismo. Sua luta? O retorno à natureza, convencidos da inescapável destruição do mundo. Apresentamos uma entrevista exclusiva com um membro desta célula terrorista, presente na América Latina e na Europa.

Quando se fala em terrorismo se imagina os jihadistas da Al-Qaeda ou do ISIS, mas não se pensa em pessoas que podem colocar bombas em nome da ecologia. Esta é uma prática de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), um grupo eco-terrorista criado em 2011 no México, e que propagou novamente o terror no Chile em 4 de janeiro de 2019, depois de detonar uma bomba em uma parada de ônibus, no centro da capital, deixando cinco feridos. Seus membros parecem ter saído de um romance de ficção científica. Eles se movem clandestinamente na internet, e no vídeo enviado a TV5MONDE aparecem encapuzados e vestidos de preto. O membro da organização que fala neste vídeo se descreve como o “chefe de ITS no México”.

A TV5MONDE conseguiu entrar em contato com este grupo através de um blog conduzido por outro grupo eco-extremista de língua espanhola, “Maldición Eco-extremista“. Este blog está alojado no servidor italiano Altervista, que funciona como a “mídia oficial” de ITS. Todos os comunicados do grupo (75 até agora, sendo o último publicado em 22 de fevereiro de 2019), são publicados ali. O conteúdo do blog está em sete idiomas – Turco, inglês, italiano, português, grego, tcheco e romeno. “Nenhum membro de ITS fala francês”, indica um membro do “Maldición Eco-extremista” durante nossa investigação.

Para uma entrevista com um membro de ITS, trocamos emails com o “Maldición Eco-extremista” que nos pediu para criar uma conta em um serviço seguro de mensagens, com sede na Suíça. A entrevista resultante é a sexta desde a criação de ITS, e a primeira dada a um meio de comunicação em língua francesa. Três entrevistas de ITS foram dadas à mídia mexicana, depois à imprensa argentina, e por último a chilena.

TV5MONDE enviou a ITS perguntas por email. Xale, pseudônimo por trás do qual se esconde um dos membros fundadores de ITS e a cabeça da organização no México, respondeu algumas de nossas perguntas em um vídeo de sete minutos, posto a disposição através de um servidor baseado na Nova Zelândia.

Nada Nem Ninguém

“ITS foi criado espontaneamente”, diz Xale no vídeo que recebemos. “Em abril de 2011”, continua ele, “cometemos nosso primeiro ataque a bomba, que feriu gravemente um funcionário universitário no México. Queríamos parar por ali, mas vendo que poderíamos usar esse modus operandi, começamos a fazer dezenas de ataques com pacotes-bomba”.

Para ITS, um slogam resume tudo: “todos os seres humanos civilizados merecem morrer.” Em janeiro de 2019, enquanto ITS colocava um artefato explosivo em frente a uma universidade de Santiago, a capital do país, o grupo disse “se arrepender” de que o engenho não tenha explodido e matado alguém. “Qualquer um”, disseram no comunicado.

Ataques, mas com qual propósito? Nenhum. O grupo afirmou em 2016 a um jornal mexicano:não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém. Um niilismo em seu aspecto mais puro, é com esta nuance que Xale traz no vídeo: “Queremos participar da desestabilização da ordem estabelecida e, na paranoia coletiva, para aterrorizar os bons hábitos de uma sociedade corrompida por sua hipocrisia”.

“Todos os seres humanos civilizados merecem morrer.”
Trecho de um comunicado de ITS.

Além da desestabilização da ordem estabelecida, os niilistas do ITS desejam ferozmente um retorno à natureza. Uma visão como a de Rousseau, com frequentes referências aos povos indígenas da América Latina, tanto em revistas digitais, quanto no cenário do vídeo, com uma jarra utilizada pelo povo chichimeca (cabaça). A cena é adornada com um crânio de ovelha e raízes de uma planta mexicana: a mesquite, toda iluminada com “a cera de uma vela natural”, nos conta Xale.

Misticismo e Eco-terrorismo

Os nomes dos diferentes ramos de ITS também fazem referência a sua proximidade com a natureza: a “Horda Mística do Bosque” no Chile, as “Constelações Selvagens” na Argentina ou a “Seita Pagã da Montanha” no México. Seus membros não creem e nada, só em si mesmos, em sua “natureza selvagem” e suas “raízes primitivas”. “A esperança está morta aqui. Não existe. Não haverá mudanças nem revolução que transforme merda em ouro. Estamos perdidos e aceitamos nosso declínio enquanto olhamos o problema real: o progresso humano e a civilização moderna.”, disse Xale, membro fundador de ITS.

“Não pedimos nada, não temos nenhuma demanda (…) não queremos resolver nada, não propomos nada a ninguém”.
Trecho de uma entrevista de ITS dada a um jornal mexicano em 2016.

No entanto, ITS quer se livrar das fronteiras de qualquer ideologia e indicou, em 2016, na revista digitalRegresión – Cuadernos contra el progreso: “não somos revolucionários nem anarquistas, não representamos a esquerda radical. NÃO somos primitivistas. O romântico e ingênuo Zerzan (nota do editor da redação: filósofo primitivista) NÃO NOS REPRESENTA, tampouco o ingênuo radical Kaczynski (nota do editor da redação: eco-terrorista estadunidense) nem nenhum outro teórico grego, espanhol, italiano, brasileiro, nem ninguém”.

De acordo com um pesquisador latino-americano que prefere permanecer em anonimato por razões de segurança, ITS é um “grupo de pessoas jovens, mal preparadas, tanto intelectualmente quanto materialmente. O grupo se baseia em argumentos fracos”. Continua o investigador, “o que os faz ainda mais perigosos é que seu discurso evolui com o tempo”. Para o investigador, os membros de ITS tem mais “problemas mentais que crenças políticas”, o que é um “duplo perigo”.

Indivíduos tendentes ao selvagem, anticivilização

ITS está presente em sete países: três na Europa (Espanha, Grécia e Reino Unido (Escócia)) e quatro na América Latina: Argentina, Brasil, Chile e México.

Em 27 de junho de 2016 o grupo reivindicou o assassinato de Jaime Barrera Moreno, empregado da Faculdade de Química da Universidade do México, UNAM.

No blog Maldición Eco-extremista, haviam reivindicado outros assassinatos desde 2011, também relacionados com centros de investigação científica. Para ITS, “a humanidade está perdida”. Não é hostil à classe trabalhadora em particular, nem aos poderosos, o grupo se declara contra a “humanidade moderna”. Guerra de classes? “É uma estupidez desnecessária”.

“Por que atacar os oprimidos?”, se pergunta em uma declaração em janeiro de 2019. “Porque não nos importa o status social. Rico, pobre, carente. Qualquer ser humano merece morrer”, disse o grupo com um cinismo que não oculta depois de um ataque cometido na capital chilena.

Bombas em Nome da Ecologia

Em 4 de janeiro de 2019, uma bomba explode em uma parada de ônibus no centro de Santiago. O saldo: 5 feridos. Os santiaguinos ficaram com medo ao ver qualquer bolsa ou pacote esquecido na cidade nos dias após o ataque, a mídia ficou perplexa.

“Chile não está acostumado a este tipo de ações, e ainda menos quando não há uma ideologia forte por trás dele”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Mas, acrescentou, “como em qualquer sociedade ocidental com um ritmo de vida agitado, este último ataque é quase esquecido por todos”.

Uma bomba em uma parada de ônibus e uma tentativa de incendiar um ônibus foi o que aconteceu no Chile em dezembro de 2018. Deixaram também explosivos na frente de igrejas no México e na Grécia na véspera de Natal do ano passado, ferindo a algumas pessoas. Bombas também foram abandonadas em frente a uma igreja no Brasil de Jair Bolsonaro, presidente de extrema direita recentemente eleito.

Os ataques de ITS, grupo oposto ao catolicismo, se dão em lugares “pequenos, isolados e fáceis de atacar”, analisa o investigador latino-americano. “Longe de um ataque em um shopping center, cercado por câmeras de segurança, onde aumentaria a pressão social para encontrar os perpetradores”, observa o investigador.

Por falta de evidências, as absolvições de ITS estão erigidas em vitórias. Após o ataque no Chile em 4 de janeiro de 2019, ninguém foi preso até agora.

Segundo uma fonte próxima à investigação a polícia chilena tem “poucas pistas”, e nenhuma delas “é clara”. Deve-se dizer que os serviços de inteligência chilenos foram desmantelados após a ditadura de Pinochet (1973 – 1990) e “não são efetivos”, disse o investigador latino-americano contatado por TV5MONDE. Isto explica sua “falta de jeito”, acrescenta, e explica em parte “os principais problemas no Chile para enfrentar e antecipar os casos de terrorismo”.

Em uma entrevista ao jornal andino La Tercera em janeiro de 2019, Raúl Guzmán, promotor encarregado da investigação do ataque de 4 de janeiro de 2019 em Santiago, segue na mesma direção: “Eu gostaria que a Agência Nacional de Inteligência do Chile (ANI) desempenhasse um papel mais operacional na descoberta de informações.” Em outras palavras, o promotor pede uma maior eficiência desta agência. Este promotor chileno agrega que estas ações terroristas “não obedecem a nenhuma ideologia política”. O niilismo, portanto, ligado ao desejo de liberdade dos animais.

Guerrilheiros da Causa Animal

ITS se opõe à domesticação de animais. Com os escândalos de carne polaca estragada, ou lasanha com carne de cavalo (*), podia-se crer que estes eco-terroristas são parte da linha anti-especista como a associação L214, mas não é bem assim.

Em um texto intitulado “O Mito do Veganismo“, criticam a “irracionalidade das ideias e valores da filosofia vegana”, denominada por eles “regime civilizado moderno que alimenta os sonhos progressistas dos humanistas de merda”. O eco-terrorismo não tem fé no homem, nem em seu futuro.

“A longo prazo, tudo o que queremos é sobreviver, continuar travando a nossa guerra, nos expandir a outras nações e ter êxito em todos os nossos ataques”, disse Xale no vídeo enviado a TV5MONDE.

Com respeito ao risco de ataques na França, de acordo com nossas fontes, ITS “não se constitui como uma ameaça imediata e prioritária no território nacional e não se considera suficientemente capaz para atacar os interesses fundamentais da Nação.”

*Se refere a escândalos relacionados com a indústria agroalimentar na França, como a carne polaca encontrada em mal estado e a venda fraudulenta de lasanha de cavalo.

Naghol: o salto ritualístio ao vazio

Naghol, que quando traduzido significa “salto ao vazio”, este é o nome de um ritual anual de iniciação praticado por jovens rapazes da Ilha de Pentecostes, em Vanuatu. O rito é um verdadeiro “mergulho na terra”. Preparados desde a adolescência para o ritual, os melanésios se jogam do alto de uma torre de madeira de 30 metros, semelhante a um andaime, amarrados pelos tornozelos a um tipo especial de cipó – talvez por influência da umidade maior nessa época do ano, a planta se torna elástica. Ao pular, seus cabelos devem “varrer” o chão (que é revolvido para suavizar o impacto) para garantir a fertilidade do solo.

Origem

A origem do Naghol é descrita em uma lenda de uma mulher que estava insatisfeita com seu marido, chamado Tamalie, que era muito vigoroso em seu ato sexual, e por isso ela fugiu para a floresta. O marido seguiu-a, então ela subiu em uma figueira. Tamalie subiu a árvore atras dela, e para fugir, ela amarrou cipós nos seus tornozelos e pulou. Seu marido saltou atrás dela, mas por não ter amarrado cipós em seus pés, seu salto foi mortal.

Assim, desde então os homens desta ilha realizam o mergulho anualmente como um ritual para não serem enganados novamente. Embora não seja obrigado a mergulhar, aqueles que fazem o salto são reverenciados na comunidade e vistos como verdadeiros guerreiros. Afinal, mergulhar significa sacrificar sua vida para a tribo. Meninos em torno de sete e oito saltam, passam a ser considerados homens depois que sobrevivem à queda.

Além disso, acredita-se que um salto bem feito garante que a safra do ano de inhame será bem sucedida: quanto maior o mergulho, melhor será a colheita. Um bom mergulho não só demonstra a masculinidade e a coragem do mergulhador, mas também garante uma colheita de inhame abundante para o ano, e remove as doenças associadas com a estação chuvosa.

Com informações de Magnus Mundi e Wikipédia.

Breves palavras a respeito da violência do Céu

Tradução do texto Brief words on the violence of heaven, de Sokaksin.

A violência no núcleo do mundo é parte integrante da beleza e da vida do tudo. Assim são as coisas. O mundo não pode se sustentar sem a escuridão, e não poderia ficar sem luz, ou o jogo sem fim de sua interpretação e determinação mútua. Esta é a verdade do mundo. Em tal mundo a graça inefável que traz as bagas da primavera ao urso também escreve o drama eterno do alce e dos lobos. Uma vida de morte, uma morte de vida. Na teia de uma incontável quantidade de seres, em seu sofrimento e sua fortuna, na forma da terra e a integridade do todo. É simples ver o surgimento mútuo do todo na floração da primavera e a atividade das abelhas, mas mesmo o corpo falador da lebre no ajustado aperto das mandíbulas do coiote reflete a beleza do todo. Como Jeffers observava em seu poema Fogo nas Colinas, “a beleza nem sempre é amorosa…”. O sangue nas rochas, os ossos dos cervos branqueados pelo sol, as poderosas mandíbulas do grande leão da montanha, perfeitas para matar, o uivo do coiote e o grito da morte do alce. A ferocidade e a violência indiscriminada do eco-extremismo é a representação deste fundamento, a violência divina que trabalha e sempre trabalhou no coração do mundo.

O eco-extremismo é continuamente assediado pelas fileiras dos fracos híper-civilizados, por sua aparente “psicopatia”, porque se atreve a materializar esta violência primordial contra a ordem artificial do Leviatã. No altar da lei e da ordem, o eco-extremismo oferece a profanação e um sacrifício de sangue para a terra selvagem. Ao se negar ter um contato mínimo com a linha do humanismo e do progressismo, ele se situa em oposição a tudo o que a civilização tecno-industrial (e isso também se refere ao próprio Homem em si) representa. Está oposto em sua essência a toda a infraestrutura podre, desde a “rede” a qualquer cidadão híper-civilizado que igualmente é a manifestação da civilização, tal como a represa da hidroelétrica que afeta a vida do rio. Ele se recusa a por a vazia abstração do “Homem” no topo do ser e ataca com selvageria tudo aquilo que canibaliza a beleza do todo pelo desolado aterro da modernidade. O eco-extremismo é o ataque do lobo feroz, olhando contra o gado domesticado. É a fúria do urso pardo contra aquele que vagueia de forma insolente dentro de seus domínios. É a força do búfalo e as janelas quebradas ao lado do metal dobrado contra os híper-civilizados que esqueceram a força e a fúria desta escuridão primitiva e seu lugar nas grandes redes do mundo, redes dentro dais quais elas permanecem impotentes apesar do engrandecimento de suas próprias abstrações.

A ordem da terra foi forjada sobre aeons através desta violência divina. Este é o caminho. Daí surgiu a beleza implacável daquele mundo trans-humano que o homem e sua sociedade tecno-industrial busca profanar para si mesmo. Cada explosão de uma bomba, cada jorro de sangue derramado é um golpe a partir daquele núcleo primitivo de selvageria, que permanece contra as ilusões e pretensões do homem moderno, sua civilização e tudo o que ele representa.

-Sokaksin

Canção de Vento

Tradução de Wind Song, escrito de Shaugnessy.

Eu ouvi a tempestade cantar canções elogiando a violência do mundo
Na grande voz cacofônica do vento e da chuva
Os escuros céus ferventes que empretecem o Céu (NdT)
A jovem bétula se inclina diante do poder dos ventos
Dez mil folhas douradas reluzentes caindo ante as correntes de ar
As margens do grande rio engolem as chuvas que caem
Não mais para conter a fúria
Eu ouvi a tempestade cantar canções elogiando a violência do mundo
Um tipo de beleza que te faz humilde
Uma severa recordação do lugar final da humanidade frente a glória da terra.

Nota do Tradutor:

Na oração a primeira ocasião em que se usa a palavra “céu” é para se referir ao local físico, e na segunda se refere ao céu de forma figurativa.

Urso polar faminto viaja 700 km e chega em vila na Rússia

O derretimento das geleiras impede que os ursos polares encontrem comida: cientistas afirmam que cada vez mais animais podem morrer de fome.

De Revista Galileu:

Um urso polar foi visto a 700 quilômetros de distância de seu habitat, extremamente exausto e procurando por comida, em uma vila na península russa de Kamtchatka. A aparição do animal, registrada na última quinta-feira (18) surpreendeu os moradores locais: eles o alimentaram com peixes.

A imprensa russa reportou que o animal teria viajado de Chukotka, região no extremo leste da Rússia, até a vila onde foi encontrado. Um vídeo flagrou o aparecimento do urso:

No ano passado, um estudo publicado na revista Science revelou que ursos polares estão morrendo de fome devido ao geletimento de geleiras, utilizada como uma plataforma para caçar focas. Para não morrer de fome, a única saída para os animais é procurar por alimentos em terra firme.

“Devido a mudanças climáticas, o Ártico está ficando mais quente e o ambiente se torna cada vez menor e conveniente. O gelo está derretendo e os ursos polares procuram por meios de sobrevivência. E pela melhor maneira de chegar até às pessoas”, contou o chefe do programa ártico do Greenpeace Rússia, Vladimir Chuprov.

Autoridades russas de Kamtchatka estão formulando um plano para resgatar o urso utilizando sedativos para desacordá-lo e levá-lo de helicóptero até seu habitat natural.

Entrevista com o Popular Front Podcast: A Nova Onda do Eco-Terrorismo

John Jacobi, teórico da tendência Selvagista, concedeu uma entrevista recente ao Popular Front Podcast, um veículo investigativo britânico especializado em conflitos e guerras modernas. Na ocasião o tópico principal dos 54 minutos de conversa foi radicalismo e extremismo ecológico. É um registro pertinente e que merece ser compartilhado, especialmente porque se debate questões interessantes em torno de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), embora não concordemos com tudo o que é conversado. Abaixo está um resumo da conversa minuto a minuto.

DESCARREGAR ÁUDIO: LINK 1LINK 2

0: Apresentação do tema. John Jacobi fala sobre Eco-terrorismo, especificamente sobre ITS e o que o apresentador chama de “Militância Niilista”.
1: O que é Eco-terrorismo?
2: História do Eco-terrorismo (The Eco-Raiders).
3: Earth First!.
4/5: Ações da Earth First!
6: Surgimento do Unabomber e da ELF.
7/8: Processo de desconfiança e esgotamento das principais correntes do ambientalismo que levaram à radicalização.
9: Queda do Unabomber e prisões da ELF nos EUA.
10: The Green Scare.
11: Ao que se refere o conceito de Natureza Selvagem?
12/13: Ecologismo Radical, nem Esquerda nem Direta.
14: Surgimento de ITS e o renascimento do Eco-terrorismo.
15: Maior atenção da mídia ao assunto.
16: ITS, “a nova onda de Eco-terrorismo”.
17: O velho ITS, semelhanças com Ted Kaczynski e seus discípulos (UR) em atos e linguagem.
18: Primeiras ações.
19: Kaczynski rechaça ITS publicamente.
20/21/22: Retórica e estilo de ITS, passado e presente.
23/24: Extincionismo.
25: Expansão internacional de ITS.
26: Anarquistas desiludidos mudam de lado.
27: Táticas para a expansão, analogia com a Al-Qaeda e o Islamismo Extremista.
28: Pouca atenção por parte da imprensa, relevância no mundo do ambientalismo.
29: Novas analogias com o surgimento e o desenvolvimento inicial da Al-Qaeda em relação ao começo do grupo com pequenos ataques que servem tanto para fortalecer ao grupo como para criar laços e atrair indivíduos com psicologia semelhante.
30: Atassa.
31/32: Diferentes correntes que convergem em ITS, e um único fim, a destruição.
33: Relação com grupos satanistas, eco-fascistas e outros. Menção ao TOB e o ressurgimento do eco-fascismo.
34/35: A eco-militância está na moda?
36: As lutas ecologistas e sua tendência à radicalização no presente.
37/38: Atualidade das ideias de Kaczynski e a disseminação de um sentimento de desesperança e frustração.
39: A urgência de uma revolução e a polemização deste conceito por parte de ITS.
40: Grupos radicais e extremistas debocham dos movimentos ecologistas mainstream, já é tarde para cuidar do meio ambiente.
41: Crítica ao reformismo dos grupos mainstream.
42: Explicação do niilismo dos grupos radicais, buscam rejeitar o sistema e não concertá-lo.
43: É mencionada a possibilidade de realizar pequenas mudanças na medida em que a civilização vá tendendo ao desastre.
44: Grupos como ITS só querem participar do desastre.
45: Onde ITS aprendeu a fazer suas bombas?
46: Trabalho de Jacobi, “The Wild Will” e outros projetos.
47: Reselvagização em vez de violência.
48/49: Encerramento do programa e menção a outros projetos do Popular Front.
50/51: Agradecimentos e outras menções.
52/53/54: Música de encerramento.

Tartaruga Marinha Emerge do Mar Para Desovar e Encontra Praia Transformada em Aeroporto

O réptil à beira de extinção teve que optar por esse lugar estranho devido às mudanças provocadas pela atividade dos seres humanos nas ilhas Maldivas.

De Sputnik News:

Uma tartaruga verde surpreendeu realmente muitos moradores de Mandhoo, uma das ilhas Maldivas, tentando depositar seus ovos no meio da pista do aeroporto de Maafaru, segundo o jornal local The Edition.

Segundo uma fonte citada pela edição, o animal tentou encontrar um ninho apropriado para desovar e, sem encontrá-lo, depositou seus ovos no asfalto, onde ficaram sem qualquer proteção. Depois de terminar o processo, a tartaruga voltou para o oceano.

Na imagem, publicada por uma das testemunhas, o réptil foi fotografado ao lado de três ovos que estão na pista, enquanto um homem, aparentemente empregado do aeroporto, está observando a cena.

Segundo explica o jornal, o incidente demonstra mais uma vez as consequências devastadoras da intervenção humana na fauna oceânica. O crescimento econômico que as Maldivas estão sofrendo afeta a natureza do arquipélago, alertam os ecologistas locais.

As tartarugas verdes são uma espécie em vias de extinção que está distribuída pelos oceanos tropicais e subtropicais. Uma de suas particularidades é que as fêmeas sempre desovam no mesmo lugar em que nasceram. E um dos locais de nidificação mais comuns para elas é a ilha de Mandhoo.

Conspirar

Tradução de um texto escrito por “K.”, um ex-anarconiilista (agora um Individualista Egoísta) de Atenas, Grécia.

“No alto da colina, a cidade aparece em uma extensão branca…”

Nós havíamos conspirado.

Nós tínhamos testemunhado o momento, para agir, mas logo tudo estava perdido.

Lembra, tudo se perdeu por causa de um infame.

Naquele dia ele havia descido de seu lugar existencial, e eu sabia o que ele queria nos dizer: fugir, mas era tarde demais. Ele, um infame, já havia fugido, seguira o seu próprio caminho, e como não coincidia com o nosso, então ele teve que nos sabotar por isso.

Lembra quando nos chamaram “nechayevistas”? Somente em um lugar como Atenas pode haver uma definição similar para aqueles como nós, aqueles que tinham o niilismo anarquista em seu sangue.

Apenas alguns meses antes das “Forças Revolucionárias Populares Combativas” matarem a dois membros da Golden Dawn, seus músculos que pouco antes estavam ligados a seus corpos estavam agora roxeando…

Na época desfrutei da ação contra as duas escórias fascistas, agora posso dizer que são apenas dois humanos a menos na face da terra.

Lembra de Kirillova que estávamos falando?

Aqui está o fim de um infame, morrer sem o uso da Justiça no meio, a prática da vingança, ela deve ser servida como um prato frio.

Eu o estava buscando depois que ele vacilou conosco. Onde estava escondido como um rato? Me perguntei onde poderia estar em meio a dezenas de ruas de Atenas.

Ele sentiu que eu estava procurando por ele, passei pela Praça Amerikis e lá só vi dois caras trocando dolinhas de heroína, que apertaram as mãos e saíram andando pelas ruas intricadas daquela área. Mas nada dele, ele não estava naquele lugar. Nos dias seguintes cruzei o grande parque Pedion Areos perto de Exárchia e investiguei minuciosamente a área, olhando em cada canto, e depois de caminhar à Zografou cheguei até a universidade e avistei o dormitório. Eu sabia que ele poderia descansar ali… dissolvido como o vento.

Em Atenas o crime é forte e possui um código que diz que os infames devem ser assassinados… mas eu nunca pilhei de fazer perguntas sobre porque eram coisas completamente opostas, mas ainda sim tive que encontrá-lo.

Agora, em comparação com o dito anteriormente, creio que podemos usar uma forma de amoralidade individual, que não aceita tudo, mas que não julga tudo de uma maneira eticamente compreensível. Pessoalmente me oponho a usar a polícia, ou outros através de personagens que gravitam no mundo do submundo, que são os chamados espiões, para mim deve ser assim…

Você lembra de Kirillova quando planejamos o assassinato deste rato? Lembra quando adquirimos uma arma nas cavernas escuras de Omonoia?

Devemos ler esta metáfora com cuidado: “As chamas que extinguiram nossos pensamentos levantaram barricadas no vento, as chamas que corroeram nossas intenções se desvaneceram pouco a pouco, as chamas que queimavam em nossa consciência agora pertencem ao reino dos mortos…”

Não há nada que possa conter a força que deseja cravar um punhal no corpo de um infame, e não há nada que possa deter uma bala dirigida à cabeça de um traidor. Não há justiça para sustentar, não há honra que não possa levar a uma vergonha pessoal. Esta é a vida, estas são as regras do mundo do crime na cidade de Atenas…

K.

Notas Sobre a Espiritualidade Africana

Pese a discordância com o que chamam de “pan-africanismo” o texto Notas Sobre a Espiritualidade Africana da autora Anin Urasse é uma interessante leitura, sua visão sobre espiritualidade, ancestralidade e natureza se acerca bastante do que defendem os eco-extremistas. Alguns textos como “O que queremos dizer quando falamos “natureza”?” de Chahta-Ima, “Animismo Apofático“, de Abe Cabrera, “Busca o Teu EU Espiritual“, de XL, “É o Momento de Beijar a Terra Novamente” (publicado em Reflexiones Eco-extremistas N°3), “Os Seris, Os Eco-extremistas e o Nahualismo“, de Hast Hax, e (por que não?) “Apocalipsis Ohlone“, também de Abe Cabrera, são alguns dos escritos que corroboram com isso.

Muitos irmãos e irmãs me escrevem com dúvidas acerca da espiritualidade africana. Pessoalmente eu não acredito na possibilidade de nos emancipar sem resgatá-la. Mas os yurugus colocaram várias pulgas atrás de nossa orelha né? Principalmente na universidade e zzzzz… Então escrevo essa reflexão aqui pra sintetizar um pouco das respostas que tenho dado, compartilhar um pouco do que aprendi sobre o assunto. (Veja: eu não tô falando de nenhum culto específico. Eu tô falando de cosmologia do berço civilizatório africano que, pra início de conversa, não conhece a ideia de “religião”.)

Você precisa de fé pra saber que você teve tataravó? Existe a possibilidade de você existir sem bisavô?

Você precisa de fé pra constatar a existência do mar, da terra, dos rios, dos raios, das plantas… das forças da natureza em geral? É preciso fé pra saber que os minerais existem?

Espiritualidade africana é culto de ancestral e de forças da natureza. Portanto, não estamos falando de fé, mas de fatos: você tem bisavó e no encontro do rio com o mar existe o mangue. Ponto.

Todas as pessoas têm ancestrais, sem os quais não seríamos possíveis: “você tem os olhos de sua avó!”, “você tem o mesmo gênio de seu pai!”. Nossos ancestrais influenciam em nossa vida. A isso os yurugus chamam de genética e/ou epigenética. Nesse texto, continuarei chamando de ancestralidade. A gente dança, canta e cozinha pros nossos ancestrais pra agradecê-los. Pra pedir. Pra se alegrar. De sul a norte, de oeste a leste da África é assim. (E se você acha isso bobo, estranho, ridículo ou “do diabo”, se pergunte porque sempre fazem a gente minimizar a cultura de nosso povo.)

Nós somos a reencarnação de nossos ancestrais. Nossos filhos são os ancestrais que trazemos de volta ao mundo e quando “morrermos”, nos tornaremos ancestrais. Aliás, não há morte. Há um ciclo. Nosso povo é formado dos que estão aqui, dos que virão e do que já foram. Nos influenciamos mutuamente. Portanto se não cuidamos dos nossos ancestrais enfraquecemos enquanto pessoa e enquanto povo. E só a título de curiosidade, nossos ancestrais moram no chão, não no céu.

Com as forças da natureza a mesma coisa. Nossos ancestrais são os criadores da tecnologia, lembre-se disso. E eles descobriram o segredo de manipular energia. Só que como não somos um povo de destruição, ao invés de inventarmos bombas nucleares pra destruir cidades inteiras, a gente descobriu, através de manipulação dos elementos da natureza, como sermos pessoas melhores. Cultuamos a natureza não por ela, mas por nós. Cada elemento da natureza nos da uma lição de como viver. Lembre-se ainda de outro fato: 96% da massa do universo é ESCURA. A natureza vibra em nós como em ninguém mais. Tem muito segredo nessa melanina que a gente carrega.

Nossos “deuses” não estão distantes, no céu, sentados numa nuvem mandando raios de castigo. Eles dançam conosco. Ou melhor, dançamos com eles. Trocando em miúdos: a gente sabe que não vive sem a natureza então além de cuidar dela, nós a cultuamos.

É simplesmente isso. É simples e absurdamente complexo. “Ubuntu” nunca foi sobre você e eu, ou sobre nosso grupinho. Mas sobre você, eu, nosso grupinho, nossos ancestrais, os que virão, os animais, as plantas, os rios, os mares, os minerais, os vulcões, o ar..

Pense bem antes de negar esse cosmo-sentido de mundo. Não é possível que um continente inteiro esteja errado só porque um europeu disse. Se não, o que? Você acha que nossos ancestrais mentem?

Notas Sobre a Extinção

Tradução do texto Notes on Extinction de Abe Cabrera escrito para o seu blog Wandering Cannibals.

A extinção é a gramática da civilização tecno-industrial. É desta forma que ela se tornou o que é hoje, e a extinção é o que a sustenta. É como se criasse a vida para simplesmente destruí-la. Isso vai desde os campos de agronegócios e fetos abortados a povos que foram inteiramente dizimados em nome do “progresso”. Se o niilista passivo pode lançar a acusação de que a natureza é indiferente às criaturas que ela mesma cria, o que é ainda mais certo é que a civilização europeia cristã (especialmente) tem levado a sério essa premissa e tem operado com ela em um ritmo acelerado e exagerado. O que leva milhões de anos para a natureza criar, formular e desenvolver, a civilização pode se livrar em uma tarde. Todo o nosso modo de vida é alimentado pelos cadáveres de animais mortos milhões de anos antes de que a primeira sombra de um ancestral humano honrasse a face da terra.

No eco-extremismo, a necessidade/propriedade/simetria da extinção humana é a base do ataque indiscriminado. É discutível se o ataque eco-extremista é realmente “indiscriminado” em um sentido absoluto, já que para ser verdadeiramente indiscriminado, o eco-terrorista nem sequer precisaria se levantar da cama e poderia disparar um projétil pela janela em uma rua adjacente. Todos os ataques que não sejam desta exata natureza exigem planejamento, reflexão, preparação, etc. Agora, onde se discute se o ataque eco-extremista é realmente indiscriminado é na escolha da vítima, porque muitas vezes pode ser que quem quer que esteja próximo da “linha de fogo” seja quem sairá ferido, quando isso não era intencional. Novamente, ainda não nos livramos do pântano ético, mesmo se tenhamos decidido quem é culpado ou inocente. De fato, sentenças exaustivas para as pessoas e até mesmo para suas propriedades são quase tão antigas quanto a própria civilização. Vamos para a nossa confiável Bíblia. No famoso relato da queda de Jericó está escrito:

“Quando soaram as trombetas, o povo gritou. Ao som das trombetas e do forte grito, o muro caiu. Cada um atacou do lugar onde estava, e tomaram a cidade. Consagraram a cidade ao Senhor, destruindo ao fio da espada homens, mulheres, jovens, velhos, bois, ovelhas e jumentos; todos os seres vivos que nela havia.”

Este não é o único evento nas Sagradas Escrituras: O Povo escolhido por Deus deixou cidades devastadas como se fosse um exercício de rotina, e até mesmo foram castigados por Deus por serem condolentes com o gado.

Claro, as pessoas não serão particularmente persuadidas ao mencionar a história antiga, então vamos ao ponto. A questão da civilização não é um assunto de moralidade, mas de números. Não é um problema filosófico, mas sim um problema matemático e físico. Se você pode superar seu inimigo em número, uma hora você deve sucumbir. Muitas guerras foram guerras de esgotamento onde o lado taticamente superior foi derrotado por ondas após ondas de inimigos sendo lançados. Isso aconteceu na guerra civil estadunidense, nas guerras indígenas norte-americanas, na guerra de libertação nacional do Vietnã, etc., etc.. Muitas vezes não é uma questão de ser capaz de ganhar, mas de ser capaz de suportar derrota após derrota até que o inimigo não possa mais lutar. A culpa ou inocência neste paradigma é irrelevante: a própria presença de corpos (homens, mulheres, crianças ou até mesmo animais de carga) é uma incursão suficiente para garantir a sua destruição sem escrúpulos.

Isso é bom para os tempos incultos do passado, mas o presente aprendeu sua lição humanista, certo? Bem, não exatamente. Sem sequer precisar recorrer a Stalin ou Mao e os milhões que tiveram que morrer no processo antisepticamente criado de “acumulação primitiva do capital”, até mesmo o esquerdista mais anti-autoritário é anulado e é possível encontrar alguém que acha que está tudo bem se, por exemplo, um grupo insurgente faz voar pelos ares uma sorveteria cheia de crianças em nome da “libertação nacional”, sempre e quando o colonialista o tenha feito primeiro:

Então, no final, não importa se alguns milhões morrem, ou se crianças são feitas em pedaços, ou se algumas freiras são estupradas por revolucionários. Uma causa justa cobre uma multidão de pecados… Exceto para as vítimas da causa justa. O tema sobre lidar com vidas humanas é que não é um jogo de números, pelo menos para o híper-civilizado. Enquanto muitos poderiam dizer adeus às atrocidades do passado, ninguém está se voluntariando para as atrocidades do futuro, mais precisamente aquelas atrocidades que serão necessárias para um amanhã melhor. Todos querem ser rei, mas ninguém quer ser o camponês que paga impostos para sustentar o rei em seu excessivo estilo de vida. Todos querem jogar, mas ninguém quer investir no jogo.

Eles nem deveriam querer fazê-lo, porque o jogo está decidido. Isso não impede que os sonhadores, os revolucionários, os conservadores, etc., se ofereçam como “voluntários” para as próximas gerações e as pessoas que não conhecem a árdua tarefa de forjar um amanhã melhor, no qual saiam mais ou menos ilesos. Os devaneios de um futuro melhor são agradáveis desde que você possa confiar nos esforços de outras pessoas para espelharem a sua visão. É claro, esperar que as pessoas façam isso é tolice, mas isso não impede o sonhador revolucionário. Pular destas observações para a conclusão de que “portanto, todos os humanos devem ser extinguidos” pode ser corretamente sinalizado como uma reductio ad absurdum. O fato de que ninguém tenha culpa não significa que todos sejam culpados, ou que esta culpa tampouco exista.

Portanto, medidas punitivas ou mesmo linguagens punitivas não são necessárias. Talvez isso tenha um ponto, mas vamos colocar de outra maneira: o ideal humano (forma) nunca pode ter o hospedeiro físico (matéria) apropriado para se realizar. A forma é sempre um fantasma, flutuando sobre a massa fervente da matéria-prima humana. A humanidade nunca pode ser avivada por um ideal, nunca pode aderir a um plano ético orgânico que possa informar suas ações coletivas a um futuro melhor. Em outras palavras, a humanidade como um todo é um zumbi coletivo, algo que tropeça com a aparência da vida, mas que na verdade está constantemente à beira de se separar devido à falta de inteligência ou vontade coletiva definida. Podemos falar de ação coletiva global, mas é uma retórica completamente vazia. O problema é divino em escala, mas os meios para abordá-los são demasiado humanos…

Então, apesar de que um indivíduo possa pensar sobre o que faz, o humano como uma categoria universal é um fenômeno frágil e passageiro. Mas, novamente, vamos voltar ao parágrafo acima: o problema real com os humanos não é que não são inteligentes o suficiente, mas sim que há muitos deles conectados de maneira desordenada pelas comunicações e transportes globais. O problema não é um diretor executivo ou mil políticos ou um milhão de policiais. O problema são sete bilhões de pessoas com sonhos e aspirações e grandes expectativas para seus filhos… que só podem acontecer às custas de outros seres do planeta. O problema são os valores da humanidade pelo bem da humanidade, humanidade como um sistema fechado, humanidade como o imperativo categórico. Sete bilhões de anarco-primitivistas traidores da espécie seriam inferiores a uma humanidade constituída apenas por dez executivos da Monsanto. Seus sentimentos, opiniões, crenças e ações não contam. Basicamente, o que conta é apenas a sua existência animal, porque é parasitária e injustificável. A menos que sua existência particular possa convencer sete bilhões de pessoas a cometerem suicídio coletivo, deixando, talvez, apenas um punhado de homo sapiens vivendo na Terra como um animal entre os outros, você não é diferente de qualquer outra pessoa.

É claro, você pode dizer que isso se aplica apenas à civilização europeia (pós-) cristã híper-civilizada, mas estamos realmente certos disso? Fora dos intermináveis debates sobre se o homem acabou com a megafauna nas Américas e Austrália, sabemos com certeza que o homem acabou com a Moa, uma grande ave não-voadora nativa da Nova Zelândia que foi extinta a menos de 150 anos antes que os humanos civilizados colonizassem essas ilhas (bem antes da chegada dos europeus). O problema com as coisas que acontecem é que sempre tiveram o potencial para acontecer, ceteris paribus. Mesmo que alguns humanos (a maioria?) nunca levaram sozinhos uma espécie à extinção, de qualquer modo o fizeram, e sempre têm o potencial para fazê-lo. Isso não é uma declaração de culpa, mas uma declaração de fatos. Assim como dizer que um cachorro é capaz de atacar a uma criança não é um julgamento moral do cão: é uma declaração da realidade da situação.

Talvez o verdadeiro problema ético por trás do ataque indiscriminado não seja sobre atribuições de culpa, mas de distinguir se a inocência sequer exista neste contexto. Sete bilhões de pessoas não vivem suas vidas sendo inocentes ou culpadas de nada. Seu estado padrão é “cuidar de seus próprio assuntos”. São carne de canhão, não sabem o que fazem. Nesse nível, suas vidas carecem de conteúdo ético discernível. E mesmo em situações em que as pessoas “se preocupam”, frequentemente roubam de Pedro para dar a Paulo: vivem uma parte de suas vidas de forma amoral para manter um verniz ético em outras partes de suas vidas. O resultado final é: se você não quer que a floresta seja cortada, que o fundo do oceano seja perfurado ou que o rio seja contaminado, você não precisa procurar muito para saber quem são os culpados. Você tem a culpa, seus amigos também e aqueles que você ama também têm. Ou eles comem apenas ar e vivem em cabanas de palha feitas com galhos de árvores nativas? Ou você se cura com plantas locais quando está doente e checa seu email apenas com um pedaço de madeira? Se (por suas ações, não por suas palavras) você não se importa com a Natureza Selvagem, porque ela deveria se preocupar com você? Por que alguém deveria?

A vida humana não é nem poderá ser heroica, ética, nobre, ou qualquer outra coisa do tipo. Você pode esperar pouco dela, e não é eterna. Aqueles que continuam defendendo o humanismo só querem fechar fileiras e defender o poder humano como seu próprio fim por qualquer meio necessário, mas estão defendendo os meios materiais pela qual a supremacia desta espécie é sustentada. O eco-extemista chegou à conclusão de que a única forma de atacar a supremacia humana é atacar os seres humanos em qualquer grau que sejam capazes. Não fazem isso por algum sentido invertido de moralidade, mas pelo entendimento de que a moralidade é impossível, ou melhor, não pode fazer o que diz que faz: separar o joio do trigo, as ovelhas das cabras e o inocente do culpável. Seu ataque é um rechaço à premissa de que o ideal humano pode governar a vida a um nível ético universal. É lançar-se em direção ao Inumano em Nome do Desconhecido, com poucas expectativas em relação às conquistas humanas.

Abe Cabrera

[ES – VÍDEO] Tzilacatzin: O Guerreiro Ancestral Imparável

Tzilacatzin foi um guerreiro ancestral Otomi, uma fera cuja a valentia levou os espanhóis à beira do desespero e contínuas derrotas. De grande físico e pensamento selvagem, o guerreiro era audaz e temido no campo de batalha. Destroçou com um garrote em mãos as armaduras e corpos dos soldados espanhóis que se atreveram a desafiá-lo, massacrou e fez ranger os ossos daqueles que o desafiaram. De sua garganta saíam ferozes gritos de guerra e suas palavras juravam acabar com quantos homens brancos se impusessem em sua frente.

Casas subterrâneas dos Kaingang, os povos da Tradição Taquara

Interessante artigo do site Xapuri sobre as construções dos Kaingang.

Os Kaingang, uma das 305 atuais etnias do Brasil, já habitavam o Planalto Meridional Brasileiro três mil anos antes da chegada dos europeus. Esses povos eram conhecidos como Proto-Kaingang, povos da Tradição Taquara ou Povo das Casas Subterrâneas.

A arqueologia do sul do Brasil tem dado atenção, desde a década de 60, a um tipo muito especial de antiga ocupação humana encontrada em muitos pontos de planalto nos estados de São Paulo, Paraná e, principalmente, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de alguns achados semelhantes próximos ao litoral, no sul de Santa Catarina.

Para se proteger do inverno rigoroso que castiga as elevadas regiões do Sul do Brasil, chamados Campos de Cima da Serra, construíam suas casas de forma enterrada, mantendo-as, assim, protegidas dos ventos fortes e gelados que cortam o planalto. Por vezes, as paredes eram compactadas com argila mais fina, resultando em uma camada de revestimento.

O teto era apoiado sobre estacas: uma estaca principal no centro, que descia até o chão da casa, e estacas laterais, que irradiavam do mastro central e se apoiavam na superfície do solo, na parte externa. Este teto ficava pouco acima do nível do terreno, garantindo ventilação, iluminação e trânsito.

Trata-se de verdadeiras casas circulares, escavadas na terra: em alguns casos, em rocha basáltica, em outros, em basalto composto ou rocha mole de arenito. Suas dimensões são variáveis; os registros mais importantes revelam estruturas com tamanhos médios entre 2 e 13 metros de diâmetro com profundidade média de 2,5 a 5 metros de altura, havendo casos registrados de 4 e até 6 metros de profundidade.

Segundo a descrição de vários pesquisadores, com base nas casas melhor conservadas, sobre a cova circular que delimitava a casa, erguia-se uma cobertura de folhas sustentada em uma armação de madeira, em parte fixada na base da casa, e em parte fixada nas bordas laterais da cova, inclusive com o auxílio de pedras.

Em algumas casas os arqueólogos mencionam ter encontrado um revestimento de piso e, em outras, revestimento em pedra nas paredes ou parte delas.

Ainda que, em um número significativo de sítios arqueológicos se encontrem casas subterrâneas isoladas, é comum encontrar-se conjuntos dessas casas, seja formando pares, seja formando verdadeiras aldeias de mais de 5 casas, sendo vários os agrupamentos entre 8 e 10 delas, e havendo, mesmo, casos de mais de 20 casas em um mesmo lugar. O espaçamento entre essas casas varia de 1 a 10 metros, em média.

Ainda que alguns arqueólogos tenham sugerido que as casas subterrâneas não teriam sido, de fato, casas de habitação, mas apenas centros cerimoniais, a posição mais comum e sustentável indica que realmente essas estruturas eram a residências dos grupos humanos que as construíram.

O arqueólogo André Prous também descarta a hipótese de que as casas maiores fossem apenas centros cerimoniais, enquanto as menores seriam de moradia, uma vez que, com freqüência, as casas maiores ocorrem isoladas ou estão presentes justamente nos menores conjuntos de casas subterrâneas.

É importante, porém, observar-se a época em que as casas subterrâneas foram construídas e habitadas, para pensarmos na relação delas com outras formas de habitação antigas dos Kaingang. A arqueologia brasileira tem relacionado as casas subterrâneas com o que convencionou chamar de “tradição Taquara-Itararé”. Segundo Prous, para essa tradição “até há pouco, as datações mais antigas eram exclusivamente do Rio Grande do Sul, entre o primeiro e o sexto século de nossa era.

Várias outras obtidas para o mesmo estado, Argentina e Paraná eram do século XIV, e duas do início do período histórico. Recentemente, datações de 475 AD (fase Candoi) e 500 AD na Argentina vieram mostrar que a cultura das casas subterrâneas desenvolveu-se em diversas regiões, grosso modo, na mesma época, e não se pode descartar a possibilidade de aparecerem, com as novas pesquisas, datações tão antigas quanto a, isolada por enquanto, de 140 AD para a fase Guatambu, cujo término foi datado de 1790 AD”.


Encontrado o Selo de Uma Marca de Cigarros Dentro de Uma Medusa

O selo impresso numa tira de celofane e perfeitamente legível é um alerta de que o plástico está em toda a parte.

Ainda é possível observar o selo, impresso numa tira de celofane, da empresa tabaqueira Philip Morris no interior do corpo de uma medusa. – Fotografia por Alexander Semenov.

De National Geographic:

Se observar de perto com atenção, poderá identificar facilmente as palavras Philip Morris International. O nome da empresa tabaqueira pode ser visto na tira translúcida de celofane, que envolve a embalagem de um maço de cigarros, e que foi fotografada no interior do corpo de uma medusa-luminescente, Pelagia noctiluca, encontrada nas águas do mar Mediterrâneo.

Os animais marinhos navegam num campo minado ao tentar evitar o plástico no oceano. Mais de oito milhões de toneladas de lixo plástico acabam anualmente nas águas oceânicas, sendo difícil às criaturas marinhas, como a medusa, evitá-lo.

Em abril último, um estudo publicado na revista Scientific Reports divulgou a primeira evidência de plástico no corpo de uma medusa.

A medusa foi encontrada nas águas do Mediterrâneo em 2016 por um grupo de cientistas que participava na expedição Aquatilis, uma viagem de pesquisa, com a duração de três anos, levada a cabo com o propósito de explorar os oceanos do planeta. No estudo, os investigadores referiram ter encontrado várias medusas-luminescentes, Pelagia noctiluca, com vários tipos de plástico presos no interior da umbela – parte superior do corpo em forma de campânula – ou nos tentáculos ao longo do corpo.

A análise dos 20 espécimes capturados ao abrigo da pesquisa permitiu observar que quatro medusas apresentavam lixo plástico no sistema digestivo, levando os cientistas a supor que as medusas tenham confundido o plástico com alimento.

“Pelo que parece, as medusas adoram o plástico”, afirma um dos autores do estudo, Armando Macali, um ecologista da Universidade de Tuscia, em Itália. Macali afirma que ele e os seus colegas estão convencidos de que a medusa não largou o plástico, porque estava a tentar comê-lo.

Estudos anteriores revelaram que são comuns os casos de animais marinhos que consomem lixo plástico. Os cientistas acreditam que os animais consomem detritos plásticos, porque algumas das formas e dimensões desses detritos partilham semelhanças com as suas presas: as tartarugas ingerem sacos de plástico semelhantes a medusas, e os peixes comem plásticos do tamanho de um bago de arroz semelhantes às pequenas presas de que se alimentam.

O plástico do oceano também tem um odor apetitoso para algumas criaturas marinhas. Em 2016, um estudo da revista Science Advances revelou que algumas algas crescem com facilidade no plástico do oceano, e a decomposição deste material liberta um odor designado por dimetilsulfureto que atrai os animais famintos.

Não é clara a razão da atração das medusas pelo plástico, afirma Macali. Ao fim de algum tempo a flutuar nas águas do oceano, o plástico começa a acusar desgaste, e finas películas microbianas tendem a revestir a sua superfície. Macali acredita que estas películas microbianas ou algumas moléculas presentes no processo de decomposição do plástico possam atrair as medusas.

Macali tenciona expor as medusas a vários tipos de lixo plástico em condições laboratoriais, no âmbito de novas experiências. O ecologista acredita que, se os cientistas conseguirem identificar especificamente os elementos presentes no plástico que atraem os animais, talvez seja possível trabalhar em parceria com os fabricantes para que produzam plástico menos atrativo para os organismos marinhos.

Os cientistas realçam que é um mau sinal para a saúde da medusa a ingestão de uma tira de celofane. As medusas-luminescentes podem consumir 50 por cento do seu peso corporal, e está provado que a ingestão de plástico em excesso pode conduzir à morte lenta de muitos animais por subalimentação.

Dado que as medusas servem de alimento a muitas outras espécies de animais de maior porte, que navegam nas águas do Mediterrâneo, a presença de lixo plástico nos seus corpos pode ter impactos semelhantes na saúde dos seus predadores. O atum-rabilho, um dos maiores predadores da medusa-luminescente, é capturado com frequência, servindo de alimento a pessoas e animais, o que significa que os fragmentos microscópicos ingeridos pelas medusas podem acabar nos estômagos de espécies de maior porte, incluindo nós, humanos.

É um problema complexo, cuja escala os investigadores ainda tentam perceber, afirma Macali. Compreender a forma como as medusas interagem com o plástico que navega em águas oceânicas será apenas uma peça de um puzzle maior, acrescenta.

“Se queremos entender o destino do plástico no oceano, temos de começar pela base da cadeia alimentar.”

A Terra Inóspita

Artigo do site Eco-debate de autoria de José Eustáquio Diniz Alves que por sua vez comenta outro artigo publicado na New York Magazine, o The Uninhabitable Earth.

A revista New York Magazine (NYMag) publicou, no dia 09/07/2017, uma matéria denominada “The Uninhabitable Earth” – pintando no pior cenário, um Armagedon climático – que se tornou viral e foi comentada amplamente em diversos países e passou a ser o artigo mais lido da revista (ver o link no final desse artigo). Infelizmente, pouco se falou sobre o assunto no Brasil. A matéria, com chamada de capa, feita a partir de entrevistas com cientistas renomados, traz uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. A repercussão foi enorme. Houve muita comoção pelo tom apocalíptico, reproduzido por uma grande revista que tem respeitabilidade e repercussão imediata.

O texto começa assim: “It is, I promise, worse than you think” (Prometo, é pior do que você pensa). O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.

Desta forma, o jornalista David Wallace-Wells realmente conseguiu assustar. A seguir segue uma tentativa de resumir alguns dos principais pontos da matéria.

Na primeira parte, denominada “Apocalipse, espiando além da reticência científica” o autor explica que a ansiedade sobre os efeitos do aquecimento global em relação à elevação do nível do mar, é justificável, mas apenas arranha a superfície dos horrores que podem acontecer no espaço de tempo da vida de um adolescente de hoje. A elevação do nível dos oceanos é ruim, muito ruim, mas fugir do litoral é um problema menor. Na ausência de um ajuste significativo de como bilhões de seres humanos produzem e consomem, partes da Terra provavelmente se tornarão inabitáveis ​​e outras partes ficarão terrivelmente inóspitas, antes do final deste século.

David Wallace-Wells diz que até mesmo pessoas que reconhecem as mudanças climáticas são incapazes de compreender seu alcance. No inverno passado, em diversos dias, a temperatura do Polo Norte ficou 60 a 70 graus mais quentes do que o normal, derretendo o PERMAFROST. Até recentemente, o permafrost não era uma grande preocupação dos cientistas, porque, como o nome sugere, era um solo permanentemente congelado. Mas o permafrost do Ártico contém 1,8 trilhão de toneladas de carbono, mais do dobro do que atualmente está suspenso na atmosfera terrestre. Quando se descongela e é liberado, esse carbono pode evaporar-se como o metano, que é 34 vezes mais poderoso do que o CO2. Ou seja, mesmo que a humanidade pare de emitir gases de efeito estufa nas atividades industriais e nos automóveis, o efeito feedback do metano do permafrost pode elevar a temperatura a níveis infernais. Na Antártica não é diferente. O “parto” da Plataforma Larsen C é mais um dos sinais de alarme.

A ocupação, dominação e exploração humana sobre os ecossistemas, juntamente com efeito estufa e a acidificação dos solos e das águas está provocando a 6ª extinção em massa das espécies. O Antropoceno é como uma “máquina de guerra”, todos os dias, o ser humano coloca mais munição. Atualmente, estamos adicionando carbono na atmosfera a uma taxa extremamente elevada. Isto é o que Stephen Hawking tinha em mente quando disse que a nossa espécie precisa colonizar outros planetas no próximo século para sobreviver e o que levou Elon Musk a anunciar seus planos para a colonização do planeta Marte.

Na segunda parte da matéria da NYMag, “O calor mortal, transformando Nova Iorque em Bahrain”, David Wallace-Wells mostra que os seres humanos, como todos os mamíferos, são motores de calor. Sobreviver significa ter que esfriar continuamente, como cães ofegantes. Para isso, a temperatura precisa ser suficientemente baixa para que o ar atue como uma espécie de refrigerador, extraindo calor da pele para que o motor possa continuar bombeando. Mas as ondas mortais de calor estão tornando a vida impossível em algumas regiões, pois em temperaturas muito altas, dentro de horas, um corpo humano seria cozido até a morte por dentro e por fora.

O autor reporta que na região açucareira de El Salvador, cerca de um quinto da população tem doença renal crônica, o resultado presumido da desidratação de trabalhar nos campos. Desde 1980, o planeta experimentou um aumento de 50 vezes no número de locais com calor perigoso ou extremo. Um aumento maior virá em breve. Os cinco verões mais quentes da Europa desde 1500 ocorreram desde 2002 e, em breve, simplesmente estar ao ar livre, nessa época do ano será insalubre para grande parte do globo. A quatro graus, a onda mortal de calor europeia de 2003, matou 2.000 pessoas por dia. Mesmo que atingindo os objetivos de Paris de dois graus de aquecimento, cidades como Karachi e Calcutá se tornarão próximas a inabitáveis. A crise será mais dramática no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, onde, em 2015, o índice de calor registrou temperaturas tão altas que a sensação térmica chegou a 163 graus Fahrenheit (72º C). Assim, num futuro próximo, o Hajj se tornará fisicamente impossível para os 2 milhões de muçulmanos que fazem a peregrinação a cada ano a Meca.

Na terceira parte da matéria da NYMag, “O fim da comida, rezando por campos de milho na tundra”, David Wallace-Wells diz que nas culturas de cereais os rendimentos da colheita diminuem 10% para cada grau de aquecimento. O que significa que, para uma população de 11 bilhões de habitantes, poderemos ter 50% menos de grãos para oferecer. E o efeito do aquecimento global sobre as proteínas animais serão pior. A perda de solos será dramática, especialmente nos trópicos. A seca pode ser um problema ainda maior do que o calor, com algumas das terras mais aráveis ​​do mundo passando rapidamente para o deserto. O quadro já é preocupante hoje, com a ONU alertando de que 20 milhões de pessoas podem morrer de fome na Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Nigéria.

Na quarta parte da matéria da NYMag, “Pragas climáticas, o que acontece quando o gelo bubônico derrete”, David Wallace-Wells relata que o gelo funciona como um livro do clima, mas também é uma história congelada, com pragas armazenadas que podem ser reanimados quando descongelados. Atualmente, estão presos no gelo do Ártico, doenças que não circularam no ar há milhões de anos. O que significa que nosso sistema imunológico não teria ideia de como lutar quando essas pragas pré-históricas emergem do gelo. O Ártico também armazena insetos aterrorizantes nos tempos mais recentes. Já no Alasca, pesquisadores descobriram os restos da gripe de 1918 que infectaram até 500 milhões e mataram cerca de 100 milhões de pessoas – cerca de 5% da população mundial e quase seis vezes mais do que morreram na Primeira Guerra Mundial.

Na quinta parte da matéria da NYMag, “Ar irrespirável, uma poluição (smog) mortal que atinge milhões de pessoas”, David Wallace-Wells considera que até o final do século, os meses mais legais da América do Sul tropical, da África e do Pacífico provavelmente serão mais quentes do que os meses mais quentes no final do século XX. Nossos pulmões precisam de oxigênio, mas isso é apenas uma fração do que respiramos. Com o aumento da concentração de CO2, em comparação com o ar que respiramos agora, a capacidade cognitiva humana diminui em 21%. Em 2090, cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão respirando um ar poluído, acima do nível “seguro” definido pela OMS. Documentos mostram que, entre outros efeitos, a exposição da mãe grávida ao ozônio aumenta o risco de autismo da criança. Já morrem cada dia mais de 10 mil pessoas das pequenas partículas emitidas pela queima de combustível fóssil. A cada ano, 339 mil pessoas morrem de fumaça de incêndios, em parte porque a mudança climática prolongou a temporada de fogo florestal. O que preocupa ainda mais as pessoas é o efeito que teria sobre as emissões, especialmente quando os incêndios provocam uma queda nas florestas decorrentes da turfa. Os incêndios são especialmente ruins na Amazônia que sozinha fornece 20% do nosso oxigênio. O “airpocalypse” chinês de 2013 tem afetado as atividades econômicas do país e foi responsável por um terço de todas as mortes na China.

Na sexta parte da matéria da NYMag, “Guerra perpétua, a violência cozida no calor”, David Wallace-Wells relata que os climatologistas são muito cuidadosos ao falar sobre a Síria e querem crer que, embora a mudança climática tenha produzido uma seca que contribuiu para a guerra civil, não é justo dizer que o conflito é o resultado do aquecimento. Mas há pesquisadores que conseguiram quantificar algumas das relações não óbvias entre temperatura e violência: para cada meio grau de aquecimento, eles dizem, as sociedades verão entre um aumento de 10 e 20% na probabilidade de conflitos armados.

Na sétima parte da matéria da NYMag, “Colapso Econômico Permanente, tenebroso capitalismo em um mundo meio pobre”, David Wallace-Wells ridiculariza o mantra do neoliberalismo de que “o crescimento econômico nos salvaria de todos e de tudo”. Mas no rescaldo da crise financeira de 2008, um crescente número de historiadores que estudam o que chamam de “capitalismo fóssil” começaram a sugerir que toda a história do rápido crescimento econômico, que começou um pouco antes do século 18, não é o resultado da inovação, mas simplesmente da descoberta dos combustíveis fósseis e todo o seu poder energético. Com o pico do petróleo, voltaremos a uma economia do “estado estacionário”. Além do mais, cada grau Celsius de aquecimento custa, em média, 1,2% do PIB. Os limites ambientais devem levar a economia global à estagnação secular.

Na oitava parte da matéria da NYMag, “Oceanos Envenenados, Sulfeto de hidrogênio e o esqueleto”, David Wallace-Wells declara que o mar se tornará um assassino. O nível do mar vai subir no mínimo um metro. Um terço das principais cidades do mundo estão na costa, para não mencionar suas usinas de energia, portos, bases da marinha, terras agrícolas, pescas, deltas de rios, pântanos e plantações de arroz. O naufrágio das benfeitorias é apenas o começo. No momento, mais de um terço do carbono do mundo é absorvido pelos oceanos – ainda bem, ou então teríamos muito mais aquecimento. Mas o resultado é o que se denomina “acidificação do oceano”, que, por si só, pode aumentar meio grau de aquecimento neste século. Há também o “branqueamento de corais” – isto é, morte de corais – que é uma notícia muito ruim, porque os recifes suportam tanto quanto um quarto de toda a vida marinha e fornecem alimentos para meio bilhão de pessoas. Acidificação dos oceanos frita as populações de peixes. Nas águas ácidas, as ostras e os mexilhões terão dificuldade em cultivar suas conchas. Quando o pH do sangue humano cai tanto quanto o pH dos oceanos, induz convulsões, comas e morte súbita. A absorção de carbono pode iniciar um ciclo de feedback em que as águas sub-oxigenadas produzem diferentes tipos de micróbios que tornam a água ainda mais “anóxica”, primeiro em “zonas mortas” do oceano profundo, depois gradualmente em direção à superfície.

Na nona parte da matéria da NYMag, “O Grande Filtro, nossa curiosidade atual não pode durar”, David Wallace-Wells pondera que não existe uma vontade de esclarecer os efeitos da mudança climática. Certamente essa cegueira não durará, pois, o mundo que estamos prestes a habitar não o permitirá. Em um mundo de seis graus mais quente, o ecossistema terrestre vai ferver com tantos desastres naturais. Os furacões mais fortes virão com mais frequência, e teremos de inventar novas categorias para descrevê-los.

Em síntese, o autor considera que é preciso avaliar melhor os danos já causados ​​ao planeta. A Terra pode ficar inabitável, pois são muitos os processos que estão afetando a capacidade de sobrevivência da humanidade. Provavelmente, a Terra não ficará desabitada, mas a qualidade de vida da população mundial poderá reduzir bastante em um Planeta degradado. O Holoceno garantiu 10 mil anos de estabilidade climática. O Antropoceno e a grande aceleração das atividades antrópicas estão desequilibrando o clima e transformando a biosfera em um habitat inóspito e inabitável.

Indubitavelmente, David Wallace-Wells conseguiu assustar muita gente. Mas, principalmente, conseguiu fazer as pessoas discutirem os cenários negativos para os quais o mundo está caminhando na medida que mantém o atual modelo de produção e consumo, sem respeitar o fluxo metabólico entrópico e os limites do meio ambiente.

Creio que vale a pena ler o artigo “The Uninhabitable Earth” e as centenas de respostas que foram publicadas logo a seguir. Para contribuir com a discussão indico abaixo algumas referências das pessoas que concordaram, aquelas que discordaram do tom, mas concordam com os perigos potenciais do aquecimento global e aquelas que discordam:

Artigos que defendem o uso de uma linguagem catastrófica como forma de alerta:

JOE ROMM. We aren’t doomed by climate change. Right now we are choosing to be doomed, 11/07/2017 https://thinkprogress.org/climate-change-doomsday-scenario-80d28affef2e

KEVIN DRUM. Our Approach to Climate Change Isn’t Working. Let’s Try Something Else. 10/07/20017

http://www.motherjones.com/kevin-drum/2017/07/our-approach-to-climate-change-isnt-working-lets-try-something-else/

Steve Rousseau. Did New York Magazine Make Its Climate Change Story Too Scary? 10/07/2017

http://digg.com/2017/nymag-climate-change-david-wallace-wlls

SUSAN MATTHEWS. Alarmism Is the Argument We Need to Fight Climate Change. New York magazine’s global-warming horror story isn’t too scary. It’s not scary enough, 10/07/2017

http://www.slate.com/articles/health_and_science/science/2017/07/we_are_not_alarmed_enough_about_climate_change.html

ROBERT HUNZIKER. Uninhabitable Earth? 14/07/2017

https://www.counterpunch.org/2017/07/14/uninhabitable-earth/

Ian Johnston. Earth could become ‘practically ungovernable’ if sea levels keep rising, says former Nasa climate chief, 14/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/earth-sea-levels-rising-nasa-climatechange-chief-jim-hansen-global-warming-melting-ice-antarctica-a7841026.html

Artigos que consideram sérias as ameaças, mas não defendem o uso de uma linguagem catastrófica:

ROBINSON MEYER. Are We as Doomed as That New York Magazine Article Says? Why it’s so hard to talk about the worst problem in the world, JUL 10, 2017

https://www.theatlantic.com/science/archive/2017/07/is-the-earth-really-that-doomed/533112/

Eric Holthaus. Stop scaring people about climate change. It doesn’t work. Jul 10, 2017

http://grist.org/climate-energy/stop-scaring-people-about-climate-change-it-doesnt-work/

Michael E. Mann, Susan Joy Hassol and Tom Toles. Doomsday scenarios are as harmful as climate change denial, 12/07/2017

https://www.washingtonpost.com/opinions/doomsday-scenarios-are-as-harmful-as-climate-change-denial/2017/07/12/880ed002-6714-11e7-a1d7-9a32c91c6f40_story.html?utm_term=.bbe40a9986d6

Michael Le Page. Uninhabitable Earth? In fact, it’s really hard to fry the planet. A controversial article says we’re heading for the worst-case warming scenarios. But while we can’t rule out extreme warming, it’s not our most likely future, 12 July 2017

https://www.newscientist.com/article/2140496-uninhabitable-earth-in-fact-its-really-hard-to-fry-the-planet/

JOHN TIMMER Climate scientists push back against catastrophic scenarios. In both the popular and academic press, scientists argue against worst cases. 12/07/2017

https://arstechnica.com/science/2017/07/climate-scientists-push-back-against-catastrophic-scenarios/

Ian Johnston. Climate change doomsday warning of ‘rolling death smog’ and ‘perpetual war’ criticised by scientists, Independent, 13/07/2017

http://www.independent.co.uk/environment/climate-change-doomsday-scenario-new-york-magazine-perpetual-war-rollnig-death-smog-critics-a7838991.html

David Roberts. magazine climate story freak you out? Good. It’s okay to talk about how scary climate change is. Really, 11/07/2017

https://www.vox.com/energy-and-environment/2017/7/11/15950966/climate-change-doom-journalism

Judith Curry. Alarm about alarmism, July 15, 2017

https://judithcurry.com/2017/07/15/alarm-about-alarmism/

Artigos contra o tom catastrófico e que acreditam que ainda há esperança

EMILY ATKIN. The Power and Peril of “Climate Disaster Porn”. Climate scientists say New York magazine’s cover story about global warming is unnecessarily apocalyptic. But can fear help the planet? July 10, 2017

https://newrepublic.com/article/143788/power-peril-climate-disaster-porn

Warner Todd Huston. NY Magazine Claims Planet Earth Will Soon Become Uninhabitable, Turns Into Giant Mess, 11/07/2017

https://www.youngcons.com/ny-magazine-fires-back-at-claims-its-global-warming-article-lacks-scientific-basis/?ref=FacebookPost

Rachel Becker. Why scare tactics won’t stop climate change. Doomsday scenarios don’t inspire action, 11/07/2017

https://www.theverge.com/2017/7/11/15954106/doomsday-climate-science-apocalypse-new-york-magazine-response

Oren Cass. Truth Is Just a Detail. Pundits invested in climate-change alarmism praise even shoddy work—as long as it comes to the right conclusions. July 11, 2017

https://www.city-journal.org/html/truth-just-detail-15316.html

ANDREW FREEDMAN. No, New York Mag: Climate change won’t make the Earth uninhabitable by 2100, 11/07/2017

http://mashable.com/2017/07/10/new-york-mag-climate-story-inaccurate-doomsday-scenario/#Wbc4Dd3xwPqz

Climatefeedback. Scientists explain what New York Magazine article on “The Uninhabitable Earth” gets wrong, 12/07/2017

https://climatefeedback.org/evaluation/scientists-explain-what-new-york-magazine-article-on-the-uninhabitable-earth-gets-wrong-david-wallace-wells/

Mark Tercek. Don’t Panic, Do Act: A Climate Resource With Real Solutions, 14/07/2017

http://www.huffingtonpost.com/entry/dont-panic-do-act-a-climate-resource-with-real-solutions_us_5968c5dde4b06a2c8edb45d6

Entrevista com David Wallace-Wells sobre o artigo “The Uninhabitable Earth”

REBECCA FISHBEIN Are Humans Doomed? A Q&A With The Author Of NY Mag’s Terrifying Climate Change Story`, 10/07/2017

http://gothamist.com/2017/07/10/climate_change_ny_mag.php

Wikipedia. The Uninhabitable Earth, 11/07/2017

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Uninhabitable_Earth

Referências:

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth. Famine, economic collapse, a sun that cooks us: What climate change could wreak — sooner than you think. NYMag, 09/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans.html

Versão revisada e comentada do artigo pelo próprio autor

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth, Annotated Edition. The facts, research, and science behind the climate-change article that explored our planet’s worst-case scenarios, 14/07/2017

http://nymag.com/daily/intelligencer/2017/07/climate-change-earth-too-hot-for-humans-annotated.html

[ES – PDF] Revista Movimiento y Muerte (Todas as Edições – All Editions)

A Revista Movimiento y Muerte é uma publicação sem periodicidade definida disponibilizada na web e editada desde a América do Norte dedicada a estudar a tendência egoísta anti-humanista e a fomentar estudos, análises e críticas contra a civilização e a humanidade moderna.

Atualmente está em sua primeira edição.

PRIMEIRA EDIÇÃO

DESCARREGUE em PDF: Link 1Link 2

O grupo terrorista ITS põe em xeque o Estado do México

El grupo terrorista ITS pone en jaque al Estado de México é uma reportagem do meio de comunicação mexicano Excelsior sobre ITS e as últimas ações recentes dos grupos eco-extremistas daquele país, incluindo do novo grupo A Conspiração do Trovão; alinhado, mas ainda não pertencente a ITS, de acordo com declarações públicas da organização eco-terrorista. A reportagem reconhece Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) como um grupo terrorista que opera à nível mundial. Se equivoca apenas ao atribuir a ITS o ataque ao Mall no Chile, já que de acordo com informações publicadas no portal do grupo a acometida foi realizada por outro grupo simpático ao eco-extremismo.

Individualistas Tendendo ao Selvagem têm presença global e se atribuiu dos ataques a municípios mexicanos, de acordo com os acontecimentos recentes.

Os artefatos que explodiram em diversos lugares no Estado do México nas últimas semanas são parte dos atos do grupo terrorista denominado Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS), que já é investigado pela Procuradoria Geral da República (PRG) por meio de áreas como a Polícia Federal Cibernética.

ITS têm presença global e perpetrou atos de terrorismo em países do continente americano, como o Chile. Em sua página htpp://maldicionecoextremista.altervista.org reivindicou em 28 de dezembro o ataque nas proximidades de uma praça comercial em Coacalco, ocorrido dois dias antes.

Seus membros declararam: “Por meio deste breve comunicado nos responsabilizamos pelo explosivo detonado nas imediações do centro comercial Power Center em Coacalco, Estado do México, em 26 de dezembro deste ano.”

“Abandonamos a bomba na passagem para pedestres às 20:00 horas. A detonação foi ouvida a vários metros ao redor e causou danos em uma das estruturas de concreto da passagem, sem que fossem registrados feridos, uma pena.”

“Nosso ódio misantrópico se traduz em feridas e terror para os humanos que se espalham por todos os lados com uma asquerosa ânsia de consumo desenfreado. Que se fodam TODOS!”

“Embora as autoridades ocultem nossas atividades, nós adiantamos que as bombas continuarão explodindo em lugares públicos durante estas datas, assim como demonstraram os cúmplices da Seita Pagã da Montanha e nós reiteramos.”

“Força para os irmãos de ITS-Brasil, que neste momento estão na mira do Estado brasileiro e suas agências de segurança! Que o Desconhecido os cubra com seu manto de impunidade! Porque nada humano detém o Selvagem!”.

Em Ecatepec

E, de fato, a série de atentados à bomba continuou: em 13 de fevereiro um artefato explodiu na capela do Santíssimo da Catetral de Ecatepec; horas antes o exército mexicano evacuou usuários e funcionários do palácio municipal de Jaltenco ante uma alegada ameaça de bomba.

No dia seguinte, foi interceptado outro explosivo com temporizador colocado em uma banca no Power Center de Coalcalco e no dia 15 foi localizada outra bomba no banheiro masculino no terceiro andar do Plaza Mundo “E”, em Naucalpan. Nos tribunais deste município a polícia evacuou 600 pessoas por um falso alarme ao encontrar uma granada de brinquedo nas imediações das instalações.

Em 22 de fevereiro foram queimadas duas unidades articuladas do Mexibús poucas horas depois de um falso alarme de bomba no centro comercial Las Américas, em Ecatepec. Este fato provocou o pânico na vizinhança porque perto do local está localizado um posto de gasolina. Investigações apontaram que o incêndio das unidades possivelmente foram causadas por bombas molotov. Em todos estes casos, não houveram detidos.

De acordo com versões reunidas de fontes da Procuradoria Geral da República (FGR) em sua delegação no Estado do México, foram iniciadas diversas investigações, que já estão sobre a mesa do chefe da unidade, Alejandro Gertz Manero.

Apesar da frequência destes eventos e das reivindicações por parte de ITS, as autoridades mantiveram certo sigilo sobre o que aponta para uma série de atentados terroristas que certamente não são novos no México.

Resposta Oficial

A secretária de Segurança do Estado do México, Maribel Cervantes, indicou que, por enquanto, há três linhas de investigação na PGR, e poderia se tratar de um grupo delinquente, grupos anarquistas ou grupos ligados a uma organização internacional (ITS) da qual as autoridades tanto locais como federais preferiram ocultar sua presença.

Em outubro de 2016 a comissária do Instituto Nacional de Transparência, Acesso à Informação e Proteção de Dados Pessoais (INAI), María Patricia Kurczyn Villalobos, exortou a Procuradoria Geral da República (PGR) a buscar e divulgar o nome dos grupos terroristas baseados no país, as organizações nacionais ou transnacionais a que pertencem, bem como crimes ou atentados provocados no/ou a partir do México.

Ao levantar a questão perante o INAI, destacou que implicava numa importância especial para a segurança do país e do mundo. O terrorismo, advertiu, é um fenômeno caracterizado pela tragédia e o sofrimento gerado individualmente, coletivamente ou socialmente.

E formou sua opinião com dados duros: “Segundo o Índice Global de Terrorismo de 2015, elaborado pelo Instituto Para a Economia e Paz, nesta área, o México ocupa o lugar 44º numa lista de 162 países, principalmente pelo impacto de nosso país na relação com o Estados Unidos e a América Latina”, disse Kurczyn Villalobos.

Através da Plataforma Nacional de Transparência (PNT) foram solicitadas informações à PGR. Através do Gabinete Especializado em Investigação do Crime Organizado (SEIDO), a Unidade Especializada em Investigação do Terrorismo, Recolha e Tráfico de Armas; da Agência de Investigação Criminal; o Centro Nacional de Planejamento, Análise e Informação Para o Combate ao Crime e da Direção Geral de Comunicação Social, a agência se desculpou com o solicitante ao responder-lhe que, após uma busca em seus arquivos, base de dados físicas e eletrônicas, “não localizou informações que atendam às características requeridas”.

Ataques Anteriores

É provável que os funcionários da PGR buscaram não criar pânico entre a população e decidiram ocultar suas informações sobre o assunto, já que de 2014 a 2016 tinha registrado em seus arquivos sobre atos de grupos anarquistas e terroristas um total de 31 atentados em diversos estados do país. Em 2017, o número subiu para 38 casos.

Alguns dos grupos detectados nas pesquisas da PGR foram: O Comado Feminista Informal de Ação Antiautoritária; o Grupo de Individualidades Anárquicas Informais e FAI/FRI; as Células Insurrectas Poucos, Mas Loucos e FAI/FRI; a Célula Incendiária Caninos Negros e Federação Anarquista Informal (FAI) – Frente Revolucionária Internacional (FRI); as Células de Ação Informal Punky Maury – FAI/FRI; a Frente de Libertação da Terra; o grupo BAIBF; as Células Incendiárias Lobos Negros – FAI/FRI e Mario Buda – FAI/FRI; a Brigada de Ação Informal Bruno Filippi; o Grupo Selvagem de Ação Pela Terra, entre outros.

Dependências

Os alvos de seus ataques foram os mesmos órgãos do governo, como instalações bancárias e escritórios de empresas privadas como Telmex, e ocorreram principalmente em locais como Oaxaca, Cidade do México, Jalisco, Estado do México e Quintana Roo. Na lista não aparecia o agora ativo ITS.

Em outubro de 2016, o Centro de Investigação e Segurança Nacional (CISEN) relevou que nos últimos dez anos, grupos anarquistas, extremistas e eco-terroristas haviam realizado 306 atentados, especialmente na Cidade do México. Somente em 2016 foram registrados 36 ataques, conforme estabelecido em uma solicitação de informações por meio da PNT.

De fato, a agência de inteligência estabeleceu o ano passado como uma das prioridades na Agenda Nacional de Riscos para o perigo representado pelo terrorismo internacional. Até os últimos seis anos o CISEN estava encarregado de preparar esta agenda que fazia com o feedback e acordo mútuo com os titulares de outros órgãos que integravam o Conselho de Segurança Nacional, como o Presidente da República; os secretários da Defesa Nacional, Marinha, Relações Exteriores, Função Pública, Comunicações e Transporte, Finança e Crédito Público; bem como o Comissário de Segurança Nacional, o Procurador Geral da República e o próprio diretor geral do CISEN. Agora será importante perguntar ao novo governo como esta agenda será integrada.

Em outros de seus comunicados reivindicando outro atentado, mas no Chile, os membros de ITS delineiam parte de sua doutrina:

Ataque no Mall Florida Center no Chile

“Acreditamos que o Anarquismo, pelo menos aqui e agora, deve ser antissocial, renunciar a “alcançar o povo”, dado que a própria sociedade com sua visão antropocêntrica e sua moral são inimigos nossos. Os cidadãos estão do outro lado da barricada, com seu conforto e consumo, defendendo o artificial. Saibam que não lamentados se nossos feitiços firam alguém, se os terremotos e tsunamis afetam a mais pessoas. Não pretendemos solucionar problemas, mas criá-los. Somos parte das forças do caos pandimensional. Rumo a todas as direções”, disse ITS.

Mundo perdeu 60% dos animais selvagens em 40 anos, alerta estudo

Relatório da WWF apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais sobre os ecossistemas e a biodiversidade da Terra.

De Exame:

São Paulo – A biodiversidade planetária está ameaçada. Populações globais de animais selvagens diminuíram em média 60% em pouco mais de 40 anos, de acordo com o relatório “Planeta Vivo 2018”, da organização não governamental WWF (World Wildlife Fund).

O relatório apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais na vida selvagem, florestas, oceanos, rios e clima. Ao mesmo tempo, chama atenção para a curta janela de tempo para ação e a necessidade urgente de adoção em larga escala de novas abordagens para a valorização, proteção e restauração da natureza.

O estudo reitera a ameaça já sublinhada no recente relatório do Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC): estamos no meio de uma crise planetária causada por atividades humanas e estamos fazendo pouco para mudar a rota.

O que está causando a perda global de espécies?

A degradação ambiental e perda de habitat devido à agropecuária e à superexploração de espécies continuam sendo as maiores ameaças à biodiversidade e ecossistemas terrestres e marinhos em todo o mundo. Segundo o estudo, apenas um quarto das terras do Planeta estão livres dos impactos das atividades humanas e esse número deverá cair para apenas um décimo até 2050.

Essas ameaças são particularmente evidentes nos trópicos, resultando em uma perda mais significativa da vida selvagem nessas áreas, principalmente nas Américas Central e do Sul, onde a redução chega a 89% desde 1970. No caso do Brasil, ainda somos a maior fronteira de desmatamento do mundo — perdemos 1,4 milhão de hectares de vegetação natural por ano.

Nos últimos 50 anos, 20% da vegetação da Amazônia já desapareceu. Especialistas indicam que se o desmatamento total alcançar 25%, esse bioma chegará ao “ponto de não retorno”, podendo entrar em colapso.

O relatório aponta também a região do Cerrado como uma das maiores frentes de desmatamento no mundo. Além das perdas para a biodiversidade, o desmatamento no bioma põe em risco a segurança hídrica do país, uma vez que as águas que nascem no Cerrado alimentam seis das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras e alguns dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo.

Outra ameaça crescente é a mudança climática, que afeta ecossistemas e espécies, e que pode dobrar a curva da perda de biodiversidade até o final do século. A mudança de uso do solo, principalmente o desmatamento, é o maior fator de emissão de gases de efeito estufa do Brasil, contribuindo assim para o aquecimento global. Entre 1990 e 2013, a mudança de uso do solo foi responsável por 62,1% do total de emissões do país, segundo o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Withered Green Anarchism

Withered Green Anarchism é um articulado texto crítico ao “anarquismo verde” escrito por Lyokha para a publicação francesa La Mauvaise Herbe vol.17 no.2.

“No one cares about them anymore around here, why don’t you just let them wither away in impertinence?” asked a good friend who identifies as an anarcho-primitivist.

Anecdotal perhaps, but I couldn’t help but remember a very successful event on radical ecology which I attended not so long ago. It was a well-prepared conference, by an anarchist who knew his shit. To a crowded room of young enthusiastic radical students, during a segment devoted to anarcho-primitivism, the whole discourse on equality, direct democracy, and even the 15-hour-workweek-which-feels-like-play-anyway was conveniently served. [1] At least he didn’t start talking about telepathy or telescopic vision. I remember it made such a good impression that a coordinator from the College where the event was taking place approached the Mauvaise Herbe, who were on place distributing publications, to see if they would eventually come share their positive message with the youths. They gave her a few Mauvaise Herbe to read and I think she changed her mind.

But it’s true that we don’t hear much about the Green Anarchists around here. Yet, in my conversations and in what I often hear from the “anti-civ” discourse, here as much as elsewhere, are the same reflexes I know all too well, the same references, the same premises, and the same ends. The humanistic-hedonistic discourse on primitive life has become mainstream in the milieu. In complacency, the speculations of some have become facts for others. Anarchists in general have never strayed too far from progressivism, they feel at home, at ease with it. Those who have chosen to deviate from it through their words and actions have always come up against the churches guiding the paths of “struggle”. It’s almost come to a point where one should profess their faith with each statement, each action.

For many now, in these moments of clashes, to put the rhetoric of social cohesion into question is to revel in “fascism”. While the anarcho-cybercops of the insurrectionally righteous make calls for witch hunts, it is to all their Inquisition that I dedicate these provocations.

Green is the new red

“This ideological view of our past has been radically overturned in recent decades, through the work of academics like Richard Lee and Marshall Sahlins. A nearly complete reversal in anthropological orthodoxy has come about, with important implications. Now we can see that life before domestication/agriculture was in fact largely one of leisure, intimacy with nature, sensual wisdom, sexual equality, and health. This was our human nature, for a couple of million years, prior to enslavement by priests, kings, and bosses.” -John Zerzan, A Future Primitive

We are of an era disillusioned with the promises of progress. It did not bring the promised utopia. Progressives are no longer necessarily those who had promised us that “the machine will work for man!”, those who more than a century ago had already announced the same “leisure, intimacy with nature, sensual wisdom, sexual equality and health” thanks to human and technical development… they are now rather those who are worried about the crises it generated, those who follow the newswire of the unfolding apocalypse – the ecological disaster and the planetary civilization in total decadence.

But some still won’t lose hope in humanity, and the possibility that provided a new universal consciousness, it can impel a culture of resistance of nomadic hunter-gatherers who will carry all the humanism that 20th century anarchism has inherited!

And, it is in this sense that an essential work of the anarcho-primitivist canon like A Future Primitive is an exercise in seduction, with its critique of civilization and praises of primitive life geared towards pleasing those humanistic sensitivities left disappointed by the consequences of modernity.

Therefore, it draws most abundantly from the anthropological works of a certain period when attempts were made to break the myth of a brutal primitive life with bold statements on leisure and egalitarian aspects, more attractive to the modern civilized – works from anthropologists who wanted their field to fuel social debates.

In an essay dealing with the legacy of Marshall Sahlins’ acclaimed work quoted by Zerzan, The Original Affluent Society, anthropologist Nurit Bird-David reminds us that “The general interest in it no doubt reflected our symbolic and ideological needs and our (Western) construction of the prehistoric past. […] Intended to provoke as well as to document, the essay soared beyond conventional scientific discourse, appealing directly to Western fantasies about work, happiness, and freedom.” [2]

For many of those who identify with anarcho-primitivism or with a certain Green Anarchism, the life of nomadic hunter-gatherers of the paleolithic represents anarchism as lived by humans for millennia. Some will even call it Primal Anarchy. In this original utopia, this anarchist Garden of Eden, they see our true “human nature”. Thus, in their propaganda, to an audience inclined towards anarchism, with its progressive-humanistic values, they praise primitive life according to how anarchistic it appears.

This selective reading of anthropology has become widespread among anarcho-primitivists and has influenced many other anarchists (including stirnerians and nihilists). It reduces primitive life to generalizations about presumed essential traits – egalitarian, collectivist, anti-oppressive, hedonistic, ecological and anarchistic traits. The relevance of primitive life becomes its representation of these values.

Wild behaviors who do not fit-in are either dismissed as unimportant when they are not simply ignored, or they are treated with much suspicion, assimilated to the effects and consequences of civilization (syncretism, encroachment, misinterpretation by the civilized, etc.), while behaviors that sit well with progressive values never receive the same questioning or suspicion, let alone those values ​​themselves. The result is an interpretation of the hunter-gatherer way of life as a model of progressive society par excellence, with the immediate-return hunter-gatherer as its purest representative.

In socialist tradition, indigenous cultures have no importance other than folkloric recuperation, since they are all reduced to their proletarian aspects: socialist adventures in Latin America have left us a clear testimony of this. Where the proletarian experience lacked, it was instated with great strides of progress, in the name of humanism, finishing off already decimated indigenous cultures to integrate them into the great brotherhood of men. Is it not somewhat in this tradition that today many anarchists of various tendencies project their ideology on the ways of the ancients by presenting them as anarchistic, as practitioners or examples of anarchism? We can pick and choose what suits the current narrative and the anarchist steamroller can run over the rest. How civilized.

What we can learn from anthropology and archeology about the life of groups of nomadic hunter-gatherers over time is that it seems far from homogeneous. If we want to find progressive behaviors, like the ones I named, we will find some. If one wants to look for behaviors of a completely opposite spectrum, one will also find them: ideologues will find what they’re looking for.

But it’s precisely this variability that seems relevant to me. The wild calls into question the entire narrative on human nature, all our domestication. This includes all the more our humanist inclinations essential in impelling the necessary social progress for the continuation of development.

Humans in relationship with an infinity of factors and tangents, over thousands of years – an infinity of lived situations, and therefore, a diversity of reactions, adaptations, ways of conceiving and acting. These characteristics make it difficult to simply transpose the ways of one group to another. For a way of being to be reproducible from one group to another, it is better to replace the variables by a homogeneous and controlled environment, and this is what progress does.

If in primitive life we like to see the reflection of values which are familiar to us, such as cooperation, collectivism, equality, love of neighbor, sharing, and tolerance, values we have been taught since childhood, should we not ask ourselves where they lead us in our current situation? Context changes everything.

This idyllic representation of primitive life is especially misleading since the collapse of civilization is far from being the same as the paleolithic period. Earth is already no longer the one where nomadic hunter-gatherers flourished, and who knows in what inhuman state it could become during a collapse of civilization and thereafter.

Even with the bait of utopia, to what extent would those who want the good of humanity be able to desire and act upon the collapse of civilization, possibly precipitating this humanity towards the abyss?

“We Have Seen the World We Want to Live In, and It Is Worth Fighting For” [3]

“Anarcho-primitivism is an allegiance to a specific human adaptation to life on this planet, a way of life which all known evidence shows us has endured sustainably and in intimate relationship with wild ecology for eons longer than any other. With this objective knowledge in hand, anarcho-primitivists will maintain our human agency and use it to take the types of actions we deem most effective and to simultaneously create the types of societies WE WANT to create. That is our prerogative.” -Choloa Tlacotin, A Letter to: “Halputta Hadjo”

Above all, it is the prerogative of the hypercivilized.

It is indeed the deeply civilized who, from the comfort of abstraction, can, in the blink of an eye, draw inspiration from James Woodburn’s principles of egalitarian hunter-gatherers as a rule of life; then, admire the warrior peoples who waged war against the civilized in North America; and finally, to marvel at the endurance that humans have been able to develop in difficult conditions, “like the Ona [Selk’nam]” in the Firelands. [4] They are agents of progress those who believe they can isolate what suits them in the database so to construct their ideal world worth fight for. Don’t come and present this to me as undomestication or whatever other bullshit.

Man has dedicated all the power of progress to try and control his destiny, and he still hasn’t succeeded. Anarchists, being the stubborn civilized they are, believe they can control the result of their actions by the will they put into them. Yet many of them know well that things do not always go according to plan (social strikes ending in general elections, things that explode at the wrong moment, etc.). Throughout history, all those who tried to create the society they wanted have failed, but the super anarchists will surely succeed…

But after all their efforts, would it be possible for example, that a few generations later the descendants of the anarcho-primitivists – rewilded children, hunter-gatherers rooted in the harsh landscapes of the predicted downfall of civilization – also become as resolutely patriarchal as the Selk’nam, whose cosmovision established very explicitly a division of the sexes and the spiritual and social domination of women by men? [5] (but this small detail that the Green Anarchists omitted in their publication, of a people for whom they expressed admiration and whose loss they lamented, it probably would’ve gone down badly with the Anarchist Book Fair.)

In any case, those with children should know there’s no guarantee they listen to our warnings. And anyway, I have the impression that the hypothetical wild children of the future primitive probably wouldn’t give a shit about the moralizing rhetoric of an old civilized ideologue who knows fuck all about their daily lives.

Hope, it’s better than nothing?

Hope has become quite a popular concept among Green Anarchists in recent years. Zerzan has dedicated one of his last books to it, Why Hope? The Stand Against Civilization, and with his disciples and collaborators, in their Black and Green Review publication, they have devoted constant attention to oppose their hope to what they consider an endemic nihilism contaminating anarchists.

In his editorial of Black and Green Review 4, Kevin Tucker tells us with a straight face how the absence of a journal published by the Green Anarchists “has led anarchists into the cul-de-sac of nihilistic terrorism and egoist soul searching. In that trajectory, anarcho-primitivism is a lightning rod for having the audacity to stand for something: to have staked our claim on seeing a world that is worth fighting for and defending. To want to build communities of resistance, support those that are and have been resisting civilization’s advances and to refuse the domestication process as it seeks to tear us from the wildness that runs through all life.”

For them, young Padawan, the despair these nihilists foment leads either to conformist navel-gazing, or to criticize or attack anyone and anything: their words and actions lead to nothing… And hope is better than nothing! …Is it not?

If it worked well for Christians, for Obama, and for the rebels in Star Wars, why not for the anarcho-primitivists of Oregon too?!

Not convinced to vote for hope? At the end of an interview with The Telegraph proudly posted on his website during the promotion of Why Hope?, Zerzan shares with us what so inspires him:

“Strangely, this is a good time to be an anarcho-primitivist,” says Zerzan. “We’ve never had more technology than now, and it’s coming out faster than ever. But that’s exactly why I think people will start pushing back. They are beginning to see that technology doesn’t deliver on its promises. So I’m hopeful. I’m very hopeful.”

To which the interviewer concedes:

“I too dislike technology sometimes. Like when my internet doesn’t load up quickly enough. And I’m generally convinced I’d be happier without being constantly connected, although I never seem to do much about it.” [6]

Surely, it’s because she hasn’t read the latest Black and Green Review yet.

And throughout Why Hope?, it is always that same answer: it is in the advent of a rewilding anti-civ mass movement, prepared for the imminent fall of civilization to which it will participate, that one must have hope for and invest themselves in with others.

“It won’t be easy but if a growing number becomes involved in such a move the ways and means can be found. I think that a growing number may be feeling the need for such a new direction.

We will figure out our paths when our goals can be seen and discussed. As we find each other, the necessary public conversation will begin and the effort to go forward together may ensue. No guarantees, but worth the liberating journey!” -John Zerzan, Why Hope?

That’s some solid shit right there. Anyone willing to bring down the whole power grid because Zerzan has some kinda good feeling, and we’ll see what happens?

But a movement carried by common sense and the hope of being the future of liberated humanity? How original! Nothing to reinvest Leviathan…

And if there was no fall of civilization? Let’s say there is never a transition to a primitive way of life, neither voluntarily nor by force of circumstances, that civilization overcomes what we believe to be insurmountable and transcends. There are firms, labs, universities and legions of ambitious nerds around the world working on exponential breakthroughs to meet the challenges of progress in the name of humanity. But yes, the triumph of progress is hypothetical, just as is a primitive future… and hope is nothing more than a question of faith.

“But if we are willing to make that perceptional change, to learn to embrace the coming age of nomadism, to see beyond ourselves and to empower ourselves through taking part in something much larger and more magnificent than our own lives, then we have the world to gain from it.” -Kevin Tucker, Means and Ends, Black and Green Review 4

Is the survival of humanity or of all life on Earth what generates and motivates my desire to see civilization annihilated (even if, among hypothetical scenarios, it is possible that civilization drags the entire biosphere with it in its fall)?

Does my disgust for civilization depend on a hypothetical future?

It is the everyday life, the overwhelming and suffocating presence of a humanized world, which disgusts me and weighs on me, and I do not feel any need to justify this feeling and this instinct by catastrophist theories or higher interests. Call me a rotten nihilist!

The world does not need a new liberatory ideology as much as it needs to get rid of what makes it possible to transmit an ideology on a large scale… unless it is one which corrupts the minds of the civilized causing them to spiral down into such disruption, such antisocial disorder, such self-destructiveness, that global stability and ultimately the very functioning of society is seriously jeopardized.

Death to civilization and to all human progress!

-Lyokha

Notes:

[1] This referenced number of working hours originated from speculative studies in the early anthropological works of Richard Lee and Marshall Sahlins. Since then, the data from these studies has been contested in the field, and Richard Lee himself has long recognized some of its flaws. The current general consensus towards hunter-gatherers is an average 30 to 40 hour workweek, but there`s still much debate about what should be considered work.

See: Elizabeth Cashdan, Hunters and Gatherers: Economic Behavior in Bands;Richard Lee, The Dobe !Kung; David Kaplan, The Darker Side of the “Original Affluent Society”.

[2] Nurit Bird-David, Beyond “The Original Affluent Society.” Current Anthropology 33:25-47

[3] A sentence which Green Anarchist like to use in their writings. Although, while they’re fighting for their world against civilization, if someone gets hurt it wasn’t their intention, ok?

[4] Four Legged Human, The Commodification of Wildness and its Consequences, Black and Green Review 1
Four Legged Human, The Wind Roars Ferociously, Feral Foundations and the Necessity of Wild Resistance, Black and Green Review 4

Green Anarchist denounce without hesitating those who draw inspiration from non-egalitarian societies in their confrontation with civilization if they haven’t pledged allegiance to their ideology. See Choloa Tlacotin, A Letter to: “Halputta Hadjo”. But a Green Anarchist, thanks to his superior knowledge and his greater intentions, can pick and choose whatever he pleases in the anthropological database.

[5] Anne Chapman, Economic and Social Structure of the Selk’nam Society
Anne Chapman, The Moon-Woman in Selk’nam Society

[6] As technology swamps our lives, the next Unabombers are waiting for their moment, Jamie Bartlett, The Telegraph, May 13th, 2014

[DOCUMENTÁRIO] Terra

Terra é um deslumbrante documentário que relata a rica diversidade da vida na natureza selvagem em suas mais diversas manifestações desde os primórdios. A produção que faz um paralelo entre passado e presente narra e ilustra a evolução da espécie humana junto a outras e como nossa espécie chegou ao atual estado de inconsciência capaz de atirar ao abismo toda a vida na Terra através civilização e do progresso.

Antes o que era só mais uma espécie dentre milhões acabou por fazer com que o mundo girasse em torno de si em detrimento de todas as outras, ela se alienou de seu ambiente natural e criou para si um terreno estranho e doente, capaz de contaminar e adoecer a todo o resto. Terra é sobre isso, sobre as características deslumbrantes da natureza selvagem e a capacidade catastrófica da espécie humana para destruir a sua existência e a de outras espécies engolidas por um extincionismo abismal.

Por mais que o final do documentário advogue por um otimismo tolo com a mensagem barata de “vamos nos juntar para fazer algo e mudar o rumo da civilização”, como se não fosse a própria civilização e o seu progresso o problema, a produção narra e cobre belos momentos no mundo selvagem, ela é capaz de despertar ira. Tola em alguns, extremista a outros.

Você pode assistir o documentário dublado em português logo abaixo, mas se quiser, pode também baixá-lo neste link.

Animais estão se tornando mais noturnos para evitar os humanos

Espécies diurnas de todo o planeta aumentaram sua atividade durante a noite, quando há menos presença humana.

Um grupo de javalis procura comida numa rua de Barcelona. Laurent Geslin

De El País:

Animais que há milhões de anos exercem hábitos diurnos estão trocando o dia pela noite. Sejam grandes ou pequenos, de floresta ou de savana, predadores ou presas, em todo o planeta as espécies estão transferindo a maior parte da sua atividade para o horário noturno. Um amplo estudo aponta a expansiva presença humana como a causa de dessas mudanças que podem transtornar a dinâmica de ecossistemas inteiros.

O impacto dos humanos sobre a vida selvagem tem muitas arestas. A mais evidente é a redução do espaço disponível para os animais à medida que a espécie humana foi se expandindo pelo globo. Além disso, esses espaços naturais são cada vez mais reduzidos e esquartejados, e sua qualidade se reduz a cada nova infraestrutura que os cerca. Uma das consequências de tudo isto é que os animais se movem cada vez menos nas zonas com presença humana e se refugiam em áreas cada vez mais diminutas. Mas há outra forma de se esconder das pessoas: só sair quando elas vão dormir.

Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos comprovou o caráter global dessa translação da vida animal para os horários em que o grande predador diurno descansa. Reunindo os resultados de dezenas de estudos sobre os movimentos de 60 espécies de mamíferos nos cinco continentes, os cientistas comprovaram que onde há uma perturbação humana os mamíferos têm 1,36 vez mais atividade noturna, em média. Isto significa que um animal que, sem perturbações, distribuiria em partes iguais suas atividades entre o dia e a noite aumentaria sua atividade noturna em até 68%.

“Há indícios de que animais de todas as partes estão ajustando seus patrões de atividade diária para evitar os humanos no tempo, já que é cada vez mais difícil para eles nos evitar no espaço”, diz a autora principal do estudo, Kaitlyn Gaynor, da Universidade de Califórnia em Berkeley (EUA). “Como as pessoas são mais ativas durante o dia, os animais estão passando para a noite”, acrescenta. Essa mudança se produz seja no caso de herbívoros ou grandes carnívoros, como o tigre. O padrão se repete tanto nos mamíferos menores, como o saruê, como em alguns que chegam a pesar mais de 3,5 toneladas, como o elefante africano.

O mais chamativo dessa análise, publicada na revista Science, talvez seja que os animais estão se tornando mais noturnos independentemente do nível de perigo que os humanos representam. “Esperávamos encontrar uma tendência de aumento da atividade noturna nas proximidades dos humanos, mas nos surpreendeu a consistência dos resultados. Os animais respondem a todos os tipos de perturbação humana, sem importar se realmente representam uma ameaça direta”, acrescenta.

O trabalho de Gaynor se baseia em dezenas de estudos que usaram diversas técnicas de rastreamento dos movimentos dos animais (balizas, colares com emissores de rádio, GPS, armadilhas fotográficas e observação direta) diante de um leque de presenças humanas, de excursionistas a caçadores, passando por campos de cultivo e estradas. Um desses estudos rastreou uma espécie oportunista, a raposa, pelas terras de Castela-La Mancha (centro-sul da Espanha), numa série de entornos de menor (parque nacional de Cabañeros) ou maior presença humana (arredores de Ciudad Real).

“Embora seja um animal crepuscular, quanto mais perturbação humana havia, mais a raposa tendia a reduzir sua atividade diurna”, diz o biólogo Francisco Díaz, da Universidade de Málaga, e coautor daquele estudo. Para as raposas mais noturnas, produzia-se um desajuste temporal com sua principal presa, o coelho, eminentemente diurno. Por sorte delas, as raposas estão entre os animais que melhor se adaptam ao meio. “Mas há outras espécies com milhões de anos de adaptação a uma conduta diurna que não são tão plásticos”, recorda Díaz.

As consequências dessa mudança de tantas espécies para a noite ainda são incertas. Em princípio, pareceria que deixar o dia para os humanos facilitaria a coexistência deles com os animais. Mas uma mudança tão generalizada e rápida de padrões de atividade moldados durante milênios pode alterar todo um ecossistema. “No caso dos predadores não adaptados a caçar de noite, poderia ocorrer um aumento da população dos ungulados que eram suas presas, o que afetaria a disponibilidade de cobertura vegetal, produzindo um efeito em cascata”, comenta a pesquisadora Ana Benítez, da Universidade Radboud, da Nijmegen, nos Países Baixos.

Para a ecóloga espanhola, que também investigou os diferentes impactos humanos sobre a vida animal, o mais relevante desta pesquisa é que ela confirma uma hipótese exposta nos anos 1960 pelo biólogo Fritz R. Walther: “Os animais respondem igualmente perante os humanos, sempre nos veem como predadores”, comenta. Isso leva a questionar se o impacto de um caçador pode ser o mesmo que o de um excursionista amante da natureza. Para Gaynor, sua pesquisa “sugere que basta a nossa mera presença para interferir nos padrões naturais de conduta”.

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference

Paper On Decolonial Violence and Eco-Extremism For 2018 ASN Conference é um artigo escrito por Julian Langer do blog Eco-Revolt e Feral Culture que foi apresentado em 13 de Setembro de 2018 durante a Anarchist Studies Network Conference, na Universidade de Loughborough. Neste denso texto o autor aborda a posição moralizante da esquerda (incluindo os anarquistas) em torno da “violência” que é abordada amplamente e como o eco-extremismo ultrapassa esta barreira.

On September the 13th I presented this paper at the Anarchist Studies Network Conference, at Loughborough University. This was written to be spoken and I haven’t edited it to make it any more readable.
*
Pessimist political theorist Jacques Camatte, whose writings after his years of being a Marxist theoretician influenced anarchist discourse at the time – in particular the anarcho­primitivist wing – stated in his work Against Domestication that – “There are others who believe they can fight against violence by putting forward remedies against aggressiveness, and so on. These people all subscribe, in a general way, to the proposition that each problem presupposes its own particular scientific solution. They are therefore essentially passive, since they take the view that the human being is a simple object to be manipulated. They are also completely unequipped to create new interhuman relationships (which is something they have in common with the adversaries of science); they are unable to see that a scientific solution is a capitalist solution, because it eliminates humans and lays open the prospect of a totally controlled society.”

It seems abundantly obvious that we live amidst a great deal of violence and that violence and the need to end it is the dominant theme within the narrative we are located within. The violence of rape culture; the violence of racial and colonial oppression; the violence of ISIS, Islamists and the international forces against them; the violence of Russia, North Korea and the USA; the violence of school shootings in America; the violence of mass stabbings from gangs in London; of bombs, cars, guns, knives and penises. Many acts of violence are spoken of less; the violence of animal traps; the violence of chainsaws; the violence of dehabitation to develop an area, or to grow industrial monocultures of crops, to feed a growing population.

Within radical discourse, particularly that of the anarchist tradition, we generally have somewhat of a strained relationship with violence. My wish here is to identify a theme within our discussions which often gets over looked – this theme is one regarding interiorisation and exterioisation, under the gaze of an big-­Other. I will focus this within contemporary discourse around decolonial, anti-­colonial and eco­-extremist activities. This will also involve, in the later part of this paper, an ontological assertion, regarding what violence actually is.

Last year the Chilean indigenous anti­-colonial organisation Fight Of The Rebel Territory, in a single action, burned down 29 logging vehicles. Between January andMay 2016 the group committed 30 similar acts of property damage, in defence of the land they live upon, the forests and the wildlife. Similarly, MEND, the Movement for the Emancipation of the Niger Delta, an armed militant organisation of loose cells engaged in guerrilla warfare against oil companies, have blown up pipelines, attacked oil fields and kidnapped oil workers, as part of their anti­-colonial activities.

As voices for the English speaking radical environmentalist and anti­-colonial milieus, groups like Earth First! and Deep Green Resistance have spoken out in support for these groups, and others like them, seeking to legitimise them, within the context of radical discourse. This involves undergoing a process that Deleuze and Guattari called territorialisation, where a process of interiorisation brings these groups into the structure of particular machine. This brings these groups into the space of moral­ acceptablity, within a left­-wing oriented moral framework. From this, these actions, the activities of these groups, and similar others, become part of the narrative of left­ wing radical politics, regarding the progress of civilisation and history. They become characters within the chapters preceding the “revolution” and, in a similar way to that being described by Camatte in the quote I stated earlier, they are viewed as passive objects to be scientifically manipulated. As characters within the metadrama they reside within, they are allocated an identity that functions entirely as a symbolic signifier for an Other, who stands as the parental superego, granting their struggles as legitimate, like God determining who is going to heaven, or rather who will not be thrown into the gulag, even the anarchist one, after the revolution – interiorised – and who will be cast into hell, or the gulag, again, even the gulag
constructed by anarchists – exteriorised.

This is also the case in decolonial struggles that aren’t necessarily connected to eco-radical struggles, such as the Palestinian struggle against the violences of Israel, where unarmed protestors are painted as “innocent” by pacifist Leftist organisations that use their struggle as a platform for their own, with the implication being that armed Palestinians, such as Hamas, are legitimate targets for statist colonial violence.

While the organisations leaders, who might be educated in the western philosophies of Marxism, anarchist, etc., might embrace this ideological trajectory, I think that, in actuality, outside of this interiorisation, those individuals who are actively engaged in the actions of these organisations and similar ones; they do not care about progress, history, capitalism or any of that. They care about the forests, lands, wildlife, rivers and world that they are immersed in and live as Extensions of.

This machinic enframing functions, in the way Heidegger describes regarding technology and enframing, whereby, as objects, symbols and characters of a technological description, they fit within the mode of human existence stated before, that of the lef-t­wing ideological narrative, dehumanised, inanimate and un­-animal.

Now I want to turn to something that might seem in many ways entirely opposite, but I argue stems from the same narrative I have been describing here. To do this though, I’m going to do a short bit of history.

Ted Kaczynski’s 17 ­year bombing campaign is arguably the most successful campaign of its type. As the Unabomber, Kaczynski sent 16 bombs, to various locations within the USA. It was only after the publication of his manifesto, Industrial Society and its Future, that his motivations became clear and he captured. The work is a brilliantly articulated critique of technological society, which includes a critique of Leftism, which I will not go into here, as it is not necessary for this and would take up too much space. I only acknowledge it for its relevance for what I am about to go into.

Kaczynski’s influence, regarding the anti­-colonial space, is particularly noteworthy, regarding the post­-anarchist nihilist­-terrorist movement called Eco-­Extremism. Growing out of dark­net nihilist­-anarchist anti­-civ discussions, and almost entirely located within Southern and Central America, from indigenous anti­-civ individuals, with only a few cells within Europe, this movement is one that has actively sought to exteriorise themselves from the left­-wing narrative and machine.

In their anti­progressive anti­meliorist activities, the group which is the most vocal proponent of Eco-­Extremism, Individualists Tending Towards the Wild (translated from Spanish), ITS (as the S stands for savagery), focused their early activities on, like Kaczynski, bombing university institutions, such as nano-­technology laboratories; before moving onto their famed, through moral disgust, indiscriminate killings, in the name of Wild Nature.

In case you are unfamiliar with the group, I’d like to state here quotations from their earlier communiqués –

1. “Civilization is collapsing and a new world will be born, through the efforts of anti­civilization warriors? Please! Let us see the truth, plant our feet on the ground and let leftism and illusions fly from our minds. The revolution has never existed, nor have revolutionaries; those who view themselves as “potential revolutionaries”and seek a “radical anti­technology shift” are truly being idealistic and irrational because none of that exists, in this dying world only Individual Autonomy exists and it is for this that we fight.”

2. “A world without domestication, with a system stopped by the work of the “revolutionaries,” with Wild Nature born from the ashes of the old technological regime and the human species (what remains) returned to the wild, is completely illusory and dreamy.”

3. “ITS shows its true face, we go to the central point, the fierce defense of Wild Nature (including human); we do not negotiate, we carry out our task with the necessary materials, without compassion and accepting the responsibility of the act. Our instincts make us do it, since (as we have said before) we are in favor of natural violence against civilized destruction.”

The response ITS has received has been one of active exteriorisation on the part of leftists and moral-­anarchists. The left­-anarchist publication Its Going Down in particular spoke out against ITS, noticeably following their 29th communiqué, where they claimed responsibility for the murder of a woman in a forest, and have demonised anarchists and westerners who include Eco­-Extremism within discussions. Its Going Down struck ITS with the label of Eco­-Fascism in one of their condemnations of the group, in an obvious attempt to morally demonise them, excluding them from the community of groups and organisations deemed acceptable within anarchist morality. This is, like with MEND and Fight of the Rebel Territory, done under the gaze of a parental superego Other, repressing that which is deemed morally unacceptable, from a position of moral authority, as God. This is an example of what Camatte described, where the leftist condemners of ITS and Eco-­Extremism treat Eco­-Extremists, those interested in Eco-­Extremism and their own sympathisers and supporters, as objects for scientific manipulation, in a capitalistic move to control, to territorialise.

The Eco­Extremist journal Regresion Magazine makes a noticeable attempt to exteriorise itself, in both its name and its contents. It describes itself as the antonym to progress, as the antithetical regressive force, placing its strategy as one of active Marxist style dualistic dialectics. The magazine is one that claims to actively not want to be read or be trying to find readers, but makes itself available to read online by anyone. It is actively saying “we are not one of you” and “we are not a part of this”, in a very similar way to how Leftists seek to exteriorise Eco-­Extremism. From these examples I have presented, I have looked to identify that, in both positive and negative moral framings, through both interiorising and exteriorising within the narrative of progress, revolution and history, the leftist relationship towards anti­-colonial and decolonial radical and extremist projects is one whose machinic structure is functionally and ideologically colonialist and racist. The left does not accept or condemn the actions of indigenous and anti­-civ groups simply on their own terms, but layers it with the symbology of its own ideological design. As well as this, the decolonial movement has become so much a part of the Leftist machine, that, in the case of Eco­Extremists, indigenous peoples are moving away from the struggle.

At this point I feel to move to somewhere slightly different to where we have been for the bulk of this, though not straying too far away. I frame this in geographical place, rather than historical time, because what I am moving to is neither historically progressive nor reactionary, or regressive, whichever term you prefer, but metaphysically presentist, in an egoist and phenomenologically immediatist sense. Karl Popper stated in his work The Open Society and Its Enemies, where he critiques the teleological historicism of Hegel, Marx and similar thinkers as being fundamentally totalitarian, “History has no meaning”– a proposition undoubtedly disagreeable to anyone who embraces Leftist political positions, but this is the sentiment I wish to move forward from.

This is the matter of destruction, which I will later differentiate from violence. Now, when I look outwards from myself at what post-­anarchist discourse and action means now, in this present moment, as we find ourselves in systematic crisis, ecological collapse and amidst so much violence, it seems to me that we can really only being talking about ontology. I am not meaning that we are talking about and can only talk about vague and abstract concepts, but rather that at the root of our discourses and that if we are honest about our discussions we are talking about psycho­ontics, social­ontics, eco­-ontics, about Realities and about the Real – I am delving here, through bringing ontics in alongside ontology, into the world of Things (capital T) and reification (using the term equally in the sense meant by good old Commie Marx and the sense of the fallacy of concretism, also know as hypostatization).

These ontological discussions might often be framed within Symbolic theatres of ideologies, interiorising and exteriorising, in processes of territorialisation. But underneath this clothing, the bare­naked flesh of our discourse, lives and selves, isontological. We are, in many ways, all practicing ontological anarchists.

From this, I make this assertion, that the ontological anarchist project is one of active destruction, in the Heideggerian sense (with the k replacing the c) – I like to borrow Discordian philosopher Robert Anton Wilson’s term guerrilla ontology for this. As Heidegger found, destruction is a presentist task and doesn’t fit into normal categories of positive­negative, being nihilistically amoral and not positioned within the past. Being non­dualistically positive or negative, destruction here is a radically monist force, in the way collectivist­-anarchist Bakunin suggests when he stated “the passion for destruction is also a creative passion”– immediate; unlike the gnostic traditions of left­-wing revolutionary ideology, where both theory and practice retain an esoteric dualism, towards objects that can be manipulated scientifically.

Even more than as an anti­political practice, I assert that the actual objectless creative­destruction of Being is the process of becoming that is happening always. Civilisation and history, in this sense, are attempts to halt this process and create, through Symbolic reification, a social ontology of structured-­absolute space – the construction of territories, of objects with interiors and exteriors, of nature and the space that is outside of nature (civilisation), of sets and categories; a theatre of phantasms, technologically inauthentic, in the sense Heidegger argues, attempting to repress the relationality of Being, as temporally extended unfoldings, or rather the happening of life as the open space of possibility. Civilisation, in order to continue the machinery of its functioning, must restrict, through colonisation, morality, etc., the open space of possibility, through interiorisation and exteriorisation aimed towards a totalitarian narrative, with one directed pathway.

Now, in one sense what I, as someone from the anti­-civ world, am saying here is that we should do away with sets, categories, territories, interiors, exteriors, inclusion, exclusion, objects, symbols and other technological phantasms, but this seems unlikely at this present time to lead to much. So, alongside this, I wish to make another assertion for us as individuals, or rather as singularities, involved in the decolonial and anti­-colonial projects of deterritorialisation; that we radically embrace the notion of monism­as­pluralism; not to interiorise the cartography of radical space in a new way to the one we now do. Rather, to leave the situation as messy and to not judge the mess through moral condemnation, and not fit events within the structures of left­-wing ideology, but to leave it all in the open space of possibility. Perhaps this could be considered the eco­anarchist equivalent of Bergson’s liberal notion of the open society – though also, perhaps not. If, though, we are dealing with ontological processes, I suggest we consider our perceptions ofreality, as space and time, in the way the mathematician Poincare suggests in his philosophy of geometry; as having been born out of intuitions, which became tied to normative conventions rather than facts.

This is obviously a very uncomfortable idea I am asserting, as it leaves open basically everything, but if we are going to decolonised the structurally racist psychic­space of anti­colonial politics, then we are left with this space of discomfort, where we are having to acknowledge without morally categorising, in an anti­political sense.

Finally, I also wish to make an ontical assertion here, for the purposes of discourse, that much of what gets categorised as violence by anti­-colonial and eco­radical groups is not violence, with violence being a reified object of civilisation, signifying violation. Rather what is often in this way categorised as violence is actually an embrace of wild non­ontical acosmic ontological creative­destruction. Violation, in this way, seems to be the basic machinic functioning of civilisation – flipping ITS’s assertion of nature being violent and civilisation being destructive. The object of civilisation is the object of violence. This is not to seek to legitimise those actions I am describing as destructive rather than violent, but to differentiate for the purposes of post­-anarchist praxis.

To violate is to interrupt the flow of a space and to create a blockage, like a dam blocking a river, like a military coming to interrupt the everyday life of a community, like a penis forcing its way into somewhere through rape. Destruction is a creative aspect of the actualising­becoming­temporal processes of space that is Being. Destruction is the opening up of space.

To decolonise is to destroy the colonial production­narrative that is this culture. Lets deterritorialise, without reterritorialising, and not judge what grows out of the open space. Lets leave things open and not treat the world as an object for our manipulation. Lets not try to be God and lets destroy totalitarianism. Lets live free from interiors and exteriors, from inclusion and exclusion. Lets actually do no borders and no boundaries, and be anarchists embracing anarchy. Poincare said “Geometry is not true, it is advantageous”, but this does not go far enough – geometry isn’t true, but it can be adventurous!

This goes further than just the decolonial space obviously, as it includes the spaces of anti­patriarchy, radical environmentalism and anti­state theory and practice, as these also could do with deconstructing their territories and embrace the ontological notion of monism = pluralism – but there is not space in this essay to include thesestruggles.

I’d like to end this with this quote from autonomous-­Marxist philosopher Agamben – “What had to remain in the collective unconscious as a monstrous hybrid of human and animal, divided between the forest and the city – the werewolf – is, therefore, in its origin the figure of the man who has been banned from the city. That such a man is defined as a wolf­-man and not simply as a wolf … is decisive here. The life of the bandit, like that of the sacred man, is not a piece of animal nature without any relation to law and the city. It is, rather, a threshold of indistinction and of passage be­tween animal and man, physis and nomos, exclusion and inclusion: the life of the bandit is the life of the loup garou, the werewolf, who is precisely neither man nor beast, and who dwells paradoxically within both while belonging to neither.”

Children of Ted: The Unlikely New Generation of Unabomber Acolytes

Escrito por John H. Richardson e publicado na revista quinzenal novaiorquina New York Magazine, Children of Ted: The Unlikely New Generation of Unabomber Acolytes é um interessante artigo sobre a trajetória do teórico Selvagista John Jacobi, mas acima de tudo, o texto passa por pensamentos primitivistas primários, indo do anti-industrialismo de Ted Kaczynski à teoria eco-extremista de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS).

Two decades after his last deadly act of ecoterrorism, the Unabomber has become an unlikely prophet to a new generation of acolytes.

When John Jacobi stepped to the altar of his Pentecostal church and the gift of tongues seized him, his mother heard prophecies — just a child and already blessed, she said. Someday, surely, her angelic blond boy would bring a light to the world, and maybe she wasn’t wrong. His quest began early. When he was 5, the Alabama child-welfare workers decided that his mother’s boyfriend — a drug dealer named Rock who had a red carpet leading to his trailer and plaster lions standing guard at the door — wasn’t providing a suitable environment for John and his sisters and little brother. Before they knew it, they were living with their father, an Army officer stationed in Fayetteville, North Carolina. But two years later, when he was posted to Iraq, the social workers shipped the kids back to Alabama, where they stayed until their mother hanged herself from a tree in the yard. John was 14. In the tumultuous years that followed, he lost his faith, wrote mournful poems, took an interest in news reports about a lively new protest movement called Occupy Wall Street, and ran away from the home of the latest relative who’d taken him in — just for a night, but that was enough. As soon as he graduated from high school, he quit his job at McDonald’s, bought some camping gear, and set out in search of a better world.

When a young American lights out for the territories in the second decade of the 21st century, where does he go? For John Jacobi, the answer was Chapel Hill, North Carolina — Occupy had gotten him interested in anarchists, and he’d heard they were active there. He was camping out with the chickens in the backyard of their communal headquarters a few months later when a crusty old anarchist with dreadlocks and a piercing gaze handed him a dog-eared book called Industrial Society and Its Future. The author was FC, whoever that was. Jacobi glanced at the first line: “The Industrial Revolution and its consequences have been a disaster for the human race.”

This guy sure gets to the point, he thought. He skimmed down the paragraph. Industrial society has caused “widespread psychological suffering” and “severe damage to the natural world”? Made life more comfortable in rich countries but miserable in the Third World? That sounded right to him. He found a quiet nook and read on.

The book was written in 232 numbered sections, like an instruction manual for some immense tool. There were two main themes. First, we’ve become so dependent on technology that the real decisions about our lives are made by unseen forces like corporations and market flows. Our lives are “modified to fit the needs of this system,” and the diseases of modern life are the result: “Boredom, demoralization, low self-esteem, inferiority feelings, defeatism, depression, anxiety, guilt, frustration, hostility, spouse or child abuse, insatiable hedonism, abnormal sexual behavior, sleep disorders, eating disorders, etc.” Jacobi had experienced most of those himself.

The second point was that technology’s dark momentum can’t be stopped. With each improvement, the graceful schooner that sails our shorelines becomes the hulking megatanker that takes our jobs. The car’s a blast bouncing along at the reckless speed of 20 mph, but pretty soon we’re buying insurance, producing our license and registration if we fail to obey posted signs, and cursing when one of those charming behavior-modification devices in orange envelopes shows up on our windshields. We doze off while exploring a fun new thing called social media and wake up to big data, fake news, and Total Information Awareness.

All true, Jacobi thought. Who the hell wrote this thing?

The clue arrived in section No. 96: “In order to get our message before the public with some chance of making a lasting impression, we’ve had to kill people,” the mystery author wrote.

Kaczynski at the time of his arrest, in 1996. Photo: Donaldson Collection/Getty Images

“Kill people” — Jacobi realized that he was reading the words of the Unabomber, Ted Kaczynski, the hermit who sent mail bombs to scientists, executives, and computer experts beginning in 1978. FC stood for Freedom Club, the pseudonym Kaczynski used to take credit for his attacks. He said he’d stop if the newspapers published his manifesto, and they did, which is how he got caught, in 1995 — his brother recognized his prose style and reported him to the FBI. Jacobi flipped back to the first page, section No. 4: “We therefore advocate a revolution against the industrial system.”

The first time he read that passage, Jacobi had just nodded along. Talking about revolution was the anarchist version of praising the baby Jesus, invoked so frequently it faded into background noise. But Kaczynski meant it. He was a genius who went to Harvard at 16 and made breakthroughs in something called “boundary functions” in his 20s. He joined the mathematics department at UC Berkeley when he was 25, the youngest hire in the university’s then-99-year history. And he did try to escape the world he could no longer bear by moving to Montana. He lived in peace without electricity or running water until the day when, maddened by the invasion of cars and chain saws and people, he hiked to his favorite wild place for some relief and found a road cut through it. “You just can’t imagine how upset I was,” he told an interviewer in 1999. “From that point on, I decided that, rather than trying to acquire further wilderness skills, I would work on getting back at the system. Revenge.” In the next 17 years, he killed three people and wounded 23 more.

Jacobi didn’t know most of those details yet, but he couldn’t find any holes in Kaczynski’s logic. He said straight-out that ordinary human beings would never charge the barricades, shouting, “Destroy our way of life! Plunge us into a desperate struggle for survival!” They’d probably just stagger along, patching holes and destroying the planet, which meant “a small core of deeply committed people” would have to do the job themselves (section No. 189). Kaczynski even offered tactical advice in an essay titled “Hit Where It Hurts,” published a few years after he began his life sentence in a federal “supermax” prison in Colorado: Forget the small targets and attack critical infrastructure like electric grids and communication networks. Take down a few of those at the right time and the ripples would spread rapidly, crashing the global economic system and giving the planet a breather: No more CO2 pumped into the atmosphere, no more iPhones tracking our every move, no more robots taking our jobs.

Kaczynski was just as unsentimental about the downsides. Sure, decades or centuries after the collapse, we might crawl out of the rubble and get back to a simpler, freer way of life, without money or debt, in harmony with nature instead of trying to fight it. But before that happened, there was likely to be “great suffering” — violent clashes over resources, mass starvation, the rise of warlords. The way Kaczynski saw it, though, the longer we go like we’re going, the worse things will get. At the time his manifesto was published, many people reading it probably hadn’t heard of global warming and most certainly weren’t worried about it. Reading it in 2014 was a very different experience.

The shock that went through Jacobi in that moment — you could call it his “Kaczynski Moment” — made the idea of destroying civilization real. And if Kaczynski was right, wouldn’t he have some responsibility to do something, to sabotage one of those electric grids?

His answer was yes, which was almost as alarming as discovering an unexpected kinship with a serial killer — even when you’re sure that morality is just a social construct that keeps us docile in our shearing pens, it turns out setting off a chain of events that could kill a lot of people can raise a few qualms.

“But by then,” Jacobi says, “I was already hooked.”

Jacobi in Chapel Hill, North Carolina. Photo: Colby Katz

Quietly, often secretly, whether they gather it from the air of this anxious era or directly from the source like Jacobi did, more and more people have been having Kaczynski Moments. Books and webzines with names like Against Civilization, FeralCulture, Unsettling America, and the Ludd-Kaczynski Institute of Technology have been spreading versions of his message across social-media forums from Reddit to Facebook for at least a decade, some attracting more than 100,000 followers. They cluster around a youthful nickname, “anti-civ,” some drawing their ideas directly from Kaczynski, others from movements like deep ecology, anarchy, primitivism, and nihilism, mixing them into new strains. Although they all believe industrial civilization is in a death spiral, most aren’t trying to hurry it along. One exception is Deep Green Resistance, an activist network inspired by a 2011 book of the same name that includes contributions from one of Kaczynski’s frequent correspondents, Derrick Jensen. The group’s openly stated goal, like Kaczynski’s, is the destruction of civilization and a return to preagricultural ways of life.

So far, most of the violence has happened outside of the United States. Although the FBI declined to comment on the topic, the 2017 report on domestic terrorism by the Congressional Research Service cited just a handful of minor attacks on “symbols of Western civilization” in the past ten years, a period of relative calm most credit to Operation Backfire, the FBI crackdown on radical environmental efforts in the mid-aughts. But in Latin America and Europe, terrorist groups with florid names like Conspiracy of Cells of Fire and Wild Indomitables have been bombing government buildings and assassinating technologists for almost a decade. The most ominous example is Individualidades Tendiendo a lo Salvaje, or ITS (usually translated as Individuals Tending Toward the Wild), a loose association of terrorist groups started by Mexican Kaczynski devotees who decided that his plan to take down the system was outdated because the environment was being decimated so fast and government surveillance technology had gotten so robust. Instead, ITS would return to its guru’s old modus operandi: revenge. The group set off bombs at the National Ecology Institute in Mexico, a Federal Electricity Commission office, two banks, and a university. It now claims cells across Latin America, and in January 2017, the Chilean offshoot delivered a gift-wrapped bomb to Oscar Landerretche, the chairman of the world’s largest copper mine, who suffered minor injuries. The group explained its motives in a defiant media release: “The pretentious Landerretche deserved to die for his offenses against Earth.”

In the larger world, where no respectable person would praise Kaczynski without denouncing his crimes, little Kaczynski Moments have been popping up in the most unexpected places — the Fox News website, for example, which ran a piece by Keith Ablow called “Was the Unabomber Correct?” in 2013. After summarizing some of Kaczynski’s dark predictions about the steady erosion of individual autonomy in a world where the tools and systems that create prosperity are too complex for any normal person to understand, Ablow — Fox’s “expert on psychiatry” — came to the conclusion that Kaczynski was “precisely correct in many of his ideas” and even something of a prophet. “Watching the development of Facebook heighten the narcissism of tens of millions of people, turning them into mini reality-TV versions of themselves,” he wrote. “I would bet he knows, with even more certainty, that he was onto something.”

That same year, in the leading environmentalist journal Orion, a “recovering environmentalist” named Paul Kingsnorth — who’d stunned his fellow activists in 2008 by announcing that he’d lost hope — published an essay about the disturbing experience of reading Kaczynski’s manifesto for the first time. If he ended up agreeing with Kaczynski, “I’m worried that it may change my life,” he confessed. “Not just in the ways I’ve already changed it (getting rid of my telly, not owning a credit card, avoiding smartphones and e-readers and sat-navs, growing at least some of my own food, learning practical skills, fleeing the city, etc.) but properly, deeply.”

By 2017, Kaczynski was making inroads with the conservative intelligentsia — in the journal First Things, home base for neocons like Midge Decter and theologians like Michael Novak, deputy editor Elliot Milco described his reaction to the manifesto in an article called “Searching for Ted Kaczynski”: “What I found in the text, and in letters written by Kaczynski since his incarceration, was a man with a large number of astute (even prophetic) insights into American political life and culture. Much of his thinking would be at home in the pages of First Things.” A year later, Foreign Policy published “The Next Wave of Extremism Will Be Green,” an editorial written by Jamie Bartlett, a British journalist who tracks the anti-civ movement. He estimated that a “few thousand” Americans were already prepared to commit acts of destruction. Citing examples such as the Standing Rock pipeline protests in 2017, Bartlett wrote, “The necessary conditions for the radicalization of climate activism are all in place. Some groups are already showing signs of making the transition.”

The fear of technology seems to grow every day. Tech tycoons build bug-out estates in New Zealand, smartphone executives refuse to let their kids use smartphones, data miners find ways to hide their own data. We entertain ourselves with I Am Legend, The Road, V for Vendetta, and Avatar while our kids watch Wall-E or FernGully: The Last Rainforest. An eight-part docudrama called Manhunt: The Unabomber was a hit when it premiered on the Discovery Channel in 2017 and a “super hit” when Netflix rereleased it last summer, says Elliott Halpern, the producer Netflix commissioned to make another film focusing on Kaczynski’s “ideas and legacy.” “Obviously,” Halpern says, “he predicted a lot of stuff.”

And wouldn’t you know it, Kaczynski’s papers have become one of the most popular attractions at the University of Michigan’s Labadie Collection, an archive of original documents from movements of “social unrest.” Kaczynski’s archivist, Julie Herrada, couldn’t say much about the people who visit — the archive has a policy against characterizing its clientele — but she did offer a word in their defense. “Nobody seems crazy.”

Two years ago, I started trading letters with Kaczynski. His responses are relentlessly methodical and laced with footnotes, but he seems to have a droll side, too. “Thank you for your undated letter postmarked 6/11/18, but you wrote the address so sloppily that I’m surprised the letter reached me …” “Thank you for your letter of 8/6/18, which I received on 8/16/18. It looks like a more elaborate and better developed, but otherwise typical, example of the type of brown-nosing that journalists send to a ‘mark’ to get him to cooperate.” Questions that revealed unfamiliarity with his work were poorly received. “It seems that most big-time journalists are incapable of understanding what they read and incapable of transmitting facts accurately. They are frustrated fiction-writers, not fact-oriented people.” I tried to warm him up with samples of my brilliant prose. “Dear John, Johnny, Jack, Mr. Richardson, or whatever,” he began, before informing me that my writing reminded him of something the editor of another magazine told the social critic Paul Goodman, as recounted in Goodman’s book Growing Up Absurd: “ ‘If you mean to tell me,” an editor said to me, “that Esquire tries to have articles on serious issues and treats them in such a way that nothing can come of it, who can deny it?’ ” (Kaczynski’s characteristically scrupulous footnote adds a caveat, “Quoted from memory.”) His response to a question about his political preferences was extra dry: “It’s certainly an oversimplification to say that the struggle between left & right in America today is a struggle between the neurotics and the sociopaths (left = neurotics, right = sociopaths = criminal types),” he said, “but there is nevertheless a good deal of truth in that statement.”

But the jokes came to an abrupt stop when I asked for his take on America’s descent into immobilizing partisan warfare. “The political situation is complex and could be discussed endlessly, but for now I will only say this,” he answered. “The current political turmoil provides an environment in which a revolutionary movement should be able to gain a foothold.” He returned to the point later with more enthusiasm: “Present situation looks a lot like situation (19th century) leading up to Russian Revolution, or (pre-1911) to Chinese Revolution. You have all these different factions, mostly goofy and unrealistic, and in disagreement if not in conflict with one another, but all agreeing that the situation is intolerable and that change of the most radical kind is necessary and inevitable. To this mix add one leader of genius.”

Kaczynski was Karl Marx in modern flesh, yearning for his Lenin. In my next letter, I asked if any candidates had approached him. His answer was an impatient no — obviously any revolutionary stupid enough to write to him would be too stupid to lead a revolution. “Wait, I just thought of an exception: John Jacobi. But he’s a screwball — bad judgment — unreliable — a problem rather than a help.”

The Kaczynski moment dislocates. Suddenly, everyone seems to be living in a dream world. Why are they talking about binge TV and the latest political outrage when we’re turning the goddamn atmosphere into a vast tanker of Zyklon B? Was he right? Were we all gelded and put in harnesses without even knowing it? Is this just a simulation of life, not life itself?

People have moments like that under normal conditions, of course. Sigmund Freud wrote a famous essay about them way back in 1929, Civilization and Its Discontents. A few unsettled souls will always quit that bank job and sail to Tahiti, and the stoic middle will always suck it up. But Jacobi couldn’t accept those options. Staggered by the shock of his Kaczynski Moment but intent on rising to the challenge, he began corresponding with the great man himself, hitchhiked the 644 miles from Chapel Hill to Ann Arbor to read the Kaczynski archives, tracked down his followers all around the world, and collected an impressive (and potentially incriminating) cache of material on ITS along the way. He even published essays about them in an alarmingly terror-friendly print journal named Atassa. But his biggest influence was a mysterious Spanish radical theorist known only by the pseudonym he used to translate Kaczynski’s manifesto into Spanish, Último Reducto. Recommended by Kaczynski himself, who even supplied an email address, Reducto gave Jacobi a daunting reading list and some editorial advice on his early essays, which inspired another series of TV-movie twists in Jacobi’s turbulent life. Frustrated by the limits of his knowledge, he applied to the University of North Carolina, Chapel Hill, to study some more, received a full scholarship and a small stipend, and buckled down for two years of intense scholarship. Then he quit and hit the road again. “I think the homeless are a better model than ecologically minded university students,” he told me. “They’re already living outside of the structures of society.”

Four years into this bizarre pilgrimage, Jacobi is something of an underground figure himself — the ubiquitous, eccentric, freakishly intellectual kid who became the Zelig of ecoextremism. Right now, he’s about to skin his first rat. Barefoot and shirtless, with an old wool blanket draped over his shoulders, long sun-streaked hair and gleaming blue eyes, he hurries down a rocky mountain trail toward a stone-age village of wattle-and-daub huts, softening his voice to finish his thought. “Ted was a good start. But Ted is not the endgame.”

He stops there. The village ahead is the home of a “primitive skills” school called Wild Roots. Blissfully untainted by modern conveniences like indoor toilets and hot showers, it’s also free of charge. It has just three rules, and only one that will get us kicked out. “I don’t want to be associated with that name,” Wild Roots’ de facto leader told us when I mentioned Kaczynski. “I don’t want my name associated with that name,” he added. “I really don’t want to be associated with that name.”

Jacobi arrives at the open-air workshop, covered by a tin roof, where the dirtiest Americans I’ve ever seen are learning how to weave cordage from bark, start friction fires, skin animals. The only surprise is the lives they led before: a computer analyst for a military-intelligence contractor, a Ph.D. candidate in engineering, a classical violinist, two schoolteachers, and a rotating cast of college students the older members call the “pre-postapocalypse generation.” Before he became the community blacksmith, the engineering student was testing batteries for ecofriendly cars. “It was a fucking hoax,” he says now. “It wasn’t going to make any difference.” At his coal-fired forge, pounding out simple tools with a hammer and anvil, he feels much more useful. “I can’t make my own axes yet, but I made most of the handles on those tools, I make all my own punches and chisels. I made an adze. I can make knives.”

Freshly killed this morning, five dead rats lie on a pine board. They’re for practice before trying to skin larger game. Jacobi bends down for a closer look, selects a rat, ties a string to its twiggy leg, and hangs it from a rafter. He picks up a razor. “You wanna leave the cartilage in the ear,” his teacher says. “Then cut just above the white line and you’ll get the eyes off.”

A few feet away, a young woman who fled an elite women’s college in Boston pounds a wooden staff into a bucket to pulverize hemlock bark to make tannin to tan the bear hide she has soaking in the stream — a mixture of mashed hemlock and brain tissue is best, she says, though eggs can substitute if you can’t get fresh brain.

Jacobi works the razor carefully. The eyes fall into the dirt.

“I’m surprised you haven’t skinned a rat before,” I say.

“Yeah, me too,” he replies.

He is, after all, the founder of The Wildernist and Hunter/Gatherer, two of the more radical web journals in the personal “rewilding” movement. The moderates at places like ReWild University talk of “rewilding your taste buds” and getting in “rockin’ fit shape.” “We don’t have to demonize our culture or attempt to hide from it,” ReWild University’s website enthuses. Jacobi has no interest in padding the walls of the cage — as he put it in an essay titled “Taking Rewilding Seriously,” “You can’t rewild an animal in a zoo.”

He’s not an idiot; he knows the zoo is pretty much everywhere at this point. He explained this in the philosophical book he wrote at 22, Repent to the Primitive: “My focus on the Hunter/Gatherer is based on a tradition in political philosophy that considers the natural state of man before moving on to an analysis of the civilized state of man. This is the tradition of Hobbes, Rousseau, Locke, Hume, Paine.” His plan is to ace his primitive skills, then test living wild for an extended time in the deepest forest he can find.

So why did it take him so long to get out of the zoo?

“I thought sabotage was more important,” he says.

But this isn’t the place to talk about that — he doesn’t want to break Wild Roots’ rules. Jacobi goes silent and works his razor down the rat’s body, pulling the skin down like a sock.

When he’s finished, he leads the way back into the woods, naming the plants: pokeberry, sourwood, rhododendron, dog hobble, tulip poplar, hemlock. The one with orange flowers is a lily that will garnish his dinner tonight. “If you want, I can get some for you,” he offers.

Then he returns to the forbidden topic. “I could never do anything like that,” he says firmly — unless he could, which is also a possibility. “I don’t have any moral qualms with violence,” he says. “I would go to jail, but for what?”

For what? The first time I talked to him, he told me he had dreams of being the leader Kaczynski wanted.

“I am being a little evasive,” he admits. His other reason for going to college, he says, was to plant the anti-civ seed in the future lawyers and scientists gathered there — “people who will defend you, people who have access to computer networks” — and also, speaking purely speculatively, who could serve as “the material for a terrorist criminal network.”

“Did you convince anybody?” I ask.

“I don’t know. I always told them not to tell me.”

“So you wanted to be the Lenin?”

“Yeah, I wanted to be Lenin.”

But let’s face it, he says, the revolution’s never going to happen. Probably. Maybe. That’s why he’s heading into the woods. “I want to come out in a few years and be like Jesus,” he jokes, “working miracles with plants.”

Isn’t he doing exactly what Lenin did during his exile in Europe, though? Honing his message, building a network, weighing tactical options, and creating a mystique. Is he practicing “security culture,” the activist term for covering your tracks? “Are you hiding the truth? Are you secretly plotting with your hard-core cadre?”

He smiles. “I wouldn’t be a very good revolutionary if I told you I was doing that.”

At the last minute, Abe Cabrera changed our rendezvous point from a restaurant in New Orleans to an alligator-filled swamp an hour away. This wasn’t a surprise. Jacobi had given me Cabrera’s email address, identifying him as the North American contact for ITS, which Cabrera immediately denied. His interest in ITS was purely academic, he insisted, an outgrowth of his studies in liberation theology. “However,” he added, “to say that I don’t have any contact with them may or may not be true.”

Now he’s leading me into the swamp, literally, talking about an ITS bomb attack on the head of the Department of Physical and Mathematical Sciences at the University of Chile in 2011. “Is that a fair target?” he asks. “For Uncle Ted, it would have been, so I guess that’s the standard.” He chuckles.

He’s short, round, bald, full of nervous energy, wild theories, and awkward tics — if “Terrorist Spokesman” doesn’t work out for him, he’s a shoo-in for “Mad Scientist in a B-Movie.” Giant ferns and carpets of moss appear and disappear as he leads the way into the swamp, where the elephantine roots of cypress trees stand in the eerie stillness of the water like dinosaurs.

He started checking out ITS after he heard some rumors about a new cell starting up in Torreón, his grandparents’ birthplace in Mexico, he says, but the group didn’t really catch his interest until it changed its name from Individuals Tending Toward the Wild to Wild Reaction. Why? Because healthy animals don’t have “tendencies” when they confront an enemy. As one Wild Reaction member put it in the inevitable postattack communiqué, another example of the purple prose poetry that has become the group’s signature: “I place the device, and it transforms me into a coyote thirsting for revenge.”

Cabrera calls this “radical animism,” a phrase that conjures the specter of nature itself rising up in revolt. Somehow that notion wove together all the dizzying twists his life had taken — the years as the child of migrant laborers in the vegetable fields of California’s Imperial Valley, his flirtation with “super-duper Marxism” at UC Berkeley, the leap of faith that put him in an “ultraconservative, ultra-Catholic” order, and the loss of faith that surprised him at the birth of his child. “Most people say, ‘I held my kid for the first time and I realized God exists.’ I held my kid the first time and I said, ‘You know what? God is bullshit.’ ” People were great in small doses but deadly in large ones, even the beautiful little girl cradled in his arms. There were no fundamental ethical values. It all came down to numbers. If that was God’s plan, the whole thing was about as spiritually “meaningful as a marshmallow,” Cabrera says.

John Jacobi is a big part of this story, he adds. They connected on Facebook after a search for examples of radical animism led him to Hunter/Gatherer. They both contributed to the journal Atassa, which was dedicated on the first page to the premise that “civilization should be fought” and that the example of Ted Kaczynski “is what that fighting looks like.” In the premier edition, Jacobi made the prudent decision to write in a detached tone. Cabrera’s essay bogs down in turgid scholarship before breaking free with a flourish of suspiciously familiar prose poetry: “Ecoextremists believe that this world is garbage. They understand progress as industrial slavery, and they fight like cornered wild animals since they know that there is no escape.”

Cabrera weaves in and out of corners like a prisoner looking for an escape route, so it’s hard to know why he chose a magazine reporter for his most incendiary confession: “Here’s the super-official version I haven’t told anybody — I am the unofficial voice-slash-theoretician of ecoextremism. I translated all 30 communiqués. I translated one last night.”

Abe Cabrera: Abracadabra.

Yes, he knows this puts him dangerously close to violating the laws against material contributions to terrorism. He read the Patriot Act. That’s why he leads a double life, even a triple life. Nobody at work knows, nobody from his past knows, even his wife doesn’t know. He certainly doesn’t want his kids to know. He doesn’t even want to tell them about climate change. Math homework, piano lessons, gymnastics, he’s “knee-deep in all that stuff.” He punches the clock. “What else am I gonna do? I love my kids,” he says. “I hope for their future, even though they have no future.”

His mood sinks, reminding me of Jacobi. Shifts in perspective seem to be part of this world. Puma hunted here before the Europeans came, Cabrera says, staring into the swamp. Bears and alligators, too, things that could kill you. The cypress used to be three times as thick. When you look around, you see how much everything has suffered.

But we’re not in this mess because of greed or nihilism; we’re in it because we love our children so much we made too many of them. And we’re just so good at dominating things, all that is left is to lash out in a “wild reaction,” Cabrera says. That’s why he sympathizes with ITS. “It’s like, ‘Be the psychopathic destruction you want to see in the world’, ” he says, tossing out one last mordant chuckle in place of a good-bye.

Kaczynski is annoyed with me. “Do not write me anything more about ITS,” he said. “You could get me in trouble that way.” He went on: “What is bad about an article like the one I expect you to write is that it may help make the anti-tech movement into another part of the spectacle (along with Trump, the ‘metoo movement,’ neo-Nazis, antifa, etc.) that keeps people entertained and therefore thoughtless.”

ITS, he says, is the very reason he cut Jacobi off. Even after Kaczynski told him the warden was dying for a reason to reduce his contacts with the outside world, the kid kept sending him news about them. He ended his letter to me with a controlled burst of fury. “A hypothesis: ITS is instigated by some country’s security services — probably Mexico. Their real task is to spread hopelessness, because where there is no hope there is no serious resistance.”

Wait … Ted Kaczynski is hopeful? The Ted Kaczynski who wants to destroy civilization? The idea seems ridiculous right up to the moment it spins around and becomes reasonable. What better evidence could you find than the unceasing stream of tactical and strategic advice that he’s sent from his prison cell for almost 20 years, after all. He’s hopeful that civilization can be taken down in time to save some of the planet. I guess I just couldn’t imagine how anyone could ever manage to rally a group of ecorevolutionaries large enough to do the job.

“If you’ve read my Anti-Tech Revolution, then you haven’t understood it,” he scolds. “All you have to do is disable some key components of the system so that the whole thing collapses.” I do remember the “small core of deeply committed people” and “Hit Where It Hurts,” but it’s still hard to fathom. “How long does it take to do that?” Kaczynski demands. “A year? A month? A week?”

On paper, Deep Green Resistance meets most of his requirements. The original core group spent five years holding conferences and private meetings to hone its message and build consensus, then publicized it effectively with its book, which speculates about tactical alternatives to stop the “planet from burning to a cinder”: “If selective disruption doesn’t work soon enough, some resisters may conclude that all-out disruption is needed” and launch “coordinated actions on a large scale” against key targets. DGR now has as many as 200,000 members, according to the group’s co-founder — a soft-spoken 30-year-old named Max Wilbert — who could shave off his Mephistophelian goatee and disappear into any crowd. Two hundred thousand may not sound like much when Beyoncé has 1 million-plus Instagram followers, but it’s not shabby in a world where lovers cry out pseudonyms during sex. And Fidel had only 19 in the jungles of Cuba, as Kaczynski likes to point out.

Jacobi says DGR was hobbled by a doctrinal war over “TERFs,” an acronym I had to look up — it’s short for “trans-exclusionary radical feminists” — so this summer they’re rallying the troops with a crash course in “resistance training” at a private retreat outside Yellowstone National Park in Montana. “This training is aimed at activists who are tired of ineffective actions,” the promotional flyer says. “Topics will include hard and soft blockades, hit-and-run tactics, police interactions, legal repercussions, operational security, terrain advantages and more.”

At the Avis counter at the Bozeman airport, my phone dings. It’s an email from the organizers of the event, saying a guy named Matt needs a ride. I find him standing by the curb. He’s in his early 30s, dressed in conventional clothes, short hair, no visible tattoos, the kind of person you’d send to check out a visitor from the media. When we get on the road and have a chance to talk, he says he’s a middle-school social-studies teacher. He’s sympathetic to the urge to escalate, but he’d prefer to destroy civilization by nonviolent means, possibly by “decoupling” from the modern world, town by town and state by state.

But if that’s true, why is he here?

“See for yourself,” he said.

We reach the camp in the late afternoon and set up our tents next to a big yurt. A mountain rises behind us, another mountain stands ahead; a narrow lake fills the canyon between them as the famous Big Sky, blushing at the advances of the night, justifies its association with the sublime. “Nature is the only place where you feel awe,” Jacobi told me after the leaves rustled at Wild Roots, and right now it feels true.

An hour later, the group gathers in the yurt outfitted with a plywood floor, sofas, and folding chairs: one student activist from UC Irvine, two Native American veterans of the Standing Rock pipeline protests, three radical lawyers, a shy working-class kid from Mississippi, a former abortion-clinic volunteer, and a few people who didn’t want to be identified or quoted in any way. The session starts with a warning about loose lips and a lecture on DGR’s “nonnegotiable guidelines” for men — hold back, listen, agree or disagree respectfully, avoid male-centered words, and follow the lead of women.

By that time, I’d already committed my first microaggression. The cook asked why I was standing in the kitchen doorway, and I answered, “Just supervising.” Her sex had nothing to do with it, I swear — I was waiting to wash my hands and, frankly, her question seemed a bit hostile. But the woman who followed me out the door to dress me down said that refusing to accept her criticism was another microaggression.

The first speaker turns the mood around. His name is Sakej Ward, and he did a tour in Afghanistan with the U.S. Joint Airborne and a few years in the Canadian military. He’s also a full-blooded member of the Wolf Clan of British Columbia and the Mi’kmaq of northern Maine with two degrees in political science, impressive muscles bulging through a T-shirt from some karate club, and one of those flat, wide Mohawks you see on outlaw bikers.
Unfortunately, he put his entire presentation off the record, so all I can tell you is that the theme was Native American warrior societies. Later he tells me the societies died out with the buffalo and the open range. They revived sporadically in the last quarter of the 20th century, but returned in earnest at events like Standing Rock. “It’s a question of ‘Are they there yet?’ We’ve been fighting this war for 500 years. But climate change is creating an atmosphere where it can happen.”

For the next two days, we get training in computer security and old activist techniques like using “lockboxes” to chain yourself to bulldozers and fences — given almost apologetically, like a class in 1950s home cooking. In another session, Ward takes us to a field and lines us up single file. Imagine you’re on a military patrol, he says, turning his back and holding his left hand out to the side, elbow at 90 degrees and palm forward. “Freeze!,” he barks.

We freeze.

“That’s the best way to conceal yourself from the enemy,” he tells us. He runs through basic Army-patrol semiotics. For “enemy,” you make a pistol with your hand and turn it thumbs-down. “Danger area” is a diagonal slash. After showing us a dozen signs, he stops. “Why am I making all the signs with my left hand?”

No one knows.

He turns around to face us with his finger pointed down the barrel of an invisible gun. “Because you always have to have a finger in control of your weapon,” he says.

The trainees are pumped afterward. “You can take out transformers with a .50 caliber,” one man says.

“But you don’t just want to do one,” says another. “You want four-man teams taking out ten transformers. That would bring the whole system to a halt.”

Kaczynski would be fairly pleased with this so far, I think. Ward is certainly a plausible contender for the Lenin role. Wilbert might be too. “We talk about ‘cascading catastrophic effects,’ ” he tells us in one of the last yurt meetings, summing up DGR’s grand strategy. “A large percent of the nation’s oil supply is processed in a facility in Louisiana, for example. If that was taken down, it would have cascading effects all over the world.”

But then the DGR women called us together for a lecture on patriarchy, which has to be destroyed at the same time as civilization. Also, men who voluntarily assume gendered aspects of female identity should never be allowed in female-sovereign spaces — and don’t call them TERFs unless you want a speech on microaggression.

Matt listens from the fringes in a hoodie and mirrored glasses, looking exactly like the famous police sketch of the Unabomber. I’m pretty sure he’s trolling them. Maybe he’s remembering the same Kaczynski quote I am: “Take measures to exclude all leftists, as well as the assorted neurotics, lazies, incompetents, charlatans, and persons deficient in self-control who are drawn to resistance movements in America today.”

At the farewell dinner, one of the more mysterious trainees finally speaks up. With long, wild hair, a floppy wilderness hat, pants tucked into waterproof boots, a wary expression, and an actual hermit’s cabin in Montana, he projects the anti-civ vibe with impressive authenticity. He was involved in some risky stuff during the Cove Mallard logging protests in Idaho in the mid-1990s, he says, but he retreated after the FBI brought him in for questioning. Lately, though, he’s been getting the feeling that things are starting to change, and now he’s sure of it. “I’ve been in a coma for 20 years,” he says. “I want to thank you guys for being here when I woke up.” One of the radical lawyers wraps up with a lyrical tribute to the leaders of Ireland’s legendary 1916 rebellion. He waxes about Thomas MacDonagh, the schoolteacher who led the Dublin brigade and whistled as he was led to the firing squad.

On the drive back to the airport, I ask Matt if he’s really a middle-school teacher. He answers with a question: What is your real interest in this thing?

I mention John Jacobi. “I know him,” he says. “We’ve traded a few emails.”

Of course he does. He’s another serious young man with gears turning behind his eyes.

“Can you imagine actually doing something like that?” I ask.

“Well,” he answers, drawing out the pause, “Thomas MacDonagh was a schoolteacher.”

The next time I talk to John Jacobi, he’s back in Chapel Hill living with a friend and feeling shaky. Things were getting strange at Wild Roots, he says — nobody could cooperate, there were personal conflicts. And, well, there was an incident with molly. It’s been a hard four years. First he lost Jesus and anarchy. Then Kaczynski and Último Reducto dumped him, which was really painful, though he understood why. “I’ve been unreliable,” he says woefully. To make matters worse, an ITS member called Los Hijos del Mencho denounced him by name online: The trouble with Jacobi was his “reluctance to support indiscriminate attacks” because of his sentimental attachment to humanity.

Jacobi is considering the possibility that his troubled past may have affected his judgment. He still believes in the revolution, he says, but he’s not sure what he’d do if somebody gave him a magic bottle of Civ-Away. He’d probably use it. Or maybe not.

I check in a couple of weeks later. He’s working in a fish store and thinking of going back to school. Maybe he can get a job in forest conservation. He’d like to have a kid someday.

He brings up Paul Kingsnorth, the “recovering environmentalist” who got rattled by Kaczynski’s manifesto in 2012. Kingsnorth’s answer to our global existential crisis was mourning, reflection, and the search for “the hope beyond hope.” The group he co-founded to help people with that task, a mixture of therapy group and think tank called Dark Mountain, now has more than 50 chapters worldwide. “I’m coming to terms with the fact that it might very well be true that there’s not much you can do,” Jacobi says, “but I’m having a real hard time just letting go with a hopeless sigh.”

In his Kaczynski essay, Kingsnorth, who has since moved to Ireland to homeschool his kids and write novels, put his finger on the problem. It was the hidden side effect of the Kaczynski Moment: paralysis. “I am still embedded, at least partly because I can’t work out where to jump, or what to land on, or whether you can ever get away by jumping, or simply because I’m frightened to close my eyes and walk over the edge.” To the people who end up in that suspended state now and then, lying in bed at four in the morning imagining the worst, here’s Kingsnorth’s advice: “You can’t think about it every day. I don’t. You’ll go mad!”

It’s winter now and Jacobi’s back on the road, sleeping in bushes and scavenging for food, looking for his place to land. Sometimes I wonder if he makes these journeys into the forest because of the way his mother ended her life — maybe he’s searching for the wild beasts and ministering angels she heard when he fell to his knees and spoke the language of God. Psychologists call that magical thinking. Medication and counseling are more effective treatments for trauma, they say. But maybe the dream of magic is the magic, the dream that makes the dream come true, and maybe grief is a gift too, a check on our human arrogance. Doesn’t every crisis summon the healers it needs?

In the poems Jacobi wrote after his mother hanged herself, she turned into a tree and sprouted leaves.

Um quarto dos vertebrados do mundo morrem por interferência humana

Pesquisadores descobriram que a humanidade é responsável por 28% de todos os vertebrados terrestres que morrem.

De Revista Galileu:

Efeito desproporcional: foi assim que uma equipe de cientistas da Faculdade SUNY de Ciências Ambientais e Florestais (FSE), em Nova York, e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos descreveu a influência dos seres humanos nas mais 35 mil espécies de vertebrados existentes.

Em estudo publicado no periódico Global Ecology and Biogeography os cientistas explicam que analisaram as mortes de 42.755 animais relatadas em 1.114 estudos publicados e, a partir disso, descobriram que 28% delas foram diretamente causadas ​​por seres humanos.

”Todos sabemos que os humanos podem ter um efeito substancial na vida selvagem”, disse um dos autores, Jerrold L. Belant. “Somos apenas uma entre as 35 mil espécies de vertebrados terrestres no mundo, mas responsáveis ​​por mais de um quarto de suas mortes. Isso fornece uma perspectiva de quão grande o nosso efeito realmente é.”

Ele continua: “E isso é apenas causas diretas. Quando você também considera o crescimento urbano e outras mudanças no uso da terra que reduzem o habitat, fica claro que os humanos têm um efeito desproporcional sobre outros vertebrados terrestres”.

Os pesquisadores concluíram que os seres humanos são um dos principais contribuintes para a mortalidade de vertebrados terrestres. Quanto maior e mais velho o animal, maior a probabilidade de ser morto por humanos.

Segundo eles, 75% da superfície terrestre é afetada pela atividade humana. “É um alerta”, disse Belant. “Considere as taxas de desmatamento e o branqueamento dos recifes de coral devido ao aumento da temperatura do mar. Esta é mais uma evidência a ser acrescentada à lista. Mais um exemplo do impacto que estamos impondo ao planeta.”

[AUDIO – EN] The Flower Growing Out Of The Underworld: An Introduction to Eco-extremism

Audiobook em inglês da Revista Atassa do texto O que é o Eco-extremismo? – A flor que cresce no submundo: Uma introdução ao eco-extremismo.

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Especialista em sons da natureza adverte: o mundo animal está cada vez mais silencioso

Segundo ele, a orquestra da natureza é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber.

De Revista Galileu:

O músico americano Bernie Krause já gravou com lendas como Bob Dylan, George Harrison e Stevie Wonder. Nos últimos 47 anos, porém, dedica-se a outro tipo de música: a orquestra da natureza. Krause se especializou em bioacústica e grava os sons de animais em florestas, mares, pântanos e desertos em várias partes do mundo. Hoje, ele possui um centro de pesquisa dos sons do mundo animal, com mais de quatro mil horas de gravações e 15 mil espécies em seu habitat natural.

O trabalho de Krause tem um valor inestimável já que, à medida que florestas são desmatadas e o clima se transforma, boa parte de seu trabalho é composto de sons que não existem mais. “Tudo está mudando por causa do aquecimento global, o nível dos mares e o desmatamento em geral. Metade dos meus arquivos vêm de habitats que ou foram radicalmente transformados pela ação do homem ou já estão em silêncio. Metade desses arquivos você já não pode ouvir de outra forma”, diz. Em entrevista a GALILEU, Krause explicou por que ele acredita que o mundo natural é uma narrativa que nos conta tudo que precisamos saber. Confira:

GALILEU: Antes de se dedicar à “orquestra da natureza” você era músico. O que o fez mudar de carreira?

Eu até conheci Tom Jobim e tivemos muitas discussões sobre isso também. Eu entrei nessa área porque como um músico eu sempre trabalhava em ambientes fechados e eu queria trabalhar ao ar livre. Em 1967, desisti da música de vez e fiz minha especialização em bioacústica, o estudo do som de animais vivos, e desde então trabalho na área. O que eu descobri no ramo dos animais foi a origem da vida, algo que o Tom fez, na verdade. Boa parte de suas músicas se baseiam nos sons da Mata Atlântica que ele ouviu ao crescer no Rio de Janeiro.

Você acha que nosso conceito de música é inspirado na natureza?

Toda nossa música é inspirada pelos sons da natureza porque somos mímicos. Nós aprendemos a imitar o que ouvimos no mundo ao nosso redor. Quando vivemos mais perto do mundo natural, organizamos os sons como os animais o fazem, imitamos o som solo de animais como pássaros e mamíferos e tiramos música daí. Quando começamos, éramos uma parte pequena da orquestra animal, porque precisávamos organizar esses sons para mostrar que fazíamos parte do mesmo grupo, para sobreviver.

Você tem experiência gravando os sons da natureza brasileira?

Eu gravei os sons de muitos lugares no Brasil, como Minas Gerais, Amazônia, a Mata Atlântica, eu fui ao Brasil muitas vezes e graveis em vários locais diferentes. Meu lugar preferido é a Amazônia porque lá o som é muito mais rico. É verdadeiramente mágico. Na Mata Atlântica, o problema é que o habitat foi tão prejudicado que é muito complicado gravar lá, você simplesmente não encontra mais muita diversidade.

Estamos enfrentando um sério problema de desmatamento na Amazônia agora também. Você tem uma comparação entre os sons da Amazônia ao longo de alguns anos?

Faz muito tempo que eu não vou ao Brasil, quero voltar à Amazônia, mas ainda não consegui financiamento para isso. O que sabemos é que, ao gravar sons naturais, você pode interpretar muito rapidamente as consequências da atividade humana, e as pessoas têm muito medo disso. Muitas indústrias não querem isso, então é muito difícil de conseguir financiamento. Porque mostra muito rapidamente os resultados do desmatamento, realmente mostra o antes e o depois das atividades do homem.

Por que usar gravadores e não câmeras para arquivar os sons da natureza?

Com uma câmera, é muito fácil enquadrar uma imagem que faz com que um habitat pareça saudável, mesmo quando ele não está. Já os microfones gravam em 360 graus, o habitat completo, e o som mostra uma perspectiva completa. O que eu falo aos meus alunos é que uma foto pode valer mil palavras, mas um som vale mais que mil imagens, porque o som nos fala a verdade, quantas espécies de pássaros, mamíferos, insetos e répteis estão ativos no lugar.

O silêncio é o som da extinção?

Nos anos 1960, uma mulher chamada Rachel Carson escreveu um livro chamado “A Primavera Silenciosa”, no qual ela explica o que vai acontecer se o mundo natural ficar silencioso por causa do homem. O que eu vejo é que estamos nos aproximando não só de uma primavera silenciosa, mas inverno, outono e verão silenciosos.

Mesmo em uma floresta densa como a da Amazônia, se você cortar apenas algumas árvores ali, as consequências serão sentidas em grande escala pelos animais que ocupam esse lugar há muito tempo. Ou seja, um efeito profundo no som que será sentido muito rapidamente. Nós temos que pensar nas formas como estamos afetando esses lugares e perguntar a nós mesmos se é isso o que queremos, o silêncio do mundo natural. São organismos vivos, essa é a vida de onde viemos, se a aniquilarmos, estaremos destruindo a vida à nossa volta. Essa é a voz divina, as pessoas falam em religiões, mas essa é a voz divina que está implorando por proteção. As nossas vidas dependem dela.

Confira, abaixo, a comparação de sons gravados por Bernie Krause em áreas que tiveram algumas áreas derrubadas:

[AUDIO – EN] The Brilliant Podcast On Atassa

Podcast número 41 do projeto The Brilliant sobre a Revista Atassa e as desafiantes postulações do eco-extremismo que põe em xeque as velhas teorias e alimenta a coragem da confrontação terrorista contra a civilização.


Episode 41: Atassa

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This episode of the Brilliant is an active discussion between Bellamy, Aragorn!, and Wil about the new LBC journal project Atassa. It is worth checking out as an introduction to the journal and an exercise about how to think about revolutionary (or not) practice in a world where terrorism no longer has any meaning. Eco-extremism isn’t a solution that would work in the US but it does raise challenging questions about violence, the planet, and the spirit that inspires all of our actions.

Tick Tock

Introductions to Wil and Bellamy
1:34 Atassa introduction
2:00 Wil: Attitude. ITS.
6:00 Market anarchism & Technophilia
7:30 Strong introduction. Defines terms. Bel: This is something you have to deal with (Why?)
9:45 Origin story of eco-extremism. Revolution. Kacynski. Ancestral Beliefs.
13:20 Shocking bits wrt Mafia style violence, appearance, adopt an accent, espouse a strong moral character. sXe. Necheav.
15:30 Return of the warrior. Clastres. What is the relationship between violence and the State? Monopoly of violence has unforseen consequence. Becoming.
29:00 More origin of EE. Solid piece from Jacobi. Notes on wildism vs EE vs AP.
34:30 Creek War. Market economy as invasion. Old ways. Brutal.
39:00 Indiscriminate anarchists. Today there is reaction by @ against indiscriminate attacks. There is a history here. This is another way to talk about social vs anti-social @.
41:40 Is this an anarchist journal? No! But @ should be engaged with it anyway.
45:30 Are you a pacifist? Kudos for your consistency. Otherwise you have to (internally) confront the questions of Atassa.

Insetos enfrentam extinção em massa — e vão trazer tudo abaixo consigo

Pequeninos e muitas vezes ignorados, os insetos são as pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres. Se sumirem, fique certo: eles não vão sozinhos.

Ameaça: uso desmedido de agroquímicos é uma das razões para declínio. (Florian Gaertner/Getty Images)

De EXAME:

São Paulo – Mais de 40% das espécies de insetos do mundo podem ser extintas nas próximas décadas, com consequências “catastróficas” para o meio ambiente e a manutenção da própria vida na Terra.

O alerta vem de um estudo publicado na revista Biological Conservation e que fez uma revisão de 73 pesquisas globais sobre o declínio de insetos.

A lista de populações mais afetadas é liderada por borboletas, abelhas, mariposas, vespas, formigas e besouros escaravelhos, insetos essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, preenchendo funções críticas como a predação e a polinização.

Há uma série de razões pelas quais esses animais estão em apuros. O estudo cita a perda de habitat devido à conversão de terra para a “agricultura intensiva”, poluição agroquímica e mudança climática como as principais razões para o rápido declínio.

“As repercussões que isso terá para o meio ambiente do Planeta são, no mínimo, catastróficas, já que os insetos estão na base estrutural e funcional de muitos dos ecossistemas do mundo”, diz um trecho do estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, Universidade de Queensland e a Academia Chinesa de Ciências Agrárias.

Há mais de um milhão de espécies de insetos no mundo, em comparação com pouco mais de 5 mil mamíferos, e essas espécies funcionam como pedras fundamentais dos ecossistemas terrestres.

Sem os insetos, tudo viria a baixo, o que os cientistas chamam de “cascata trófica de baixo para cima”, levando ao colapso da cadeia alimentar, que se espalharia pelos ecossistemas em   uma espiral que atingiria desde predadores até plantas. Em outras palavras: não sobraria nada para sustentar a vida como a conhecemos.

Segundo o estudo, metade das espécies de mariposas e borboletas estudadas está em declínio, com um terço delas ameaçadas de extinção. Enquanto isso, quase metade das abelhas e formigas pesquisadas estão ameaçadas

O estudo recomenda várias mudanças para retardar ou interromper o declínio de insetos, incluindo uma drástica redução no uso de produtos químicos nos campos, como herbicidas, fungicidas e pesticidas, que quando aplicados atingem espécies não-alvo, e os neonicotinóides, que têm sido associados ao declínio mundial das abelhas.

Combater a mudança climática também é vital. Quase invisíveis no debate climático, os insetos são as criaturas que mais sofreriam perdas na sua distribuição no globo em um mundo mais quente. Um aumento de 3,2 graus Celsius no termômetro até o final do século poderia reduzir em 49% o alcance geográfico dos insetos, em 44% das plantas e 26% dos vertebrados, alerta um estudo publicado em 2018 na revista Science.

A vulnerabilidade dos insetos se soma à série de desventuras do processo que os cientistas caracterizam como a sexta extinção em massa na Terra.

Nos 500 milhões de anos de existência do Planeta, houve cinco extinções em massa, que levaram ao desaparecimento de 75% das espécies.

A mais famosa de todas, segundo a hipótese mais proeminente, ocorreu a 65 milhões de anos, com o impacto de um asteroide que teria destruído a vida por aqui.

Na sexta edição do cataclisma, porém, o algoz é o próprio ser humano e suas atividades nocivas ao meio ambiente.

Desde o alvorecer da civilização, a humanidade causou a perda de 83% de todos os mamíferos selvagens. Nos últimos 50 anos, as populações de todos os mamíferos selvagens, aves, répteis e peixes caíram em média 60%.

Nesse contexto, o declínio dos insetos é um golpe fatal no complexo elo de sustentação da vida. O alerta já está dado: se eles sumirem, vai todo mundo junto.